quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

Delivery e Acessibilidade: como as oficinas estão se adaptando à pandemia


Neste momento de isolamento social e cuidados pessoais ao sair de casa, estabelecimentos comerciais e prestadores de serviço tiveram que se adaptar para atender seus clientes. Como estamos mais quietos em casa – pelo menos a maioria de nós – nossos carros tem ficado guardados nas garagens por muito tempo, exceto os veículos usados para aplicativos de transporte, que não pararam de rodar. Com a melhora dos números de contágio e flexibilização do isolamento, muitos veículos que estavam parados começam a retornar às ruas, e é importante dar uma revisada neles antes de voltar a rodar. Isso se o carro ligar, muitos vezes quando ficam muito tempo parado, descarregam a bateria, e precisam de um enxerto para dar a partida.


De qualquer forma, o serviço das oficinas não parou, apesar de ter diminuído. E para se adaptar a essa nova realidade, elas investiram em estrutura e serviços diferenciados. O mais procurado ultimamente é o delivery de veículos. Para evitar que o cliente precise sair de casa para levar em uma oficina dar aquela geral antes de colocar na estrada, as oficinas oferecem o serviço de busca e entrega na casa do cliente. E para quem teve a bateria descarregada, elas tem também o serviço de levar um veículo ou uma bateria extra para fazer a ligação na bateria do carro e dar a partida. A partir daí, basta uma volta com o carro para voltar a carregar a bateria. Isso se ela não estiver estragada.

PCDs passam a precisar mais de oficinas

No caso das pessoas com deficiência, por ter direito à isenção de impostos e poder trocar de carro a cada quatro anos, geralmente usam pouco as oficinas mecânicas. A garantia da maioria dos modelos nacionais é de três anos, e com o aperfeiçoamento dos automóveis, a incidência de problemas mecânicos se torna algo raro antes dos cinco anos de vida (salvo defeitos de fábrica, cobertos pela garantia). Com o congelamento do limite para compra de veículos com isenção de ICMS por PcD em 70 mil reais há mais de onze anos, as montadoras foram retirando itens de alguns modelos para mantê-los dentro deste valor, e um dos itens que se tornou comum retirar nos últimos lançamentos foi a garantia, que passou a ser de um ano ao invés de três. 


Além disso, devido ao congelamento, grande parte dos modelos destinados a PCD são muito pelados, e para economizar, muita gente instala os itens que não vem nestes veículos como mídia, rodas de liga, faróis de neblina em lojas de acessórios, ao invés das concessionárias. Isso aumenta o risco de defeitos por incompatibilidade e pane elétrica. Como não foram instalados em concessionária, podem inviabilizar a garantia nestes casos. 

Outro fator que tem feito este público frequentar as oficinas é que o limite congelado tem feito muitas pessoas abrirem mão das isenções e recorrer ao mercado de usados. Assim, conseguem modelos mais adequados às suas necessidades, porém não estão cobertas pela garantia de fábrica. 

Oficinas oferecem acessibilidade e serviços a domicílio

No bairro Buritis, há uma oficina que está antenada com as necessidades de seus clientes há muito tempo. A Retok já fazia o serviço de busca e entrega de veículos antes da pandemia para trazer comodidade para seus clientes. Seu proprietário, Júnior Coutinho, diz que já havia percebido que muitos dos seus clientes são idosos ou deficientes, que têm maior dificuldade em ir à oficina deixar ou buscar o veículo. Ele passou então a oferecer a busca e entrega de veículos, pensando não só nas limitações que porventura tenham, mas também na comodidade de não precisar se preocupar com o transporte na volta da oficina. Há casos de clientes que tem receio em andar sozinhos em táxi ou veículos de transporte por aplicativo. Portanto passou a sugerir que liguem para a oficina caso haja algum problema ou barulho no veículo, e eles buscam o carro, conversam com o cliente sobre o problema, e entregam o veículo assim que estiver pronto, fazendo inclusive a cobrança na casa do cliente, através de máquinas de cartão portáteis. O ambiente da oficina também é atento à acessibilidade, não há barreiras ou escadas, até o escritório não tem paredes, fica bem na entrada da oficina. 


Outra oficina que já está adequada aos novos tempos é a Autobahn, que devido à história pessoal do seu proprietário, Marcos Ramiro, já oferece acessibilidade em seu escritório e o serviço de delivery. Marcos sofreu um acidente aos onze anos e ficou com sequelas na perna direita. Chegou a usar cadeira de rodas enquanto se recuperava, e percebeu que quanto mais estrutura tiver para atender seus clientes, maior poderia ser seu público, e mais conforto traria para eles. 

Se o cliente quiser ir até a oficina, ele entra com o carro no pátio e encontra rampas com inclinação suave para ir até o escritório, que tem bastante espaço para uma cadeira de rodas rodar com tranquilidade. Se não quiser ter este trabalho, é só ligar ou mandar mensagem que o proprietário vai pessoalmente à casa do cliente buscar o carro, conversar sobre o problema e definir o que precisa ser feito. Como é uma oficina trabalha também com veículos raros e exclusivos, oferece até a busca e entrega de veículos em reboque, para que a “jóia sobre rodas” não se desgaste ou corra riscos rodando pelas ruas. 

Novos tempos, novas necessidades

Vivemos uma nova realidade, imposta por uma pandemia de proporções globais. Quem se adapta e se prepara, conquista seus clientes e mostra ter responsabilidade social e preocupação com inclusão. Ninguém perde ao investir em acessibilidade e comodidade para seus clientes. Atende mais pessoas e se mostra preparado para adversidades. Que outras oficinas se espelhem nestes bons exemplos.

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