terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Já deu uma rodadinha hoje?

O blog agora tem seu canal no Youtube
E aí pessoal, tudo tranquilo? A partir do mês de janeiro, o blog passará por mudanças. Na verdade, já vem passando. Quem acessa com frequência percebeu que o layout (mais conhecido como leiáut) mudou um pouco. Alterei o menu de forma a apresentar os principais assuntos, agilizando a busca por determinada postagem.
Alterei também o logotipo. Busquei aliar o novo logotipo da acessibilidade à palavra blog, o que mostra bem o que procuro sugerir aqui no blog, que a pessoa não se deixe abater, não deixe de fazer nada por ser cadeirante e se mantenha em movimento. Mudei também a barra principal, coloquei fotos em uma linha do tempo, desde que sofri o acidente. A primeira é no hospital, a segunda na fisioterapia, a terceira trabalhando, a quarta dirigindo, a quinta e a sexta são andando de handbike, na sétima estou voando de parapente, na oitava estou andando de kart, na nona mergulhando, na décima rodando de triciclo, na décima primeira estou em Paris e na décima segunda em Fernando de Noronha. A ideia é mostrar uma evolução, e também as possibilidades que um cadeirante pode vislumbrar.
A outra novidade do Blog é que ele agora tem um canal próprio no Youtube. Eu já publicava vídeos no meu canal pessoal, mas agora passarei a publicar os vídeos relacionados ao blog no canal do Blog, assim não mistura com outros vídeos que eu queria publicar. Vou passar a publicar pelo menos um vídeo por semana, sempre às terças feiras. Por isso, não deixem de se inscrever no canal do blog, para receber as novidades em tempo real!
Desejo a todos meus leitores um 2016 com muitas realizações e muitas rodadas!!

sábado, 28 de novembro de 2015

Banheiro adaptado diferenciado

Materiais de alto nível em um projeto bem executado
Quem disse que banheiro adaptado tem que ter cara de hospital? Porque tem que ser sempre brancos? A partir destes questionamentos, o paulista Paulo Di Mello, que é designer de interiores, resolveu criar um conceito de banheiro adaptado diferente, aliando as necessidades de uma pessoa com deficiência a um ambiente com bom gosto e elegância, aliado ao seu conforto. 
Vejam abaixo o processo nas palavras do Paulo:
"Quando escolhi este espaço para adaptá-lo para um banheiro para uma PCD funcional, não tinha as medidas necessárias para dar maior mobilidade dentro do espaço, mas consegui que ficasse usável e conceitual para que as pessoas tenham uma outra visão de PCD. Após elaboração do meu projeto para a Mostra Viver São Paulo, a qual estou participando e que tem o patrocínio da Deca louças e metais, meu desafio seria fazer a empresa abraçar a causa através de meu projeto pelo fato de não existir barras de apoio douradas somente cromadas, inox ou brancas o que me faria utilizar uma outra linha de metais.
Com o apoio da Deca utilizei bacia suspensa com caixa acoplada de embutir, sendo o acabamento da válvula com Braille e metais da linha Red Gold com as barras de apoio com o mesmo banho as quais ainda não existem no mercado para venda feitas exclusivamente para meu projeto. Através de outros fornecedores utilizei mármore café imperial na pia e soleira para dar elegância, cortinas para dar um ar de conforto e também produtos sustentáveis como um painel de madeira reflorestável e porta em madeira de demolição. Acredito através deste projeto ter contribuído para que as pessoas passem a enxergar o cliente PCD igual a qualquer outro que tenha gosto e opinião."
Parabéns ao Paulo por pensar que pessoas com deficiência também tem bom gosto e prezam pela qualidade. Gostaram do banheiro projetado por ele? Reparem que seguiu todas as normas de acessibilidade, o espelho é ligeiramente tombado para a frente e a lixeira é do tipo basculante. De alto nível!
Quem quiser entrar em contato com o Paulo, o e-mail dele é contato@paulodimello.com.br

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Cadeirante mineiro é escolhido para levar a tocha olímpica

Felipe treinando em sua handbike
O mineiro Felipe de Souza Lima, de Juiz de Fora, é meu parente e conta em entrevista ao Blog do Cadeirante (BdC) como participou e venceu dois concursos para levar a tocha olímpica em dois trechos de sua peregrinação pelo país até chegar ao Rio de Janeiro em agosto de 2016. Confiram:

BdC: Qual seu nome, deficiência e de onde você é?
Felipe: Meu nome é Felipe de Souza Lima, minha deficiência é a Mielomeningocele, sou de Juiz de Fora, Minas Gerais.


BdC: Que esportes você pratica?
Felipe: O esporte que eu pratico hoje em dia é a corrida de rua.


BdC: De onde surgiu a ideia de carregar a tocha olímpica?
Felipe: A ideia de carregar a tocha olímpica veio depois que eu vi a propaganda da Promoção da Coca-Cola chamada "Isso é Ouro" e a propaganda do Banco Bradesco que são patrocinadores dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio2016.


BdC: Como foram as promoções que você participou?
Felipe: As promoções funcionaram da seguinte maneira eu deveria me cadastrar no site da Coca-Cola e do Banco Bradesco, mas eu teria que ser indicado por alguém, e esse alguém foi meu primo por parte de mãe, que me indicou ele teve que escrever nos dois sites a minha história e falar porque mereço ser selecionado para carregar a tocha. Isso já faz uns 2 a 3 meses, há mais ou menos duas semanas atrás a Coca-cola me ligou confirmando meus dados, me fazendo algumas perguntas e disseram que no prazo de 72 horas o contrato chegaria pra eu assinar, escanear e mandar pra eles de volta, e isso aconteceu e fiz, dois dias depois quando fui abrir meus emails, vi um email do Banco Bradesco dizendo a mesma coisa, que eu tinha sido pré-selecionado para carregar a tocha olímpica, a diferença entre as duas promoções é que na Promoção da Coca-Cola o contrato demorou 72 horas para chegar mas o dia e o local que eu vou carregar se eu for selecionado eu já estou sabendo, será no dia 15 de Maio de 2016 ante véspera do aniversário da minha mãe,aqui mesmo em Juiz de Fora  já na promoção do Banco Bradesco eu recebi o contrato no mesmo dia porém, não sei o dia e nem o local que vou carregar a tocha olímpica agora o processo de seleção passará para o Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio2016.


BdC: Que recado você deixa para quem tem vontade de participar de uma para olimpíada?
Felipe: O recado que eu deixo para aqueles que tem vontade de participar de uma Paralimpíada, é que não desistam dos seus sonhos, corram atrás desse objetivo, treinem bastante, disputem bastante campeonatos para cada vez mais melhorar na sua performance, mas principalmente tenham fé em Deus, porque sem Deus nós não somos nada e não deixem o comodismo, a depressão e outros males pegarem vocês.

Parabéns e boa sorte Felipe, iremos acompanhar sua participação!

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Cadeirantes devem praticar exercícios físicos?

Fazer exercícios é fundamental - para todos!
Sou cadeirante, devo praticar exercícios físicos? eis uma pergunta muito comum entre os cadeirantes. Muitos acham que pelo fato de não possuírem as funções locomotoras de antes, não é necessário então a prática de exercícios físicos. E é óbvio que isso é um mito.
Não fomos feitos para ficarmos parados, tudo que não se locomove uma hora ou outra enferruja, essa é a lei da vida. Não é porque possuo uma limitação que eu não possa ou deva realizar as minhas atividades preferidas, para tudo há soluções e adaptações.
O cadeirante precisa fazer atividades físicas com frequência, inclusive o próprio médico deverá sugerir as melhores opções e frequência de práticas. A única ressalva sobre os exercícios para cadeirantes é o fato de ser necessária a ajuda de algum profissional ou familiar em alguns casos.

