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segunda-feira, 13 de maio de 2019

Cadeira que sobe escadas

Projeto de cadeira para subir escadas (fonte: projeto de patente MU 9000964-9 cedido pelo Luiz)
Ideias que buscam melhorar a qualidade de vida de cadeirantes são sempre bem vindas. Mas nem sempre conseguem o apoio e financiamento necessários para saírem do papel. Há alguns meses recebi um e-mail do Luiz Aldo Moraya, que teve uma destas ideais que podem melhorar a forma de transportar um cadeirante por uma escada. Hoje há alguns aparelhos que ajudam nesta tarefa, como um chamado Evac-Chair que já testei e publiquei aqui no blog, mas a ideia do Luiz Aldo é mais adaptada e segura.
 Detalhamento do projeto (fonte: projeto de patente MU 9000964-9 cedido pelo Luiz)
Ele criou uma cadeira com roda em formato de estrela, cujos pontas se encaixam sobre os degraus da escada tornando a operação mais segura. De acordo com o Luiz, "A cadeira de rodas em estrela é um projeto muito simples para permitir que as pessoas possam ser conduzidas pelas escadas com segurança e conforto. As rodas dentadas são fabricadas de acordo com as metragens dos degraus da escada que será subida e descida. Assim os dentes vão girando e se ajustando perfeitamente aos degraus. As rodas podem ter 8, 9, 10, 11 ou até 12 pontas, sendo que o esforço dos condutores diminui quando aumenta o número de pontas. O material da estrutura da cadeira deverá ser leve e resistente, mas com alguma flexibilidade para ajudar a absorver os esforços dos condutores e o peso do cadeirante. As rodas poderão ser de poliuretano ou material que resista ao desgaste das pontas e não danifique os degraus das escadas. Essas sugestões serão definidas com a montagem de um modelo em escala real 1:1 para testes e aperfeiçoamento."
Seria uma cadeira para deixar disponível em locais que não tem como serem adaptados nem instalados elevadores. Ela ficaria disponível e quando algum cadeirante precisasse subir as escadas, poderia se transferir para ela, subir, e então voltar para sua cadeira ao fim da escada. Ou então em casos de emergência, como é a proposta da Evac-Chair, ela poderia levar um cadeirante ou qualquer outra pessoa com mobilidade reduzida com mais segurança e velocidade.
Fica a dica para quem se interessar pelo projeto, o e-mail do Luiz Aldo é aldomoraya@gmail.com e ele está à procura de parceiros.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Cadeira de rodas manual Stand Up

Milagre! Ah não, é só tecnologia...
Meu Deus, o cadeirante ficou de pé!! Há muito tempo isto não é impossível, nem é novidade. Desde seis meses após a minha lesão que eu fico de pé utilizando órteses. A primeira vez que fiquei de pe apos a lesão foi em uma maquina de ortostatismo, no Hospital Sarah. E foi o primeiro momento constrangedor que passei. A maquina e composta de uma plataforma que se parece com um púlpito, que a gente se aproxima de frente, prende os joelhos e é passado uma faixa sob o quadril. Aí é só ligar a máquina e ela puxa a faixa e vai te deixando de pé. A única dificuldade é passar a faixa por trás do quadril, temos que elevar o corpo para possibilitar que seja colocada atrás. Muito prático e simples de operar, assim que mas nesta época eu não tinha sensibilidade nem controle das necessidades básicas. Assim que a máquina puxa toda a faixa, ela pressiona o quadril e a barriga contra a plataforma, para estabilizar o corpo. Ao acabar o processo, foi só apertar minha barriga para as necessidades básicas funcionarem. E algumas "bolinhas" apareceram atrás de mim...
Cadeirante geralmente depende de alguém quando precisa pegar alguma coisa no alto
Depois dessa vergonha, o pessoal do Sarah confeccionou para mim um par de órteses de plástico, no formato das minhas pernas. Com elas, eu conseguia ficar de pé usando qualquer bancada, janela ou apoio firme, basta colocar as órteses e puxar o corpo para cima. Passei a fazer fisioterapia em casa, e usando a cabeceira da cama como apoio, ficava de pé três vezes por semana em casa. Algum tempo depois, iniciei a fisioterapia na clínica, e ficava de pé usando aquelas barras em forma de escada que ficam perto da parede. E depois quando iniciei a hidroterapia, ficou tudo mais fácil pois ficar de pé na piscina é bem melhor pois o peso do corpo diminui na água. Além disso não dá aquelas tonteiras que a gente sente quando fica de pé no solo.
Com a cadeira Stand Up, isso acabou!
Como minhas órteses ficavam na Aquafisio BH, onde faço hidro, eu acabava não ficando mais em casa. Até que descobri uma forma mais simples e parecida com a máquina do Sarah, a cadeira Stand Up, que usa um sistema elétrico para levantar o assento e encosto da cadeira até a posição de pé - ou melhor, quase totalmente de pé, pois é preciso ficar em um ângulo menor que noventa graus para não virar para a frente. A primeira que vi foi na Reatech em 2009, motorizada, que permite inclusive que o cadeirante rode de pé. É bem interessante, vi um cara rodando com ela na posição vertical e achei uma coisa de outro mundo. A solução para frequentar festas, onde a maioria geralmente conversa de pé, e a gente que é cadeirante fica tentando entrar no papo esticando o pescoço. Só que fui ver o preço do equipamento e quase cai para trás, na época era mais de quatorze mil reais (hoje já passa de 15 mil).
Como não era tão útil nem viável, deixei para lá. Até que em 2014 descobri que há um modelo mais em conta (nem tanto, afinal custa em torno de 6 mil), a Stand Up manual. É uma cadeira comum, com aros para tocar nas rodas, porém tem o sistema que deixa o cadeirante de pé. Alguns meses depois um amigo meu, o Cristiano, comprou uma, e fiz uma matéria aqui no blog sobre ela. O tempo passou, e acabei fazendo outra órtese para ficar em pé em casa. Assim não ficaria muito tempo sem ficar de pé, pois estava indo à hidroterapia apenas uma vez por semana.
Da posição sentado para de pé em poucos segundos
Porém, um belo dia, navegando pelo Facebook, vi que um cadeirante do estado de São Paulo estava vendendo uma cadeira Stand Up manual usada, por pouco mais de dois mil reais. Entrei em contato, combinamos o frete e fechei o negócio. Em uma semana ela chegou para mim. Tive um pouco de receio por estar comprando usada, mas por sorte ela estava realmente em bom estado, tudo funcionando direitinho, exceto pela bateria, que precisei trocar, mas o vendedor arcou com este custo.
Comecei a usar a cadeira e ela faz o que promete, coloca o cadeirante de pé. Como disse antes, não é totalmente vertical, a gente fica um pouco para trás, mas não atrapalha em nada. O importante ela faz, descarga de peso sobre as pernas, e permite alcançar qualquer coisa que esteja no alto - no meu caso é qualquer coisa mesmo, pois tenho 1,95m. Com ela consigo alcançar malas na parte de cima do armário, qualquer coisa que esteja em uma prateleira alta, copos e panelas que são guardados no alto, e até trocar lâmpada eu consegui trocar! Veja abaixo a avaliação dela no meu canal.
Se vale a pena gastar quase seis mil reais só para ficar de pé e alcançar alguns lugares? Sim, vale. Se tiver este dinheiro sobrando, vale a pena sim, pois não é só para alcançar, ela é importante para a saúde, pois com o tempo os ossos vão enfraquecendo, e ficar de pé mantêm os ossos mais íntegros, fazendo a descarga de peso sobre eles. Porém não é só comprar e ficar de pé, é preciso consultar com fisioterapeuta e ortopedista para verificar se você pode ficar de pé, um destes profissionais irá solicitar um exame de densitometria óssea, que irá verificar a força que tem nos ossos. Se está há anos na cadeira sem ficar de pé, corre o risco de já estar com os ossos fracos e pode ser perigoso ficar de pé assim. Veja a matéria que fiz sobre ortostatismo abaixo, e consulte sempre seu médico antes de fazer qualquer atividade!
http://www.blogdocadeirante.com.br/2009/08/importancia-do-ortostatismo_26.html

