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terça-feira, 27 de setembro de 2022

PORQUE VOTAR 3040 PARA DEPUTADO FEDERAL NO DIA 2 DE OUTUBRO?


Afinal de contas, porque você deve dar seu voto para mim ao invés de qualquer outro candidato a deputado federal? O que faz de mim a melhor opção para te representar no Congresso Nacional?

Eu poderia dizer que é porque não sou político, nunca concorri a nada e nunca fui vereador, prefeito, deputado estadual, nem coisa do tipo, e portanto não tenho rabo preso com ninguém, não estou contaminado pelos esquemas políticos que a maioria dos velhos políticos está. Sou apenas uma pessoa da sociedade civil como você que se cansou de não se ver representado pelos atuais deputados que estão aí e resolveu sair da indignação e partir para a ação, ou seja, se ninguém tem feito o trabalho que eu espero que seja feito, vou eu mesmo fazer isso da forma que a maioria de nós espera, corrigindo, reformando o que está errado e simplificando a vida do cidadão brasileiro.

Poderia também dizer que é porque sou ficha limpa, não uso dinheiro público na campanha, não recebi doação de empresa nenhuma e não devo nada pra ninguém. Só quero dever a você um bom trabalho, um trabalho correto e focado em atuar nos problemas que temos no nosso país e principalmente trazer soluções para que a gente pague menos impostos e tenha mais qualidade de vida.


Poderia também dizer que é porque sou preparado para o cargo, sou formado em administração com pós graduação em Gestão Estratégica, fiz diversos cursos de especialização, como CPA 20, ALM, Mercados Futuros e diversos outros, tenho experiência com gestão de recursos públicos, gestão estratégica, gestão de tesouraria e de patrimônio nas diversas empresas que trabalhei com destaque para a Gasmig e o BDMG, onde estive na tesouraria e na Mesa de Operações. Além disso estudei os processos legislativos da Câmara dos Deputados a fundo enquanto lutava, e ainda luto, pela manutenção e ampliação dos direitos das pessoas com deficiência. Fiz reuniões e lives com deputados, senadores, secretários de estado e outras autoridades pedindo atenção para manutenção dos nossos direitos.

Poderia também dizer que é porque sou apaixonado pelo nosso Estado de Minas Gerais, ao contrários de outras pessoas jamais cogitei sair daqui, e meu maior prazer e contribuir para que o estado evolua e se desenvolva sem deixar de cuidar da qualidade de vida da população.

Além disso tudo, eu poderia dizer que mereço seu voto porque sou pessoa com deficiência, resiliente, lutador, quero provar que minha condição física não me torna menos capaz do que ninguém, muito pelo contrário, por passar por uma tragédia pessoal e dar a volta por cima sou capaz de lidar com qualquer obstáculo com coragem e força de vontade, e não baixo a cabeça por absolutamente nada.

Mas não vou ressaltar nada disso, apesar de serem ótimos argumentos para um candidato a Deputado. Vou dizer principalmente que mereço seu voto porque sei o quanto a vida é difícil nesse país e que sou a pessoa certa para ouvir suas queixas e propor as melhores soluções. E é disso que a gente precisa, boas soluções para nosso país. Porque se tem uma coisa que a vida me ensinou com maestria foi encontrar soluções. E buscar uma vida melhor para nós e nossas famílias. Então, por favor, dia 2 de outubro vote 3040 para deputado federal. Posso contar com você?

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

O Nerd e a Cadeirante

Um Nerd, uma cadeirante, um bebê e uma história de amor!
No post de hoje trago para vocês a linda história de um nerd e de uma cadeirante. E de um bebê muito fofo!!
 
"Olá, me chamo Suellen Gomes Calixto, tenho 28 anos, casada, moro em Taubaté, interior de São Paulo, Paratleta, bacharel em Administração. Aproximadamente aos 4 anos fui diagnosticada com a neuropatia de Charcot Marie Tooth... Andei até os 16 anos...


Minha vida toda me "preparei" psicologicamente pra cadeira de rodas, pois tenho um irmão com o mesmo diagnóstico. Masss a teoria é bemmmm distante da prática rsrs e dos 14 aos 16 anos, onde era nítido q realmente tava perto de pegar a cadeira de rodas, foi difícil, não foi constante, mas não foi nada fácil aceitar isso...evitei ao máximo esse dia kkkk (faz parte) eu era muito rueira, da "baguncinha" rsrs a dificuldade para andar foi chegando e eu fingindo q nada tava acontecendo, saia com as amigas carregada nas costas, de bicicleta e fazia meus pais também me carregarem... até que um dia houve uma situação que não dava para sair sem a cadeira. 

E desde então, percebi quão livre poderia ser... afinal eu dependia muito das pessoas para me locomover. E foi muito melhor ter aceitado logo.


Como eu disse sempre fui meio descolada e era difícil me ver triste e deprimida, mas eu guardava muitos monstros e tristezas por dentro, quem me conheceu via quanto eu era "rebelde", dava de durona para esconder meus sentimentos oprimidos... e ai Jesus se apresentou a mim, me ajudou a matar todos os monstros que viviam escondidos dentro de mim, naqueles lugares de difícil acesso kkkkk na verdade tem me ajudado todos os dias, e me dá uma paz e uma alegria que é impossível de se achar na vida, me presenteou com um marido abençoado e maravilhoso e um filho, dá pra acreditar???? Um filho??? Muito lindo, esperto e saudável por sinal! 🤤😍 Se sou feliz? Muito mais que isso! 


É possível sim ser feliz com poucos movimentos, ou ate mesmo sem braço ou pernas ou sem os dois, porque o que te faz feliz não são membros, mas por experiência própria, a felicidade, a alegria, a paz, e tudo o mais que precisamos, que desejamos para uma vida top de linha, está em Jesus, e acredite: ELE É O ÚNICO QUE PODE MATAR OS MONSTROS QUE NÓS MESMO "ALIMENTAMOS"! Que Ele possa se apresentar a vocês e possam entender que nossa dependência deve estar NELE e não em nossas cadeiras, muletas ou qualquer acessório que nos ajude em nosso dia a dia, ou pessoas que conduzem nossas cadeiras e nos ajudem em algo que nós não fazemos sozinhos, pois sem nenhuma dúvida afirmo: poderíamos ter todos nossos membros funcionando perfeitamente, uma vida estável, mas sem ELE continuaremos com nosso vazio preenchido por sonhos inalcançáveis e monstros escondidos!


