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quarta-feira, 25 de novembro de 2020

Como salvar uma Roho - nível hard

Com criatividade dá para tampar até rasgo!

Quem usa cadeira de rodas está propenso a ter escaras, principalmente na região do glúteo e coxas, onde está a maior pressão por passar longos períodos sentado. Para evitar as temidas escaras, uma das formas de prevenção é o uso de almofadas de ar, como as Roho. Porém elas são muito caras, e por serem importadas estão sujeitas à variação do dólar, que não para de subir. Quem tem uma almofada dessas, deve cuidar com todo carinho, pois comprar uma nova está cada vez mais difícil. Mesmo quem consegue trazer de fora vai pagar uma pequena fortuna para manter o popô a salvo das escaras.
Olha o tamanho do rasgo, num lugar difícil

Eu já havia publicado um post sobre como salvar uma Roho, pois certa vez tive um gomo rasgado e consegui estender a vida útil da minha almofada em mais um ano! Porém acabou rasgando de novo e comprei uma nova no início do ano passado. Porém, com apenas seis meses de uso ela furou. Não sei se essas almofadas estão ficando mais frágeis ou eu dei azar, pois a anterior demorou uns dois anos para furar pela primeira vez. E pra piorar, furou num dos piores lugares, a esquina do canal que leva o ar para os gomos de trás. Nesse ponto é bem difícil os remendos pegarem, pois é curva. Toda vez que coloco remendo ali, em pouco tempo vaza e preciso colocar outro por cima, como na primeira foto. Ou então tenho que retirar completamente o remendo e fazer outro maior pra ver se segura o ar. Depois de umas três tentativas, o furo virou rasgo e ficou quase impossível o remendo segurar o ar. Resolvi então radicalizar. Retirei todo o remendo de novo para avaliar o estrago, como mostra a foto acima.
Cortei o tubo de um coletor urinário
Usei cola de pneu de bicicleta

Peguei um coletor urinário, desses que vem com uma camisinha na ponta e cortei um pedaço de uns 10 cm. Depois de lixar o local e passei cola de bicicleta no pedaço de tubo. Em seguida enfiei o tubo pelo rasgo da almofada e depois empurrei até que o centro dele ficasse bem no meio do rasgo. Acrescentei mais um pouco de cola e esperei quinze minutos. Em seguida recortei o remendo e comecei a aplicá-lo pelo centro, para que a curva do canal ficasse bem vedada. Fui apertando até o outro lado do canal e retirei todo o ar que ficou por dentro apertando bastante o remendo em direção às bordas.
Colocar com cuidado o tubinho é importante

E pronto! Remendo concluído, deixei secar por algumas horas e depois enchi a almofada. Até hoje nenhum vazamento, esse processo já tem quase dois meses!! Valeu a pena o trabalho, com o dólar nos patamares atuais está inviável comprar uma nova almofada.
Bonito não fica, mas funciona


quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Passo a passo para solicitar alteração de CNH


No caso de pessoa com deficiência física, com limitações para condução de veículos, mas, com CNH sem restrições, deve-se observar o seguinte:

"1 - Inicialmente a pessoa deve buscar, junto ao médico que acompanha o seu caso, o primeiro laudo ou relatório. Nele o médico deverá descrever quais são as limitações físicas avaliadas, as doenças ou fatores que causaram essas limitações e os CID-10 correspondentes.

A partir dessa avaliação médica, caberá ao DETRAN verificar se as limitações apontadas no referido relatório condiciona a pessoa a estar "apta com restrições" para conduzir veículo automotor conforme apontado no Anexo XV da RESOLUÇÃO Nº 425/2012;

2 - Na sequência, munida do relatório médico citado no item "1", a pessoa deverá agendar através do site do DETRAN/MG (https://www.detran.mg.gov.br/habilitacao/pessoa-com-deficiencia/alteracao-da-cnh-para-condutores-com-deficiencia) uma consulta médica em clínica credenciada àquele departamento para ser novamente avaliada;

