sábado, 13 de outubro de 2018

Como guardar e tirar a cadeira do carro

Com um pouco de treino a gente aprende
A primeira técnica que aprendi e que me deu muita liberdade, muita independência, a ponto do meu dia a dia ficar quase igual a quando era antes do acidente, foi guardar e tirar a cadeira do carro sozinho. Antes disso, toda vez que eu precisava sair de casa, eu tinha que pedir a alguém para ir comigo. Nos primeiros meses eu estava sem trabalhar, me recuperando, mas para ir na fisioterapia, ao médico ou até ao Shopping, eu precisava de alguém para ir comigo, para desmontar a cadeira, guardar no porta malas, e depois montar a cadeira para eu sair do carro. Isso me deixava chateado porque muitas vezes não conseguia fazer o que eu queria, porque não tinha ninguém para ir comigo. 
Felizmente foi um período pequeno, de dois meses, até eu ser chamado ao Hospital Sarah, onde mostraram uma técnica em vídeo de uma pessoa guardando a cadeira no carro. Na época era mais comum a cadeira dobrável, pouca gente usava monobloco. E guardar uma cadeira dobrável por conta própria não é tão difícil, já que ela desmonta várias peças e dá para ir guardando aos poucos. Ainda assim é um pouco pesada, e é preciso força nos braços. Logo que sai de lá eu treinei um pouco e consegui repetir o processo. Aí após adquirir meu primeiro carro adaptado, me tornei muito independente, ia onde queria sozinho, sem maiores problemas. Ou melhor, desde que houvesse acessibilidade onde eu estava indo, mas isso é um problema externo, de estrutura da cidade, e não podemos resolver por nossa conta. Mas mesmo assim dá para contornar. Quando vou a algum lugar que não tem acessibilidade, ligo antes e peço para alguém me auxiliar assim que eu chegue ao local.
O apoio de braço ajuda bastante no processo
Ao comprar minha primeira cadeira monobloco, em 2009, surgiu um novo problema: como guardar aquela cadeira que não desmonta nem dobra? Recorri à Internet e encontrei um vídeo gringo mostrando a técnica. Treinei bastante até conseguir, ou melhor, até desenvolver minha própria técnica, que ficou um pouco diferente da que vi. E aos poucos fui aperfeiçoando a técnica. Aí fiz um vídeo mostrando como faço e publiquei. Depois disso, apareceram vários vídeos mostrando técnicas iguais ou similares à minha. Porém nenhuma delas tinha uma didática muito boa, as pessoas ia mostrando e guardando a cadeira, fazendo parecer fácil. Mas sei que não é fácil, cada pessoa tem um nível de dificuldade, seja devido ao pouco controle de tronco, seja devido à pouca força muscular. Portanto resolvi fazer outro vídeo, desta vez explicando cada passo da técnica que uso, desde o posicionamento, até a fixação da cadeira no banco do passageiro.
E depois mostrei como faço para tirar ela do carro. Esse movimento é mais tranquilo, pois para tirar não temos que fazer tanta força, basta passar por cima e deixar ela descer até o asfalto. E então montar as rodas. Após o vídeo, espero que tenha ficado mais fácil treinarem a forma de guardar e tirar a cadeira. Mas tenha em mente que cada pessoa vai ter suas particularidades, e portanto terá que adaptar o método à suas limitações. E, se necessário, irá utilizar ferramentas ou acessórios para ajudar a estabilizar ou puxar a cadeira para cima. Alguns acessórios que vejo utilizarem são tábua de transferência e alças de apoio. É possível instalar no carro alças do lado do motorista, daquelas popularmente chamadas de "pqp", o que ajuda tanto na transferência quanto ao guardar a cadeira. O desafio maior é tirar a cadeira do chão e levar até o colo do motorista. Uma vez que se consiga isso, é só acabar de guardar. Vejam abaixo o vídeo que produzi, espero que ajude muita gente!

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Parceria com a Tecar Jeep

A Zelaine é gerente na concessionária e está atenta às necessidades do público PCD 
O Blog do Cadeirante firmou mais uma parceria de sucesso! Agora temos o apoio da Tecar Jeep, concessionária que fica na Avenida Nossa Senhora do Carmo, 777, no bairro Sion, aqui em BH, especializada em Jeep! A concessionária é totalmente adaptada, conta com manobrista na porta (que tem experiência com cadeiras de rodas), elevador para acessar o hall e banheiro adaptado. Os funcionários são atenciosos e atentos às necessidades das pessoas com deficiência. O show room é completo e espaçoso, fácil de transitar com qualquer aparelho de auxílio à mobilidade.
Com o Renegade adaptado no dia do Passeio de Aventura
A Tecar Jeep foi pioneira ao disponibilizar em 2016 um Renegade adaptado para test drive, tanto que foi o primeiro test drive que fiz para o canal do blog, que você pode conferir ao fim da matéria. Em breve vou repetir este test drive no Renegade, que recentemente voltou a ser oferecido com roda de liga leve de 16"! Este veículo ficou disponível por mais de um ano, para quem quisesse fazer test drive, e foi com ele que participei de um Passeio de Aventura organizado pela concessionária em agosto de 2016. O passeio foi ótimo, contou com mais de 30 veículos, passamos por lindas cidadezinhas ao redor de Belo Horizonte e teve até uma prova! Recebemos na largada uma folha com imagens da trilha e a gente precisava tirar as mesmas fotos durante o caminho.
Na chegada do passeio de aventura, ficamos no pódio!
Foi muito bacana o passeio, eu peguei a manha de ler a planilha logo no início e minha co-pilota ajudou a entender e logo estávamos liderando grande parte dos participantes, que nos seguiram até próximo do fim. Faltando apenas 200 metros para chegar ao restaurante, nos enrolamos e resolvemos voltar. Logo percebemos o erro e voltamos, mas aí já haviam dois carros lá e chegamos em terceiro lugar! Foi muito bacana participar do passeio, o carro que eu estava era somente tração dianteira e passou por lugares que não acreditei! O carro é valente, o estilo de vida da Jeep é empolgante e saber que há uma concessionária investindo em acessibilidade e apoiando iniciativas em prol das pessoas com deficiência é muito gratificante!
A Tecar tem manobrista na porta e elevador para acessar o hall principal
Com nossa parceria, faremos ações para incentivar o público PCD a conhecer os carros da marca e iremos facilitar o contato com a concessionária no intuito de facilitar a aquisição com isenção total ou parcial de impostos. Confiram abaixo os test drives que já fiz na concessionária, e fiquem à vontade para comentar e enviar suas dúvidas!



quinta-feira, 27 de setembro de 2018

O Nerd e a Cadeirante

Um Nerd, uma cadeirante, um bebê e uma história de amor!
No post de hoje trago para vocês a linda história de um nerd e de uma cadeirante. E de um bebê muito fofo!!
 
