quarta-feira, 6 de maio de 2020

10 Carros usados bons para cadeirantes até 30 mil

Apesar da isenção de impostos ser um excelente benefício, não dá para dizer que é barato comprar um carro zero quilômetro. Sem contar que os veículos mais baratos do Brasil com isenção são todos compactos ou subcompactos e bem pelados, sem itens de conforto ou espaço interno. Portanto, para não passar aperto, principalmente quando se usa uma cadeira de rodas, que demanda um verdadeiro exercício para colocar em porta malas pequenos, pode ser interessante partir para um modelo seminovo, que ofereça bom porta malas, conforto e itens importantes para deficientes, como piloto automático, câmera de ré e bancos de couro, como já citei nesta matéria. Vou focar esta lista em carros automáticos, que são os mais indicados para quem usa cadeira de rodas e adaptação. Com a popularização do câmbio automático, o mercado de usados com este tipo de câmbio aumentou bastante, tornando-se mais fácil encontrar bons modelos à venda. Não só o custo será bem menor, como o seguro também, e ainda ficará isento do IPVA devido à deficiência.
Porém, comprar um carro seminovo exige um certo cuidado. Não dá para comprar um carro muito rodado, muito menos que tenha passado na mão de muitos donos, e tem que ter cautela quanto à procedência. É preciso considerar também facilidade para encontrar peças e o valor de uma cesta de peças, como pastilhas de freio, bomba d'água e outros itens passíveis de dar defeito pelo desgaste natural. Além disso tudo, desvalorização também deve entrar na conta, pois por mais que se pague relativamente barato, não dá para perder muito na revenda. Vamos às sugestões!

1- Toyota Fielder XEi 1.8 AT 2008
Para mim este é o melhor carro usado para quem usa cadeira de rodas. Tem um grande porta malas com 411 litros, que cabe muitas cadeiras de rodas montadas, vem com rodas de liga, faróis de neblina, freios a disco nas quatro rodas, ar condicionado, encosto de braço, bancos em tecido (com sorte encontra-se em couro, opcional nessa versão), som com CD Player e direção hidráulica. O motor é confiável, tem 136 cv e comando de válvulas duplo no cabeçote. O consumo é bom, faz 10km/l na cidade na gasolina. O espaço interno é razoável, o entre eixos tem 2,60m. A crítica fica para o câmbio de quatro velocidades, que deixa a desejar em algumas situações, e por não oferecer apoio de cabeça para todos os ocupantes, quem vai no meio atrás fica sem.

2- Renault Mégane Grand Tour Dynamique 2.0 AT 2010
Outra perua cujo ponto forte para quem usa cadeira de rodas é o porta malas enorme, de 520 litros. Além do porta malas, ela faz bonito também no espaço interno, com 2,68cm de entre eixos. A Mégane Gran Tour é bem servida pelo motor 2.0 de 138 cv mas sofre com o mesmo ponto fraco do Corolla, o câmbio automático de quatro velocidades. O pacote de itens de série é bem completo e inclui direção com assistência elétrica, rodas de liga, freios a disco nas quatro rodas, piloto automático, som com CD/MP3, ar condicionado digital, sensor crepuscular, farol de neblina e computador de bordo. Se não se importar com um pouco menos de potência, pode optar pela versão com motor 1.6 de 115cv, e pegar um carro três anos mais novo pelo mesmo valor.

3- VW Jetta Variant 2.5 AT 2008
Quem acha que potência pouca é bobagem pode optar pela perua do Volkswagen Jetta com motor 2.5 que gera 170cv. Tem a mesma vantagem de bom porta malas das peruas acima, com 505 litros, mas perde um pouco no espaço interno com entre eixos de apenas 2,57m, o que não chega a ser um número ruim. O grande destaque fica pelo motor de 5 cilindros que leva os quase 1500 kg do Jetta Variant com tranquilidade. E o pacote de itens de série também impressiona com controle de tração e estabilidade, faróis de neblina, piloto automático, volante multifuncional, som com CD/MP3 e bluetooth, sensor de estacionamento, rodas de liga, oito Air Bags e até porta luvas refrigerado! O ponto negativo fica pelo consumo, pouco mais de 7km/l na cidade na gasolina, mas como diz o ditado, cavalo anda, cavalo bebe.