E se quiser acompanhar mais de perto, se inscreve lá em nosso canal do YouTube: www.youtube.com/onerdeacadeirante

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Animal silvestre entra em casa de cadeirante e causa confusão

Flagrado na imagem da câmera de segurança
Anoitecia em uma segunda feira tranquila. Eu e minha família nos preparávamos para descansar. Sou cadeirante, e estava na porta da varanda relaxando enquanto minha esposa preparava o banho dos gêmeos Anne e Max, de um ano e nove meses, que brincavam em cima da nossa cama. De repente, ouvimos um estrondo vindo da sala, barulho de coisa caindo e quebrando. Achando que era um dos meninos que havia caído, eu corri para o corredor e encontrei minha esposa assustada, ela achou que eu havia caído da caeira. Mais barulhos vieram da sala, e fomos juntos, lentamente para ver do que se tratava.
O bicho era bem grande e ameaçador
Chegando na sala nos deparamos com uma ave preta enorme, de quase um metro, empoleirada no parapeito da janela, tentando sair mas impedida pela tela de segurança que havia do lado de fora. Imaginamos que se tratava de um urubu. Voltamos correndo para dentro levando as crianças, que haviam nos seguido até o corredor, e nos fechamos no quarto. Usando uma câmera de segurança posicionada na sala, avaliamos a situação pelas imagens que ela transmite para o celular. O bicho, assustado, tentava freneticamente sair. Ele havia entrado pela janela da área que dá na cozinha, e só tem grades paralelas, é a única da casa sem telas. A única saída fora esta janela da área, que estava escura, seria pela porta do quarto que fica no meio do corredor e dá na varanda, mas o bicho precisaria ser espantado nessa direção, atravessar o corredor e o quarto até chegar lá. Como espantá-lo chegando pela frente dele, evitando bicadas ou suas enormes garras? Eu não conseguiria voltar rapidamente, pois precisaria virar a cadeira completamente e tocá-la até o corredor. Minha mulher estava com muito medo de tentar ir até lá.
A gata Christie foi a primeira convocada para espantar o bicho
A primeira ideia que tivemos foi usar a gata da família, que também estava no quarto com a gente. Levamos o corajoso bichano até o fim do corredor, e este, assim que avistou a ave correu em sua direção, e nós corremos de volta para o quarto para acompanhar tudo pela câmera. A gatinha correu e pulou pelos móveis atrás da ave, até que esta encontrou refúgio em cima do bar da sala, inalcançável pela gata. Elaboramos o plano B: minha mulher vestiu um pesado casaco de inverno de couro, calças, e colocou uma bacia verde sobre a cabeça para protegê-la. A ideia era ir até a sala e espantar o bicho para que ele encontrasse uma saída enquanto eu acompanharia tudo pela câmera. Lá foi ela com aquela bacia fashion na cabeça. Chegando à sala, no primeiro movimento brusco, a ave voou novamente para a janela, chocando-se com a tela. Ela voltou correndo para o quarto.
O plano B foi enviar a corajosa Gi com "equipamento"de proteção
Plano C: ligar para o Eustáquio, porteiro do nosso prédio, para pedir ajuda. Como a porta do apartamento estava trancada por dentro, ele teria que entrar no apartamento ao lado, que está vazio, pular da varanda daquele para a varanda do nosso apartamento, e então ir até a sala tentar enxotar o bicho para a cozinha ou de volta para a varanda. Liguei e não consegui contato, o telefone dele estava desligado. Não dava para irmos até a cozinha chamar no interfone por causa do bicho. Aí liguei para meu vizinho Felipe, do andar de baixo, e pedi para ele chamar o Eustáquio e explicar o plano. Alguns minutos se passaram e ouvimos alguém nos chamando, era ele já entrando na nossa varanda. Abri a porta do quarto e encontrei com ele no corredor para explicar a situação e o plano. Se não desse certo, a gente ia chamar os bombeiros.
Como os antigos cavaleiros da Idade Média, Eustáquio tentou espantar o animal com uma varinha e uma bacia!
Armado da bacia verde, ele foi até a sala, onde viu que a ave havia retornado para cima do bar. Achou o bicho muito grande e disse que era um Jacú, e não Urubu. O Eustáquio então teve a brilhante ideia de abrir a porta do apartamento e enxotar o animal para o corredor, e depois assustá-lo pelas escadas até o hall do prédio. Abriu a porta e Felipe, o vizinho, ficou do lado de fora observando. Eustáquio pegou uma vara de pescar, que serve de bandeira para minha handbike, e foi até o bar cutucar a ave para que ela voasse para a porta. Percebendo a dificuldade dele para se aproximar do bicho, gritei que iríamos ligar para os bombeiros. Felipe ouviu e ligou lá da porta, e disse que mandaram ligar para a Polícia Ambiental. Nesse meio tempo eu também estava ligando, e disseram que iam mandar uma viatura. Enquanto aguardávamos, Eustáquio resolveu atiçar o bicho e este voou rapidamente para a porta. Neste momento, Felipe viu aquele bicho enorme indo em sua direção e instintivamente fechou a porta! Sem ter para onde ir, a ave voltou para a janela. Eustáquio em um pulo foi até lá e fechou ele do lado de fora, entre a janela e a tela de segurança. O problema estava parcialmente resolvido! Mas como tirar aquele bicho de lá?
Bombeiros posicionados para capturar o Jacú
Finalmente chegaram os bombeiros! Eustáquio subiu com eles e foram entrando um,dois, três... cinco bombeiros ao todo! Não imaginei que um pássaro precisasse de tanta gente para ser capturado! Um deles usava até equipamento de rapel! Se fosse o caso poderia até descer pelo lado de fora do prédio. Impressionante o profissionalismo e preparação que eles trabalham. Posicionaram-se pela sala de forma a cercar a rota do bicho caso ele voasse, um ficou filmando, e dois deles ficaram nas extremidades da janela. Um tocou de um lado e o outro abriu mais a janela do outro, quando estava quase pegando o bicho deu uma voadora (literalmente) e saiu voando pela sala e foi para a área, passando pela cozinha! Nenhum dos outros conseguiu pegar, mas o cara do rapel foi para a área, tocou de um lado e de outro até encurralar o Jacú no canto da área e finalmente o capturou!
Dominado pelo bombeiro, o animal estava bem assustado
Chegou na sala segurando o Jacú pelas pernas, como fazem com galinhas, e aproveitou para nos dar informações importantes sobre este animal. O Jacú é animal silvestre protegido por lei, sua captura ou criação é crime ambiental e pode dar cadeira! Algumas pessoas criam Jacú e cruzam com galo índio, para gerar o Jacú Índio, que é forte e agressivo, e é usado em rinha de galo. Atividade ainda mais proibida que dá cadeia do mesmo jeito. O bicho deixou algumas penas, várias penugens e um rastro de cocô por todo o ambiente.
Meu querido e raro relógio disco do Legião...
O pior mesmo foi quebrar meu relógio-disco, que fiz com minhas próprias mão usando um disco do Legião Urbana que ganhei na adolescência... Snif... Se alguém tiver contato com este tipo de animal, chame os bombeiros pelo número 193, ou a polícia militar ambiental, se houver na sua cidade, pelo número 190. E se você for cadeirante, fique ainda mais longe deste bicho, ou ele pode furar sua roda! Ou sua pele...

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

A solidão da pessoa com deficiência

*por Dayana Beatriz
Quero falar um pouco sobre a solidão da pessoa com deficiência.A deficiência, seja ela física, mental ou intelectual podem ser fatores que afasta o indivíduo dos modelos padrões estéticos, tornando assim tudo mais difícil. Estamos acostumados com a falta de acessibilidade, mas as dificuldades de convívio serão sempre maiores de se superar.
Vez ou outra aparecem aquelas pessoas que nos dizem: “Que bom que você saiu de casa!”, “Nossa, não sei como você aguenta” (já nem ligo mais kkkkkkk), e somos vistos como exemplo de superação, quando só estamos querendo se distrair, divertir… Na realidade é bem chato ficar ouvindo isso!
Quando é assim há deficientes que preferem não sair de casa, preferindo ficar no seu mundo virtual aonde “todos são aceitos”, “todo mundo é bonzinho”, e acabam se isolando do convívio social. 
A mesma coisa acontece quando há um casal onde um deles é cadeirante, o que é andante se torna herói por conviver com essa pessoa, é muito amável, bonzinho, e com os olhares de fora são pregados rótulos sobre o casal. 
Diante de tantas situações preconceituosas tem que se ter muito amor próprio para não desanimar. Acreditar que você é capaz, tem suas qualidades, investir nelas e não dar ouvidos a essas baboseiras que nos falam rsrs
As pessoas sem deficiência também devem deixar seus preconceitos de lado e tentar ver que no deficiente há muito mais do se vê na aparência, encontrando uma pessoa bacana, garanto que você pode se surpreender!
E digo mais, se isso não acontecer, não desanime. 
“Estar junto de alguém é bom, mas estar bem consigo mesmo é delicioso”

