segunda-feira, 10 de agosto de 2020

RESPEITO É PONTO EM COMUM, O PRINCIPAL PROPÓSITO, ONDE TODAS AS LUTAS SE ENCONTRAM - Por Luciana Lage


Pessoas são iguais e diferentes ao mesmo tempo. Devemos ser respeitados e ter os mesmos direitos. Parece simples, conceitos básicos para que possamos viver em harmonia, mas a realidade é diferente.

Walter Casagrande, comentarista esportivo que fala abertamente sobre sua dependência, externou por mais de uma vez o pensamento de que o dependente químico é um dos primeiros da lista de discriminações e que dói do mesmo jeito de quando homossexuais e pessoas pretas são ofendidas, por exemplo. Ele acredita que ainda é muito difícil para a sociedade lidar com o dependente porque ela não sabe, não entende ou ainda não é esclarecida que a dependência química é uma doença (mas que recuperar-se e viver sem drogas é possível) - preconceito, preocupação e desconfiança existem e são constantes.

A opinião de Casão, como é popularmente chamado, fez e faz total sentido. O diferente, o desconhecido, o “estranho” ainda causa estranhamento e evidencia a ausência de uma educação pautada na diversidade, seja nas escolas ou em casa.

Em referência ao Dia dos Pais, decidi conversar com quatro perfis de pais que não se encaixam no padrão eurocêntrico e heteronormativo ou que são portadores de alguma questão de saúde.

Gabriel Mori é pai da Isabela (8 anos) e do Lucas (6 anos), CEO e fundador do Programa de Recuperação Conexão Humana. Angelo Morse é pai da Analua (12 anos) e do Caetano (5 anos), ator, poeta, artista plástico e gestor escolar. Alessandro Fernandes é pai dos gêmeos Anne e Max (4 anos e meio), administrador de empresas e funcionário público. Cezar Sant’Anna é pai da Fernanda (14 anos) e padrasto do Guilherme (7 anos), closer de vendas e ativista de temas relacionados à transexualidade.

O que será que um pai dependente químico em recuperação, um pai preto, um pai cadeirante e um pai trans têm em comum?
Confira!

1. O que é paternidade real para você?
Gabriel - Para mim, não existe paternidade real, existe apenas paternidade! Condiz com amor incondicional, educador, exigente, seguro, sem rótulos. Pai é pai, assim como mãe é mãe, independente das condições! Quando se ama verdadeiramente acontece a paternidade como ela é e isso se chama AMOR! Essa, para mim, é a mais perfeita definição de paternidade.

Angelo - Eu tenho filhos e tenho que compartilhar a criação deles e estar presente. Sou separado e, apesar da guarda ser compartilhada, a mãe acaba ficando com uma carga maior, mas a minha missão é educar essas crianças para que sejam pessoas melhores do que eu. E, na verdade, já são. Meus filhos são melhores do que eu, com certeza. Paternidade real é você honrar seus filhos. É amá-los e fazer de tudo para protegê-los e educá-los.

Alessandro - É exercer com entusiasmo o papel de pai, ensinando, servindo de exemplo e amando incondicionalmente.

Cezar - Paternidade real é mostrar para o seu filho uma referência possível de ser e existir. Muitos pais acham que não demonstrar os sentimentos, não falar sobre seus medos, seus erros, não compartilhar tomadas de decisões é a maneira adequada de se relacionar com os filhos. Eu faço tudo isso ao contrário: conversamos sobre tudo! Isso permite à minha filha entender as responsabilidades e consequências quando preciso decidir algo; quando a mostro que errei em algo faz ela perceber que não precisa ter medo da tentativa, é normal errar (e é esperado que ela erre, isso faz parte do processo do desenvolvimento). Dar ao filho o exemplo de uma pessoa real é permitir que ele evolua da maneira saudável, sabendo que não existe nenhum ser humano perfeito, somos todos aprendizes. Eu aprendo enquanto ensino.

2. A seu ver, quais os melhores caminhos para ensinar os filhos sobre diversidade, afeto e respeito?
Gabriel - Através do exemplo. Não existe outra forma de ensinarmos nossos filhos sobre discriminações em qualquer nível. Tratamos aqui todos como iguais. Essa resposta aqui não é fantasiosa, é real. Meus filhos convivem com um pai dependente químico e lidam com as diversidades de pensamentos desde que nasceram e convivem diariamente. Lideramos nossos filhos através do exemplo, essa é a melhor forma de ensinarmos a respeito do mundo!

Angelo - As crianças vão aprender de acordo com o que você faz. Se você é uma pessoa que não tem esse tipo de respeito ou é uma pessoa hipócrita que diz que tem e não tem, eles vão perceber. A criança fica te analisando, te "escaneando" o tempo todo. Acho que a melhor forma de ensinar alguma coisa à outra pessoa é você fazendo na frente dela. Ela tem que ver como você faz, até mesmo para entender. E é óbvio: informação, conversa com a criança...

Alessandro - O melhor caminho é o do exemplo. Mostrar que, apesar de eu ser diferente, consigo fazer tudo que os outros conseguem. Que não é preciso ser todo mundo igual para se respeitar. Todos somos diferentes e ninguém é pior do que ninguém.

Cezar - Primeiro é fundamental entender que não existe um padrão de comportamento que rege a todos. Nossa casa não reflete toda a diversidade que há no mundo. A partir disso, devemos expor aos nossos filhos as diferentes maneiras de ser: existem pessoas com diferentes características e isso é enriquecedor enquanto comunidade. Eu tinha um amigo com uma deficiência em uma das mãos, minha filha curiosa ficou olhando sem entender quando tinha uns 3 anos, daí eu disse a ela: “que foi, filha? Quer encostar? Não precisa ter medo de machucá-lo, pode vir!”. É normal que as crianças estranhem algo que nunca viram e é nosso dever orientá-las nessa descoberta. Isso ajudará em seu desenvolvimento, facilitando o entendimento, promovendo a noção sobre respeito e, naturalmente, afetividade ao invés de repulsa.