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Encosto Ottobock Baxx

Este encosto dá muita estabilidade e segurança ao tronco
Você já sentiu meio instável em sua cadeira? Já sentiu que falta alguma coisa para apoiar seu tronco? Quem nunca, não é mesmo? Os encostos das cadeiras de rodas comuns não oferecem muito apoio lateral para o tronco - na verdade, acho que não dá para considerar a curvatura do encosto como apoio para o tronco. Por este motivo, é comum cadeirantes com comprometimento alto, uma lesão acima de T5 por exemplo, passarem por algum episódio de desequilíbrio na cadeira, levando altos sustos. Comigo, que tenho lesão em T2, já aconteceram alguns "quase" tombos no início da lesão, quando não tinha nenhum controle de tronco. Era só escorregar a mão do aro de impulsão que o corpo todo caia para o lado. Só não virava um tombo porque tenho os braços longos, e conseguia me apoiar no chão. Com o tempo, adquiri bastante força no tronco, mas ainda assim acontecem alguns desequilíbrios.
Vista do encosto Baxx por trás. Muito robusto, porém muito leve.
Quem não tem esta força, ou tem lesão mais alta, passa muitos perrengues devido à falta de apoio lateral. O encosto Baxx, da alemã Ottobock, tem abas nas laterais que podem ser ajustadas em qualquer nível de altura, individualmente. Isto é bom porque geralmente temos diferentes nível de força em cada lado do corpo - e muitas vezes há uma certa tendência de cair mais para um lado do que para o outro. Dá para deixar um lado mais baixo e outro mais alto, e esta foi a preferência do Mateus, atleta de tênis de mesa e proprietário da cadeira mostrada neste post.
Detalhe da trava que permite abrir a aba para facilitar a transferência
As abas são confortáveis, pois são acolchoadas como o resto do encosto. E para facilitar a entrada, elas são rebatíveis. Basta apertar um botão vermelho que fica na lateral do encosto e ela abre completamente, possibilitando transferir normalmente para a cadeira. Aí é só voltar a aba para a posição normal que ela trava automaticamente. Muito prático. Se você se interessou pelo encosto Baxx, envie um e-mail para blog.cadeirante@gmail.com, que tenho contato direto com a Ottobock e consigo encomendar para ser entregue em qualquer lugar do país! Vejam abaixo o vídeo que fiz na Technocare demonstrando o encosto com auxílio do Mateus.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Cadeira de Rodas Smart Exo

Finalmente uma cadeira monobloco com preço razoável
As vantagens da cadeira monobloco sobre a dobrável são indiscutíveis. Mais leve, mais ágil no dia a dia e em lugares estreitos, mais fácil de guardar sozinho no carro. Claro que também há desvantagens, ela não apoia tanto o corpo e alguns dizem que é menos confortável. Mas até isto tem mudado, com os opcionais que existem para uma monobloco é possível ter tanto conforto quanto em uma dobrável. Tanto que o avanço deste modelo sobre a dobrável é nítido, a cada dia mais cadeirantes estão optando pela cadeira monobloco. 
Barra inferior reforça rigidez e estrutura do quadro
Outra desvantagem que sempre foi apontada das cadeiras monobloco foi o preço elevado. Historicamente, cadeiras monobloco são bem mais caras que cadeiras dobráveis, por isso muitos cadeirantes, inclusive eu, começam com uma cadeira dobrável, e depois que pegam confiança e juntam algum dinheiro, trocam pela monobloco. E nunca mais voltam à dobrável.
Outra vantagem do modelo monobloco é o visual limpo
Com a evolução da tecnologia, e com a preferência cada vez maior pelas cadeiras monobloco, era de se esperar que seu preço caísse, devido à economia de escala. Demorou, mas finalmente tem surgido modelos abaixo de dois mil e quinhentos reais. É o caso do modelo Exo, da fabricante Smart. É uma cadeira monobloco feita em alumínio T-6, muito resistente e leve, Seu quadro sem as rodas e almofada, pesa apenas 8,5 kg (informações do fabricante). O assento e o encosto são em nylon, o que ajuda na redução do peso. Minha cadeira, um TiLite ZR, tem encosto e assento também em nylon, e não sinto diferença para os rígidos. Na verdade, vejo é vantagem em usar encosto maleável, dá para regular e deixar mais confortável.
Protetor de roupa com apoio superior facilita elevação e vestir roupa
A Cadeira Exo da Smart tem garantia de 5 anos no quadro e seis meses nas peças. Aguenta até 100 kg e tem muitos opcionais, que podem deixar ela do jeito que o usuário quer. Eu gostei particularmente do protetor de roupa, que tem apoio na parte superior - no modelo que está na Technocare à venda, e está em promoção. Quem não conhece ou está querendo mudar para uma cadeira monobloco, vale a pena dar uma passada lá, a loja fica na rua Piauí, 69, loja 3. Ou na loja virtual, clique neste link e conheça a Smart Exo.
Vejam abaixo avaliação que fiz da cadeira Smart Exo.