domingo, 3 de maio de 2015

Palestra - Desafios do lesado medular

Contando um pouco da minha história e dos desafios que enfrentei - e enfrento até hoje
No último sábado de abril ministrei a palestra "Lesado Medular - Um desafio a cada dia", que preparei para o II Simpósio Mineiro de Reabilitação em Lesão Medular, no Hotel Royal, aqui em Belo Horizonte. O simpósio foi organizado pelas fisioterapeutas Joyce e Simone, da AquafisioBH, onde faço hidroterapia, e foi voltado para fisioterapeutas e profissionais envolvidos com reabilitação de pessoas que sofreram lesão medular. A ideia da Joyce ao me chamar foi mostrar um pouco dos desafios que uma pessoa com lesão enfrenta, do ponto de vista do próprio paciente.
Antes da lesão, muito esporte, muita festa, muita diversão
Comecei mostrando como era minha vida nos últimos meses antes da lesão, contextualizando minha situação para que entendessem como reagi após o acontecido e como enfrentei - e enfrento até hoje - os desafios do dia a dia. Falei que estava em um momento muito ativo, morava em Floripa, estava só estudando, fazendo mestrado na UFSC, tinha terminado um relacionamento há pouco tempo e fazia esportes todo dia, ia de bike pra universidade e fim de semana fazia trilha no sábado e trekking no domingo - e ainda tinha balada todo fim de semana e praia sempre que dava na telha. Meu fim de semana começava na quinta feira meio dia, que era quando acabava a última aula da semana, e acabava na terça às oito da manhã, quando começava a primeira aula. Enfim, eu estava com a vida que pedi a Deus.
Nas férias, curtindo com os amigos
Chegaram as férias do mestrado e vim para Minas ver os amigos e parentes. Encontrei a família, amigos e ex rolos e namoradas, curti muito. E uma semana antes de voltar as aulas, aconteceu o acidente. Contei como aconteceu, como fui socorrido e o doloroso processo de hospital em hospital, com a reação da família e tudo mais. E, principalmente, como foi minha reação. Sei que sou um caso muito raro, senão único, pois eu tinha tudo para me desesperar, ficar triste e até deprimido, já que minha vida era muito ativa e livre. Mas usei de minha racionalidade e conhecimento para reagir. Pensei: "já está feito o estrago, não posso fazer nada para reverter isto, então preciso comemorar que estou vivo e retomar minha vida o mais rápido possível". E assim fiz. Afinal de contas, a alternativa era muito pior. Eu poderia estar morto.
Após o acidente, no hospital, ainda de bom humor
Vieram os primeiros desafios, após a artrodese que colocou minha coluna no lugar: entender o funcionamento do corpo, os primeiros movimentos, e as coisas básicas, necessidades fisiológicas, banho, sono. E aí uma coisa que assusta muita gente: a cadeira de rodas. Ao contrário de muita gente que não aceita virar cadeirante, ficar "preso" à cadeira de rodas, eu estava doido para ir para a cadeira logo. Afinal, eu já estava de cama há uns quinze dias, por causa da cirurgia. Rodava para todo lado, mas ainda não podia sair. Mais alguns dias e convenci uma enfermeira a me levar para fora do hospital, mesmo sem poder. Foi incrível ver o céu novamente. Aí que fiquei ainda mais ansioso para sair rodando de cadeira de rodas.
Entre os primeiros desafios, as transferências, no início com a tábua do Sarah, depois sem ela
Saindo do hospital, novos desafios. Primeiro, adaptar a casa para mim. Depois, fazer fisioterapia. Já tinha começado no hospital, consegui fazer em casa graças ao programa de Home Care do meu plano de saúde. Com fisioterapia consegui melhorar o controle do corpo, ganhar força e melhorar as transferências. Aí consegui a internação no Sarah, que me trouxe muita informação sobre a vida na cadeira de rodas. Depois disso, dirigir foi o que quis fazer primeiro. Sabia que o carro iria me dar muita autonomia e liberdade. Tirei carteira adaptada, comprei carro adaptado, e aí ninguém mais me segurava. Ia sozinho para a fisioterapia em clínica, voltei ao mestrado e ia sozinho para as aulas, e para onde mais tivesse vontade. Nesse meio tempo, outros desafios surgiram e fui superando, como sair à noite, namorar, praticar esportes, viajar. 
Dirigir foi uma das primeiras coisas que quis voltar a fazer
E claro, para tornar tudo possível, precisei também voltar a trabalhar. Aqui um adendo: muita gente consegue aposentar por invalidez, mesmo em condições de trabalhar, e se acomoda. Acreditem, se a pessoa tem condições, vale muito à pena voltar. E o melhor caminho é concurso público, não há dúvida. Tentei um processo seletivo, fui muito bem nele, mas não fui chamado. Descobri depois que a empresa tinha escadas na entrada. Parece que não quiseram ter o trabalho de adaptar... Percebendo isto, achei que valia a pena tentar concurso. E consegui de primeira. Isso mudou minha vida, e só cheguei onde estou, consegui muita coisa, por ter voltado a trabalhar.
Após vencer os primeiros desafios, quis me desafiar cada vez mais
E então resolvi criar novos desafios, já que consegui superar todos até aquele momento. Corri atrás de tudo que curtia fazer antes da lesão, e mais. Muito mais. Quem acompanha o blog sabe disso. Foi depois da lesão que fiz a primeira grande viagem ao exterior - já tinha ido a outros países vizinhos, mas outros continentes só fui como cadeirante. Pratiquei esportes que sempre quis depois da lesão, conheci muita gente bacana e continuei saindo, viajando e encontrando com amigos sempre que quis - ou melhor, faço isso sempre que quero. Muita gente diz que sou mais ativo que muita gente que anda, e é verdade. Isso tudo apesar do maior desafio que ainda enfrento até hoje após a lesão - a dor. Sofro de dor crônica, muito forte, constante, vinte e quatro horas por dia. E ainda assim faço de tudo.
Ah, claro, contei meu segredo para superar tudo bem e o que me dá força para sempre seguir em frente. Para fechar a palestra, preparei um vídeo que mostra um pouco de tudo que falei. Ficou muito legal, compartilhei nas redes sociais e bombou. Confiram acima! A recepção do público foi ótima, uma das pessoas falou que foi a melhor palestra, fiquei muito satisfeito. 

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Tatiana Rolim

O post de hoje é sobre a Tatiana Rolim, uma das autoras do livro Maria de Rodas, sobre a maternidade de cadeirantes, e autora do livro Meu Andar Sobre Rodas. Tatiana é um grande exemplo de mulher guerreira e atuante, tem muito para nos contar e se dispôs a falar sobre o universo feminino e tirar dúvidas das meninas aqui no blog. Bem vinda Tatiana!