3. Impedir uma criança de perguntar sobre alguma situação ou algum tipo de perfil físico, transforma o assunto em tabu, algo que é proibido de se falar ou um exemplo feio/estranho. Daí a discriminação é gerada. Existe alguma proibição ou evitação na sua família?
Gabriel - Não, em nenhum nível ou escala. As crianças perguntam, sim, quando veem uma criança diferente delas, pessoas que possuem alguma deformidade ou algo que soe estranho à realidade daquilo que é comum elas verem. Mas fico impressionado com a forma com que perguntam: simples, sem medo, sem ficarem encarando, sem receio... São crianças descobrindo o mundo e perguntam porque querem saber e nós respondemos o porquê e como devem ser tratados.

Angelo - Não tem nenhum assunto que seja tabu, não. Na minha família não. Na verdade, nem morte que é o tabu mais estúpido que existe porque é a única coisa que você tem certeza. E mesmo assim ainda é um tabu. Não pode levar criança em enterro, essas coisas. Na minha casa nunca teve isso, na minha família nunca teve e com minha ex-mulher e meus filhos também não. Nós somos bem abertos, pode falar sobre qualquer assunto mesmo. E as crianças são maravilhosas. Tenho uma filha de 12 anos. Ela já fala de coisas que eu trato como tabu, na verdade, e ela não trata.

Alessandro - Na minha família não há proibição, toda dúvida é bem-vinda. Ninguém sabe tudo, por isso deve ser estimulado o questionamento. Criança não tem filtro, fala o que vem à cabeça, portanto cabe aos adultos entender quando perguntam sobre qualquer coisa. Se for indiscreto, basta explicar. O caminho do diálogo é sempre o melhor.

Cezar - Não existe assunto que nós não possamos conversar em casa. Como responsável pelo desenvolvimento intelectual da minha filha, é meu dever esclarecer qualquer dúvida sem transformar esse descobrimento em algo complicado ou tenso de falar. Claro que para cada idade devemos adaptar uma linguagem que a criança consiga entender, mas não se deve tratar nenhum assunto como se fosse problema, pois tratado dessa maneira provavelmente ele se tornará. Eu digo que minha filha é capaz de entender tudo aquilo que eu for capaz de explicar. Está nas minhas mãos compreender o que ela já sabe sobre o assunto e o que ela conseguirá entender no momento que eu estiver explicando.

4. Você se sente discriminado?
Gabriel - De forma alguma. As pessoas tentam fazer isso diariamente nas redes sociais e é tão comum, mas tão comum, que já deixou de afetar à minha pessoa há muito tempo. Sou uma figura pública, com história conhecida, com a finalidade de prevenção. Aqueles que tentam a discriminação comigo fracassam feio, batem na porta errada. Mas a discriminação só não ocorre porque sou blindado à ela, não porque não falam dela: falam e falam muito, só não me deixo afetar. Mas existe e é real, infelizmente.

Angelo - Claro que me sinto. A gente que é preto sabe como funciona. As pessoas guardam/seguram suas bolsas quando você passa na rua; se olham para trás e te veem, já tem uma reação mais de medo; os seguranças das lojas ficam atrás da gente, de verdade, é uma coisa impressionante. E uma coisa também que é “engraçada”: você nunca é o cliente da loja, sempre está trabalhando. Qualquer pessoa te pergunta as coisas. Ficam te perguntando o tempo todo... Dá um ranço isso! Se todos os funcionários estiverem de verde na loja e o cliente, preto, de amarelo, a pessoa pergunta informações pro preto. Outro dia eu estava na livraria, lendo um livro, a pessoa me cutucou para perguntar "você sabe quanto custa não sei o quê?". Estava todo mundo de preto, uniforme com o nome da livraria, daí eu falei: "olha, eu não trabalho aqui". A pessoa fica sem graça e pede desculpas, mas é sempre assim! Isso é uma discriminação. Eu sou de classe média, então eu tenho alguns privilégios. Os pretos mais pobres sofrem bem mais, com certeza.

Alessandro - Não me sinto discriminado. No bairro onde moro, na minha família, entre meus amigos, todos me tratam com respeito e educação.

Cezar - Nunca me senti discriminado, mas isso não reflete a realidade sobre as pessoas trans no Brasil. Somos o país que mais mata pessoas trans no mundo. Além disso, a morte de uma pessoa trans é sempre acompanhada de muita crueldade e violência. Eu sou muito privilegiado por não ter passado por nenhuma situação de risco. Creio que isso é relacionado à minha cor, aos lugares que frequento, à maneira como lido com a desinformação de quem não entende o que é ser uma pessoa trans e ao bom humor que procuro manter sempre, mesmo em situações inoportunas: procuro tratá-las com naturalidade e didática.

5. De que forma o preconceito é um obstáculo na sua vida?
Gabriel - De nenhuma forma, em nenhum nível, sob nenhuma circunstância... Sempre foi um trampolim! Minha vida é derrubar muros e construir pontes e sempre será assim!

Angelo - Eu não sei responder. Porque é uma coisa tão estrutural que é complicado tudo. Tudo é um obstáculo pra pessoa preta. Desde procurar emprego até pedir um táxi.

Alessandro - O preconceito não é obstáculo na minha vida, raramente o percebo. Nunca fui de me preocupar com o que os outros pensam sobre mim, por isso relevei as poucas vezes em que o sofri.