Quais os melhores exercícios para cadeirantes?
Existem muitos exercícios que podem ser praticados pelo cadeirante, como é o caso da natação, por exemplo. A natação é uma atividade bastante prazerosa, e além de tudo ideal inclusive para quem busca emagrecer. Mas os benefícios propiciados por este exercício físico vão além dos citados anteriormente.
A natação pode requerer a ajuda de um profissional de educação física, familiar ou amigo. A musculação é outra opção pertinente, mas para alguns este não é um exercício físico confortável, se este for o seu caso, os aeróbicos são as melhores opções.
Há uma série de adaptações de exercícios físicos para cadeirantes, todos eles com suas respectivas peculiaridades. Para definir qual o melhor exercício físico para você, o ideal é procurar a ajuda de um profissional capacitado, que vai avaliar o grau das suas limitações e sugerir a melhor opção, e se será necessário acompanhamento no momento da realização das atividades.

Benefícios dos exercícios físicos para a nossa saúde
Os exercícios físicos são altamente benéficos para a nossa saúde, eles por exemplo ajudam a aliviar o estresse e a ansiedade. Ambos eventos podem ocasionar a temida depressão, por este motivo devemos procurar meios de inibir qualquer ação deste gênero.
Além disso, os exercícios podem ainda contribuir na diminuição  do LDL, que é o colesterol ruim. E o melhor de tudo é que ele aumenta os níveis de HDL, que é o colesterol bom. Se você sofre de insônia, saiba que os exercícios físicos podem ajudá-lo a dormir melhor.
 
Cuidado com o colesterol!
Já ouviu falar na Serotonina? pois bem, ela é um neurotransmissor responsável pela produção da sensação de bem-estar, os exercícios físicos podem aguçar a produção desse hormônio, e dessa forma aquela sensação de bem-estar inevitavelmente ocorrerá.
Por fim, um dos maiores benefícios das atividades físicas é o auxílio na perda de peso, portanto, caso você esteja querendo eliminar aqueles quilinhos a mais, opte pelos exercícios físicos. Vale salientar porém que, os exercícios só serão efetivos para tal finalidade, se houver uma alimentação balanceada, inclusive neste artigo aqui mostramos a importância de uma alimentação equilibrada.

Conclusão
Independentemente de ser ou não cadeirante, os exercícios físicos são vitais para a nossa saúde e bem-estar. Citamos anteriormente somente alguns dos benefícios dos exercícios físicos, mas eles proporcionam uma série de outros benefícios para a nossa saúde.
Portanto, as atividades físicas são extremamente importantes para os cadeirantes. Procure a orientação do seu médico, e se informe sobre as melhores atividades físicas para o seu caso. Além dos exercícios, pode ser interessante a realização de sessões de fisioterapia.


domingo, 4 de outubro de 2015

Psicólogo on line

Luciane* atende online por vídeo, áudio ou chat
Muitas pessoas que sofrem um grande trauma que causa limitações severas entram em depressão ou enfrentam problemas psicológicos para o resto da vida. Alguns buscam atendimento psicológico, outros tem dificuldade de buscar seja por causa das limitações ou por não se sentir à vontade. Vejam o post abaixo elaborado por Luciane Melo, que nos apresenta uma alternativa interessante para quem deseja este atendimento com mais comodidade.

Precisando de um Psicólogo? Conheça a Orientação Psicológica Mediada pelo Computador.

Diante do cenário brasileiro e mundial, acredita-se que a psicologia não deve ficar de fora da tecnologia que tem proporcionado facilidades para as pessoas, que de outra forma poderiam ficar sem atendimento psicológico, como portadores de necessidades especiais ou seus familiares que tenham dificuldade para se deslocarem até um consultório físico, moradores de pequenas cidades onde o serviço de psicologia não é oferecido, pessoas que estão sem mobilidade ou acamados, para quem não quer perder tempo nos deslocamentos, que possuem dificuldades no contato social ou até mesmo por ser confortável e cômodo. Vale ressaltar que não se trata de psicoterapia, mas de um atendimento breve, pontual e com foco proposto pelo paciente, podendo ser realizado em até 20 encontros ou contatos virtuais via vídeo, áudio ou chat.
Há trabalhos cientifico-acadêmicos, tanto brasileiros como de outros países que mostram a eficiência/eficácia desse trabalho comparado ao presencial. Em alguns países o atendimento online já supera em quantidade os atendimentos presenciais. 
Essa modalidade é aprovada pelo Conselho Federal de Psicologia, o CRP, resolução 11/2012. Todas as informações trocadas na orientação psicológica são de responsabilidade do psicólogo que deve manter o sigilo das informações conforme o Código de Ética Profissional. Mas é importante alertar que as trocas de informações feitas através da internet não são consideradas totalmente seguras, assim como nós psicólogos protegemos as informações do paciente cabe ao paciente tomar todo o cuidado com o equipamento que está utilizando. Não é aconselhável o uso de computadores públicos.

* A Psicóloga Luciane Isabel Melo Inocêncio CRP 06/109564 é Portadora de Necessidades Especiais. Graduada em Psicologia pela Universidade Paulista - UNIP. Experiência em Plantão Psicológico, Psicologia Escolar, Psicologia Clinica Comportamental, Psicodiagnóstico. Conhecimento sobre Bullyng adquido através de duas pesquisas realizadas, aprovadas pelo Comitê de Ética e Pesquisa (CEP) da Universidade Paulista.
HTTPS://www.facebook.com/lucianemelopsi         