Uma breve apresentação:
Tem horas que fico escolhendo palavras para sintetizar um extenso resumo do que tenho construído minha vida e quando me deparo vejo muitas linhas, muitos parágrafos para descrição de tudo que tenho me tornado nos últimos anos: psicóloga, escritora, consultora em inclusão, autora de livros, capítulos, parceira em blogs, palestrante, mãe e empresária. Mas nem por isto tudo deixo de ser quem realmente sou, uma mulher sonhada, batalhadora que acredita no valor do respeito ao próximo, que acredita na amizade e sobretudo no amor e na família, e tem fé.

Porque você é cadeirante e desde quando?
Às vezes me perguntam se eu não me canso de responder isto. Não, não me canso, porque para cada pergunta e cada forma como é questionada tenho uma resposta. Lembro-me que há 20 anos a mesma pergunta era sempre num tom ofensivo, invasivo, preconceituoso e eu nem bem terminava de responder a pergunta e a pessoa que já tinha uma cara de dó, de coitada, estas coisas da época, que hoje apesar de alguns anos parece que melhorou muito tanto da forma como perguntam como da forma de respondo. Não espaço para cara de dó, piedade e coitadismo. Há uma resposta do olhar da pessoa, de compreensão e respeito, ate porque praticamente quase todo mundo tem um deficiente na família e isto parece mais óbvio quando se pergunta, e já espera a resposta como sendo uma fatalidade, um acidente e não uma maldição como era no passado.
Assim, resumidamente, eu sou cadeirante há 20 anos quando fui atropelada por um caminhão na minha cidade, em Franco da Rocha, na época a empresa TRanscava não me ajudou com nenhum real e diante do processo todo quase inverte a situação. Mas nem por isto deixei de lutar e sobreviver apesar das sequelas. Tenho lesão medular, tive um traumatismo craniano leve, e uma dilaceração no braço direito que foi reconstruído com inúmeros enxertos, hoje sou totalmente independente, ando sobre rodas, como digo no meu primeiro livro: Meu Andar Sobre Rodas.

Que trabalhos você desenvolve atualmente?
Para chegar no atualmente não posso omitir meu passado, iniciei logo depois do meu acidente alguns trabalhos na fundação Casa e também atendia algumas empresas desde 1980 sobre como contratar pessoas com deficiência, com palestras de sensibilização ou apoio no recrutamento e seleção. De lá para cá retomei alguns trabalho com moda inclusiva que fazia antes do acidente com apoio da produtora Fátima Latarulla, isto foi abrindo alguns caminhos que me levaram a conduzir a tocha olímpica de Atenas no Brasil, disto criei uma bonequinha da inclusão e segui outros planos de estudos na área de reabilitação, onde atuei por 10 anos como psicóloga num centro de reabilitação. Fui me consolidando na área clínico com estudos, pos graduações ,especializações da área etc, E mantinha os trabalhos de consultoria e palestras ate que com o nascimento da minha filha optei pelo empreendorismo e assim nasceu a TRinclusao que é uma consultoria para palestras, treinamento, desenvolvimento e vagas para pessoas com deficiência. Matenho a rotina intensa do trabalho na TRinclusao, onde tenho uma sócia que não é pessoa com deficiência e ama oque faz e com isto mantenho meus trabalhos literários, já escrevi outro livro Maria de Rodas, falando da maternidade, gestação e a espera da minha filha. O livro nasceu quando engravidei e em paginas após paginas tinha um livro pronto e convidei mais meninas para a realização do projeto, que graças a elas tomou um rumo nacional. Atualmente escrevo mais 3 livros, e espero conclui-los brevemente e desde na conto com a presença dos colegas do blog, heim. O assunto?? É segredo, vão ter que me acompanhar por aqui...

Quais os principais desafios que você enfrenta?
Apesar de tanto trabalho, a minha vida é igual a de qualquer pessoa com deficiência, em especial que more na periferia de SP, morei alguns anos em sp, onde algumas barreiras eram minimizadas pelo fácil acesso ao metrô, a calçadas menos esburacadas da Av Paulista, mas nem por isto plenamente acessível. Estou de volta a minha terra, em Franco da Rocha depois de 13 anos fora da cidade. E enfrento as mesmas dificuldades da vida de uma pessoa com deficiência. Ônibus sem elevadores ou quando tem elevador não tem manutenção ou quando tem manutenção não tem treinamento para o funcionário, quando tem tudo isto o funcionário é mal educado e assim vai. Recentemente tive uma situação ao ir no supermercado da região: SAITO supermercado, o guichê especial para cliente especial simplesmente o carrinho de compras não passa no vão do caixa. Quem era especial mesmo??? Nem a compra né. Dai tem todo aquele transtorno, meu carrinho nem o carrinho de ninguém passa la, e o povo da gestão sem nenhum preparo, você explica , pede, expõe o problema e a pessoa acha que você esta pedindo um favor. Isto sem dúvidas é desgastante. Sou da era que brigávamos para ter um ônibus acessível, uma calçada rebaixada e agora que temos muito destas conquistas temos que brigar pelo direito ao uso, pelo respeito aos locais reservados e la vai um montão de historias assim ....
Por outro lado, enquanto consultora enfrento as dificuldades de mostrar ao cliente que todas as pessoas com deficiências tem os mesmos direitos a vagas de emprego, e isto tem sido um grande desafio, mas tenho certeza que vamos chegar num grau de sucesso, atingir uma proximidade com a oportunidade de igualdade reconhecida ...

Como você vê as questões da inclusão no Brasil?
É como disse anteriormente, péssimos tempos eram os 10,15, 20 anos que não existiam ônibus adaptados, calçadas acessíveis. Lembro de um vez que eu estava na Avenida Ibirapuera, isso tem uns 18 anos atrás e eu nunca tinha andado de ônibus com elevador. Então, quando eu vi, não perdi a oportunidade, dei sinal e o melhor, ele parou!! Foi incrível, o elevador funcionou, então eu não puder perder a viagem nem sabia para onde ele ia e segui viagem, fui parar no final do terminal Santo Amaro, e para voltar não tinha ônibus adaptado, claro. Hoje vejo a facilidade com que as pessoas podem se locomover sem perder tanto tempo de espera do carro/ônibus, fazer seu trajeto de quase três horas para passar no ponto e levar uma pessoa com deficiência ao seu trajeto. Isto sem dúvidas são ganhos que merecem esta oportunidade de serem citadas aqui no blog, especialmente porque ao meu ver temos outro regresso com isto. Tem pessoas que não querem enfrentar os desafios de hoje para ir em busca de trabalho. Eu gastava cerca de três horas para sair de casa (Franco da Rocha), pegar um ônibus, um trem, um metrô, outro ônibus para um trajeto de quilômetros de distância para trabalhar e estudar. Hoje, quando ligamos da TRinclusao para oferecer vagas para pessoas com deficiência, tem gente que aponta inúmeras dificuldades. Daí reflito: Dificuldade?? O que era então brigar com um motorista de ônibus que não aceitava conduzir cadeirante? E a pessoa diz, eu tenho uma deficiência (um braço a menos) e não aceita ir trabalhar longe de casa... Parece que estamos evoluindo por um caminho e retrocedendo por outro, do comportamento humano, não só pessoas sem deficiência que ocupam vagas reservadas mas também de uma determinada camada da categoria da pessoa com deficiência

Fale um pouco sobre o desafio de ser mãe cadeirante.
Inúmeros, enquanto mãe e mulher separada numa sociedade como a nossa;mas as delicias são tantas que as barreiras se tornam pequenas. Naturalmente que a falta de acessibilidade se torna uma barreira quando por exemplo tive que acompanhar consultas ao pediatra e não pude ir porque o consultório era no piso superior e o cidadão não descia por se julgar estudado demais ate ser denunciado e fazer seu papel profissional de igual pra igual, ou quando certo domingo num parque destes de cidade pequena, fui com minha filha num parquinho, num circo e cai com a cadeira de rodas porque tinha um fio exposto no chão que poderia ter derrubado qualquer um. Ahh, estas coisas são chatas. Mas eu sou atrapalhada mesmo, cairia mesmo que estivesse andando , sabe, mas não custa né, ajeitar o fio considerando a segurança das pessoas. Fora isto o desafio tem sido diário na educação, nos valores diante de uma sociedade da geração funkie sem coca cola.

