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sexta-feira, 27 de julho de 2018

Banco do Brasil, complicando a vida do cadeirante

Tem elevador, mas tem que chamar alguém para liberar, isso quando funciona
Todo cadeirante brasileiro passa raiva com acessibilidade em algum momento da vida. Ou todo dia, se for muito ativo e sair de casa com frequência. Logo que criei o blog, aproveitei esta ferramenta para colocar a boca no trombone, toda vez que esbarrava com falta de acessibilidade eu tirava foto, fazia uma postagem no blog, enviava e-mail para os responsáveis, ou para o órgão competente quando era prédio público, e fazia de tudo para que mudassem a situação e garantissem a acessibilidade. Consegui muitas mudanças desta forma, de restaurantes a shoppings. Mas com o tempo me acomodei. Só que uma "empresa" em especial tem me feito passar raiva continuamente: o Banco do Brasil.
Logo ele, que se define como o banco dos brasileiros, um órgão de economia mista com participação do governo em quase 70% de suas ações. Praticamente um órgão público. E tem pecado muito em acessibilidade. Em várias agências. A primeira vez que passei raiva com o Banco do Brasil publiquei aqui no blog, clique aqui para ver a postagem. Depois disso, ao ser admitido no BDMG, transferi minha agência para a da Rua da Bahia, 1479, e qual foi minha surpresa ao chegar na agência e descobrir que a mesma não tem acesso para cadeirantes. Para chegar aos caixas há uma grande escadaria, e até tem elevador, mas está quebrado há anos (da última vez que estive lá, ainda estava quebrado).
Outra agência que sempre me dá problemas é a do meu bairro, na Av. Mario Werneck, 1893. Tem uma escadaria na porta e um elevador na lateral. No início, toda vez que eu precisava usar o elevador, era necessário chamar uma pessoa de dentro da agência para liberar ele. O argumento era que se ficasse destravado, pessoas iriam utilizar sem necessidade. Acontece que bem em frente ao elevador está a recepção de uma academia. Portanto, gente para ficar de olho o dia inteiro, tem. Depois de um tempo, ele passou a ficar destrancado. Só que, quando eu precisava utilizar, ele estava quebrado. Aconteceu de novo este mês. Precisei ir ao banco para habilitar o celular na máquina, formatei ele e quando isso acontece é preciso seguir alguns passos e ir a um caixa eletrônico liberar o aparelho. Cheguei à agência e o elevador não funcionou. Não sabia se estava bloqueado ou quebrado, pedi à minha ajudante para ir lá dentro chamar alguém. Aí já está errado, precisar de uma pessoa para ir chamar alguém. E se eu estivesse sozinho? Vieram duas pessoas, tentaram, tentaram e concluíram que o elevador estava quebrado. Como eu precisava ir lá dentro, perguntei por uma solução e se ofereceram para me levar escada acima, e como eu precisava muito ir ao banco para tirar dinheiro e habilitar meu celular, aceitei.
Não sabiam nem como lidar com a cadeira. Tive que explicar que era mais fácil subir de costas, uma pessoa levando atrás e a outra fazendo a segurança na frente. E assim foi feito, me levaram escada acima meio sem jeito, com insegurança, balançando muito, mas cheguei inteiro lá em cima. Fui resolver o que tinha para resolver, e na hora de ir embora, foi preciso chamar novamente a ajuda, que demorou uns dez minutos. Expliquei novamente como seria mais seguro para mim e com bastante medo fui levado escada abaixo.
Agência da Raja Gabaglia 1725, mais uma sem acessibilidade (foto do Google Maps, não tirei foto no dia)
Acha que acabou? Infelizmente não. Mais uma agência sem acessibilidade é a da Av. Raja Gabaglia, 1725. Precisei pagar um título com urgência, e precisava ser na boca do caixa. Como já estou cansado de passar raiva e correr risco na agência do bairro Buritis, achei que se rodasse um pouco de carro, apesar do transtorno de colocar e tirar a cadeira do carro, seria melhor atendido. Procurei outra agência próxima e me deparei com a agência citada. Fui até lá e o primeiro problema foi a vaga de deficiente que há em frente à agência, estava ocupada. Precisei deixar o carro na rua paralela, voltar rodando e enfim chegar ao destino. Chegando lá, com o que me deparo? Outra escada. E a impossibilidade de acessar os caixas. Conversei com um atendente, que chamou um funcionário, que explicou que não tinha como acessar o caixa, e ele chamou outra pessoa, que me deu a solução: escrever minha senha em um papel para que ela fosse ao caixa pagar o título que tinha em mãos. Apesar do risco da operação, precisava fazer o pagamento e estava cansado e com muita dor para sair procurando outra agência. Escrevi a senha, entreguei o boleto e o cartão, e fiquei esperando no andar de baixo. A pessoa foi, pagou e voltou. E eu voltei para casa.
Estou para escrever este post há uns quatro anos. Só que não gosto de ser o reclamão, que vive chorando nas redes sociais devido ao mundo cruel em que vive. Só que paciência tem limite. Cada vez que passava raiva, escrevia um pouco. E hoje resolvi publicar, não só para reclamar, mas para denunciar: que banco é esse que se diz "valioso para mim" e que não atende a todos com as necessidades de cada um? 

sexta-feira, 28 de julho de 2017

A importância da NBR nas Reformas de Casas e Apartamentos

Vai reformar? Siga as normas!
Reformar, muitas vezes altera a estrutura do imóvel. Uma coluna retirada indevidamente causa danos ao local e às pessoas. Mas, a corriqueira instalação de portas e janelas, por exemplo, também pode modificar a edificação. Por isso a importância da NBR nas reformas de casas e apartamentos. Pretende reformar? Leia esse artigo para conhecer os principais aspectos da norma que rege essas reformas.

O que é uma NBR?

NBR significa “Norma Brasileira” e representa um grupo de características ou orientações a cerca de processos, produtos ou materiais. As NBR’s são elaboradas pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), entidade privada e única representante da ISO (International Organization for Standardization) no Brasil.