terça-feira, 5 de abril de 2016

Opcionais das Cadeiras de Rodas

Farol de xenon, vidro fumê? Daqui a pouco vão oferecer!
"Este modelo é ótimo, mas se você incluir esta roda mais esportiva, ficará bem mais bonito. Recomendo também assentos mais confortáveis, e você pode pedir ainda para lamas mais modernos." Estas frases não são de um vendedor de carros, mas sim de um vendedor de cadeiras de rodas. A cada dia aparecem mais opcionais e firulas que nos oferecem na hora de comprar nossa parceira. Mas afinal de contas, que itens são importantes e podem te oferecer mais praticidade e conforto, e o que é desnecessário? Há ainda os opcionais estéticos, que deixam a cadeira mais limpa, mais bonita.
Claro que há a questão pessoal, itens que eu julgo necessários podem parecer bobagem para algumas pessoas. De qualquer forma é sempre bom ouvir a opinião de quem está a quase dez anos vivendo sobre quatro rodas. Com este intuito fiz o vídeo acima. Depois de publicá-lo percebi que um dos itens ia dar polêmica: o assento rígido. Acredito que a maior parte das pessoas vá preferir este tipo de assento. Isto porque o assento de lona que vem em algumas cadeiras nacionais cede com o tempo e fica desconfortável. No vídeo, usei como comparativo o assento da TiLite, que é de lona mas muito firme. Uso há três anos e não cedeu nem um centímetro. Por isto acho desnecessário assento rígido, na verdade até prefiro o de lona para aqueles momentos em que precisamos usar a cadeira sem almofada (quando ela molha e não há outra por perto). Quando precisei fazer isto na M3, foi bem ruim, pois não tenho muito amortecimento na bunda...
O mais importante ao escolher os opcionais é não se deixar levar pela emoção. Grande parte dos itens oferecidos tem um componente de estética, como rodas bonitas, encostos de fibra de carbono ou peças coloridas. Claro que, se dinheiro não for problema, peça tudo que for do gosto, mas como a maioria das pessoas não tem esta facilidade, é preciso focar nos itens que realmente fazem a diferença em conforto e praticidade. Com o tempo, é possível comprar peças avulsas e melhorar gradativamente a cadeira. Até que ela fique "tunada" ao seu gosto!

sexta-feira, 25 de março de 2016

Regulagens na cadeira de rodas

Com um jogo de chaves Allen é possível regular grande parte das peças de uma cadeira de rodas.
Deixar a cadeira na medida certa e plenamente confortável é um desafio e pode levar anos. Um dos principais motivos é a dificuldade de encontrar profissionais que saibam fazer todas as regulagens necessárias. A alternativa que temos é aprender por conta própria a mexer e regular nossas cadeiras. Porém, muita gente tem dificuldade em segurar a cadeira e apertar determinados parafusos, se este for seu caso, será preciso a ajuda de alguém. Mas de qualquer forma, temos que aprender!
Antes de mostrar as possíveis regulagens, a dica que dou é regular a cadeira toda na hora da compra, junto ao vendedor. O problema é a dificuldade de encontrar lojas dedicadas a cadeiras de rodas, ainda mais que tenham profissionais capacitados para fazer as regulagens corretas. Minha sugestão é viajar até uma cidade que disponha disto, como São Paulo ou Rio, para fazer um test drive na cadeira que deseja adquirir e regular ela corretamente para maior conforto. A Reatech é uma boa oportunidade para fazer o test drive, só que já fiquei sabendo que este ano não terá!
Se não conseguir fazer nada disto, a sugestão é adquirir uma cadeira que tenha muitas opções de regulagens e levá-la a um fisioterapeuta que entenda de cadeiras de rodas ou ao Sarah, que na minha opinião é o melhor lugar para isto. O importante é deixar a cadeira bem ajustada para sua deficiência e tamanho. Uma cadeira mal ajustada pode trazer sérios problemas futuros – e a gente sabe que problemas nós cadeirantes já temos o suficiente.
Fiz três vídeos mostrando alguns ajustes que fui aprendendo a fazer ao longo tempo – frisando que só consigo fazer isto por ter quase dez anos de lesão e ter estudado bastante o funcionamento destas nossas parceiras!

