terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Esgrima em cadeira de rodas

Posição adotada pelos atletas em competições
Ontem estive no Barroca Tênis Clube, no bairro Gutierrez (Rua Américo Macedo, 348) para conhecer o pessoal que treina esgrima em cadeira de rodas. Fiquei sabendo da existência do grupo meio por acaso. Eu estava esperando a Gi para irmos ao cinema no Shopping Pátio Savassi quando um rapaz me abordou perguntando se eu fazia algum esporte. Respondi que andava de handbike e ele me contou sobre o grupo de cadeirantes que treinam lá no Barroca.
Enrolei um pouco mas ontem finalmente resolvi ir lá conferir. Fiquei impressionado com a estrutura que eles tem lá e com a animação dos cadeirantes treinando esgrima. Já participaram de várias competições, e um deles, o Marcos Melo, foi vice campeão brasileiro em duas modalidades (espada e florete) no campeonato do ano passado, em Porto Alegre.
Carlos (de costas) conversando com o atletas
Felizmente o Carlos estava dando uma aula inicial a uma aluna recém chegada, e pude acompanhar as instruções. Ele explicou sobre as diferenças nos equipamentos e quais são os movimentos iniciais para aprender as táticas de combate da esgrima. Falou também sobre a posição adotada no combate, em que as cadeiras ficam a um ângulo de aproximadamente 70 graus e presas em uma estrutura, com distância suficiente para que um atleta acerte o outro nos locais permitidos (acima da cintura). No vídeo abaixo dá pra ter uma ideia da adrenalina que é um combate. Quando um dos oponentes toca o corpo do outro, o placar acende no lado dele e apita (no caso abaixo, os dois tocaram ao mesmo tempo, o da esquerda é a luz vermelha, e o da direita, a luz verde)
video
Em seguida, ele explicou quais são as categorias de esgrima em cadeira de rodas, que variam de acordo a lesão e o controle de tronco que o atleta apresente, e sobre o movimento de tronco necessário nos combates. De acordo com a categoria, o cadeirante pode fazer uso de uma barra que fica do lado da cadeira para segurar e se apoiar. Todo o equipamento é adaptado à necessidade do atleta.
Em guarda! Fala sério, eu levo jeito, heim?
Gostei muito das explicações e também testei alguns movimentos em uma almofada própria para treino. Estou pensando seriamente em iniciar no esporte, já disse aqui várias vezes sobre a importância do esporte para os cadeirantes. A esgrima ajuda muito no controle de tronco e no aumento da força física nos membros superiores, sem contar no bem que o exercício faz para a mente.
As aulas acontecem todas segundas e quintas, a partir das 20 horas na sede do clube (Rua Américo Macedo, 348) e são gratuitas. Eles emprestam todo o equipamento para os atletas, e treinam com muita dedicação. Quem quiser mais informações, é só mandar um e-mail para agrippa@uol.com.br.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Amor sem barreiras

A Ivonete, repórter da Folha Universal que já fez algumas reportagens comigo, me mandou essa semana uma bela matéria sobre relacionamentos com pessoas com deficiência. Nela foi ressaltada a força do amor entre duas pessoas que independe da condição física, mostrando o quanto é possível vencer todos os obstáculos e ser feliz com deficiência. Ela contou com a ajuda da psicóloga Karla Garcia, do blog "Koisas com K". Achei muito interessante, e compartilho aqui com vocês:
"Quando se ama de verdade, não há barreiras, não existem fronteiras, nada é capaz de destruir o que começou, germinou e deu frutos, nem mesmo as diferenças, muitas vezes aparentes, como é o caso do jovem casal Juliana Schorck e João Eudes. Ele é deficiente físico, aos 4 anos sofreu um acidente elétrico (rede de alta tensão), queimou parcialmente o corpo e teve de amputar o braço esquerdo. Ambos estão juntos há 2 anose meio, são felizes, se completam e, sobretudo, se respeitam. Mesmo sendo fisicamente diferente do namorado neste detalhe em especial, Juliana garante que o relacionamento de ambos não está solidificado no exterior, naquilo que as pessoas chamam de “normal”.
Ela conheceu João no ambiente de trabalho e, segundo relata, encontrou nele características de suma importância em relação à vida a dois. “Além dos assuntos em comum e afinidades diversas da profissão, percebi no João valores bem parecidos com os meus”, comenta.
Juliana não se incomoda com a deficiência dele, pois, conforme ela mesma define, “condição física não determina a conduta de um ser humano, tampouco o caráter ou os valores”. Mas, por séculos e até hoje, as pessoas com deficiência foram e muitas vezes ainda são vistas apenas como de pendentes, doentes, inválidas e incapacitadas, segundo explica a psicóloga Karla Garcia, especialista em Educação Especial e integrante do Núcleo de Pesquisa da Deficiência da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
“Conceder um valor de ‘pessoa’ aos defi cientes é uma batalha que vem sendo travada, principalmente, nas últimas décadas. Nos relacionamentos afetivos não é diferente: ainda existem barreiras atitudinais, até mesmo vindas da família, que acredita que seu parente com deficiência não possui capacidade de amar. Dificuldades são inerentes a todo relacionamento entre homem e mulher, e assim também ocorre quando pessoas com e sem deficiência se envolvem. Se há amor, carinho, respeito e determinação, é importante persistir contra os preconceitos e olhares de estranheza da sociedade”, orienta Karla.
Quem quiser ver a matéria como saiu no jornal, clique aqui.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Praia Legal