Entenda a NBR 16820

A ABNT NBR 16820 surgiu em 2014, para evitar tragédias como a ocorrida em 2012, após o desabamento de um prédio no centro do Rio de Janeiro. O problema foi devido uma reforma sem acompanhamento técnico, onde paredes estruturais e paredes externas foram removidas. Foram 17 vítimas fatais.
Essa norma torna obrigatória um Laudo de Reforma, elaborado por engenheiro ou arquiteto. O documento traz informações de quais procedimentos serão realizados, equipamentos protetivos para trabalhadores e vizinhança, documentação, registros pré e pós-reforma, além de especificaras responsabilidades do proprietário. Em setembro de 2015, a NBR 16280 reforma ganhou uma atualização.
Um dos principais aspectos da norma é a responsabilidade do síndico. O profissional (ou administradora) tem a responsabilidade de autorizar, autorizar com ressalva ou vetar. Voltando ao desabamento ocorrido no Rio de Janeiro, a falta de envolvimento dele com a obra foi criticada. Segundo Fábio Sciliar, delegado titular da Delegacia de Repressão a Crimes contra o Meio Ambiente e Patrimônio Histórico (Delemaph), o síndico deveria ter comunicado as irregularidades da reforma à prefeitura, além de realizar Boletim de Ocorrência, citando o Código Civil.


Quando a ABNT 16280 é aplicada?

Em toda reforma de casa e apartamento que possa modificar a estrutura. Caso a intenção seja trocar suas antigas janelas e portas por portas e janelas de alumínio, com remoção de paredes, é necessário orientação e acompanhamento de engenheiro ou arquiteto. Saiba em quais situações se aplicam a essa norma:

1. Modificação de esquadrias, fachada-cortina e componentes;
2. Furos, aberturas, retirada e acréscimo de paredes;
3. Vedações que alterem a disposições iniciais da edificação;
4. Uso de ferramentas de alto impacto para alteração de revestimento;
5. Instalação e reforma de equipamentos contra incêndio;
6. Instalação e reforma de sistema de ar-condicionado;
7. Instalação e reforma de sistema de automação, dados e comunicação;
8. Instalações de sistema de gás;
9. Instalações elétricas;
10. Instalação e reforma de sistema hidrossanitário.

Você conhecia a importância da NBR 16280 para reformas? Confira aqui mais informações sobre obras e reformas.

Fontes

* por Robert Sena

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Iveco Soulclass - o 1º Micro Ônibus inclusivo do Brasil

Ao invés do cadeirante ir até a poltrona, a poltrona vem até o cadeirante!
Se você é uma pessoa com mobilidade reduzida e já andou de ônibus de viagem, provavelmente também se revoltou com o fato de a maioria deles ostentar o símbolo da acessibilidade na lataria. Principalmente se você foi carregado por aquelas escadas estreitas, sem a menor segurança e muito menos conforto. Eu me sentia um saco de batatas, e já fui derrubado uma vez. Felizmente não machuquei as batatinhas...
O belo design da carroceria ficou a cargo da Caio Induscar
Há alguns anos recebi e-mail de uma empresa de turismo de São Paulo, a Sunflower, que dizia ter o único ônibus de turismo adaptado do Brasil. Pegaram uma carroceria comum e instalaram um elevador na lateral, embutido no porta malas, que leva o cadeirante até dentro do ônibus. Vejam a postagem que fiz clicando aqui. Realmente, foi uma solução interessante, porém o cadeirante viaja na própria cadeira, como nos ônibus urbanos. Agora a Iveco lançou o SoulClass, que é o primeiro micro-ônibus realmente inclusivo do país. A solução para embarque do cadeirante foi obtida por meio do Dispositivo de Poltrona Móvel (DPM), da marca Elevittá, que leva a poltrona até a calçada, o cadeirante transfere, e a poltrona volta para dentro do ônibus, junto com as outras poltronas.
No interior não dá para diferenciar a poltrona adaptada das outras.
O projeto do SoulClass se enquadra nas regras da portaria 269 do Inmetro, que entrará em vigor em julho, e exige dos novos ônibus do segmento rodoviário equipamentos para embarque e desembarque de pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, disponibilizados também para outras versões, como os escolares. A versão executiva acomoda 24 passageiros, incluindo até dois cadeirantes, mais o condutor. 
O porta malas traseiro foi pensado para caber duas cadeiras ou mais, de modelos diferentes
E a mesma quantidade de passageiros podem ser acomodados na versão escolar. Isto é uma excelente notícia para alunos cadeirantes, que correm risco todos os dias embarcando carregados pelas escadas de ônibus precários. Aguardamos ansiosamente que esta solução chegue a ônibus maiores e permitam embarque digno nas viagens intermunicipais. Se houvesse pelo menos uma unidade destas operando na linha que vai de Belo Horizonte ao Aeroporto de Confins, eu não gastaria tanto com estacionamento no aeroporto. Passou da hora de surgirem ônibus acessíveis de verdade no Brasil. Parabéns à Iveco por mais esta iniciativa inclusiva e acessível! Vejam abaixo o vídeo que fiz do lançamento do Soulclass em São Paulo. E clique neste link para ler uma matéria sobre ele em que eu participei.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Comunicação Assistiva