4- Toyota Corolla XEI 1.8 AT 2008
Saindo um pouco das peruas, a dica é optar pelos sedãs médios. O primeiro da lista é o sedã mais vendido do mundo e muitas vezes também liderou no Brasil. Além dos bons predicados de espaço interno e itens de série da Fielder, o Corolla tem também um bom porta malas, com 437 litros. Não vai caber uma cadeira montada, mas retirando-se as rodas das monoblocos ainda haverá um bom espaço para bagagens. A lista de itens também é similar à da Fielder por se tratar da mesma versão, portanto vem com roda de liga, direção hidráulica, freio a disco nas quatro rodas, entre outros itens. E o motor também é o mesmo, confiável e suficiente para levar o carro. A crítica também é a mesma, câmbio ineficiente e falta do apoio de cabeça central traseiro.

5- Honda Civic LXS 1.8 AT 2008
O rival direto do Corolla não pode faltar nessa lista de carros usados. O Civic também conta com bom espaço interno, de 2,70, dez centímetros a mais que o rival, mas no porta malas perde feio, e com 340 litros são quase cem a menos. Ainda assim, suficiente para levar uma cadeira de rodas desmontada, porém o espaço para bagagem fica reduzido. Ganha também no câmbio, que é automático de 5 velocidades, e o pacote de itens de série é similar, inclui rodas de liga, ar condicionado, freio a disco nas quatro rodas, direção hidráulica, som com CD, e também é comum encontrar bancos revestidos em couro. O motor é um pouco mais forte e rende 140cv, mas com a força vem um consumo mais elevado, de 8,5km/l na cidade na gasolina. Na minha opinião, o design é outro ponto forte, assim como a modernidade do painel de instrumentos em duas camadas. Na tabela Fipe ultrapassa os 30 mil, mas na prática encontra-se essa versão abaixo deste valor.

6- Honda Fit EX 1.5 AT 2010
Ele já foi o queridinho dos cadeirantes, graças ao bom porta malas e à modularidade dos bancos traseiros, que permitem dezenas de configurações que facilitam levar uma cadeira de rodas. Dependendo do tamanho da cadeira, cabe até sem desmontar no porta malas, que tem 384 litros. O motor 1.5 gera até 116 cv e leva bem seus pouco mais de 1.100 Kg. Por ser monovolume tem bom espaço interno apesar de entre eixos de apenas 2,50m. Entre os itens de série, destaque para o piloto automático, freios a disco nas quatro rodas e direção elétrica.

7- Fiat Palio Weekend Adventure Locker 1.8 Dualogic 2011
Mais uma perua que tem no espaço do porta malas seu maior atrativo. Outro ponto positivo da perua Fiat é a altura do solo e o sistema Locker, que bloqueia o diferencial, possibilitando encarar uma estrada de terra até com pouca aderência. Rodas de liga, direção hidráulica, faróis de neblina, som com bluetooth e pneus mistos fazem parte do pacote. O ponto negativo fica pelo câmbio automatizado, que não tem manutenção tão barata quanto prometido e desvaloriza mais o carro na revenda.

8- Chevrolet Spin LT 2013
Já é possível encontrar um dos maiores porta malas do mercado com câmbio automático por menos de 30 mil. Fazendo uma pesquisa rápida encontra-se modelos LT ano 2013 com motor 1.8 e câmbio automático de 6 velocidades. Ela vem com direção hidráulica, piloto automático, roda de liga, e se der sorte, encontra até com mídia. O acabamento é muito simples e o entre eixos de 2,62m razoável, mas o grande destaque é o porta malas com 710 litros, que cabe cadeira de rodas, cadeira de banho e bastante bagagem. Indicada para pessoas que, além de usarem cadeira, tem filhos.

