sexta-feira, 26 de março de 2021

‘Assim Vivemos - Festival Internacional de Filmes sobre Deficiência’ terá edição online e gratuita de 10 a 14 de abril


COM RECURSOS DE ACESSIBILIDADE, SERÃO EXIBIDOS 14 FILMES DE EVENTOS ANTERIORES E DOIS INÉDITOS, ALÉM DE QUATRO DEBATES

O Assim Vivemos – Festival Internacional de Filmes sobre Deficiência – o mais importante e longevo evento de cinema sobre o tema -, realiza uma edição online e gratuita entre 10 e 14 de abril. Com uma seleção especial, serão exibidos 14 filmes premiados e consagrados anteriormente e dois brasileiros inéditos, além de quatro debates. Governo Federal, Governo do Estado do Rio de Janeiro e Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro, através da Lei Aldir Blanc, apresentam o evento.

As produções - curtas, médias e longas-metragens- vêm da Bielorrússia, Brasil, Canadá, Espanha, França, Irã, Israel, Moçambique, Mianmar, Rússia e Tailândia. Cada dia do festival terá uma temática, que motivam os debates: “Arte e Diversidade”, “Escola e Vida Independente”, “Vida Amorosa e Autonomia” e “Autismo e Neurodiversidade”, realizados após a segunda sessão de cada dia. Participam dos bate-papos pessoas com deficiência e profissionais que atuam diretamente com os temas trazidos pelos filmes, entre eles, diretores de produções nacionais.

Filmes e debates contarão com recursos de acessibilidade como a audiodescrição e as legendas LSE (para surdos e ensurdecidos), além interpretação em LIBRAS. Será distribuído gratuitamente por e-mail material didático com sugestões de atividades para professores e profissionais da área, inspirado nos temas retratados pelos filmes, podendo ser aplicadas tanto para alunos como para professores.

“Sempre tivemos uma demanda muito grande de pessoas e instituição querendo os filmes do Assim Vivemos para exibir nos seus espaços de trabalho. Profissionais de outros estados onde o festival presencial não percorre, solicitavam o acervo, porém por questões de direitos de exibição nunca podíamos atender. Agora, com a versão online do festival, estamos tendo a chance de ampliar esse alcance. O Assim Vivemos Online está sendo preparado com ambiente virtual acessível e recursos de acessibilidade comunicacional para que todos em qualquer lugar do mundo, possam acessar com facilidade" – comenta Graciela Pozzobon, diretora do festival.

Para participar, basta entrar no site www.assimvivemos.com.br  Os filmes estarão reunidos em sessões diárias, às 15h e 17h. Os debates acontecem sempre após a segunda sessão, às 19h e, para participar, será disponibilizado outro link no site do evento. Após a exibição do dia, as produções ficam disponíveis até dia 14, o último dia do festival.

Esta edição online só foi possível porque a Cinema Falado Produções, organizadora do festival, foi contemplada no edital Lei Aldir Blanc. Realizado bienalmente desde 2003 – há 18 anos – no segundo semestre de 2021 está prevista a 10ª edição com produções inéditas. O evento será presencial nas cidades do Rio de Janeiro, de Brasília e de São Paulo. As inscrições para os filmes estão abertas até 12 de abril na plataforma FilmFreeway, através do link:

https://filmfreeway.com/assimvivemos.

Para conferir a programação completa do Assim Vivemos, acesse: http://www.assimvivemos.com.br

Para fotos dos filmes, acesse: 

https://drive.google.com/drive/folders/1ZtUk8BAwE5WIxrz5VxRI0tXi-OmJTAHb?usp=sharing

Para imagens dos filmes do Assim Vivemos Online, acesse:

https://youtu.be/Oil3zn6Dgv0

Para download as imagens, clique aqui: 


OS FILMES PARTICIPANTES

Bielorrússia

Quem É O Último? - Who Is The Last One? (Bielorrússia, 2018, 60 min.) Dir. Siarhei Isakov

O filme retrata um projeto teatral no qual crianças com e sem autismo atuam juntas no palco, mostrando como os professores trabalham e como conseguem unir crianças com diferentes necessidades emocionais, físicas e mentais. No filme, conhecemos quatro personagens, Kostya, Misha, Vlada e Maxim. Na tela, vemos crianças estudando e ensaiando com dedicação no teatro.

Brasil

Estrangeiros (Brasil, 2013, 20 min.) Dir. Sônia Machado Lima

A fala tem poder e se impõe como forma superior de comunicação, forçando pessoas surdas a aprenderem a repetir sons que não conseguem ouvir. É um esforço tremendo – e é desgastante. Até que, muitas vezes chega o momento em que o surdo descobre que foi inútil o tempo em que tentou aprender algo que simplesmente não lhe servia. O filme pretende mostrar um caminho de descoberta, dúvida, silêncio, alegria, aceitação, incompreensão e afirmação.

Mona (Brasil, 2019, 6 min.) Dir. Lucca Messer

Em 2017, Mona se torna a primeira mulher negra cadeirante a se apresentar no Teatro Municipal de São Paulo, Brasil. Quebrando barreiras no mundo da dança, Mona também representa a superação de preconceitos cotidianos contra pessoas negras na maior cidade da América do Sul. Como bailarina e atriz, ela é hoje um símbolo nacional de resistência.

O Que Pode Um Corpo? (Brasil, 2020, 15 min.) Dir. Victor Di Marco e Márcio Picoli

Um bebê nasce, mas não chora. Um corpo grita e não é ouvido. As tintas que escorrem em um futuro prometido, não chegam em uma pessoa com deficiência. Victor faz de si a própria tela em um universo de pintores ausentes.

Stimados Autistas (Brasil, 2020, 55 min.) Dir. Cristiano de Oliveira

Adultos autistas diagnosticados tardiamente falam com outro autista sobre como foi crescer sem o diagnóstico, como foi a busca por profissionais e sobre as adaptações feitas após descobrirem que são autistas.

Canadá

Somos Todos Daniel - We Are Daniel (Canadá, 2009, 92 min.) Dir. Jesse Heffring

No verão de 2007, estudantes da Escola Summit de Montreal com deficiências intelectuais, emocionais e comportamentais ensaiam uma complexa peça de teatro musical. A peça conta a jornada de um estudante com autismo que chega em uma nova escola. O documentário acompanha os ensaios da peça, dando destaque a seis estudantes, seus pais e professores. Autismo, Asperger, Síndrome de Down, TORCH Syndrome, A.D.D., suas manifestações e consequências são reveladas. Essa jornada, em que às vezes a ficção se mistura com a realidade, revela a beleza desses jovens, suas habilidades e o fascinante efeito de sua honestidade.

Espanha

O Que Tem Debaixo do Seu Chapéu? - What’s Under Your Hat? (Espanha, 2006, 75 min.) Dir. Lola Barrera e Iñaki Peñafiel

Judith Scott é uma artista, uma escultora, que trabalha em um espaço pouco usual: o isolamento causado por sua deficiência. Ela nasceu com Síndrome de Down e não falava. Aos sete anos, foi considerada incapacitada. "Alto grau de retardo mental": este foi o diagnóstico e a razão pela qual ela foi separada de sua família. Ninguém percebera que ela era surda até os seus 40 anos de idade. Passou a maior parte da vida esquecida, internada em instituições. Sua irmã gêmea, que não é portadora de deficiência, vai em busca da irmã e nos ajuda a remontar sua história. Judith agora é uma artista reconhecida. Seus trabalhos são exibidos em museus e galerias de todo o mundo e têm um alto valor de mercado. Uma arte que não tem nada a ver com a razão? Uma solitária, profunda e misteriosa expressão da alma: é isso que ela nos oferece.

França

A Largura e o Comprimento do Céu – The Length and Breadth of the Sky (França, 1998, 26 min.) Dir. Dominique Margot.

