terça-feira, 30 de junho de 2009

Atividade fisica só faz bem


Sempre fui esportista, praticava mountain bike toda semana, procurava parceiros pra fazer trekking e quando tinha a oportunidade entrava num jogo de vôlei ou peteca. Só não gostava mesmo de futebol, e, contra a vontade de todos, basquete. Mas nesse último acabava entrando, mesmo jogando mal, a altura me privilegiava. E eu bem gostava de dar "toco", o cara vinha atacando, chegava perto da cesta, desviava da minha marcação, dava um salto mais alto que podia e eu só levantava a mão e barrava a bola, geralmente já acertando a cabeça do cara. Ah, isso era muito legal.
Quando virei cadeirante estava no auge da minha forma física, praticando muitos esportes. Senti muita falta no início, mas assim que internei no Sarah descobri o quanto ainda é possível praticar esportes em uma cadeira de rodas, apesar de eu ainda ter mais uma limitação, no ombro esquerdo, ainda assim há formas de curtir uma atividade física. Porém, para praticar esporte adaptado, na maioria das vezes é necessário encontrar um local e um grupo de pessoas que queiram também, ou pelo menos uma pessoa, já que a maioria dos esportes é coletivo.

Entre os esportes individuais, destaque para a natação, pra mim é o esporte adaptado que tem maior visibilidade no Brasil, através das conquistas dos atletas paraolímpicos, como o Daniel Dias, e é também o mais fácil de praticar, basta ter uma piscina disponível, que autorize um cadeirante a utilizá-la. Alguns lugares não permitem aos lesados medulares nadarem, devido à incidência de infecção urinária e à incontinência. Mas negociando e se comprometendo a passar sonda antes de entrar na água, muita gente consegue. Eu ainda não criei coragem porque meu ombro não deixa. Mas com o avanço que estou tendo na fisioterapia, em breve pretendo cair na água. Sem contar o tanto que água relaxa a gente.
É mais um motivo para praticar esportes. A atividade física não é boa só para manter o corpo saudável, traz dezenas de benefícios, relaxa a mente, proporciona interação com outras pessoas, novas amizades, satisfação pessoal e superação de limites. A primeira vez que eu disse que havia nadado no Sarah, me perguntaram "nadou sozinho??" Ainda hoje tenho que explicar que é possível e muito recomendável. E não tem sensação melhor para quem não movimenta as pernas sentí-las leves e ficar na vertical sem auxílio.

domingo, 28 de junho de 2009

Post da Gi


O Sam sempre me pergunta porque não escrevo no blog dele, aí resolvi escrever hoje , apesar de não gostar muito, mas ele merece minha dedicação.
Conheci o Sam qdo ele ainda era um big dog, não faz mto tempo que ele deixou de ser, mas faz um tempão que nos conhecemos, num buteco em Viçosa, também estudei lá. Não foi paixão a primeira vista, como as pessoas gostam de dizer, tanto é que um dia encontrei com ele e nem o reconheci (isso faz muiiito tempo), mas a partir daí começou minha historia de amor (apenas a minha, porque ele demorou um pouquinho para descobbri que eu era a mulher da vida dele, rsrs). Algum tempo depois, namoramos, terminamos, mudamos de cidade, nos reencontramos algumas vezes, até que ficamos juntos definitivamente. Foi um longo caminho que não vem ao caso agora, pois o que tenho a dizer é sobre ele e o quanto me faz feliz. O Sam é simplesmente uma pessoa extraordinaria, de bem com a vida, não tem tempo ruim não. As vezes fico triste por algum motivo do dia a dia e rapidinho ele me faz enxergar que tenho varios outros motivos para ficar feliz. Há dois anos e alguns meses estamos juntos e só aconteceram coisas maravilhovas nas nossas vidas, nosso amor e dedicação um ao outro só aumenta. 
Quanto a paraplegia nunca tive "medo" de como seria conviver com uma pessoa com limitações, na verdade nunca parei para pensar sobre isso, pois meu amor por ele é maior que qualquer limitação.
Meu Amor, a cada dia amo mais a nossa vida, adoro estar com você em todos os momentos, estaremos sempre juntos para comemoramos nossas vitorias e conquistas e também para lamentarmos nossos erros e nossas dores. Te admiro muito e tenho muito orgulho de você. Não posso esquecer de nossa Bebé (Belinha, nossa gatinha), que torna nossos dias mais divertidos. Te AMO MUITO para toda a Vida!

