domingo, 4 de março de 2012

Transferências

Não, infelizmente não vou falar de transferências para minha conta corrente (mas se alguém quiser fazer, não vou achar ruim não). O tema aqui são as transferências entre a cadeira de rodas e cadeiras comuns. Este é mais um tema relativamente banal, mas que ninguém para para pensar e buscar técnicas para fazer melhor. E ninguém pensa em discutir ou demonstrar de alguma forma. Mas tem muita gente preocupada com isso, tanto para diminuir o risco, quanto para aumentar a independência. E tem gente até preocupada em saber como ajudar, como é o caso de um amigo meu do Facebook, o Ton. Ele vai participar de um treinamento de comissários de uma companhia aérea, e quer saber a melhor forma de ajudar um cadeirante na transferência.
Outro dia um outro amigo me chamou de maluco por transferir para uma cadeira com rodinhas. De fato esta é a mais perigosa transferência, mas tenho minha técnica, que vou compartilhar logo abaixo do vídeo. Quanto ao auxílio para transferir para o avião, vou tentar explicar como eu gosto de ser ajudado, no texto logo abaixo do vídeo da transferência da cadeira de rodas para uma cadeira fixa com braços. Procurei aproximar da cadeira mais de frente, mais ou menos como acontece no avião. 
Em geral, faço a aproximação em um ângulo próximo a noventa graus e encosto a cadeira de rodas na ponta da outra e coloco um pé no chão. Em seguida, jogo o corpo para a frente, perto da beira do assento da cadeira de rodas. Então, apoio uma mão próxima ao centro da outra cadeira e a outra mão próxima também ao centro da cadeira de rodas. A ideia é centralizar os pontos de apoio para que não haja desequilíbrio no meio do caminho, por isso fica um pé na cadeira e outro no chão, e as mãos próximas ao centro das duas. Neste post, vou colocar os vídeos de "ida", da cadeira de rodas para outras. Em outro faço a volta. Vamos aos vídeos.

- DA CADEIRA DE RODAS PARA UMA CADEIRA FIXA SEM BRAÇOS
A transferência de uma cadeira de rodas para uma cadeira fixa sem braços (ou cadeira móvel sem rodas, como é o caso do vídeo) deve ser feita com cuidado pois a falta de braço limita o apoio da mão. Nesse caso, o ideal é usar a beira da cadeira fixa para puxar o corpo, e em seguida apoiar a mão entre a beira e o centro da cadeira antes de transferir. Um cuidado a tomar é não transferir muito rápido, pois pode desequilibrar o corpo ou até mesmo virar a cadeira. E o tombo não é nada bonito...

- DA CADEIRA DE RODAS PARA UMA CADEIRA FIXA COM BRAÇOS
Esta é a situação mais próxima à transferência em um avião. O braço ajuda no equilíbrio, mas deve-se ter certeza de que a cadeira seja pesada o suficiente para não virar com o seu peso. Eu aproveito o braço da cadeira para me apoiar e manter o equilíbrio. O ângulo de entrada foi maior que noventa graus, mas o processo é o mesmo, um pé no chão e o outro na cadeira. Em um avião o ângulo é ainda maior, quase 180 graus, pois o corredor é estreito, e o máximo que se aproxima é a ponta da poltrona do avião, o que dificulta bastante. Na minha opinião, a melhor forma de ajudar é uma pessoa se posicionar em frente às cadeiras do avião, pegar com as duas mãos por baixo dos braços (no sovaco mesmo) do cadeirante, e fazer o giro com ele, prestando atenção nos pés, para não torcê-los. Da próxima vez que voar (em abril) vou ver se lembro de fazer um vídeo demonstrando.

- DA CADEIRA DE RODAS PARA UMA CADEIRA DE ESCRITÓRIO
Essa é uma das transferências mais difíceis. Para transferir para uma cadeira móvel, daquelas de escritório com rodas, a dica é encostá-la em uma parede ou mesa, travar a cadeira de rodas na parte central da cadeira de escritório, apoiar a mão próximo ao centro dela, e em seguida fazer a transferência. No caso a cadeira tem braços, e eu recomendo passar mais rápido, já que o braço limita o corpo, evitando assim que ela escorregue. Eu já transferi até mesmo para cadeira de escritório sem braços, mas é bem mais complicado e perigoso, e passar sozinho é muito arriscado. Se tiver alguém para ajudar, dá para fazer.