9- Chevrolet Cobalt LTZ AT 2014
Outro sedã de uma categoria intermediária com bom espaço interno e porta malas. Com 2,62m de entre eixos e 563 litros de volume no porta malas, mais do que muito SUV compacto que tem por aí, o Cobalt oferece também um pacote de itens de série razoável com rodas de liga, som com bluetooth, volante multifuncional, piloto automático e direção hidráulica. O ponto fraco é o design, com faróis grandes e desproporcionais, e o acabamento, que abusa dos plásticos rígidos. A Fipe é 34 mas acha fácil por 30.

10- Renault Fluence Dynamique 2.0 AT 2011
Mais um sedâ médio que tem bons atributos para cadeirantes. O Fluence se destaca pelo motor 2.0 de 143cv, pela direção elétrica, pelo entre eixos de 2,70, pelo porta malas de 530 litros e pelo câmbio CVT. Traz ainda rodas de liga, faróis de neblina, freios a disco nas quatro rodas, piloto automático e volante multifuncional. Apesar do motor forte tem bons números de consumo, registrando 9,1km/l na cidade na gasolina. A desvantagem fica pela desvalorização, tradicionalmente maior em carros de marca francesa.

sábado, 28 de março de 2020

Oportunidade na crise

Filmes e séries em família são quase obrigatórios
Em uma situação sem precedentes no mundo, nos vimos obrigados a ficar em casa. Impedidos de trabalhar, levar os filhos na escola, viajar, passear, e até mesmo para fazer compras está sendo recomendado utilizar a Internet. A sugestão é ficar em casa o tempo todo, a família toda. E sem visitar nem os parentes. 
Em uma época em que estávamos muito ligados às tecnologias, principalmente através dos smartphones, em que a maioria das conversas se dá pela tela do celular, somos obrigados a conviver com os filhos 24 horas por dia. 
Fazer todas as refeições todos os dias juntos é muito bom! 
Mas será que isso é tão ruim assim? Será que não podemos fazer do limão uma limonada? Esse é o pensamento dos otimistas, grupo no qual sempre me inclui.
Aproveitar cada momento em família
Ao conviver todo dia com os filhos, percebendo a felicidade deles ao ter sempre ao lado o papai e a mamãe, a gente se lembra dessa época deliciosa da vida em que as maiores preocupações eram as próximas brincadeiras e estar junto aos pais. Não importa o lugar nem a condição, estar com o pai e a mãe é o que aquece o coração de uma criança.
Jogar videogame ajuda a passar o tempo
Perceber isto traz uma ponta de tristeza, pois os mais isolados nessa crise de saúde são justamente nossos pais, em sua maioria idosos. Somos privados da convivência com eles e temos que os privar da convivência com nossos filhos. Mas é para o bem deles, por mais que doa.
Ajudar em casa é sempre uma boa lição
E como encontrar o lado bom nessa situação? Fazendo dessa convivência a melhor possível. Aproveitando para passar tempo de qualidade com nossos filhos. Comer todos os dias com eles é uma oportunidade para acompanhar e melhorar sua alimentação. Escovar os dentes deles é bom para incentivar a correta higiene pessoal. Devemos também brincar, curtir, ver filmes, jogar, mas principalmente, ensinar boas práticas e lições aos nossos pequenos. Ajudar em casa, arrumar o quarto, estudar, escovar bem os dentes, manter o corpo em forma (apesar do espaço pequeno dá para se virar) e amar o próximo são apenas algumas coisas boas que podemos passar para eles.
Sem contar que devido aos cuidados necessários para evitar o vírus temos um bom argumento para ensinar boas práticas de higiene como lavar sempre as mãos e evitar contato com o rosto. 
Graças às video aulas, eles podem praticar o Taekwondo
No futuro, certamente se lembrarão desses dias com carinho e saudade. Sei que não é fácil manter todos os dias em harmonia e paz, afinal crianças precisam de espaço e gostam de novidades, mas com criatividade e carinho podemos ser os heróis que eles tanto acreditam que somos. E assim que tudo passar, seremos pessoas melhores e mais fortes! 