3 - Ao médico da clinica credenciada ao DETRAN-MG, após examinar a pessoa, entendendo que há limitações que justifiquem o encaminhamento do caso para perícia junto a Seção de Exames Especiais do DETRAN/MG, assim o fará;

4 - Na SEE/DETRAN-MG (Sessão de Exames Especiais do Departamento de Transito de Minas Gerais), a pessoa deverá ser avaliada pelos médicos peritos. Caberá a eles, feitos todos os testes definidos em portaria do CONTRAN, definir se serão e quais restrições serão apontadas na CNH."

terça-feira, 2 de julho de 2019

Itens importantes em um carro para PCD

Já parou para pensar que itens maximizam o uso do veículo por PCD?
O mercado de veículos destinados a pessoas com deficiência cresceu muito nos últimos anos, devido à ampliação das patologias que dão direito às isenções de impostos para aquisição de veículo zero quilômetro. Portanto, se tornou motivo de atenção das montadoras, que se esforçam para manter alguns modelos dentro do limite de valor para ter direito à isenção de impostos e lançaram ultimamente vários compactos e até subcompactos com câmbio automático ou automatizado. Porém, muitos destes são veículos com menos itens de tecnologia, segurança e conforto. 
Em um mundo em que a tecnologia adapta os carros aos usuários, as pessoas com deficiência ainda tem que se adaptar ao que os carros oferecem. Além disso, raras exceções, não há acessórios específicos para este público. Por isso é tão importante saber o que observar ao escolher um carro que precise atender a determinada limitação. A pessoa com deficiência deve se atentar a algumas características dos veículos que possam facilitar o uso no dia a dia. E escolher acessórios que também auxiliem de alguma forma. 
O ideal é testar, ir às concessionárias dos veículos que tenha intenção de adquirir, verificar os itens que são mais importantes e fazer um test drive. Há muitos cadeirantes que não fazem isto por achar desnecessário, já que não vão poder fazer test drive, ou por vergonha. Conheço casos que o cadeirante só entrou no modelo escolhido quando o mesmo chegou em suas mãos! Se não dá para fazer o test drive, dá para testar a entrada no carro, o espaço interno e verificar se a cadeira cabe bem no porta malas, e isso é fundamental para ter ideia de como será o dia a dia com aquele veículo. E assim tomar a melhor decisão. 
Sei que há dezenas de deficiências que trazem outras dezenas de limitações, não tenho como atingir todas elas, mas posso dar ideias gerais que podem auxiliar muitas pessoas. Vamos às dicas:

1- Verifique a abertura das portas. Quanto maior for o vão e o ângulo de abertura da porta, mais fácil vai ser entrar no veículo. E também, mais próxima uma cadeira de rodas ficará do assento do carro, facilitando assim a transferência. Se a largura da porta não for boa, uma pessoa com muletas ou um cadeirante terão mais dificuldade ao entrar, e correm o risco de bater as costas no encaixe da trava de porta e se machucar. Este é outro item importante a se observar, esta trava deve ser arredondada, pois se for pontiaguda, pode causar um grande machucado.

2- Observe o espaço interno. Se for necessário utilizar adaptação veicular para acelerar e frear, ela ocupará um bom espaço embaixo do volante, o que reduz o espaço para as pernas do motorista. Se não houver espaço suficiente, ao acomodar as pernas, a adaptação pode causar machucados, ou as pernas podem atrapalhar na operação da adaptação. E ainda é preciso ter um bom espaço para os braços, já que um deles será trazido próximo ao peito e o cotovelo pode bater no forro de porta.

3- Teste o porta malas. Quanto maior for o porta malas, mais fácil será levar acessórios de auxilio à mobilidade e ainda alguma bagagem. Porém, é importante ficar atento ao formato do porta malas e das molduras ao redor, além da espessura da tampa do porta malas. Tudo isso define como ficará acomodada uma cadeira de rodas, por exemplo. Também é bom verificar o tamanho da abertura do porta malas e a altura da base dele. Sedans com caimento do teto tipo fastback geralmente tem tampas do porta malas estreita, o que dificulta a colocação de uma cadeira de rodas. E se a base do porta malas for muito alta, será mais difícil elevar uma cadeira de rodas até ultrapassar a carroceria, e então acomodá-la lá dentro.