sábado, 27 de junho de 2009

Intoxicação por remédios


Com a recente morte do ídolo pop Michael Jackson (eu também já gostei, tinha até o LP - pra quem não sabe são os antigos discos de vinil) iniciaram-se as suposições para explicar sua morte, uma delas é a de intoxicação por excesso de remédios. Lembrei-me de uma matéria que li na semana passada sobre uma pesquisa realizada pelo Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (Sinitox) da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) que concluiu que os medicamentos são responsáveis por 30% das intoxicações ocorridas no País em 2007. Os números do Sinitox apontam mais de 100 mil casos de intoxicação, com 479 mortes.
Este assunto tem especial interesse para os lesados medulares, que, pelo quadro clínico específico, são consumidores frequentes de remédios, sejam profiláticos ou para conter alguma das diversas complicações a que somos acometidos. Pessoalmente, sempre fui avesso a remédios, dificilmente eu conseguia manter um tratamento até o fim pois me esquecia (às vezes propositalmente) de tomar no horário certo. Sem contar que eu acreditava que o nosso corpo tem as armas necessárias para combater as doenças. Não é um comportamento ideal, pois os tratamentos são comprovadamente eficazes quando seguidos fielmente.
Após a lesão fui obrigado a me disciplinar em relação a isso, pois uma vez que minha saúde corria sérios riscos, não era racional continuar rebelde. No início, logo após o acidente, eu tomava os remédios mesmo sem querer, pois as enfermeiras faziam um acompanhamento rigoroso, algumas vezes aplicando medicações via injeção. Após o período de internação, me acostumei a tomar pelo menos dois comprimidos de oito em oito horas, um para diminuir os espasmos e outro para controlar a bexiga. E ainda tomava um remédio para dor à noite, pois apesar de sentir dores durante o dia todo, eu preferia tomar só à noite para conseguir dormir.
Quando tenho infecções urinárias, entro com um antibiótico, às vezes acompanhado de um anti-térmico para diminuir a febre. No início do ano, após uma infecção mais forte, meu urologista recomendou que eu iniciasse administração de Macrodantina uma vez por dia, um profilático para prevenir reincidência de infecção urinária. E há dois meses atrás, após voltar ao neurocirurgião que me acompanha para tentar mais um tratamento para diminuir minha dor crônica, acrescentei ao meu "coquetel" um comprimido de amitriptilina de oito em oito horas. No fim das contas, tomo três de manhã, três à tarde e cinco à noite. Para um anti-hipocondríaco, dá pra imaginar o quanto isso incomoda.
Ainda mais depois que li a matéria sobre os vilões da intoxicação. Ainda estou com vontade de diminuir o coquetel "molotov" que tomo, tirando um dos remédios pra dor ou o profilático. Mas em conversa com minha cunhada, que é médica, já desisti da "auto-desmedicação". Querendo ou não, nós lesados medulares necessitamos de determinados medicamentos, e os casos de intoxicação são geralmente ocasionados por falta de conhecimento sobre as contra-indicações, auto-medicação e sobredosagem, ingestão de doses maiores do que as recomendadas. Além dos caso de ingestão por crianças de 1 a 4 anos, graças ao descuido dos pais.
Portanto, se seus médicos prescrevem medicamentos realmente necessários para problemas reais, se você seguir a dosagem recomendada, tampe o nariz e engula sem dó os comprimidinhos multicoloridos (à noite tomo um branco, um vrmelho, um azul, um amarelo e um marron), pois a probabilidade é que te façam mais bem do que mal. Mais uma recomendação: procure saber exatamente as contra-indicações de cada medicamento. E leia a bula!!

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Sobre o banheiro acessível

Como apontado pelo autor deste blog, grande parte dos problemas dos cadeirantes ocorrem no uso do banheiro, que dificilmente possuem uma largura de porta de 80cm e cuja disposição de pia e bacia sanitária impede o acesso e uso. Ao construir ou reformar uma edificação, o primeiro passo é contratar um arquiteto, que é o profissional mais habilitado para o projeto e planejamento da obra. Pelo Decreto Federal nº 5.296, todas as instituições públicas e de uso coletivo, como restaurantes, hotéis e hospitais, devem ser acessíveis desde 2004, o que reforça a importância da presença do profissional no projeto. O arquiteto deverá consultar a Norma Brasileira ABNT NBR 9050, que trata da acessibilidade em edificações.