Jean-Claude Grenier nasceu em Orleans, França, com a condição conhecida como "ossos de vidro". Por muitos anos, esteve envolvido em trabalhos sociais, até que foi descoberto por Geneiève de Kermabon e convidado para a versão teatral do clássico filme de Tod Browning, “Freak”. Grenier excursionou pela Europa com o ARCHAOS Circus, fez aulas de interpretação e aperfeiçoou suas habilidades dramáticas. Trabalhou com Joël Jouanneau, Karim Didri, Rollando Colla e Anne-Laure Rouxel, entre outros. O filme mostra Jean-Claude Grenier no trabalho e nas ruas, encontrando-se com a família e participando de uma festa com os amigos.

Soluções Promissoras - Hopeful Solutions (França, 2012, 52 min.) Dir. Romain Carciofo

O filme remonta a investigação de Romain Carciofo sobre o autismo. O diretor atravessa a França para responder uma questão: Como as pessoas com autismo e suas famílias são assistidas na França? Esse tocante documentário ilumina a situação alarmante das pessoas que sofrem de autismo e mostra como seus parentes estão lidando com esse transtorno.

Irã

Beleza Desconhecida – Unknown Beauty (Irã, 2014, 47 min.) Dir. Mahboubeh Honarian

Beleza Desconhecida é um tocante documentário que retrata a vida de três mulheres no Irã que tentam levar uma vida independente e sair do isolamento. Apesar de suas lutas diárias em um país que lhes oferece serviços precários, essas mulheres iranianas aceitam suas deficiências e trabalham duro para desenvolver seus talentos artísticos.

Quando Brilha Um Raio de Luz - When a Line of Light Shines (Irã, 2010, 19 min.) Dir. Shahriar Pourseyedian

Mitra é uma moça com deficiência física de uma aldeia de natureza exuberante em Talesh, no Irã. Sua irmã, Jamileh, é surda. Aparentemente, o destino concedeu a elas aptidões complementares. Como resultado, as duas irmãs desenvolveram um relacionamento forte e intenso. A deficiência física de Mitra não a impediu de descobrir o talento para o desenho e de cultivar a alegria de viver.

Israel

Independente – Indie-capped (Israel, 2015, 33 min.) Dir. Ariela Alush

Eldar Yusopov nasceu no Usbequistão há 27 anos, mas durante seu parto houve complicações e o médico perguntou a seu pai quem deveria viver – Eldar ou sua mãe. Rafael, o pai, decidiu que sua mulher, Mira, deveria viver, e Eldar nasceu morto. Mas, contra todas as previsões médicas ele reviveu, com paralisia cerebral, e, desde então, faz de tudo para se posicionar e fazer-se ouvir. Ele não consegue falar nem segurar uma caneca, mas escreve roteiros de filmes com apenas um dedo e interpreta o personagem principal como se fosse o Brad Pitt. Mas seus pais não permitem que viva sozinho e na sua busca por independência ele tem que provar – para si mesmo e para sua família, que ele pode ser um cara normal como todos a sua volta. Essa é uma história sobre perseverança e autoestima, e sobre um grande desejo de falar de amor, mesmo não conseguindo se mover ou mesmo falar.

Moçambique

De Corpo e Alma – Body and Soul (Moçambique, 2010, 57 min.) Dir. Matthieu Bron 

A vida de três jovens com deficiência física que moram em um subúrbio de Maputo, capital de Moçambique. Eles dão exemplo de autoestima, perseverança e criatividade para superar os desafios físicos e emocionais do dia a dia.

Mianmar

Uma Menina em 10 x 10 - A Girls in 10 x 10 (Myanmar, 2017, 29 min.) Dir. Mai May Sakarwah, Mary, Yu Par Mo Mo

Ngu Wah Hlaing foi abandonada por sua mãe quando era um bebê por causa de sua deficiência. Uma monja e seu filho, que é transgênero, a adotaram e a amam. Atualmente, Ngu Wah Hlaing tem 11 anos de idade, mas não sabe ler e escrever porque é recusada pelas escolas devido à sua deficiência.

Rússia

Ver e Crer - Seeing is Believing (Rússia, 2007, 13 min.) Dir. Tofik Shakhverdiev

Sergey tem 22 anos. É cego desde os oito. Está no terceiro ano da universidade, onde estuda computação. É muito independente e adora praticar esportes - futebol e judô. Sergey aprendeu a perceber a trajetória da bola através da audição. Desenvolveu esta capacidade jogando "golbol" # um jogo semelhante ao futebol, jogado por pessoas com deficiência visual parcial ou total. O filme mostra um pouco da sua vida # seus amigos, hobbies, estudos e esportes favoritos.

Tailândia

Dentro de Mim – Inside of Me (Tailândia, 2015, 22 min.) Dir. Sophon Shimjinda

Cherry é uma mulher transgênero com deficiência. Ela deseja o amor de um homem, embora possa comprar satisfação física em um bar. Mas o que ela mais anseia é o amor de sua mãe e de seu pai.

Sobre o Festival Assim Vivemos 

Realizado desde 2003, o Assim Vivemos – Festival Internacional de Filmes sobre Deficiência, conta com o patrocínio do Centro Cultural Banco do Brasil. Evento bienal, promove a reflexão sobre temas como preconceito, invisibilidade social, mobilidade, afeto, superação, autonomia, inclusão e acessibilidade, trazendo para o Brasil o melhor da produção audiovisual mundial sobre o assunto. 

Entre suas produções estão curtas, médias e longas metragens de diferentes nacionalidades que formam um mosaico diverso, abrangente e rico sobre as questões que envolvem as pessoas deficientes e consequentemente toda a sociedade. Em todas as sessões são disponibilizados recursos de acessibilidade como a audiodescrição e legendas LSE (para surdos e ensurdecidos) e interpretação de LIBRAS.

O Assim Vivemos já se consolidou como um importante espaço de reflexão já que também promove debates e oficinas sobre temas levantados pelos filmes, onde pessoas com deficiência e profissionais de referência com e sem deficiência se encontram. Com curadoria delicada e cuidadosa, que busca dar o espaço de fala e o protagonismo para as pessoas com deficiência contarem suas histórias, o Festival Assim Vivemos se revela uma experiência que encanta e transforma todos os públicos. 

Assim Vivemos - Festival Internacional de Filmes sobre Deficiência

De 10 a 14 de abril de 2021 

Edição online a gratuita através do site www.assimvivemos.com.br

Duas sessões de filmes por dia, às 15h e 17h, seguidas de debate, às 19h


Para outras informações entre em contato

Beatriz Bergamo :: beatriz.bergamo@agenciafebre.com.br (22)99996-5239

Katia Carneiro :: katia.carneiro@agenciafebre.com.br  (21) 99978-2881

assimvivemos@agenciafebre.com.br

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domingo, 21 de fevereiro de 2021

Atividade física para cadeirantes

Uma cadeira de rodas? Para muitos, pode ser motivo de pena, de lamentos e limitação na mobilidade.
Só que não precisa mais ser vista e tratada dessa forma tão dramática. Vou começar minha coluna aqui no Blog do cadeirante entrando de carrinho no assunto: Atividade física para cadeirantes!

Antes que vocês me perguntem e eu me esqueça de falar: quem sou eu?
Ei meu povo? Meu nome é Roberto França Duarte, tenho paralisia cerebral e por isso me locomovo em uma cadeira de rodas, mas minha paralisia cerebral, não me impediu de ser atleta adaptado de CrossFit.


Hoje treino forte na cidade de Londrina - PR para, em março de 2021, enfrentar o Open Games do CrossFit que abre vaga pro mundial do CrossFit Games. Por isso falar sobre esporte adaptado pra mim é fácil, tão fácil que também tenho um site onde escrevo sobre a vida de cadeirante, acessibilidade, turismo acessível e lógico, minha vida de atleta. Entre no meu site: www.arcadecodex.com 

Já não é mistério para ninguém que praticar uma atividade física com regularidade traz inúmeros benefícios à saúde física e mental. E esses benefícios à saúde são maiores na pessoa com deficiência, como: aumento da força (o tal querer sair de casa), equilíbrio, agilidade, ajuda na auto estima, pois promove o convívio com outras pessoas, na auto independência e ajuda nas doenças secundárias à deficiência.