"Olá, me chamo Suellen Gomes Calixto, tenho 28 anos, casada, moro em Taubaté, interior de São Paulo, Paratleta, bacharel em Administração. Aproximadamente aos 4 anos fui diagnosticada com a neuropatia de Charcot Marie Tooth... Andei até os 16 anos...


Minha vida toda me "preparei" psicologicamente pra cadeira de rodas, pois tenho um irmão com o mesmo diagnóstico. Masss a teoria é bemmmm distante da prática rsrs e dos 14 aos 16 anos, onde era nítido q realmente tava perto de pegar a cadeira de rodas, foi difícil, não foi constante, mas não foi nada fácil aceitar isso...evitei ao máximo esse dia kkkk (faz parte) eu era muito rueira, da "baguncinha" rsrs a dificuldade para andar foi chegando e eu fingindo q nada tava acontecendo, saia com as amigas carregada nas costas, de bicicleta e fazia meus pais também me carregarem... até que um dia houve uma situação que não dava para sair sem a cadeira. 

E desde então, percebi quão livre poderia ser... afinal eu dependia muito das pessoas para me locomover. E foi muito melhor ter aceitado logo.


Como eu disse sempre fui meio descolada e era difícil me ver triste e deprimida, mas eu guardava muitos monstros e tristezas por dentro, quem me conheceu via quanto eu era "rebelde", dava de durona para esconder meus sentimentos oprimidos... e ai Jesus se apresentou a mim, me ajudou a matar todos os monstros que viviam escondidos dentro de mim, naqueles lugares de difícil acesso kkkkk na verdade tem me ajudado todos os dias, e me dá uma paz e uma alegria que é impossível de se achar na vida, me presenteou com um marido abençoado e maravilhoso e um filho, dá pra acreditar???? Um filho??? Muito lindo, esperto e saudável por sinal! 🤤😍 Se sou feliz? Muito mais que isso! 


É possível sim ser feliz com poucos movimentos, ou ate mesmo sem braço ou pernas ou sem os dois, porque o que te faz feliz não são membros, mas por experiência própria, a felicidade, a alegria, a paz, e tudo o mais que precisamos, que desejamos para uma vida top de linha, está em Jesus, e acredite: ELE É O ÚNICO QUE PODE MATAR OS MONSTROS QUE NÓS MESMO "ALIMENTAMOS"! Que Ele possa se apresentar a vocês e possam entender que nossa dependência deve estar NELE e não em nossas cadeiras, muletas ou qualquer acessório que nos ajude em nosso dia a dia, ou pessoas que conduzem nossas cadeiras e nos ajudem em algo que nós não fazemos sozinhos, pois sem nenhuma dúvida afirmo: poderíamos ter todos nossos membros funcionando perfeitamente, uma vida estável, mas sem ELE continuaremos com nosso vazio preenchido por sonhos inalcançáveis e monstros escondidos!


E se quiser acompanhar mais de perto, se inscreve lá em nosso canal do YouTube: www.youtube.com/onerdeacadeirante