Neste carnaval fui para Guarapari, como de costume, pois meus pais moram lá. E tendo lugar para ficar na praia, não dá pra dispensar, né? Ainda mais quando reunimos a família, minha irmã foi com a família e mais quatro primos meus de Juiz de Fora, com meus tios.
Na semana anterior, eu recebi a dica de alguns amigos sobre o projeto Praia Legal, uma iniciativa da Prefeitura de Vila Velha que implantou uma estrutura para atender cadeirantes na Praia da Costa, com tenda, cadeiras anfíbias e profissionais para auxiliar pessoas com dificuldade de locomoção a frequentar a praia e o mar com segurança e supervisão. O sistema é parecido com o da AdaptSurf, que pude experimentar ano passado, quando estive no Rio.
Preparado para ir pro mar
Na segunda feira combinei com minha família de irmos todos para aquela praia, para conhecer o projeto e desfrutar da estrutura. Chegando lá fui atendido pelo Robson e pelo Adenilson, que são guarda-vidas e foram treinados para auxiliar no projeto. Eles estavam retirando uma pessoa do mar e em seguida me explicaram como funciona: eles levam o cadeirante até o mar e disponibilizam "macarrões" (aquelas espumas compridas) para auxiliar na flutuação, e podem deixar a pessoa à vontade para curtir o mar desde que acompanhada por um familiar e supervisionada por eles. Me disseram também que nos fins de semana o projeto conta com fisioterapeuta, psicólogo e um profissional de educação física.
Volta pro mar, oferenda!
Me colocaram na cadeira e levaram para o mar, e assim que colocaram os macarrões e minha irmã ficou ao lado, me deixaram à vontade para curtir a fria água capixaba. Achei mais interessante este sistema, pois a gente não fica preocupado em empatar a vida dos profissionais, o que dá mais liberdade para ficar na água. No Rio, ano passado, também curti, mas fiquei preocupado com os caras, e a liberdade não é a mesma. Fiquei um bom tempo na água, e quando saí eles me deixaram na barraca onde estava minha família, e minha cadeira ficou protegida na tenda, sem pegar sol.
Ô vidinha chaaaata
Como já estava na praia, aproveitei para realizar outro sonho: andar de caiaque. Havia uma barraca alugando, e o responsável disse que eu poderia remar numa boa, já que o caiaque era de duas pessoas e poderia ir com acompanhamento, atém, é claro, do colete salva-vidas. Recrutei meu cunhado para ir comigo (apesar de que não dá pra confiar muito em cunhado), e eles trouxeram o caiaque até onde eu estava. O pessoal da Praia Legal me colocou no caiaque e se disponibilizou para ajudar caso houvesse algum "acidente" e o barco virasse.
Preparando para remar
Fomos então remar, e achei mais difícil do que pensei, pois o caiaque era do tipo aberto, e o tronco fica mais solto, dificultando o controle. Mas com o tempo fui pegando a manha. Não sei porque, mas neste momento fiquei com aquela música de carnaval na cabeça: "se a canoa não virar, olê, olê, olá, eu chego láaa".
Felizmente a canoa não virou, e me diverti bastante. É também um excelente exercício para lesado medular, pois exige muito de tronco e braços. Só vou ficar devendo uma foto remando, pois a bateria do meu celular (que também é minha câmera) acabou logo depois da foto acima, quando estava colocando o colete.
Achei muito bacana o projeto e muito competentes os profissionais. Tem uma grande vantagem, a estrutura foi construída para ser definitiva e funciona de segunda a segunda, das nove da manhã às cinco da tarde. Portanto, se você quer curtir o mar e uma bela praia, não deixe de conhecer o projeto Praia Legal. É muito legal, eu recomendo!

