quarta-feira, 18 de abril de 2012

Lavras Novas

Vista de Lavras Novas
Este último fim de semana foi bem diferente do qu''e eu havia programado. Eu ia para São Paulo ver as novidades da Reatech, mas deu tudo errado. Comprei a passagem em janeiro para a sexta feira, dia 13 de abril, às nove horas, pensando em sair do trabalho às seis da tarde e correr para o aeroporto, para aproveitar melhor a feira no sábado. Aí começou a confusão. Eu havia comprado para as nove da manhã.
Chegando perto da data, vi só o horário, sem perceber o dia, e achei que tinha comprado para o sábado de manhã. No sábado, fui para o aeroporto e lá percebi o vacilo. Como a compra de ida e volta cancela automaticamente a volta se a gente não usar a ida (não sabia disso, fica a dica), eu teria que comprar mais duas idas e voltas (pra mim e pra Gi), mas o preço na hora é absurdo. Melou a viagem.
Como não sou de estressar, pegamos o computador e fomos tomar um café com calma (em casa tomamos correndo). Já que estávamos com a mala pronta, decidimos ir para Lavras Novas, uma cidade turística cheia de belas paisagens, cachoeiras e bons restaurantes, que fica a 117 quilômetros de BH. Já fui para lá várias vezes antes de ser cadeirante, fazia caminhadas e trilhas de bicicleta, e estive lá também como cadeirante, mas só de passagem, para almoçar.
Chalés Sesmarias
Procuramos então uma pousada adaptada. Achamos duas pela internet, e ligamos para conferir (isso é muito importante, evita passar raiva com as famosas "pseudo-adaptadações"). A primeira informou que não tinha quarto adaptado lá, somente na outra pousada que fica na serra do cipó. A outra, chamada Chalés Sesmaria, disse ter um quarto adaptado para cadeirante, amplo e com banheiro.
Pegamos o carro e em seguida a estrada. Uma hora e pouco depois, chegamos lá. A pousada até tem mesmo um chalé adaptado, mas não tem estacionamento ao lado. O chalé fica logo na entrada, e em seguida há uma descida judiada que dá nos estacionamentos, que também ficam em um morro com pouco espaço. 
Quarto "adaptado": a cama fica no fundo
Parei o carro meio de lado no estacionamento e saí com alguma dificuldade. O recepcionista me ajudou a chegar no chalé, já que só com ajuda isso é possível. O quarto é amplo, mas a cama fica no canto, só dá para entrar nela encostando a cadeira no pé da cama e se arrastando até a cabeceira. Ponto negativo.
O banheiro não é excelente, mas atende
O banheiro é grande e a porta passa a cadeira, mas cometeram outro vacilo: o espelho é alto demais, não dá para se enxergar da cadeira. A pia tem boa altura e há barras ao lado do vaso e no chuveiro, porém não há cadeira de banho. Pedi uma de plástico e conseguiram na hora, e deu para tomar banho.
Restaurante ao ar livre e com música ao vivo
Lavras Novas não é uma cidade muito adequada para cadeirantes, já que as ruas são de pedra fincada, mas como tem muitos gramados, dá para rodar um pouco. O que mais curto lá são os botecos que colocam várias mesas na grama, tem boa comida caseira e música ao vivo. Com o visual que tem, dá para curtir uma tarde tomando uma gelada e batendo papo. Foi o que fizemos, almoçamos lá mesmo (sugiro o frango com quiabo ou costelinha com ora pro nobis).
Mas a aventura mesmo foi a volta. Saímos de Lavras Novas no domingo à tarde e resolvi passar por Ouro Branco, cidade em que fui criado. O caminho passa pela serra de Ouro Branco, e como estava entardecendo, seria uma boa oportunidade de mostrar para a Gi o belíssimo visual do alto da serra. Entrei na estrada de terra que dá no mirante e seguimos. A estrada está bem judiada, cheia de buracos e erosões, mas com técnica estava conseguindo superá-los.
Fiquei atoladinho 
Só que o sol estava batendo bem na minha cara, e em uma das subidas, a trilha desmoronou e jogou o carro em uma cratera. Caíram as duas rodas do lado direito, encostando o fundo do carro no chão. Detalhe: não pegava celular, estava escurecendo e a estrada estava vazia. Na hora a Gi desesperou, mas com calma sugeri para ela descer pela estrada e procurar sinal de celular para chamar ajuda. Eu fiquei no carro, pois nem tinha como sair. Foi a situação em que senti maior impotência até hoje como cadeirante, pois nem avaliar a situação eu podia. A Gi conseguiu sinal na estrada e chamou o seguro, só que foi difícil explicar onde estávamos.
Havia uma cratera no meio do caminho
Felizmente apareceram duas mulheres e dois homens em um jipe, e logo em seguida mais dois de moto e outro carro com outros dois, e como em um mutirão, pegaram o carro pelos paralamas e conseguiram colocar na estrada de novo. Infelizmente a Gi não tirou foto dos caras colocando o carro de novo, foi uma cena incrível aquele tanto de gente fazendo força e balançando o carro para colocar no lugar. Detalhe, ele pesa uma tonelada e meia! No final rolou até aplausos pelos sucesso da operação. Agradeci a todo mundo e consegui virar o carro para voltar. Depois, cancelei o seguro, que já estava mandando um reboque.
O carro nada sofreu, nem um arranhão, e pudemos voltar para a estrada e seguir para BH. Viemos rindo da situação, mas que na hora bateu um cagaço, isso bateu! E fica a dica: cadeirante, não arrisque dirigir onde o carro possa atolar!

