segunda-feira, 13 de maio de 2019

Cadeira que sobe escadas

Projeto de cadeira para subir escadas (fonte: projeto de patente MU 9000964-9 cedido pelo Luiz)
Ideias que buscam melhorar a qualidade de vida de cadeirantes são sempre bem vindas. Mas nem sempre conseguem o apoio e financiamento necessários para saírem do papel. Há alguns meses recebi um e-mail do Luiz Aldo Moraya, que teve uma destas ideais que podem melhorar a forma de transportar um cadeirante por uma escada. Hoje há alguns aparelhos que ajudam nesta tarefa, como um chamado Evac-Chair que já testei e publiquei aqui no blog, mas a ideia do Luiz Aldo é mais adaptada e segura.
 Detalhamento do projeto (fonte: projeto de patente MU 9000964-9 cedido pelo Luiz)
Ele criou uma cadeira com roda em formato de estrela, cujos pontas se encaixam sobre os degraus da escada tornando a operação mais segura. De acordo com o Luiz, "A cadeira de rodas em estrela é um projeto muito simples para permitir que as pessoas possam ser conduzidas pelas escadas com segurança e conforto. As rodas dentadas são fabricadas de acordo com as metragens dos degraus da escada que será subida e descida. Assim os dentes vão girando e se ajustando perfeitamente aos degraus. As rodas podem ter 8, 9, 10, 11 ou até 12 pontas, sendo que o esforço dos condutores diminui quando aumenta o número de pontas. O material da estrutura da cadeira deverá ser leve e resistente, mas com alguma flexibilidade para ajudar a absorver os esforços dos condutores e o peso do cadeirante. As rodas poderão ser de poliuretano ou material que resista ao desgaste das pontas e não danifique os degraus das escadas. Essas sugestões serão definidas com a montagem de um modelo em escala real 1:1 para testes e aperfeiçoamento."
Seria uma cadeira para deixar disponível em locais que não tem como serem adaptados nem instalados elevadores. Ela ficaria disponível e quando algum cadeirante precisasse subir as escadas, poderia se transferir para ela, subir, e então voltar para sua cadeira ao fim da escada. Ou então em casos de emergência, como é a proposta da Evac-Chair, ela poderia levar um cadeirante ou qualquer outra pessoa com mobilidade reduzida com mais segurança e velocidade.
Fica a dica para quem se interessar pelo projeto, o e-mail do Luiz Aldo é aldomoraya@gmail.com e ele está à procura de parceiros.

segunda-feira, 29 de abril de 2019

Remédios de graça e com desconto

Veja como conseguir bons descontos em remédios de uso contínuo
Cadeirantes e pessoas com deficiência, em sua maioria, precisam comprar medicamentos constantemente. E todo mundo sabe que medicamento no Brasil é muito caro. Muita gente usa mais da metade da renda só para comprar remédios. Infelizmente, é a realidade do nosso país.
Alguns medicamentos são distribuídos gratuitamente através do Programa Farmácia Popular do Governo Federal. São mais de mil medicamentos disponíveis, veja a lista neste link. É possível conseguir de anticoncepcionais a medicamentos controlados, independente da renda ou condição social do paciente. Para conseguir o remédio de graça, é bom ter o Cartão Nacional de Saúde (CNS). Quem ainda não possui o cartão pode fazer um pré-cadastro e gerar um protocolo de atendimento no Portal Saúde do Cidadão. Pelo site, o usuário pode fazer o cadastro e imprimir o cartão. Outra forma de fazer o cartão é solicitar no posto de saúde do seu bairro ou cidade. Porém, mesmo sem o cartão, o paciente pode ter acesso aos remédios, levando receita médica emitida por médicos do SUS ou da rede particular e documento de identificação a uma farmácia credenciada ou na rede própria do governo e fazendo a solicitação na hora.
Os que não estão na lista, infelizmente devem ser comprados. E se houver uma forma de diminuir essa conta? Sempre há. Eu como consumidor de remédios e pesquisador por natureza, estou sempre em busca de formas de conseguir descontos ou comprar medicamentos mais baratos. A primeira atitude para economizar nos remédios é partir para os genéricos. Geralmente são mais baratos que os remédios "de marca", fabricados pelas grandes indústrias. Mas dá para economizar mais ainda.
Mesmo comprando genéricos, é preciso pesquisar. A primeira coisa a fazer é verificar qual o princípio ativo dos remédios que consumimos. Na caixa ou na bula sempre tem esta informação, geralmente abaixo do nome do remédio. Com esta informação em mãos, é hora de ir na farmácia e perguntar o preço pelo princípio ativo. Anote o nome do fabricante dos três mais baratos e corra para a Internet. Procure o site de cada um deles e veja se há algum desconto para quem é cadastrado. Muitos deles tem este tipo de cadastro, como a EMS que fabrica Gabapentina e Retemic entre outros, e a Pfizer que fabrica a Lyrica. Após se cadastrar no sites destes laboratórios você consegue descontos e benefícios na compra dos medicamentos na farmácia.
Além dos descontos dos laboratórios, muitos planos de saúde tem convênio com as farmácias para conceder descontos nos medicamentos. Verifique nas farmácias que você tem costume de comprar se há algum desconto relacionado ao seu plano de saúde. Aí é só apresentar a carteirinha do convênio no momento da compra. O ideal é antes de fechar simular todas as opções de desconto possíveis. Pode parecer que dá um pouco de trabalho, mas ao fim de um ano você perceberá o tamanho da economia na sua conta bancária. Além do mais, as farmácias não devem se importar em simular as opções, pois é interesse delas que você se sinta bem atendido e volte todo mês para comprar mais. Algumas farmácias, como a Droga Raia aqui em BH, já fazem a simulação antes mesmo da gente perguntar. Pela minha experiência, foi onde fui melhor atendido neste quesito.