Cezar - O maior obstáculo relacionado ao preconceito que eu já enfrentei foi quando eu não me sentia emocionalmente seguro para enfrentar qualquer tipo de situação. Me desenvolver sentindo-me totalmente inadequado, desajustado, incompatível foi um dos piores prejuízos que ainda são presentes na minha autoestima. Por muitos anos não permiti o autoconhecimento, conhecer-me de verdade, vivi apenas o roteiro de vidas comuns e tirei todo esse tempo de mim por medo. Ainda carrego resíduos desse prejuízo na autoestima: nem sempre sou seguro nas minhas decisões, raramente me considero bonito e inteligente, me exijo três vezes antes de alguém precisar me cobrar... Isso é muito ruim, pois parece que nunca há paz, mesmo quando estou em mar calmo. A ansiedade, muitas vezes, tira o sono e o pânico tira o ar. Hoje, depois de atingir alguns objetivos necessários para a recuperação da autoestima, já me sinto muito melhor. Minha terapia tem sido cozinhar, cuidar da minha casa, dar o melhor no meu trabalho... Gosto de ver as coisas indo bem, a casa bonita, a mesa cheia e resultados positivos no trabalho.

6. Que mundo você gostaria de deixar para os seus filhos?
Gabriel - Um mundo onde eles possam ser felizes encontrando a si mesmos em tudo o que façam e se dediquem. Um mundo onde as pessoas saibam lidar com a diversidade de pensamentos, sem egoísmo. Um mundo onde eles possam gerenciar as próprias emoções e influenciar pessoas. Na minha concepção, existem dois mundos: o mundo como ele é e o mundo como eu sou. O mundo como ele é leva-se décadas, quiçá, centenas de anos para se transformar. Eu desejo que seja honesto, íntegro, respeitoso, colorido, feliz e alegre o mundo como eles sejam. Esse é o mundo que quero deixar para eles, um mundo onde eles possam gerenciar suas emoções internas e tornar o mundo externo um lugar melhor para as próximas gerações.

Angelo - Queria deixar pros meus filhos um mundo de amigos. Cercados de pessoas que fossem amigas umas das outras, em vez de rivais e competidores. Se não fosse uma competição, se fosse uma união em prol de algo maior, de algo melhor, acho que seria um mundo melhor. Queria viver nesse mundo, inclusive.

Alessandro - Um mundo mais acessível, em que as pessoas se coloquem mais no lugar do outro e percebam que quanto mais iniciativas que melhorem acessibilidade, mais atenderá a todos. E que o tratamento seja igual independente de qualquer distinção.

Cezar - Eu não sei se o mundo que vamos deixar para os nossos filhos será um mundo melhor. Acredito que a atual geração é que vai transformar o mundo em um lugar melhor para se viver. De um lado eu vejo adultos cheios de traumas, ansiedade, agressividade e desprezo... Do outro lado vejo crianças e adolescentes totalmente abertos à aceitação, ao respeito, ao cuidado, sem barreiras para as diferentes maneiras de existir. Eles provavelmente deixarão o mundo melhor para seus filhos, quem sabe meus netos.

7. Como você definiria a palavra RESPEITO?
Gabriel - Nobreza de caráter

Angelo - Não faça aos outros o que você não gostaria que fizessem com você. Alessandro - Respeito para mim é entender o outro, se colocar no lugar dele e não tratar ninguém como não gostaria de ser tratado.

Cezar - Respeito é onde tudo começa. Eu creio que um relacionamento saudável começa pelo respeito, avança para a admiração, aumenta com o gostar até que, de fato, ama-se alguém. Sem respeito, não há nada disso.

quinta-feira, 9 de julho de 2020

10 SUVs usados bons para PCD até 57 mil reais

O valor limite dos SUVs compacto para PCD após a isenção de impostos subiu após os últimos lançamentos, do T-Cross e da Tracker, porque veículos com motor 1.0 tem IPI diferenciado, menor do que de carros com motores de maior litragem. Portanto, o desconto total somando com o valor do ICMS fica menor, e hoje temos dois SUVs com valor próximo dos 57 mil reais.
Apesar de serem bem mais completos e seguros do que os concorrentes, ainda pecam em alguns pontos como potência do motor, espaço interno, porta malas e principalmente itens de série. Nenhum deles conta com itens de conforto como bancos em couro, banco do motorista com regulagem elétrica, mídia com GPS nativo e outros mimos, que podem ser bem úteis no dia a dia, principalmente para quem tem alguma limitação. Externamente, poucos contam com farol de milha, sensor de estacionamento e câmera de ré, rodas de mais do que 16 polegadas e rack de teto.
Nesta lista vou relacionar SUVs compactos e médios usados que contam com muitos itens de série, bom espaço interno e porta malas e bom nível de segurança. Vou deixar de fora os carros com câmbio manual, pois carros automáticos são os mais indicados para quem usa cadeira de rodas e adaptação. Como são carros usados mais equipados e potentes, a manutenção e o seguro podem não ser tão baratos, dependendo do modelo. Mas quem compra um carro usado deve estar preparado para estes eventuais custos. Porém ainda é possível ficar isento do pagamento do IPVA, pois a regra na maioria dos estados é para carros abaixo de 70 mil reais. Convém, porém, se inteirar das regras no seu estado se quiser ficar livre deste imposto. Muitas vezes vale a pena arcar com custos maiores para ter mais conforto.
Vamos às sugestões!

1- Hyundai iX 35 GLS 2.0 AT 2014 - R$ 57.617,00

O iX 35 quando foi lançado revolucionou o mercado de SUVs compactos com seu design diferente e bom conjunto mecânico. O motor 2.0 rende bons 178cv no etanol e o câmbio é automático de 6 velocidades. Apesar de não ser exatamente leve, com 1.500 kg, seu peso/potência ficou em ótimos 8,43 kg/cv. Tem belas rodas de 18 polegadas que ajudam no visual moderno. Seu é entre eixos 2,64, maior que a média do segmento, tem direção elétrica, volante multifuncional com ajuste altura profundidade e apoio de braço. Seu porta malas tem 465 litros, quase o mesmo que o recordista do segmento. Em segurança, traz freio a disco nas quatro rodas, porém não tem ESP e vem só com dois air bags. Vem ainda com mídia de sete polegadas com bluetooth.