4- Dê preferência a som com bluetooth. Este acessório é muito importante para quem usa adaptação para acelerar e frear, pois as mãos estarão sempre ocupadas, uma delas acelerando/freando e a outra dirigindo. Ele permite fazer chamadas ou atender o celular com um simples toque em um botão. Basta que o celular tenha a função e permita chamadas de voz para ligações. A configuração é simples, basta parear o telefone e toda vez que ligar o som, o telefone se conectará automaticamente. E o ideal é que o comando esteja integrado ao próximo item.

5- Veja se o volante é multifuncional. Ele é bom tanto para quem usa adaptação para acelerar e frear quanto para quem tem apenas um braço ou fraqueza muscular. O volante multifuncional permite controlar o som e ativar o celular sem tirar a mão da direção, o que aumenta ainda mais a segurança ao dirigir. Observe também se os principais comandos do volante estão concentrados do lado da mão que estará no volante. Se a pessoa usa adaptação do lado esquerdo por exemplo, é melhor que os comandos de mídia, e principalmente telefone, estejam do lado direito. E vice-versa.

6- Prefira direção assistida. Quanto mais leve for a direção, melhor, pois como uma mão pode estar ocupada acelerando ou freando, a força a ser aplicada ao virar o volante deve ser a menor possível. Isto é ainda mais importante no caso da deficiência comprometer a musculatura e coordenação dos membros superiores. O tipo mais indicado hoje em dia é a elétrica. Mas uma direção hidráulica ainda deve ser preferida a uma mecânica.

7- Peça ou instale sensor de estacionamento e câmera de ré. Quem tem deficiência muscular e pessoas que precisam fazer artrodese para estabilizar a coluna cervical, podem ficar com os movimentos do pescoço restritos e costumam ter dificuldade para virá-lo e olhar para trás. Nestes casos é fundamental que o veículo tenha sensor de estacionamento e câmera de ré instalados, pois facilita muito a execução de manobras em ré. Experimente fazer uma baliza sem virar a cabeça para trás para ter uma noção.

8- Peça apoio de braço para o motorista. A maioria dos modelos tem apoio de braço central, mas há os que o tem individual, portanto pelo menos para o motorista é importante pedir. O motivo aparece na hora de guardar a cadeira de rodas dentro do carro, no banco do carona. É preciso passar a cadeira por cima do corpo, e apoiar o cotovelo neste acessório facilita bastante, tanto para ir quanto para voltar. Além disso, pode ser descanso para quem tem pouca força nos membros superiores. Se não for possível instalar no pedido do carro, dá para comprar à parte depois e instalar no vão central, há modelos que se encaixam nos porta copos, veja no site www.artefactum.com.br

9- Prefira bancos em couro. Não é pela beleza, mas sim pela praticidade. Quem tem lesão medular e incontinência urinária, acontece de vazar urina na roupa e no banco do carro. Para limpar depois, o banco de couro faz toda diferença. Em bancos de tecido, com o tempo a urina penetra na espuma e é possível que fique mal cheiro, e pode ser necessário até trocar tudo.

10- Observe o tamanho e formato dos botões. Este item deve ser observado principalmente por pessoas que tem maior comprometimento nos membros superiores. Quem tem pouca força nos braços ou menos coordenação nas mãos, terá maior facilidade para acionar botões grandes, largos e bem localizados. Este é mais um teste a ser feito ao ir a uma concessionária. O freio de mão por botão (eletro mecânico) também é indicado nestes casos.