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Compressor doméstico


Esse funciona com tomada caseira ou do carro

No início do mês fiz um post sobre um mini compressor que uso para encher os pneus da minha handbike. O defeito dele é a tomada, só serve na saída de energia do carro (onde era acendedor de cigarro). Quando fiz, disse que encontrei um adaptador que poderia ser utilizado em casa, mas a amperagem é diferente, e meu adaptador foi inútil. Ou melhor, ele até serve para carregar celular com aquele carregador veicular.
Hoje meu amigo Gregori, de Lages, me mandou um e-mail mostrando um compressor doméstico da Black & Decker que tem vários tipos de tomada e ainda dupla utilidade para um cadeirante. Ele funciona na tomada de casa ou na do carro, e tem até uma saída como a do carro para fornecer energia para outros aparelhos, como computador, celular, etc. E a outra função dele para cadeirantes é para quem tem cadeira motorizada. Ele pode servir como bateria suplementar no caso de uma descarga das baterias da cadeira. Claro que o cara não vai sair carregando um desses na cadeira, mas pode deixar no carro, ou pedir alguém para levar até ele em uma emergência para dar uma carga nas baterias da cadeira (obs.: estas informações foram retiradas do site e estão sujeitas a conferência. Se alguém tiver alguma experiência com este compressor, por favor me informe).
Juntando os dois, temos um adaptador caseiro!
Além dessa solução que o Gregori nos mostrou, descobri naquele post do mini compressor que tem um leitor com ares de Professor Pardal, que inventou uma forma de adaptar o adaptador para ser usado em casa (complexo isso, heim). Vou explicar. O Eddie procurou um adaptador que liberasse 10 amperes e fosse 12 Volts, e descobriu que a fonte de um computador antigo tinha esta função. Ele pegou a fonte, cortou todos os fios, deixando somente um amarelo (12Volts) e um preto (Negativo). Em seguida ele isolou todos os outros fios que cortou para não entrar em curto, desmontou o adaptador de tomada, tirou somente o socket do acendedor de cigarros e ligou nos fios amarelo e preto.
Resultado final do adaptador do Eddie
Para fazer a adaptação do socket na fonte, ele cortou o socket com uma faca quente, cortou a lataria da fonte com uma tesoura comum (mas teve que amolar a tesoura depois rsrs). Então ele colou o socket com cola Araldite e soldou os fios amarelo e preto no socket. Gênio, heim! Esse cara tem futuro! Ah, e ele disse que vai fazer um vídeo explicando o passo a passo do processo de adaptação do adaptador e postar no Youtube! Assim que fizer, coloco o link aqui.
A fonte dele tem até botão liga/desliga
Para quem não tem um fonte antiga dessas (AT), ela é super barata, em qualquer loja de concerto de computador você encontra por R$ 10,00 reais usada. No Mercado Livre vende também, por 15 reais nova. Então, pra quem quer usar o mini compressor em casa, mãos à obra!