Outra forma de economizar em diversos outros produtos é se afiliar a um programa de cashback. Para quem não sabe do que se trata, é uma forma de receber parte do valor de produtos adquiridos pela Internet de volta em sua conta. Basta se cadastrar, ativar o aplicativo no celular e a extensão no Chrome, e você receberá de volta um percentual das suas compras feitas pela Internet. Em um dos programas de cashback, por exemplo, alguns sites como Walmart e Americanas te devolvem até 5% do valor gasto em alguns dias, e há sites que dão até 30% ou mais! Este percentual varia e é bom considerar isso quando comparar preços. Nos aplicativos você verifica antes de comprar quanto cada loja está dando de volta nas compras. Para se cadastrar, clique nos links abaixo, dos principais programas:

https://www.meliuz.com.br/i/ref_13f0ba6b?ref_source=45

http://convite.beblue.com.br/6bdf571013c4452da0ee5406dea01bb0

A lição que fica é: pesquise, compare, use a tecnologia para buscar melhores preços e não deixe de pechinchar, afinal, cada real poupado é bem vindo!

sexta-feira, 5 de abril de 2019

Como solicitar isenção de IPI para deficiente por conta própria

O processo é simples e online, e a resposta chega rápido!
Antigamente para solicitar a isenção de impostos era preciso juntar, xerocar e autenticar vários documentos, ir a uma unidade da Receita Federal, esperar na fila, entrar com o processo e aguardar vários dias, e então ligar para lá toda semana para saber se estava pronto, e assim que finalmente era deferido, tinha que voltar lá para buscar. Aí começava a mesma luta para conseguir a isenção de ICMS...
Mas felizmente as coisas mudaram, o tempo passou e a informatização chegou para agilizar e facilitar a vida de quem precisa solicitar isenção de impostos para garantir o direito de ir e vir em um veículo zero quilômetro! O processo de solicitação de IPI hoje é feito todo online e demora apenas três dias úteis para receber uma resposta! Viva a tecnologia!! O site da Receita Federal com orientações e laudos é este aqui: http://idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/tributaria/isencoes/isencao-ipi-iof-pessoas-fisicas
Porém, o processo ainda é um pouco burocrático. Para facilitar a vida de quem precisa pedir esta isenção, fiz um vídeo explicando passo a passo como solicitar a isenção por conta própria. E neste texto, explico com mais detalhes quais são estes passos. 

Quem tem direito
A primeira dúvida que as pessoas tem é se tem direito à isenção. O ideal é consultar um médico especialista que tenha algum conhecimento sobre este tipo de isenção, como médicos que já estão acostumados a emitir o laudo. Para ajudar, veja neste link as patologias passíveis de obter isenção de impostos: 

Laudo Médico
O primeiro passo, e o maior complicador da isenção de IPI é conseguir o laudo médico correto, que deve ser feito seguindo o modelo do Anexo V da Receita Federal. O melhor lugar para solicitar este laudo é no Hospital Sarah Kubitchek (www.sarah.br). Lá eles já estão acostumados a fazer test tipo de laudo e emitem utilizando o modelo do Anexo V, e já assinam e carimbam corretamente. É só logar no site, ir na "Área do Paciente", entrar no menu "Solicitação de Documentos", escolher na guia "Laudos e Relatórios Médicos", e clicar em "Solicitar". Na página que abre, vá até o campo Dados da Solicitação e na guia "Selecione a finalidade desejada" escolher "Outras Finalidades". No campo abaixo, "Descreva as informações..." basta digitar "Laudo Médico para solicitação de isenção de IPI". E então é só aguardar, demora de 15 a 60 dias, dependendo da unidade em que foi solicitado.
Para quem não tem acesso ao Hospital Sarah, é possível solicitar em um Posto de Saúde ou Clínica Médica que tenha médicos que sejam credenciados também no SUS. Para fazer isto basta imprimir o Anexo V, que está no link abaixo:
http://receita.economia.gov.br/formularios/isencoes-e-suspensoes/deficientes/anexo-v-laudo-avaliacao-deficiencia-fisica-ou-visual-isencao-ipi-3-11-17-revisao-diren.pdf
Levar a um posto de saúde ou clínica, e pedir que os médicos preencham, são dois que assinam mais o responsável pela unidade de saúde. O ideal é que pelo menos um dos médicos seja especializado na patologia em questão, se a deficiência for uma lesão medular, que seja um neurologista ou neurocirurgião, se for amputação, que seja um ortopedista.

CNH
Com o laudo médico em mãos, será necessário alterar ou tirar a CNH. Este passo poderá ser feito antes do anterior, mas com o laudo da Receita em mãos, facilita até para a perícia do Detran. Basta se dirigir ao Detran de sua cidade e fazer a solicitação de alteração ou exame para tirar a CNH. O Detran marca uma perícia médica - na qual sugiro levar o laudo anterior - e então serão marcados os exames para habilitação. Mesmo sendo alteração, é preciso fazer novamente o exame de rua. Será necessário frequentar auto escola com carro adaptado, fazer o exame escrito para quem está tirando a primeira habilitação, ou o exame de rua para alteração. Após aprovado, será emitida a CNH com as observações no verso que são letras que identificam que adaptações o veículo precisará ter.

SISEN
O passo seguinte é acessar o sistema da Receita Federal que concentra estas solicitações, o SISEN, neste link: https://www.sisen.receita.fazenda.gov.br. Ao entrar no site, há no topo três opções, para inciar é preciso clicar na primeira, Requerimento. Você será direcionado para a tela de login, se não tiver cadastro, será preciso clicar em "Primeiro acesso?"
Após fazer o cadastro, receberá um código de acesso para entrar no sistema. Com ele em mãos, volte à página principal do SISEN e clique em Requerimento. Entre no sistema e abaixo da pergunta "Deseja fazer um novo Requerimento?" clique em "IPI". Se for deficiente não condutor, é necessário marcar a opção "Quero exercer o papel de representante legal...".
Em seguida, abra-se uma caixa de diálogo, e é só clicar em "Pessoa com deficiência" e aí inicia-se o processo. Aí é só seguir os passos do sistema, selecionando o tipo de deficiência, entra com os dados de endereço (basta digitar o CEP e ele busca o endereço) e contato e clica em "Próximo".
A tela seguinte é para preencher a lista de condutores autorizados, que só precisa preencher se o requerente for não condutor. Sendo condutor, deixe em branco. Depois, basta clicar nas opções de disponibilidade financeira e regularidade fiscal e clicar em "Próximo".
A tela seguinte contém os dados da deficiência, que estão relacionados no Laudo Médico do Anexo V. Basta ir clicando nas opções relacionadas às limitações da deficiência do requerente seguindo o que está no laudo. Importante aqui é entrar com os CIDs corretamente, basta digitar os números do CID sem ponto e clicar em "Incluir".
Logo abaixo, é necessário entrar com os CPFs dos médicos, e também com o CNPJ da unidade. É só digitar os números e dar "Enter" ou "Tab" no teclado que o sistema puxa os nomes. Depois tem que escolher qual o Tipo de Serviço Médico, ou seja da unidade de saúde na qual foi pego o laudo.
Para finalizar esta parte, entre com o CPF do responsável pela unidade de saúde e com a data em que o laudo foi emitido, e em seguida clique em "Próximo".
A tela seguinte é para anexar o Laudo Médico, emitido no padrão do Anexo V. O arquivo precisa ser  no formato PDF e não pode ser maior do que 2 MB (megabites). Basta clicar em Selecionar Arquivo e escolher ele no seu computador. Assim que acabar de anexar, aparece o nome do arquivo em verde. Aí é só clicar em "Próximo".
A última tela é para conferir os dados que foram registrados no requerimento, basta verificar tudo se está correto, selecionar no texto "Declaro estar ciente..." e clicar em "Confirmar".
Pronto, a solicitação de isenção foi realizada com sucesso. Guarde o número do protocolo e então é só aguardar. O resultado sai em 72 horas úteis, ou seja, 3 dias úteis. Você recebe um email dizendo que a isenção de IPI foi deferida, aí você entra novamente no SISEN, identifica que foi deferida e clica em uma seta no canto para baixar o arquivo. Aí é só levar na concessionária junto com a isenção de ICMS e comprar seu carro com isenção.
Veja o vídeo abaixo, onde expliquei tudo isso, e se tiver alguma dúvida volte a este texto. E boa sorte! 

