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quinta-feira, 6 de maio de 2010

Benefícios do sexo para cadeirantes

O Ministro da Saúde já recomendou e o Fantástico testou: sexo faz bem à saúde. Mas e para um cadeirante, especificamente um lesado medular, quais os reais benefícios? Além dos comprovados na reportagem, quais outros nos atingem?
Como muita gente já está sabendo, cadeirantes podem ter uma vida sexual ativa e saudável, como todo mundo. Há as diferenças no preparo e as limitações de posição, mas a criatividade e o Kama Sutra estão aí pra isso. Os benefícios pra saúde do cadeirante englobam várias áreas. Primeiro, pra saúde mental, além de inserir socialmente (literalmente), fazer sexo minimiza a sensação de deficiência, afinal é uma coisa que todo mundo geralmente faz deitado. Traz também a revelação de que somos capazes de levar uma vida bem próxima da normalidade, poder satisfazer outra pessoa mostra mais uma capacidade que ainda se preserva.
Em muitos casos (no meu, por exemplo), a atividade sexual aumenta a sensibilidade, e a cada transa aparecem novas sensações, músculos ou até mesmo na pele sentimos novas atividades. E o melhor, o orgasmo é a cada dia mais sentido, o arrepio no corpo, a sensação de satisfação depois. Quanto mais nos concentramos no momento, mais essa confusão de sentidos traz bons resultados.
O benefício pra circulação também é nítido. Com o "exercício" do sexo, mesmo com movimentos limitados, nos esforçamos para encontrar boas posições e ter participação ativa no ato, proporcionando melhoria da circulação nos membros inferiores. E nos superiores também, claro.
E como o cadeirante pode ter mais prazer? No homem o orgasmo está muito ligado à ejaculação, e os lesados medulares descobrem o que as mulheres já sabem: há outras formas de sentir prazer e chegar ao orgasmo. Não vou me estender nisso, vou colocar links ao final, só acrescento dizendo o quanto é importante explorar outras áreas do corpo, outras formas de prazer. Mas é claro que a parceira tem que ser compreensiva e dedicada. Logo no início da lesão, tive uma namorada que não via sentido em fazer sexo oral comigo, já que minha sensibilidade era zero. Expliquei pra ela que só a imagem já me ajudava a ter mais vontade e prazer. A lição aí é que o diálogo, independente da situação, é o maior aliado do prazer.
É isso aí, o Ministro tem razão, sexo é muito importante pra saúde, inclusive de cadeirantes. E é bom demais da conta, né?
Links sobre sexo de lesados medulares:

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Posições sexuais para lesados medulares