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Hotel pseudo-adaptado

Eu já disse aqui algumas vezes que uma das coisas que mais muda na vida da gente quando viramos cadeirante é o planejamento. Devemos sempre pensar em acesso e adaptações para cadeiras de rodas em todos os lugares que vamos ou frequentamos. Mas nem sempre só o planejamento resolve.
Infelizmente há lugares e pessoas que tentam passar uma imagem de acessíveis e adaptados, ou mesmo tentam ganhar clientes na base do "enrolation". Passam informações erradas e tentam nos empurrar lugares que não resolvem em nada nossas necessidades, acreditando que no fim das contas não vai haver problema se faltar "uma coisinha ou outra". Mas esse tempo acabou (ou, pelo menos, está acabando). Ninguém mais aceita gato por lebre, e o "jeitinho" brasileiro está cada vez mais fora de moda.
E uma forma muito eficiente nos dias de hoje de denunciar estes absurdos são as mídias sociais, como este blog, que procura servir como um canal de exposição das más práticas e problemas de acessibilidade encontrados por nós cadeirantes. A história abaixo foi enviada pelo Eduardo Martins, de Sorocaba. Ele me pediu umas dicas para sua primeira viagem como cadeirante, que ele faria em janeiro para Salvador, e passei o que sabia sobre o avião, e sobre as necessidades que deveria exigir no hotel. Ele agradeceu, e reservou um quarto "adaptado" em um hotel na cidade, o B Hotel, que garantiu que tinha a estrutura necessária. Abaixo o relato do Eduardo:
"Na entrada do hotel havia uma rampa com um grau de inclinação que não tem como subir sozinho, além de ser feito de piso comum e escorregadio, se chover há o risco de descer mesmo travando as rodas. Além disso, a rampa termina a 40 cm da guia, ou seja, o cadeirante vai parar no meio da rua. Ao chegar na recepção pedi as chaves da suite adaptada, que me foi prontamente entregue. Ao entrar tentei ligar para a recepção para saber se estava no quarto correto, mas o telefone não funcionava e tive que voltar até a portaria. Fui informado que sim, pois era o único que eles tinham adaptado. Mas a única adaptação realizada foi a mudança das portas para poder passar a cadeira e mais nada. A cama era composta por duas camas box de solteiro, que juntas formavam uma de casal, só que as duas tinham rodinhas e com o movimento separavam uma da outra, correndo o risco de você cair no vão entre as duas.
No banheiro havia um box de vidro com uma porta que mal passava uma pessoa em pé, e não havia ducha manual também. O vaso ficava entre o box e uma pia de pedra, sem espaço para nada, e não havia nenhum local ou barras para poder se apoiar para transferência, tinha que contar com ajuda da minha mulher todas as vezes que precisava fazer uso e mesmo assim machucando as costas quase todas as vezes. 
Tive que tomar banho frio sentado no vaso com a ducha íntima, me lavando da forma que desse e jogando água pra todo lado, aumentando ainda mais o risco para voltar para cedeira depois. Já na empresa aérea Azul fui muito bem atendido, com todos os cuidados necessários."

É gente, infelizmente ainda temos que passar por situações como estas, com total desrespeito ao cadeirante. Ou melhor, desrespeito até mesmo com o ser humano, não é preciso ser expert em acessibilidade para saber que o local é totalmente inadequado para um cadeirante. Fica a dica, se foram para Salvador, fiquem longe do B Hotel, é melhor pagar mais caro e procurar um hotel tipo "A".

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Meninas sobre rodas

Adriana Lage
Atendendo a uma solicitação feita em um post há alguns dias, resolvi fazer um post sobre algumas necessidades e situações que as mulheres cadeirantes enfrentam. Para isto, contei com a preciosa ajuda da Laura Martins, do blog A Cadeira Voadora, e da Adriana Lage, que escreve na Rede Saci. Minhas principais dúvidas eram em relação a dia a dia, utilização de banheiro, menstruação e vaidade. As duas são muito bonitas, estão sempre arrumadas e me tiraram muitas dúvidas. A Adriana é tetraplégica, com lesão no nível C5, e a Laura é paraparética, devido a uma mielite.
Laura Martins
Vamos às dicas: 
- Dia a dia:
Tetraplégicas geralmente precisam de ajuda para se transferir da cadeira e vestir roupas. A dica é se vestir deitada, facilita. Para a higiene, utilizar sabonete íntimo, lenços próprios para a região e hidratantes e óleos no corpo, sobretudo no bumbum, o que ajuda a prevenir as escaras. Além disso, é bom usar apenas calcinhas menores, de tecido macio e confortável, não necessariamente algodão, que possuam apenas uma ou duas tirinhas nas laterais (estilo 'periguete'). Elas são facílimas de retirar, mesmo para quem tem pouquíssima força nos braços. Se depilar constantemente facilita a vida, pois quanto menos pelo, melhor. A Adriana optou pela depilação a laser nas pernas - já que ela faz natação e adora usar vestidos - virilha completa, axila, coxas, etc. Fica mais fácil cuidar de um corpo sem pelos e é bem mais bonito esteticamente  falando.

- Menstruação:
Para controlá-la com mais precisão e evitar surpresas, uma dica é tomar pílula, que ajuda a diminuir os sintomas da TPM e manter o fluxo menstrual regular. Assim que termina a cartela, a menstruação chega no 5º dia sem a pílula, e a partir daí é só usar absorvente, como qualquer mulher, e trocar a cada ida ao banheiro, evitando usar roupas claras nesse período. Para amenizar os sintomas da TPM, a Adriana recomenda comer muito brócolis no período (essa eu não sabia). Quando pintam cólicas menstruais, ela  aproveita para nadar ou se exercitar. Assim, com movimento, elas passam logo.