- Grupo no Facebook com mais orientações (Carros PCD Brasil): https://www.facebook.com/groups/20397...

segunda-feira, 1 de abril de 2019

Aprenda o Essencial sobre a Aposentadoria da Pessoa com Deficiência

Segundo censo do IBGE do ano de 2010, cerca de 45,6 milhões de pessoas declararam ter algum tipo de deficiência.
Frente a essa realidade, o Brasil tem adotado algumas medidas a fim de diminuir barreiras que impedem as pessoas com deficiência de terem uma vida social em igualdade de condições com o restante da população.
Uma das medidas colocadas em prática diz respeito à aposentadoria, de modo que atualmente pessoas com deficiência conseguem aposentar-se mais cedo e com valor maior se comparado às aposentadorias comuns.
Neste artigo, eu vou abordar de forma resumida os principais requisitos desse tipo de aposentadoria, que pode ser de duas modalidades: aposentadoria por idade e por tempo de contribuição.

Aposentadoria da Pessoa com Deficiência por Tempo de Contribuição

No ano de 2013, foi promulgada a Lei Complementar 142, que trouxe inovações no campo previdenciário para as pessoas com deficiência.
Com a entrada em vigor da citada lei, a deficiência para fins de aposentadoria passou a ser classificada em três graus: leve, moderada e grave.
Conforme o grau da deficiência, são exigidos requisitos diferentes para requerer o benefício.
Para ficar mais claro, montei a seguinte tabela comparativa como as condições da aposentadoria por tempo de contribuição:
Fonte: Advocacia Alves.

Assim, a pessoa com deficiência de grau leve aposenta-se 2 anos mais jovem.
Se a deficiência for considerada grau moderado, há a redução de 6 anos no tempo mínimo de contribuição necessário, o que já é bem vantajoso.
Por fim, se a deficiência for considerada grau grave, diminui-se 10 anos no tempo mínimo de contribuição.
Para fins comparativo, na aposentadoria urbana comum, o homem tem direito à aposentadoria com 35 anos de contribuição e a mulher com 30 anos de contribuição.
O grau de deficiência é estabelecido com base em uma perícia médica e social do INSS, que avalia a funcionalidade da pessoa nos ambientes de trabalho, casa e social.
Além disso, o próprio segurado pode (leia-se deve) ajudar na perícia, apresentado eventuais documentos médicos que tiver, como laudo técnico, parecer, atestado, prontuário, relatório etc.

Aposentadoria por idade da pessoa com deficiência

O outro tipo de aposentadoria refere-se à idade da pessoa.
Nesta situação, as pessoas com deficiência aposentam-se 5 anos mais cedo do que na aposentadoria por idade urbana. Assim, o homem com deficiência adquire o direito com 60 anos e a mulher com 55 anos de idade.
Para melhor demonstrar a vantagem, montamos o seguinte quadro comparando os três tipos de aposentadoria por idade existentes: a urbana, a rural e a da pessoa com deficiência.
Fonte: Advocacia Alves.

Além disso, a Lei Complementar 142/2013 exige o cumprimento de no mínimo 180 contribuições contribuição (que totalizam 15 anos), assim como a comprovação da existência da deficiência por igual período.

Renda Mensal Inicial: qual é o valor da aposentadoria da pessoa com deficiência
As regras para calcular o valor do benefício varia conforme o tipo de aposentadoria, se por idade ou por tempo de contribuição.
Situação 1: Aposentadoria Especial do Deficiente por Tempo de Contribuição Nessa modalidade, a renda mensal inicial da pessoa com deficiência vai ser o salário de benefício integral.
Para saber o seu salário de benefício, calcule os 80% maiores salários de contribuição (a remuneração que você recebe do seu trabalho).
Além disso, a aplicação do fator previdenciário só ocorrerá quando for mais vantajoso para o segurado.
O fator previdenciário é um índice utilizado pelo INSS para evitar que a população se aposente jovem.
Porém, há situações que o fator previdenciário aumenta o valor da aposentadoria. Um equívoco no momento de pedir o benefício pode causar um prejuízo financeiro para o deficiente por toda a vida.
Por isso, sempre consulte um bom advogado para fazer a melhor escolha para o seu caso.
Situação 2: Aposentadoria da Pessoa com Deficiência por Idade Nesse caso, para calcular o valor da sua aposentadoria você deve observar os seguintes passos:
1 – Cálculo do salário de benefício: 80% dos maiores salários de todo o período contributivo do cliente.
2 – 70% do salário de benefício obtido mais 1% para cada grupo de 12 contribuições, até o limite de 100%.