2 - Mitsubishi ASX 2.0 4x2/4x4 CVT 2014/2015 - 54.217,00

Por menos de 55 mil reais é possível comprar um SUV japonês de uma marca com tradição no fora de estrada, o Mitsubishi ASX. Com pouco mais de cinco anos de uso, encontra-se versões com tração dianteira ou integral, sempre com motor 2.0 de 160 cv e câmbio CVT, só bebe gasolina e o consumo é bom, faz 8,7 km/l na cidade e 9,8 km/l na estrada. Apesar dos números nada impressionantes de potência, não é um carro pesado, tem menos de 1400 kg, o que proporciona um peso/potência em torno dos 8,66 kg/cv, garantindo bom desempenho em estrada e até fora dela. Tem bastante espaço interno garantido pelos 2,67m de entre eixos e um porta malas com bons 415 litros. A direção é elétrica e tem freios a disco nas quatro rodas. Externamente é bem completo, com faróis de neblina, rack de teto, aerofólio, rodas de 18 polegadas e repetidor de seta no retrovisor. Por dentro trás mídia de 7 polegadas, volante multifuncional e borboletas para troca de marcha. De ponto negativo tem a segurança, são apenas dois air bags e falta controle de estabilidade e tração.

3 - Duster Dynamique 2.0 2017 - 54,120,00

Ainda disponível para compra com isenção total, o Duster é uma boa opção para PCD devido ao maior espaço interno e porta malas da categoria. Porém, é muito criticado pela simplicidade do interior, pouca potência do motor e falta de itens de série. Um usado, porém, na versão Dynamique, vem com motor 2.0 de 148 cv que garante peso/potência abaixo de 9kg/cv e vem bem mais completo que a versão PCD, com volante multifuncional, mídia de 7 polegadas com GPS nativo, faróis de neblina, sensor de estacionamento e rodas de liga de 16". A crítica fica pelo câmbio automático de 4 marchas e falta de mais Air Bags, vem com somente dois. Mas é um carro grande e com bom nível de conforto, excelente para viajar, graças ao bom espaço interno garantido pelo entre eixos de 2,67m e o porta malas de 475 litros.

4 - Tiguan 2.0 TSI AT6 2012 - 55.302,00

O SUV médio da VW que acabou de ganhar novo facelift na linha 2021 pode ser comprado por menos de 57 mil trocando apenas os dois últimos dígitos do ano: 2012. Neste ano o motor era o 2.0 TSI de 200 cv aliado ao câmbio automático de 6 velocidades. Um conjunto muito eficiente e forte, mesmo o carro pesando quase 1600 kg, gera um peso potência de excelentes 7,93 kg/cv! Mas cobra no consumo, só bebe gasolina e faz 6,8 km/l na cidade e 9 km/l na cidade. O entre eixos é bom, são 2,60m e o porta malas tem ótimos 470 litros. Em segurança equipara-se aos tops do mercado, vem com seis air bags, freios a disco nas quatro rodas e controle de estabilidade e tração. A direção é elétrica, o volante multifuncional, tem mídia com CD e MP3, bancos em couro e as rodas são de 17 polegadas. Uma desvantagem é o ano, geralmente são carros mais rodados e passíveis de problemas mecânicos.

5 - Suzuki Grand Vitara 4x2/4x4 2.0 AT 2015 - 57.288,00

Outro SUV que não tem nada de Shopping, o Grand Vitara pode tração em duas ou quatro rodas e tem estrutura e motorização suficiente para encarar um fora de estrada mais acidentado. Seu motor 2.0 tem 140cv e consome 7,4 km/l na cidade e 8,9 km/l na estrada, números pouco animadores. Mas para quem pretende usar em estrada de terra, tem bons ângulos de entrada e saída e 20 cm de vâo livre do solo. O espaço interno é bom devido ao entre eixos de 2,64m e o porta malas, que tem 398 litros, não é muito mas cabe uma cadeira sem desmontar. De ponto negativo tem o câmbio automático que tem só 4 marchas, tem a direção, que é hidráulica, mas não é muito pesada, e em segurança entrega só dois air bags, mas os freios são a disco nas quatro rodas.

6 - Jeep Compass Sport 2.0 CVT 2015 - 56.959,00

Já é possível comprar um Compass, um dos SUVs preferidos pelo mercado nacional, por menos de 60 mil. Porém, somente há modelos importados nesse valor, ano 2015 para baixo. O que não é má notícia, apesar da maior dificuldade com peças. O motor e um 2.0 com 156 cv e o câmbio é CVT. O espaço interno é razoável, seu entre eixos tem 2,63m. Em segurança ele dá show, vem com seis air bags, controle de estabilidade e tração e freio a disco nas quatro rodas. Externamente ele é parecido com o Compass nacional,tem belas rodas de liga de 18 polegadas, faróis de neblina e rack de teto. E por dentro tem um bom nível de conforto com volante multifuncional, computador de bordo bem completo e som com bluetooth e CD Player, porém falta uma mídia mais moderna. O ponto negativo do modelo é o porta malas, de 328 litros apenas.

7 - Tucson GLS 2.0 AT4 2017 - 52.993

Por este valor dá para levar outro SUV da Hyundai, bem mais novo que o iX35 citado, mas com design bem menos atraente. O Tucson na versão GLS entrega motor 2.0 com 146 cv e o mesmo câmbio automático 4 marchas do irmão coreano. O entre eixos tem bons 2,63m e o porta malas 525 litros, um dos maiores do segmento.  O que pesa negativamente é o peso de 1550 Kg, que culmina num peso/potência de 10,62, valor alto que demandar cuidado na estrada com carro cheio. Além disso, o consumo é bem alto, faz pouco mais de 7km/l na cidade e 8,3 km/l na estrada com gasolina. As rodas são de liga de 16" e vem com multimídia, bancos em couro e freios a disco nas quatro rodas. A direção é hidráulica e vem com dois air bags apenas.