A atividade física que for prazerosa acaba sendo um descanso para a mente, tirando a pessoa com deficiência de um círculo vicioso de vitimização e a colocando no que pode ser seu melhor momento do dia. Sem falar que é um modo de reabilitação! E unindo com a fisioterapia pode melhorar a qualidade de vida.

Sim, nesse caso, não coloco a fisioterapia como sendo uma atividade física pelo fator diversão, mesmo ela sendo muito necessária! Mas é algo chato, doloroso e cansativo. O segredo é achar algo que dê prazer, alegria e te motive em fazer outras atividades.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

Delivery e Acessibilidade: como as oficinas estão se adaptando à pandemia


Neste momento de isolamento social e cuidados pessoais ao sair de casa, estabelecimentos comerciais e prestadores de serviço tiveram que se adaptar para atender seus clientes. Como estamos mais quietos em casa – pelo menos a maioria de nós – nossos carros tem ficado guardados nas garagens por muito tempo, exceto os veículos usados para aplicativos de transporte, que não pararam de rodar. Com a melhora dos números de contágio e flexibilização do isolamento, muitos veículos que estavam parados começam a retornar às ruas, e é importante dar uma revisada neles antes de voltar a rodar. Isso se o carro ligar, muitos vezes quando ficam muito tempo parado, descarregam a bateria, e precisam de um enxerto para dar a partida.


De qualquer forma, o serviço das oficinas não parou, apesar de ter diminuído. E para se adaptar a essa nova realidade, elas investiram em estrutura e serviços diferenciados. O mais procurado ultimamente é o delivery de veículos. Para evitar que o cliente precise sair de casa para levar em uma oficina dar aquela geral antes de colocar na estrada, as oficinas oferecem o serviço de busca e entrega na casa do cliente. E para quem teve a bateria descarregada, elas tem também o serviço de levar um veículo ou uma bateria extra para fazer a ligação na bateria do carro e dar a partida. A partir daí, basta uma volta com o carro para voltar a carregar a bateria. Isso se ela não estiver estragada.

PCDs passam a precisar mais de oficinas

No caso das pessoas com deficiência, por ter direito à isenção de impostos e poder trocar de carro a cada quatro anos, geralmente usam pouco as oficinas mecânicas. A garantia da maioria dos modelos nacionais é de três anos, e com o aperfeiçoamento dos automóveis, a incidência de problemas mecânicos se torna algo raro antes dos cinco anos de vida (salvo defeitos de fábrica, cobertos pela garantia). Com o congelamento do limite para compra de veículos com isenção de ICMS por PcD em 70 mil reais há mais de onze anos, as montadoras foram retirando itens de alguns modelos para mantê-los dentro deste valor, e um dos itens que se tornou comum retirar nos últimos lançamentos foi a garantia, que passou a ser de um ano ao invés de três. 


Além disso, devido ao congelamento, grande parte dos modelos destinados a PCD são muito pelados, e para economizar, muita gente instala os itens que não vem nestes veículos como mídia, rodas de liga, faróis de neblina em lojas de acessórios, ao invés das concessionárias. Isso aumenta o risco de defeitos por incompatibilidade e pane elétrica. Como não foram instalados em concessionária, podem inviabilizar a garantia nestes casos. 

Outro fator que tem feito este público frequentar as oficinas é que o limite congelado tem feito muitas pessoas abrirem mão das isenções e recorrer ao mercado de usados. Assim, conseguem modelos mais adequados às suas necessidades, porém não estão cobertas pela garantia de fábrica. 

Oficinas oferecem acessibilidade e serviços a domicílio

No bairro Buritis, há uma oficina que está antenada com as necessidades de seus clientes há muito tempo. A Retok já fazia o serviço de busca e entrega de veículos antes da pandemia para trazer comodidade para seus clientes. Seu proprietário, Júnior Coutinho, diz que já havia percebido que muitos dos seus clientes são idosos ou deficientes, que têm maior dificuldade em ir à oficina deixar ou buscar o veículo. Ele passou então a oferecer a busca e entrega de veículos, pensando não só nas limitações que porventura tenham, mas também na comodidade de não precisar se preocupar com o transporte na volta da oficina. Há casos de clientes que tem receio em andar sozinhos em táxi ou veículos de transporte por aplicativo. Portanto passou a sugerir que liguem para a oficina caso haja algum problema ou barulho no veículo, e eles buscam o carro, conversam com o cliente sobre o problema, e entregam o veículo assim que estiver pronto, fazendo inclusive a cobrança na casa do cliente, através de máquinas de cartão portáteis. O ambiente da oficina também é atento à acessibilidade, não há barreiras ou escadas, até o escritório não tem paredes, fica bem na entrada da oficina. 


Outra oficina que já está adequada aos novos tempos é a Autobahn, que devido à história pessoal do seu proprietário, Marcos Ramiro, já oferece acessibilidade em seu escritório e o serviço de delivery. Marcos sofreu um acidente aos onze anos e ficou com sequelas na perna direita. Chegou a usar cadeira de rodas enquanto se recuperava, e percebeu que quanto mais estrutura tiver para atender seus clientes, maior poderia ser seu público, e mais conforto traria para eles. 

Se o cliente quiser ir até a oficina, ele entra com o carro no pátio e encontra rampas com inclinação suave para ir até o escritório, que tem bastante espaço para uma cadeira de rodas rodar com tranquilidade. Se não quiser ter este trabalho, é só ligar ou mandar mensagem que o proprietário vai pessoalmente à casa do cliente buscar o carro, conversar sobre o problema e definir o que precisa ser feito. Como é uma oficina trabalha também com veículos raros e exclusivos, oferece até a busca e entrega de veículos em reboque, para que a “jóia sobre rodas” não se desgaste ou corra riscos rodando pelas ruas. 

Novos tempos, novas necessidades

Vivemos uma nova realidade, imposta por uma pandemia de proporções globais. Quem se adapta e se prepara, conquista seus clientes e mostra ter responsabilidade social e preocupação com inclusão. Ninguém perde ao investir em acessibilidade e comodidade para seus clientes. Atende mais pessoas e se mostra preparado para adversidades. Que outras oficinas se espelhem nestes bons exemplos.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

Porque o Virtus é um dos melhores sedans para PCD

 


O sedan da Volkswagen é um dos maiores destaques quando se trata de carros para PCD

A procura por carros PCD passou a ganhar grandes proporções ao longo da última década. Isso é por conta das vantagens que eles oferecerem para as pessoas que possuem alguma deficiência, mas também porque esses automóveis têm diferentes descontos que compensam na hora na compra.

Assim, entre descontos e vantagens, o Virtus ganha mais espaço e se torna um dos melhores sedans para PCD e você precisa descobrir o motivo disso. Então venha acompanhar com a gente o por quê desse carro estar conquistando tanto espaço.

Amplo espaço interno

Se tem algo que o Virtus oferece a todos, é um espaço interno impressionante. O que se torna ainda mais importante no caso de uma PCD, que pode se movimentar livremente, com tranquilidade e com muito conforto dentro do carrão.

Acessibilidade a partir do próprio espaço físico do sedan com toda a certeza foi uma preocupação da montadora, como quem usa logo pode perceber.

Alta capacidade no porta-malas

Mas a amplitude não está apenas no espaço interno, a VW caprichou no porta-malas do Virtus. Cabendo tudo o que precisa, é fácil de encaixar tudo ali dentro. Seja para uma viagem ou para equipamentos essenciais do dia a dia, o porta-malas do veículo atendo muito bem às necessidades de uma PCD.

Tecnologia de ponta para facilitar

Ainda existe outra vantagem interessante do sedan quando se trata da tecnologia integrada que o carro oferece. O Virtus vem com sensores de estacionamento traseiros Park Pilot, computador de bordo, sistema de som touchscreen com conectividade e volante multifuncional.

Pois é, ele não impressiona apenas pela beleza, mas também pela usabilidade, que torna tudo dentro do Virtus ainda mais acessível. Ou seja, é tudo o que uma pessoa precisa para ter comodidade de uma maneira extremamente fácil de usar.