Está com alguma dúvida?
Bem, essas são as informações essenciais para a aposentadoria da pessoa com deficiência. Pesquise mais, entre em contato com o SUS e se necessário conte com um advogado para auxiliar. Não deixe de se informar!

terça-feira, 12 de março de 2019

10 anos de Blog do Cadeirante

Uma década mostrando que é possível ser pleno e feliz sobre uma cadeira de rodas!!!
Hoje o Blog do Cadeirante completa dez anos no ar!! Dez anos ajudando quem vive em cadeira de rodas!!! Quando fiz a primeira postagem, naquele 12 de março de 2009, eu havia me tornado cadeirante há menos de três anos. Tudo era muito novo ainda e havia pouquíssima informação sobre o dia a dia de um cadeirante. Buscando na Internet, encontrava-se apenas artigos científicos sobre lesão medular e uma ou outra publicação pessoal, ninguém falava sobre a compra da cadeira, os direitos que os deficientes tem, esportes adaptados, aquisição de veículos com desconto, trabalho, família, filhos e muito menos como é viver em uma cadeira de rodas na prática!
Tudo começou em 24 de julho de 2006, após um acidente de moto na UFV
Para sanar esta lacuna, criei o blog com a intenção de ajudar outras pessoas que estivessem passando pela mesma situação, pois naquela época pouca gente tinha noção do que é ser cadeirante! Quem sofria um acidente, por exemplo, perdia os movimentos, algumas funções do corpo e tinha que se virar com isso, além de todos as complicações que poderiam ocorrer. Busquei mostrar de forma simples e direta os desafios e perrengues que vinha e ainda venho enfrentando no dia a dia sobre uma cadeira de rodas. Nunca tive a intenção de mostrar vitimismo nem buscar assistencialismo, meu objetivo sempre foi a divulgação isenta do que enfrentamos e como podemos fazer para contornar e passar por cima de todos os obstáculos!
Viajar é uma das formas de mostrar como podemos ir longe, mesmo sobre rodas
Mais do que isso, sempre mostrei tudo que podemos fazer mesmo com todas as limitações que uma cadeira de rodas nos impõe, como falta de acessibilidade, o desrespeito e preconceito que enfrentamos, e principalmente mostrar que é perfeitamente possível ser feliz e pleno com estas limitações. Busco mostrar as minhas conquistas e o caminho para chegar até elas, ressaltando onde as limitações se mostraram presentes e como as contornei.
Da minha cadeira eu posso abraçar o mundo!! 
Daquela época até hoje amadureci bastante, conquistei muitas coisas, desde um bom emprego até experiências incríveis que jamais sonhei viver antes da cadeira, como as viagens que fiz, os esportes que pratiquei, e para fechar com chave de ouro, a maior alegria da minha vida foi ter os meus lindos gêmeos Anne e Max!!! Passei também por muitos perrengues, principalmente com o agravamento da dor crônica, que hoje é minha única limitante a viver plenamente, contra a qual luto diariamente. A cadeira eu tiro de letra, a dor é que me impede de fazer mais do que faço. E olha que faço muita coisa....
A maior felicidade encontrei nos sorrisos dos meus filhos e da minha companheira
Hoje sou um homem realizado e feliz, e tenho prazer em mostrar para quem quiser que somos parte da sociedade, somos cidadãos como qualquer outro, com a diferença de nos locomover de forma diferente e necessitar eventualmente de acesso facilitado. Continuo firme na luta por um mundo mais inclusivo e justo para quem tem limitação! Juntes-se a mim e vamos fazer o amanhã ser melhor do que hoje! Que venham mais décadas!!!

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Comparativo entre sedans mais caros para PCD

As principais marcas à venda no Brasil estão representadas aqui
Há pouco mais de um mês publiquei o primeiro comparativo entre sedans automáticos para pessoas com deficiência, destacando naquele os modelos que ficam na primeira faixa de preço, entre 44 e 49 mil reais, considerados modelos de entrada das montadoras. Agora, dando continuidade àquele, divulguei no canal do Blog no Youtube o Comparativo entre sedans mais caros para PCD, composto pelos modelos que ficam entre 49 e 55 mil reais aproximadamente.
Como disse no post anterior, esta categoria era a mais procurada por famílias em crescimento, compostas por três, quatro ou até cinco pessoas, contando com os filhos. E por algumas pessoas com deficiência, que precisam de bom espaço interno e porta malas grande. Porém, com o surgimento dos SUVs compactos, os sedans deixaram de ser a primeira opção. Mas com o congelamento do limite de isenção há quase dez anos, os SUVs estão cada vez mais pelados e alguns modelos começam a deixar de ser oferecidos.
O grande destaque do comparativo, desta vez corretamente, foi o Arrizo 5
Assim, o segmento de sedans começa a ter a atenção das pessoas com deficiência novamente. Não são mais aqueles carros médios que comprávamos há dez anos como Corolla, Civic, Vectra, mas ainda tem bons porta malas e alguns equipamentos interessantes. E com a chegada das marcas chinesas, a briga fica ainda mais interessante, como o Arrizo 5 chacoalhando o segmento. Os sedans deste comparativo na maioria são os mesmos modelos do comparativo anterior, mas em versões mais completas, porém há novidades como Cobalt, City, Yaris e Virtus. O City na versão Personal é o único sedan da Honda abaixo do limite de isenção, e a Toyota vem com dois modelos desta vez, um Etios Sedan mais completo e o Yaris básico.
Apesar de mais completos, ainda faltam muitos itens na maioria deles. A exceção é o Arrizo 5, justamente o campeão deste comparativo, que é completo, completo mesmo. De motor turbo a rodas de liga, tem de tudo. O único problema dele é não sabermos como vai ser a desvalorização, já que quase todo carro de montadora de procedência chinesa tem alta desvalorização. Para mim, não será tão alta quanto seus "coleguinhas" de olhos puxados, pois o grupo Caoa está investindo pesado na marca e aparentemente a qualidade é maior. E se vender bem como parece que vai, se agradar os proprietários como parece que vai, não deve sofrer tanto na revenda. O segundo colocado, Fiat Cronos, repete o bom desempenho do comparativo anterior, pois vem com muitos itens de conforto, como a excelente mídia de 7 polegadas, segurança como controle de estabilidade e tração. Porém a Fiat vacilou ao deixar como opcional o Piloto Automático, porém felizmente mesmo pedindo ele como opcional, fica abaixo do limite de isenção. Nem precisa dizer que acho um vacilo maior deixar de pedir ao comprar o carro. Em terceiro, para mim, o Volkswagen Virtus, que surpreende ao tirar nota máxima no teste de colisão do Lain N'Cap.
Os demais sedans, tem muitas qualidades, e muitos defeitos também. Melhor do que escrever, é falar, portanto não deixe de assistir o vídeo com minhas impressões, e com o ranking que fiz também. Este, segue aí em cima, para facilitar a vida de quem pretende adquirir um destes modelos. E a planilha, segue abaixo, no link, basta clicar na aba "Sedans 2":
https://docs.google.com/spreadsheets/d/1BGVM56y_rYkOVzUpH5ifWm00RjTbu4emUYD9-3yBhSo/edit?usp=sharing

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Porta automática: acessibilidade além da facilidade

Basta se aproximar que ela se abre sozinha
O que você pensa quando se depara com uma porta automática? Quem é como eu, de cidade pequena, sempre encara como uma novidade tecnológica, soltando um sonoro “noooooooó” quando vê uma. Quem é de cidade grande provavelmente nem se dá conta de que passou por uma, pois o número de estabelecimentos que a utilizam é enorme. Mas essas são as impressões de quem não tem nenhuma dificuldade pra se locomover e tem, no ato de andar, a coisa mais comum do mundo. Mas e para quem tem dificuldade? Um cadeirante, por exemplo? O que uma porta automática representa para ele? 