Técnicas para se comunicar com pessoas com deficiência (foto: bemparana.com.br)
Relatos de pessoas com deficiência sofrendo preconceito há aos milhares, porém muitas vezes não se trata de preconceito propriamente dito, mas sim de falta de tato ou conhecimento sobre como lidar com pessoas nesta condição. Para a maior parte das interações, o ideal é que as PCD's sejam tratadas com naturalidade, porém alguns tipos de deficiência demandam conhecimento específico e cuidados especiais.
Para não cometer uma gafe ou até mesmo gerar processos judiciais, é necessário o acompanhamento ou treinamento por profissionais especializados. Mas onde encontrar este tipo de profissional? Até pouco tempo acreditei que seriam médicos, fisioterapeutas ou enfermeiros com especialização ou experiência na área, até que descobri que existe um curso, uma graduação tecnológica de dois anos e meio voltada a esta necessidade, é o curso de Comunicação Assistiva, ministrado em diversas faculdades pelo país. 
Mas do que exatamente se trata este curso? Quem me respondeu esta pergunta foi a Letícia Paiva, que cursou alguns semestres e se apaixonou pelo curso. Nele o estudante aprende os fundamentos da educação de pessoas com deficiência, diversas formas de comunicação com estas pessoas, passando pela linguagem de sinais, braile, linguagem corporal entre outras, sempre voltado para a inclusão social. Até aulas práticas com faixas nos olhos, rodando em cadeiras de rodas e com ouvidos tampados eles tem, para vivenciar um pouco do que passam as pessoas com deficiência. O mais legal é que o curso quebra o estereótipo de que toda pessoa precisa sempre de ajuda, além de informar sobre leis e direitos que pessoas com deficiência tem, e geralmente não sabem.
Navegando pelas instituições que oferecem o curso, descobri que aqui em Belo Horizonte ela é oferecida pela PUC-Minas, em forma de graduação tecnológica, com foco em Libras e Braille, e na Uni-BH. É uma boa oportunidade para quem tem interesse em seguir carreira ou se especializar.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Como adaptar a casa para cadeirante

As rampas devem seguir as medidas mínimas sugeridas pela NBR 9050
Quando há necessidade de receber um cadeirante em casa, seja devido a um acidente que causou uma limitação motora ou devido a um relacionamento com uma pessoa que use cadeira de rodas, muita gente sente um frio na espinha ao imaginar uma obra enorme, com a casa toda quebrada e a conta bancária vazia. Mas não é bem assim, hoje em dia com a proliferação de cadeiras de rodas mais curtas e ágeis, fica mais fácil adaptar a casa. Por isso é importante considerar que tipo de cadeira de rodas a pessoa utilizará (ou utiliza). Se a pessoa sofreu uma lesão baixa e está com membros superiores intactos, poderá se adaptar facilmente a uma cadeira monobloco, que é mais curta e ágil, o que facilita manobras em espaços reduzidos. Se for uma lesão alta, que comprometeu os braços, e será necessário usar uma cadeira dobrável ou motorizada, a necessidade de espaço será maior, portanto precisará fazer mais obras.
A primeira coisa a se adaptar são as entradas e passagens da casa. Uma cadeira de rodas normal tem largura entre 60 e 68 centímetros, a exceção são cadeiras feitas sob medida para obesos. Esta medida é suficiente para passar por portas tamanho padrão, de setenta centímetros. Será necessário trocar a porta somente se ela ficar em uma quina, ou de frente para um corredor estreito, e a cadeira que o cadeirante for utilizar for muito grande. Até cadeiras monobloco maiores, como a minha, conseguem virar em lugares assim. O que sugiro é fazer um test drive com uma cadeira similar ao que o cadeirante for usar para ver se passa em todas as quinas e portas.
Projeto de rampa elaborado dentro da NBR 9050
A porta do banheiro, porém, deverá obrigatoriamente ser trocada. A obra pode ser simples, basta retirar a porta existente, quebrar em um dos lados e colocar uma porta maior, de pelo menos setenta centímetros. Mas recomendo aproveitar a obra e colocar logo uma porta de correr, de oitenta centímetros, pelo menos. Passando para dentro do banheiro, a primeira coisa a se adaptar é a mangueira do chuveirinho. É fundamental comprar uma mangueira maior para permitir ao cadeirante lavar "as partes" sozinho. Se não quiser comprar ou não encontrar a mangueira grande, dá para juntar dois pedaços de mangueira com um pedaço oco de antena de televisão. Meu tio Altair fez para mim e uso assim até hoje! Além da mangueira, é importante adaptar a pia, deixando livre o vão por baixo dela, de forma que seja possível entrar com a cadeira embaixo e utilizar com conforto.
Passando para o quarto, as adaptações mais importantes são a cama, que deve ser da altura da cadeira de rodas, e o armário, que deve ter portas fáceis de acessar e gavetas e cabides em uma altura suficiente para que a pessoa possa alcançá-los.
Na cozinha a atenção deve ser quanto aos armários e prateleiras. Os armários abaixo da pia devem ter um vão livre na parte de baixo que dê para passar os pés com folga, sem raspar. Esta configuração é boa se a cozinha não tiver muito espaço para circular (como na maioria dos apartamentos). Os armários acima da pia não podem ser muito altos, de forma que o cadeirante consiga alcançar objetos guardados ali. As prateleiras não podem ser muito altas, e as que forem mais baixas devem ficar acima das pernas do cadeirantes.
Projeto que elaborei para uma cozinha totalmente acessível
Na sala, o importante é que a mesa tenha um vão grande o suficiente para entrar com a cadeira de rodas. O ideal são mesas com pés paralelos, que não tem nenhum obstáculo para as pernas. O sofá segue a mesma lógica da cama, ele deve ser da altura do assento da cadeira de rodas, para facilitar a transferência. Um conforto que pode ajudar no dia a dia é o chase, aquela extensão do sofá, que pode trazer alívio para as pernas.
Veja no vídeo abaixo algumas destas considerações.
Estes são os ambientes que considero importantes e que me garantem um certo nível de conforto, claro que há muito mais opções a serem adaptadas em uma casa, a gente está sempre evoluindo, mas partindo destas dicas é possível adaptar boa parte dos ambientes.
Agora, uma dica importante: se você vai receber um cadeirante por um fim de semana, ou só eventualmente, e quer que ele tenha o mínimo de conforto e possa pelo menos tomar banho, mas não pode (ou não quer) fazer uma obra em sua casa, tem uma solução: basta comprar a mangueira do chuveirinho e uma cadeira de banho de rodas pequenas. Isso se ele for com uma companheira (o) ou você não se importar em levar e buscar ele no banheiro.