Muito conforto e segurança

Outro ponto positivo do Virtus está em o quanto ele é confortável e seguro. O sedan conta com bancos ergonômicos, porta-objetos espalhados pelo veículo, acabamento detalhado, cintos de segurança dianteiros com regulagem de altura e pré-tensionador, cintos de segurança traseiros automáticos de 3 pontos (inclusive o central) e fixação de assento de criança com sistema ISOFIX®. Tudo isso promove ainda aconchego e tranquilidade ao motorista e aos passageiros.

Pouquíssima necessidade de reparos

A fama da Volkswagen não é à toa. Como todos os carros da confiável montadora alemã, o Virtus também carrega essa tradição de ser um carro de poucos problemas mecânicos com o maior sucesso. A coisa mais difícil é precisar levar um Virtus para a oficina por conta da necessidade de um reparo, ou algo do tipo.

Tirando as revisões regulares ou questões muito específicas, é bem raro que o sedan apresente qualquer defeito apenas com o uso normal do dia a dia. Pensando no transtorno que é levar um carro para o conserto, ter um conjunto mecânico confiável como esse é um enorme benefício.

Além disso, na baixa probabilidade de precisar de alguma troca, as peças do Virtus tem um preço excelente comparando com carros da mesma categoria.

Custo-benefício incrível

Como bem indica o levantamento da iG Carros de 2020, o Virtus ainda tem outra baita vantagem. Isso porque o sedan da Volkswagen está entre os 3 carros para PCD mais baratos do mercado brasileiro.

Afinal, por estar na categoria de até R$ 70 mil, o automóvel recebe desconto tanto no IPI quanto no ICMS. A versão Sense, de motor 1.6, com 117 cv e transmissão automática de 6 marchas sai por apenas R$ 54.045, tornando seu custo-benefício ainda mais interessante.

Já conhece todos benefícios que o Volkswagen Virtus traz e descobriu o porquê dele ser um dos melhores carros para PCD? Portanto, ajude mais pessoas e compartilhe o que viu aqui sobre esse baita veículos a todos que tiverem interesse nessas informações.

quarta-feira, 25 de novembro de 2020

Como salvar uma Roho - nível hard

Com criatividade dá para tampar até rasgo!

Quem usa cadeira de rodas está propenso a ter escaras, principalmente na região do glúteo e coxas, onde está a maior pressão por passar longos períodos sentado. Para evitar as temidas escaras, uma das formas de prevenção é o uso de almofadas de ar, como as Roho. Porém elas são muito caras, e por serem importadas estão sujeitas à variação do dólar, que não para de subir. Quem tem uma almofada dessas, deve cuidar com todo carinho, pois comprar uma nova está cada vez mais difícil. Mesmo quem consegue trazer de fora vai pagar uma pequena fortuna para manter o popô a salvo das escaras.
Olha o tamanho do rasgo, num lugar difícil

Eu já havia publicado um post sobre como salvar uma Roho, pois certa vez tive um gomo rasgado e consegui estender a vida útil da minha almofada em mais um ano! Porém acabou rasgando de novo e comprei uma nova no início do ano passado. Porém, com apenas seis meses de uso ela furou. Não sei se essas almofadas estão ficando mais frágeis ou eu dei azar, pois a anterior demorou uns dois anos para furar pela primeira vez. E pra piorar, furou num dos piores lugares, a esquina do canal que leva o ar para os gomos de trás. Nesse ponto é bem difícil os remendos pegarem, pois é curva. Toda vez que coloco remendo ali, em pouco tempo vaza e preciso colocar outro por cima, como na primeira foto. Ou então tenho que retirar completamente o remendo e fazer outro maior pra ver se segura o ar. Depois de umas três tentativas, o furo virou rasgo e ficou quase impossível o remendo segurar o ar. Resolvi então radicalizar. Retirei todo o remendo de novo para avaliar o estrago, como mostra a foto acima.
Cortei o tubo de um coletor urinário
Usei cola de pneu de bicicleta

Peguei um coletor urinário, desses que vem com uma camisinha na ponta e cortei um pedaço de uns 10 cm. Depois de lixar o local e passei cola de bicicleta no pedaço de tubo. Em seguida enfiei o tubo pelo rasgo da almofada e depois empurrei até que o centro dele ficasse bem no meio do rasgo. Acrescentei mais um pouco de cola e esperei quinze minutos. Em seguida recortei o remendo e comecei a aplicá-lo pelo centro, para que a curva do canal ficasse bem vedada. Fui apertando até o outro lado do canal e retirei todo o ar que ficou por dentro apertando bastante o remendo em direção às bordas.
Colocar com cuidado o tubinho é importante

E pronto! Remendo concluído, deixei secar por algumas horas e depois enchi a almofada. Até hoje nenhum vazamento, esse processo já tem quase dois meses!! Valeu a pena o trabalho, com o dólar nos patamares atuais está inviável comprar uma nova almofada.
Bonito não fica, mas funciona


segunda-feira, 10 de agosto de 2020

RESPEITO É PONTO EM COMUM, O PRINCIPAL PROPÓSITO, ONDE TODAS AS LUTAS SE ENCONTRAM - Por Luciana Lage


Pessoas são iguais e diferentes ao mesmo tempo. Devemos ser respeitados e ter os mesmos direitos. Parece simples, conceitos básicos para que possamos viver em harmonia, mas a realidade é diferente.

Walter Casagrande, comentarista esportivo que fala abertamente sobre sua dependência, externou por mais de uma vez o pensamento de que o dependente químico é um dos primeiros da lista de discriminações e que dói do mesmo jeito de quando homossexuais e pessoas pretas são ofendidas, por exemplo. Ele acredita que ainda é muito difícil para a sociedade lidar com o dependente porque ela não sabe, não entende ou ainda não é esclarecida que a dependência química é uma doença (mas que recuperar-se e viver sem drogas é possível) - preconceito, preocupação e desconfiança existem e são constantes.

A opinião de Casão, como é popularmente chamado, fez e faz total sentido. O diferente, o desconhecido, o “estranho” ainda causa estranhamento e evidencia a ausência de uma educação pautada na diversidade, seja nas escolas ou em casa.

Em referência ao Dia dos Pais, decidi conversar com quatro perfis de pais que não se encaixam no padrão eurocêntrico e heteronormativo ou que são portadores de alguma questão de saúde.

Gabriel Mori é pai da Isabela (8 anos) e do Lucas (6 anos), CEO e fundador do Programa de Recuperação Conexão Humana. Angelo Morse é pai da Analua (12 anos) e do Caetano (5 anos), ator, poeta, artista plástico e gestor escolar. Alessandro Fernandes é pai dos gêmeos Anne e Max (4 anos e meio), administrador de empresas e funcionário público. Cezar Sant’Anna é pai da Fernanda (14 anos) e padrasto do Guilherme (7 anos), closer de vendas e ativista de temas relacionados à transexualidade.

O que será que um pai dependente químico em recuperação, um pai preto, um pai cadeirante e um pai trans têm em comum?
Confira!

1. O que é paternidade real para você?
Gabriel - Para mim, não existe paternidade real, existe apenas paternidade! Condiz com amor incondicional, educador, exigente, seguro, sem rótulos. Pai é pai, assim como mãe é mãe, independente das condições! Quando se ama verdadeiramente acontece a paternidade como ela é e isso se chama AMOR! Essa, para mim, é a mais perfeita definição de paternidade.

Angelo - Eu tenho filhos e tenho que compartilhar a criação deles e estar presente. Sou separado e, apesar da guarda ser compartilhada, a mãe acaba ficando com uma carga maior, mas a minha missão é educar essas crianças para que sejam pessoas melhores do que eu. E, na verdade, já são. Meus filhos são melhores do que eu, com certeza. Paternidade real é você honrar seus filhos. É amá-los e fazer de tudo para protegê-los e educá-los.

Alessandro - É exercer com entusiasmo o papel de pai, ensinando, servindo de exemplo e amando incondicionalmente.