domingo, 16 de agosto de 2015

Protetores de Roupa

Meus protetores são fixos, mas com abas.
Também conhecidos como abas ou para lamas, os protetores de roupa são peças fundamentais da cadeira de rodas. E devem ser bem escolhidos para evitar futuras dores de cabeça - ou de corpo, pois podem atrapalhar as transferências e até causar uma queda. Mas o que muita gente não se toca é que há muitas outras utilidades para os protetores de roupa, além, é claro, de proteger as roupas.
Esse foi o que pedi originalmente na TiLite. Arrependi, nem cheguei a usar.
Já vou deixar claro minha preferência pessoal: gosto de protetores móveis e com abas dobradas, daqueles que se parecem mais com para lamas mesmo. Cheguei a tentar usar protetores retos, mas não me acostumei, e ainda tive dificuldades nas transferências, pois eles eram grandes e só dobravam para dentro. Os principais motivos para usar abas dobradas: uso eles diariamente para vestir roupa e para fazer elevações. Para vestir roupa me apoio nos protetores, seguro a calça com os dedos e "pulo" dentro da calça. Vou demonstrar isso em um vídeo, e talvez até em post, afinal considero uma tarefa complexa vestir uma calça jeans, por exemplo. A técnica aprendi no Sarah, mas não nas aulas, e sim com um outro "interno" lá dentro. Fazer elevações, para quem não sabe, é o importantíssimo gesto de se apoiar nos protetores e tirar a bunda da cadeira por alguns segundos. Esta tarefa é fundamental para evitar escaras, as temidas úlceras de pressão.
Os protetores da M3 é muito bom, removível e com boa distância para as rodas
Outra função importante dos protetores é carregar documentos. Estranho falando assim, mas quem é cadeirante sabe o quanto é difícil levar, por exemplo, uma folha A4 que não possa ser dobrada em cima das pernas. Ainda mais para quem usa calças sociais para trabalhar. Pouca coisa irrita mais um cadeirante do que coisas caindo do colo e se espalhando no chão. Você coloca uma coisa, a outra escorrega. Se abaixa para pegar, e cai outra coisa. Ai que ódio. Com os protetores, é fácil colocar folhas, envelopes e até pastas finas ao lado do corpo para levar para todo lado.
Muito útil também para carregar documentos
Enfim, fica a dia: escolha bem seus protetores de roupa. Afinal, além de proteger a roupa, podem ser usados para muitas outras coisas. E evita passar raiva em muitas ocasiões.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Cadeira Stand up

Cristiano de pé, na cadeira Stand-up
Cadeiras de rodas que deixam o cadeirante de pé não são novidade, a primeira vez que vi uma dessas foi na Reatech de 2009, um cara estava na fila para entrar amarrado na cadeira de pé e rodando! Era uma cadeira motorizada Stand-Up, da Freedom, e o mais interessante é que além de deixar o cadeirante de pé ela permite ser dirigida nessa posição. Dessa forma dá para pegar itens em várias portas de um armário sem precisar descer e subir toda hora.
Na época consultei o preço desta belezinha mas quase caí para trás, era quase quinze mil reais! É o preço do conforto... e da necessidade, pois ficar de pé é fundamental, já falei várias vezes aqui sobre a importância do ortostatismo. Como fico de pé usando talas, não pesquisei mais sobre esta cadeira. Recentemente, porém, um amigo meu, o Cristiano, de quem já falei aqui no blog, apareceu no Facebook com uma cadeira Stand Up. A diferença da dele é que, além de não ser motorizada, é beeeem mais em conta. É uma cadeira manual com um sistema elétrico que coloca o cadeirante em pé. 
Stand-up manual da Freedom
Ela custa pouco mais de cinco mil reais - não é barato, eu sei, mas considerando a média de preço das coisas para cadeirantes, até que não é exagerado. E os benefícios não são apenas para a saúde, dentro de casa é uma mão na roda poder ficar de pé em muitas situações. Para pegar coisas em prateleiras, para enxergar em lugares altos, e até para pendurar ou pegar roupa do varal são alguns exemplos. O sistema é muito simples, há um comando no braço similar ao de cadeiras motorizadas que aciona o sistema que coloca o cadeirante de pé. Cristiano disse que até a filha dele aciona facilmente o dispositivo. E esta gostando muito da cadeira, tem feito o ortostatismo com frequência e tem se virado melhor em casa. A desvantagem dela é o peso, tocar ela em locais íngremes é mais difícil. Mas como é uma cadeira voltada mais para o uso em casa,  isso não atrapalha. 
O transporte no carro é tranquilo, ela dobra e o dispositivo não é muito grande. Muito útil e prática para o dia a dia, se não fosse tão cara, seria uma ótima alternativa como segunda cadeira, para ficar em casa. Aliás, é uma ótima alternativa, para quem tem condições.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Medidas da cadeira de rodas

As medidas da NBR 9050 só servem para cadeiras dobráveis
Taí um tema que pode dar muito prejuízo e dor de cabeça: medidas de uma cadeira de rodas. Ao comprar uma cadeira, você deve ter em mente que ela será a extensão do seu corpo. Portanto deve encaixar perfeitamente em você. Quanto mais justa ao corpo, sem apertar, melhor. O ideal é que não tenha nenhum espaço entre o corpo e a lateral da cadeira. Mas é fundamental que não esteja apertando. Como a gente não tem a sensibilidade normal, tem que ser no visual mesmo, e fazendo o teste, enfiando o dedo na lateral não deve ser difícil retirar. 
Medidas do formulário de compra da TiLite
Para definir as medidas ideais para sua cadeira de rodas, você deve consultar um fisioterapeuta com experiência nessa área. As medidas são separadas por segmento, sendo tronco, pernas e braços, o fisioterapeuta faz todas as medidas. Na norma NBR 9050 há algumas medidas padrão utilizadas em cadeiras de rodas dobráveis ou em X, estas da primeira figura. Elas servem para ter uma ideia de quantas medidas estão envolvidas em uma cadeira de rodas, e olha que faltam ali as medidas de ângulos, como do encosto e do apoio de pés, estes que constam do formulário de compra da cadeira TiLite, na figura acima.
Mesmo seguindo todas as medidas de um fisioterapeuta experiente, uma recomendação que sempre dou: faça test drive. Em um test drive é possível determinar também as melhores medidas de ângulo, caso não esteja familiarizado. O negócio é experimentar cadeiras com ângulos diferentes e identificar qual é mais confortável. Não varia tanto quanto parece, há ângulos pré determinados.
 A melhor opção para testar cadeiras hoje em dia é a Reatech, a feira de tecnologia assistiva, apesar de não ter sido lá essas coisas neste ano... Mas ainda é uma opção, e como acontece só uma vez por ano, a alternativa no resto do ano é visitar uma grande loja que venda cadeiras. Aqui em Belo Horizonte, assim como na maior parte dos estados brasileiros, não há uma loja com vários modelos em exposição para testar. A solução é partir para São Paulo ou Rio de Janeiro para ir a uma loja. Vale a pena pagar a passagem de avião para testar uma cadeira de rodas.
Um dos piores erros ao comprar uma cadeira de rodas é errar na largura. As outras medidas geralmente são customizáveis, mas a largura não tem jeito. Se a pessoa insistir em usar uma cadeira maior ou menor do que o ideal na largura, vai ficar dançando nela (e estragando ainda mais a coluna) ou ficará apertado o dia todo, o que pode gerar escaras com o tempo.
Portanto, fica a dica: não vacile nas medidas. Faça test drive. Senão as consequências podem ser cruéis.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Cadeira de rodas de Segway