Sem Degraus Consultoria em Acessibilidade: http://semdegraus.blogspot.com.br/

sábado, 28 de novembro de 2015

Banheiro adaptado diferenciado

Materiais de alto nível em um projeto bem executado
Quem disse que banheiro adaptado tem que ter cara de hospital? Porque tem que ser sempre brancos? A partir destes questionamentos, o paulista Paulo Di Mello, que é designer de interiores, resolveu criar um conceito de banheiro adaptado diferente, aliando as necessidades de uma pessoa com deficiência a um ambiente com bom gosto e elegância, aliado ao seu conforto. 
Vejam abaixo o processo nas palavras do Paulo:
"Quando escolhi este espaço para adaptá-lo para um banheiro para uma PCD funcional, não tinha as medidas necessárias para dar maior mobilidade dentro do espaço, mas consegui que ficasse usável e conceitual para que as pessoas tenham uma outra visão de PCD. Após elaboração do meu projeto para a Mostra Viver São Paulo, a qual estou participando e que tem o patrocínio da Deca louças e metais, meu desafio seria fazer a empresa abraçar a causa através de meu projeto pelo fato de não existir barras de apoio douradas somente cromadas, inox ou brancas o que me faria utilizar uma outra linha de metais.
Com o apoio da Deca utilizei bacia suspensa com caixa acoplada de embutir, sendo o acabamento da válvula com Braille e metais da linha Red Gold com as barras de apoio com o mesmo banho as quais ainda não existem no mercado para venda feitas exclusivamente para meu projeto. Através de outros fornecedores utilizei mármore café imperial na pia e soleira para dar elegância, cortinas para dar um ar de conforto e também produtos sustentáveis como um painel de madeira reflorestável e porta em madeira de demolição. Acredito através deste projeto ter contribuído para que as pessoas passem a enxergar o cliente PCD igual a qualquer outro que tenha gosto e opinião."
Parabéns ao Paulo por pensar que pessoas com deficiência também tem bom gosto e prezam pela qualidade. Gostaram do banheiro projetado por ele? Reparem que seguiu todas as normas de acessibilidade, o espelho é ligeiramente tombado para a frente e a lixeira é do tipo basculante. De alto nível!
Quem quiser entrar em contato com o Paulo, o e-mail dele é contato@paulodimello.com.br

sábado, 16 de agosto de 2014

Drive Thru: comodidade para cadeirantes

É só entrar, pedir, pagar e pegar
Você não odeia quando precisa comprar alguma coisa pequena, como um remédio ou um sorvete, e precisa sair de carro, aí desmonta cadeira, guarda no carro, chega ao destino e ainda precisa procurar vaga para estacionar, depois tira a cadeira, monta novamente, roda até o lugar e finalmente compra o que quer? O fato é que para nós cadeirantes pouca coisa é simples de fazer, mas hoje em dia há alternativas para nos poupar este trabalho. Uma delas é o disk entrega, e outra é o Drive Thru, que nos possibilita resolver pequenos pepinos sem sair do carro. 
O primeiro Drive Thru que me vem na mente é o do Mc Donald's, que existe há muito tempo. Você entra de carro, faz seu pedido em uma cabine e na próxima janelinha recebe seu rango bem embalado e ainda recebe o suco ou refri em um porta copos, o que facilita para quem não tem isso no carro. Outro que surgiu há alguns anos aqui em BH foi o da Drogaria Araújo, e é muito útil para quem compra remédios com frequência e não pode ficar sem. Já aconteceu comigo mais de uma vez precisar com urgência de algum remédio, e contei com a facilidade da Araújo Drive Thru, que, além disso, algumas ainda são 24 horas!
É uma mão na roda Drive Thru em farmácia
Muitas vezes eu nem levo a cadeira de rodas quando vou comprar alguma coisa e sei que tem Drive Thru, deixo na garagem mesmo, saio de carro, resolvo e volto. Mas nem todo Drive Thru é bom. Pra mim, o pior de BH é o do Habib's do Gutierrez, esses dias esperei longos 20 minutos para me entregarem o lanche, e ainda precisei desviar de montes de material de construção, estão reformando lá.
Há uma outra alternativa aos disks e drives, que uso muito: ligo para o lugar, explico que sou cadeirante e peço para levarem o produto no carro. Faço isso todo mês quando vou comprar material médico na Saúde Vida (tel. 3222-3295), ligo antes, eles separam o material e assim que eu chego em frente à loja, eles descem com o pedido e eu pago ali mesmo. É uma alternativa interessante para quem mora no interior e não tem a estrutura da cidade grande.
Em Brasília a coisa está ainda mais evoluída, já existe Drive Thru até de padaria, o que seria uma mão na roda para quem sai de manhã e precisa tomar café no caminho para o trabalho.
http://globotv.globo.com/rede-globo/bom-dia-brasil/t/edicoes/v/padaria-investe-em-drive-through-no-df/3550081/
Abaixo alguns endereços de Drive Thrus em BH.
MC Donald's:
- Rua Matias Cardoso, 26 - Santo Agostinho
- Av. Afonso Pena, 3960 - Cruzeiro
- Av. Antônio Carlos, 4269 - São Francisco
- Av. Cristiano Machado, 1901 - Cidade Nova 
- Av. Prudente de Morais, 1150 - Luxemburgo
-  Ah. Engenheiro Carlos Goulart, 21- Buritis 
Habib's:
- Rua André Cavalcanti, 211 - Gutierrez 
- Av. Cristiano Machado, 2450 - Cidade Nova
- Av. Vilarinho, 945 - Venda Nova
Drogaria Araújo:
- Av. Raja Gabaglia, 4427 -  Santa Lúcia
- Rua André Cavalcanti, 222 - Gutierrez (24 hs) 
- Av. Cristiano Machado, 1911 - Cidade Nova (24 hs)  
E você, conhece mais algum Drive Thru em BH ou na sua cidade para compartilhar conosco? Deixe nos comentários! 