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Paternidade sobre rodas

O sonho de ser pai não acaba com a lesão medular
O primeiro post que fiz sobre este assunto, foi contando a história do Gregori, de Lages, e como ele se tornou pai. Hoje, com muita alegria, venho aqui contar a vocês sobre a minha experiência! Ainda não sou pai por vias de fato, mas se Deus quiser, serei. Minha companheira, que tantas vezes já citei aqui no Blog, a Giordana, está grávida!! E de gêmeos! E agora vocês vão saber como tudo aconteceu.
Antes de virar cadeirante, eu já sabia que poderia ser um ótimo pai. Desde sempre eu adoro criança. Acho que desde que deixei de ser uma - se é que eu deixei mesmo, pois meu pai mesmo sempre afirma que minha mentalidade é de um menino de doze anos. Portanto, ser pai sempre foi um sonho meu. Quando encontrei minha cara metade, depois do acidente que me deixou paraplégico, procurei saber como poderia ter filhos.
A primeira opção que encontrei foi a fertilização, também conhecida como inseminação artificial. A fertilização é o método mais comum e com maior probabilidade de sucesso. Só que é um processo caro, entre doze e vinte mil reais. Quando comecei a pesquisar, descobri que há um programa do Hospital das Clínicas que faz a fertilização gratuitamente. É preciso fazer uma triagem que começa no posto de saúde, que te encaminha para uma consulta com um urologista, e em seguida para a fila de espera, que costuma durar uns dois anos até ser chamado para os exames finais e a fertilização. Fiz todo o processo, fui chamado e fiz o espermograma, para identificar se há espermas móveis em boa quantidade. No meu caso não havia, portanto o procedimento indicado para colher os espermas seria punção. Neste ponto, em conversa com a Gi, decidimos que ainda não era o momento ideal para termos filhos. Interrompemos o projeto.
Gi pronta para receber os óvulos fecundados
Até que, ano passado, voltamos a conversar sobre isso. Com o avanço das nossas idades, se fosse para ter filhos, era o momento. Na verdade, só precisei convencer a Gi a ter filhos, pois eu não deixei de querer hora nenhuma. Já que chegamos a um acordo, fomos atrás do método. Voltar à fila era impensável, portanto fomos atrás de clínicas particulares. Perguntei a um amigo que havia feito há pouco tempo e ele indicou a Origen. Fomos lá e nos assustamos um pouco com o preço, quinze a vinte mil reais. O preço varia porque a compra dos remédios varia de acordo com a produção de óvulos. Pesquisando outras, descobri a Clínica Vilara, que funciona dentro do Hospital Vila da Serra. O preço era bem melhor, de doze a dezesseis mil. Gostamos do médico e da estrutura, resolvemos encarar.
Vou falar agora do processo de fertilização propriamente dito. Funciona assim: a mulher estimula a produção de óvulos artificialmente, com a utilização de remédios - a quantidade de remédios que a mulher toma depende da idade e da velocidade de produção dos óvulos. O médico vai acompanhando quantos óvulos são produzidos e decide o momento em que já são suficientes. No nosso caso, a Gi produziu oito óvulos, um número razoável, mas o médico sugeriu congelar aqueles óvulos e fazer mais um mês de tratamento para juntar pelo menos mais sete ou oito, por garantia. O problema é o custo, os remédios são muito caros. Resolvemos arriscar com os oito.
A gente acompanha a introdução dos óvulos pela tela - dá pra ver só um pontinho, mas é emocionante!
Como eu já havia feito espermograma, sabia que a retirada dos meus espermas seria por punção, ou seja, retirado direto na fonte, através de uma minicirurgia onde eles abrem o escroto e os buscam com uma seringa. Após a retirada, o médico faz os testes para ver se encontra espermas com boa mobilidade e procede para a inseminação. No mesmo dia, os óvulos da mulher são colhidos, e os espermas bons são colocados em contato com os óvulos, para a fertilização. Os óvulos fertilizados são cultivados em laboratório, e assim que estão evoluindo é marcada a inseminação. Os óvulos são então introduzidos na mulher. Dos oito óvulos retirados, sete estavam bons, o médico separou os cinco melhores e fecundou quatro. Introduziu três na Gi, para acompanhar. É possível que nenhum deles evolua, ou somente um. É muito raro os três vingarem, assim nos disse o médico.
Gi já apresenta uma leve barriguinha - e um grande sorriso no rosto!
A partir daí, o médico foi acompanhando a evolução com ultrassons semanais. Até a quarta semana, os três estavam indo bem! Ficamos um pouco assustados com a possibilidade de trigêmeos, mas se fosse para ser, daríamos conta. Até que na quinta semana um deles parou de evoluir, mas os outros dois continuaram! E continuam até hoje, graças a Deus. Já descobrimos que é uma casal e já demos os nomes, Anne e Max. A Gi está entrando no sexto mês daqui uma semana e eles estão desenvolvendo bem.
E agora começa a luta para montar o quarto dos bebês - adaptado para mim, é claro - e comprar um caminhão de coisas para cuidar deles nos primeiros meses. Aliás, caminhões, porque só de fralda já enche um...

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Speedicath

Um cateter diferente, mais prático e avançado
Faço cateterismo há nove anos e já imaginei se um dia conseguiriam simplificar o processo. Esse negócio de preparar tudo, colocar luva, molhar gazes, passar sabonete, higienizar, usar xilocaína, colocar com precisão e cuidado, aguardar o esvaziamento da bexiga e descartar o material e depois guardar tudo.... ufa, dá um trabalhão. É muito complicado, mesmo estando acostumado, tem hora que dá nos nervos. Sempre pesquiso sobre novos materiais, novas tecnologias, e em uma destas pesquisas descobri o Speedicath. Mas não tinha experimentado, até semana passada.
Ele se fixa facilmente a vários tipos de superfície
O Speedicath é um cateter diferente, voltado para simplificar o processo mantendo a segurança. Ele não é enrolado, como os cateteres comuns. Ele vem em uma embalagem reta, como um canudo, e vem pronto para uso, de utilização simples e intuitiva. Ele é projetado para aumentar o conforto e minimizar o risco de danos à uretra. Tem revestimento hidrofílico exclusivo e orifícios polidos  que garantem um cateterismo suave, tanto durante a inserção quanto na retirada do cateter. Isso significa que não precisa besuntar de xilocaína e enfiar muito vagarosamente para não ocorrer perfuração da uretra.
Alça que facilita a abertura do Speedicath
O SpeediCath é rápido e fácil de usar. O anel de abertura permite abertura fácil e o ponto adesivo garante que o cateter permaneça onde foi colocado. Isso facilita o manuseio, basta tirar protetor do adesivo e fixar em algum lugar, aí é só puxar pelo anel que ele se abre, deixando à mostra o cateter. Aí é só pegar próximo à base, mirar no buraquinho e enfiar até atingir a bexiga. Tudo isso agiliza muito o cateterismo, fiz alguns testes e o tempo reduziu em mais de trinta por cento. O único ponto chato é mirar para acertar o buraco da uretra, pois não podemos pegar na ponta. Mas com prática dá para pegar a manha. Outro ponto negativo do Speedicath é o preço. Enquanto uma sonda comum sai por menos de um real, ele custa em média seis e cinquenta. Mas ele dispensa a compra de alguns materiais, como as luvas plásticas e xilocaína, portanto no fim das contas a diferença diminui. Gostei do produto, muito útil, principalmente em viagens ou saídas. Imaginei como seria útil em uma festa de formatura ou evento, por exemplo.
Forma correta de segurar. Nem precisa de luva, a mão não encosta na parte que entra.
Quem demonstrou para mim foi a Helenita, que trabalha com ele na região de BH. Ela veio até minha casa mostrar o Speedicath e aproveitou para mostrar outros produtos da Coloplast, como o Conveen, um coletor urinário que dispensa a gravatinha, pois tem uma cola por dentro. Ela tem muita didática e paciência para explicar e tirar todas as dúvidas. Quem tiver interesse, ligue para ela  no número (31) 9787-9971 e agende uma visita. Os produtos são ótimos, recomendo!