No capítulo 7, sobre sanitários e vestiários, está descrito e ilustrado tudo que é necessário saber para o projeto, começando com a localização e sinalização: “Os sanitários e vestiários acessíveis devem localizar-se em rotas acessíveis, próximos à circulação principal, preferencialmente próximo ou integrados às demais instalações sanitárias, e ser devidamente sinalizados conforme 5.4.4.2. Em sanitários acessíveis isolados é necessária a instalação de dispositivo de sinalização de emergência ao lado da bacia e do boxe do chuveiro, a uma altura de 400 mm do piso acabado, para acionamento em caso de queda”.

Com relação ao espaço mínimo recomendado, ele deverá ser de 1,50X1,70m, sendo aceito até 1,50X1,50m em reformas onde o anterior é inviável. Segue abaixo duas imagens em planta que mostram os espaços necessários e as posições da pia e bacia com barras de apoio. O dimensionamento, posição e instalação de todas as peças do sanitário são previstos na norma e devem ser obedecidos, como nas figuras abaixo. Para maiores informações a norma deve ser consultada. É possível fazer o download da NBR 9050 gratuitamente na Internet.

São Paulo, 22 de junho de 2009.

Bruno Ribeiro Fernandes

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Cadeira motorizada: vale a pena?


Muita gente me fala para comprar cadeira motorizada, que vai me dar mais liberdade e diminuir meu esforço, que é muito importante comprar uma. Já os fisioterapeutas que encontro dizem que não devo comprar, pois vou deixar de usar os braços e ficarei fraco para fazer transferências e outras coisas, e que a cadeira manual te deixa mais em forma e evita que engorde muito. Então, até que ponto é realmente necessário? Para que exatamente me serviria uma cadeira motorizada?
Vamos ver as vantagens e desvantagens de cada modelo.
A cadeira manual é mais prática, mais fácil de guardar e muito mais leve. Porém é mais instável, não dá segurança em terrenos íngrimes nem em rampas, e demanda muito esforço para vencer pequenos obstáculos, como raízes de árvores e subidas pequenas. Demanda também muito esforço do cadeirante para se locomover em trechos mais longos, cansando em pouco tempo. Mas esse esforço, por outro lado, é importante para manter os braços e ombros fortes, facilitando transferências e ainda é uma atividade física de fundamental importância.
A cadeira motorizada auxilia demais em trechos longos, não demanda esforço nenhum de locomoção. Porém é muito pesada, difícil de transportar e demanda uma segunda pessoa para colocá-la em um carro. De preferência uma pessoa "fortinha".
Afinal, qual é a mais indicada e quando?
Depende do tipo de cadeirante. Se a pessoa estiver em cadeira de rodas por motivo de doença ou enfraquecimento muscular, é indicada a motorizada, pois é melhor economizar forças para outras tarefas. Se é lesado medular com paraplegia ou tetraplegia, acredito que a manual é mais indicada, para manter a forma ou treinar pegada, no caso dos tetraplégicos.
Depende também do dia a dia. Se possui carro adaptado, trabalha em local fechado sem necessidade de grandes locomoções e tem sempre alguém que possa empurrá-lo em trechos longos, como uma namorada, esposa ou parente próximo, o ideal é a manual.
Mas se é comum percorer grandes distâncias e tem carro adaptado e com elevador, é mais indicada a motorizada. Ou se a pessoa já tem uma atividade física constante, é uma comodidade utilizar a cadeira motorizada.
Minha opinião é que o cadeirante deve ter as duas, quando for a um Shopping ou na padaria da esquina, pode ir com a motorizada, mas dentro de casa e no trabalho, utiliza a manual. A manual também é a ideal em viagens, ocupa menos espaço e é mais ágil para ir em vários lugares, onde deverá ser montada e desmontada várias vezes.
Para quem acha que só quem tem muita grana pode comprar as duas, há algumas cadeiras motorizadas que também viram manual, como a Hummel, basta trocar as rodas traseiras. Há também a opção de comprar uma usada, mas além de difícil de encontrar, pode não se ajustar bem ao corpo. Mas mesmo assim é um equipamento caro, então, até juntar dinheiro, o cadeirante vai ficando forte com a manual mesmo (meu caso)!