Com jeitinho a gente se encaixa!
Como estou meio safadeeenho essa semana, aí vai mais um post sobre sexo. Vi um post com este título no blog Ser Lesado mostrando dois vídeos sobre o assunto e achei muito interessante, tanto que gostaria de complementar as informações. São vídeos produzidos pelo Dr. Mitchell Tepper, sexólogo americano, demonstrando posições sexuais específicas para quem tem lesão medular. O título dos vídeos já dá uma pista do caminho para descobrir as melhores posições: criatividade, adaptabilidade e senso de humor.
O primeiro vídeo é sobre posições para homens com lesão medular, e o Dr. Mitchell é o próprio protagonista, já que ele também é lesado medular:
No vídeo, o Dr. Mitchell explica que é importante ter muitas espumas e travesseiros na cama, pois auxiliam na estabilidade e posições. Achei o vídeo limitado, pois apesar do título, "posições sexuais", ele demonstra somente uma com penetração. Vou tentar complementar. Na única posição que ele demonstra, ele utiliza um encosto triangular de espuma, no qual se encosta para que a parceira venha por cima. Essa posição é muito boa pois proporciona olhos nos olhos, muito contato e visão da penetração se a mulher se afasta.
Uma variação que gosto dessa posição é quando a mulher vira de costas para o parceiro, e ela fica praticamente de quatro. Além de estimular mais o pênis, forçando-o para baixo, essa posição permite carícias, apertões e outros, e uma bela visão. Para quem curtia a posição de quatro, é a mais próxima que conheço.
A outra dica do vídeo é para melhorar o sexo oral, com auxílio de almofadas também, de forma que a mulher fique confortável e o homem faça menos esforço do que se estivesse deitado. Uma variação desta posição que sugiro é deitado mesmo, utilizando o triângulo por baixo do homem e um travesseiro embaixo da bunda da mulher.
Ainda tem outra posição que funciona: a mulher deitada de bruços com as pernas esticadas, e o homem vira por cima dela, que abra as pernas para permitir a penetração. E um pouco mais trabalhosa e exige um pouco de esforço, mas funciona e é uma boa variação. Só não rola quando o homem é muito pesado, ou muito grande. Aí a mulher tem dois prazeres, quando goza e quando o cara sai de cima... rsrs
O segundo vídeo é sobre posições para mulheres com lesão medular:
Também utilizando espumas e travesseiros, nesse vídeo a Ann, que tem lesão completa na T9, demonstra uma maior variedade de posições que a mulher pode adotar com conforto. Quando está por cima, ela explica que consegue maior controle corporal e da penetração se apoiando na cabeceira da cama para puxar e empurrar o corpo. Ela explica também que a força do parceiro ajuda, já que ele pode puxar e empurrar ela fazendo o famoso movimento de vai e vem. Em seguida ela mostra como faz para subir no namorado e dar início à posição.
A posição seguinte é ela por baixo, e para facilitar a penetração, ela joga as pernas para trás esticadas. Dessa forma o parceiro tem mais liberdade de movimento, não precisa segurar as pernas dela abertas.
O Dr. Mitchell em seguida explica a importância dos travesseiros e espumas, e acrescenta uma coisa interessante: a utilização de velcros para sustentar o corpo e minimizar o esforço. Creio que isso é especialmente importante para tetraplégicos.
Outra posição que a Ann demonstra é uma variação da posição "cachorrinho", utilizando as almofadas para apoiar o corpo. Ela disse que gosta da posição porque tem muita dor nas costas, considera essa a mais confortável para quem tem este tipo de problema.
A última posição é deitada sobre as espumas, com a perna para cima também, como na primeira posição. Ela acha mais confortável para ela do que a primeira porque deixa as costas arqueadas. Convenhamos que essa moça é bem flexível, o que ajuda na  hora do "malabarismo".
Outra dica fundamental é esvaziar a bexiga antes do sexo. Como não temos controle, é possível algum  "vazamento", e para isso é importante ter capas impermeáveis sob o lençol. Mas isso acho básico, todo cadeirante com lesão acaba passando por isso, então a capa deve fazer parte da rotina.
O Dr. Mitchell cita também a influência do espasmo durante o sexo, que pode ajudar ou atrapalhar, depende da situação. Geralmente o espasmo estimula, pois é mais movimento, mas se atrapalhar o parceiro, basta tomar remédio anti-espasmo, ou segurar a perna até parar. Ele comenta também que a temperatura do corpo de quem tem lesão varia muito durante o sexo, ficando quente acima da lesão e frio abaixo dela. Fica embaixo do edredom que resolve!
Todas essas opções são excelente na cama, e há ainda as posições na cadeira de rodas, algumas estão demonstradas na figura que ilustra esse post. Bem, agora cumpri uma "promessa de campanha": fiz praticamente um mini kama sutra de cadeirante! Claro que tem mais, mas o importante mesmo é a criatividade e, claro, o bom humor! Se já dá para dar risada durante o sexo quando a gente é "normal", quando não temos controle do corpo, acontecem coisas hilárias... experimenta!

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Cadeira para cadeirante fazer sexo

Um dos assuntos mais polêmicos envolvendo cadeirantes, paraplégicos, tetraplégicos e mamulengos em geral é o sexo. Quem não é deficiente não sabe se é possível, alguns que são às vezes ficam com medo de tentar e piorar sua situação e outros não estão nem aí e querem mais é se divertir. Me encaixo no último grupo e afirmo que problema não traz não, pelo contrário, algumas vezes sinto até melhora de sensibilidade em alguns pontos e até alguma resposta muscular.
Para auxiliar e incentivar pessoas que tem alguma dificuldade motora, já existe nos Estados Unidos uma empresa que desenvolve uma série de produtos que facilitam a vida tanto de cadeirantes quanto de pessoas com outros problemas físicos ou musculares, é a Intimate Rider. Para se ter uma ideia, o vídeo abaixo mostra uma cadeira própria para praticar sexo com cadeirantes, sejam paraplégicos, tetraplégicos ou atrofiados. O vídeo está em inglês, mas basicamente diz que a cadeira auxilia nos movimentos e exemplifica algumas posições sexuais que ela facilita.
Mas convenhamos, não é necessária uma cadeira própria pra isso, basta criatividade, amor, e, às vezes, um pouco de paciência. Mas fica a dica, pode ser bom até para apimentar a relação!
De brinde uma linda cena de amor de uma novela mexicana chamada Mientras Haya Vida (Enquanto há vida) que retrata a vida de uma cadeirante.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Cadeirante sente prazer?