8 - Kia Sportage EX 2.0 AT6 2012/2013 - 57.040,00

O Sportage venda há muitos anos no Brasil e mudou muito desde a primeira versão ofertada. Melhorou demais em design e principalmente em itens de série. Pelo preço limite de 57 mil é possível encontrar a versão EX com motor 2.0 flex de 178/169 cv aliado ao câmbio automático de seis velocidades, e devido ao peso de pouco mais de 1400 kg tem peso/potência muito bom, abaixo de 8 kg/cv. Apesar de forte o consumo é muito bom, faz 8,9 km/l na cidade e 11,2 km/l na estrada com gasolina. O espaço interno é bom, são 2,64m de entre eixos e o porta malas é enorme, tem 564 litros. As belas rodas são de 18 polegadas, tem faróis de milha, e por dentro trás volante multifuncional, mídia com CD/MP3, bancos em couro e banco do motorista com regulagem elétrica. São apenas dois air bags, mas tem freio a disco nas quatro rodas e controle de estabilidade e tração. Se der sorte encontra um com seis air bags, que eram opcionais nessa versão.

9 - Fiat Freemont Emotion 2.4 2014

Para quem precisa de muito espaço interno e porta malas bem generoso, a dica e o Fiat Freemont na versão Emotion, ano 2014. Seu motor 2.4 rende 172 cv, o que é considerado pouco para levar os mais de 1.800 kg do modelo. É considerado SUV médio, tem quase cinco metros de comprimento e 2,89m de entre eixos! Espaço interno não é problema. E o porta malas acomoda até 580 litros, mais que qualquer SUV compacto. Essa versão não é a mais completa mas já vem com faróis de neblina, roda de liga de 17 polegadas, ar condicionado de duas zonas, apoio de braço, piloto automático, computador de bordo bem completo com monitoramento de pressão dos pneus e som com bluetooth e CD Player. Falta uma mídia mais completa, e em segurança vem com controle de estabilidade e tração e freios a disco nas quatro rodas, mas apenas dois air bags. De qualquer forma é um SUV com um bom nível de conforto, muito espaço e tecnologia embarcada.

10 - Honda CR-V LX 2.0 AT5 2012 - 59.800,00

Outros SUV considerado médio que se encontra com bom nível de equipamentos nessa faixa de preço dos 57 mil é o Honda CR-V. Seu motor é o 2.0 aspirado que se abastece somente com gasolina e gera 155 cv, aliado a um câmbio automático de cinco velocidades. Apesar de não ser muito forte para um carro mais pesado, de mais de 1,5 tonelada, os números de consumo são bons, faz 9,8 km/l na cidade e 12,5 km/l na estrada. Apesar do porte maior que os compactos, o entre eixos é de apenas 2,62m, porém o porta malas impressiona com 589 litros. A direção é elétrica, tem volante multifuncional, piloto automático e mídia com CD/MP3. Em segurança conta com controle de estabilidade e tração, dois air bags e freios a disco nas quatro rodas. De ponto negativo, os bancos dessa versão costumam vir em tecido, mas não é difícil encontrar um com bancos em couro. 

quarta-feira, 6 de maio de 2020

10 Carros usados bons para cadeirantes até 30 mil

Apesar da isenção de impostos ser um excelente benefício, não dá para dizer que é barato comprar um carro zero quilômetro. Sem contar que os veículos mais baratos do Brasil com isenção são todos compactos ou subcompactos e bem pelados, sem itens de conforto ou espaço interno. Portanto, para não passar aperto, principalmente quando se usa uma cadeira de rodas, que demanda um verdadeiro exercício para colocar em porta malas pequenos, pode ser interessante partir para um modelo seminovo, que ofereça bom porta malas, conforto e itens importantes para deficientes, como piloto automático, câmera de ré e bancos de couro, como já citei nesta matéria. Vou focar esta lista em carros automáticos, que são os mais indicados para quem usa cadeira de rodas e adaptação. Com a popularização do câmbio automático, o mercado de usados com este tipo de câmbio aumentou bastante, tornando-se mais fácil encontrar bons modelos à venda. Não só o custo será bem menor, como o seguro também, e ainda ficará isento do IPVA devido à deficiência.
Porém, comprar um carro seminovo exige um certo cuidado. Não dá para comprar um carro muito rodado, muito menos que tenha passado na mão de muitos donos, e tem que ter cautela quanto à procedência. É preciso considerar também facilidade para encontrar peças e o valor de uma cesta de peças, como pastilhas de freio, bomba d'água e outros itens passíveis de dar defeito pelo desgaste natural. Além disso tudo, desvalorização também deve entrar na conta, pois por mais que se pague relativamente barato, não dá para perder muito na revenda. Vamos às sugestões!

1- Toyota Fielder XEi 1.8 AT 2008
Para mim este é o melhor carro usado para quem usa cadeira de rodas. Tem um grande porta malas com 411 litros, que cabe muitas cadeiras de rodas montadas, vem com rodas de liga, faróis de neblina, freios a disco nas quatro rodas, ar condicionado, encosto de braço, bancos em tecido (com sorte encontra-se em couro, opcional nessa versão), som com CD Player e direção hidráulica. O motor é confiável, tem 136 cv e comando de válvulas duplo no cabeçote. O consumo é bom, faz 10km/l na cidade na gasolina. O espaço interno é razoável, o entre eixos tem 2,60m. A crítica fica para o câmbio de quatro velocidades, que deixa a desejar em algumas situações, e por não oferecer apoio de cabeça para todos os ocupantes, quem vai no meio atrás fica sem.

2- Renault Mégane Grand Tour Dynamique 2.0 AT 2010
Outra perua cujo ponto forte para quem usa cadeira de rodas é o porta malas enorme, de 520 litros. Além do porta malas, ela faz bonito também no espaço interno, com 2,68cm de entre eixos. A Mégane Gran Tour é bem servida pelo motor 2.0 de 138 cv mas sofre com o mesmo ponto fraco do Corolla, o câmbio automático de quatro velocidades. O pacote de itens de série é bem completo e inclui direção com assistência elétrica, rodas de liga, freios a disco nas quatro rodas, piloto automático, som com CD/MP3, ar condicionado digital, sensor crepuscular, farol de neblina e computador de bordo. Se não se importar com um pouco menos de potência, pode optar pela versão com motor 1.6 de 115cv, e pegar um carro três anos mais novo pelo mesmo valor.