Cezar - Paternidade real é mostrar para o seu filho uma referência possível de ser e existir. Muitos pais acham que não demonstrar os sentimentos, não falar sobre seus medos, seus erros, não compartilhar tomadas de decisões é a maneira adequada de se relacionar com os filhos. Eu faço tudo isso ao contrário: conversamos sobre tudo! Isso permite à minha filha entender as responsabilidades e consequências quando preciso decidir algo; quando a mostro que errei em algo faz ela perceber que não precisa ter medo da tentativa, é normal errar (e é esperado que ela erre, isso faz parte do processo do desenvolvimento). Dar ao filho o exemplo de uma pessoa real é permitir que ele evolua da maneira saudável, sabendo que não existe nenhum ser humano perfeito, somos todos aprendizes. Eu aprendo enquanto ensino.

2. A seu ver, quais os melhores caminhos para ensinar os filhos sobre diversidade, afeto e respeito?
Gabriel - Através do exemplo. Não existe outra forma de ensinarmos nossos filhos sobre discriminações em qualquer nível. Tratamos aqui todos como iguais. Essa resposta aqui não é fantasiosa, é real. Meus filhos convivem com um pai dependente químico e lidam com as diversidades de pensamentos desde que nasceram e convivem diariamente. Lideramos nossos filhos através do exemplo, essa é a melhor forma de ensinarmos a respeito do mundo!

Angelo - As crianças vão aprender de acordo com o que você faz. Se você é uma pessoa que não tem esse tipo de respeito ou é uma pessoa hipócrita que diz que tem e não tem, eles vão perceber. A criança fica te analisando, te "escaneando" o tempo todo. Acho que a melhor forma de ensinar alguma coisa à outra pessoa é você fazendo na frente dela. Ela tem que ver como você faz, até mesmo para entender. E é óbvio: informação, conversa com a criança...

Alessandro - O melhor caminho é o do exemplo. Mostrar que, apesar de eu ser diferente, consigo fazer tudo que os outros conseguem. Que não é preciso ser todo mundo igual para se respeitar. Todos somos diferentes e ninguém é pior do que ninguém.

Cezar - Primeiro é fundamental entender que não existe um padrão de comportamento que rege a todos. Nossa casa não reflete toda a diversidade que há no mundo. A partir disso, devemos expor aos nossos filhos as diferentes maneiras de ser: existem pessoas com diferentes características e isso é enriquecedor enquanto comunidade. Eu tinha um amigo com uma deficiência em uma das mãos, minha filha curiosa ficou olhando sem entender quando tinha uns 3 anos, daí eu disse a ela: “que foi, filha? Quer encostar? Não precisa ter medo de machucá-lo, pode vir!”. É normal que as crianças estranhem algo que nunca viram e é nosso dever orientá-las nessa descoberta. Isso ajudará em seu desenvolvimento, facilitando o entendimento, promovendo a noção sobre respeito e, naturalmente, afetividade ao invés de repulsa.

3. Impedir uma criança de perguntar sobre alguma situação ou algum tipo de perfil físico, transforma o assunto em tabu, algo que é proibido de se falar ou um exemplo feio/estranho. Daí a discriminação é gerada. Existe alguma proibição ou evitação na sua família?
Gabriel - Não, em nenhum nível ou escala. As crianças perguntam, sim, quando veem uma criança diferente delas, pessoas que possuem alguma deformidade ou algo que soe estranho à realidade daquilo que é comum elas verem. Mas fico impressionado com a forma com que perguntam: simples, sem medo, sem ficarem encarando, sem receio... São crianças descobrindo o mundo e perguntam porque querem saber e nós respondemos o porquê e como devem ser tratados.

Angelo - Não tem nenhum assunto que seja tabu, não. Na minha família não. Na verdade, nem morte que é o tabu mais estúpido que existe porque é a única coisa que você tem certeza. E mesmo assim ainda é um tabu. Não pode levar criança em enterro, essas coisas. Na minha casa nunca teve isso, na minha família nunca teve e com minha ex-mulher e meus filhos também não. Nós somos bem abertos, pode falar sobre qualquer assunto mesmo. E as crianças são maravilhosas. Tenho uma filha de 12 anos. Ela já fala de coisas que eu trato como tabu, na verdade, e ela não trata.

Alessandro - Na minha família não há proibição, toda dúvida é bem-vinda. Ninguém sabe tudo, por isso deve ser estimulado o questionamento. Criança não tem filtro, fala o que vem à cabeça, portanto cabe aos adultos entender quando perguntam sobre qualquer coisa. Se for indiscreto, basta explicar. O caminho do diálogo é sempre o melhor.

Cezar - Não existe assunto que nós não possamos conversar em casa. Como responsável pelo desenvolvimento intelectual da minha filha, é meu dever esclarecer qualquer dúvida sem transformar esse descobrimento em algo complicado ou tenso de falar. Claro que para cada idade devemos adaptar uma linguagem que a criança consiga entender, mas não se deve tratar nenhum assunto como se fosse problema, pois tratado dessa maneira provavelmente ele se tornará. Eu digo que minha filha é capaz de entender tudo aquilo que eu for capaz de explicar. Está nas minhas mãos compreender o que ela já sabe sobre o assunto e o que ela conseguirá entender no momento que eu estiver explicando.

4. Você se sente discriminado?
Gabriel - De forma alguma. As pessoas tentam fazer isso diariamente nas redes sociais e é tão comum, mas tão comum, que já deixou de afetar à minha pessoa há muito tempo. Sou uma figura pública, com história conhecida, com a finalidade de prevenção. Aqueles que tentam a discriminação comigo fracassam feio, batem na porta errada. Mas a discriminação só não ocorre porque sou blindado à ela, não porque não falam dela: falam e falam muito, só não me deixo afetar. Mas existe e é real, infelizmente.

Angelo - Claro que me sinto. A gente que é preto sabe como funciona. As pessoas guardam/seguram suas bolsas quando você passa na rua; se olham para trás e te veem, já tem uma reação mais de medo; os seguranças das lojas ficam atrás da gente, de verdade, é uma coisa impressionante. E uma coisa também que é “engraçada”: você nunca é o cliente da loja, sempre está trabalhando. Qualquer pessoa te pergunta as coisas. Ficam te perguntando o tempo todo... Dá um ranço isso! Se todos os funcionários estiverem de verde na loja e o cliente, preto, de amarelo, a pessoa pergunta informações pro preto. Outro dia eu estava na livraria, lendo um livro, a pessoa me cutucou para perguntar "você sabe quanto custa não sei o quê?". Estava todo mundo de preto, uniforme com o nome da livraria, daí eu falei: "olha, eu não trabalho aqui". A pessoa fica sem graça e pede desculpas, mas é sempre assim! Isso é uma discriminação. Eu sou de classe média, então eu tenho alguns privilégios. Os pretos mais pobres sofrem bem mais, com certeza.

Alessandro - Não me sinto discriminado. No bairro onde moro, na minha família, entre meus amigos, todos me tratam com respeito e educação.

Cezar - Nunca me senti discriminado, mas isso não reflete a realidade sobre as pessoas trans no Brasil. Somos o país que mais mata pessoas trans no mundo. Além disso, a morte de uma pessoa trans é sempre acompanhada de muita crueldade e violência. Eu sou muito privilegiado por não ter passado por nenhuma situação de risco. Creio que isso é relacionado à minha cor, aos lugares que frequento, à maneira como lido com a desinformação de quem não entende o que é ser uma pessoa trans e ao bom humor que procuro manter sempre, mesmo em situações inoportunas: procuro tratá-las com naturalidade e didática.

5. De que forma o preconceito é um obstáculo na sua vida?
Gabriel - De nenhuma forma, em nenhum nível, sob nenhuma circunstância... Sempre foi um trampolim! Minha vida é derrubar muros e construir pontes e sempre será assim!

Angelo - Eu não sei responder. Porque é uma coisa tão estrutural que é complicado tudo. Tudo é um obstáculo pra pessoa preta. Desde procurar emprego até pedir um táxi.

Alessandro - O preconceito não é obstáculo na minha vida, raramente o percebo. Nunca fui de me preocupar com o que os outros pensam sobre mim, por isso relevei as poucas vezes em que o sofri.