Cadeira de duas rodas - menos é mais!
Modelos de cadeiras de rodas manuais ou motorizadas aparecem todo dia, mas uma em especial tem chamado minha atenção. Não é uma ideia nova, mas tem sido aperfeiçoada e descobri através do Toni Vaz que há uma empresa italiana, chamada Genny Mobility, que tem criado modelos belíssimos e funcionais. Tem até um modelo com a cara da Ferrari! Apaixonei. A cadeira com base no Segway tem somente duas rodas, mas como utiliza o sistema de equilíbrio do Segway, é segura e não oferece risco de queda. Ela tem ainda um sistema para estabilizar a cadeira num momento de transferência.
Tem modelos com rodas para terra
Ela supera pequenos obstáculos com facilidade, pois tem rodas grandes e largas. Anda na areia, sobre pequenos degraus, passa fácil por buracos e irregularidades. Tem modelos com rodas mais parrudas que enfrentam até trilha e neve. Ao contrário do Segway, a cadeira com base nele não precisa que a pessoa se incline para frente, para trás ou para os lados para que ela se movimente, há um controle nas mãos que permite total controle com facilidade. Vejam no link abaixo um vídeo do Genny:
http://vimeo.com/41532055
Modelo da Ferrari, meu sonho!
Infelizmente é uma realidade muito distante da nossa, esse modelo italiano da Genny custa 16,5 mil euros! Acho que até para Europa é caro... Encontrei outras fabricantes, uma holandesa, uma alemã e de outros países, mas não descobri os preços ainda. Seria bacana ver uma dessas no Brasil, estou entrando em contato com alguns fabricantes, e deixo abaixo links para os principais, se alguém conseguir mais informações, coloca aqui pra gente!
http://www.gennymobility.com/Genny.aspx
https://www.facebook.com/pages/Paolo-Badano/418436744911573
http://www.addmovement.se/
http://www.welzorg.nl/mobiliteit/segway/
http://segsolutions4freedom.com/Home_Page.html
P.S.: O cara da Genny acha que é o Volverine...

domingo, 19 de maio de 2013

Entrega da cadeira do Ângelo Gabriel

Com o Fábio na entrega da cadeira do Ângelo
Ontem fui a Ribeirão das Neves entregar a cadeira de rodas da Freedom do ganhador do sorteio realizado aqui no blog, o Ângelo Gabriel. Eu e o Fábio fomos pessoalmente entregar, uma surpresa que preparamos, contando com a mãe dele como álibi. Ele já estava ansioso com a chegada da cadeira, e quando chegamos me surpreendi com o garoto sentado no chão brincando de bola, sem cadeira nenhuma por perto. A mãe dele me contou que ele costuma descer as escadas da casa dele "de bunda" e vai assim até a calçada para brincar com amigos.
Agora ele vai detonar em Ribeirão das Neves!
Depois eu descobri que a cadeira antiga dele estava atrás do portão. A mãe dele me contou também que ele tinha vergonha da cadeira antiga em algumas situações. E que ele não sai muito de casa, primeiro porque ela fica com medo (ah mãe, libera mais o menino) e segundo porque a cadeira dele não permitia, por ser muito pesada e estar toda torta. Agora o Ângelo Gabriel não tem mais essa desculpa! Nem para sair de casa, nem para ir ao cinema, nem para treinar os esportes que pratica, tênis de mesa e vôlei sentado. Fiquei sabendo também que ele vai, com outros meninos, participar de uma competição em São Paulo, e que ele pretende ir para as paraolimpíadas em 2016! Estamos torcendo por isso!
Eu gostaria muito de poder ajudar mais gente dessa forma, fiquei emocionado e feliz em proporcionar de alguma forma um pouco mais de qualidade de vida para quem precisa. Agradeço novamente ao Eduardo Tardiolli, que através da Cecília Acessibilidade tornou possível essa iniciativa, e ao Fábio, que já se tornou um parceiro do blog. E boa sorte para o Ângelo Gabriel com a cadeira nova!

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Reatech 2013 - Cadeiras de Rodas