sábado, 1 de setembro de 2018

Musculação para pessoas com mielomeningocele


Olá pessoal. tudo bem? Hoje é a primeira postagem sobre atividades físicas para pessoas com mielomeningocele. E hoje vamos falar de uma atividade física muito importante para as pessoas com mielomeningocele que são cadeirantes ou para os que andam com a ajuda de órteses, a musculação. Sabemos que a mielomeningocele pode atingir vários níveis na nossa coluna vertebral. Por isso uns conseguem ficar em pé e andar, outros têm uma certa movimentação nos membros inferiores mas não tem força para ficar em pé e outros ainda são cadeirantes e não tem movimentação nenhuma, nem força e as vezes nem sensibilidade nos membros inferiores. 
Antes de falarmos da musculação, propriamente dita, vamos falar de coisas muito importantes que devem ser passadas para o professor de Educação Física, informações básicas sobre a deficiência e as particularidades que cada pessoa tem. Essas informações são passadas ao professor antes de começar a prática de atividade física, na avaliação física que é feita dentro da academia. É muito importante que o aluno confie no professor, essas informações farão com que o professor tenha segurança em realizar o trabalho no aluno. Então vamos falar um pouco sobre avaliação física, a avaliação física é o ponto principal onde vai determinar como o aluno se encontra fisicamente, e alguns parâmetros são mensurados bem como: altura, peso, envergadura, IMC (índice de massa corporal), dobras cutâneas, informações sobre o estado de saúde, se tem algum problema de saúde, e principalmente informações sobre a deficiência como foi dito anteriormente. 
Mas espera aí Felipe! Como o professor vai medir o meu IMC (índice de massa corporal) se eu sou cadeirante!? Como ele vai usar as fórmulas de dobras cutâneas se sou cadeirante? Infelizmente não tem como fazer o IMC para cadeirantes, pois, não foi elaborada uma fórmula matemática para calcular o IMC (índice de massa corporal) em pessoas com deficiência num modo geral. Em pessoas com mielomeningocele que andam pode ser até que dê certo, mas também não será um resultado fidedigno na hora da prescrição de uma ficha de exercícios físicos. Mas Felipe, oque são dobras cutâneas? A dobra cutânea é uma medida da espessura de duas camadas de pele e a gordura subcutânea adjacente. Várias dobras cutâneas podem ser avaliadas isoladamente ou em conjunto. Entre estas, podemos citar as dobras cutâneas tricipital, bicipital e da panturrilha, indicadoras de gordura periférica, e as dobras subescapular e supra ilíaca, indicadoras de gordura central. A dobra cutânea mais utilizada em crianças é a tricipital.
Devido à existência de uma relação entre gordura subcutânea e gordura corporal total, a soma de várias dobras cutâneas pode ser utilizada para estimar a gordura corporal total.A validade e confiabilidade das medidas de dobras cutâneas são influenciadas pela habilidade do avaliador, pelo tipo de adipômetro, pelos fatores do indivíduo avaliado e pela equação utilizada para estimar a gordura corporal. Para cadeirantes no máximo em membros superiores é feita a medida de dobras cutâneas, mas não para comparar os resultados com o de pessoas sem deficiência, esse procedimento se tornará valioso para o cadeirante comparar o seu próprio resultado depois de 3 meses treinando a primeira ficha. Outro cuidado que temos que tomar é com relação a medir a pessoa com mielomeningocele, ou pesá-la, pois, se ela for cadeirante, ela terá que ser medida em cima de um colchonete, por uma fita ou régua de madeira, se conseguir andar, aí a medida pode ser normal, como de uma pessoa sem deficiência. Para pesar um cadeirante o processo é um pouco complicado, pois nem todas, ou quase nenhuma das academias de musculação de nosso país tem uma balança adaptada para pesar pessoas cadeirantes, nesse caso a pesagem pode ser adaptada ou se o cadeirante tiver uma noção de quanto mais ou menos ele pesa e ele pode colocar em sua ficha de avaliação. como pode ser essa adaptação. Felipe? 
Pode ser feita da seguinte forma: O professor coloca uma tábua de madeira ou uma cadeira em cima da balança e a pesa, depois coloca o cadeirante em cima da tábua ou da cadeira e pesa novamente, em seguida com os dois valores já tirados, o mesmo subtrai o valor das duas pesagens e dá o peso do cadeirante. Outro ponto importantíssimo antes de começar a musculação é o aluno passar todas as informações sobre a sua deficiência para o professor, para que ele tenha um bom programa de treinamento em mente para seu aluno. Em casos de alunos com alergia ao látex, alergia bem comum em pessoas com mielomeningocele, avisar ao professor sobre isso, pois aí ele não passará exercícios com materiais que contém látex. Questão de saúde também tem que ser abordada ao professor, como a parte urinária por exemplo, dizer francamente a ele sem nenhuma vergonha que usa sonda ou fraldas, urinar antes da prática da musculação, assim como o professor vai ser franco em perguntar sobre isso, para não haverem acidentes também falar sobre as questões com relação ao intestino e também, principalmente, sobre sua alimentação no dia a dia. Passada essa fase de avaliação física e entrevista para conhecer um pouco da vida do aluno com mielo o professor deve começar a fazer o que chamamos, dentro da musculação, de teste de carga, ou seja, o teste de 1 RM (uma repetição máxima) tem o objetivo de encontrar a carga máxima com que o indivíduo consegue realizar apenas uma repetição de determinado exercício, esse teste tem um papel essencial na prescrição de exercícios, para se determinar uma carga “ideal” de treino.
O interesse pelo 1RM é tamanho que já foram desenvolvidas fórmulas para descobrir seu valor. Como calcular 1 RM. A predição da carga segundo a estimativa de Brischae é feita de seguinte forma: Realiza-se o exercício com no máximo 10 repetições, mas quantas vezes por semana eu posso fazer musculação a OMS (Organização Mundial da Saúde) diz que no mínimo 3 vezes por semana é bom praticarmos qualquer atividade física, mas posso fazer musculação de 2ª a 6ª se eu quiser Felipe? Sim, pode, mas tem o professor tem que dividir a ficha para que não haja sobrecarga muscular e nem articular. Outro ponto principal para ser analisado pelo professor é o objetivo do aluno, se ele quer ganhar força, hipertrofiar, emagrecer, diminuir dores articulares, prevenir lesões futuras, resistência e potência e também o nível de treinamento do aluno, se ele é iniciante, intermediário ou avançado.
Então agora vamos, nesse parágrafo, falar sobre a montagem de ficha para a pessoa com mielomeningocele, antes da prescrição o professor deve levar em conta se o seu aluno é anda ou cadeirante, se ele tem alergia ou não entre outros fatores como foi dito acima. E principalmente a acessibilidade para a pessoa com mielomeningocele nos aparelhos, principalmente se o aluno for cadeirante, se ele consegue fica mais tranquilo essa questão de acessibilidade.
Podemos citar vários exercícios para pessoas com mielomeningocele, com objetivos distintos e com níveis de treinamento distintos, vou destacar aqui nesse parágrafo, alguns nomes de exercícios para cada grupamento muscular e cada um deles você vai perceber onde será realizado, se é em aparelho ou exercício solo. Vamos começar falando sobre os exercícios para o músculo peitoral. Os exercícios para peitoral maior são: Supino declinado com halter, supino declinado com barra, flexão de braços entre os steps, supino reto com halter, supino reto com barra, crucifixo declinado.
Os exercícios para peitoral menor são: supino inclinado com halter supino inclinado com barra, crucifixo inclinado com barra no smith.
Exercícios para as costas: extensão de ombro, puxador na frente, puxador na frente fechado, puxador cruzado, puxador na frente triângulo, puxador na frente fechado invertido, remada articulada, remada baixa, remada curvada, remada curvada com halter.
Os exercícios para quadríceps são: Agachamento livre 90°, avanço livre com barra, cadeira extensora, agachamento livre 90° com pernas afastadas, agachamento no Hack vertical a 90°, leg press 110°, agachamento no Smith 90°. Os exercícios para bíceps femoral são: flexora em pé, flexora deitada, flexora sentada, stiff.
Os exercícios para os ombros nas suas três porções são: Deltóide medial: Elevação lateral inclinado, elevação lateral em pé, elevação lateral sentado, elevação lateral no cabo; Deltóide posterior: Crucifixo inverso em pé, crucifixo inverso em sentado, crucifixo inverso no cabo; Deltóide anterior: Desenvolvimento com halter, elevação frontal, desenvolvimento barra.
Os exercícios para o bíceps nas suas duas porções são: Rosca Schott, rosca alternada inclinada, rosca direta barra fechada, rosca alternada, rosca concentrada, rosca direta peada aberta, rosca direta barra W pegada aberta. Os exercícios para tríceps nas suas porções são: Para a parte lateral (+ cabeça medial): Puxada de tríceps na polia alta, barra reta ou V, extensões de tríceps com barra EZ, deitado no banco, press guilhotina, agarre à largura dos ombros, Kickbacks com halteres, torso horizontal no banco, extensões com halteres, a um braço, por detrás da cabeça. Para a cabeça longa: Kickbacks com halteres, banco inclinado + retroversão, desenvolvimento com barra, à nuca, Kickbacks com halter, torso horizontal no banco, extensões com halteres, a um braço, por detrás da cabeça extensões de tríceps com barra EZ, sentado.
Os exercícios para abdominal são: Abdominal reto com as mãos estendidas, abdominal lateral com rotação, abdominal reto com elevação do tronco, flexão do quadril suspensa, abdominal bicicleta, abdominal reto com perna alta, abdominal prancha, flexão lateral do tronco, abdominal invertido com joelhos flexionados, abdominal prancha lateral.
Os exercícios para trapézio são: Agachamento com remada alta, remada alta na polia, remada baixa, remada em pé na polia, remada alta na polia, remada alta com barra, remada aberta, remada curvada, remada na máquina.
Como eu disse esses são os exercícios feitos na academia de um modo geral, nem sempre são específicos para pessoas com mielomeningocele, mas dá pra ser executado, deve ao professor a obrigação de avaliar qual é os melhores exercícios a serem prescritos e lembrando também qual é o objetivo do seu aluno. Para finalizar esse texto, a última orientação o número médio de séries a ser feitas dependendo do objetivo, do volume de treino, e da carga do aluno é entre 6 a 20 repetições em 3 séries e pra cada objetivo um intervalo entre as séries isso será determinado pelo professor. Além de benefícios físicos a musculação pode trazer também benefícios psicológicos, sociais entre outros.
Sempre lembrando de verificar com seu médico se você pode fazer musculação e se há alguma alteração específica para você nos exercícios.