Bem, por hoje é só pessoal, espero ajudar com essas dicas. O fato é que o ideal é ter alguém para ajudar segurando a outra cadeira ou mesmo carregando, mas se quisermos mesmo ter independência, temos que aprender a fazer sozinho. Mas com muito cuidado e segurança, sempre!

9 comentários:

  1. "Outro dia um outro amigo me chamou de maluco por transferir para uma cadeira com rodinhas."

    Eu acho que foi eu que o chamei de maluco....kkkkkkkkkkkk....

    Mas Sam, juro que não entendo a necessidade de se fazer a transferência para uma outra cadeira seja ela qual for, com ou sem rodinhas.

    Eu prefiro ficar na minha cadeirinha sentado na minha almofadinha pq sei que não irei correr riscos, principalmente, em adquirir escaras.

    Um grande abraço Sam.

    Ah! Pode me chamar de Luiz Otávio...hehehehe

    Abração!

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    1. Foi mal Luiz Otávio, eu devia ter falado que "um maluco me chamou de maluco" kkkk
      Cara, acho importante a transferência sempre que possível para possibilitar mais movimentos e alterar os pontos de pressão, já que na cadeira de rodas isso é meio limitado. Como tenho muita sensibilidade fico incomodado se ficar muito tempo na minha cadeira. Sem contar que algumas cadeiras de escritório são mais confortáveis e macias.
      Abraço

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  2. Transferências são interessantes um ótimo tema para discussão, eu particularmente prefiro transferir primeiro os meus pés para o chão para depois transferir o corpo para uma cadeira comum, na cadeira de banho prefiro ficar com um pé na minha cadeira de passeio e outro pé na cadeira de banho para depois fazer a transferência do corpo. No carro prefiro colocar minhas pernas dentro do carro primeiro para depois transferir o corpo.
    Agora estou tentando aprender a transferir da cadeira para o chão e do chão para cadeira, veja um vídeo interessante sobre está transferência.
    http://www.youtube.com/watch?v=3KYGuYzxeDg
    Abraços

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    1. Valeu pelas dicas Eddie! Bacana o vídeo, mais um pra servir de exemplo. Abraço

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  3. Legal Eddie, é sempre bom mesmo todos nós dividirmos nossas experiências. O interessante é que cada um tem uma particularidade, uma forma que vc se sinta melhor para se fazer uma transferência. Todas as minhas transferências eu passo primeiro as pernas, somente uma, em particular, que fiz pra uma S-10 não passei as duas. Eu tenho bastente espasticidade e isso me dificulta muito. Olha o vídeo aí: http://www.youtube.com/watch?v=6Xkkg_aerj4&feature=plcp&context=C3ce8ca7UDOEgsToPDskIVtkt3JKnkmfcD9GY2Y5II

    Ei Sam, como vc adivinhou que sou maluco rapá?! kkkk

    Um grande abraço!

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  4. Luiz,

    Foram "momentos" tensos quando sua perna ficou "presa" entre o banco do carro e o carro.
    Fiquei com medo que você quebrasse a perna!!
    ainda bem que tudo deu certo no final!!!

    Parabéns!!!
    Eu não tenho essa disposição!!!

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  5. Alessandro,
    Seu blog tá shooooow!
    Também sou cadeirante, devido a um acidente de carro, desde 2009. Mas uma dificuldade que tenho até hoje - confesso - é de fazer a transferência do chão para a cadeira de rodas quando não há apoio nenhum em vista. Já passei por algumas situações destas e fiquei no maior sufoco, ainda mais que sou bem pesado (107 Kg). E olha que emagreci bastante! Rsrsrs.
    Você tem alguma dica? Isso certamente ampliaria minhas possibilidades de independência.
    Abraço.

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  6. confesso que morro de medo quando meu marido faz transferência, tenho medo que ele se machuque.

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  7. ola!! Muito bom seu Blog.
    Meu namorado é cadeirante a alguns meses
    e ainda não consegue passar sozinho nem da cadeira para
    a cama e isso gera muito incomodo. Tem que ter sempre alguem forte por perto.
    Aguardo suas dicas..

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