3- VW Jetta Variant 2.5 AT 2008
Quem acha que potência pouca é bobagem pode optar pela perua do Volkswagen Jetta com motor 2.5 que gera 170cv. Tem a mesma vantagem de bom porta malas das peruas acima, com 505 litros, mas perde um pouco no espaço interno com entre eixos de apenas 2,57m, o que não chega a ser um número ruim. O grande destaque fica pelo motor de 5 cilindros que leva os quase 1500 kg do Jetta Variant com tranquilidade. E o pacote de itens de série também impressiona com controle de tração e estabilidade, faróis de neblina, piloto automático, volante multifuncional, som com CD/MP3 e bluetooth, sensor de estacionamento, rodas de liga, oito Air Bags e até porta luvas refrigerado! O ponto negativo fica pelo consumo, pouco mais de 7km/l na cidade na gasolina, mas como diz o ditado, cavalo anda, cavalo bebe.

4- Toyota Corolla XEI 1.8 AT 2008
Saindo um pouco das peruas, a dica é optar pelos sedãs médios. O primeiro da lista é o sedã mais vendido do mundo e muitas vezes também liderou no Brasil. Além dos bons predicados de espaço interno e itens de série da Fielder, o Corolla tem também um bom porta malas, com 437 litros. Não vai caber uma cadeira montada, mas retirando-se as rodas das monoblocos ainda haverá um bom espaço para bagagens. A lista de itens também é similar à da Fielder por se tratar da mesma versão, portanto vem com roda de liga, direção hidráulica, freio a disco nas quatro rodas, entre outros itens. E o motor também é o mesmo, confiável e suficiente para levar o carro. A crítica também é a mesma, câmbio ineficiente e falta do apoio de cabeça central traseiro.

5- Honda Civic LXS 1.8 AT 2008
O rival direto do Corolla não pode faltar nessa lista de carros usados. O Civic também conta com bom espaço interno, de 2,70, dez centímetros a mais que o rival, mas no porta malas perde feio, e com 340 litros são quase cem a menos. Ainda assim, suficiente para levar uma cadeira de rodas desmontada, porém o espaço para bagagem fica reduzido. Ganha também no câmbio, que é automático de 5 velocidades, e o pacote de itens de série é similar, inclui rodas de liga, ar condicionado, freio a disco nas quatro rodas, direção hidráulica, som com CD, e também é comum encontrar bancos revestidos em couro. O motor é um pouco mais forte e rende 140cv, mas com a força vem um consumo mais elevado, de 8,5km/l na cidade na gasolina. Na minha opinião, o design é outro ponto forte, assim como a modernidade do painel de instrumentos em duas camadas. Na tabela Fipe ultrapassa os 30 mil, mas na prática encontra-se essa versão abaixo deste valor.

6- Honda Fit EX 1.5 AT 2010
Ele já foi o queridinho dos cadeirantes, graças ao bom porta malas e à modularidade dos bancos traseiros, que permitem dezenas de configurações que facilitam levar uma cadeira de rodas. Dependendo do tamanho da cadeira, cabe até sem desmontar no porta malas, que tem 384 litros. O motor 1.5 gera até 116 cv e leva bem seus pouco mais de 1.100 Kg. Por ser monovolume tem bom espaço interno apesar de entre eixos de apenas 2,50m. Entre os itens de série, destaque para o piloto automático, freios a disco nas quatro rodas e direção elétrica.

7- Fiat Palio Weekend Adventure Locker 1.8 Dualogic 2011
Mais uma perua que tem no espaço do porta malas seu maior atrativo. Outro ponto positivo da perua Fiat é a altura do solo e o sistema Locker, que bloqueia o diferencial, possibilitando encarar uma estrada de terra até com pouca aderência. Rodas de liga, direção hidráulica, faróis de neblina, som com bluetooth e pneus mistos fazem parte do pacote. O ponto negativo fica pelo câmbio automatizado, que não tem manutenção tão barata quanto prometido e desvaloriza mais o carro na revenda.

8- Chevrolet Spin LT 2013
Já é possível encontrar um dos maiores porta malas do mercado com câmbio automático por menos de 30 mil. Fazendo uma pesquisa rápida encontra-se modelos LT ano 2013 com motor 1.8 e câmbio automático de 6 velocidades. Ela vem com direção hidráulica, piloto automático, roda de liga, e se der sorte, encontra até com mídia. O acabamento é muito simples e o entre eixos de 2,62m razoável, mas o grande destaque é o porta malas com 710 litros, que cabe cadeira de rodas, cadeira de banho e bastante bagagem. Indicada para pessoas que, além de usarem cadeira, tem filhos.

9- Chevrolet Cobalt LTZ AT 2014
Outro sedã de uma categoria intermediária com bom espaço interno e porta malas. Com 2,62m de entre eixos e 563 litros de volume no porta malas, mais do que muito SUV compacto que tem por aí, o Cobalt oferece também um pacote de itens de série razoável com rodas de liga, som com bluetooth, volante multifuncional, piloto automático e direção hidráulica. O ponto fraco é o design, com faróis grandes e desproporcionais, e o acabamento, que abusa dos plásticos rígidos. A Fipe é 34 mas acha fácil por 30.