Espero que tenham gostado das dicas, guarde as que forem mais adequadas à sua limitação e escolha o veículo que te dê mais conforto!

quinta-feira, 13 de junho de 2019

Dicas para viver bem sobre rodas

Dicas para se adaptar à cadeira e ter qualidade de vida!
Após anos escrevendo e refinando o texto, finalmente lancei o livro! Desde a criação do blog, assim que alguns textos meus começaram a fazer sucesso, os leitores do blog passaram a me cobrar um livro. É muito bom poder acessar as informações que publico aqui, mas ter tudo reunido em um só lugar, filtrado e melhorado, é ainda melhor. E poder consultar alguma dica específica sem precisar ligar nada nem ficar horas procurando algum detalhe também ajuda muito. Por isto o livro era tão solicitado.
Há treze anos, após o acidente, dependente, limitado, sem perspectiva
E agora, no ano em que o blog completa dez anos, reuni tudo que achei mais interessante nas postagens do blog, acrescentei muitas outras soluções para os desafios do dia a dia que fui encontrando ao longo de quase treze anos como cadeirante e estou lançando o meu primeiro livro, "Dicas para viver bem sobre rodas". Nele relato as principais dificuldades que tive desde o acidente que me tornou cadeirante em julho de 2006, explico como foi a aceitação do ocorrido, passando pela compra da cadeira, com dicas exclusivas sobre itens importantes a serem pedidos e acessórios que fazem a diferença, em seguida falo sobre a adaptação da casa para receber um cadeirante, dou dicas sobre como fazer melhor as transferências, falo também sobre a compra do carro com isenção, e depois sobre a inseminação artificial que fizemos para ter nossos gêmeos, Anne e Max! 
Hoje, adaptado, feliz, realizado, pleno!
E há muito mais dentro do livro, ele vai ajudar tanto quem acabou de entrar nessa vida de usuário de cadeira de rodas quando quem já está nessa há anos e sempre tem aquele detalhe que pode melhorar mas não parou para pensar como ou o que mais pode fazer para ter mais qualidade de vida. 
O livro está disponível para compra no Clube de Autores, neste link:
E também em meio digital, na Amazon, neste link:

Compre o livro e descubra como cheguei até aqui, ou dê de presente para aquela pessoa que está precisando dar uma chacoalhada na vida!!

segunda-feira, 27 de maio de 2019

Como solicitar isenção de ICMS por conta própria

Neste texto, vou mostrar o passo a passo para solicitar a isenção de ICMS por conta própria no estado de Minas Gerais.
Assim como na isenção de IPI, o processo de solicitação de isenção de ICMS por pessoa com deficiência também é feita toda online na maioria dos estados. Porém o processo estadual é um pouco mais complexo e burocrático do que o federal. E a forma de solicitar varia um pouco de estado para estado, já que as regras são definidas pelas secretarias estaduais, que utilizam seus próprios sistemas. Ainda assim, é desnecessário contratar despachante para fazê-lo. 