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Vestindo calça sentado

Taí uma tarefa que costuma ser enjoada - até pegar a prática
Logo que sofri o acidente que me deixou paraplégico, percebi que uma das tarefas mais rotineiras e repetidas precisaria ser adaptada: trocar de roupa. Como sou muito alto e pesado, com a perda dos movimentos, deitado, e ainda machucado no ombro, não pude auxiliar muito as enfermeiras que me atenderam e dei bastante trabalho nas trocas de roupa. Para colocar e tirar bermudas e calças, elas me viravam para um lado, subiam um pouco uma perna, me viravam para o outro, e assim ia, pelejando. Quando chegava na cintura a coisa complicava, muitas vezes era preciso erguer o quadril, e aí era preciso a ajuda de um parente ou de um enfermeiro mais forte.
Quando comecei a me virar sozinho, imitei a técnica das enfermeiras, e ficava me virando na cama para vestir calças. Parecia uma cobra enlouquecida, vira para um lado, puxa do outro, vira de novo, puxa mais um pouco. Achava isso tudo muito trabalhoso e cansativo. Assim que fui para o Sarah acreditei que me ensinariam técnicas mais apuradas e menos cansativas, mas disseram que a melhor forma de vestir calça era deitado mesmo, puxando aqui e ali até chegar na cintura. Até ensinaram a puxar sentado na cama, porém não acrescentou muito. Mas eis que, em conversa com outros internos, me deram a dica: poderia vestir calças sentado na cadeira, aproveitando as mãos grandes para apoiar nos protetores de roupa e puxar a calça com os polegares. Desde então, só me visto desta forma. Acho muito mais rápido e menos cansativo do que deitado. E este é outro motivo para usar os protetores de roupa com abas dobradas que mostrei no post anterior. Este modelo permite segurar com as mãos e puxar a calça ao mesmo tempo.
Calças Jeans são mais complicadas de vestir
O cuidado que se deve tomar é o ajuste da calça atrás, pois nesta técnica a calça pode não subir completamente e deixar à mostra o famoso "cofrinho", o que garante uma "pagação de mico" nas transferências. Pior ainda é quando a calça agarra em algum lugar nas transferências e o espetáculo é ainda maior, com um verdadeiro "strip tease". Já aconteceu comigo algumas vezes, principalmente quando a calça agarra no protetor de roupa da cadeira ao sair do carro. Graças a esse descuido já fiquei de cueca algumas vezes na garagem do trabalho. Felizmente não havia mulheres por perto e consegui puxar rapidamente a calça, mas rendeu boas risadas dos manobristas e de quem estava passando... 
Aí entram minhas dicas sobre a escolha da calça. Hoje já existem calças adaptadas para cadeirante, até mesmo jeans, mas como ainda não conheço e nem experimentei, vou falar de calças comuns. Para o dia a dia, recomendo usar calças de nylon ou outro material escorregadio, pela facilidade para colocar e tirar. E também por serem confortáveis e bonitas - pelo menos para mim. No horário comercial, para quem trabalha em escritório, em atividade administrativa, tem a opção de usar calças sociais. Elas também são muito fáceis de vestir e confortáveis para o dia a dia. Mas e as calças jeans? Usadas pela maioria das pessoas, elas também podem ser vestidas com esta técnica, e apesar da maior resistência, entram até o final com algumas reboladas (sem duplo sentido, por favor).
Calças de nylon e materiais lisos são mais fáceis de vestir
Veja no vídeo abaixo a técnica que uso. Gostaria de deixar claro que ela só deve ser tentada se o cadeirante tiver bom controle e equilíbrio do corpo, além de força nos braços. Nas primeiras tentativas, é importante ter alguém por perto apoiando para um caso de desequilíbrio. Minha lesão é alta, T2 óssea e medular C7 - portanto sou considerado tetra, mas nunca perdi força nos membros superiores e recuperei alguma musculatura abaixo da lesão que me permitem fazer isto e outras peripécias com segurança - que com o tempo, aprimorei. Essa é a chave para qualquer atividade, se não se sentir seguro, não faça.
Enfim, espero ajudar outras pessoas que procuram formas de agilizar estas atividades do dia a dia. Para mim, funciona!

domingo, 16 de agosto de 2015

Protetores de Roupa

Meus protetores são fixos, mas com abas.
Também conhecidos como abas ou para lamas, os protetores de roupa são peças fundamentais da cadeira de rodas. E devem ser bem escolhidos para evitar futuras dores de cabeça - ou de corpo, pois podem atrapalhar as transferências e até causar uma queda. Mas o que muita gente não se toca é que há muitas outras utilidades para os protetores de roupa, além, é claro, de proteger as roupas.
Esse foi o que pedi originalmente na TiLite. Arrependi, nem cheguei a usar.
Já vou deixar claro minha preferência pessoal: gosto de protetores móveis e com abas dobradas, daqueles que se parecem mais com para lamas mesmo. Cheguei a tentar usar protetores retos, mas não me acostumei, e ainda tive dificuldades nas transferências, pois eles eram grandes e só dobravam para dentro. Os principais motivos para usar abas dobradas: uso eles diariamente para vestir roupa e para fazer elevações. Para vestir roupa me apoio nos protetores, seguro a calça com os dedos e "pulo" dentro da calça. Vou demonstrar isso em um vídeo, e talvez até em post, afinal considero uma tarefa complexa vestir uma calça jeans, por exemplo. A técnica aprendi no Sarah, mas não nas aulas, e sim com um outro "interno" lá dentro. Fazer elevações, para quem não sabe, é o importantíssimo gesto de se apoiar nos protetores e tirar a bunda da cadeira por alguns segundos. Esta tarefa é fundamental para evitar escaras, as temidas úlceras de pressão.
Os protetores da M3 é muito bom, removível e com boa distância para as rodas
Outra função importante dos protetores é carregar documentos. Estranho falando assim, mas quem é cadeirante sabe o quanto é difícil levar, por exemplo, uma folha A4 que não possa ser dobrada em cima das pernas. Ainda mais para quem usa calças sociais para trabalhar. Pouca coisa irrita mais um cadeirante do que coisas caindo do colo e se espalhando no chão. Você coloca uma coisa, a outra escorrega. Se abaixa para pegar, e cai outra coisa. Ai que ódio. Com os protetores, é fácil colocar folhas, envelopes e até pastas finas ao lado do corpo para levar para todo lado.
Muito útil também para carregar documentos
Enfim, fica a dia: escolha bem seus protetores de roupa. Afinal, além de proteger a roupa, podem ser usados para muitas outras coisas. E evita passar raiva em muitas ocasiões.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Turismo Para Todos

Que o turismo deve ser um direito universal nós já sabemos, porém para que seja bem aproveitado, com segurança e tranquilidade por pessoas com deficiência, são necessários alguns cuidados. Destes, muitos são específicos para a deficiência da pessoa, e a ausência de uma estrutura confiável pode trazer muitos riscos e problemas. Isto pode inviabilizar a viagem, caso não se possa contar com os profissionais e equipamentos corretos.
A Sonhotur, empresa pioneira em turismo na Região de Erechim, está especializando-se em um produto inédito no Brasil: Turismo de Saúde, que alia diversão a cuidados especiais em viagens para pessoas com deficiências e idosos. Abre-se assim uma possibilidade para pessoas que tem necessidades específicas de tratamento de saúde possam curtir turismo em um país belíssimo: Portugal.
A Sonhotur acredita que todas as pessoas devem ter a oportunidade de “ser turista” sem preocupações em relação à sua condição ou aos cuidados de que necessita (higiene pessoal, cuidados diários, transporte, etc.). A equipe da Sonhotur tem experiência, competência profissional e possibilita a viagem para Portugal, sozinho ou acompanhado por amigos ou família, com a garantia que os seus serviços irão abranger todas as necessidades. Os profissionais são reconhecidos pela sua ampla experiência na prestação de cuidados diários e reabilitação. A equipe é composta por Enfermeiros, Fisioterapeutas, Terapeutas Ocupacionais, Médicos, Nutricionistas entre outros profissionais de saúde. Se necessário, é possível prestar acompanhamento nas atividades e experiências por 12/24h por um profissional de saúde ou outro. O programa Turismo Para Todos tem uma grande rede de parcerias que permite oferecer diversas possibilidades aos clientes com a garantia de se tratar bem. O programa Turismo Para Todos permite-lhe conhecer Portugal sem limites! Mesmo que não possa interromper a sua reabilitação, ou que precise de tratamentos clínicos, eles tem a solução.
A Sonhotur está formando turmas para viagens para Lisboa com saídas em 13 de setembro e 17 de novembro. O valor do pacote de 9 dias e 7 noites parte de entrada de 630,00 euros mais 12 vezes de 145,00 euros no cartão. À vista, tem mais de 10% de desconto, sai por 2.106,00 euros. O pacote inclui hospedagem, transporte terrestre em veículo adaptado, refeições, entradas nas atrações, transfer e seguro de viagem. Não está incluída a passagem aérea de ida e volta. Além do pacote básico, o cliente pode solicitar à parte os serviços de cuidados diários de acordo com suas necessidades.
Quem tiver interesse, entre em contato pelo e-mail do Blog, blog.cadeirante@gmail.com, que eu dou mais informações e envio os formulários da Sonhotur, onde constam as necessidades e serviços que cada cliente possa ter. Ou então baixe aqui o formulário de inscrição. Bora pra Portugal?