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Falcessibilidade

Qualquer engenheiro que queira hoje projetar uma construção, certamente se deparará com um inconveniente chamado acessibilidade. É inevitável olhar para o tema com certo desconforto, afinal o mal é recente. Há pouco tempo, era absolutamente incomum tratar do assunto em qualquer que fosse a ocasião, uma vez deficiente, sua vida social estava restrita ao ambiente doméstico.
Para nossa sorte, os tempos mudaram. Novos ventos trouxeram à sociedade a consciência de que deficiência limita, mas o motivo real não é a condição física do deficiente. A limitação é imposta pela falta de acesso a lugares com boa infraestrutura, que envolvam adaptações internas e externas. E vamos combinar que estamos todos aceitando quem estabeleceu arbitrariamente esta condição. Concluída esta etapa de conscientização, a questão agora é outra: o que significa hoje o termo acessibilidade?
Simples. Atualmente ele é sinônimo de falcessibilidade. Inclui uma rampa, um elevador, uma vaga no estacionamento, uma porta de banheiro maior! Mas está longe ainda de priorizar calçadas e incluir estruturas que tornem possível o acesso de cadeirantes a todos os lugares do ambiente. É revoltante olhar um ônibus com um adesivo enorme que indica acessibilidade e descobrir que a cadeira de rodas entra pela porta, porém não passa no corredor, que é estreito demais. Ou então encontrar aquela rampa linda que leva a uma escada. A acessibilidade esta lá, porém não significa que esteja sendo eficiente.
Ainda bem que tem rampa!
Esta situação é mais comum do que imaginamos. Salvo pouquíssimas exceções, o que vemos em restaurantes, lanchonetes, universidades, bibliotecas... são adaptações mal feitas que mascaram o problema e nos fazem crer que estamos em um ambiente adaptado. Aceitar esta condição porque o prédio é antigo e a reforma teria um alto custo, já é difícil, agora aceitar que construções atuais sigam o mesmo caminho, é no mínimo incoerente.
A verdadeira inclusão de pessoas com qualquer tipo e grau de deficiência só será possível quando todos estiverem atentos à questão e conscientes de que não há barreiras naturais, porém estruturais. Os problemas de acessibilidade seriam facilmente resolvidos simplesmente se lançássemos um olhar diferente para a sociedade que nos cerca e para as relações que nos permeiam. Tornar todos os lugares de um ambiente acessível é garantir igualdade de direitos.
Essa aí só dá para subir guinchado!
Uma mudança de postura parece estar a caminho, mas ela demandará tempo e custo. Duas palavras que já nos desanimam. Mas, sinceramente, sou otimista por natureza e acredito que em breve estaremos discutindo outras questões que vão além de se fazer uma porta maior ou se colocar uma rampa no lugar de um degrau. Acredito na quebra de paradigmas enraizados em nosso modo de pensar e de enxergar o nosso semelhante. Quero ser a primeira a sorrir ao acordar e perceber que são novos tempos, que todos vivemos dias melhores. Que o preconceito, o descaso e, sobretudo, o desconhecimento deram lugar a igualdade, ao respeito e ao amor. Sou demasiadamente sonhadora? Talvez. Mas antes de qualquer coisa sou demasiadamente humana para aceitar que as coisas continuem como estão.

Fernanda Ribeiro
Estudante de Física

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Mapa da acessibilidade em BH

Onde é bom para um cadeirante em BH?
Há muito tempo tenho vontade de fazer um mapa dos locais acessíveis em BH, e finalmente essa semana resolvi criar! A ferramenta não é nova, qualquer um pode criar um mapa com locais de sua preferência no Google Maps, mas usei uma opção nova chamada Maps Engine.
Para facilitar a classificação, criei uma escala de acessibilidade, dando nota aos lugares que registro no mapa baseado na estrutura para uma cadeirante, com base nos requisitos estacionamento, acesso facilitado, mobiliário adequado e banheiro adaptado, da seguinte forma:
1 cadeirinha - o lugar tem acesso para cadeira de rodas, e só. A estrutura de mobiliário não é adequada, não há banheiro acessível e nem estacionamento próximo.
2 cadeirinhas - há acesso para cadeira de rodas e o mobiliário é adequado, há mesas altas o suficiente para que um cadeirante entre embaixo sem ficar de lado e com pés paralelos. Não há estacionamento nem banheiro adaptado.
3 cadeirinhas - o acesso para cadeiras de rodas é bom, o mobiliário é adequado e há estacionamento próximo ou vagas para deficientes. Porém não há banheiro adaptado.
4 cadeirinhas - o acesso é bom, o mobiliário adequado, há estacionamento e banheiro para deficiente, só que o banheiro é junto com os outros, ou seja, não é separado, ou então tem algum outro problema que não encaixe na classificação máxima.
5 cadeirinhas - o sonho de consumo de todo cadeirante! O lugar tem estacionamento próximo, acesso facilitado, mobiliário adequado e banheiro adaptado completo e separado dos outros. Ah se todo lugar fosse assim...
Estes critérios podem variar, caso o estabelecimento tenha um ou dois itens, mas não tenha outro, como por exemplo ter banheiro adaptado e não ter estacionamento. Nesse caso, entra em uma categoria mais baixa por faltar um item importante. De qualquer forma, estou classificando e fazendo uma breve resenha sobre o lugar, explicando a classificação. Comecei com bares e restaurantes, shoppings e atraçòes turísticas. Com o crescimento do mapa e as sugestões das pessoas, vamos ampliar este leque! Peço então a todos que acompanham o blog, sendo de BH ou não, que me ajudem a acrescentar novos lugares acessíveis ao mapa, basta mandar um e-mail para mim com uma breve resenha e a classificação desejada! As classificações poderão ser utilizadas pelos estabelecimentos avaliados para implementar melhorias e melhorar a estrutura para receber cadeirantes.
Acessem o mapa da acessibilidade no link abaixo:

terça-feira, 30 de julho de 2013

Elevador hidráulico para piscina

Sistema simples e eficiente para entrar na água
Há pouco tempo fiz um post sobre a importância da natação para deficientes, e já citei também a hidroterapia, que faço na Aquafisiobh. Atividades na água são ótimas, só que encontrar uma piscina que tenha elevador para cadeirante é uma luta aqui em Belo Horizonte, são pouquíssimos lugares que tem esta facilidade. Dá para imaginar o motivo, os elevadores para pessoas com mobilidade reduzida são equipamentos caros e tem instalação complexa. O último valor que soube de um elevador para piscina foi de trinta mil reais! Sem contar o custo de operação e menutenção que estes equipamentos dão, já deixei de ir na hidroginástica algumas vezes porque o elevador estava quebrado.
Prático e funcional, resolve o problema
Felizmente tem surgido novas alternativas, como o elevador deste post, fabricado pela DW Inox, uma metalúrgica situada em Medianeira, no Paraná. O elevador é fabricado em aço inox, aguenta até 150 kg e não tem sistema elétrico, funciona por alavancas utilizando a pressão da água da própria piscina. instalavel em qualquer tipo de piscina, pode ser instalado tanto em piscina cheia quanto vazia, não necessita de obras e o tempo de instalação aproximado de duas horas. O único requisito para instalação é um ponto de água com pressão de 3,5 bar. É de fácil instalação e ocupa pouco espaço.
O maior atrativo do elevador é o preço, custa somente R$ 14.500,00. Não é pouco dinheiro, mas é metade do preço de um elevador comum. Para um clube, academia, pousada ou hotel é um investimento pequeno. O elevador tem garantia de dois anos e eles instalam em qualquer lugar do Brasil. Quem tiver interesse no elevador pode entrar em contato diretamente comigo através do e-mail blog.cadeirante@gmail.com ou com o Wilson pelo e-mail wilson@dwinox.com.br.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Acessibilidade no Metrô

Exemplos de estações de metro
O metrô é utilizado por milhões de brasileiros todos os dias, e é um meio de transporte muito eficiente, mas como será para os cadeirantes? Em uma reportagem que fiz em 2010 mostrei que em BH estamos longe de ter acessibilidade no metrô, mas nesse post meu irmão, o arquiteto Bruno Ribeiro, mostra que há uma lei para que esse quadro mude até 2014 e sugere ações para melhorar a acessibilidade.
Rampa para acesso às estações
"A Lei Federal 5296/2004, que estabeleceu o prazo até 2014 para que seja implantada a acessibilidade nos espaços públicos, está provocando ações das empresas de transporte na adequação das estações, trens e metrôs e concepção de projetos acessíveis, gerando novas diretrizes de projeto seguindo as normas NBR 9050 e NBR 14021 da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas).
Em São Paulo, a primeira linha do Metrô foi inaugurada na década de 70, quando os conceitos de acessibilidade e desenho universal não eram vigentes. Com o tempo, muitas estações e sistemas de transporte sofreram adaptações à essa nova realidade e, atualmente, a legislação não permite que as novas edificações e espaços públicos sejam concebidos sem atendimento desses conceitos.
As soluções desenvolvidas no Metrô de São Paulo podem servir de exemplo para o resto do Brasil, mas ainda há muito caminho a percorrer até que as estações e seu entorno sejam plenamente acessíveis, a começar pela diminuição da superlotação em estações e trens através da ampliação e modernização da rede metroferroviária e integração com terminais metropolitanos e ônibus urbanos.
A seguir são apresentadas algumas ações que podem tornar os espaços do Metrô mais acessíveis:
Instalação de elevadores, plataformas elevatórias e escadas rolantes;
Instalação de sistema de supervisão, permitindo que os usuários sejam monitorados e que seu auxílio seja mais rápido e eficaz;
Instalação de sistema de comunicação, para que o usuário possa solicitar auxílio;
Instalação de sistema de controle de acesso, os bloqueios acessíveis junto aos elevadores;
Instalação de piso tátil direcional e de alerta desde os acessos até os locais de embarque e desembarque na plataforma;`
Substituição dos corrimãos das rampas e escadas pelo modelo recomendado nas normas de acessibilidade;
Substituição das grelhas de captação de água pluvial pelos modelos recomendados para evitar prender da roda frontal da cadeira de rodas;
Instalação de sinalização tátil e visual de orientação para uso dos elevadores e plataformas elevatórias;
Adequação dos sanitários públicos segundo as normas de acessibilidade;
Adequação do mobiliário nas estações e trens, como os assentos para obesos nas plataformas;
Aquisição de cadeira de rodas para auxílio dos usuários;
Aquisição de equipamentos para resgate;
Implementação de telefones acessíveis para pessoas surdas e pessoas em cadeira de rodas;
Implementação de nova identidade visual para indicação dos assentos preferenciais, elevadores etc.
Capacitação dos empregados para atendimento, condução e auxílio a pessoas com deficiência física, visual e auditiva.

Arq. Bruno R. Fernandes
BIBLIOGRAFIA: artigo “Ações de Acessibilidade” na Revista da Engenharia n. 594/2009.

sexta-feira, 22 de março de 2013

Plataformas elevatórias

Elevador para cadeiras de rodas: tem que funcionar!
Se tem uma coisa que decepciona um cadeirante é quando chegamos a um determinado local, principalmente um órgão público, que sabemos que tem um elevador, mas ao tentar utilizar descobrimos que  ele não está funcionando. E eles sempre tem uma desculpa, como "acabou de estragar" ou "não tem quem arrume". O fato é que a maior parte dos locais com elevador não dá manutenção adequada a esses equipamentos.
O Salomão, daqui de Belo Horizonte,  trabalha com manutenção destes equipamentos há quatro anos e está muito preocupado com a precariedade das plataformas instaladas atualmente. De acordo com ele, grande parte delas se encontra em estado de deterioração, muito mal conservadas, e isto é um perigo para os usuários.
Ele me contou que uma limitação que os órgãos públicos alegam ter é a necessidade de licitação para contratar a manutenção das plataformas. O processo de licitação geralmente demora muito, enquanto isso quem precisa continua tendo dor de cabeça. 
O Salomão vai nos dar uma breve aula sobre os pontos de atenção dos diferentes tipos de plataformas elevatórias que existem.
"Existem dois tipos de Plataformas: de tração por cabo de aço e de tração por fuso (rosca sem fim).
- Tração por Cabo de Aço:
Neste tipo de plataforma, o cabo de aço tem vida útil, pois no movimento de sobe e desce o cabo passa por roldanas, e neste caso o cabo se movimenta muito, podendo se romper se não houver a manutenção ou troca preventiva e ou periódica.