Cezar - O maior obstáculo relacionado ao preconceito que eu já enfrentei foi quando eu não me sentia emocionalmente seguro para enfrentar qualquer tipo de situação. Me desenvolver sentindo-me totalmente inadequado, desajustado, incompatível foi um dos piores prejuízos que ainda são presentes na minha autoestima. Por muitos anos não permiti o autoconhecimento, conhecer-me de verdade, vivi apenas o roteiro de vidas comuns e tirei todo esse tempo de mim por medo. Ainda carrego resíduos desse prejuízo na autoestima: nem sempre sou seguro nas minhas decisões, raramente me considero bonito e inteligente, me exijo três vezes antes de alguém precisar me cobrar... Isso é muito ruim, pois parece que nunca há paz, mesmo quando estou em mar calmo. A ansiedade, muitas vezes, tira o sono e o pânico tira o ar. Hoje, depois de atingir alguns objetivos necessários para a recuperação da autoestima, já me sinto muito melhor. Minha terapia tem sido cozinhar, cuidar da minha casa, dar o melhor no meu trabalho... Gosto de ver as coisas indo bem, a casa bonita, a mesa cheia e resultados positivos no trabalho.

6. Que mundo você gostaria de deixar para os seus filhos?
Gabriel - Um mundo onde eles possam ser felizes encontrando a si mesmos em tudo o que façam e se dediquem. Um mundo onde as pessoas saibam lidar com a diversidade de pensamentos, sem egoísmo. Um mundo onde eles possam gerenciar as próprias emoções e influenciar pessoas. Na minha concepção, existem dois mundos: o mundo como ele é e o mundo como eu sou. O mundo como ele é leva-se décadas, quiçá, centenas de anos para se transformar. Eu desejo que seja honesto, íntegro, respeitoso, colorido, feliz e alegre o mundo como eles sejam. Esse é o mundo que quero deixar para eles, um mundo onde eles possam gerenciar suas emoções internas e tornar o mundo externo um lugar melhor para as próximas gerações.

Angelo - Queria deixar pros meus filhos um mundo de amigos. Cercados de pessoas que fossem amigas umas das outras, em vez de rivais e competidores. Se não fosse uma competição, se fosse uma união em prol de algo maior, de algo melhor, acho que seria um mundo melhor. Queria viver nesse mundo, inclusive.

Alessandro - Um mundo mais acessível, em que as pessoas se coloquem mais no lugar do outro e percebam que quanto mais iniciativas que melhorem acessibilidade, mais atenderá a todos. E que o tratamento seja igual independente de qualquer distinção.

Cezar - Eu não sei se o mundo que vamos deixar para os nossos filhos será um mundo melhor. Acredito que a atual geração é que vai transformar o mundo em um lugar melhor para se viver. De um lado eu vejo adultos cheios de traumas, ansiedade, agressividade e desprezo... Do outro lado vejo crianças e adolescentes totalmente abertos à aceitação, ao respeito, ao cuidado, sem barreiras para as diferentes maneiras de existir. Eles provavelmente deixarão o mundo melhor para seus filhos, quem sabe meus netos.

7. Como você definiria a palavra RESPEITO?
Gabriel - Nobreza de caráter

Angelo - Não faça aos outros o que você não gostaria que fizessem com você. Alessandro - Respeito para mim é entender o outro, se colocar no lugar dele e não tratar ninguém como não gostaria de ser tratado.

Cezar - Respeito é onde tudo começa. Eu creio que um relacionamento saudável começa pelo respeito, avança para a admiração, aumenta com o gostar até que, de fato, ama-se alguém. Sem respeito, não há nada disso.

quinta-feira, 9 de julho de 2020

10 SUVs usados bons para PCD até 57 mil reais

O valor limite dos SUVs compactos para PCD após a isenção de impostos subiu após os últimos lançamentos, do T-Cross e da Tracker, porque veículos com motor 1.0 tem IPI diferenciado, menor do que de carros com motores de maior litragem. Portanto, o desconto total somando com o valor do ICMS fica menor, e hoje temos dois SUVs com valor próximo dos 57 mil reais.
Apesar de serem bem mais completos e seguros do que os concorrentes, ainda pecam em alguns pontos como potência do motor, espaço interno, porta malas e principalmente itens de série. Nenhum deles conta com itens de conforto como bancos em couro, banco do motorista com regulagem elétrica, mídia com GPS nativo e outros mimos, que podem ser bem úteis no dia a dia, principalmente para quem tem alguma limitação. Externamente, poucos contam com farol de milha, sensor de estacionamento e câmera de ré, rodas de mais do que 16 polegadas e rack de teto.
Nesta lista vou relacionar SUVs compactos e médios usados que contam com muitos itens de série, bom espaço interno e porta malas e bom nível de segurança. Vou deixar de fora os carros com câmbio manual, pois carros automáticos são os mais indicados para quem usa cadeira de rodas e adaptação. Como são carros usados mais equipados e potentes, a manutenção e o seguro podem não ser tão baratos, dependendo do modelo. Mas quem compra um carro usado deve estar preparado para estes eventuais custos. Porém ainda é possível ficar isento do pagamento do IPVA, pois a regra na maioria dos estados é para carros abaixo de 70 mil reais. Convém, porém, se inteirar das regras no seu estado se quiser ficar livre deste imposto. Muitas vezes vale a pena arcar com custos maiores para ter mais conforto.
Vamos às sugestões!

1- Hyundai iX 35 GLS 2.0 AT 2014 - R$ 57.617,00

O iX 35 quando foi lançado revolucionou o mercado de SUVs compactos com seu design diferente e bom conjunto mecânico. O motor 2.0 rende bons 178cv no etanol e o câmbio é automático de 6 velocidades. Apesar de não ser exatamente leve, com 1.500 kg, seu peso/potência ficou em ótimos 8,43 kg/cv. Tem belas rodas de 18 polegadas que ajudam no visual moderno. Seu é entre eixos 2,64, maior que a média do segmento, tem direção elétrica, volante multifuncional com ajuste altura profundidade e apoio de braço. Seu porta malas tem 465 litros, quase o mesmo que o recordista do segmento. Em segurança, traz freio a disco nas quatro rodas, porém não tem ESP e vem só com dois air bags. Vem ainda com mídia de sete polegadas com bluetooth.

2 - Mitsubishi ASX 2.0 4x2/4x4 CVT 2014/2015 - 54.217,00

Por menos de 55 mil reais é possível comprar um SUV japonês de uma marca com tradição no fora de estrada, o Mitsubishi ASX. Com pouco mais de cinco anos de uso, encontra-se versões com tração dianteira ou integral, sempre com motor 2.0 de 160 cv e câmbio CVT, só bebe gasolina e o consumo é bom, faz 8,7 km/l na cidade e 9,8 km/l na estrada. Apesar dos números nada impressionantes de potência, não é um carro pesado, tem menos de 1400 kg, o que proporciona um peso/potência em torno dos 8,66 kg/cv, garantindo bom desempenho em estrada e até fora dela. Tem bastante espaço interno garantido pelos 2,67m de entre eixos e um porta malas com bons 415 litros. A direção é elétrica e tem freios a disco nas quatro rodas. Externamente é bem completo, com faróis de neblina, rack de teto, aerofólio, rodas de 18 polegadas e repetidor de seta no retrovisor. Por dentro trás mídia de 7 polegadas, volante multifuncional e borboletas para troca de marcha. De ponto negativo tem a segurança, são apenas dois air bags e falta controle de estabilidade e tração.

3 - Duster Dynamique 2.0 2017 - 54,120,00

Já esteve disponível para compra com isenção total, o Duster é uma boa opção para PCD devido ao maior espaço interno e porta malas da categoria. Porém, é muito criticado pela simplicidade do interior, pouca potência do motor e falta de itens de série. Um usado, porém, na versão Dynamique, vem com motor 2.0 de 148 cv que garante peso/potência abaixo de 9kg/cv e vem bem mais completo que a versão PCD, com volante multifuncional, mídia de 7 polegadas com GPS nativo, faróis de neblina, sensor de estacionamento e rodas de liga de 16". A crítica fica pelo câmbio automático de 4 marchas e falta de mais Air Bags, vem com somente dois. Mas é um carro grande e com bom nível de conforto, excelente para viajar, graças ao bom espaço interno garantido pelo entre eixos de 2,67m e o porta malas de 475 litros.