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

Mergulhando em Guarapari

Seus mares tem uma das maiores biodiversidades do Brasil
Guarapari, no litoral do Espírito Santo, é um dos melhores lugares do Brasil para iniciar na prática do mergulho. Tem uma das maiores variedades de peixes recifais do Brasil, pontos boa visibilidade e a baixa profundidades já se encontram diversos corais e peixes belíssimos! Por isso o batismo na cidade é tão procurado. Para quem não sabe, batismo é experimentar um mergulho com cilindro após uma breve aula e com o acompanhamento de um instrutor. É uma introdução ao mundo do mergulho e dá para ter uma boa ideia de como é se preparar para um mergulho, da sensação que é respirar pela boca, do peso do equipamento, e dos benefícios que observar a vida marinha de perto podem trazer.

Família que mergulha unida permanece unida
A região de Guarapari, além de ser boa para batismo, tem também pontos incríveis para quem quer evoluir na prática e "subir de nível" mergulhando a maiores profundidades, e principalmente mergulhar em naufrágio, já que lá está um dos melhores do país!

Instruções para a turma do batismo
Já fiz muita coisa maluca na vida, já passei por muita coisa legal, muitas aventuras, mas uma das sensações mais loucas que tive foi mergulhar no naufrágio do Victory 8B em Guarapari, no Espírito Santo. O navio é grego e foi abandonado na costa brasileira depois de ser apreendido por problemas financeiros, e foi afundado propositalmente para servir de recife artificial e ponto de mergulho. Ele tem quase 90 metros de comprimento e está bem preservado e integrado à vida marinha, a 35 metros de profundidade.

Equipado e pronto para mais uma aventura subaquática
Chegar ao navio não é fácil, ele está em uma região de fortes correntezas e pouca visibilidade. E é na descida que a aventura começa. O barco solta os mergulhadores contra a correnteza e a gente vai flutuando até uma boia que fica presa ao navio. A partir desta boia, é preciso segurar na corda e ir puxando o corpo em direção ao navio. Esta sensação parece filme de terror, a correnteza é muito forte, pareque que a máscara vai ser arrancada da cabeça, e a visibilidade é pouca, deve ser pouco mais de cinco metros. E a gente vai se afundando cada vez mais, em direção ao desconhecido... Quando de repente dá para ver a estrutura do navio, só as janelinhas e as bordas da cabine principal, uma cena sinistra. Puxando mais e mais, é possível ter noção do tamanho do navio, são metros e metros para baixo até o fundo do mar.

A descida pela lateral é incrível
Começamos descendo pela parte externa circulando a nave principal. Deu para notar o quanto os corais cobriram a carcaça do navio, em alguns pontos parecia que tinha mais de meio metro de coral sobre o metal. Incrível também é a diversidade de formas e texturas de corais, e a quantidade de peixes e cardumes que vive e visita a estrutura. Havia um cardume gigante que eu acho que era de sardinhas, fazendo um verdadeiro balé ao redor do navio. A cada mudança de direção a luz batia sobre elas e parecia uma cortina de peixes dançando! Muito legal!
Chegamos perto do fundo, a aproximadamente 35 metros de profundidade, e deu para ver toda a extensão do navio, bem assentado ao fundo quase em posição vertical. Entre várias janelas havia uma passagem de um lado ao outro do navio, por onde foi possível atravessar. Emocionante passar pelo corredor e ver algumas dependências internas. Voltamos subindo ao redor do casco até chegar na ponte de comando, com todas aquelas janelinhas voltadas para a frente do navio. Ao longo do caminho muitos cardumes, dezenas de espécies. Entramos pela frente da cabine e saímos do outro lado, e depois nos encontramos no topo para iniciar a volta. Se essa descrição é pouco para você, confira no vídeo abaixo os melhores momentos do mergulho que fiz em 26/12. E comente se curtiu!
 

domingo, 5 de janeiro de 2020

Hotel Fazenda Lagoa Azul

O hotel é bem grande e a região muito bonita.
Hotel Fazenda por definição é um lugar mais rústico, portanto geralmente inóspito a quem tem mobilidade reduzida, principalmente se usar cadeiras de rodas. Mas alguns hotéis têm se arriscado a oferecer acomodações adaptadas e estrutura para receber cadeirantes.