sábado, 20 de junho de 2009

Fisioterapia neurológica


A mobilização passiva é muito importante, mas não substitui a fisioterapia. Principalmente porque determinados movimentos são impossíveis de realizar sozinho por um lesado medular. E também porque os equipamentos de uma clínica fisioterápica são insubstituíveis e caros. E, obviamente, ninguém substitui um profissional de fisioterapia.
Porém, para nós lesados medulares, é muito difícil conseguir profissionais e clínicas especializados em fisioterapia neurológica, que é nosso caso. Os melhores fisioterapeutas dessa área estão no Sarah, destino obrigatório de quem sofre lesão medular, porém não há vagas pra todo mundo nem a possibilidade de acompanhar todos os pacientes por toda a vida.
Por isso é importante que o lesado medular procure uma forma de conseguir o acompanhamento de um fisioterapeuta, se não na rede pública, através do seu plano de saúde ou, se possível, particular. Ideal mesmo é ter plano de saúde, mas - por experiência própria - mesmo assim é difícil encontrar profissionais especializados em fisioterapia neurológica. Por ter atingido o limite de sessões do plano de saúde - ainda vou pesquisar sobre isso - e por descuido meu também, eu estava desde agosto do ano passado sem fisioterapia acompanhada, fazendo só em casa. Alguns exercícios que aprendi com os vários fisioterapeutas por que passei até hoje eu fazia com o auxílio da minha namorada. Mas, como citei acima, isto não substitui o acompanhamento de um profissional.
Voltei ao neurocirurgião que me operou, Dr. Antônio Baroni, que ficou satisfeito com a recuperação motora que apresentei, e recomendou fortemente a volta à fisioterapia, cuja falta pode até ser uma das causas das fortes dores que sinto. Fui então à busca de uma clínica, pois a última em que me tratei não possui alguns equipamentos importantes e sua localização pra mim é um pouco complicada. Liguei para o plano de saúde e peguei o telefone de algumas clínicas e comecei a marcar as avaliações. Fui na primeira, e ao ver o pedido a responsável já descartou, pois não oferecia aquele tipo de tratamento. Fui na segunda, mesma coisa. Liguei novamente no plano de saúde explicando o tipo de fisioterapia que eu precisava. Me indicaram mais três clínicas. Fui na primeira e, apesar de oferecerem a fisioterapia, me disseram que havia incompatibilidade com meu plano. Não fiquei satisfeito com a situação, mas antes de ligar no plano de saúde chorando as pitangas, marquei a avaliação na última clínica da minha lista.
No horário combinado fui com um amigo fazer a avaliação. A primeira coisa que observo é a existência de vagas exclusivas para deficientes físicos nas proximidades, e neste caso há várias vagas na região, que é onde se concentram vários hospitais e clínicas. Mesmo havendo as vagas, procuro uma que seja em uma rua com menos movimento, pois tenho que abrir completamente a porta do carro e mantê-la assim até montar completamente a cadeira e passar pra ela. Esta é mais uma dificuldade por ser cadeirante, se houver muito movimento ou for uma rua apertada, o risco é enorme.
Felizmente a clínica tem todos os equipamentos que preciso e a fisioterapeuta responsável me passou muita segurança e demonstrou grande conhecimento da área e interesse no meu caso. Semana que vem, finalmente, volto a fazer fisioterapia em clínica, e a partir de agora vou ficar mais atento, pois é minha saúde e minha recuperação em jogo.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Mobilização passiva: atividade obrigatória

Geralmente quando digo que faço fisioterapia todo dia sozinho, por minha conta, sem auxílio de ninguém, as pessoas não entendem. Esta é mais uma lição aprendida no Sarah: a mobilização passiva. Ela consiste de movimentação dos membros inferiores dentro da amplitude de movimento livre, produzida inteiramente por uma força externa, sem contração muscular voluntária. Ou seja, é a movimentação das pernas, pés e dedos em todos os sentidos possíveis feita pelas mãos.
Quem já esteve no Sarah sabe que esta atividade deve se tornar rotina para os cadeirantes, dada a importância para a manutenção da integridade e elasticidade das articulações e músculos. É importante também para ativar e manter a circulação sanguínea, além de auxiliar na redução dos espasmos. E ainda previne o surgimento de trombose.
As consequências da falta de movimentação dos membros inferiores podem ser terríveis, no Sarah presenciei pacientes cujas pernas não se esticam mais, sendo necessária fisioterapia intensa e gente puxando as pernas ao máximo. A cena é estranha, o paciente sendo segurado por duas pessoas enquanto outras duas puxam suas pernas tentando esticar, e a pessoa urrando de dor.
Mais uma vez fica a lição de não ficar parado. Nem deixar o que está "inativo" sem movimento. Às vezes dá uma preguiça de fazer os exercícios e se mexer no dia a dia, mas para se tornar um hábito é necessário um esforço inicial, pois quando vira rotina a gente faz até sm perceber. Vamos nos mexer!!! Ou como diziam Fucker e Sucker, do casseta e planeta, mexa esse traseiro gordo!!!