2° Tração por Fuso (rosca sem fim)
Neste tipo de plataforma, a porca do fuso e as correias do motor elétrico tem vida útil, pois no movimento de sobe e desce a porca corre por toda a extensão da rosca sem fim e movimenta muito, podendo ter folga por falta de lubrificação adequada, manutenção ou troca preventiva e ou periódica.

Ambas as plataformas necessitam de uma manutenção preventiva e ou periódica, pois se os cabos se romperem acontece um acidente, e o fuso sempre tem que estar bem lubrificado e sem folga na porca.
Já fiz manutenção em uma plataforma em que o cabo de aço de sustentação estava arrebentado há mais de um ano e a mesma se encontrava funcionando normalmente. Isso me deixou revoltado com o dono da loja, imagina se arrebenta o outro cabo com alguém dentro da plataforma, pode ocorrer um acidente sério.
Os donos dos estabelecimentos não acreditam que a falta de manutenção periódica, preventiva ou até mesmo corretiva seja necessária. Depende muitas vezes dos usuários para conseguir conscientizar as pessoas do quanto isso é importante."
Salomão Manutenções
www.salomaomanutencoes.blogspot.com
(31) 8600-9395 / (31) 9268-2801

Pois é minha gente, é importante ficarmos atentos às condições de uso dos elevadores para cadeirantes, pois um acidente pode até ser fatal, ou machucar muito. E pra quem já está "quebrado", não é nada boa a possibilidade de se quebrar mais!

sábado, 24 de novembro de 2012

Scooter elétrico no Extra

Fazendo compras motorizado!
Há alguns dias experimentei pegar emprestado um Scooter elétrico no supermercado Extra, que fica na saída de Belo Horizonte pela BR 040 (em frente ao BH Shopping). Eu já tinha visto estes scooters estacionados lá, mas achei que era bobagem pedir, e era mais prático tirar minha cadeira e rodar mais à vontade por lá. Mas por que não fazer um teste? Parei na vaga para deficiente e chamei um dos guardas do estacionamento, e pedi o scooter. Ele foi muito solícito e disse que buscaria rapidinho, e em menos de cinco minutos veio ele dirigindo o bichinho. 
Scooter posicionado para transferência
Aí veio o primeiro problema: como passar do carro para ele, já que ele é grande e não chega muito perto do carro. O guarda disse que o outro scooter gira o banco, e seria mais fácil fazer a transferência. Ótimo, mas porque ele já não trouxe o outro? Lá se foram mais dez minutos entre levar o primeiro e trazer o segundo. O negócio é pedir de cara o scooter que gira o banco.
Transferência feita, foi só girar o corpo.
Começaram então as manobras para aproximar o scooter do carro de forma a não ficar muito longe de mim. Depois de alguns minutos chegamos à conclusão que o ideal é aproximar ele de ré, girar o banco 180 graus, passar do carro para ele, e depois afastar um pouco o scooter e girar o corpo até chegar na posição correta. Assim fizemos, e foi bem tranquilo, tanto a transferência quanto o giro.
Acelerando pelos corredores! A quase 6 km/h....
Uma vez no scooter, os comandos são simples: há duas alavancas, que tem a mesma função, só que invertidas: de um lado, puxando ele vai para frente, empurrando vai para trás, e do outro lado o contrário. Não tem freio, basta parar de acelerar para ele frear e parar. Um problema para quem é lesado medular são as pernas, que ficam abertas, ainda mais as minhas que são enormes, ficaram saindo para fora do scooter. A solução foi simples: amarrei minha pochete nas pernas, como podem ver na foto acima. Eu achei bem gostoso de dirigir, e também fácil de manobrar, o volante gira até mais de 180º, o que permite girar facilmente entre os "obstáculos" que tem no supermercado. E a cestinha (ou melhor, cestona) que tem na frente ajuda na hora de carregar as compras. Enfim, foi uma boa experiência, aconselho quem for lá fazer compras. Só não espere um desempenho de fórmula 1, ele é bem lerdinho. O que é bom para evitar acidentes!

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Acessibilidade e Cidadania

Até meu chefe foi prestigiar a palestra
Nessa semana está ocorrendo no BDMG, onde trabalho, a SIPAT, Semana Interna de Prevenção de Acidentes de Trabalho, e fui convidado pela CIPA, da qual faço parte, para dar uma palestra sobre acessibilidade, abordando as necessidades que as pessoas com mobilidade reduzida tem e as dificuldades que encontramos na cidade. Além disso, procurei falar sobre uma solução simples para um problema de acessibilidade que encontramos demais pelas cidades: na maior parte dos lugares há um ou dois degraus que impedem nosso acesso, e a construção de uma rampa móvel pode resolver. Claro que acessibilidade não é só uma rampa na porta. Mas já é um começo.
O problema da acessibilidade é uma questão cultural, pois as pessoas não têm o hábito de imaginar que os locais possam ser utilizados por pessoas em cadeiras de rodas ou com problemas de mobilidade, e geralmente privilegiam a outras características, como diferenciação, beleza, design, e outros atributos. O fato é que as pessoas só começam a pensar em acessibilidade quando há alguma necessidade própria ou de algum parente ou amigo.
O assunto gerou discussão e cometários positivos
Na minha opinião, o maior problema é a falta de bom senso, tanto de comerciantes como de proprietários de imóveis, que podem, com criatividade, aliar tudo que necessitam à acessibilidade, conseguindo assim um atributo ainda mais importante em seus imóveis: democracia!
Abaixo o vídeo que preparei para a palestra, complementando uma apresentação em power point.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

