quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Paris para cadeirantes - parte 1

Em frente à torre mais famosa do mundo
Antes mesmo de elaborar o itinerário da minha viagem para a Europa, já sabia que iria a Paris. Meu pai conheceu a cidade nos anos 90 e sempre me disse que as pessoas não podem morrer sem conhecer Paris. Não espero morrer tão cedo, mas por garantia achei melhor resolver logo essa parada. Encaixei a cidade como destino seguinte a Madri, e ainda quis me fazer uma gracinha: como iria em início de outubro, programei para passar meu aniversário, que é dia 1º, na cidade! Além de curtir meu quadragésimo primeiro aniversário (abafa) na cidade Luz, iria repetir uma "zoada" que meu pai me deu em um certo réveillon. Ele estava na cidade e me ligou dizendo que estava "sofrendo" e tomando um champanhe "nacional" em Paris. Pela saco.
Além de pesquisar sobre a acessibilidade, me consultei com quem conhece bem a cidade, a Laura, do blog Cadeira Voadora. Liguei para ela para pegar dicas adicionais, pois já tinha lido todos os posts dela sobre Paris. Minha principal dúvida era em relação à circulação na cidade, e Laura me disse que o metrô não era boa alternativa, pois só uma linha é adaptada, e que ela andou muito de táxi por lá, apesar de não ser barato. Porém ela fala francês, e portanto não teve dificuldade de comunicação. Essa era outra dúvida, já tinha ouvido falar que os parisienses não gostam muito de falar inglês. Mas não é bem assim, o ideal, é abordar as pessoas na rua em francês, dizendo que não fala a língua, e perguntando se a pessoa poderia conversar em inglês. Decorei a frase "de abordagem" e para completar instalei um aplicativo que tem expressões e frases em francês chamado "aprenda francês grátis", que não precisa de internet na versão básica. Ajudou muito.
Depois de passar por Madri, chegamos a Paris no dia primeiro de outubro, no final da tarde. Me informei e disseram que os ônibus que iam para o Arco do Triunfo eram adaptados para cadeirantes. Porém precisaríamos atravessar o aeroporto até um ponto de ônibus. Depois de alguns minutos andando - e rodando - chegamos ao ponto. Para nosso azar, o próximo ônibus adaptado ia demorar mais meia hora. Como estava anoitecendo, perguntei se poderiam me carregar. Como se dispuseram, aceitei e embarcamos. Depois de uma hora chegamos ao Arco do Triunfo, e a retirada do ônibus foi aquela luta, um segurando por trás e outro segurando as pernas. Pelo menos a escada e a porta do ônibus são mais largos que dos brasileiros.

O Arco do Triunfo é surpreendente, imenso e belíssimo.
Nos deslumbramos um pouco com o Arco do Triunfo, iluminado e imponente, e seguimos para o Hotel Médéric, a 15 minutos a pé (e rodando), em uma ruazinha simpática de frente para um restaurante (o que foi ótimo, já que estávamos morrendo de fome). O hotel era menor do que parecia pelo site - isso acontece muito - e o quarto adaptado era no térreo e de frente para o salão de café da manhã (não incluso na diária). Entramos e o quarto era um pouco apertado, mas suficiente, e o banheiro era logo ao lado esquerdo. Mas foi só abrir a porta do banheiro para a decepção tomar conta. O box não só era minúsculo, como ficava sobre uma plataforma de uns quinze centímetros.
Box do quarto "adaptado" do Méderic
Impossível um cadeirante tomar banho ali. E olha que enviei e-mail para o Booking dizendo que era cadeirante e precisava de um banheiro adaptado, e eles responderam que estava tudo certo. Fui ao recepcionista reclamar e ele disse que era o único quarto adaptado. O jeito era ficar ali mesmo, e tomar banho sentado no vaso, que só seria possível porque o chuveiro era bem adaptado, ligado em uma mangueira. Só que não havia ralo do lado de fora do box - uma coisa que descobri ser muito comum também lá fora. Sem problema, coloquei uma toalha na porta para não invadir o quarto e tomei meu banho. Mas não dava para ficar ali, precisaria trocar de hotel. Como na hora não ia conseguir, relaxamos e jantamos no restaurante em frente, tomando vinho nacional - francês!
video
No dia seguinte fomos ao primeiro lugar que me veio na cabeça, a Torre Eiffel, claro! Pelo GPS ficava a quatro quilômetros, então resolvemos ir andando. É tudo muito charmoso em Paris, o café da manhã no hotel nem faz falta, é mais interessante tomar café em um dos diversos cafés da cidade. Passamos pelo Arco do Triunfo e seguimos pela Avenida Kléber. Sem muito problema, pois é tudo praticamente plano, só uma pequena subida. Ao final dela nos deparamos com o Trocadéro, uma pracinha com um monumento. Em frente, o Palais de Chaillot e uma ampla praça, com a Torre ao fundo. A praça estava em obras, portanto tivemos que circulá-la para chegar à torre. Atravessamos o rio Sena e chegamos finalmente à torre.

Acesso exclusivo para entrar na Torre Eiffel
Vista da Torre Eiffeil
Para entrar na Torre Eiffel, há uma entrada especial para cadeirantes, sem pegar fila. E ainda é gratuito! Fomos direto para a entrada e fomos conduzidos ao elevador. O elevador passar por um andar em que há um restaurante, onde eu não quis descer, e sobe para o segundo andar, onde fica o principal mirante. Ali há também lojas de lembrancinhas, lanchonete, banheiros (adaptado inclusive) e informações sobre a torre. A grade nas laterais fica em boa altura, de forma que uma pessoa sentada consegue enxergar. Porém, há binóculos acionados por moeda que são altos, somente para pessoas em pé. Deveria haver um mais baixo. Outra limitação é de acesso. Cadeirantes não podem subir ao último andar, no topo da torre. Explicaram que é porque em caso de emergência fica difícil sair, pois só tem um elevador, pequeno.

Outra vista da Torre Eiffel. O rio Sena é muito lindo!
Depois de curtir a torre, resolvemos ir ao Museu Rodin. Fiz sinal para um táxi, e o motorista, que falava muito pouco inglês, foi solícito ao parar. Pela primeira vez depois de cadeirante, entrei pela porta traseira! O carro era um Toyota Prius alongado, com muito espaço atrás. A cadeira coube facilmente no porta malas. Era perto, mas ainda assim ficou caro, doze euros. Depois disso, e de me informar melhor sobre os ônibus, só andei de ônibus. Todos são adaptados e passam com muita frequência, inclusive à noite. Falarei do Museu Rodin no próximo post.

Mais uma belíssima vista da cidade
A grade oferece boa visibilidade para cadeirantes

2 comentários:

  1. Olá Alessandro!
    Acompanho o seu blog sempre que posso e achei interessante o seu relato e experiência sobre Paris, mas uma pergunta....Porque não alugar um carro? abs!

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    Respostas
    1. Oi Everson, não vale a pena alugar carro porque s principais atrações são próximas e o transporte público funciona bem.

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