- Banheiro:
As duas tem algum controle de esfíncter e não fazem cateterismo, mas a Laura não consegue prender por muito tempo, por isso o banheiro para ela é fundamental. Se não houver um adaptado, é preciso usar um absorvente para prevenir escape. Ou, então, não beber, ou ficar pouco tempo no local. Uma situação que ela acha complicada é o famigerado assento sanitário com abertura frontal. Com a dificuldade de equilíbrio e de controle muscular, pode acontecer, por exemplo, de a perna não conseguir ficar bem posicionada e escapar para a abertura. Como conseguir fazer suas necessidades tendo que se equilibrar sobre um assento? E, na opinião dela, um dos grandes dramas das meninas que não fazem cateterismo é ter de se sentar num vaso sanitário emporcalhado pelas outras representantes do sexo feminino que não aprenderam regras de boa educação. Isso é duro! Algumas fazem xixi de pé e respingam tudo com urina. Eca!! Outras sobem no vaso e sujam o assento com seus sapatos!! Inacreditável, mas é verdade.

- Beleza:
Vale ressaltar que dá para aliar beleza, sensualidade e praticidade. Por exemplo, dá pra ter unhas grandes e bonitas e colocar lente de contato sozinha ou fazer a higiene sem arrancar pedaço de nada. As unhas afiadas servem como armas! Tanto de sedução quanto de defesa, em caso de gracinhas não desejadas. Nessa semana a Adriana publicou na Rede Saci um texto sobre violência contra a mulher. Nele, abordou temas como estupro de vulnerável, casos de violência contra mulheres deficientes, alguns cuidados que ela toma, etc.

- Sexo:
Em caso de relações sexuais, as mulheres cadeirantes não tem os mesmo problemas que os homens. Querendo ou não, a participação delas na história é mais passiva. Dá para ter orgasmos e experimentar várias posições se o parceiro puder ajudar. Sempre lembrando da camisinha aliada a outro método anticoncepcional e de um critério na escolha do parceiro. Dá, inclusive, para fazer muita coisa interessante na cadeira de rodas!

Espero que tenham gostado das dicas, e se puderem contribuir com mais nos comentários, fiquem à vontade. E desculpem não ter publicado nada antes, pois nesse quesito, eu sou leigo. Ou melhor, era!

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Comando manual F1

Vista do motorista do comando F1, instalado em um Honda Civic
Este é mais um modelo de comando de acelerador e freio manual para adaptar em veículos para deficientes. O F1, da Guidosimplex, é um tipo diferente de comando, pois fica na lateral do console do carro. Tem gente que acha que a barra do comando manual atrapalha as pernas ou é difícil manusear, para estes o comando F1 é uma excelente alternativa. Funciona como um manche de avião, para acelerar o motorista puxa a alavanca, e para frear empurra. Simples assim!
O equipamento é fixado do lado do câmbio sendo sustentado por um suporte preso no banco. Isto possibilita maior espaço para as pernas do motorista e ainda tem um diferencial sobre todos os outros equipamentos: permite ajustar a altura e a profundidade do volante (escamoteável), se fornecido pelo veículo.

O punho é coberto com couro e possui um botão que pode ser utilizado como buzina. O comando manual F1 é vendido na Hélio Adaptações por R$ 2.480,00, valor que pode ser dividido de acordo com a necessidade do cliente. Este e todos os outros produtos da Guidosimplex podem ser encontrados em várias cidades do Brasil, como São Paulo, Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre, Curitiba, Florianópolis, Vitoria, Campo Grande, Salvador e São Luiz do Maranhão.
Para quem não gosta das barras de aceleração, é uma opção moderna e muito eficiente.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Mini Compressor