Como você vislumbra o futuro para as pessoas com deficiência?
Certamente não com robocops como a ciência exibiu a pouco tempo na copa. Eles servirão para outras coisas, terá sua finalidade de alguma forma. Imagino uma sociedade aonde as pessoas poderão ser respeitadas pela sua classe, pela sua cor, pela sua deficiência, assim como quando o garotinho entrou segurando na mão de um dos jogadores usando suas muletinhas mas tinha o cadarço desamarrado e o jogador abaixou-se e arramou. Isto é respeito, é diversidade.

Deixe um recado para todas as pessoas com deficiência.
Bora em frente que tem muita coisa para ser conquistada, emprego, inclusão, amor, acessibilidade , mas não se luta sozinho, temos que ter pessoas que ergam a bandeira da missão e o valor da inclusão.
Tenho super orgulho de ter uma leitora que hoje é uma militante da causa, Claudinha Borge e assim vao nascendo e se criando novos militantes, na minha apesar do pouco recurso de mídia já tínhamos gente bem engajada na causa e hj sou fruto daquela geração e vou deixando caminhos para os próximos, embora eu ainda tenha mais uns 10,20 anos de trabalho por nós pessoas com deficiência 

Tatiana Rolim
www.trinclusao.com.br
Para envio de currículos e vagas de emprego em SP: currículo.trinclusao@gmail.com
"Trabalhamos com palestras, treinamentos e a Inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho valorizando suas competências!"

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Irmãos cadeirantes

Um dos benefícios de criar este blog é a possibilidade de trocar experiências com outros cadeirantes e pessoas interessadas em assuntos afins. Há algum tempo conheci dois irmãos cadeirantes, moradores de Guaxupé, interior de Minas. Me interessei pela história deles e bati muito papo com a Roberta, caçula da família. Ela também é blogueira, posta sobre moda e beleza no blog "Make sobre rodas" e o irmão dela, Marcos, trabalha na Cooxupé e curte fotos e vídeo. Eles fizeram uma matéria sobre a acessibilidade em Guaxupé, e até uma campanha para melhorá-la, e deu certo! Belo exemplo. Convidei-os para uma entrevista, que segue abaixo.
- Qual o nome e idade de vocês?
Roberta, 22 anos e Marcos Paulo, 28 anos.
- Por que motivo estão em cadeira de rodas?
Nós nascemos com uma doença chamada Amiotrofia Espinhal, que é degenerativa e de origem genética. Essa doença nada mais é do que o enfraquecimento muscular, que nos impede de fazer algumas atividades que uma pessoa “normal” faria.
- O que vocês fazem no dia a dia?
Nós dois trabalhamos normalmente, sendo necessário apenas algumas adaptações no serviço. Eu estou cursando faculdade de Administração de empresas e meu irmão já é formado em Pedagogia.
Marcos e Roberta entre os pais
- E em fins de semana, para se divertir?
Nos finais de semana a gente adora sair com os amigos. Sempre vamos a algum barzinho ou qualquer lugar que seja mais tranquilo.. Rsrs  Também viajamos bastante!!
- Tem algum hobbie?
O meu hobbie é blogar e assistir seriados. Sou fanática por Dr. House e Gossip Girl.. Rsrs   Já o meu irmão adora ouvir uma música alta. Rsrs
- Como é a acessibilidade na cidade de vocês?
Na verdade nós não temos muito o que reclamar da acessibilidade daqui, mas isso graças a uma campanha que nós iniciamos junto com nosso pai. Há mais ou menos sete anos atrás, a gente saía todos os dias entregando panfleto para os comerciantes da cidade, a fim de conscientizá-los para que eles fizessem uma rampa de acesso. Claro que isso é uma obrigação e não tinha nem que ser pedido, mas pelo menos funcionou.. Nós também infernizamos (literalmente) o prefeito da cidade, para que ele mandasse fazer rampa em todas as esquinas, pelo menos da área central da cidade. Depois de muitos anos lutando com os comerciantes e com o prefeito, hoje podemos dizer que temos uma cidade 70% acessível!!
- Quais as maiores dificuldades que encontram?
Com certeza é o preconceito!! Infelizmente, aqui na minha cidade ou em qualquer outro lugar, isso ainda existe. Sentimos muita dificuldade na hora de fazer amigos, principalmente.
- Contem sobre as vantagens e desvantagens de serem irmãos cadeirantes.
Eu não vejo nenhuma desvantagem e, pra falar a verdade eu até gosto de ter um companheiro para compartilhar dos mesmos sentimentos que eu, afinal, nós estamos na mesma situação.. (Espero que meu irmão pense da mesma forma que eu, rsrs).  Eu só acho engraçado quando alguém pergunta se somos irmãos gêmeos ou se somos namorados.. Não é porque temos o mesmo problema que temos que ser gêmeos e também não é porque somos cadeirantes que temos que namorar um cadeirante. Rs