O estacionamento é todo em bloquete de cimento
É o caso do Hotel Fazenda Lagoa Azul, no município de Esmeraldas, a 45 km de Belo Horizonte. Pesquisando onde passar o reveillon, como tínhamos apenas dois dias, já que minha esposa iria trabalhar no dia 30 e no dia 2, encontrei este hotel e liguei para saber mais. Me informaram que o hotel dispunha de quarto "com portas mais largas e mais espaço interno" e acesso a "quase todos" os ambientes. Como estou acostumado a encarar acessibilidade precária, nem perguntei sobre cadeira de banho, já que iria levar a minha.

O quarto standard é muito grande, tanto que tem até camas para os filhos
O caminho inclui 15 km de estrada de terra em bom estado, mas não há placas muito nítidas, porém pelo Google Maps é fácil chegar lá. Não há vagas específicas para deficientes mas os funcionários ajudam a encontrar uma vaga próxima à entrada, e se necessário auxiliam no desembarque. O estacionamento é calçado por bloquetes de cimento complicados para andar com a cadeira. Mas se parar ao lado da entrada lateral é possível desembarcar no piso liso. 

O banheiro é bem fraco em adaptações. Basicamente, só a barra dentro do box.
A recepção é ampla mas não há balcão rebaixado, é bem alto e incômodo para cadeirantes. O quarto standard adaptado é muito grande e tem uma coisa difícil de se ver nesse tipo de acomodação: três camas, sendo uma de casal e duas de solteiro. É simples, há um pequeno frigobar, uma cômoda com gavetas, televisão e ar condicionado. A porta do banheiro é bem larga e passa a cadeira de rodas.

O acesso ao restaurante é bom
Os problemas começam no banheiro. Dá para fazer um jogo dos sete erros da acessibilidade com a foto dele. O espelho é muito alto. O banheiro é muito estreito, não passa a cadeira entre o vaso e a parede. Até a cadeira de banho é difícil colocar sobre o vaso, não dá para colocar a cadeira a noventa graus para transferir. Não há barras de apoio próximo ao vaso. A porta do box é apertada e tem um ressalto no chão. O suporte de sabonete é muito alto. E não há chuveirinho!! Esse para mim é o pior erro. Quarto adaptado para cadeirantes tem que ter chuveirinho. 

O espaço para circulação é razoável, e as mesas são boas para cadeirantes
No buffet há espaço para se servir, mas as panelas ficam muito altas
O acesso ao restaurante é tranquilo, há rampa com antiderrapante e boa inclinação. No buffet, em fogão a lenha, há bom espaço de um lado, porém as panelas ficam em posição elevada, dificultando enxergar o alimento lá dentro. Do outro lado é possível entrar com a cadeira, mas só se volta de ré. As mesas tem pés paralelos e boa altura, boas para entrar embaixo com a cadeira.

A rampa para acesso à área externa está bem judiada e a inclinação não é boa
Ao sair para a área externa há uma rampa de cimento muito ruim, com inclinação acima da recomendada e cheia de buracos. Impossível subir sozinho. Para chegar até a piscina há dois caminhos, um de bloquete bem ruim e outro bom, de piso liso. Porém há um pequeno degrau, chato de subir na volta. Não há nenhum acessório que auxilie descer para a piscina ou voltar, é tudo na mão. Quem não tem força e uma estratégia para isso, tem que ser carregado. 

O acesso à piscina é bem ruim, bloquete e grama.
O acesso secundário à piscina é bom, mas tem um degrau para chegar lá.
Há uma grande lagoa no hotel - que dá nome ao mesmo - que dispõe de pedalinho e waterball - aquelas bolas que se entra e são infladas. Tem também passeio de charrete em volta da lagoa, que é toda gramada com trechos em bloquete. Não dá para rodar por ali sem algum acessório, a cadeira trava o tempo todo.