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Guincho hidráulico para transferências

Auxílio importante na hora de transferir
Fazer transferências é sempre um desafio para quem tem mobilidade reduzida. Quanto maior o comprometimento, maior a dificuldade. Há no mercado alguns produtos que facilitam esta tarefa, como os guinchos hidráulicos. Neste post vou compartilhar com vocês um modelo de guincho que conheci há algum tempo e me impressionou pela qualidade.

O VOLLENZ HOME é um guincho de transferência móvel que, com total conforto e menor esforço do cuidador, transfere pessoas com algum tipo de limitação física de um local para outro. Uma solução simples e barata, com acionamento HIDRÁULICO, que facilita seu manuseio e garante a segurança do paciente.

Fácil de operar e manter
Importante ressaltar que este é o único guincho hidráulico do mercado com certificação da ANVISA. 
VOLLENZ HOME pode utilizado em residências, hospitais, casas de repouso e clínicas de recuperação, e é destinado todas as pessoas com deficiência motora momentânea ou permanente.

Compacto e funcional
Sabe quais os benefícios ele pode proporcionar? Veja:
- Faz a transferência de pacientes com apenas um cuidador;
- O processo é rápido, seguro e confortável;
- Evita as quedas do paciente durante sua transferência;
- Elimina lesões nos cuidadores ou enfermeiros.

O VOLLENZ HOME tem capacidade máxima para 150kg, acompanha um cesto confortável, lavável e fácil de utilizar. Os pés do guincho tem a abertura ajustável por pedal, adaptando-se em qualquer ambiente. O braço do guincho se eleva movimentando a alavanca e se rebaixa ao girar o manípulo, que conta com um limitador que garante a segurança tanto do paciente como do cuidador.

Conheça mais sobre a Vollenz em www.vollenz.com

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Nova parceria do Blog

A partir deste mês, o Blog do Cadeirante inicia uma parceria com o professor de Educação Física Felipe de Souza Lima, que é cadeirante e especializado em atividades físicas para pessoas com deficiência. Felipe mora em Juiz de Fora/MG, se formou em 2017 e trabalha na área desde então. Já foi estagiário no Projeto Aviva e trabalhou no Clube Bom Pastor, naquela cidade. Aqui ele vai falar sobre a importância da atividade física para pessoas com deficiência, como estas atividades podem ajudar na diminuição de dores crônicas e outros temas relacionados. Se tiverem dúvidas ou sugestões de temas a serem abordados, sintam-se à vontade para comentar! Abaixo segue uma breve apresentação do Felipe:

Felipe carregando a Tocha Olímpica em 2016
"Meu nome é Felipe de Souza Lima, tenho 27 anos, sou Professor de Educação Física, sou Bacharel em Educação Física, pela Faculdade Metodista Granbery, Licenciando também pela Faculdade Metodista Granbery e Pós Graduado em Atividade Física Para Pessoas com Deficiência pelo Centro Universitário Internacional Uninter, pólo Juiz de Fora, Palestrante sobre Musculação para Pessoas com Mielomeningocele e sobre os benefícios da Atividade Física Para Pessoas com Dor Crônica, professor de educação física pelo grupo de apoio ao tratamento da dor crônica"
Felipe de Souza Lima - email: fsouzalima1991jf@gmail.com

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Cadeirantes são demais!

Quem disse que cadeirante é inválido? Que tem que ficar em casa? Que não pode fazer isso ou aquilo?
Se alguém te disser que você não consegue, que não dá conta, que está limitado ou "é melhor ficar mais quieto", mostre esta postagem para ele! Ou mande para aquele lugar...
Cadeirantes rules!!!!

sexta-feira, 27 de julho de 2018

Banco do Brasil, complicando a vida do cadeirante

Tem elevador, mas tem que chamar alguém para liberar, isso quando funciona
Todo cadeirante brasileiro passa raiva com acessibilidade em algum momento da vida. Ou todo dia, se for muito ativo e sair de casa com frequência. Logo que criei o blog, aproveitei esta ferramenta para colocar a boca no trombone, toda vez que esbarrava com falta de acessibilidade eu tirava foto, fazia uma postagem no blog, enviava e-mail para os responsáveis, ou para o órgão competente quando era prédio público, e fazia de tudo para que mudassem a situação e garantissem a acessibilidade. Consegui muitas mudanças desta forma, de restaurantes a shoppings. Mas com o tempo me acomodei. Só que uma "empresa" em especial tem me feito passar raiva continuamente: o Banco do Brasil.
Logo ele, que se define como o banco dos brasileiros, um órgão de economia mista com participação do governo em quase 70% de suas ações. Praticamente um órgão público. E tem pecado muito em acessibilidade. Em várias agências. A primeira vez que passei raiva com o Banco do Brasil publiquei aqui no blog, clique aqui para ver a postagem. Depois disso, ao ser admitido no BDMG, transferi minha agência para a da Rua da Bahia, 1479, e qual foi minha surpresa ao chegar na agência e descobrir que a mesma não tem acesso para cadeirantes. Para chegar aos caixas há uma grande escadaria, e até tem elevador, mas está quebrado há anos (da última vez que estive lá, ainda estava quebrado).
Outra agência que sempre me dá problemas é a do meu bairro, na Av. Mario Werneck, 1893. Tem uma escadaria na porta e um elevador na lateral. No início, toda vez que eu precisava usar o elevador, era necessário chamar uma pessoa de dentro da agência para liberar ele. O argumento era que se ficasse destravado, pessoas iriam utilizar sem necessidade. Acontece que bem em frente ao elevador está a recepção de uma academia. Portanto, gente para ficar de olho o dia inteiro, tem. Depois de um tempo, ele passou a ficar destrancado. Só que, quando eu precisava utilizar, ele estava quebrado. Aconteceu de novo este mês. Precisei ir ao banco para habilitar o celular na máquina, formatei ele e quando isso acontece é preciso seguir alguns passos e ir a um caixa eletrônico liberar o aparelho. Cheguei à agência e o elevador não funcionou. Não sabia se estava bloqueado ou quebrado, pedi à minha ajudante para ir lá dentro chamar alguém. Aí já está errado, precisar de uma pessoa para ir chamar alguém. E se eu estivesse sozinho? Vieram duas pessoas, tentaram, tentaram e concluíram que o elevador estava quebrado. Como eu precisava ir lá dentro, perguntei por uma solução e se ofereceram para me levar escada acima, e como eu precisava muito ir ao banco para tirar dinheiro e habilitar meu celular, aceitei.
Não sabiam nem como lidar com a cadeira. Tive que explicar que era mais fácil subir de costas, uma pessoa levando atrás e a outra fazendo a segurança na frente. E assim foi feito, me levaram escada acima meio sem jeito, com insegurança, balançando muito, mas cheguei inteiro lá em cima. Fui resolver o que tinha para resolver, e na hora de ir embora, foi preciso chamar novamente a ajuda, que demorou uns dez minutos. Expliquei novamente como seria mais seguro para mim e com bastante medo fui levado escada abaixo.
Agência da Raja Gabaglia 1725, mais uma sem acessibilidade (foto do Google Maps, não tirei foto no dia)
Acha que acabou? Infelizmente não. Mais uma agência sem acessibilidade é a da Av. Raja Gabaglia, 1725. Precisei pagar um título com urgência, e precisava ser na boca do caixa. Como já estou cansado de passar raiva e correr risco na agência do bairro Buritis, achei que se rodasse um pouco de carro, apesar do transtorno de colocar e tirar a cadeira do carro, seria melhor atendido. Procurei outra agência próxima e me deparei com a agência citada. Fui até lá e o primeiro problema foi a vaga de deficiente que há em frente à agência, estava ocupada. Precisei deixar o carro na rua paralela, voltar rodando e enfim chegar ao destino. Chegando lá, com o que me deparo? Outra escada. E a impossibilidade de acessar os caixas. Conversei com um atendente, que chamou um funcionário, que explicou que não tinha como acessar o caixa, e ele chamou outra pessoa, que me deu a solução: escrever minha senha em um papel para que ela fosse ao caixa pagar o título que tinha em mãos. Apesar do risco da operação, precisava fazer o pagamento e estava cansado e com muita dor para sair procurando outra agência. Escrevi a senha, entreguei o boleto e o cartão, e fiquei esperando no andar de baixo. A pessoa foi, pagou e voltou. E eu voltei para casa.
Estou para escrever este post há uns quatro anos. Só que não gosto de ser o reclamão, que vive chorando nas redes sociais devido ao mundo cruel em que vive. Só que paciência tem limite. Cada vez que passava raiva, escrevia um pouco. E hoje resolvi publicar, não só para reclamar, mas para denunciar: que banco é esse que se diz "valioso para mim" e que não atende a todos com as necessidades de cada um? 