domingo, 11 de agosto de 2013

É incrível falar de si mesmo

Uma cadeirante de fibra!
O post de hoje vem da Débora Borsoli, do blog inPerfeitas. Conheci essa bela paulista pela internet, quando estava criando o blog juntamente com a Luciana e a Wivian, e nos tornamos amigos. Uma reflexão muito bem elaborada e emocionante, agradeço pela contribuição! E acompanhem o blog delas é excelente!
"É incrível falar de si mesmo. E mais incrível ainda é como possuímos o poder de mudanças e adaptações. Como as circunstancias mudam, como a vida muda em um curto espaço de tempo. A ultima vez que contei minha história, tem pouco menos de 1 ano, foi quando resolvemos fazer o blog. Hoje, sou outra mulher, com aquela história, porém com outra visão e experiência de vida. Meu nome é Débora, tenho 27 anos, curso faculdade de Ciências Contábeis, tenho um blog chamado inPerfeitas (http://dminperfeitas.blogspot.com.br/), e sou portadora de Distrofia Muscular.  O Alê nos cedeu um espaço aqui no blog dele, para que uma vez por mês possamos contribuir com uma matéria diferente, achei que contar minha história na primeira matéria, seria interessante. 
Ela é modelo nas horas vagas!
O início de tudo foi quando eu tinha 11 anos, e alguns sintomas começaram a aparecer. Apesar de meu pai ser portador, acreditavam que eu poderia não ser portadora, por ainda não ter apresentado os sintomas. Fomos até a USP fazer o exame de DNA, e comprovou o que já desconfiávamos, eu também era portadora da Distrofia Muscular. Para uma criança de 11 anos, era difícil entender do que se tratava, então eu não senti diferença na maneira de viver. Quando fiz 13 anos, os sintomas começaram a aumentar, e as coisas foram ficando um pouco mais difíceis: os olhares de algumas pessoas, a maneira de me tratar de algumas pessoas, e, nessa idade, a rebeldia aparece, e comigo não foi diferente. De certa forma me vi perdida, porém sempre tive o apoio de toda a minha família, que sempre foi o meu porto seguro. Começaram os tratamentos com natação, depois hidroterapia. Eu tentava agir de uma maneira normal, e eu me considerava “normal” diante de tudo. O tempo foi passando, eu tinha uma vida normal, pelo menos do meu ponto de vista, eu tinha. Eu tinha um pouco de dificuldade para caminhar, e acabei deixando de fazer algumas coisas, como: ir ao shopping, mercados e outros lugares que tivesse que caminhar muito. Acabei deixando passar o tempo, e hoje vejo que poderia ter sido diferente se eu tivesse começado a usar a cadeira de rodas antes. 
Um exemplo de vida.
Hoje com 27 anos, eu caminho, sou independente, curso a faculdade e faço muitas outras coisas.  Mas o mais legal, eu aceitei a cadeira de rodas, e apesar de não precisar usar ela para muitas coisas, ela me trouxe liberdade, me trouxe o gostinho de ir a lugares que eu não poderia ir, pois me cansava demais. Existem coisas que acontecem e não sabemos o motivo, e ficamos tentando entender. Nos aceitar e nos amar é algo que devemos aprender, independente de nossa condição física. A vida fica muito mais gostosa e leve depois que conseguimos olhar para trás, e ver que nossas experiências nos transformam, nos transformam no melhor que podemos ser e podemos fazer. Eu nunca imaginava andar em uma cadeira de rodas, hoje isso não passa apenas de um acessório para me ajudar a me comover e ir a lugares que gosto. É normal, eu me olho e não vejo uma cadeira, me olho e vejo uma mulher. Costumo dizer que a felicidade é algo que buscamos, e ser feliz é para os corajosos, pois felicidade requer esforço, requer olhar a vida com os olhos do coração.  Algumas situações fogem do nosso alcance, como uma doença, um acidente. Seja feliz, busque sonhos e conquistas. A vida esta ai para ser vivida, independente de nossa condição."

sábado, 27 de julho de 2013

Autoestima x Deficiência

Você se aceita como é?
Mais um excelente texto da Patty Lorete, em sua segunda contribuição aqui no blog. Obrigado Patty!
"É fato que muitos têm problema com a sua imagem; no entanto, quando falamos da pessoa com deficiência, a coisa piora bastante. Ter um corpo fora do padrão instituído como belo e aceitável, não é nada fácil! Encarar olhares que dizem que somos diferentes da maioria costuma incomodar. Mas... será que esse olhar, que nos destaca, é sempre de reprovação? Será que nunca nos olham com admiração? Sendo bem realista... Acontecem os dois tipos de olhares. Afinal, não adianta tapar o sol com a peneira, o preconceito existe.
O que precisamos fazer é filtrar as mensagens que recebemos e reter o que for agradável, o que acrescenta. Porém, não conseguiremos realizar este processo se não tivermos uma boa autoestima que, segundo Sedikides & Gregg (2003), é a avaliação subjetiva que uma pessoa faz de si mesma, como sendo intrinsecamente positiva ou negativa, em algum grau.
Então, para que eu consiga viver bem com a minha imagem e não me importar com o estigma que, muitas vezes, recai sobre mim, é só me dar valor, é isso? Hum... interessante! Mas é fácil? Não, não é!
O problema é que alguns deficientes insistem em acreditar nos pensamentos alheios negativos a nosso respeito – e nos seus próprios - e passam a enxergá-los como verdadeiros, incorporando uma vida sem graça, pra baixo, desanimada, sem sentido! 
A baixa autoestima inibe nosso potencial e prejudica o convívio social. Aí, depois reclamamos que não temos amigos, que não saímos de casa, que ninguém gosta da gente e...blá, blá, blá...! Na verdade este tipo de comportamento acaba por criar um círculo vicioso. O deficiente se mostra como o coitadinho, injustiçado, o enclausurado. E a sociedade acaba por acreditar que realmente somos assim.
O deficiente esquece que, em todo tempo, “vendemos” uma imagem. E, qual é a nossa vitrine, o que queremos ou estamos mostrando? 
Saiba que, se quisermos ter uma boa autoestima e, consequentemente, vivermos bem com os outros e, principalmente conosco, não podemos desassociar autoestima de autoaceitação, que é: A ação de aceitar a própria forma de ser, os próprios defeitos, qualidades, etc... 
Portanto, entenda, para ser visto pelo que se é, na essência, e não somente por ter um corpo diferente ou fora da simetria tão cultuada nos dias atuais... ACEITE – SE! Goste (ou aprenda a gostar) do seu corpo, do seu nariz, do cabelo, do pé, enfim... se goste do jeitinho que você é. E, por favor, esqueça esta bobagem de normalidade social. Acredite, a normalidade é um fantasma, isto não existe!"

quinta-feira, 18 de julho de 2013

INCLUSÃO - por Patty Lorete

O texto abaixo foi escrito pela Patty Lorete, cadeirante de São Gonçalo, no Rio de Janeiro, que nos traz uma reflexão sobre o que é inclusão de verdade. Excelente a reflexão que ela busca e a avalição sobre o que de fato entendemos como inclusão. Agradeço a participação no blog!
"Dizem... estamos vivendo a era da inclusão (será?). É, não podemos negar que é um dos termos mais falados do momento, que, de acordo com o dicionário, é: Ato ou efeito de incluir, inserir, pôr, colocar para dentro, compreender, tornar parte de. 
Um monte de leis que a visam têm sido criadas. Que bom! Elas são, sem dúvida, necessárias e importantes (quando cumpridas), dentro de uma sociedade que ainda não convive tão harmoniosamente com a diferença. No entanto, muitos acham que estão fazendo um ato de caridade aos “coitadinhos” excluídos. Ahhh, fico até comovida com tamanha generosidade! rsrs...
A política de inclusão não é favor, pois, ao abrirem escolas, cinemas, teatros, faculdades, museus, para receber os que estão à margem da sociedade, na verdade, estão promovendo inclusão a eles mesmos. Afinal, se os chamados normais estão segregados e, se é fato que a pluralidade é enriquecedora, então todos saem ganhando com a inclusão. É a inclusão inversa? Sei lá, pode ser!
Acho engraçado... de uma forma geral, ao ouvirmos a palavra inclusão, imediatamente a associamos ao mundo da deficiência. Mas, será que só os def’s precisamos ser incluídos? Só a minoria precisa? Não, não mesmo!
Na realidade, se a minoria fosse mesmo o critério, nós, deficientes, nem seríamos tão beneficiados assim. No último Censo, falou-se algo em torno de 25 milhões. Mas...você acredita nesse número? Eu não... A recenseadora não perguntou se aqui em casa havia alguma pessoa com deficiência. Fiquei de fora, menos um. É a tal da pesquisa por amostragem, que não consigo entender nem por um decreto. Aff!
Mas isso é assunto para outro dia, voltando...
Inclusão é se importar, respeitar, valorizar a todos. Dos superdotados aos que têm dificuldade de aprendizagem. Dos sem limitações (visíveis) aos tetraplégicos. Dos índios aos loiros de olhos azuis. Dos analfabetos aos que são P.H.D.
Precisamos entender que incluir, vai muito além de colocar um deficiente em uma escola regular, inserir o negro ao ensino superior, criar novos métodos educacionais, para atender às necessidades individuais. Inclusão é a soma de valores e experiências. Mas, ela só é verdadeira quando conseguimos criar uma consciência de respeito e aceitação à diversidade. Quando se remove o conceito padrão de normalidade. Quando a cor da pele, a condição física, a idade, a altura, o peso, forem vistos como detalhes.
Enfim... quando conseguirmos colocar “todos juntos e misturados”, aí sim, estaremos vivendo a era da inclusão, de fato!"