Tá bom pra você?
Essa é umas das primeiras questões que vem à cabeça de uma pessoa quando ela vira cadeirante. Principalmente quando ela sofre uma lesão medular. A impressão que se tem é que a vida sexual acaba depois de uma lesão na coluna, afinal perde-se os movimentos e sensibilidade da lesão para baixo. Eu mesmo já pensei isso há muitos anos, vendo um cadeirante. "Perder os movimentos é complicado, mas deve ser triste ficar sem vida sexual". Felizmente, eu estava enganado. Vou falar nesse post do ponto de vista masculino, pois posso falar por experiência própria.
Em primeiro lugar, nem todos os movimentos são perdidos. A ereção ainda ocorre na grande maioria dos casos, de maneira involuntária e reativa, mas relativamente normal. A duração é que vai diminuindo. No início, pelo menos no meu caso, ocorreu o contrário. A ereção durava muito tempo. Enquanto houvesse "atividade", ele continuava lá, firme e forte. Com o tempo, a duração foi diminuindo, diminuindo, e ainda hoje é menor que o normal. Mas é só ter paciência, estimular novamente, que volta a ficar animadinho. Mas muitos cadeirantes tem dificuldade em manter e só conseguem a ereção com remédios. Isso não é vergonha para ninguém, é só uma condição, que felizmente tem "cura". Mas esse post não é sobre ereção, e sim sobre prazer. Só aproveitei para falar um pouco disso.
Acontece que o prazer não é dependente da ereção. Para os homens, é difícil entender isso, pois ligamos muito o prazer à ereção e à ejaculação. E temos a falsa impressão que só é possível dar prazer a uma mulher se a ereção ocorrer. A verdade é que prazer é muito mais do que isso. No homem o orgasmo está muito ligado à ejaculação, e os lesados medulares descobrem o que as mulheres já sabem: há outras formas de sentir prazer e chegar ao orgasmo. Um dos maiores responsáveis por ela é o cérebro, e isso não é afetado pela lesão. Então o prazer começa na imaginação. Por isso é importante que as coisas aconteçam da forma mais normal possível, com sexo oral, toque, amassos e tudo mais. Tem mulher que não vê sentido em fazer sexo oral no homem que tem lesão porque ele não está sentindo. Mas está vendo, e assim estimula o cérebro e busca o prazer.
Além disso, podemos buscar prazer na sensibilidade da pele, que no caso de um lesado medular, se limita, ou é mais nítida, na área acima da lesão, geralmente parte do tronco, braços e cabeça. E nessas áreas há muitas formas de sentir prazer, não só com os sentidos que citei. No quesito pele, podemos explorar áreas erógenas pouco exploradas pelos homens, como nuca, pescoço, braços, e principalmente, mamilos, que já tem uma sensibilidade maior. Me lembrei da "aula" sobre sexo no Hospital Sarah. Tinha um cara lá meio machista, mas engraçado. A médica explicou isso que falei acima, que seria importante explorar outras zonas erógenas, como cabeça, nuca, mamilos... e o cara solta: "quer dizer então que todos nós viramos moças?" Tive que rir! E completei: "é cara, agora que vai mamar no peitinho é a mulher!" kkkkk
Então, como todo mundo, cadeirante também sente prazer. Ouvi falar de casos de tetraplégicos que vão à loucura só com carinhos na nuca. Independente da limitação que seja imposta ao nosso corpo, é possível sim encontrar formas de sentir prazer. Cabe a nós explorá-las. Não falei sobre o caso das mulheres porque não tenho muito conhecimento mesmo, mas creio que seja até mais fácil do que os homens, pois elas já tem o hábito de explorar outras áreas. Então é isso, relaxa e goza!

sábado, 21 de março de 2009

Cadeirantes também amam


Li no blog "Assim como você", um depoimento muito interessante de um namorado "andante" de uma cadeirante, as situações que viveram, o preconceito de algumas pessoas e as nuances do sexo. Dou aqui o depoimento inverso, um cadeirante (eu) e sua namorada "andante".