NBR 9050 em revisão

A norma brasileira de acessibilidade, que tem o código NBR 9050, está em revisão. E para tornar o processo mais democrático, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) abriu uma consulta pública nacional, para que todos possam enviar sugestões e dicas de como tornar a norma mais eficiente, acrescentando aí experiências e ideias de pessoas interessadas ou enviolvidas com a acessibilidade.
E se tem gente que pode falar sobre isso somos nós, cadeirantes e deficientes em geral que usam cadeiras de rodas ou outros aparelhos para se locomover, como muletas, bengalas ou andadores.
A nova norma da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) vai ditar como as edificações deverão ser construídas e reformadas para permitir a promoção do Desenho Universal, visando à participação de todos, sem discriminação.
Durante os próximos dois meses, todas as pessoas, com ou sem deficiência, profissionais e demais interessados, poderão acessar seu conteúdo e enviar considerações do que precisa ser alterado, acrescido ou suprimido.
Todas as sugestões serão avaliadas e compiladas pelo grupo que organiza a elaboração da norma e serão apresentadas em nova reunião aberta a todos.
Além da NBR 9050, outras duas normas estão em consulta simultaneamente: a norma sobre sinalização tátil de piso e sobre acessibilidade em estádios.
Para ver os textos propostos para a norma basta clicar no link a seguir:
As normas de acessibilidade fazem parte do CB-40. Para acessar o texto (visualizar, imprimir e gravar) é preciso fazer um login de acesso (passaporte) no site da ABNT. Depois esse passaporte será necessário para mandar suas considerações.
Para mais informações entre em contato pelo e-mail consultanacional@abnt.org.br.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Evac Chair

Evac Chair guardada
Se eu contasse aqui que eu desci quatro andares pela escada ontem, pouca gente ia acreditar. Se eu disser que uma pessoa ajudou, a história ficaria mais convincente. Mas se eu disser que eu não estava na minha cadeira de rodas, vou ser trucado de novo. Para me carregar nas costas, o cara deve ser no mínimo halterofilista (não sou tão gordo, mas sou grande e peso noventa quilos). Bem, para acabar com o mistério, eis o que permitiu minha descida escada abaixo: a Evac Chair.
Preparando a Evac Chair
Mas o que seria a tal da Evac Chair? Pelo nome, dá para saber que é uma espécie de cadeira (chair), provavelmente para... evacuar? Sim, mas não a evacuação que você está pensando. É para evacuação de pessoas com mobilidade reduzida de algum lugar que esteja em uma situação de emergência (como um incêndio) em que não possam ser usados os elevadores. Serve também para uma pessoa que esteja passando mal ou desmaiada.
Transferindo para a Evac Chair
A Evac Chair utiliza uma espécie de mini esteira embaixo para deslizar sobre as escadas com pouco esforço. Ela é capaz de transportar pessoas de até 135 kg com ajuda de somente uma pessoa (que seja um pouco forte se o "passageiro" for pesado). Para treinar os novos componentes da brigada de incêndio do BDMG, onde trabalho, foi realizado um treinamento, e pegaram logo o cadeirante mais complicado do prédio para judiar do povo: eu. Complicado por causa do tamanho e do peso, já que no que dá eu ajudo.
Pronto para descer com as charmosas brigadistas do andar
É um pouco complicado passar para ela. Ela montada, com as rodas traseiras no chão, é mais alta do que a cadeira de rodas, mas como o assento é "fundo", o cadeirante corre o risco de "cair" de uma vez e levar um tranco. O ideal é uma pessoa segurar a cadeira a noventa graus para que o cadeirante possa se apoiar nela e passar lentamente até que consiga escorregar o corpo até o assento. Não é a coisa mais confortável do mundo ficar com as pernas meio para cima e balangando no ar, mas dá para aguentar. O problema que encontrei foi devido ao meu tamanho, minhas pernas são muito grandes e o assento pega bem no meio delas, o que me deixou com um pouco de dor.
Descendo as escadas com o Evac Chair
A descida das escadas não é tão macia quanto ela promete. A cada degrau a pessoa leva um tranco que, dependendo de quem conduz, pode ser bem incômodo. Mas depois que se pega a manha, a descida fica mais suave. Ao final do lance de escadas, é necessário elevar o Evac Chair até encontrar um tal de "ponto de equilíbrio" que os operadores tiveram um pouco de dificuldade, já que ele se apoia somente em duas rodas. As meninas que são brigadistas no andar em que trabalho tiveram um pouco de dificuldade, mas acabaram pegando o jeito.
No fim das contas, o objetivo do equipamento não é ser confortável, nem macio, e sim possibilitar o transporte de pessoas com problemas por uma escada com o menor esforço possível. E isso ele cumpre. Se a empresa em que você trabalha não possui esse equipamento, faça a sugestão. Mais informações no site do fabricante (que é brasileiro): www.evacchair.com.br.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Escolas municipais acessíveis

Em conversa com minha prima Andréia, que é chefe de enfermagem de um posto de saúde da Prefeitura de Belo Horizonte, fiquei sabendo de um projeto da Prefeitura que tem o objetivo de padronizar as escolas municipais da rede pública da cidade para receber alunos com deficiência.
Para facilitar a locomoção dos alunos com deficiência nas escolas municipais, as unidades passam atualmente por reformas de acordo com as normas de acessibilidade. Entre as adaptações estão placas em braile, piso tátil, rebaixamento de guias e instalação de barras de apoio. Apenas uma escola está com as obras em andamentos, outras seis já foram concluídas.
As adequações são realizadas por meio de uma verba repassada do Ministério da Educação (MEC) para o Governo Municipal destinar às escolas municipais que possuam salas de recursos e especialistas para atender os alunos com deficiência. As salas de recursos são utilizadas para prestar um atendimento educacional especializado, como o ensino de braile e libras. Para a reforma, cada escola analisou as prioridades dentro do orçamento disponível.
Ressalto que este post não tem qualquer cunho político e eu não tenho nenhuma ligação com partido político ou candidato, meu objetivo é somente informar e compartilhar bons exemplos que podem (e devem) ser seguidos por outras cidades.

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