Strix, primeira cadeira de rodas com suspensão do Brasil
Uma das coisas que mais me perguntaram da Reatech 2013, é sobre as cadeiras de rodas que vi na feira. Haviam boas novidades, mas a maior delas, na minha opinião, foi o lançamento de dois modelos de cadeiras de rodas nacionais, que vi no stand da Vemex. A empresa nasceu em São José do Campos, SP, da inquietude de um engenheiro com as condições das calçadas para cadeirantes. Para ajudar e ainda permitir rodar por terrenos irregulares, criou um modelo com suspensão, o Strix. O amortecedor utiliza sistema de amortecimento semi ativo com controle eletrônico.
O projeto começou a ganhar vida assim que saiu um financiamento da Finep em 2008, e os primeiros protótipos já passaram por testes de resistência em laboratório e em campo, por dois cadeirantes, na cidade de Parati. Para quem não sabe, a cidade tem muitas ruas pavimentadas com pedra fincada, um belo teste de fogo para uma cadeira com suspensão. O quadro dela é de alumínio e tem peças de fibra de carbono, em busca de baixo peso. Sem as rodas, ela pesa apenas 10 kg, contando com a suspensão. O lançamento dela está previsto para novembro e vai custar entre 8 e 10 mil reais.
Falco, o outro modelo da Vemex
O outro modelo apresentado pela Vemex foi o Falco, uma cadeira monobloco feita também em alumínio, com estrutura de perfil tubular, e a principal diferença é que os tubos não são cilíndricos, como a maior parte das cadeiras, mas "oblongos", meio achatados, e tem paralamas de fibra de carbono. A cadeira pesa em torno de 7 quilos sem as rodas, o que é excelente, comparativamente a minha TiLite pesa 7,5 quilos sem as rodas! Ela tem várias regulagens, assim como as melhores cadeiras do mercado. Quanto ao preço, ela deve custar entre 5 e 7 mil reais e o lançamento será entre agosto e setembro. Ambos modelos em exposição não puderam ser testados, por se tratarem de protótipos.
TiLite com freio a disco
No stand da Mobility, reinavam as cadeiras de titânio da TiLite, com todos os acessórios possíveis, inclusive freios a disco! Achei meio desnecessário, mas... imaginei um cara descendo um morro a mil e freindo lá em baixo: a cadeira fica, e o cadeirante... sai voando! Os preços das TiLite estavam com desconto na feira, mas mesmo assim partindo próximo dos dez mil reais, dependendo do modelo. É muita grana para dar numa cadeira, mas como sou usuário de uma, se você for um cadeirante muito ativo, vale a pena. Haviam outros equipamentos bacanas no stand da Mobility, como uma handbike que encaixa na cadeira e um "empurrador" elétrico, que falarei em outro post.
A tão sonhada Panthera X, de fibra de carbono
O stand da Cavenaghi também estava recheado de cadeiras de rodas. Muitas da Ortobrás, muitas da Ortomix. A Dinâmica New Ajustável está muito bonita, por menos de quatro mil reais. Mas chamava a atenção mesmo a Panthera X, cadeira de rodas de fibra de carbono que pesa só 2,1 kg o quadro, sonho de consumo de 11 em 10 cadeirantes. Estava em promoção na feira, só 16,5 mil reais! Pechincha! Pra quem ganhou na mega sena, claro. Mas o destaque mesmo no stand da Cavenaghi, para mim, foi a Ottobock Ventus, uma cadeira de rodas monobloco alemã que estava por R$ 4.190,00. Isso sim é pechincha. O quadro é leve, em torno de 8 kg, e os materiais de qualidade. Comparando com outras monobloco brasileiras, está com excelente custo benefício. Confira na página da Cavenaghi.
Observer, sobe até parede!
Mas a cadeira que mais me impressionou foi essa da foto acima, chamada Observer, no stand da Performance. Bonito nome, para um verdadeiro trator para deficiente. Ela sobe escadas, anda na areia, em piso liso, passa por cima de pedras, paus, e de quem estiver na frente te perturbando. Um tratorzinho mesmo! O que atrapalha é só o preço: 32 mil reais. Quem sabe se eu vender meu carro? Aí, sai da frente...

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Resultado do concurso da cadeira de rodas Freedom

Esta belezinha já tem novo dono!
Desde o início da promoção, recebi dezenas de e-mails, muitas histórias tristes e de muita luta de gente com deficiência que viu neste blog uma oportunidade de melhorar a qualidade de vida. Infelizmente não posso contemplar a todos, portanto usei como critério o contexto em que a pessoa vive, considerando situação econômica, atividades que desempenha e como irá ser útil a nova cadeira.
Ângelo Gabriel, o ganhador da cadeira
E o grande ganhador foi... Ângelo Gabriel, de Ribeirão das Neves, MG! Este simpático garoto participa de uma equipe de tênis de mesa em sua cidade, e sua cadeira, além de estar em péssimo estado, não é adequada ao seu tamanho, e nem aros para tocar ela tem! Já conversei com fisioterapeutas e sei o quanto é prejudicial rodar em uma cadeira de rodas de tamanho errado, você acaba comprometendo ainda mais o corpo do cadeirante. Além do mais, para uma criança em desenvolvimento, isto é ainda mais preocupante. E para quem está investindo no esporte, com vontade de mostrar seu valor e se socializar, é importante um "veículo" bom e adequado.
A cadeira dele está inadequada e em péssimo estado
A história e as fotos do Ângelo Gabriel chegaram até mim através de amigos dele, pois a família humilde não tem acesso à internet. Espero que o Ângelo curta este presente do Blog do Cadeirante, em parceria com a Cecília Acessibilidade.
Agradeço a todos que participaram do concurso mandando histórias e fotos, e ao Eduardo Tardiolli, da Cecília Acessibilidade, que tornou possível esta boa ação, ajudando a quem precisa!

sábado, 20 de abril de 2013

Cadeira motorizada controlada por computador

No stand da Cecília Acessibilidade, está em exposição uma cadeira motorizada controlada por computador.  O sistema se chama Freedom Connect, e pode ser utilizado em modelos de cadeiras de rodas motorizadas da Freedom.
Interface do sistema
Com um software próprio, o "motorista" programa velocidade média e máxima, sensibilidade do manete e potência, de acordo com o tipo de uso e de terreno que vai enfrentar. Verifica também o tempo de stand by e a roda livre. E pode salvar vários perfis para não ficar programando toda hora, quando for sair carrega o perfil desejado. Vale conferir!

sexta-feira, 19 de abril de 2013

"Sorteio" de uma cadeira de rodas Freedom Plus

Cadeira manual Freedom Plus
 A primeira novidade que trago da Reatech 2013 é também uma ação social. O Blog do Cadeirante, em parceria com a Cecília Acessibilidade, vem trazer aos seus leitores um "sorteio" diferente. Vamos doar uma cadeira de rodas manual dobrável Freedom Plus para quem mais estiver precisando. Como decidir isso? Mandem para o e-mail do blog (blog.cadeirante@gmail.com) sua história contando porque você merece ganhar esta cadeira de rodas, e se possível mande fotos da sua atual cadeira de rodas até a próxima quarta feira, dia 24/04/2913. Se você conhece alguém que precisa mais da cadeira do que você, envie a história que iremos considerar. Mande também as medidas da cadeira, para que enviemos de acordo com suas necessidades.
Stand da Cecília Acessibilidade
Não deixe de participar, essa promoção vem para ajudar quem mais tem necessidade. E não deixe também de visitar a Cecília Acessibilidade no stand 222, na rua 200. E a partir do próximo post, novidades fresquinhas da Reatech!