terça-feira, 29 de maio de 2018

Financiando um veículo com isenções

O carro mais barato do Brasil com câmbio assistido pode ser comprado com parcelas suaves
Como tenho me especializado em test drives de veículos para pessoas com deficiência, muita gente me envia questões sobre este momento da compra de uma carro zero km com isenção. E a realidade é que a maioria das pessoas não tem condições de comprar nem mesmo um carro com isenções na faixa de 50 a 55 mil reais, que são os carros em versão para PCD tabelados em 69.990,00 só para ficar abaixo dos 70 mil. Por isso mesmo, a maioria das questões que recebo é se dá para comprar um carro zero com isenções com uma entrada pequena e ganhando pouco, geralmente menos de dois mil reais.
Partindo deste pressuposto, resolvi fazer uma simulação de compra de um carro com isenções de ICMS e IPI. Como meu foco são os veículos para cadeirantes, que precisam de veículos automáticos ou automatizados, me limitei a estes modelos. E o modelo escolhido foi o Mobi Drive GSR, justamente por ser o mais barato do Brasil. Sem isenção, ele custa pouco menos de 47 mil, com as isenções de IPI e ICMS sai por 36.589,44 (valor de maio de 2018). Por este valor ele vem com direção elétrica, borboleta para troca de marchas, banco traseiro bi partido, computador de bordo, entre outros. Não é um carro tão básico assim, andei em muitos veículos mais caros e menos equipados.
Suponha que a pessoa tenha oito mil reais disponível para comprar um carro com isenção. E esta pessoa ganhe por mês dois salário mínimos, ou seja, pouco mais que mil e oitocentos reais. E tenha guardado oito mil reais. Não é tão fácil juntar esta grana, mas por exemplo, um deficiente físico que sofreu acidente automobilístico recebe do DPVAT o seguro obrigatório, que há algum tempo estava em torno de 13,5 mil reais. Pagando as despesas necessárias para se reerguer, dá para segurar os oito mil. Escolhi este valor na simulação, por ser próximo ao valor mínimo da entrada, que é de 20%. Dando de entrada R$ 8.000,00, é possível financiar o restante em até 60 vezes, mas para não ficar muito longo, escolhi 48 vezes, que tem a vantagem de ter uma taxa um pouco menor, de 1,26% (em maio/18). Na simulação, as parcelas serão de apenas R$ 860,00 - e ainda dá para negociar! Este valor cai ainda mais se a pessoa com deficiência solicitar isenção de IOF, que é de 0,38%.
O Mobi cabe uma cadeira monobloco rebatendo um terço do banco traseiro, e ainda sobra espaço
Ficou assim o resultado da simulação:
Fiat Mobi Drive 1.0 GSR
Preço Público: R$ 46.790,00
Preço com isenção de IPI, ICMS e bônus de 4%: R$ 36.589,44
Entrada de R$ 8.000,00 + 48 vezes de R$ 860,00

Não ficou nada mal, não é mesmo? Dá para comprar um carro zero quilômetro, com três anos de garantia, por menos de novecentos reais por mês! Claro que depende de não haver restrição no cadastro da pessoa, há critérios que as financeiras utilizam. Mas se estiver tudo certo, é só separar a grana da parcela! Na Automax os vendedores estão preparados para orientar quem tiver interesse neste tipo de compra. Passe por lá: Av. Raja Gabaglia, 2222 - Tel (31) 3299-0000.

