domingo, 13 de janeiro de 2013

Reveillon em Orlando

Em grande estilo na Universal Studios
Hoje começo a contar sobre a viagem propriamente dita, as dicas para curtir mais e os desafios que um cadeirante enfrenta numa viagem dessas. Como a maioria dos cadeirantes que viaja para fora do Brasil, tive a mesma impressão: lá fora a coisa funciona. A acessibilidade é levada a sério. Mas houve um detalhe que me incomodou: não tem muito esse negócio de prioridade em fila não. Em muitos lugares, inclusive parques, cadeirante pega fila como todo mundo, não há fila especial. Mas eu até entendo um pouco, lá tem tanto cadeirante que a fila ficaria maior. Mas nos parques seria bom, porque as filas costumam ser enormes, ainda mais nessa época do ano.
Fila de cadeirantes no aeroporto de Orlando
Para terem ideia de quanto cadeirante tem por lá, essa foto aí de cima é da fila de cadeirantes no Aeroporto Internacional de Orlando. Lá há fila especial, mas é tão grande quanto a normal. Mas tem muita gente que só usa cadeira de rodas porque está velho ou gordo. Cheguei ao aeroporto e desembarquei como sempre, depois de todo mundo sair do avião, mas felizmente pelo finger. As malas quase não demoraram e logo segui para a área das locadoras de veículos. Alugar um carro por lá é fundamental, pois o esquema é tipo Brasília: tudo muito plano, mas tudo muito longe. O ideal é fazer a reserva antecipadamente pela Internet, usei as dicas desse link e fui direto na página das locadoras. O importante é verificar se a locadora tem base no aeroporto, senão pode ser necessário pegar um táxi só para buscar o carro. No meu caso, foi só atravessar uma rua.
Banheirão americano, motor forte e bastante espaço
Aluguei na Avis, foram superatenciosos comigo, me ligaram várias vezes confirmando como era o carro e ainda me deram upgrade. Pedi carro com adaptação do lado esquerdo e chegando lá estava tudo no jeito, um Impala LTZ com rodas 18", teto solar e porta malas enorme. A grande maioria dos carros tem câmbio automático, o que facilita para um deficiente. O importante é verificar se a adaptação vai ser do jeito que você está acostumado e se vai ter um porta malas bom o suficiente para malas, cadeira de rodas e o que mais você levar. Nota interessante: vi postos de combustível com bomba adaptada para deficiente, toda mais baixa.
Hotel Radisso, bem localizado e confortável
Outro ponto importante é o hotel. Para não gastar muito com gasolina, o ideal é pegar um hotel em local central, preferencialmente os que ficam na International Drive, uma avenida que passa por parques e Shopping Centers. Claro que depende do seu objetivo, se quer ir nos parques da Disney, pode ficar dentro de um hotel do complexo, há vários por lá. A vantagem de ficar fora do parque é poder ir em outros com liberdade. Eu escolhi o hotel Radisson, foi o melhor custo benefício que encontrei, bem central e de fácil acesso. Reservei pelo Booking, avisando que precisava ser quarto adaptado, mas recomendo mandar um e-mail para o hotel reafirmando esta necessidade, foi o que fiz.
Quarto enorme e equipado, e duas camas para escolher
O quarto é muito amplo, como geralmente são os hotéis nos EUA, e tem duas camas de casal, TV de LCD de 42", microondas, frigobar e cafeteira. Lá é comum o hotel não oferecer café da manhã, por isso o quarto é tão equipado. O negócio é ir ao supermercado mais próximo e fazer uma boa compra para garantir o café e o lanche no fim da tarde.
Tá se achando numa Ferrari!
Os supermercados lá são gigantes, e totalmente acessíveis. Todos que fui tem carrinhos elétricos para usar, e você pode deixar sua cadeira no local. Costumam ter até farmácia, mas aqui vai uma dica importante: leve todo o material de cateterismo para o tempo que for ficar, pois lá eles só vendem com prescrição médica coisas como sondas e xilocaína. Ou então leve a prescrição. Em inglês, claro.
Banheiro bem adaptado, mas o banco é de madeira
O banheiro do hotel é muito bem adaptado também, com um banco retrátil com muitas barras e chuveiro móvel. Uma coisa me incomodou um pouco, o banco é de madeira e tem quinas, portanto demanda cuidado na transferência. Acho que eles não pensam que bunda de cadeirante costuma ser mole e incomoda numa superfície muito dura. Poderia ser de plástico ou com almofada.
Rampa no hotel, enorme, mas com boa inclinação
Outra coisa importante: verificar se o hotel oferece estacionamento gratuito. Muitos deles cobram - e caro - para deixar o carro lá dentro. O que fiquei tem muito estacionamento, de todo lado, e rampa pra todo lado. Acho bobagem reservar hotel caro, a gente passa pouco tempo nele, pois todo dia tem coisa para fazer. Fiquei sete dias e achei pouco. No próximo post falo sobre os parques, tenho uma dica muito importante!

12 comentários:

  1. Iae Alenssandro blz?
    Como funcionou o estacionamento? Os carros alugados adaptados possuem uma credencial para vaga preferencial?

    Valeu abraço!

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    1. Leonardo, os carros adaptados não tem a credencial, mas eu expliquei em cada estacionamento que ia e me direcionaram para a área de vagas preferenciais. E lá tem muuuuita vaga assim nos estacionamentos!

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Muito legal Alessandro, ando curioso para saber da cadeira nova, e como funciona a questão de dirigir por lá, você tem carteira internacional?
    e valeu por compartilhar suas experiências com a gente.

    obs: quanto a questão da fila eu acho legal não ter a fila, acho importante ser igual e não diferente, se aqui funcionasse de conseguir entrar em qualquer lugar acho que seria dispensável a fila preferêncial.

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    1. Fernando, não é necessário carteira internacional, mas por via das dúvidas paguei uma taxa no Detran e recebi uma "licença para dirigir no exterior". Depois descobri que é desnecessário!

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  4. Fala Alessandro blz?
    Estou indo para Orlando agora em Setembro, sou cadeirante, pelo o que entendi é possível alugar carros adaptados lá?? Procede essa informação? Minha adaptação é aceleração e freio manuais do lado direito! É possível?
    Abraços

    Jefferson

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    1. E aí Jefferson, é muito fácil alugar um carro adaptado em Orlando, há várias locadoras que dispõe deste serviço. Recomendo que você reserve daqui do Brasil, e peça a adaptação do lado direito, foi o que fiz através da Avis.

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  5. Você levou cadeira de banho? Pois essas cadeiras de hotel, sem braço, minhas pernas ficam se abrindo. Como fez?

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    1. Não levei cadeira de banho, usei o banco do box mesmo, para que a perna não fique abrindo eu mudo o ângulo dos pés, colocando os dedos para dentro, até que elas se estabilizem. Ou então deixo abertas mesmo, e busco o ponto de equilíbrio nos quadris.

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  6. E nos shoppings? Tem cadeiras para alugar?

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    1. Não sei se tem, não procurei porque prefiro rodar com minha própria cadeira. Mas deve ter sim, pra todo lado tem lá.

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