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Para lamas

Originais da TiLite, não me adaptei
Quando fiz o post de avaliação da TiLite, reclamei do protetor de roupa que veio nela, um acessório que paguei caro e não veio como imaginei. Acontece, tudo bem, mas eu estava com um problema nas mãos: não usava como protetor de roupa e ficava raspando as calças nas rodas da cadeira, e mesmo se levantasse ele para proteger a roupa, não conseguiria usar do jeito que eu gosto. Curto mesmo é protetor tipo "para lamas", justos à roda e com apoio em cima, como os da M3.
Para resolver o problema, pensei em algumas alternativas. Poderia tentar adaptar o protetor de roupa da M3, mas ia ficar estranho, um protetor vermelho em uma cadeira cinza. Iria dar muito trabalho, pois precisaria de um "nove" maior e ainda adaptar o encaixe do quadro, que na M3 é parafusado. Ou eu furaria o quadro da TiLite, ou buscaria um encaixe diferente. Complicado. Outra alternativa seria comprar um protetor de roupa da TiLite de outro modelo, mas eu pagaria caro e demoraria muito para chegar. E até chegar, minhas calças iriam acabar rasgando na lateral de tanto raspar nas rodas.
Protetor de roupa da "Jangadinha"
Mas eis que tive uma luz! Poderia adaptar os para lamas da minha antiga cadeira dobrável, a Jangadinha (uma Ortobrás duplo X), que são de plástico, leves e resistentes. Não são os mais lindos do mundo, mas eu não me preocupo tanto com isso, priorizo a funcionalidade. Mas como adaptá-los? Eles são parafusados no quadro da cadeira, e não era uma alternativa furar minha TiLite. Mas percebi que, além do furo onde eles eram parafusados, havia outro furo mais em cima sem uso.
Abraçadeiras e o para lamas
E aí veio a grande ideia, se eu passasse uma abraçadeira pelo quadro da TiLite, poderia parafusá-la no para lamas, e aí resolveria o problema. Parti então para a prática. Fui a uma loja de material de construção e comprei dois pares de abraçadeiras e alguns parafusos. Com elas em mãos, comecei a pensar em como fixar. Os buracos delas eram mais afastados do que os dos para lamas, então resolvi invertendo o lado de um dos buracos, já que as abraçadeiras eram moldáveis. Com um alicate resolvi facilmente.
Abraçadeira fixada no para lamas e ao fundo parafuso da cadeira que afrouxei.
Então parafusei um lado no para lamas, dobrei e estiquei o resto da abraçadeira. Afrouxei dois parafusos do assento da TiLite e enfiei as abraçadeiras por baixo do assento. Aí foi só dobrar as abraçadeiras por trás do quadro, e então parafusar no buraco inferior do para lamas e apertar bem. Ficou ótimo! Só que os parafusos ficaram muito proeminentes, então precisei serrar os parafusos bem rentes, para não pegar nas rodas.
Resultado final, para lamas novo! 
Mas ainda tinha um problema, por mais que apertasse as abraçadeiras, elas correriam o risco de girar em falso no quadro quando eu me apoiasse nelas. Então resolvi com uma "trava": o próprio freio da cadeira. Posicionei de forma que ele pegasse na ponta do para lamas, então seguraria ele mesmo com meu peso. E deu certo! Estou muito orgulhoso da minha "acochambration" para instalar os para lamas. E no próximo post conto porque gosto tanto de protetor de roupa/para lamas. São extremamente úteis, vocês verão!

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

M3 X TiLite ZR

O que é melhor, cadeira top e bolso vazio ou cadeira semi top com troco?
Afinal de contas, vale a pena gastar o valor de um carro usado em uma cadeira de rodas só porque ela é mais leve? Depende. Do uso, em primeiro lugar. Se o cadeirante é uma pessoa ativa, que sai de casa todo dia, seja para trabalhar ou fazer esportes, e dirige, roda pra todo lado, enfrenta morros e descidas, a resposta é sim. É importante ter uma cadeira bem leve para minimizar o esforço na hora de guardar no carro sozinho (esse foi o principal motivo que me fez trocar) e na hora de tocar.
Mas se o cadeirante não for tão ativo assim, será que uma monobloco nacional, como a M3, não resolve? Sim, resolve. A M3 ainda é uma excelente cadeira, e os problemas que eu enfrentei com ela são facilmente resolvidos. As rodas dianteiras, que se "dissolveram", troquei por um par de Frog Legs e nunca mais tive problemas. Os encaixes dos para lamas, que quebraram com pouco tempo de uso, a própria fábrica me mandou novos feitos de alumínio, que não quebraram mais. O encosto, tive um pouco de culpa na quebra, pois eu tenho o costume de apoiar as costas quando me visto. Quebrou duas vezes e agora está durando.
Mas vamos aos números, nas medições das minhas cadeiras (tamanho 44 na M3 e 17" na TiLite):
- Peso da Tilite sem as rodas e almofada: 7,5 Kg
- Peso da M3 sem as rodas e almofada: 10 Kg
- Peso das rodas originais da TiLite com eixo, câmara e pneus: 1,6 Kg cada;
- Peso das rodas X-core 3 da M3 com eixo e pneus maciços Shox: 2,2 Kg cada;
- Almofada Roho: 1,4 Kg.
Em resumo: Ti Lite completa: 12,1 Kg X M3: 15,8 Kg. Ou seja, a primeira é 23% mais leve que a segunda. Considerando só o quadro, são dois quilos e meio a menos, um quarto do peso a menos. Isso faz diferença na hora de guardar no carro.
E a TiLite é mais bem feita. Parece um projeto mais "redondo", menos sujeito a folgas e empenos. Ela é mais estável e transmite mais segurança nas transferências. Nada exageradamente melhor, mas nota-se a maior qualidade.
Mas e o preço? Uma TiLite básica no Brasil saí por volta de R$ 10.000,00. Uma M3 básica parte dos R$ 3.415,00 (nunca entendi esses 15 reais). Portanto a M3 custa 34% do valor da TiLite.
Quem ganha o embate? Na minha opinião, a M3, pelo custo/benefício. É uma cadeira bonita, regulável, leve e prática. Não dá para comparar com uma dobrável, por exemplo. Além da praticidade, traz alta estima ao cadeirante. Ou seja, só acho que vale a pena gastar essa bolada na TiLite se você for um cadeirante muito ativo e exigente, que faz questão de leveza. Depois dela, o que vai ficar leve mesmo é o seu bolso...