Mini compressor, para quem tem muitas rodas para encher
Ano passado, quando fui ao Rio andar de handbike, o Nickolas, do Blog Mão na Roda, me mostrou um aparelho que ele utilizava para encher os pneus da handbike dele, um compressor portátil que era ligado no acendedor de cigarros do carro. O aparelho é pequeno e tem um cabo comprido, além de um manômetro que mostra a pressão do pneu em libras. Achei muito bacana e útil o aparelho, principalmente porque as handbikes como as nossas precisam que os pneus sejam calibradas com alta pressão, em torno de 100 libras.
Chegando a Minas, tratei logo de procurar um igual, e achei na internet com preços salgados, em torno de cem reais. Corri para o Mercado Livre, e lá encontrei modelos mais em conta, por quarenta reais. Encomendei um e duas semanas depois chegou. Foi ótimo, pois na mesma semana eu furei o pneu da bike, e como arrumei em casa mesmo com um kit de remendo, já inaugurei o compressor. Ele é meio barulhento, mas nada exagerado, e treme pra caramba. Mas funciona, e bem. O manômetro funciona direitinho e ajuda a controlar a pressão nas rodas.
Os cadeirantes já devem estar imaginando que aproveitei para encher os pneus da minha cadeira, mas se enganaram. É que meus pneus são maciços, não precisam encher. Isso é uma comodidade, mas perde um pouco o conforto, quando rodo por calçadas irregulares sinto um pouco as imperfeições. Mas pra minha cadeira de banho está sendo muito útil, e pra jangadinha, minha cadeira reserva, também.
Com o adaptador, achei que podia usar em casa
O único problema do compressor é sempre precisar ir até o carro para encher os pneus, pois a única tomada é no formato de acendedor de cigarros do carro. É não, era. Essa semana descobri que existe um adaptador baratinho para transformar a tomada dele em tomada caseira, dessas de casa. E já comprei um, pois minha cadeira de banho está com uma roda emperrada, não solta por nada, e sempre preciso descer com a cadeira na garagem para encher os pneus. Quando alguém chega, fica olhando meio de lado, e se eu não fosse tão cara de pau ficaria com vergonha.

ATUALIZAÇÃO: meu adaptador chegou e, como mencionaram nas respostas, não funciona com o compressor, pois a amperagem é diferente. Ele só serve para carregador de celular e coisas do gênero. 

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Bela despedida

Ontem foi meu último dia de trabalho na Gasmig, a Companhia de Gás de Minas Gerais, que leva gás canalizado a muitos municípios mineiros. Trabalhei lá pouco mais de dois anos, completos dia 12 de janeiro. Entrei lá como Analista de Gestão Empresarial, cargo que conquistei no concurso público de 2007, e demorei para ser chamado porque me inscrevi como "normal", ao invés de deficiente, e só havia uma vaga para deficiente e outra de cadastro de reserva.
Quando fui convocado, em dezembro de 2009, fiquei extremamente feliz, na época eu estava sem trabalhar, só estudando, e não via a hora de voltar ao mercado de trabalho. Cheguei lá e encontrei um ambiente muito bom, nunca sofri qualquer tipo de preconceito e vivi ótimos momentos. As pessoas foram muito bacanas comigo em todos os sentidos, e sou extremamente grato a todos por tudo. A minha chefe, da época em que comecei a trabalhar, foi muito receptiva, não fez qualquer distinção entre eu e meu colega de trabalho e me deu tarefas muito desafiadoras, confiando plenamente no meu potencial. Tenho muito a agradecer a ela. E a todos os outros amigos que fiz por lá, espero não perder contato com eles. Bem, agora com as manhãs livres, vou dar um jeitinho de passar por lá de vez em quando.
Mas como eu dizia, ontem foi o último dia, e quando eu estava de saída, a Beatriz me trouxe a carta acima, impressa em papel A3, com recados e assinaturas de quase todos da empresa, junto com um presente de muito bom gosto do Boticário. Foi emocionante ver o carinho de todos comigo e a sinceridade nas palavras. Vou sentir muita falta dos papos, risadas, e até dos momentos de trabalho! Abaixo, o texto que escreveram:
"Alessandro,
Na vida passamos por vários momentos, os que esquecemos fácil e os outros que deixam marcas.
Hoje, ao olhar para você, conseguimos ver um exemplo de vida! Vemos que não há nada que possa nos impedir de alcançar os nossos sonhos. Muitos de nós sabemos um pouco de sua história e o quanto tem passado por provações. Muitas não tem sido fáceis, mas Deus sempre esteve do seu lado, pois tem visto o quanto tem esforçado e lutado para alcançar seu objetivo.
Neste dia 1º de fevereiro vai ficar marcado, afinal estamos perdendo um grande colega de trabalho... sentiremos saudade! Mas ficamos felizes ao mesmo tempo, afinal você conseguiu alcançar mais um objetivo em sua vida.
Desejamos a você muito sucesso nessa sua nova trajetória e, ao mesmo tempo, parabenizamos pelo seu empenho, sabemos que o caminho é longo... depende de muito esforço e muita força de vontade. E isso você tem de sobra!
Sucesso! Felicidades!
De seus colegas de trabalho da Gasmig.


Lindo né? Deixo aqui mais uma vez meu muito obrigado a todos!

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