CNH
O primeiro passo é tirar ou adaptar a carteira de habilitação. Deficiente condutor segue os mesmos procedimentos de quem está tirando a CNH pela primeira vez, mesmo se já for habilitado antes de se tornar deficiente. Portanto, tem que providenciar toda a documentação necessária. Além dos documentos de praxe como cópia de RG e CPF, comprovante de residência e foto 3x4, será necessário fazer uma perícia médica para determinar a extensão da deficiência e os tipos de adaptações necessárias ao veículo. O exame deve ser feito em uma clínica credenciada pelo Detran ou no próprio Detran. Ajuda muito se você levar um laudo médico feito por profissional competente, ainda mais se for do Hospital Sarah. Geralmente o médico faz perguntas a respeito da deficiência e examina o membro ou a parte do corpo afetada, se for o caso, e emite o laudo. Cuide bem deste laudo, pois ele será utilizado para solicitar a isenção de ICMS.
Com o laudo do Detran em mãos, o próximo passo é procurar um centro de formação de condutores (autoescola) especializada, que possua carros automáticos ou automatizados adaptados para deficientes. Aí, é só marcar e fazer as aulas práticas. Tantas quanto forem necessárias para se sentir seguro com o equipamento.
Quando estiver dominando um carro adaptado, peça ao pessoal da autoescola para marcar o exame prático, de preferência com o próprio carro em que foram feitas as aulas. O circuito é bastante simples e é obrigatória a baliza. É só treinar bem. Os carros automáticos são mais fáceis de "domar" na hora da baliza, pois é só soltar o freio que ele começa a andar lentamente, para frente ou para trás, sem contar que eles não "morrem" de jeito nenhum.
Após passar no exame prático, o Detran emitirá uma nova carteira de habilitação com uma observação sobre as adaptações que o carro deve ter (cambio automático ou modificado, pomo giratório, acelerador e freio manuais, etc), e você estará pronto para dirigir.
Motorista já habilitado
Caso já tenha a CNH especial e não for a primeira solicitação de isenção, é possível revalidar o laudo médico do Detran para utilizar em novo processo. Basta ir ao mesmo local em que tirou a carteira e solicitar a revalidação. Será emitido um DARF com uma pequena taxa e em alguns dias o laudo atualizado ficará pronto. Aí é só anexar ao novo processo de isenção de ICMS. Em alguns estado é possível utilizar também o mesmo laudo da isenção de IPI, preenchido no modelo do Anexo V da Receita Federal. Consulte na secretaria de fazendo do seu estado se é permitido. Em Minas Gerais, é permitido.
No caso de deficiente não condutor, o laudo médico deve ser emitido por equipe médica que tenha pelo menos um médico especialista na área correspondente à deficiência, e que atenda em prestadora de serviço público ou privado de saúde, que integre o Sistema Único de Saúde – SUS. Este laudo deve ser emitido conforme o modelo da Secretaria de Estado de Fazenda.

Documentos
O formulário de Identificação do Veículo é um dos principais documentos
Uma das principais diferenças do processo de solicitação de isenção de ICMS em relação ao processo de isenção de IPI é que o processo varia de acordo com o tipo de solicitação, e para cada tipo há uma relação específica de documentos a serem anexados. A Secretaria da Fazenda de MG separa os processos em três tipos: “portador de deficiência física condutor”, “portador de deficiência visual ou física não condutor”, e “portador de deficiência mental, severa ou profunda ou autista não condutor”. Há uma página no site da SEF com a relação dos documentos necessários para cada tipo de solicitação e links para modelos de alguns destes documentos.
O primeiro documento que é preciso providenciar é o Formulário de Identificação Modelo Veículo. Nele devem ser preenchidos os dados do requerente e do veículo que pretende adquirir, além de informações sobre o financiamento, se for o caso. Em Minas Gerais, o próprio comprador pode preencher tudo e assinar, mas se tiver alguma dúvida, pode pedir ajuda na concessionária em que estiver adquirindo o veículo. Atenção para o modelo e versão do veículo, algumas “versões PCD” tem um código específico de versão, que deve ser preenchido corretamente. Em alguns estados, como São Paulo, é preciso levar o formulário para ser preenchido, assinado e carimbado pela concessionária. 
O próximo documento relacionado no site é o laudo médico, o qual já citei acima. Em seguida, é solicitada a “comprovação de disponibilidade financeira ou patrimonial”. Esta comprovação é um dos quesitos que traz mais complicações. Para simplificar e facilitar a aprovação, o ideal é enviar a Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física completa do ano anterior de quem for contribuir com a maior parcela do valor do carro. Outro documento que também resolve é o contracheque ou comprovante de recebimento de salário ou outra fonte de renda, de no máximo 90 dias antes da data do requerimento. Pode ser a declaração ou contracheque de pai, mãe, irmão ou cônjuge. 
Caso não tenha nenhum destes comprovantes para enviar, é possível enviar extrato de conta corrente, documento de veículo no nome do requerente (inclusive o documento de transferência em branco), escritura de imóvel ou saldo de investimentos. Alguns estados não aceitam estes documentos impressos do site dos bancos, portanto pode ser prudente pegá-los direto na agência bancária (em Minas Gerais, aceita). Outros exigem mais documentos de comprovação financeira, pois é preciso comprovar que tem recursos para comprar e também para manter o veículo. Portanto, o ideal é se munir do maior número possível de comprovantes, se houver mais de uma renda envie todas, extratos bancários, extratos de investimentos, enfim, tudo que puder, para minimizar a chance de indeferimento. Não é necessário comprovar que tem recursos para comprar o carro à vista, mas se for financiado, é bom enviar um documento da concessionária, uma simulação de financiamento, para demonstrar como será o pagamento do veículo.
Os outros documentos necessários são: CPF, identidade e comprovante de residência. Uma dúvida muito comum é se há necessidade de autenticar estes documentos. Isto também varia de estado para estado. Em MG não é necessário autenticar nada, basta escanear, de preferência colorido e com boa qualidade. Em São Paulo já me disseram que é necessário autenticar. Procure saber como é a exigência no seu estado.
https://youtu.be/SGQbuSEc3Xw