Em tempo: vale a pena mesmo é ir aos EUA buscar uma TiLite. Abaixo discrimino os gastos que tive na viagem, contando os gastos da minha mulher e os ingressos em parques.
- Duas passagens aéreas ida e volta para Orlando: 25 mil milhas mais 950,00 reais cada, 1.900,00;
- Sete dias de hospedagem no hotel Radisson: 2.000,00;
- Aluguel de carro por uma semana: 1.100,00;
- Alimentação, ingressos e outros: 1.000,00
Total: R$ 6.000,00, sendo que a cadeira TiLite lá custa US$ 2.250,00 = R$ 4.837,50 (dólar a R$ 2,15).
Resumindo, pelo preço da cadeira no Brasil mais mil reais, eu e a Gi passamos o reveillon em Orlando, curtimos os parques, conhecemos vários lugares e nos divertimos bastante. Sem contar as compras que fizemos lá, roupas e eletrônicos custam metade do preço daqui. Isso sim, vale a pena!

sábado, 19 de janeiro de 2013

Avaliação da TiLite ZR

Titânio na veia!
Agora sim, a avaliação da minha cadeira nova! Afinal, foi pra isso que fui a Orlando, nos EUA. Só que rolou uma leve tensão antes da cadeira chegar... Pedi com a antecedência necessária, estava tudo certo, ela chegaria pouco antes de eu chegar ao hotel. Mandei até e-mail avisando ao pessoal de lá. Mas cheguei no sábado, e não tinha chegado ainda. Veio a segunda feira, dia 31/12, não imaginei que fosse chegar mesmo. No dia primeiro, muito menos, feriado. Mas dia 2 era pra ter chegado. No dia seguinte comecei a preocupar, afinal eu ia embora no dia 5, sábado, de manhã cedo. Comecei a despachar e-mails e mensagens para o Dado, do site Mão na Roda, que me ajudou na compra. Sexta feira, véspera de ir embora, desci para a recepção de manhã e... nada! Fui para a sala de computadores do hotel, e já estava escrevendo mais e-mails desesperados, quando de repente olhei para a portaria e lá estava a enorme caixa estrito TiLite do lado! Ufa!
A bichinha é muito bonita
Mas vamos à avaliação da cadeira. Os principais motivos para comprar a TiLite foram facilidade para guardar no carro e mais resistência, já que minha M3 andava com uns probleminhas chatos, como quebra de alguma peças e empeno da roda dianteira. E ela superou as expectativas. Bem mais leve que a M3 (2/3 do peso dela), na hora de pegar para guardar dá para sentir uma grande diferença. E de fato ela é mais bem construída que a M3, mais firme e mais estável. Também achei ela mais ágil, por ser um pouco mais curta, apesar do centro de gravidade da roda traseira ser um pouco mais para trás. O segredo é o apoio de pés virado para dentro.
Barra para descer o encosto
Gostei muito também da forma de dobrar o encosto, empurrando uma pequena barra em direção ao encosto. É difícil de acostumar no início, mas depois que peguei a manha achei mais fácil do que o cabo de aço da M3. É mais resistente, o da M3 vivia estourando as argolas que prendem aos encaixes. Mas a grande vantagem é que ele trava o encosto fechado, impedindo que fique abrindo quando alguém pega a cadeira por ali. Acontecia muito na M3, e era um transtorno, a pessoa tinha que colocar as rodas de novo para fechar o encosto.
Protetor de roupa, não curti
Mas teve uma coisa que eu não gostei. O protetor de roupa. Na M3, ele é como um para lamas mesmo, se abre para cima para facilitar a transferência e dobra para dentro para guardar. E aguenta o peso da pessoa, o que é útil para vestir roupa e fazer elevação. O da TiLite é de alumínio e só dobra para dentro, o que torna difícil a transferência. A ideia é aprender a transferir com ele levantado, chegando bem na beirada da cadeira para isso. Se o protetor fosse menor, dava para fazer, mas ele é muito grande, e está difícil acostumar. Eu acabo usando a maior parte do tempo eles dobrados, e a roda fica raspando na roupa. Vou acabar trocando.
Freio original à esquerda e Scissor instalado à direita
Outros pontos fracos dela, o freio e as rodinhas dianteiras. Os freios são de plástico e aparentam fragilidade, e as rodinhas vão pelo mesmo caminho. Felizmente o Dado havia me alertado destes poréns. Então já pedi junto com a cadeira um par de freios do tipo Scissor, daqueles que ficam embutidos embaixo da cadeira. São mais difíceis de acionar, mas é questão de costume. Além deles, comprei também um par de rodas dianteiras Frog Legs, que nem as que tenho na M3. São bem melhores, e lá fora o preço é ótimo, cinquenta dólares o par. No próximo post vou fazer um comparativo dela com a M3, com prós e contras.
Agora, como disse um amigo meu, troquei a Ferrari vermelha por uma McLaren prata!

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