sábado, 16 de março de 2013

Soltando os monstros

Cris Côrrea em meio aos seus monstrinhos
Quando a pessoa sofre um acidente e tem a vida transformada por uma sequela grave que tira os movimentos, e passa a conviver com uma limitação que necessita uma cadeira de rodas para se locomover, o baque psicológico geralmente é grande. Para lidar com isso, muita gente se isola do mundo, fica mal humorado, se revolta e perde a alegria de viver. E então cria vários monstros em sua cabeça, se acha a pior pessoa do mundo, acha que todo mundo está contra ela, vê preconceito em tudo e fica imaginando um monte de coisa ruim.
O caso da Cris Côrrea, de Registro, em São Paulo, é diferente. Ela também criou vários monstros, mas ao invés de guardar para si mesma, ela vende! São monstrinhos de pelúcia feitos por ela mesma, vendidos através da sua empresa, a Maenga Toys, e conta abaixo sua história.
Monstrinhos do bem!
"Aos 17 sofri um acidente de carro, onde fraturei uma vértebra e por consequência fiquei paraplégica – e, desde então, sou cadeirante. Mudou tudo na minha vida a partir do ocorrido. Tive um período de adaptação, até redescobrir uma maneira de seguir em frente e continuar a viver como todo mundo, entre qualidades e limitações.
Quando pequena, eu ficava olhando minha mãe costurar, mas na hora de colocar as mãos na máquina, não dava muito certo. Bom, se antes eu já não dava conta, depois do acidente nem sequer passava pela minha cabeça tentar. Até mesmo porque para costurar você usa os pés, o que no meu caso não iria dar. Então, no início do projeto eu cortava os bonecos e pedia à minha mãe que costurasse para mim, mas ela tinha as coisas dela pra fazer e minhas coisas acabavam ficando de lado. Foi também nesse período que conheci a toy art pela internet e fiquei louca, apaixonada! Era exatamente a forma que eu precisava para expressar minhas idéias, tinha – e tem – tudo a ver comigo: o gosto pelo bizarro, diferente, incomum sempre fez parte da minha personalidade. Logo, a idéia de poder criar algo que expressa isso me cativou. Foi quando comecei a criar ‘monstrinhos’.
O principal canal de divulgação do meu trabalho sempre foi, e ainda é, a internet. Pela facilidade de acesso e por atingir qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo.
A dica pra quem gosta de costura é, primeiro, não ter preguiça de desmanchar costura. Depois, não desistir e insistir sempre, porque perdendo o medo de arriscar você acerta, mesmo que não seja de primeira, uma hora de tanto insistir dá certo. O importante é não parar de tentar. Já para os fãs de toy art, a dica é acreditar na criatividade e investir na originalidade. Não existe arte que não encontre seus admiradores, pois beleza depende do ponto de vista.”
Esse é um belo exemplo de pegar um problema e transformar em oportunidade, além de gerar uma ocupação e fonte de renda. Como diz o ditado, "se a vida te der limões, pegue açúcar, gelo e pinga, e faça uma bela caipirinha!"

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

inPerfeitas

"Somos três mulheres em fases diferentes da vida. Débora contabilista, Wivian pós-graduada em recursos humanos e Luciana cursando doutorado em Engenharia Química na área ambiental, porém com algo em comum que nos uniu na construção desse blog, temos Distrofia muscular (doença neurológica que acomete os músculos) e que apesar de algumas “limitações” vivemos plenamente e encaramos todos os desafios diários com coragem e determinação."
Débora
Assim são dadas as boas vindas a quem visita o blog inPerfeitas. São histórias e desafios de três belas jovens que tem uma coisa em comum: a distrofia muscular. Ela é mais um motivo que leva pessoas com pouca idade para uma cadeira de rodas. Nem todos que a tem precisam usar cadeira, às vezes a muleta resolve. Mas independente da limitação, encaram os mesmos problemas: preconceito, falta de acessibilidade, e tantos outros que uma sociedade que ainda não está preparada para ser igualitária oferece. E é só o que pedimos: igualdade.
Wivian
O blog das meninas vem para agregar em um universo carente de informação e histórias de vida. Quando encaramos um problema pessoal grave, delicado, recorrer a médicos e profissionais de saúde é muito importante, mas eles não nos tiram dúvidas que só quem passa pelo mesmo tipo de situação. Dúvidas sobre situações cotidianas, tarefas domésticas, relacionamento, detalhes íntimos... Felizmente hoje há essa ferramenta fantástica, a internet, que possibilita a qualquer pessoa com uma conexão expor suas ideias, problemas, experiências, expectativas e conhecimentos. Essa troca de informações é fundamental para quem enfrenta uma situação complexa em um mundo cheio de obstáculos e dificuldades. 
Luciana
Sem contar que a união faz a força, quanto mais gente expor os problemas enfrentados e cobrar mais acessibilidade e respeito, mais perto chegaremos de um mundo em que todos, deficientes ou não, tenham uma vida mais feliz e mais digna.
Desejo todo o sucesso para essas meninas corajosas e animadas que enfrentam o mundo de peito aberto e sem medo de ser feliz! Acompanhem as postagens e histórias delas, garanto que valerá à pena!
http://dminperfeitas.blogspot.com.br/