Em volta da lagoa há grama e alguns trechos com bloquete. Difícil rodar na cadeira, só com acessório.
A lagoa vista da sede é bem bonita, e ainda tem os pedalinhos.
Em resumo, as adaptações são insuficientes para um cadeirante passar uma estadia tranquila principalmente por conta do banheiro apertado e sem chuveirinho. Se fosse maior, ajudaria bastante, seria mais usável com uma cadeira de banho. De resto dá para se adaptar, pois rodar pelas áreas externas com um acessório como o Freewheel é tranquilo. Se o cadeirante for aventureiro como eu, aí vale a pena, pois o lugar é muito bonito, o preço é razoável e os funcionários são solícitos e atenciosos. 

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

Melhores porta malas de SUVs compactos para cadeirantes

Na hora de comprar um carro, quem usa cadeira de rodas para se locomover deve levar em consideração o tamanho do porta malas, pois levar cadeira de rodas, eventualmente uma cadeira de banho e ainda bagagem, precisa ter um espaço considerável. E os SUVs vem a calhar para os cadeirantes, pois seus porta malas costumam ser mais altos e a tampa do porta malas removível, o que possibilita muitas vezes colocar a cadeira de rodas sem desmontar, rebatendo apenas o encosto.
Porém o que dita se vai caber ou não a cadeira não é somente o tamanho, mas principalmente o formato. Os que são mais "quadrados" e  cujos plásticos que cobrem a tampa do porta malas não são muito volumosos, facilitam a acomodação de uma cadeira de rodas. Neste ranking eu elegi os melhores porta malas dos dez SUVs compactos disponíveis para PCD hoje no mercado nacional com isenção total, ou seja, de IPI e ICMS, baseado na experiência que tive ao fazer test drive em todos eles, quando pude testar com minha cadeira, uma TiLite ZR monobloco tamanho 44. Confira a lista, do melhor para o pior!

1- Renault Duster
O melhor SUV para acomodar uma cadeira de rodas é também o que tem o maior porta malas entre os SUVs compactos. O Duster tem 475 litros e cabe uma cadeira de rodas montada e ainda sobra bastante espaço para bagagem embaixo da cadeira e nas laterais. É um pouco alto, mas nada que dificulte a colocação e retirada da cadeira.

2 - Renault Captur
O segundo da minha lista é outro Renault, o irmão de porta malas e que tem também o segundo maior porta malas. São 437 litros e o formato ajuda para caber tranquilamente vários modelos de cadeira, deixando ainda um bom espaço para bagagens.

3 - Nissan Kicks 
O porta malas do Kicks tem as mesmas boas características do carro anterior, bom tamanho e formato. Por isso seus 432 litros acomodam com facilidade uma cadeira monobloco rebatendo apenas o encosto e ainda deixa um bom espaço em volta dela para levar bagagens. Além disso, a base baixa não demanda muito esforço para elevar a cadeira até lá dentro.

4 - Peugeot 2008
Apesar de não ser dos maiores (é o terceiro menor), com apenas 355 litros, o formato do porta malas do Peugeot 2008 favorece a colocação de uma cadeira de rodas, que mesmo sendo grande (tamanho 44 de largura) cabe inteira, rebatendo o encosto. Com a cadeira montada, o espaço embaixo dela e nas laterais pode ser melhor aproveitado. Por isso o SUV francês leva o quarto lugar.

5 - Chery Tiggo 2
Com 420 litros, o porta malas do Tiggo 2 está acima da média da categoria e oferece uma boa litragem, e ainda um bom formato, que permite colocar uma cadeira monobloco montada. Porém a base da tampa do porta malas é alta, o que dificulta a colocação da cadeira, sendo necessário elevar bastante a cadeira para colocar, e a mesma dificuldade aparece para retirá-la. Mas não dá para negar que sobra um bom espaço para bagagem.