4 - Tiguan 2.0 TSI AT6 2012 - 55.302,00

O SUV médio da VW que acabou de ganhar novo facelift na linha 2021 pode ser comprado por menos de 57 mil trocando apenas os dois últimos dígitos do ano: 2012. Neste ano o motor era o 2.0 TSI de 200 cv aliado ao câmbio automático de 6 velocidades. Um conjunto muito eficiente e forte, mesmo o carro pesando quase 1600 kg, gera um peso potência de excelentes 7,93 kg/cv! Mas cobra no consumo, só bebe gasolina e faz 6,8 km/l na cidade e 9 km/l na cidade. O entre eixos é bom, são 2,60m e o porta malas tem ótimos 470 litros. Em segurança equipara-se aos tops do mercado, vem com seis air bags, freios a disco nas quatro rodas e controle de estabilidade e tração. A direção é elétrica, o volante multifuncional, tem mídia com CD e MP3, bancos em couro e as rodas são de 17 polegadas. Uma desvantagem é o ano, geralmente são carros mais rodados e passíveis de problemas mecânicos.

5 - Suzuki Grand Vitara 4x2/4x4 2.0 AT 2015 - 57.288,00

Outro SUV que não tem nada de Shopping, o Grand Vitara pode tração em duas ou quatro rodas e tem estrutura e motorização suficiente para encarar um fora de estrada mais acidentado. Seu motor 2.0 tem 140cv e consome 7,4 km/l na cidade e 8,9 km/l na estrada, números pouco animadores. Mas para quem pretende usar em estrada de terra, tem bons ângulos de entrada e saída e 20 cm de vâo livre do solo. O espaço interno é bom devido ao entre eixos de 2,64m e o porta malas, que tem 398 litros, não é muito mas cabe uma cadeira sem desmontar. De ponto negativo tem o câmbio automático que tem só 4 marchas, tem a direção, que é hidráulica, mas não é muito pesada, e em segurança entrega só dois air bags, mas os freios são a disco nas quatro rodas.

6 - Jeep Compass Sport 2.0 CVT 2015 - 56.959,00

Já é possível comprar um Compass, um dos SUVs preferidos pelo mercado nacional, por menos de 60 mil. Porém, somente há modelos importados nesse valor, ano 2015 para baixo. O que não é má notícia, apesar da maior dificuldade com peças. O motor e um 2.0 com 156 cv e o câmbio é CVT. O espaço interno é razoável, seu entre eixos tem 2,63m. Em segurança ele dá show, vem com seis air bags, controle de estabilidade e tração e freio a disco nas quatro rodas. Externamente ele é parecido com o Compass nacional,tem belas rodas de liga de 18 polegadas, faróis de neblina e rack de teto. E por dentro tem um bom nível de conforto com volante multifuncional, computador de bordo bem completo e som com bluetooth e CD Player, porém falta uma mídia mais moderna. O ponto negativo do modelo é o porta malas, de 328 litros apenas.

7 - Tucson GLS 2.0 AT4 2017 - 52.993

Por este valor dá para levar outro SUV da Hyundai, bem mais novo que o iX35 citado, mas com design bem menos atraente. O Tucson na versão GLS entrega motor 2.0 com 146 cv e o mesmo câmbio automático 4 marchas do irmão coreano. O entre eixos tem bons 2,63m e o porta malas 525 litros, um dos maiores do segmento.  O que pesa negativamente é o peso de 1550 Kg, que culmina num peso/potência de 10,62, valor alto que demandar cuidado na estrada com carro cheio. Além disso, o consumo é bem alto, faz pouco mais de 7km/l na cidade e 8,3 km/l na estrada com gasolina. As rodas são de liga de 16" e vem com multimídia, bancos em couro e freios a disco nas quatro rodas. A direção é hidráulica e vem com dois air bags apenas.

8 - Kia Sportage EX 2.0 AT6 2012/2013 - 57.040,00

O Sportage venda há muitos anos no Brasil e mudou muito desde a primeira versão ofertada. Melhorou demais em design e principalmente em itens de série. Pelo preço limite de 57 mil é possível encontrar a versão EX com motor 2.0 flex de 178/169 cv aliado ao câmbio automático de seis velocidades, e devido ao peso de pouco mais de 1400 kg tem peso/potência muito bom, abaixo de 8 kg/cv. Apesar de forte o consumo é muito bom, faz 8,9 km/l na cidade e 11,2 km/l na estrada com gasolina. O espaço interno é bom, são 2,64m de entre eixos e o porta malas é enorme, tem 564 litros. As belas rodas são de 18 polegadas, tem faróis de milha, e por dentro trás volante multifuncional, mídia com CD/MP3, bancos em couro e banco do motorista com regulagem elétrica. São apenas dois air bags, mas tem freio a disco nas quatro rodas e controle de estabilidade e tração. Se der sorte encontra um com seis air bags, que eram opcionais nessa versão.

9 - Fiat Freemont Emotion 2.4 2014

Para quem precisa de muito espaço interno e porta malas bem generoso, a dica e o Fiat Freemont na versão Emotion, ano 2014. Seu motor 2.4 rende 172 cv, o que é considerado pouco para levar os mais de 1.800 kg do modelo. É considerado SUV médio, tem quase cinco metros de comprimento e 2,89m de entre eixos! Espaço interno não é problema. E o porta malas acomoda até 580 litros, mais que qualquer SUV compacto. Essa versão não é a mais completa mas já vem com faróis de neblina, roda de liga de 17 polegadas, ar condicionado de duas zonas, apoio de braço, piloto automático, computador de bordo bem completo com monitoramento de pressão dos pneus e som com bluetooth e CD Player. Falta uma mídia mais completa, e em segurança vem com controle de estabilidade e tração e freios a disco nas quatro rodas, mas apenas dois air bags. De qualquer forma é um SUV com um bom nível de conforto, muito espaço e tecnologia embarcada.

10 - Honda CR-V LX 2.0 AT5 2012 - 59.800,00

Outros SUV considerado médio que se encontra com bom nível de equipamentos nessa faixa de preço dos 57 mil é o Honda CR-V. Seu motor é o 2.0 aspirado que se abastece somente com gasolina e gera 155 cv, aliado a um câmbio automático de cinco velocidades. Apesar de não ser muito forte para um carro mais pesado, de mais de 1,5 tonelada, os números de consumo são bons, faz 9,8 km/l na cidade e 12,5 km/l na estrada. Apesar do porte maior que os compactos, o entre eixos é de apenas 2,62m, porém o porta malas impressiona com 589 litros. A direção é elétrica, tem volante multifuncional, piloto automático e mídia com CD/MP3. Em segurança conta com controle de estabilidade e tração, dois air bags e freios a disco nas quatro rodas. De ponto negativo, os bancos dessa versão costumam vir em tecido, mas não é difícil encontrar um com bancos em couro. 

quarta-feira, 6 de maio de 2020

10 Carros usados bons para cadeirantes até 30 mil

Apesar da isenção de impostos ser um excelente benefício, não dá para dizer que é barato comprar um carro zero quilômetro. Sem contar que os veículos mais baratos do Brasil com isenção são todos compactos ou subcompactos e bem pelados, sem itens de conforto ou espaço interno. Portanto, para não passar aperto, principalmente quando se usa uma cadeira de rodas, que demanda um verdadeiro exercício para colocar em porta malas pequenos, pode ser interessante partir para um modelo seminovo, que ofereça bom porta malas, conforto e itens importantes para deficientes, como piloto automático, câmera de ré e bancos de couro, como já citei nesta matéria. Vou focar esta lista em carros automáticos, que são os mais indicados para quem usa cadeira de rodas e adaptação. Com a popularização do câmbio automático, o mercado de usados com este tipo de câmbio aumentou bastante, tornando-se mais fácil encontrar bons modelos à venda. Não só o custo será bem menor, como o seguro também, e ainda ficará isento do IPVA devido à deficiência.
Porém, comprar um carro seminovo exige um certo cuidado. Não dá para comprar um carro muito rodado, muito menos que tenha passado na mão de muitos donos, e tem que ter cautela quanto à procedência. É preciso considerar também facilidade para encontrar peças e o valor de uma cesta de peças, como pastilhas de freio, bomba d'água e outros itens passíveis de dar defeito pelo desgaste natural. Além disso tudo, desvalorização também deve entrar na conta, pois por mais que se pague relativamente barato, não dá para perder muito na revenda. Vamos às sugestões!