Sempre fui ligeiramente mulherengo... tá, tira o ligeiramente. Quando sofri o acidente que me "transformou" em cadeirante, eu estava com 32 anos, morava em Florianópolis e fazia mestrado na UFSC. Estava recém saido de um relacionamento de um ano e meio e voltando a curtir a vida de solteiro em Floripa. Chato né? Pois no dia em que sofri o acidente eu estava saindo da casa da ex-namorada, em Viçosa/MG, e acabamos voltando o namoro. Dali a dois meses acabou tudo de novo, definitivamente, e comecei a namorar uma das enfermeiras do hospital em que eu estava. Nesse meio tempo, uma outra ex-namorada, que eu mantinha um certo contato, "intensificou" o contato, passou a me visitar com mais frequencia e me ligava sempre.

Ela estava morando em Salvador, mas disse, em um certo momento, que sempre gostou de mim e mudava pra BH o mais rápido possível se eu largasse a enfermeira e investisse nela. Resolvi aceitar a proposta e em um mês ela estava em BH e reiniciamos o relacionamento. Logo ela já mudou de mala e cuia pra casa dos meus pais, onde eu estava morando, e em pouco tempo nos mudamos para um apartamento "só nosso".

Bem, vamos ao relacionamento. No relato supracitado que li, o andante carregava a namorada sempre que necessário. No meu caso isso é meio impossível, sou meio grandinho (1,95) e meio pesado, só se eu namorasse uma levantadora de pesos. Isso torna os programas mais planejados, sempre que saímos tenho que ligar pro lugar antes e perguntar se tem acesso. Por incrível que pareça, aqui em Belo Horizonte geralmente os lugares são adaptados, e mesmo quando há alguns lançes de escada, me dizem "pode vir que damos um jeito de carregar". E isso realmente basta, uma pessoa é suficiente pra levar escada acima, pois minha namorada sempre ajuda. No fim das contas, saímos com frequencia, e só deixo de ir em algum lugar se há uma escada realmente grande ou estreita.

Outra coisa que sempre curti muito é viajar. Neste quesito, as limitações são maiores. Para os destinos que eu gostava então (parques nacionais, cachoeiras, campings), impossível. Mas como tudo é adaptável, e meu gosto já estava mudando mesmo, nós viajamos pra onde tem acesso, como navio de cruzeiro, cidades mais estruturadas ou que tenham hotéis com adaptação.

Namorar um cadeirante não é tão diferente ou complicado assim. Duas situações são mais "melindrosas": ir ao banheiro e tomar banho. No fim das contas, tudo se resume ao banheiro. Então basta ter banheiro pra deficiente, que tá tudo bem. As camas não precisam ser altas, ou da altura da cadeira, em qualquer cama entro e saio numa boa, já bolei formas pra facilitar.

E o sexo? Todo mundo pergunta. Uma vez, antes de ser paraplégico, vi um cadeirante chegando no boteco de carro, tirando a cadeira e sentando com amigos. Pensei: "não é tãaaao ruim assim, o difícil mesmo deve ser ficar sem sexo, pois o cara tá paralisado da cintura pra baixo." Essa foi a melhor surpresa pra mim: nem tudo fica paralisado. Na primeira semana depois do meu acidente já tive ereções, e no Sarah aprendi que são duas vias para que elas aconteçam, a mental e a física. Ou seja, a ereção tem duas fontes de "alimentação". Portanto, só o toque, carinho, ou "fricção" já é suficiente para que aconteça. Como minha via mental estava bloqueada, o toque ainda resolvia. Hoje, com a evolução do meu quadro, já tenho sensibilidade na área e contato mental. A limitação que realmente há são as posições. Mas a criatividade e o kama sutra estão aí pra isso...

Em suma, temos um relacionamento maravilhoso, como já namoramos antes pulamos aquela parte chata dos ciúmes descabidos, das briguinhas bobas, vivemos muito bem há dois anos e nos amamos profundamente. O negócio é ser feliz, independente das diferenças!

Não formamos um casal lindo?