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Pegador de objetos

Uma "mãozinha" extra na hora de pegar objetos
Quem tem mobilidade reduzida encontra uma série de limitações em casa, e acaba dependendo sempre de alguém ou passando muita raiva. Desde transferir para algum lugar até alcançar um objeto, há muitas situações que podem ser resolvidas com alguns acessórios. Antes de virar cadeirante eu não tinha dificuldade para alcançar quase nada, afinal eu tinha 1,95 metro. Após o acidente, passei para um metro e meio... E de repente tudo ficou meio longe. Para complicar, sofro de dor crônica, e se esticar para pegar as coisas é bem desgastante. E as coisas na casa de um cadeirante vivem se distanciando da gente... Duvida?
Simples e prático, fácil de guardar e de usar
Vou dar um exemplo: quem nunca chegou na cama, ou no sofá, transferiu da cadeira, puxou o corpo para trás, encostou, arrumou as pernas e percebeu que esqueceu de pegar o controle remoto na estante? Aí tem que jogar o corpo para frente, voltar para a cadeira, ir até o controle, e repetir o processo de se sentar. Que ódio. Ou então a gente precisa pegar alguma coisa que está numa prateleira mais alta, como um livro ou uma garrafa, ou mais comum, precisa pegar uma camisa no armário, e não alcança. Para a camisa, a gente vai puxando até sair do cabide, mas pode acabar relaxando a gola ou estragando a camisa. O que fazer, então? 
O modelo dobrável é ainda mais compacto e funcional
Para estas situações descobri o pegador de objetos. Ele lembra aqueles brinquedos dos anos 80 que consistem de uma garra presa a uma barra e um sistema para controlar a barra. Alguns tinham formato de mão mesmo, era divertido apertar alguém de longe e esconder o brinquedo, a pessoa ficava procurando e não encontrava o autor do apertão. Mas o pegador não é para brincadeira (apesar de eu usar de vez em quando), é muito útil nas situações que citei. Uso diariamente, tenho um na sala e um no quarto.
Fim daquele tal de "pega aqui pra mim?"
Além de pegar objetos que estão longe, dá para pegar também objetos que estão no alto. E isso traz muita independência para nós, já que não é necessário chamar ninguém para pegar o que você precisa. E isso se estende também para o armário. Esse pegador azul é melhor, mais resistente e tem duas borrachas na ponta que imitam o movimento de pinça que fazemos com nossa mão. Desta forma é possível pegar até camisas e calças que estiverem penduradas no armário. É o acessório mais útil que já encontrei desde que virei cadeirante. E como conseguir um?
Dá até para pegar cabides e roupas
Comigo! Eu compro de um fornecedor e vendo pelo Mercado Livre. Clique nos links abaixo para adquirir o seu:
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segunda-feira, 5 de março de 2018

Veículos premium com desconto para PCD

Que tal comprar um carro premium com desconto de até cem mil reais?
Está achando que pessoas com deficiência só pode adquirir carro básico com desconto? Engano seu. O limite de isenção está congelado em 70 mil reais há mais de sete anos, o que limita cada vez mais as opções de veículos para pessoas com deficiência. Porém, a isenção pode ser de ICMS e IPI, e o limite vale apenas para ICMS. Portanto, se a pessoa tem condições de arcar com um pouco mais, é possível comprar diversos veículos com um bom desconto. Deixando de lado a isenção de ICMS - mesmo porque não há perspectiva de aumento do limite mesmo, então logo logo só será possível adquirir carro automático com isenção de IPI - há muitas boas opções no mercado.
O primeiro veículo premium que descobri ter isenção de IPI foi o Mercedes C180
Estive nas concessionárias das principais marcas premium alemãs, Mercedes, BMW e Audi, na sueca Volvo e na inglesa Range Rover. Fiz teste drive nos modelos que achei mais adequados para cadeirantes. O primeiro que testei foi o Mercedes Benz C180 Avantgard, que é montada em Iracemápolis, interior de São Paulo. O requinte a gente sente antes mesmo de entrar no carro, ao chegar na concessionária Minas Máquinas na Av. Raja Gabaglia, fui recebido cordialmente pelo manobrista, que ao perceber que eu era cadeirante perguntou se eu queria parar o carro no último andar do prédio para depois descer de elevador. Assim o fiz, parei minha humilde Spin entre Mercedes de mais de duzentos mil reais!  Vejam abaixo o vídeo:

Um modelo maior, mais espaçoso, o GLA 200 é uma boa opção.
Depois de alguns meses, voltei à Mercedes pois descobri que outro modelo mais indicado para cadeirantes também tem desconto de IPI, o GLA 200. É um SUV compacto que tem bastante espaço interno e porta malas maior. Porém, infelizmente, não cabe a cadeira montada no porta malas, devido ao desenho dele. Mas sobra bastante espaço para bagagem. Abaixo, link para o teste.

Até o queridinho dos jogadores de futebol tem desconto para deficientes, Range Rover Evoque!
Desci pelo elevador e uma recepcionista me conduziu até o hall e chamou o vendedor Augusto, que fez um breve questionamento sobre os modelos de interesse e fomos até sua mesa para explicar as condições para PCD. Há vários modelos com desconto, mas o que me interessava mais era o C180, que havia visto no Salão do Automóvel em 2016 com publicidade sobre o desconto. O modelo é montado no Brasil, em Iracemápolis, e tem desconto de IPI, que chega a quase 9% do valor do carro.

A próxima montadora alemã premium que visitei foi a BMW, em sua concessionária Euroville, também na Av. Raja Gabaglia. Mesmo tratamento diferenciado na recepção, logo veio até mim o consultor de vendas Bruno, que me conduziu ao salão principal enquanto me explicava a política de descontos para PCD da marca. Me surpreendi com a notícia de que TODOS os veículas da BMW tem desconto para deficiente, em valores que chegam a mais de 100 mil reais! Claro que neste caso o carro passa de quinhentos mil. Mas para quem tem dinheiro, imagina comprar por 400 mil um carro de 500 mil?
O Audi Q3 me impressionou pela tecnologia embarcada e custo benefício
Para fechar a tríade alemã de alto nível, fui à Audi, também na Av. Raja Gabaglia. Uma grande vantagem daquela concessionária fica escondida: há vaga para deficiente coberta e próxima à entrada do salão principal. Só que para chegar lá é preciso entrar pela lateral da concessionária. Quem me atendeu lá foi o Jean, que me explicou que há alguns modelos bem interessantes fabricados no Brasil, como o A3 e o A3 sedan, e o SUV compacto Q3. Este último me chamou a atenção pelo porta malas grande e espaço interno, foi o que escolhi para test drive. E foi lá que encontrei os melhores preços com isenção. Acredita que dá para comprar um Audi com pouco mais de cem mil reais? Não é pouco, mas é um veículo premium. Tem muito carro médio por aí que passa facilmente desse valor, como o Corolla por exemplo.