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Kit Livre - Motorizando a cadeira de rodas

Transformando a cadeira manual em motorizada
Há alguns anos atrás, precisamente em 2011, mostrei aqui no blog o Speedy, uma roda com um motor elétrico e uma bateria, que pode ser encaixada em uma cadeira de rodas manual, transformando-a em motorizada. Fabricada na Alemanha, parecia ser a solução definitiva para ajudar na árdua tarefa de empurrar o próprio corpo (mais a cadeira) com a força dos braços. E sem precisar gastar uma fortuna, pois os preços das cadeiras motorizadas por aqui são bem salgados. Na época tive certeza que iriam aparecer vários concorrentes e logo logo estariam nas lojas especializadas do Brasil. E então alguém iria perceber a oportunidade e começaria a fabricar por aqui também. Que esperança... Mais de três anos depois, no ano passado, descobri o único concorrente até então, o Firefly, que é fabricado em São Francisco, na Califórnia.
Kit Livre apoiado no chão, esperando o cadeirante chegar!
Mas eis que ano passado, finalmente, um engenheiro de São José dos Campos e seu irmão gêmeo, Júlio e Lúcio, desenvolveram um produto tão bom quanto, e até melhor em alguns aspectos, do que os similares importados. É o Kit Livre, uma roda com motor elétrico e bateria que encaixa na cadeira de rodas e a transforma em um triciclo motorizado. O sistema de encaixe do Kit é muito bem pensado, oferecendo praticidade e segurança. Além disso é customizável, e há modelos para cadeiras dobráveis e para monoblocos. Serve também em cadeiras de vários tamanhos, por ter várias opções de regulagens.
Com o os idealizadores do Kit Livre, Júlio e Lúcio, e no meio o Dennys, que ajuda na gestão da empresa
Mas o destaque maior é a facilidade de montagem. O próprio cadeirante pega o Kit, que fica apoiado em dois suportes, encaixa na cadeira e trava para sair acelerando. O Kit conta também com um visor digital que controla os quilômetros rodados, mostra a velocidade em km/h, controla a potência (de um a cinco) e ainda liga o farol! Sim, o kit tem um farol de led que ilumina bem pra caramba. E o próprio painel de controle também fica iluminado.
O painel de controle do Kit Livre
A facilidade que o Kit proporciona ao cadeirante é sem igual. Dá para rodar quilômetros sem se cansar e você chega rapidamente ao destino. Como o Kit faz parte da cadeira de rodas, pode rodar tranquilamente em cima das calçadas, e assim cortar caminhos, atravessar a rua na faixa e fazer o menor caminho até o destino. E ainda permite entrar em locais fechados como supermercados, farmácias, bancos e rodar tranquilamente. Se o local for muito apertado, é fácil destravar o Kit e deixar do lado de fora para rodar somente com a cadeira, e depois recolocar na cadeira e ir embora. Outra vantagem do Kit é o tamanho, como é compacto é fácil levar em uma viagem, no porta malas, ou até mesmo despachar em viagens aéreas.
A única limitação do Kit é subir morros íngremes. Como a tração é dianteira, a roda não aguenta puxar a cadeira em uma subida. Mas dá-se um jeito, fazendo zigue-zague é possível subir morros não tão íngremes. E o preço? Bem mais em conta que os importados, e ainda podem ser financiados pelo Crédito Acessibilidade do Banco do Brasil, a juros baixos, em torno de 0,424%, em até 60 vezes.
Os modelos e preços dos Kits são:
- Economy: indicado para qualquer idade até 70 kg, tem motor de 250 wats e rodas de 20" - R$ 4.990,00
- Mini: qualquer idade até 70 kg, motor de 250 wats e rodas de 16" - R$ 5.990,00
- Standard: adultos até 70 kg, motor de 250 wats e rodas de 20" - R$ 5.990,00
- Light: qualquer idade até 70 kg, motor de 250 wats e rodas de 16" - R$ 6.990,00
- Premium: adultos até 70 kg, motor de 250 wats e rodas de 20" - R$ 6.990,00
- PRO: adultos até 100 kg, motor de 600 wats e rodas de 20" - R$ 7.990,00
- PRO Mamute: qualquer idade até 90 kg, motor de 600 wats rodas de 24" - R$ 8.490,00
- PRO Elite: adultos até 130 kg, motor de 850 wats e rodas de 20" - R$ 9.490,00
- Radical 600 wats: qualquer idade até 90 kg, motor de 600 wats e rodas de 20" - R$ 8.490,00
- Radical 1000 wats: qualquer idade até 130 kg, motor de 1000 wats e rodas de 20" - R$ 9.990,00
- Chopper 1500 wats: qualquer idade até 130 kg, motor de 1500 wats e rodas de 20" - R$ 11.490,00

Os Kits Standard e PRO podem utilizar dois tipos de bateria, de bolsa ou de garrafa. Para bateria de garrafa, deve-se acrescentar 1.500,00 reais ao preço do Kit. A principal diferença é que a bateria de garrafa é um pouco mais compacta.
Fechei parceria com o pessoal do Kit Livre para ajudar na divulgação e venda dos Kits. Quem tiver interesse, pode entrar em contato comigo pelo e-mail blog.cadeirante@gmail.com ou pelo telefone (31) 8482-9474. Vou tirar as dúvidas sobre o financiamento, funcionamento do Kit e o que mais for necessário. O frete é por conta do cliente, e varia de acordo com o estado. Requisite o formulário de intenção de compra e envio para preenchimento.