10- Renault Fluence Dynamique 2.0 AT 2011
Mais um sedâ médio que tem bons atributos para cadeirantes. O Fluence se destaca pelo motor 2.0 de 143cv, pela direção elétrica, pelo entre eixos de 2,70, pelo porta malas de 530 litros e pelo câmbio CVT. Traz ainda rodas de liga, faróis de neblina, freios a disco nas quatro rodas, piloto automático e volante multifuncional. Apesar do motor forte tem bons números de consumo, registrando 9,1km/l na cidade na gasolina. A desvantagem fica pela desvalorização, tradicionalmente maior em carros de marca francesa.

sábado, 28 de março de 2020

Oportunidade na crise

Filmes e séries em família são quase obrigatórios
Em uma situação sem precedentes no mundo, nos vimos obrigados a ficar em casa. Impedidos de trabalhar, levar os filhos na escola, viajar, passear, e até mesmo para fazer compras está sendo recomendado utilizar a Internet. A sugestão é ficar em casa o tempo todo, a família toda. E sem visitar nem os parentes. 
Em uma época em que estávamos muito ligados às tecnologias, principalmente através dos smartphones, em que a maioria das conversas se dá pela tela do celular, somos obrigados a conviver com os filhos 24 horas por dia. 
Fazer todas as refeições todos os dias juntos é muito bom! 
Mas será que isso é tão ruim assim? Será que não podemos fazer do limão uma limonada? Esse é o pensamento dos otimistas, grupo no qual sempre me inclui.
Aproveitar cada momento em família
Ao conviver todo dia com os filhos, percebendo a felicidade deles ao ter sempre ao lado o papai e a mamãe, a gente se lembra dessa época deliciosa da vida em que as maiores preocupações eram as próximas brincadeiras e estar junto aos pais. Não importa o lugar nem a condição, estar com o pai e a mãe é o que aquece o coração de uma criança.
Jogar videogame ajuda a passar o tempo
Perceber isto traz uma ponta de tristeza, pois os mais isolados nessa crise de saúde são justamente nossos pais, em sua maioria idosos. Somos privados da convivência com eles e temos que os privar da convivência com nossos filhos. Mas é para o bem deles, por mais que doa.
Ajudar em casa é sempre uma boa lição
E como encontrar o lado bom nessa situação? Fazendo dessa convivência a melhor possível. Aproveitando para passar tempo de qualidade com nossos filhos. Comer todos os dias com eles é uma oportunidade para acompanhar e melhorar sua alimentação. Escovar os dentes deles é bom para incentivar a correta higiene pessoal. Devemos também brincar, curtir, ver filmes, jogar, mas principalmente, ensinar boas práticas e lições aos nossos pequenos. Ajudar em casa, arrumar o quarto, estudar, escovar bem os dentes, manter o corpo em forma (apesar do espaço pequeno dá para se virar) e amar o próximo são apenas algumas coisas boas que podemos passar para eles.
Sem contar que devido aos cuidados necessários para evitar o vírus temos um bom argumento para ensinar boas práticas de higiene como lavar sempre as mãos e evitar contato com o rosto. 
Graças às video aulas, eles podem praticar o Taekwondo
No futuro, certamente se lembrarão desses dias com carinho e saudade. Sei que não é fácil manter todos os dias em harmonia e paz, afinal crianças precisam de espaço e gostam de novidades, mas com criatividade e carinho podemos ser os heróis que eles tanto acreditam que somos. E assim que tudo passar, seremos pessoas melhores e mais fortes! 

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

Mergulhando em Guarapari

Seus mares tem uma das maiores biodiversidades do Brasil
Guarapari, no litoral do Espírito Santo, é um dos melhores lugares do Brasil para iniciar na prática do mergulho. Tem uma das maiores variedades de peixes recifais do Brasil, pontos boa visibilidade e a baixa profundidades já se encontram diversos corais e peixes belíssimos! Por isso o batismo na cidade é tão procurado. Para quem não sabe, batismo é experimentar um mergulho com cilindro após uma breve aula e com o acompanhamento de um instrutor. É uma introdução ao mundo do mergulho e dá para ter uma boa ideia de como é se preparar para um mergulho, da sensação que é respirar pela boca, do peso do equipamento, e dos benefícios que observar a vida marinha de perto podem trazer.

Família que mergulha unida permanece unida
A região de Guarapari, além de ser boa para batismo, tem também pontos incríveis para quem quer evoluir na prática e "subir de nível" mergulhando a maiores profundidades, e principalmente mergulhar em naufrágio, já que lá está um dos melhores do país!

Instruções para a turma do batismo
Já fiz muita coisa maluca na vida, já passei por muita coisa legal, muitas aventuras, mas uma das sensações mais loucas que tive foi mergulhar no naufrágio do Victory 8B em Guarapari, no Espírito Santo. O navio é grego e foi abandonado na costa brasileira depois de ser apreendido por problemas financeiros, e foi afundado propositalmente para servir de recife artificial e ponto de mergulho. Ele tem quase 90 metros de comprimento e está bem preservado e integrado à vida marinha, a 35 metros de profundidade.

Equipado e pronto para mais uma aventura subaquática
Chegar ao navio não é fácil, ele está em uma região de fortes correntezas e pouca visibilidade. E é na descida que a aventura começa. O barco solta os mergulhadores contra a correnteza e a gente vai flutuando até uma boia que fica presa ao navio. A partir desta boia, é preciso segurar na corda e ir puxando o corpo em direção ao navio. Esta sensação parece filme de terror, a correnteza é muito forte, pareque que a máscara vai ser arrancada da cabeça, e a visibilidade é pouca, deve ser pouco mais de cinco metros. E a gente vai se afundando cada vez mais, em direção ao desconhecido... Quando de repente dá para ver a estrutura do navio, só as janelinhas e as bordas da cabine principal, uma cena sinistra. Puxando mais e mais, é possível ter noção do tamanho do navio, são metros e metros para baixo até o fundo do mar.