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Meninas sobre rodas

Adriana Lage
Atendendo a uma solicitação feita em um post há alguns dias, resolvi fazer um post sobre algumas necessidades e situações que as mulheres cadeirantes enfrentam. Para isto, contei com a preciosa ajuda da Laura Martins, do blog A Cadeira Voadora, e da Adriana Lage, que escreve na Rede Saci. Minhas principais dúvidas eram em relação a dia a dia, utilização de banheiro, menstruação e vaidade. As duas são muito bonitas, estão sempre arrumadas e me tiraram muitas dúvidas. A Adriana é tetraplégica, com lesão no nível C5, e a Laura é paraparética, devido a uma mielite.
Laura Martins
Vamos às dicas: 
- Dia a dia:
Tetraplégicas geralmente precisam de ajuda para se transferir da cadeira e vestir roupas. A dica é se vestir deitada, facilita. Para a higiene, utilizar sabonete íntimo, lenços próprios para a região e hidratantes e óleos no corpo, sobretudo no bumbum, o que ajuda a prevenir as escaras. Além disso, é bom usar apenas calcinhas menores, de tecido macio e confortável, não necessariamente algodão, que possuam apenas uma ou duas tirinhas nas laterais (estilo 'periguete'). Elas são facílimas de retirar, mesmo para quem tem pouquíssima força nos braços. Se depilar constantemente facilita a vida, pois quanto menos pelo, melhor. A Adriana optou pela depilação a laser nas pernas - já que ela faz natação e adora usar vestidos - virilha completa, axila, coxas, etc. Fica mais fácil cuidar de um corpo sem pelos e é bem mais bonito esteticamente  falando.

- Menstruação:
Para controlá-la com mais precisão e evitar surpresas, uma dica é tomar pílula, que ajuda a diminuir os sintomas da TPM e manter o fluxo menstrual regular. Assim que termina a cartela, a menstruação chega no 5º dia sem a pílula, e a partir daí é só usar absorvente, como qualquer mulher, e trocar a cada ida ao banheiro, evitando usar roupas claras nesse período. Para amenizar os sintomas da TPM, a Adriana recomenda comer muito brócolis no período (essa eu não sabia). Quando pintam cólicas menstruais, ela  aproveita para nadar ou se exercitar. Assim, com movimento, elas passam logo.

- Banheiro:
As duas tem algum controle de esfíncter e não fazem cateterismo, mas a Laura não consegue prender por muito tempo, por isso o banheiro para ela é fundamental. Se não houver um adaptado, é preciso usar um absorvente para prevenir escape. Ou, então, não beber, ou ficar pouco tempo no local. Uma situação que ela acha complicada é o famigerado assento sanitário com abertura frontal. Com a dificuldade de equilíbrio e de controle muscular, pode acontecer, por exemplo, de a perna não conseguir ficar bem posicionada e escapar para a abertura. Como conseguir fazer suas necessidades tendo que se equilibrar sobre um assento? E, na opinião dela, um dos grandes dramas das meninas que não fazem cateterismo é ter de se sentar num vaso sanitário emporcalhado pelas outras representantes do sexo feminino que não aprenderam regras de boa educação. Isso é duro! Algumas fazem xixi de pé e respingam tudo com urina. Eca!! Outras sobem no vaso e sujam o assento com seus sapatos!! Inacreditável, mas é verdade.

- Beleza:
Vale ressaltar que dá para aliar beleza, sensualidade e praticidade. Por exemplo, dá pra ter unhas grandes e bonitas e colocar lente de contato sozinha ou fazer a higiene sem arrancar pedaço de nada. As unhas afiadas servem como armas! Tanto de sedução quanto de defesa, em caso de gracinhas não desejadas. Nessa semana a Adriana publicou na Rede Saci um texto sobre violência contra a mulher. Nele, abordou temas como estupro de vulnerável, casos de violência contra mulheres deficientes, alguns cuidados que ela toma, etc.

- Sexo:
Em caso de relações sexuais, as mulheres cadeirantes não tem os mesmo problemas que os homens. Querendo ou não, a participação delas na história é mais passiva. Dá para ter orgasmos e experimentar várias posições se o parceiro puder ajudar. Sempre lembrando da camisinha aliada a outro método anticoncepcional e de um critério na escolha do parceiro. Dá, inclusive, para fazer muita coisa interessante na cadeira de rodas!

Espero que tenham gostado das dicas, e se puderem contribuir com mais nos comentários, fiquem à vontade. E desculpem não ter publicado nada antes, pois nesse quesito, eu sou leigo. Ou melhor, era!