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Caminhar

Pouco depois que criei o blog, em 2009, buscando novidades sobre tratamentos para lesados medulares, encontrei o Project Walk, uma organização americana que utiliza o Método Darzinski, que propõe recuperar movimentos em lesados medulares através de exercícios físicos intensos, e assim melhorar a qualidade de vida de seus pacientes. Mandei um e-mail para eles questionando um pouco mais sobre o método e como poderia me tratar, e me enviaram mais informações, mas uma má notícia: eu teria que me internar na clínica deles lá nos Estados Unidos, pois não havia representantes no Brasil.
Alguns meses depois, conheci a Fernanda Fontenele, que foi a primeira a trazer o Project Walk para o Brasil pela Acreditando, em São Paulo. Participei até de uma reportagem da Folha Universal que falava sobre ela e o projeto em 2010. E depois de alguns tempo descobri outra franquia do projeto no Brasil, a Caminhar. Eles estão baseados em Brasília/DF, Achei muito bacana ter gente investindo nisso no Brasil, mas sempre quis conhecer alguém que estivesse passando pelo tratamento, para saber as impressões e resultados. Eis que há alguns dias conheci um paciente deles, o Rafael, que é leitor do blog e me mandou alguns e-mails contando sua experiência lá. Com autorização da clínica, reproduzo aqui o relato e fotos do Rafael fazendo exercícios lá.
Rafael se contorcendo
"Descobri o Project Walk desde que lesionei a minha medula, no meu caso sofri um assalto em casa e mesmo sem esboçar reação acabei sendo alvejado por um tiro de 22 que perfurou meu pulmão e a bala acabou alojando na minha coluna, consequentemente minha medula foi lesionada, passei pela cirurgia para fixação e estabilização da coluna e minha lesão é alta, T3 a T5...
Fazendo força, com apoio
Mas como em São Luís e tem hospital da Rede Sarah, fiquei por lá para ver o que ia acontecer. Junto ao tratamento no Sarah fiz sessões de fisioterapia e de terapia ocupacional, além de massagem e toda a sorte de tratamento que se pode imaginar, e assim vi que em São Luís todos os recursos que tinham eu já tinha usado e foi quando me recordei do Project Walk, sempre me interessei pelo método e assim entrei em contato com as duas clinicas que são certificadas pela rede norte-americana, aqui em Brasília e em São Paulo, meus pais conheceram a clinica aqui de Brasília e gostaram do que viram, uma das sócias chama-se Karen e é cadeirante também, foi ela quem atendeu aos meus pais e assim ela me passou a lista de exames que eu teria que apresentar.
Rafael ajoelhado se segurando
Fiz todos os exames e estava apto a participar do projeto, assim marcamos a minha primeira aula, que é uma demonstração de como funciona e de como é o tratamento, e para a minha surpresa depois de alguns exercícios eles me colocaram em pé, imagina a emoção: eu com um ano e um mês de lesão nunca tinha cogitado em ficar em pé e não é que eu estava ali em pé...
Ainda bem que é mulher segurando...
Deste modo já fiz minha inscrição, só que tenho família e uma vida em São Luís, tenho dois filhos, o Leonardo de 1 ano e 10 meses e o Gustavo que esta hoje com 5 meses, se tivesse passado dessa pra melhor nem saberia que era papai novamente, pois na época dos fatos não sabíamos que minha esposa estava grávida...
Fazendo exercícios para o tronco e equilíbrio
Resolvi optar por Brasília pelo fato de ser mais fácil de ir ver os meninos, e estou aqui desde o dia 17 de Setembro. Faz poucos dias que eu comecei na clínica, mas já tenho sentido algumas melhoras, minha postura na cadeira de rodas melhorou muito, minha respiração e estou trabalhando músculos que eu ate tinha esquecido que faziam parte do meu corpo... o tratamento é longo e desgastante, mas toda aula vemos resultados, eu ia fazer somente três sessões por semana de duas horas cada, mas depois de conversar com os terapeutas chegamos a conclusão que eu e minha musculatura conseguiríamos aguentar uma carga de quatro vezes por semana duas horas cada sessão...
Segura aí garoto!
Semana passada já fiz ate bicicleta, chego em casa moído de cansaço, mas feliz pois todos os dias vejo alguma melhora, se eu repito um exercício de um dia para o outro já vejo que está melhor essas coisas. Tenho os videos postados no meu facebook, se quiserem dar uma olhada procurem por Rafael Fernandes Marajó"
Pedala Robinho! Ou melhor, Rafael...
Obrigado ao Rafael pelo relato e ao centro de reabilitação Caminhar por autorizar a publicação. Na minha opinião, é um método válido para quem busca melhorar a qualidade de vida e ter mais independência. Eu sempre investi em exercícios para melhorar a firmeza do quadril e habilidade em me virar, e hoje faço coisas que poucos lesados medulares altos (a minha foi em T2) conseguem, como me equilibrar em um banquinho, transferir para lugares bem mais altos e até fazer abdominais eu já consigo. Fica a dica!

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Meninas sobre rodas

Adriana Lage
Atendendo a uma solicitação feita em um post há alguns dias, resolvi fazer um post sobre algumas necessidades e situações que as mulheres cadeirantes enfrentam. Para isto, contei com a preciosa ajuda da Laura Martins, do blog A Cadeira Voadora, e da Adriana Lage, que escreve na Rede Saci. Minhas principais dúvidas eram em relação a dia a dia, utilização de banheiro, menstruação e vaidade. As duas são muito bonitas, estão sempre arrumadas e me tiraram muitas dúvidas. A Adriana é tetraplégica, com lesão no nível C5, e a Laura é paraparética, devido a uma mielite.
Laura Martins
Vamos às dicas: 
- Dia a dia:
Tetraplégicas geralmente precisam de ajuda para se transferir da cadeira e vestir roupas. A dica é se vestir deitada, facilita. Para a higiene, utilizar sabonete íntimo, lenços próprios para a região e hidratantes e óleos no corpo, sobretudo no bumbum, o que ajuda a prevenir as escaras. Além disso, é bom usar apenas calcinhas menores, de tecido macio e confortável, não necessariamente algodão, que possuam apenas uma ou duas tirinhas nas laterais (estilo 'periguete'). Elas são facílimas de retirar, mesmo para quem tem pouquíssima força nos braços. Se depilar constantemente facilita a vida, pois quanto menos pelo, melhor. A Adriana optou pela depilação a laser nas pernas - já que ela faz natação e adora usar vestidos - virilha completa, axila, coxas, etc. Fica mais fácil cuidar de um corpo sem pelos e é bem mais bonito esteticamente  falando.

- Menstruação:
Para controlá-la com mais precisão e evitar surpresas, uma dica é tomar pílula, que ajuda a diminuir os sintomas da TPM e manter o fluxo menstrual regular. Assim que termina a cartela, a menstruação chega no 5º dia sem a pílula, e a partir daí é só usar absorvente, como qualquer mulher, e trocar a cada ida ao banheiro, evitando usar roupas claras nesse período. Para amenizar os sintomas da TPM, a Adriana recomenda comer muito brócolis no período (essa eu não sabia). Quando pintam cólicas menstruais, ela  aproveita para nadar ou se exercitar. Assim, com movimento, elas passam logo.

- Banheiro:
As duas tem algum controle de esfíncter e não fazem cateterismo, mas a Laura não consegue prender por muito tempo, por isso o banheiro para ela é fundamental. Se não houver um adaptado, é preciso usar um absorvente para prevenir escape. Ou, então, não beber, ou ficar pouco tempo no local. Uma situação que ela acha complicada é o famigerado assento sanitário com abertura frontal. Com a dificuldade de equilíbrio e de controle muscular, pode acontecer, por exemplo, de a perna não conseguir ficar bem posicionada e escapar para a abertura. Como conseguir fazer suas necessidades tendo que se equilibrar sobre um assento? E, na opinião dela, um dos grandes dramas das meninas que não fazem cateterismo é ter de se sentar num vaso sanitário emporcalhado pelas outras representantes do sexo feminino que não aprenderam regras de boa educação. Isso é duro! Algumas fazem xixi de pé e respingam tudo com urina. Eca!! Outras sobem no vaso e sujam o assento com seus sapatos!! Inacreditável, mas é verdade.

- Beleza:
Vale ressaltar que dá para aliar beleza, sensualidade e praticidade. Por exemplo, dá pra ter unhas grandes e bonitas e colocar lente de contato sozinha ou fazer a higiene sem arrancar pedaço de nada. As unhas afiadas servem como armas! Tanto de sedução quanto de defesa, em caso de gracinhas não desejadas. Nessa semana a Adriana publicou na Rede Saci um texto sobre violência contra a mulher. Nele, abordou temas como estupro de vulnerável, casos de violência contra mulheres deficientes, alguns cuidados que ela toma, etc.

- Sexo:
Em caso de relações sexuais, as mulheres cadeirantes não tem os mesmo problemas que os homens. Querendo ou não, a participação delas na história é mais passiva. Dá para ter orgasmos e experimentar várias posições se o parceiro puder ajudar. Sempre lembrando da camisinha aliada a outro método anticoncepcional e de um critério na escolha do parceiro. Dá, inclusive, para fazer muita coisa interessante na cadeira de rodas!

Espero que tenham gostado das dicas, e se puderem contribuir com mais nos comentários, fiquem à vontade. E desculpem não ter publicado nada antes, pois nesse quesito, eu sou leigo. Ou melhor, era!

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