Na nossa correria diária, nem sempre dedicamos um tempo pra pensar no significado dessas facilidades do dia-a-dia – e muitas vezes encaramos algumas delas até como “frescura”. Mas o que é bobagem para nós pode ser uma tremenda conquista para quem leva uma vida um pouco diferente da nossa – por exemplo, por uma deficiência motora. Para mim e talvez pra você, levantar da cadeira e abrir uma porta com maçaneta redonda é banal, mas e para quem precisa de uma cadeira de rodas, ou de uma muleta? Você já se sentou em uma e tentou viver seu dia sem sair dela?

Normas sobre portas e acessibilidade

A vida para quem usa cadeira de rodas é diferente da vida de quem anda em aspectos sobre os quais pensamos pouco. Uma pessoa que anda consegue passar por portas estreitas simplesmente girando um pouco o tronco, mas uma cadeira de rodas não permite isso. Por isso, os estabelecimentos precisam ficar atentos às normas de acessibilidade quando instalam suas portas, inclusive as portas automáticas, descritas na norma NBR 9050/2004. Ela foi criada para padronizar essas instalações e garantir que ao menos o mínimo será feito.

Uma das regras diz respeito à largura da porta: elas devem ter no mínimo 80 centímetros de largura, e isso vale para todas as portas:
• sanfonadas: o vão livre dessa porta deve ter essa medida mesmo com a porta totalmente recolhida, o que quase nunca acontece pois ela foi criada para espaços pequenos;
• portas vai-vem: cada metade deve ter 80 centímetros, não apenas a soma das duas. Isso permite que o cadeirante utilize apenas uma das metades, diminuindo o risco de acidentes ao acionar as duas com a cadeira. Outra instrução é que haja um visor de vidro nesta porta entre 40cm e 90cm a partir do piso, para que a pessoa de um lado veja se outra se aproxima pelo outro;
• portas automáticas: dadas as grandes dimensões das placas de vidro, estas costumam ter dimensões bastante grandes. No caso das portas com acionamento ótico, os sensores devem ser regulados para pessoas de baixa estatura, cadeirantes e crianças;
• demais modelos de portas.

Outras normas importantes

Você deve ter notado que toda a explicação acima diz respeito à visibilidade e à passagem em si pelas portas. Mas tem um outro detalhe sobre o qual não falamos, à exceção das portas automáticas: o acionamento delas. Uma porta automática abre e fecha sozinha, mas e as demais? Lá em cima, mencionei as maçanetas redondas, que tipicamente exigem um pouco mais de destreza para serem acionadas (quem nunca passou aperto ao tentar girar uma estando com as mãos engorduradas?). Se você se aproximasse de uma porta com essa maçaneta, porém sentado numa cadeira de rodas, como seria a “pega” nessa maçaneta?

O teste é fácil: sente-se numa poltrona em frente a porta e faça isso. Verá que a mecânica deste movimento fica totalmente diferente. A NBR9050/2004 também versa sobre isso e recomenda que as maçanetas instaladas em portas que prevejam a passagem de cadeirantes tenham maçaneta reta e na posição horizontal. Assim, um movimento simples e unidirecional já é suficiente para abrir a porta - inclusive em casos de emergência! Já imaginou o que é uma emergência para quem não tem como correr? Se a porta for automática, ele só precisa se aproximar e passar.

Outra coisa: a força necessária para abrir uma porta (que também não é problema nas portas automáticas). A abertura deve ser suave, mas nem sempre isso acontece, principalmente no caso das portas pivotantes e as portas com “braço” automático para mantê-las fechadas. Praticidade para uns, dificuldade para outros. Deve-se pensar sempre, em primeiro lugar, nos usuários com dificuldade de locomoção, para garantir a eles o direito de se locomover livremente mesmo que estejam desacompanhados de alguém para ajudá-los.

Finalizando: já viu em consultórios e repartições aquelas portas com uma espécie de proteção metálica na porção mais baixa delas? São exatamente para evitar acidentes caso as portas levem uma trombada mais forte de uma cadeira de rodas ou mesmo uma muleta. São especialmente importantes nas portas de vidro, mais fáceis de quebrar. Algumas pessoas não gostam dessa proteção por razões estéticas, mas um bom desenho da porta pode solucionar isso. Nas portas automáticas, essa proteção não é necessária pois se abrem antes do usuário ter contato com elas.

Resumindo:
Vão livre: as portas automáticas requerem mais espaço, mas fornecem os maiores vãos.
Facilidade de acionamento: elas se abrem e se fecham sozinhas, sem ação humana.
Maçaneta: não é necessária.
Visibilidade: garantida nos dois sentidos. 