Daniel Dias é o embaixador da Volvo para a causa das pessoas com deficiência
Saindo da Alemanha, fui direto para a Suécia. Desta vez não procurei, fui convidado pela Volvo para uma palestra e para conhecer os veículos. Na palestra descobri que a Volvo foi a pioneira no Brasil a dar desconto de IPI em toda sua linha de veículos, mesmo sendo importados. Foi um projeto da Volvo que liberou o desconto de IPI a veículos importados no país, assim como tinha visto na BMW. Todas as outras montadoras, depois disso, podem aderir ao desconto em todos os veículos, nacionais ou importados.
Mudando de continente, testei um carro que a princípio não é premium, mas oferece tanta tecnologia e conforto que é comparável a todas as marcas que citei acima, e por um preço bem mais convidativo. Foi o Jeep Compass, que na versão topo de linha oferece condução semi-autônoma, alerta de desvio de faixa e estacionamento autônomo. Confira tudo isso no vídeo abaixo.
Portanto, se você está de olho em um carrão importado e tem deficiência, solicite isenção de IPI, pode dar um bom desconto.

domingo, 18 de fevereiro de 2018

Problemas ao ver jogo no Mineirão

Um programa que eu adoro fazer com meu pai. Mas sempre enfrento problemas.
Assistir jogo de futebol nos estádios após as reformas para a Copa do Mundo em 2014 se tornou um bom programa para pessoas com deficiência. Porém, ainda há problemas. Depois de muito tempo sem ir, aproveitei um dia com menos dores, tomei remédios para aguentar e fui ao jogo Cruzeiro X Nova Lima no sábado, 17/02. A chegada ao estádio foi tranquila, chegamos cedo, me informei sobre o melhor local no estacionamento para entrar pelo portal E, e haviam muitas vagas para deficiente vazias. Parei próximo ao elevador e subi. Sempre há pessoas com jaleco "Quero Ajudar" para mostrar o caminho ou levar a cadeira se for necessário.

Não respeitam as vagas para cadeiras de rodas nem o espaço para o acompanhante
Entramos e ficamos na área interna, pois o sol bate bem em cima das "baias" para cadeirantes e acompanhantes. Isto é um problema, a localização delas, são todas de frente para o sol, e em jogo à tarde, torra a cabeça do Cadeirante. É preciso levar óculos escuros, boné e passar filtro, coisas que eu esqueci. Perto de iniciar o jogo fomos para o lugar. Chegando lá, foi difícil encontrar um lugar para estacionar minha cadeira, não porque haviam vários cadeirantes assistindo, mas porque as pessoas não respeitam a utilização das vagas, ficam de pé em frente à vaga da cadeira e à cadeira do acompanhante impedindo a visão do campo. Se a gente reclama, ainda acha ruim. As cadeiras são exclusivas para acompanhantes dos cadeirantes, se não é o caso, deixe a cadeira livre, não fique de pé na frente dela. 

Fica difícil ver jogo assim.
Pior é que não tamparam somente a visão do meu pai, mas também a minha. Um senhor insistiu em ficar ao meu lado, agarrado no vidro, e quando eu queria ver um lance próximo ao gol tinha que ficar me esticando para a frente. Daí dá para ter ideia do quanto é importante deixar livre, se eu deixasse para lá sairia de lá todo dolorido, de tanto ir para a frente e tentar segurar o corpo nessa posição. As vagas estão ali para ser usadas por deficientes, o estádio tem bancos para todos e nem estava lotado, porque as pessoas insistem em ver o jogo todo de pé ao invés de sentar em uma cadeira? É a cultura do brasileiro, infelizmente.Mas sou brasileiro e não desisto nunca, resolvemos buscar uma alternativa.

Só quando encontramos uma cadeira ocupada meu pai pode ter visão melhor.
A "solução" para o acompanhante conseguir boa visão do campo é buscar uma cadeira ao lado que esteja sendo usada por acompanhante ou PCD. Para meu pai, resolveu. Ainda assim, eu precisei pedir ao senhor que estava ao meu lado para chegar um pouco para o lado para que eu conseguisse enxergar melhor o campo. Felizmente este não criou caso. Passou um tempo e apareceu ao meu lado duas crianças e um senhor atrás delas. Achei normal, não criei caso, afinal eles não estavam atrapalhando. Até que um deles subiu no suporte do vidro e se pendurou nele. E começou a atrapalhar minha visão. Coloquei a mão no vidro, para mostrar que ali era o limite, para ela não entrar na minha frente. Mas começou a vir para cima. Mantive a mão, aí ele virou para o senhor e disse que queria voltar para onde estavam. O cara fez só "shh fica quieto aí". Então percebi que os meninos só estavam ali para que o senhor tivesse uma boa visão. Inacreditável, o cara usar as crianças para chegar perto do vidro e ter boa visão. Felizmente depois que o menino reclamou mais, foram embora.
 
E aí, como entrar no carro para ir embora? Falta de noção total...
Pior que não ter o espaço na arquibancada respeitado é chegar ao estacionamento do Mineirão e perceber que o espaço delimitado para que sua porta abra para entrar no carro também não foi respeitado. Logo após a foto o dono do carro chegou e ainda tentou argumentar dizendo que o funcionário do estádio o orientou a parar ali. Apesar de não acreditar, continuei explicando que independente de quem mandou, ele está errado de parar ali, e espero que não volte a cometer essa gafe, que me fez esperar dez minutos com dores fortes no corpo até sua chegada. Triste ver esta cultura de fazer o errado e ainda achar que está certo.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Como dizer a uma criança que você tem uma deficiência

Quem ilustra este post é minha linda filha Anne. Ainda não tive essa conversa com ela, mas será bem mais fácil
Semana passada, fui deixar meus filhos na escolinha e resolvi descer do carro e acompanhá-los até a porta da sala, já que era a primeira semana de aula deles. Chegando lá, a babá deles tirou minha cadeira, desci e entrei no pátio da escola. Várias crianças me cercaram, muitos deles nunca tinham visto um cadeirante ou uma cadeira de rodas. Alguns pais puxaram seus filhos ou seguraram eles quando quiseram vir até mim, o que achei uma bobagem, não tem porque tolher a curiosidade dos filhos. Além disso, eu não mordo!
Algumas crianças ficaram no "que legal" outros só olhavam curiosos, até que uma menina de uns quatro anos me olhou nos olhos e perguntou:
- Porque você está nesse carrinho?
Achei de uma linda inocência e uma coragem enorme ela vir me perguntar, enquanto os amiguinhos só olhavam. Respondi:
- Isso que eu estou chama cadeira de rodas e estou nela porque tenho um dodói nas pernas e não consigo ficar de pé nem andar. Aí uso ela para andar.
Ela ficou pensativa, olhando pra mim, olhando pra cadeira. Aí perguntou:
- Mas você vai sarar?
Essa pergunta me pegou e fiquei pensando na resposta. Me sai com essa:
- Não vou sarar não, mas eu não ligo de andar nela, acho até legal.
Mais alguns segundos me olhando, e mais uma pergunta da minha curiosa amiguinha:
- Nem se sua mãe te der um beijinho?
Tive vontade de rir, mas fui pego novamente de surpresa, sem saber bem o que falar. Nesse momento a professora chamou e ela saiu correndo. No fundo pensei "ufa" pois não tinha decidido ainda o que responder. Fiquei entre contar a verdade, e estragar a crença dela que tudo que mamãe beija sara, o que ajuda ela a enfrentar o sofrimento, ou falar algo como "vou pedir para ela da próxima vez que a encontrar" mas aí ela ia achar que eu sou triste porque não tenho minha mamãe para beijar meus dodóis. Acho que o melhor seria falar a verdade, explicando que meu dodói é muito grande, que eu machuquei porque caí da moto, então não ia sarar com o beijinho da mamãe. Seria ótimo, ganharia outra adepta ao grupo anti-moto.
Não sou dono da verdade, cada pessoa pode achar uma forma diferente de explicar esta situação, mas sacho que no geral me saí bem. Queria ter mais tempo para responder a ela, e explicar que é normal usar a cadeira, muita gente usa, que é perfeitamente possível ser feliz assim, mas foi o que deu para fazer frente a essas questões tão complexas num tempo tão curto. Quem sabe da próxima vez?