6 - Jeep Renegade
Um dos pontos fracos do Renegade como SUV é a baixa litragem do porta malas, de apenas 320 litros, a menor do segmento. Porém, devido ao formato mais "quadradinho" da carroceria do Jeep, é possível colocar uma cadeira de rodas monobloco tamanho 44 retirando apenas uma roda e encostando-a no banco traseiro. E a roda retirada cabe facilmente atrás da cadeira, deixando um bom espaço embaixo e na outra lateral para bagagem. Cadeiras menores cabem inteiras! Por isto ele fica num bom sexto lugar.

7 - Hyundai Creta
Apesar de ter o quarto maior porta malas da categoria com 431 litros, seu formato e a cobertura plástica interna da tampa não ajudam na colocação de uma cadeira de rodas, sendo necessário desmontar as duas rodas e rebater o encosto. Com a cadeira nesta configuração, o espaço que sobre fica bem mais limitado para bagagem. Ainda assim, devido à boa litragem, o Creta encabeça a lista dos porta malas que só cabem cadeiras desmontadas.

8 - Volkswagen T-Cross
Com uma litragem modesta, mas expansível, o último SUV compacto para PcD lançado no mercado nacional tem como ponto fraco a litragem do porta malas. Mas seus 373 litros originais podem chegar aos 420 litros se a posição do banco traseiro for alterada. Ainda assim não cabe uma cadeira monobloco 44 montada, nem tirando apenas uma roda, e com as duas rodas sobre a cadeira o volume para bagagem fica reduzido.

9 - Citröen C4 Cactus
Empatado em último lugar em litragem com o Renegade, com 320 litros, o Cactus tem o mesmo problema do Tiggo 2 na hora de guardar uma cadeira, e, na verdade, qualquer bagagem: base da tampa muito alta, sendo necessário elevar qualquer coisa que for colocar lá dentro. E com uma litragem tão modesta, não sobra muito espaço além da cadeira. Só não fica em último lugar porque o formato permite deixar as rodas sobre a cadeira.

10 - Ford Ecosport
O quarto menor volume de porta malas entre os SUVs compactos, com 356 litros, não ajuda na hora de guardar uma cadeira de rodas. É preciso desmontar ela toda, e o formato não permite nem mesmo guardar as rodas sobre a cadeira, elas precisam ficar empilhadas, dificultando a visibilidade do motorista. A forma de abrir o porta malas, para o lado, ao invés de para cima, não ajuda na hora de guardar a cadeira porque pode dificultar ao estacionar em uma vaga para deficientes, estendendo o espaço necessário atrás do veículo. Por estes motivos, o Ecosport fica em último lugar no ranking.