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Elevação: precaução necessária


Uma das piores consequências de ser cadeirante é a úlcera de pressão, conhecida como escara. São feridas causadas por pressão não aliviada que resulta em danos aos tecidos. São categorizadas em vários estágios, sendo o primeiro identificado por manchas avermelhadas na pele e o último por perda total de pele, músculos e em alguns casos até do osso.
O grande problema é a falta de sensibilidade, uma pessoa normal que fique sentada várias horas muda de posição várias vezes e em determinado momento não aguenta e se levanta. Como os cadeirantes, principalmente as vítimas de lesão medular, tem pouca ou nenhuma sensibilidade, ficam horas na mesma posição e até dias, o que favorece o aparecimento das escaras. Para os lesados medulares não é só a cadeira que causa escaras, se não houver mudança de decúbito quando deitado os perigos de aparecimento das escaras permanece.
São duas as principais formas de prevenção de escaras: observação e movimentação. Através da observação, de preferência com o auxílio de outra pessoa, o cadeirante identifica locais no corpo que estejam apresentando vermelhidão ou alteração de consistência, prestando maior atenção nas juntas e proeminências ósseas.
A movimentação inclui mudança de decúbito (posição na cama) e mudança de posição na cadeira, incluindo a elevação. Não pretendo me estender na teoria, a maioria dos cadeirante sabe o que é preciso, e quem não souber clique aqui que tem um apanhado completo sobre o assunto.
Meu objetivo aqui, como na maior parte dos posts, é dar dicas sobre o dia a dia e a aplicação das teorias na prática. A mudança na cama deve se tornar um hábito, a pessoa pode começar colocando alarmes, seja em celular, relógio ou rádio-relógio, de três em três horas para fazer a mudança de posição. Esta recomendação é mais utilizada em hospitais e centros de reabilitação, mas com a prática acredito que não há necessidade de ser em tão poucos períodos de tempo. o que sugiro mesmo é a pessoa se acostumar a inciar o sono em várias posições e variar. Não é tão fácil, pois a gente acostuma a dormir em determinada posição que é mais confortável. Aí entra o início do processo, colocando alarmes, a gente acostuma a dormir em outras posições, pois de madrugada, no auge do sono, mesmo que a pessoa fique em uma posição diferente da habitual acaba dormindo novamente pelo cansaço. Outra coisa que pode ajudar é posicionar o alarme um pouco distante da cabeceira, de forma que a pessoa tenha obrigatoriamente que se mexer e mudar de posição para desligá-lo. Claro que não pode ser tão longe que traga perigo de queda.
Quanto à mudança de posição sentado, no dia a dia, para nos acostumarmos a nos movimentar podemos inicialmente nos mirar em alguém e acompanhar a mudança de posição que a pessoa normalmente faz, e a cada duas mudanças da pessoa, ao fazer a terceira realizar a elevação, por um tempo mínimo de 30 segundos. No início demanda atenção, mas depois de um tempo fica automático. Outra opção é pedir a alguém que te lembre de movimentar-se, mas o ideal é fazer por conta própria para virar costume.
Há também um teste que o cadeirante pode pedir a alguém normal que sente-se em sua cadeira por meia hora e diga o que acha desconfortável e se a densidade da espuma está boa. Para garantir a prevenção existem no mercado vários tipos de almofadas complementares, das mais baratas, feitas de gel, até as caríssimas infláveis de borracha. É um investimento que vale a pena, porque uma vez abertas as escaras, o processo de cura é muito lento e complicado.
Eu nunca tive escaras, mas sempre segui as mudanças de decúbito e faço elevações constantemente. Hoje durmo a noite toda sem virar, mas no resto do dia, enquanto estou deitado fico sempre em posição diferente. Importante mesmo é se mexer, não é porque estamos em uma cadeira de rodas que devemos ficar parado!

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