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Cadeira de rodas manual Stand Up

Milagre! Ah não, é só tecnologia...
Meu Deus, o cadeirante ficou de pé!! Há muito tempo isto não é impossível, nem é novidade. Desde seis meses após a minha lesão que eu fico de pé utilizando órteses. A primeira vez que fiquei de pe apos a lesão foi em uma maquina de ortostatismo, no Hospital Sarah. E foi o primeiro momento constrangedor que passei. A maquina e composta de uma plataforma que se parece com um púlpito, que a gente se aproxima de frente, prende os joelhos e é passado uma faixa sob o quadril. Aí é só ligar a máquina e ela puxa a faixa e vai te deixando de pé. A única dificuldade é passar a faixa por trás do quadril, temos que elevar o corpo para possibilitar que seja colocada atrás. Muito prático e simples de operar, assim que mas nesta época eu não tinha sensibilidade nem controle das necessidades básicas. Assim que a máquina puxa toda a faixa, ela pressiona o quadril e a barriga contra a plataforma, para estabilizar o corpo. Ao acabar o processo, foi só apertar minha barriga para as necessidades básicas funcionarem. E algumas "bolinhas" apareceram atrás de mim...
Cadeirante geralmente depende de alguém quando precisa pegar alguma coisa no alto
Depois dessa vergonha, o pessoal do Sarah confeccionou para mim um par de órteses de plástico, no formato das minhas pernas. Com elas, eu conseguia ficar de pé usando qualquer bancada, janela ou apoio firme, basta colocar as órteses e puxar o corpo para cima. Passei a fazer fisioterapia em casa, e usando a cabeceira da cama como apoio, ficava de pé três vezes por semana em casa. Algum tempo depois, iniciei a fisioterapia na clínica, e ficava de pé usando aquelas barras em forma de escada que ficam perto da parede. E depois quando iniciei a hidroterapia, ficou tudo mais fácil pois ficar de pé na piscina é bem melhor pois o peso do corpo diminui na água. Além disso não dá aquelas tonteiras que a gente sente quando fica de pé no solo.
Com a cadeira Stand Up, isso acabou!
Como minhas órteses ficavam na Aquafisio BH, onde faço hidro, eu acabava não ficando mais em casa. Até que descobri uma forma mais simples e parecida com a máquina do Sarah, a cadeira Stand Up, que usa um sistema elétrico para levantar o assento e encosto da cadeira até a posição de pé - ou melhor, quase totalmente de pé, pois é preciso ficar em um ângulo menor que noventa graus para não virar para a frente. A primeira que vi foi na Reatech em 2009, motorizada, que permite inclusive que o cadeirante rode de pé. É bem interessante, vi um cara rodando com ela na posição vertical e achei uma coisa de outro mundo. A solução para frequentar festas, onde a maioria geralmente conversa de pé, e a gente que é cadeirante fica tentando entrar no papo esticando o pescoço. Só que fui ver o preço do equipamento e quase cai para trás, na época era mais de quatorze mil reais (hoje já passa de 15 mil).
Como não era tão útil nem viável, deixei para lá. Até que em 2014 descobri que há um modelo mais em conta (nem tanto, afinal custa em torno de 6 mil), a Stand Up manual. É uma cadeira comum, com aros para tocar nas rodas, porém tem o sistema que deixa o cadeirante de pé. Alguns meses depois um amigo meu, o Cristiano, comprou uma, e fiz uma matéria aqui no blog sobre ela. O tempo passou, e acabei fazendo outra órtese para ficar em pé em casa. Assim não ficaria muito tempo sem ficar de pé, pois estava indo à hidroterapia apenas uma vez por semana.
Da posição sentado para de pé em poucos segundos
Porém, um belo dia, navegando pelo Facebook, vi que um cadeirante do estado de São Paulo estava vendendo uma cadeira Stand Up manual usada, por pouco mais de dois mil reais. Entrei em contato, combinamos o frete e fechei o negócio. Em uma semana ela chegou para mim. Tive um pouco de receio por estar comprando usada, mas por sorte ela estava realmente em bom estado, tudo funcionando direitinho, exceto pela bateria, que precisei trocar, mas o vendedor arcou com este custo.
Comecei a usar a cadeira e ela faz o que promete, coloca o cadeirante de pé. Como disse antes, não é totalmente vertical, a gente fica um pouco para trás, mas não atrapalha em nada. O importante ela faz, descarga de peso sobre as pernas, e permite alcançar qualquer coisa que esteja no alto - no meu caso é qualquer coisa mesmo, pois tenho 1,95m. Com ela consigo alcançar malas na parte de cima do armário, qualquer coisa que esteja em uma prateleira alta, copos e panelas que são guardados no alto, e até trocar lâmpada eu consegui trocar! Veja abaixo a avaliação dela no meu canal.
Se vale a pena gastar quase seis mil reais só para ficar de pé e alcançar alguns lugares? Sim, vale. Se tiver este dinheiro sobrando, vale a pena sim, pois não é só para alcançar, ela é importante para a saúde, pois com o tempo os ossos vão enfraquecendo, e ficar de pé mantêm os ossos mais íntegros, fazendo a descarga de peso sobre eles. Porém não é só comprar e ficar de pé, é preciso consultar com fisioterapeuta e ortopedista para verificar se você pode ficar de pé, um destes profissionais irá solicitar um exame de densitometria óssea, que irá verificar a força que tem nos ossos. Se está há anos na cadeira sem ficar de pé, corre o risco de já estar com os ossos fracos e pode ser perigoso ficar de pé assim. Veja a matéria que fiz sobre ortostatismo abaixo, e consulte sempre seu médico antes de fazer qualquer atividade!
http://www.blogdocadeirante.com.br/2009/08/importancia-do-ortostatismo_26.html

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