sábado, 2 de novembro de 2019

Participação no Encontro com Fátima Bernardes

Falamos sobre a paternidade sobre rodas
Aparecer na Globo é um sonho de muita gente. Aparecer ao vivo, em rede nacional e ser entrevistado pela maior musa do jornalismo brasileiro, é um privilégio incalculável! E foi isto que aconteceu comigo e minha família no dia 29 de outubro! Tudo começou quando enviei uma mensagem para o programa através do site contando um pouco da nossa história e do meu dia a dia com os gêmeos. Depois de um mês e pouco a produção do programa me ligou chamando para participar ao vivo e mostrar o que representa a paternidade na minha vida, e como me adaptei para recebê-la. Resolvemos todos os detalhes por email, nos mandaram as passagens e fomos na segunda feira dia 28. Ficamos num hotel por conta deles e no dia um motorista nos levou cedo para o Projac. 
Fomos para o estúdio em um carrinho elétrico adaptado!
O tamanho do complexo impressiona, entramos pela portaria 3, e para chegar lá foram vários minutos rodando desda a primeira portaria. Nos identificamos, assinamos uma autorização para a entrada dos meninos e entramos. Logo ao entrar há um estacionamento de carrinhos elétricos, tipo aqueles de Golf, mas precisei esperar até buscarem o carrinho adaptado. Nele, subi com a cadeira, travaram ela no chão e seguimos para o estúdio. Nos receberam muito bem, mostraram o palco principal e onde ficaríamos. A estrutura da Globo é impecável, as pessoas muito solícitas e profissionais. A Maju, produtora da Fátima, nos recebeu muito bem, deu todas as orientações e nos deixou nos camarins, onde havia comida e bebida à vontade. Logo levaram a Gi para a maquiagem, depois eu fui, e aguardamos.
Bastidores do programa, a plateia e parte do estúdio
Faltando meia hora para começar o programa, a Maju nos levou para o palco. Ficamos na platéia e os artistas foram chegando. A Fátima chegou em seguida e foi muito simpática, disse que gostou muito da nossa história e agradeceu pela participação. Em seguida apresentaram a equipe de segurança, explicaram sobre a estrutura do estúdio e o que fazer em situação de emergência.
Max falando com a Fátima sobre meu acidente
Nossa participação foi no segundo bloco, assim que voltou dos comerciais a Fátima introduziu o assunto e nos chamou para o palco. Fiquei ao lado dela e a Gi no sofá com as crianças. Ela começou me perguntando sobre o processo para ter os filhos, e como lidei com os bebês no início, pois com a cadeira e as limitações físicas, tudo fica mais complicado. Falei sobre as adaptações que fiz na nossa casa para manusear melhor os bebês, como os berços em “L” para permitir o acesso da cadeira, com lateral deslizante para ficar no nível da cadeira, e o trocador que permite que eu entre com a cadeira de rodas embaixo, para trocar fraldas e roupas. E ainda hoje preciso adaptar o jeito de vestir e cuidar deles.
Eu e os meninos com a Fátima Bernardes!
Expliquei também que para a criança é legal ter um pai na cadeira de rodas, pois para eles ela é um carrinho grande, no qual elas podem rodar, empoleiradas no meu colo, e gostam de brincar em cima dela. Minha esposa Giordana falou sobre o início, que não queria ter filhos mas foi convencida por mim, e que os meninos já entendem as minhas limitações e até me ajudam quando fico sozinho com elas.
Com a atriz Cyria Coentro, muito simpática!
O psiquiatra Jairo Bouer contribuiu refletindo sobre como as crianças crescem com um olhar mais inclusivo por serem filhas de cadeirante. O ator Rainer Cadete falou sobre a relação dele com o filho Pietro, assim como o cantor Felipe Araújo. A Atriz Cyria Coentro também opinou sobre a paternidade, e como alguns pais sem deficiência dão desculpas para não ajudar. Falei sobre o dia a dia com os gêmeos, que tenho o privilégio de acompanhar, almoço todos os dias com eles, escovo os dentes, ajudo a arrumar e levo na escola, onde ficam na parte da tarde. Ao final do dia busco os dois, lanchamos juntos e fico sozinho com eles brincando até a chegada da minha mulher.
Max e Anne deram um show à parte. Ficaram muito à vontade no palco, falaram no microfone da Fátima, correram e pularam pra todo lado! Deram um tom divertido à entrevista e mostraram ser crianças desinibidas e felizes! Max resolveu, do nada, contar para a Fátima como foi o acidente que me deixou na cadeira. Muito espontâneo!
Com André Curvello, o cara é uma figura, muito gente boa!
Não falei tudo que queria, ao longo da entrevista a gente se envolve e esquece! O mais importante deixei de fora, que é a dor crônica que me limita mais do que a cadeira, e se adaptar a ela é muito mais difícil. Não falei também sobre meu livro, que escrevi para ajudar outros cadeirantes a se adaptarem e terem mais qualidade de vida. Mas valeu! 
Ao final da entrevista tiramos fotos e conversamos com a Fátima e os artistas, foram muito simpáticos conosco. A Fátima Bernardes é muito simpática, acessível e conhece bem os convidados, sabia de toda nossa história, do meu trabalho no blog e nas redes sociais em prol da melhoria de qualidade de vida dos deficientes.
Veja no link abaixo nossa participação no programa:

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...