sábado, 11 de julho de 2015

Novo Triciclo Elétrico

Excelente alternativa para locomoção de pessoas com mobilidade reduzida
Desde que descobri o triciclo elétrico em 2011, minha autonomia para sair de casa mudou, melhorou significativamente, e junto vieram doses de diversão. O triciclo elétrico permite a um cadeirante sair de casa e percorrer médias distâncias sem ajuda de ninguém, podendo utilizar a calçada ou as ruas. Como ele tem rodas grandes e todos os itens de segurança presentes em motos, como setas, farol, luz de freio e de ré, pode rodar nas ruas junto com os carros, subir pequenos degraus e descer ou subir morros íngremes. A outra vantagem inegável é a economia, ele recarrega em tomada comum e o quilômetro rodado custa em torno de um centavo!
Passeando em um parque com o triciclo
Desde o ano passado o triciclo recebeu atualizações no desenho e motorização. Antes ele vinha com motor de 600 wats, que era suficiente para subir morros, mas a velocidade caia muito. Agora passou a vir com motor de 800 e 1000 wats, o que melhorou a subida, sobe facilmente comigo, que peso noventa quilos, qualquer morro íngreme de BH. Minha rua mesmo é bem inclinada, e ele sobe com facilidade, sem engasgar.
Outra mudança notável foi no banco, que ficou mais baixo, sem prejudicar a segurança, e mais bonito. Ele não vem mais com o cinto de segurança, que traz mais segurança em caso de tombar, pois a pessoa não fica presa ao triciclo. Perdeu também o para choque traseiro, mas este já não estava vindo nas últimas unidades. Achei até bom, o meu antigo tinha e de vez em quando se enroscava em alguma coisa depois de dar uma ré.
Fazendo compras no Supermercado,
Mais um grande avanço veio no controle da velocidade. O triciclo agora vem com um seletor embaixo do acelerador com três opções de velocidade. Na primeira seleção, é possível acelerar pouco e acompanhar uma pessoa andando. Muito bom para passear com a esposa ou filhos em um parque ou pela calçada mesmo. Aliás, o fato de andar bem tanto na rua quanto na calçada é que faz dele uma alternativa excelente para o dia a dia.
A melhor novidade vem mesmo é com a forma de pagamento. Agora é possível financiar o triciclo elétrico pelo Crédito Acessibilidade do Banco do Brasil, que divide o valor em até 60 vezes com juros muito baixos. Depende do cadastro no banco, mas pelas simulações que fiz, a taxa de juros fica em média em 0,424%. As condições para conseguir o crédito são: ser correntista do Banco do Brasil, ter renda mensal de no máximo dez salários mínimos e ser deficiente. Também é possível que um  parente com conta no BB consiga o crédito para o deficiente.
- O modelo de 1000 wats custa R$ 9.990,00. Abaixo foto do modelo novo, 2017.
Não perca esta chance, adquira um triciclo elétrico para facilitar sua vida sobre rodas!
Sou representante, para comprar o triciclo elétrico solicite o Pedido de Compra ou envie um e-mail para blog.cadeirante@gmail.com que eu retorno com o formulário para preenchimento da Nota Fiscal. Ou ligue para meu celular (31) 98482-9474 e conversamos melhor.
Já vendi triciclos para várias cidades, de vários estados, facilitando a vida de muita gente. A seguir um depoimento de um cliente satisfeito com o triciclo, o Márcio, de Bom Jesus do Itabapoana, no interior do Rio de Janeiro. Ele adquiriu em 2013 e faz de tudo com o triciclo. Confirmem nas palavras dele:
Márcio com a turma da faculdade. Malandro, só tem mulher na foto!
"O Triciclo Elétrico me proporcionou uma liberdade de poder sair sem depender de alguém, pois de cadeira de rodas você fica dependente. Vou trabalhar, vou ao supermercado, vou em loja, trabalho de vendedor gráfico, vou à faculdade, enfim, uma liberdade danada de não só ficar na cadeira de rodas!"

terça-feira, 7 de julho de 2015

Feapae's MG promove curso de Atualização em Tecnologias Assistivas


Você conhece as "Regras de Ouro" para a escrita de textos com símbolos? Sabe como utilizar símbolos para melhorar a comunicação de pessoas com dificuldades nessa área? Conhece os softwares que utilizam o sistema de símbolos e são importante suporte para a comunicação alternativa de pessoas com deficiência? Conhece os softwares disponíveis, de suporte ao ensino de matemática e de ciências para pessoas com deficiência? Você conhece os recursos eletrônicos de apoio a pessoas com deficiência auditiva e visual? Já utilizou o tablet para facilitar a comunicação alternativa de pessoas com deficiência? Você conhece os modernos dispositivos eletrônicos que possibilitam a comunicação, a aprendizagem de pessoas com deficiências múltiplas?
Você pode conhecer tudo isso e muito mais no Curso de Atualização de Tecnologias Assistivas: favorecendo a aprendizagem e a inclusão da pessoa com deficiência, oferecido pela UNIAPE - Universidade Corporativa da Federação das APAEs de Minas Gerais, tendo como professores conteudistas o Prof. Dr. Marcelo Duduchi (USP) e a Profª Patrícia Vieira de Andrade Corrêa (Imagina). Você fará o curso inteiramente a distância, dispondo de material didático de excelente qualidade, em Ambiente Virtual de Aprendizagem de fácil utilização.

Mais informações: http://www.ead-uniapaemg.org.br/sga/cursos/tecnologias-assistivas

Inscreva-se pelo site: www.ead-uniapaemg.org.br

sábado, 4 de julho de 2015

Technocare

Uma loja bem completa, direcionada a pessoas com limitações e idosos
Sempre reclamei da falta de lojas dedicadas a cadeirantes em BH. Quando virei cadeirante em 2006, não havia sequer uma loja dedicada a este público. Na época eu precisei alugar uma cadeira de rodas e só havia uma loja que oferecesse este serviço. A cadeira que aluguei, porém, era daquelas americanas cromadas, enormes e muito, muito pesadas. Mas era o que tinha. Pouco tempo depois descobri uma loja que trabalha com cadeiras de rodas motorizadas. Hoje em dia, sei de apenas uma loja que vende cadeiras de rodas monobloco, de qualidade, mas não são especialistas no ramo.
Porém, estes dias finalmente encontrei uma loja que é especialista em Soluções em Mobilidade e Inclusão: a Technocare. É uma loja relativamente nova, mas com uma estrutura de dar inveja a muita loja de São Paulo e Rio. Lá há todo tipo de produto para auxílio a pessoas com limitações, desde camas e cadeiras de rodas, a pequenas adaptações para tetraplégicos, pessoas com paralisia cerebral e outras limitações.
Alguns produtos da Technocare
A Technocare faz também prescrição de cadeira de rodas e adaptações, um serviço que muita gente procura e não sabe bem onde encontrar. No meu caso, o Sarah prescreveu minha cadeira de rodas, mas na época a recomendação era para aquisição de uma cadeira dobrável, em duplo X, e foi suficiente na época. Quando passei para a cadeira monobloco, tive que ir a São Paulo para encontrar as medidas ideias da cadeira para meu tamanho. Mesmo assim, depois de anos acostumado com a cadeira, somente após a consultoria em Adequação Postural que recebi na Technocare pude melhorar minha postura na cadeira de rodas e diminuir um pouco minhas dores. A Technocare atende também em casa, em qualquer lugar da grande BH.
Além disso, a Technocare tem um Centro de Tecnologia Assisitiva, voltada a profissionais dedicados à reabilitação, proporcionando um espaço para experimentação de produtos e aprendizagem em tecnologia assistiva. Com uma equipe de profissionais de várias áreas afins, o Centro presta consultoria e oferece suporte técnico. Lá há também vários cursos e eventos voltados a estes profissionais.
A Technocare é uma loja muito completa e conta com profissionais de alto nível, a Irene me recebeu muito bem quando estive lá, vale uma visita! Fica na Avenida Pedro II, 3377, no Padre Eustáquio, e tem estacionamento na frente. O site é www.technocare.net.br e o telefone (31) 3443-2200. Não deixem de conhecer!