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Amor em dobro

Desde que criei o blog, muita gente me manda e-mail e me adiciona no MSN buscando informações sobre a experiência como cadeirante e opiniões sobre propostas de acessibilidade. Mas o que me chamou atenção nas últimas semanas foi a procura de algumas namoradas de cadeirantes preocupadas com questões sobre o relacionamento e peculiaridades da vida a dois.
O relacionamento em si não tem tanta diferença do que com pessoas normais, nós cadeirantes também somos românticos, gostamos de carinho, de atenção e de beijos, amassos e sexo. Mas o dia-a-dia demanda alguns cuidados. É preciso uma dose maior de paciência e compreensão.
Nem tudo é possível e muito menos fácil na vida a dois. A pessoa tem que entender que a limitação não é só de locomoção. A incontinência urinária, pra mim, é uma das coisas que mais incomoda. Há os coletores e bolsas que permitem uma menor preocupação com isso, mas nem sempre são eficazes. Muitas vezes eles podem estar furados ou podem se soltar, e como a sensibilidade é pouca, a gente não percebe, só descobre quando está com as calças completamente molhadas. Esta situação pode acabar com um programa ou transformar a cama numa piscina. Pode ser chato, inconveniente e até causar vergonha, mas a culpa não é nossa. Aí entra a compreensão, e a mulher se coloca numa situação quase de mãe, tem que enxugar, limpar, trocar a roupa, do jeito que fazemos com bebês. E ainda é preciso ajudar para se vestir, calçar sapatos e desmontar e montar a cadeira de rodas toda vez que sair de carro. Do nosso ponto de vista, chegamos a um grau de intimidade que jamais imaginamos. E sabemos dar valor a isso.
E só isso já é uma imensa vantagem em namorar um cadeirante ou qualquer pessoa com deficiência. Quando a pessoa se propõe a compartilhar o dia a dia com alguém com deficiência, sabe dos problemas e inconvenientes possíveis, e mesmo assim se dedica sem restrições, o deficiente retribui em dobro, seja porque a pessoa já tem essa qualidade ou porque aprendeu o quanto é difícil levar uma vida normal com deficiência.
Como hoje em dia é tão difícil saber se as pessoas gostam de verdade de nós, nos amam incondicionalmente, o deficiente enxerga isto claramente nas atitudes de seu companheiro (a). Não dá pra fingir pro resto da vida que está gostando de determinadas situações, as atitudes com o tempo mudam se não forem verdadeiras. E uma coisa que aprendemos ao nos tornar deficientes é valorizar quem nos dá apoio. E do outro lado, este valor é sentido e retribuído.

sábado, 4 de setembro de 2010

Camisa maneira

Há algum tempo aderi ao Peixe Urbano, site de descontos em grupo muito bacana, que oferece descontos em diversos lugares para seus afiliados. Numa dessas promoções, pintou uma camisa pela metade do preço na Camiseteria, uma empresa carioca que produz camisas diferenciadas e com estampas exclusivas, muitas vezes enviadas pelos próprios visitantes, através de um concurso. E ainda tem um campo para os clientes enviare fotos vestindo as camisetas que compraram. Enviei a minha foto e já publicaram lá.
Achei várias estampas legais, mas a que mais me identifiquei foi a da foto acima, que está escrito "Somos Diferentemente Iguais". Afinal, somos mesmo diferentes, mas quando estamos em uma cadeira de rodas, parecemos mais diferentes que os outros. Nos vêem como uma pessoa "com defeito". Até concordo, a pareplegia é um defeito, bem aparente e limitador, mas todos tem defeitos, e não conheço defeito pior que o preconceito. Ou a ignorância.

Abaixo vai um texto bacana que achei com este título.
"Diferentemente Iguais

Somos feitos a imagem e semelhança do senhor.
Somos diferentemente iguais.
Nossas feições são parecidas, mas não idênticas.
Nossos corpos são diferentes, mas nem tanto.
Sentimos coisas que todos sentem.
Passamos por coisas que nunca ninguém passou.
Temos historias de vidas parecidas com de algumas pessoas e totalmente diferente das de outras.
Temos atitudes diferentes.
Somos de cor, sexo, gostos, idade diferentes das de outros.
Somos de nacionalidades diferentes, mas somos do mesmo planeta.
Somos de ideais iguais,mas pensamentos diferentes.