11 comentários:

  1. onde vc pesquisa hoteis/pousadas etc? site?

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    1. Sim, pesquiso em site e ligo para confirmar quando encontro um telefone. E mesmo assim nem sempre dá certo.

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    2. qual é o site(s) por favor; eu utilizo http://www.hotelinsite.com.br/procura/procura_form.asp mas tmbm nem sempre da certo

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    3. Geralmente procuro no Google mesmo, digito o nome da cidade e "hotel adaptado". Costuma dar certo também.

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  2. Sam...adoro seus post e a maneira bem humarada que vc lida com as diversas situações.
    Ah!deixei para vc um inbox no face, qdo puder responder eu agradeço.
    E tbm criei um blog para troca de experiências, apsar de não ser cadeirante, estou apaixonada por um.
    O endereço do blog é:http://blogamandoodiferente.blogspot.com.br/
    Se puder divulgar eu agradeço.
    Bjos

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    1. Ei Jaque, vou ver lá no face. Beijão!

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  3. Sam. Como vc sou cadeirante e de bem com a vida independente da minha situação física. Porém há momentos/situações que abala um pouco esta questão. Me refiro quando a vida nos coloca de frente com a "impotência". Coloquei-me no seu lugar sentado no carro sem poder fazer nada para amenizar o problema.
    É só um desabafo. Temos que seguir em frente e a vida é bela.

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    1. É Vilmar, nessas horas que a gente vê que sempre pode pintar uma dificuldade maior quando se é cadeirante. Tem que evitar essas frias!

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  4. Nossa! Não sabia desse seu fds emocionante, a começar da passagens trocada!! rsrs
    Adorei as fotos... eu, O Angelo e o Davi estamos precisando mto fazer um passeio desses e Lavras Novas sempre é um lugar mto sugerido.
    Bjs e parabéns novamente pelo blog!

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    1. Oi Elaine, que legal te ver por aqui! Já viu que sou meio enrolado né? Lavras Novas é ótimo mesmo, criança pode se divertir bastante correndo pelos gramados!
      Bjos

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  5. Poxa Alessandro lendo e imaginando a tua situação, só posso te dizer que tu é uma pessoa abençoada. Graças a Deus que no fim, deu tudo certo! Tu encara as situações de uma maneira que nem sempre os que não são cadeirantes fariam. Tu é um exemplo de superação pra qualquer pessoa cadeirante ou não.Fique com Deus! Um abraço.

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