sábado, 20 de junho de 2015

Adequação Postural

Maria de Mello me explicando a importância de manter a postura correta
Manter a postura correta é um desafio para todo mundo. Antes de virar cadeirante, eu já sofria com problemas ocasionados pela má postura, devido aos 1,95 metro de altura. Para começar, sentia dores no pescoço por ficar sempre olhando para baixo e, principalmente, para alcançar a boca das meninas... Sacrifício válido! Outra queixa constante era na região da coluna lombar, que era constantemente forçada nos diversos esportes que eu praticava. Esse quadro me rendeu muitas sessões de fisioterapia e aplicação de calor e gelo. Só que eu era indisciplinado, largava a fisioterapia na metade e não fazia os exercícios recomendados. Acabava voltando ao médico...
Alguns problemas de coluna comuns
Ao virar cadeirante devido a lesão medular, a maior parte das pessoas (incluindo eu) relaxa ainda mais para manter a postura. O que complica ainda mais o quadro é a falta de sensibilidade, como não sentimos mais as dores abaixo da lesão, a coluna pode piorar bastante com o tempo. Como eu recuperei alguma sensibilidade, voltei a sentir as dores na lombar que me queixava no passado, e passei isso para minha fisioterapeuta, a Joyce da Aquafisiobh. Ela passou alguns exercícios que faço até hoje na água, na hidroterapia, o que me alivia um pouco. Só que eu estava tratando a consequência, e não a causa: a má postura.
Mês passado, no II Simpósio Mineiro de Reabilitação em Lesão Medular do qual participei, tive o prazer de conhecer a Dra. Maria de Mello, terapeuta ocupacional especialista em adequação funcional assentado. Após assistir minha palestra, em que comentei sobre as dores crônicas que sinto, ela veio conversar comigo sobre a questão postural. Ela percebeu que eu não estava bem posicionado na cadeira e marcamos uma avaliação na TechnoCare, na Av. Pedro II 3377, onde ela atende.
Aprendendo alguns exercícios para melhorar as dores na coluna
Fui em uma sexta feira pela manhã, acompanhado de minha mãe que estava me visitando. Maria nos recebeu muito bem e explicou em detalhes como é o projeto de adequação funcional que ela faz, analisando o dia a dia da pessoa, atividades que desempenha, tempo que passa na cadeira e quais as principais queixas posturais e de dores. Contei tudo para ela, da hora que acordo até a hora que vou deitar, incluindo atividades eventuais, esportes que pratico, viagens, tudo. Depois ela analisou minha posição na cadeira de rodas, de lado, de frente, parado e tocando a cadeira. Coincidentemente eu tinha uma tomografia da coluna completa feita recentemente, no qual ela identificou uma retificação da minha coluna. Aí ela pediu para eu deitar na maca e fez alguns exercícios comigo, pegando sempre meu feedback sobre como estava me sentindo. Com base em tudo ela emitiu um relatório com as recomendações para melhorar minha postura e diminuir minhas dores localizadas. O relatório incluiu ajustes na minha cadeira e sugestões para a cadeira do banco, onde trabalho todo dia. Estou seguindo as recomendações há duas semanas e já senti melhoras e diminuição das dores.
Quem quiser fazer um projeto de adequação funcional com a Maria de Mello é só entrar em contato com ela pelos telefone (31) 9428-9100 ou 3443-2200, ou ainda pelo email mariademello@technocare.net.br.

terça-feira, 16 de junho de 2015

Estatuto da Pessoa com Deficiência - Lei Brasileira da Inclusão

O Senado aprovou na última quarta feira, dia 10, por unanimidade, a criação da Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, com a previsão de diversas garantias e direitos às pessoas nessa condição. O texto é uma espécie de marco legal das pessoas com deficiência, e trata de questões relacionadas a diversos aspectos da vida de pessoas com algum tipo de limitação física ou intelectual, como educação, saúde, trabalho, infraestrutura urbana, cultura e esporte. O projeto original é de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS), mas recebeu substitutivo da deputada Mara Gabrilli (PSDB-SP), que foi apoiado pelo próprio Paim. De volta ao Senado, o texto foi relatado pelo senador Romário (PSB-RJ), que ficou emocionado ao citar a filha Ivy, que tem Síndrome de Down, ao apresentar parecer favorável à aprovação do projeto. O texto segue agora para sanção da presidente Dilma Rousseff.
Mas na prática, o que muda para as pessoas com deficiência se a presidente sancionar a lei?
Entre os principais pontos da lei, destaco os seguintes:
- Prevê atendimento prioritário em órgãos públicos e dá ênfase às políticas públicas para as pessoas com deficiência. Fica estabelecido, que 3% das casas fabricadas com recursos de programas habitacionais do governo deverão ser acessíveis a pessoas com deficiência, 10% das vagas em hotéis deverão ter acessibilidade garantida, 10% das outorgas de táxi para motoristas com deficiência, 10% de vagas reservadas às pessoas com deficiência nos processos seletivos de curso de ensino superior ou profissional, 2% das vagas de estacionamento e 5% dos carros de autoescolas e locadoras adaptados para deficientes.
- Empresas com mais de 50 funcionários deverão reservar pelo menos uma vaga para deficiente. Atualmente só empresas acima de 100 funcionários precisam desta reserva.
- Criação do auxílio-inclusão, a ser pago às pessoas com deficiência moderada ou grave, que entrarem no mercado de trabalho.
- Definição de pena de reclusão de um a três anos para quem discriminar pessoas com deficiências.
- Criação do cadastro de inclusão, com a finalidade de coletar, processar, sistematizar e disseminar informações georreferenciadas que permitam a identificação e caracterização das pessoas com deficiência e as barreiras que impedem fazer valer os seus direitos.
- A reforma de todas as calçadas passa a ser obrigação do Poder Público, que deverá tornar todas as rotas acessíveis. Atualmente, essa responsabilidade é dos municípios.
- Proibição das escolas privadas de cobrarem mensalidades maiores para alunos com algum tipo de deficiência. Também foi aprovada a obrigação de o poder público incentivar e fomentar a publicação de livros acessíveis pelas editoras brasileiras.
- A nova lei também assegura que as pessoas com deficiência podem votar e ser votadas, em igualdade de oportunidades com as demais pessoas. O projeto prevê a possibilidade de a pessoa com deficiência ser acompanhada na cabine durante o voto e a adaptação dos locais de votação aos diversos tipos de deficiência. Também são assegurados aos portadores de deficiência a garantia de participação em programas eleitorais. No exercício de cargo público, a pessoa terá assegurado o uso de tecnologias apropriadas, quando necessário.
- O projeto também permite que pessoas com deficiência intelectual casem legalmente, além de formarem união estável.
- O projeto permite que Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) seja utilizado para a compra de órteses e próteses.
Enfim, a Lei trará muitos benefícios e novos direitos às pessoas com deficiência. Achei bastante interessante as reservas, principalmente de carros para alugar e de autoescolas e outorgas de táxi. Gostei também da reforma de calçadas pelo Poder Público. Isso pode melhorar bastante a acessibilidade nas cidades.
Resta saber se a Lei será respeitada ou se será apenas mais um argumento na briga para valer nossos direitos.

terça-feira, 19 de maio de 2015

Lancha adaptada para deficientes

Uma rampa facilita muito embarque e desembarque
Quem acompanha o blog sabe que pude retomar um dos esportes que mais curto em 2013, o mergulho. Mergulho adaptado não demanda muita estrutura, basta fazer o curso específico e ter o acompanhamento correto na hora do mergulho. Uma luva tipo "mão de pato" é um dos poucos equipamento que pode ajudar na prática do mergulho adaptado, mas tem um detalhe que pouca gente percebe, e que poderia fazer toda a diferença: uma lancha adaptada. Já tive problemas em mergulhos, tanto para embarcar no porto quanto para voltar ao barco em alto mar, pois nunca tinha visto uma embarcação que oferecesse alguma facilidade para o cadeirante.
Não tinha visto até mês passado. Recebi um e-mail do Jonny, de Santos, apresentando uma lancha adaptada para deficientes. Ela tem uma tampa na parte da frente que se transforma em uma rampa, permitindo a uma cadeira de rodas entrar com facilidade. A ideia surgiu da indagação do Jonny sobre como seria ter os movimentos limitados e querer aproveitar um passeio de lancha ou algum esporte náutico, como o mergulho. E não existia nada neste sentido no Brasil. Agora já estão operando lanchas adaptadas em Ilha Bela, São Sebastião e Ubatuba no litoral de São Paulo.
Embarcar e desembarcar cadeirante é uma operação de guerra
E o Jonny acertou em cheio. Desde a primeira vez que entrei em um barco depois de cadeirante senti na pele a dificuldade no embarque. Foram precisos quatro homens para me colocar no barco, em uma operação tensa. Afinal, o barco não parava de balançar e sempre havia um espaço entre o barco e o cais. Com muita força conseguiram me colocar para dentro. Depois, para pular no mar, outra dificuldade. Mesmo o barco tendo um rebaixamento atrás, haviam degraus que tive que pular um a um até chegar na beirada, e então saltar para o mar. Se houvesse uma rampa, ficaria muito mais fácil.
Mergulhadores voltando ao barco com facilidade
Mas a maior dificuldade mesmo eu senti na volta. Para voltar ao barco foram três pessoas para me "içar" de volta. E já passei coisa pior, em um mergulho no naufrágio do Victory 8B em Guarapari, o barco tinha uma escada de metal em forma de espinha de peixe, e como o mar estava bravo, bati as pernas várias vezes ali, o que gerou vários hematomas e ainda dei sorte por não quebrar nenhum osso. Com uma lancha adaptada não teria este problema. A rampa entra na água e permite aos mergulhadores, com ou sem deficiência, sair e entrar no barco com facilidade.
Até mesmo mulheres de saia ou vestido podem se beneficiar da lancha adaptada
Além de funcional, a lancha é muito bonita
A lancha adaptada pode atender não só cadeirantes como também um obesos, idosos ou pessoas com dificuldade de locomoção. Espero que operadoras de mergulho e pessoas que queriam proporcionar opções de lazer náutico a todos tenham interesse neste novo tipo de embarcação. O email do Jonny é msjk@uol.com.br e o telefone (12) 99772-0082.