Não devia importar o quanto somos diferentes.
Nao devia importar se nossa cor, gostos, ideais são diferentes.
Não devia importar se a sua verdade não é a mesma que a nossa.
Não devia importar.
O que devia importar é que somos todos filhos do mesmo Pai.
Que todos vivemos no mesmo planeta.
E que todos tem o direito de serem diferentes e não devem ser julgados por serem do jeito que são.

O erro não está em ser diferente.
O erro é não aceitar as diferenças."

quarta-feira, 17 de março de 2010

Cadeirante macho X cadeirante fêmea

Cadeirante - assim como andante - é mais um daqueles substantivos comuns de dois gêneros que faz pouca diferença semântica - mas faz uma grande diferença romântica. Vendo novela - ah, fala sério, todo mundo vê, ainda mais quem é do "ramo" - estive pensando na diferença entre o relacionamento de um cadeirante e uma andante e uma cadeirante e um andante. Não tenho nada a reclamar sobre a vida que levo com minha andante, a não ser o fato de que ela detesta dirigir e sou eu que sempre dirijo, mas convenhamos que a vida é bem mais fácil e "acessível" para um casal de cadeirante "fêmea" e andante "macho".
A principal vantagem é que é bem mais fácil o andante carregar a cadeirante do que o inverso acontecer. Dessa forma, para entrar em tudo quanto é lugar e chegar a lugares difíceis é bem mais fácil. Qualquer coisa é só carregar a cadeirante no colo. Claro que o cara não pode ser fracote e a cadeirante não pode engordar demais, mas na maior parte das vezes a regra vale. Nesse esquema, fica fácil o casalzinho ir até a areia da praia namorar, visitar aquele amigo que mora no terceiro andar sem elevador e nem muda a noite de núpcias, o cara entra no quarto carregando a noiva como deve ser.
Mas a mulher não carrega o cadeirante. No máximo ajuda a vencer um degrauzinho. A não ser que seja uma descendente de alemã, daquelas de 1,80m com braços mais grossos que a perna do cadeirante. Mas dessas aí dá até medo...
Diferenças de relacionamento à parte, muitas são as diferenças entre a vida de um cadeirante e de uma cadeirante. Uma das que acho favoráveis ao cadeirante é a "coleta" de urina. Aliás, é uma curiosidade que tenho. Homem usa o coletor de perna, amarrado na canela, quase imperceptível, e se urina durante o dia não faz diferença nenhuma, é só esvaziar depois. E a mulher? Existe um coletor feminino?
Outra vantagem masculina é a força física: mais acostumados a usar braços e peitorais, homens tem maior facilidade em acostumar com as transferências. Mas mulheres levam vantagem na cama, quando o assunto é sexo, pois não precisam de "esforço" para fazer a coisa funcionar. E ainda tem mais costume de explorar outras zonas érogenas além da genitália, tem mais sensibilidade acima da cintura e consequentemente tem mais facilidade para sentir prazer.
Enfim, são muitas as diferenças, mas fica a questão: quem leva mais vantagem quando vive numa cadeira de rodas?

domingo, 4 de novembro de 2012

TCC - calça para cadeirantes

Duas simpáticas xarás minhas (Alessandras - belo nome) estão fazendo um projeto de desenvolvimento de calças voltadas para cadeirantes, e bolaram o questionário abaixo para conhecerem um pouco mais sobre as necessidades de quem usa uma cadeira de rodas.
É sempre um processo complicado vestir calças sozinho, ainda mais as jeans, um verdadeiro desafio. Cada um tem uma técnica, eu uso os para lamas da cadeira para me levantar e puxo com os dedos a calça para cima, "pulando" dentro dela até chegar no lugar. 
O questionário é voltado para as pessoas do sexo masculino, idade entre 18 e 80 anos, cadeirantes e que fazem o uso do coletor de urina. Quem sabe daí pinta mais um produto elaborado especialmente para nós:
Questionário:

sábado, 20 de março de 2010

Na Minha Cadeira ou na Tua?