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

CASE cria retroescavadeira para pessoas com mobilidade reduzida

Marca inova com máquina de construção para profissionais com limitações físicas
Com o lançamento da retroescavadeira conceito 580N Accessibility, a CASE Construction Equipment, marca da CNH Industrial, inova mais uma vez no segmento. A marca, líder em vendas de retroescavadeiras, foi a inventora do modelo em 1957 nos Estados Unidos e a primeira a trazê-la ao país, se tornou sinônimo do produto.
No Brasil, as retroescavadeiras ainda representam uma fatia muito grande de todo o mercado de máquinas de construção. O ponto forte da retroescavadeira é sua versatilidade. Ela integra dois implementos: uma carregadeira na dianteira e uma escavadeira na parte de trás, daí a origem do seu nome. Além disso, por ser uma máquina de pneus com dimensões reduzidas, consegue se locomover com agilidade na obra, em terrenos acidentados e até nas cidades.
Por causa dessas características, a retroescavadeira é usada em construções residenciais e não residenciais, obras de infraestrutura, indústria, saneamento, agricultura e mineração.
O novo modelo de retroescavadeira da CASE mostra que a marca continua à frente, buscando soluções que visam aumentar a segurança, produtividade e inclusão no ambiente de trabalho.
Inclusão no mercado de trabalho – Dois pontos norteiam o trabalho da CASE ao desenvolver a retroescavadeira conceito 580N Accessibility: a inserção de pessoas com mobilidade reduzida no mercado de trabalho e o aumento da expectativa de vida do trabalhador brasileiro, que demanda melhores condições para o dia a dia no canteiro de obras.
“É uma solução que permitirá a inclusão de pessoas com necessidades especiais no segmento de construção. Pela primeira vez, esses profissionais com privação dos membros inferiores poderão ser operadoras de máquinas rodoviárias”, afirma Maurício Moraes, gerente de Marketing da CASE para a América Latina.
Esta máquina abre mais uma alternativa de trabalho para pessoas com deficiência
De acordo com o gerente, esta é uma aposta pioneira da marca com criação totalmente brasileira. “Realizamos pesquisas nos diversos mercados de todo o mundo e não encontramos soluções de acessibilidade estruturadas para este tipo de aplicação, por isso, desenvolvemos uma solução nacional, alinhada às nossas estratégias de futuro e sustentabilidade”, esclarece Moraes.
A 580N Accessibility tem as mesmas funções e configurações que o modelo sem o recurso de acessibilidade, explica Moraes. A principal modificação é a plataforma de elevação, capaz de permitir o transbordo da cadeira de rodas para o assento desta plataforma.
A ergonomia e o espaço interno se mantêm, principalmente porque a plataforma de elevação ficará posicionada externamente à cabine, justamente para garantir a operação de máquina em qualquer condição. As dimensões externas da máquina também serão preservadas.
Um joystick é usado para movimentar e introduzir o operador na cabine da máquina até a posição de transbordo para o assento. Também houve o reposicionamento de suportes de mão e dispositivos para permitir uma nova dinâmica de operação.
Os comandos de aceleração e freio, por exemplo, foram transferidos de pedais para as mãos, permitindo a integração da máquina ao operador. “Essa é uma das opções para os comandos da máquina conceito, mas claro que demandas diferenciadas estão sendo estudadas até chegarmos ao modelo padrão”, completa Moraes.
Outra vantagem do modelo é que, por ser totalmente inclusiva, ela também pode ser operada por profissionais sem necessidades especiais.
A CASE Construction Equipment – Comercializa e dá suporte a uma linha completa de equipamentos de construção ao redor do mundo, detentora de um portfólio completo de escavadeiras hidráulicas, motoniveladoras, pás-carregadeiras, tratores de esteira, mini carregadeiras e retroescavadeiras, inclusive a CASE foi a fabricante da primeira retroescavadeira em 1957. Por meio dos revendedores CASE, os clientes têm acesso a um verdadeiro parceiro comercial com equipamentos de classe mundial, líderes de mercado, com suporte de pós-vendas, garantia de qualidade e financiamento flexível.
A CASE é uma marca da CNH industrial NV, líder mundial em bens de capital listada na New York Stock Exchange (NYSE: CNHI) e no Mercato Telematico Azionario da Borsa Italiana (MI: CNHI). Mais informações sobre a CNH industrial podem ser encontradas online em www.cnhind.com.

domingo, 3 de fevereiro de 2019

Cadeirante militar faz rapel no Rio

Aventura sobre rodas no belo visual do Morro da Urca
O militar Washington Espíndola, que se tornou cadeirante após ser baleado em um assalto, não se abateu pelo ocorrido e nunca desistiu de curtir a vida nem fazer o que gosta! Já mostramos aqui no blog um esporte que ele pratica, o Airsoft, e agora ele nos trás uma nova e radical aventura! 
Apenas cordas, ganchos e mosquetões segurando a cadeira de rodas!
Washington fez rapel no Morro da Urca, no Rio de Janeiro! Isso mesmo, ele desceu a pedra do morro em sua cadeira de rodas, segurando apenas pelas cordas e com auxílio da Equipe Graver Turismo de Aventura
Muita adrenalina se pendurar assim na pedra!
A ideia surgiu no aniversário dele em uma conversa com o compadre Roberto Brandão, que é o dono da Graver. Como ele é militar, este tipo de atividade fazia parte de vida dele na época que servia. Só que após o tiro, nunca mais havia conjecturado voltar a fazer rapel. Com incentivo do amigo, fizeram todo o planejamento para operacionalizar a atividade e no dia 2 de fevereiro, sob coordenação do Brandão da Equipe Graver e participação de membros da Equipe de Airsoft, e da CSAR Pararescue MilSim, que tem treinamento em rapel, APH Tático e resgates verticais.
Parabéns a todos os envolvidos pelo sucesso no rapel adaptado e ao Washington por nos presentear com mais esta aventura sobre rodas!! E você, teria coragem? Bora descer montanha???

* todas as fotos e o vídeo foram fornecidos pelo Washington

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Como escolher melhor o porta malas