domingo, 3 de maio de 2015

Palestra - Desafios do lesado medular

Contando um pouco da minha história e dos desafios que enfrentei - e enfrento até hoje
No último sábado de abril ministrei a palestra "Lesado Medular - Um desafio a cada dia", que preparei para o II Simpósio Mineiro de Reabilitação em Lesão Medular, no Hotel Royal, aqui em Belo Horizonte. O simpósio foi organizado pelas fisioterapeutas Joyce e Simone, da AquafisioBH, onde faço hidroterapia, e foi voltado para fisioterapeutas e profissionais envolvidos com reabilitação de pessoas que sofreram lesão medular. A ideia da Joyce ao me chamar foi mostrar um pouco dos desafios que uma pessoa com lesão enfrenta, do ponto de vista do próprio paciente.
Antes da lesão, muito esporte, muita festa, muita diversão
Comecei mostrando como era minha vida nos últimos meses antes da lesão, contextualizando minha situação para que entendessem como reagi após o acontecido e como enfrentei - e enfrento até hoje - os desafios do dia a dia. Falei que estava em um momento muito ativo, morava em Floripa, estava só estudando, fazendo mestrado na UFSC, tinha terminado um relacionamento há pouco tempo e fazia esportes todo dia, ia de bike pra universidade e fim de semana fazia trilha no sábado e trekking no domingo - e ainda tinha balada todo fim de semana e praia sempre que dava na telha. Meu fim de semana começava na quinta feira meio dia, que era quando acabava a última aula da semana, e acabava na terça às oito da manhã, quando começava a primeira aula. Enfim, eu estava com a vida que pedi a Deus.
Nas férias, curtindo com os amigos
Chegaram as férias do mestrado e vim para Minas ver os amigos e parentes. Encontrei a família, amigos e ex rolos e namoradas, curti muito. E uma semana antes de voltar as aulas, aconteceu o acidente. Contei como aconteceu, como fui socorrido e o doloroso processo de hospital em hospital, com a reação da família e tudo mais. E, principalmente, como foi minha reação. Sei que sou um caso muito raro, senão único, pois eu tinha tudo para me desesperar, ficar triste e até deprimido, já que minha vida era muito ativa e livre. Mas usei de minha racionalidade e conhecimento para reagir. Pensei: "já está feito o estrago, não posso fazer nada para reverter isto, então preciso comemorar que estou vivo e retomar minha vida o mais rápido possível". E assim fiz. Afinal de contas, a alternativa era muito pior. Eu poderia estar morto.
Após o acidente, no hospital, ainda de bom humor
Vieram os primeiros desafios, após a artrodese que colocou minha coluna no lugar: entender o funcionamento do corpo, os primeiros movimentos, e as coisas básicas, necessidades fisiológicas, banho, sono. E aí uma coisa que assusta muita gente: a cadeira de rodas. Ao contrário de muita gente que não aceita virar cadeirante, ficar "preso" à cadeira de rodas, eu estava doido para ir para a cadeira logo. Afinal, eu já estava de cama há uns quinze dias, por causa da cirurgia. Rodava para todo lado, mas ainda não podia sair. Mais alguns dias e convenci uma enfermeira a me levar para fora do hospital, mesmo sem poder. Foi incrível ver o céu novamente. Aí que fiquei ainda mais ansioso para sair rodando de cadeira de rodas.
Entre os primeiros desafios, as transferências, no início com a tábua do Sarah, depois sem ela
Saindo do hospital, novos desafios. Primeiro, adaptar a casa para mim. Depois, fazer fisioterapia. Já tinha começado no hospital, consegui fazer em casa graças ao programa de Home Care do meu plano de saúde. Com fisioterapia consegui melhorar o controle do corpo, ganhar força e melhorar as transferências. Aí consegui a internação no Sarah, que me trouxe muita informação sobre a vida na cadeira de rodas. Depois disso, dirigir foi o que quis fazer primeiro. Sabia que o carro iria me dar muita autonomia e liberdade. Tirei carteira adaptada, comprei carro adaptado, e aí ninguém mais me segurava. Ia sozinho para a fisioterapia em clínica, voltei ao mestrado e ia sozinho para as aulas, e para onde mais tivesse vontade. Nesse meio tempo, outros desafios surgiram e fui superando, como sair à noite, namorar, praticar esportes, viajar. 
Dirigir foi uma das primeiras coisas que quis voltar a fazer
E claro, para tornar tudo possível, precisei também voltar a trabalhar. Aqui um adendo: muita gente consegue aposentar por invalidez, mesmo em condições de trabalhar, e se acomoda. Acreditem, se a pessoa tem condições, vale muito à pena voltar. E o melhor caminho é concurso público, não há dúvida. Tentei um processo seletivo, fui muito bem nele, mas não fui chamado. Descobri depois que a empresa tinha escadas na entrada. Parece que não quiseram ter o trabalho de adaptar... Percebendo isto, achei que valia a pena tentar concurso. E consegui de primeira. Isso mudou minha vida, e só cheguei onde estou, consegui muita coisa, por ter voltado a trabalhar.
Após vencer os primeiros desafios, quis me desafiar cada vez mais
E então resolvi criar novos desafios, já que consegui superar todos até aquele momento. Corri atrás de tudo que curtia fazer antes da lesão, e mais. Muito mais. Quem acompanha o blog sabe disso. Foi depois da lesão que fiz a primeira grande viagem ao exterior - já tinha ido a outros países vizinhos, mas outros continentes só fui como cadeirante. Pratiquei esportes que sempre quis depois da lesão, conheci muita gente bacana e continuei saindo, viajando e encontrando com amigos sempre que quis - ou melhor, faço isso sempre que quero. Muita gente diz que sou mais ativo que muita gente que anda, e é verdade. Isso tudo apesar do maior desafio que ainda enfrento até hoje após a lesão - a dor. Sofro de dor crônica, muito forte, constante, vinte e quatro horas por dia. E ainda assim faço de tudo.
Ah, claro, contei meu segredo para superar tudo bem e o que me dá força para sempre seguir em frente. Para fechar a palestra, preparei um vídeo que mostra um pouco de tudo que falei. Ficou muito legal, compartilhei nas redes sociais e bombou. Confiram acima! A recepção do público foi ótima, uma das pessoas falou que foi a melhor palestra, fiquei muito satisfeito. 

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