Depois de uma longa jornada, a Juliana Carvalho, publicitária que colabora no blog "Sem Barreiras", está lançando seu livro sobre aventuras e desventuras na cadeira de rodas de forma leve e bem humorada. Texto da orelha:


"Aos dezenove anos, uma doença colocou uma cadeira de rodas no caminho de Juliana Carvalho. Sem esconder os momentos dolorosos e a vontade de desistir, este relato autobiográfico extrai humor e esperança de situações difíceis e expõe a mistura de tragédia e comédia que caracterizam a sua – e a nossa – complexa condição humana.
Na minha cadeira ou na tua? percorre questões fundamentais do cotidiano dos cadeirantes, com informações sobre inclusão, acessibilidade e lutas por enfrentar, e intercala narrativas sobre a vida da autora antes e depois da lesão medular. Antes dela, Juliana relembra pensamentos, brincadeiras e a relação ingênua com a família durante a infância e fala sobre a descoberta do amor e do sexo, as festas, a rebeldia e as bebedeiras durante a adolescência. Já adulta, após a grande virada, a readaptação, a convivência com os novos limites, a superação e a percepção de que uma cadeira não modifica o fundamental: o que o ser humano é além do próprio corpo."


A autora

Juliana Carvalho nasceu em 1981, em Porto Alegre, e é publicitária. Cadeirante desde os 19 anos, quando teve uma inflamação na medula, é atuante no movimento das pessoas com deficiência. Apresenta o programa “Faça a Diferença”, que promove os direitos humanos e o respeito à diversidade, exibido na TV Assembleia do Rio Grande do Sul. Mantém os blogs “Comédias da Vida Aleijada” (comediasdavidaaleijada.blogspot.com) e “Sem Barreiras” (www.zerohora.com.br/sembarreiras), este do Grupo RBS, que aborda questões sobre acessibilidade e inclusão. Dirigiu o curta-metragem “O que os olhos não veem, as pernas não sentem”, premiado pelo Júri Popular do Festival Claro Curtas de Cinema. Na minha cadeira ou na tua? é seu primeiro livro.

Datas dos Lançamentos:

RJ - 08/04
Livraria da Travessa - Shopping Leblon
Afrânio de Melo Franco, 290 - loja 205 A

SP - 12/04
LIVRARIA CULTURA - CONJUNTO NACIONAL
Av. Paulista, 2073

BH - 15/04
Biblioteca pública estadual Luiz de Bessa
Praça da Liberdade, 21 – Funcionários

POA - 22/04
LIVRARIA CULTURA - BOURBON SHOPPING COUNTRY
Av. Túlio de Rose, 80 - Loja 302

Brasilía - 27/04
LIVRARIA CULTURA - CASAPARK SHOPPING CENTER
SGCV - Sul, Lote 22 - Loja 4-A



Vamos prestigiar esta grande conquista desta grande mulher! Eu vou comparecer no lançamento aqui em BH!

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Tutor, tala, calha, ortese, etc


Quase tudo tem sinônimo, e eu sempre achei que a campeã era a mandioca (ou aipim, ou macacheira, ou mani) mas descobri um item que tem mais sinônimos ainda: as talas (é o nome que mais chamo). Também conhecidas como órtese, tutor ou calha, e acho que esse último nome vem a calhar. Elas são minhas pernas falsas, que seguram os joelhos na hora de ficar de pé. É o acessório fundamental para praticar ortostatismo sem precisar de aparelhos.
E ainda me possibilita andar jogando as pernas. As duas de uma vez já é possível, posso até treinar para fazer só com muletas, mas prefiro tentar jogar uma e depois a outra. Mas é uma luta chegar até lá, faço um esforço fenomenal só pra conseguir levantar o pé. Mas já é uma vitória conseguir tirar ele do chão. E a cada dia sinto um pequeno avanço, por mínimo que seja, é sempre uma esperança.
Uma evolução da tala é a tala articulada, vi algumas destas no Sara. Ela tem uma trava no joelho, se dobra, e quando o sujeito fica de pé é só travar nos joelhos para ficar com as pernas estáticas. Mas só é recomendada para quem tem algum movimento nas pernas.
Outra luta é segurar o pé. Como não tenho movimento, quando puxo a perna o pé não acompanha e cai, arrastando a ponta no chão quando tento jogar a perna. A Andrezza, minha fisioterapeuta fashion, já bolou mil amarrações com faixas pra segurar o pé, as últimas até funcionaram bem. Agora comprei um acessório que pega no cadarço do tênis e fecha na canela, o da foto abaixo. Testei hoje e não foi tão eficiente assim, o ideal é pegar da ponta do pé até a canela. Se eu descobrir alguma coisa melhor, posto aqui.
PS: Na verdade, sei que os campeões de sinônimos são os órgãos genitais. Eu tinha uma revista que mostrava 100 (isso mesmo, cem) sinônimos para cada sexo. Sem contar os apelidinhos que todo mundo dá...

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