Que acha desse tantinho de bagagem? Aí tem cadeira de banho, de rodas, duas bicicletas e bagagem de quatro pessoas.
Nos vídeos de test drives que mostro sempre dou ênfase ao tamanho do porta malas e à facilidade - ou dificuldade - para colocar a cadeira de rodas nele. Desta forma, busco mostrar o grau de dificuldade para se guardar uma cadeira no porta malas, e o que determina isto é, além do tamanho do mesmo, o formato, a quantidade de plástico que tem ao redor e na tampa, e a altura da base do porta malas - que fica ali logo acima do para choques. Quanto mais alta a base do porta malas, mais alto será necessário levantar a cadeira de rodas para guardá-la dentro dele. Em geral os carros não tem porta malas muito altos, mas na categoria dos SUVs isto complica um pouco, pois uma das características deste tipo de carro é a maior altura do solo. Pensando nisso, a maioria das montadoras já deixa um recorte maior na tampa para que não seja necessário levantar nenhum tipo de carga muito alto. Mas dou dois exemplos em que isto foi "esquecido": o Chery Tiggo 2 e o Citroën C4 Cactus. Neles é preciso levantar bastante a cadeira para colocar no porta malas. No primeiro, não é necessário desmontá-la, o que torna ainda mais difícil a tarefa, pois é preciso levantar a cadeira bem alto até passarem as duas rodas daquela base. E então a cadeira pode ser encaixada lá dentro. Para retirar, é o mesmo trabalho, é necessário levantar a cadeira até ultrapassar a base para então descê-la até o chão.
Nos sedans é importante observar a largura e altura da abertura do porta malas, pois pode dificultar o acesso da cadeira
Outro ponto importante é a amplitude da abertura dele após abrir a tampa. É importante verificar a largura e principalmente a altura da "boca" do porta malas. Se for muito estreito ou muito baixo, será difícil posicionar a cadeira - principalmente as do tipo monobloco - até conseguir enfiar dentro do porta malas. A dica que eu sempre dou para carros com abertura do porta malas estreita, é enfiar a cadeira de cabeça para baixo colocando primeiro a traseira dela, depois as rodinhas, e então girar e deslisar ela até o fundo do porta malas. Desta forma a cadeira não bate muito na lataria do carro e ainda otimiza o espaço lá dentro. Muitas vezes é possível colocar as rodas por cima da cadeira, deixando ainda mais espaço para bagagens.
A vantagem dos SUVs é que em alguns cabe a cadeira de rodas montada
No fim das contas, qual o porta malas ideal? Eu sempre sugiro um porta malas que caiba a cadeira de rodas sem desmontar. Vai ter quem diga "Ah, mas não custa tirar as duas rodas na hora de guardar". Não custa porque não é você quem tira. Quem guarda a cadeira do cadeirante no porta malas é sempre outra pessoa. A esposa, o marido, o pai, mãe, e por aí a fora vai. E é muito mais fácil rebater o encosto, pegar e colocar ela lá dentro. Em alguns modelos, como a Spin, não precisa nem rebater o encosto se a cadeira não for muito alta. Além de facilitar a vida de quem guarda, é muito mais rápido. E algumas vezes, a gente está com pressa. Mas tem que esperar tirar uma roda, virar a cadeira, tirar outra roda, guardar a cadeira, depois uma, depois a outra roda. É no mínimo o triplo do tempo do que guardar a cadeira toda. Vai por mim, vale a pena investir um pouco mais e comprar um carro que caiba toda a cadeira. E que carros cabem? São poucos dentro do limite de 70 mil reais que dá para comprar com as duas isenções, posso até listar: entre os SUVs, cabe no Captur, no Duster, no Kicks, no Peugeot 2008 e no Tiggo 2; minivan, cabe na Spin e no Aircross; perua, cabe na Spacefox e na Adventure. E só. Se eu tiver esquecido algum, deixe nos comentários e eu atualizo. O melhor de todos sem dúvida é a Spin, que tem o maior porta malas, com 710 litros, e a tampa mais ampla e baixa. Facílimo de guardar a cadeira, e ainda sobra muito espaço. É ela o carro da primeira foto deste post.
Até um carro pequeno como o Mobi cabe uma cadeira de rodas, desde que rebata parte do banco traseiro
Acima do limite, aí já tem muitos outros modelos. Cabe salientar, que estes que citei eu sei que cabem mais modelos e tamanhos de cadeira, pois em todos eles testei a minha cadeira, uma monobloco tamanho 44. Não vão caber todas as cadeiras, mas a grande maioria, sim. E há outros modelos que pode ser que caiba cadeiras menores, tamanho 42 para baixo, como o Creta e o Renegade, mas aí teria que testar, e não posso afirmar com certeza. Entre os sedans, todos eles precisam que a cadeira seja desmontada, mas há alguns que esta tarefa é mais difícil, em especial modelos que tem a caída do teto tipo "fastback", como o HB20S e o Arrizo 5, pois o ângulo do teto deixa menos espaço para a tampa do porta malas, e a abertura fica mais estreita. Cito dois que a abertura é muito boa, o Voyage e o Versa. Se sua opção for por um hatch, certifique-se que a cadeira caiba "assentada" no fundo do porta malas, ou seja, com o eixo traseiro e as rodinhas dianteiras encostadas no fundo dele. Isso facilitará colocar as rodas e sobrará mais espaço para bagagens. Se a cadeira entra de lado, ocupa muito mais espaço. Nestes, caso não seja utilizado o banco traseiro, é possível rebatê-lo, ou parte dele, e aí pode caber até mesmo a cadeira montada.
Em hatches como o 208 cabe a cadeira de rodas assentada no fundo
O que sugiro é relacionar os carros que tem interesse em comprar, e então ir às concessionárias testar para ver se cabe a cadeira. Transfira para algum lugar, e peça alguém para colocar para você.
Seguindo essas dicas, espero que facilite a tomada de decisão na hora de comprar um carro, principalmente ao considerar o tipo e tamanho de porta malas ideal!

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Cuidados com os aros

Eles dão uma mãozinha na hora de tocar a cadeira
Os aros de impulsão das cadeiras de rodas não podem deixar de entrar na manutenção mensal ou até semanal, se o cadeirante for muito ativo. Afinal, eles são o principal local de contato que temos ao locomover a cadeira. Além de ser limpo diariamente, uma vez por semana é importante apertar as porcas que os ligam aos parafusos que ficam por dentro dos aros das rodas da cadeira. Aproveitando o ajuste, limpem bem as porcas, pois com o tempo podem enferrujar. Quem mora no litoral deve ter especial atenção a estas peças. Os aros em si não costumam enferrujar por serem feitos de alumínios em sua maioria. Mas se forem de ferro, a limpeza diária é fundamental. 
Outra coisa importante é verificar se há arranhões profundos ou entalhes que podem gerar pequenos "pontos" no alumínio. Estes pontos, se não forem identificados, podem cortar a mãos ou os dedos em uma freada ou até numa tocada. Já aconteceu comigo e já vi acontecer com amigos. Pode parecer bobagem, mas dependendo do tamanho do "desnível" do aro, machuca bem. 
Uma chave resolve pequenas lascas no aro
Para resolver este problema basta usar a parte lisa de uma chave e raspar no aro onde estiver danificado várias vezes até sumir. Como o metal da chave é mais forte que o alumínio, ela "come" a lasca até nivelar. Outra solução é pegar uma lixa fina comum e passar no local até nivelar. Mas será preciso passar muitas vezes até conseguir um bom resultado. Com a chave é mais rápido, porém mais "grosseiro". A lixa tem a vantagem de uniformizar a superfície e tirar outros arranhões menores. 
O que sugiro é usar a chave para tirar as lascas quando aparecerem, e uma vez por mês desmontar os aros e dar uma lixada geral neles. Assim eles ficam mais bonitos e uniformes. E ainda é um bom exercício!