1- Toyota Fielder XEi 1.8 AT 2008
Para mim este é o melhor carro usado para quem usa cadeira de rodas. Tem um grande porta malas com 411 litros, que cabe muitas cadeiras de rodas montadas, vem com rodas de liga, faróis de neblina, freios a disco nas quatro rodas, ar condicionado, encosto de braço, bancos em tecido (com sorte encontra-se em couro, opcional nessa versão), som com CD Player e direção hidráulica. O motor é confiável, tem 136 cv e comando de válvulas duplo no cabeçote. O consumo é bom, faz 10km/l na cidade na gasolina. O espaço interno é razoável, o entre eixos tem 2,60m. A crítica fica para o câmbio de quatro velocidades, que deixa a desejar em algumas situações, e por não oferecer apoio de cabeça para todos os ocupantes, quem vai no meio atrás fica sem.

2- Renault Mégane Grand Tour Dynamique 2.0 AT 2010
Outra perua cujo ponto forte para quem usa cadeira de rodas é o porta malas enorme, de 520 litros. Além do porta malas, ela faz bonito também no espaço interno, com 2,68cm de entre eixos. A Mégane Gran Tour é bem servida pelo motor 2.0 de 138 cv mas sofre com o mesmo ponto fraco do Corolla, o câmbio automático de quatro velocidades. O pacote de itens de série é bem completo e inclui direção com assistência elétrica, rodas de liga, freios a disco nas quatro rodas, piloto automático, som com CD/MP3, ar condicionado digital, sensor crepuscular, farol de neblina e computador de bordo. Se não se importar com um pouco menos de potência, pode optar pela versão com motor 1.6 de 115cv, e pegar um carro três anos mais novo pelo mesmo valor.

3- VW Jetta Variant 2.5 AT 2008
Quem acha que potência pouca é bobagem pode optar pela perua do Volkswagen Jetta com motor 2.5 que gera 170cv. Tem a mesma vantagem de bom porta malas das peruas acima, com 505 litros, mas perde um pouco no espaço interno com entre eixos de apenas 2,57m, o que não chega a ser um número ruim. O grande destaque fica pelo motor de 5 cilindros que leva os quase 1500 kg do Jetta Variant com tranquilidade. E o pacote de itens de série também impressiona com controle de tração e estabilidade, faróis de neblina, piloto automático, volante multifuncional, som com CD/MP3 e bluetooth, sensor de estacionamento, rodas de liga, oito Air Bags e até porta luvas refrigerado! O ponto negativo fica pelo consumo, pouco mais de 7km/l na cidade na gasolina, mas como diz o ditado, cavalo anda, cavalo bebe.

4- Toyota Corolla XEI 1.8 AT 2008
Saindo um pouco das peruas, a dica é optar pelos sedãs médios. O primeiro da lista é o sedã mais vendido do mundo e muitas vezes também liderou no Brasil. Além dos bons predicados de espaço interno e itens de série da Fielder, o Corolla tem também um bom porta malas, com 437 litros. Não vai caber uma cadeira montada, mas retirando-se as rodas das monoblocos ainda haverá um bom espaço para bagagens. A lista de itens também é similar à da Fielder por se tratar da mesma versão, portanto vem com roda de liga, direção hidráulica, freio a disco nas quatro rodas, entre outros itens. E o motor também é o mesmo, confiável e suficiente para levar o carro. A crítica também é a mesma, câmbio ineficiente e falta do apoio de cabeça central traseiro.

5- Honda Civic LXS 1.8 AT 2008
O rival direto do Corolla não pode faltar nessa lista de carros usados. O Civic também conta com bom espaço interno, de 2,70, dez centímetros a mais que o rival, mas no porta malas perde feio, e com 340 litros são quase cem a menos. Ainda assim, suficiente para levar uma cadeira de rodas desmontada, porém o espaço para bagagem fica reduzido. Ganha também no câmbio, que é automático de 5 velocidades, e o pacote de itens de série é similar, inclui rodas de liga, ar condicionado, freio a disco nas quatro rodas, direção hidráulica, som com CD, e também é comum encontrar bancos revestidos em couro. O motor é um pouco mais forte e rende 140cv, mas com a força vem um consumo mais elevado, de 8,5km/l na cidade na gasolina. Na minha opinião, o design é outro ponto forte, assim como a modernidade do painel de instrumentos em duas camadas. Na tabela Fipe ultrapassa os 30 mil, mas na prática encontra-se essa versão abaixo deste valor.

6- Honda Fit EX 1.5 AT 2010
Ele já foi o queridinho dos cadeirantes, graças ao bom porta malas e à modularidade dos bancos traseiros, que permitem dezenas de configurações que facilitam levar uma cadeira de rodas. Dependendo do tamanho da cadeira, cabe até sem desmontar no porta malas, que tem 384 litros. O motor 1.5 gera até 116 cv e leva bem seus pouco mais de 1.100 Kg. Por ser monovolume tem bom espaço interno apesar de entre eixos de apenas 2,50m. Entre os itens de série, destaque para o piloto automático, freios a disco nas quatro rodas e direção elétrica.

7- Fiat Palio Weekend Adventure Locker 1.8 Dualogic 2011
Mais uma perua que tem no espaço do porta malas seu maior atrativo. Outro ponto positivo da perua Fiat é a altura do solo e o sistema Locker, que bloqueia o diferencial, possibilitando encarar uma estrada de terra até com pouca aderência. Rodas de liga, direção hidráulica, faróis de neblina, som com bluetooth e pneus mistos fazem parte do pacote. O ponto negativo fica pelo câmbio automatizado, que não tem manutenção tão barata quanto prometido e desvaloriza mais o carro na revenda.

8- Chevrolet Spin LT 2013
Já é possível encontrar um dos maiores porta malas do mercado com câmbio automático por menos de 30 mil. Fazendo uma pesquisa rápida encontra-se modelos LT ano 2013 com motor 1.8 e câmbio automático de 6 velocidades. Ela vem com direção hidráulica, piloto automático, roda de liga, e se der sorte, encontra até com mídia. O acabamento é muito simples e o entre eixos de 2,62m razoável, mas o grande destaque é o porta malas com 710 litros, que cabe cadeira de rodas, cadeira de banho e bastante bagagem. Indicada para pessoas que, além de usarem cadeira, tem filhos.

9- Chevrolet Cobalt LTZ AT 2014
Outro sedã de uma categoria intermediária com bom espaço interno e porta malas. Com 2,62m de entre eixos e 563 litros de volume no porta malas, mais do que muito SUV compacto que tem por aí, o Cobalt oferece também um pacote de itens de série razoável com rodas de liga, som com bluetooth, volante multifuncional, piloto automático e direção hidráulica. O ponto fraco é o design, com faróis grandes e desproporcionais, e o acabamento, que abusa dos plásticos rígidos. A Fipe é 34 mas acha fácil por 30.

10- Renault Fluence Dynamique 2.0 AT 2011
Mais um sedâ médio que tem bons atributos para cadeirantes. O Fluence se destaca pelo motor 2.0 de 143cv, pela direção elétrica, pelo entre eixos de 2,70, pelo porta malas de 530 litros e pelo câmbio CVT. Traz ainda rodas de liga, faróis de neblina, freios a disco nas quatro rodas, piloto automático e volante multifuncional. Apesar do motor forte tem bons números de consumo, registrando 9,1km/l na cidade na gasolina. A desvantagem fica pela desvalorização, tradicionalmente maior em carros de marca francesa.

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