A descida pela lateral é incrível
Começamos descendo pela parte externa circulando a nave principal. Deu para notar o quanto os corais cobriram a carcaça do navio, em alguns pontos parecia que tinha mais de meio metro de coral sobre o metal. Incrível também é a diversidade de formas e texturas de corais, e a quantidade de peixes e cardumes que vive e visita a estrutura. Havia um cardume gigante que eu acho que era de sardinhas, fazendo um verdadeiro balé ao redor do navio. A cada mudança de direção a luz batia sobre elas e parecia uma cortina de peixes dançando! Muito legal!
Chegamos perto do fundo, a aproximadamente 35 metros de profundidade, e deu para ver toda a extensão do navio, bem assentado ao fundo quase em posição vertical. Entre várias janelas havia uma passagem de um lado ao outro do navio, por onde foi possível atravessar. Emocionante passar pelo corredor e ver algumas dependências internas. Voltamos subindo ao redor do casco até chegar na ponte de comando, com todas aquelas janelinhas voltadas para a frente do navio. Ao longo do caminho muitos cardumes, dezenas de espécies. Entramos pela frente da cabine e saímos do outro lado, e depois nos encontramos no topo para iniciar a volta. Se essa descrição é pouco para você, confira no vídeo abaixo os melhores momentos do mergulho que fiz em 26/12. E comente se curtiu!
 

domingo, 5 de janeiro de 2020

Hotel Fazenda Lagoa Azul

O hotel é bem grande e a região muito bonita.
Hotel Fazenda por definição é um lugar mais rústico, portanto geralmente inóspito a quem tem mobilidade reduzida, principalmente se usar cadeiras de rodas. Mas alguns hotéis têm se arriscado a oferecer acomodações adaptadas e estrutura para receber cadeirantes.

O estacionamento é todo em bloquete de cimento
É o caso do Hotel Fazenda Lagoa Azul, no município de Esmeraldas, a 45 km de Belo Horizonte. Pesquisando onde passar o reveillon, como tínhamos apenas dois dias, já que minha esposa iria trabalhar no dia 30 e no dia 2, encontrei este hotel e liguei para saber mais. Me informaram que o hotel dispunha de quarto "com portas mais largas e mais espaço interno" e acesso a "quase todos" os ambientes. Como estou acostumado a encarar acessibilidade precária, nem perguntei sobre cadeira de banho, já que iria levar a minha.

O quarto standard é muito grande, tanto que tem até camas para os filhos
O caminho inclui 15 km de estrada de terra em bom estado, mas não há placas muito nítidas, porém pelo Google Maps é fácil chegar lá. Não há vagas específicas para deficientes mas os funcionários ajudam a encontrar uma vaga próxima à entrada, e se necessário auxiliam no desembarque. O estacionamento é calçado por bloquetes de cimento complicados para andar com a cadeira. Mas se parar ao lado da entrada lateral é possível desembarcar no piso liso. 

O banheiro é bem fraco em adaptações. Basicamente, só a barra dentro do box.
A recepção é ampla mas não há balcão rebaixado, é bem alto e incômodo para cadeirantes. O quarto standard adaptado é muito grande e tem uma coisa difícil de se ver nesse tipo de acomodação: três camas, sendo uma de casal e duas de solteiro. É simples, há um pequeno frigobar, uma cômoda com gavetas, televisão e ar condicionado. A porta do banheiro é bem larga e passa a cadeira de rodas.

O acesso ao restaurante é bom
Os problemas começam no banheiro. Dá para fazer um jogo dos sete erros da acessibilidade com a foto dele. O espelho é muito alto. O banheiro é muito estreito, não passa a cadeira entre o vaso e a parede. Até a cadeira de banho é difícil colocar sobre o vaso, não dá para colocar a cadeira a noventa graus para transferir. Não há barras de apoio próximo ao vaso. A porta do box é apertada e tem um ressalto no chão. O suporte de sabonete é muito alto. E não há chuveirinho!! Esse para mim é o pior erro. Quarto adaptado para cadeirantes tem que ter chuveirinho. 

O espaço para circulação é razoável, e as mesas são boas para cadeirantes
No buffet há espaço para se servir, mas as panelas ficam muito altas
O acesso ao restaurante é tranquilo, há rampa com antiderrapante e boa inclinação. No buffet, em fogão a lenha, há bom espaço de um lado, porém as panelas ficam em posição elevada, dificultando enxergar o alimento lá dentro. Do outro lado é possível entrar com a cadeira, mas só se volta de ré. As mesas tem pés paralelos e boa altura, boas para entrar embaixo com a cadeira.

A rampa para acesso à área externa está bem judiada e a inclinação não é boa
Ao sair para a área externa há uma rampa de cimento muito ruim, com inclinação acima da recomendada e cheia de buracos. Impossível subir sozinho. Para chegar até a piscina há dois caminhos, um de bloquete bem ruim e outro bom, de piso liso. Porém há um pequeno degrau, chato de subir na volta. Não há nenhum acessório que auxilie descer para a piscina ou voltar, é tudo na mão. Quem não tem força e uma estratégia para isso, tem que ser carregado. 

O acesso à piscina é bem ruim, bloquete e grama.
O acesso secundário à piscina é bom, mas tem um degrau para chegar lá.
Há uma grande lagoa no hotel - que dá nome ao mesmo - que dispõe de pedalinho e waterball - aquelas bolas que se entra e são infladas. Tem também passeio de charrete em volta da lagoa, que é toda gramada com trechos em bloquete. Não dá para rodar por ali sem algum acessório, a cadeira trava o tempo todo.

Em volta da lagoa há grama e alguns trechos com bloquete. Difícil rodar na cadeira, só com acessório.
A lagoa vista da sede é bem bonita, e ainda tem os pedalinhos.
Em resumo, as adaptações são insuficientes para um cadeirante passar uma estadia tranquila principalmente por conta do banheiro apertado e sem chuveirinho. Se fosse maior, ajudaria bastante, seria mais usável com uma cadeira de banho. De resto dá para se adaptar, pois rodar pelas áreas externas com um acessório como o Freewheel é tranquilo. Se o cadeirante for aventureiro como eu, aí vale a pena, pois o lugar é muito bonito, o preço é razoável e os funcionários são solícitos e atenciosos. 

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