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Comparativo entre sedans de entrada para PCD

O comparativo agora é com os sedans de entrada, que custam até 50 mil com as isenções
Nos últimos anos, com a preferência crescente dos brasileiros pelo câmbio automático, as montadoras passaram a equipar seus modelos de entrada com este tipo de transmissão. Coincidentemente, o segmento de pessoas com deficiência tem ficado cada vez mais dependentes dos modelos de entrada, já que o limite para aquisição de veículos com isenção está congelado há dez anos. Portanto, é uma categoria muito importante para quem tem deficiência e precisa de câmbio automático. E os sedans, que tradicionalmente são carros familiares, indicados para casais que resolvem aumentar a família e consequentemente a bagagem, são mais importantes ainda para quem usa aparelhos de auxílio à locomoção, como cadeiras de rodas, muletas e andadores.
Porta malas grandes é uma das características marcantes dos sedans.
E o destaque principal deles é o tamanho do porta malas, que é sempre maior do que dos hatches, e até mesmo do que muitos SUVs compactos. A desvantagem é que não cabe uma cadeira de rodas praticamente montada como nos modelos deste último segmento, por isso seria, na minha opinião a segunda melhor opção para PCDs. Infelizmente não temos mais sedans médios com câmbio automático abaixo do valor limite para solicitar as duas isenções, então temos que nos contentar com os compactos mesmo.
Dando continuidade aos comparativos entre veículos para pessoas com deficiência, elaborei uma planilha com os sedans disponíveis no mercado abaixo de 70 mil reais. Para facilitar, dividi a planilha em duas faixas de preço, de 45 a 50 mil reais, e de 50 a 55 mil reais. Procurei não incluir dois modelos da mesma montadora, já que acabam sendo muito semelhantes, e também versões muito próximas do mesmo modelos, como Prima Advantage e LT, nestes casos priorizei a versão mais vantajosa. Desta vez, além de montar a planilha relacionando as principais características de cada modelo, elaborei também um ranking pessoal com as minhas escolhas, e com os principais pontos fortes e fracos de cada um. Claro que cada um tem uma opinião e uma preferência, portanto meu ranking servirá apenas para compartilhar o que acho de cada carro. E ajudar a tomar a melhor decisão. No link abaixo, está a planilha que tenho usado para comparar os itens de cada segmento. Nela está a aba dos SUVs, dos Sedans de entrada (Sedans1) e o ranking.
https://docs.google.com/spreadsheets/d/1BGVM56y_rYkOVzUpH5ifWm00RjTbu4emUYD9-3yBhSo/edit?usp=sharing
Este foi o ranking que elaborei. Espero que ajude a balizar a decisão

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Acessórios de auxílio à mobilidade

Que tal uma cadeira movida a cavalo? (imagem da Internet)
Desde a invenção da cadeira de rodas tem gente pensando em formas de ajudar o usuário a tocá-la. Provavelmente o primeiro acessório para auxiliar um cadeirante foi um cavalo... e de lá para cá surgiram inúmeros acessórios para ajudar, seja na força para tocar, seja para passar pelos terrenos acidentados que toda cidade brasileira tem. Vou listar aqui alguns acessórios que conheço.

Uma roda de 12 polegadas que transforma a cadeira em um triciclo

1- Freewheel
É uma espécie de "roda livre" que levanta as rodinhas dianteiras e facilita passar por terreno acidentado, como brita, areia e pedras. Facilita bastante passar por grama, brita, pedras e até areia. Encaixa facilmente e é compacto, fácil transportar até por aeronave. As desvantagens são que não resolve se as rodas traseiras forem muito finas, irão agarrar do mesmo jeito, e não tem motor, depende da propulsão manual. É fabricado nos Estados Unidos, e no Brasil encontra-se para comprar na Mobility (www.mobilitybrasil.com.br) ao preço sugerido de 3.000,00 reais.

É como um Freewheel com motor, direção e freios

2- Firefly ou Kit Livre
Mesmo princípio do Frewheel, é uma "quinta roda" que encaixa na frente da cadeira de rodas, com a vantagem de ter um motor elétrico no centro da roda e uma bateria que impulsionam o conjunto. Tem guidom com acelerador e freio, e até marcha a ré como opcional. As desvantagens são o tamanho e peso, o sistema complexo de encaixe na cadeira, e o pior é que não sobe morro, já que a tração é dianteira e o peso está todo atrás. E tem o preço, que nas versões intermediárias já ultrapassa os cinco dígitos. O modelo de 1000 wats custa mais de 10 mil reais.

Pelo valor de um carro usado, você empurra a cadeira com um motorzinho elétrico

3- Smart Drive
É também uma roda extra com um motor elétrico interno, com a diferença que se posiciona atrás do eixo da cadeira de rodas, e o acionamento é automático. Basta começar a tocar a cadeira que o motor entra em ação e empurra a cadeira de rodas. Só experimentei na Reatech, me pareceu fraco, não sei se aguenta um morro. Mas é mais engenhoso e tecnológico que os anteriores, porém sofre do mesmo mal, preço abusivo. No site da Mobility está por "apenas" 22 mil reais. Mais caro que muito carro.

Um triciclo que pode andar nas ruas e entrar em estabelecimentos comerciais. Serve pra tudo!

4 - Triciclos e Scooters Elétricos
Este não é um acessório que acopla à cadeira, mas um item à parte, que o cadeirante precisa se transferir para utilizar. Mas é mais confortável que a cadeira, e há modelos como o da foto acima que é forte, tem 1000 wats, a tração é traseira, portanto sobe qualquer morro, e é curto, pode entrar em supermercado, farmácia, lotérica, e ainda tem os equipamentos para rodar nas ruas, como retrovisor, farol, seta, freios a disco e até marcha a ré. Para mim, é o melhor acessório à mobilidade que conheço, e o preço, apesar de alto, não é proibitivo, pouco mais de 10 mil reais. 
http://www.blogdocadeirante.com.br/2018/11/triciclo-eletrico-para-pessoas-com.html

Estes são os principais acessórios que auxiliam quem tem mobilidade reduzida e trazem mais independência no dia a dia. Esqueci de algum? Se você conhece outros, deixe nos comentários. Gostaria que houvesse algum mais barato? Eu também! Mas infelizmente é tudo caro para pessoas com deficiência. Já que é assim, vamos tocar a cadeira do jeito que dá!

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