O processo
Tela inicial do SIARE, sistema da Sefaz/MG para solicitar isenção de ICMS e IPVA
Após juntar toda a documentação, volte ao site da Secretaria da Fazenda, na página que fala sobre o processo, role até o final e a última frase antes do menu contém o link para iniciar o processo, que direciona para o SIARE - Sistema Integrado de Administração da Receita Estadual. A primeira informação que é necessária digitar é o CPF do requerente. Após digitar é preciso clicar em “Não sou um robô” e em seguida em “Pesquisar”, e o site busca na base de dados da secretaria da fazenda o nome da pessoa. Há um campo chamado “NIRE” embaixo que não precisa ser preenchido. 
Em seguida é preciso entrar com o endereço. Basta clicar na frase “Clique aqui para informar o endereço” no final da barra cinza do título. Abre-se uma caixa onde há um campo para digitar o CEP do requerente e depois clicar em “Pesquisar”. O sistema busca o nome da rua e é só preencher o número e complemento e clicar em “Selecionar”. Em seguida deve-se entrar com os dados de contato, que são o telefone, de preferência celular, e o e-mail.
O próximo campo a ser preenchido é para determinar o tipo de isenção de ICMS. Sendo deficiente, basta escolher “Portador de Necessidades Especiais”. O campo debaixo fica em branco, pois serve para solicitar isenção de IPVA. Então, é preciso clicar na opção “Sim” do campo “Veículo Novo” e em seguida clicar em “Confirmar”.
A página que se abre contém uma relação dos documentos que devem ser enviados de acordo com o tipo de solicitação. É a mesma relação de documentos da página de orientações que citei acima, neste caso funciona como um check-list, para o requerente verificar se já separou todos os documentos necessários. Ao final da relação consta o endereço de entrega, para quem achar melhor ir até a secretaria. Mas isso não é necessário, o campo seguinte existe exatamente para enviar pela Internet todos os documentos. Basta rolar a página e chegará ao local em que os documentos devem ser enviados.
Basta clicar no símbolo de um clipe de papel para começar a anexar. Clique a primeira vez, e abre-se uma janela onde é preciso clicar em “Escolher arquivo”, aí vá até a pasta onde o arquivo está e clique em “Abrir”. O documento é enviado, e ao final do processo abre-se uma caixa de diálogo com a informação “Upload de arquivo realizado com sucesso”. Após enviar o documento, escreva no campo abaixo o nome do documento que foi enviado e depois clique em “Confirmar”. O documento aparece na relação com o status “Aguardando ‘FINALIZAR’ solicitação”. Repita estes passos para todos os outros documentos, e eles vão aparecendo na relação, um embaixo do outro.
 Após enviar todos os documentos necessários à sua isenção, confira se todos eles estão relacionados no campo “Documentos Anexados”, e então clique em “Finalizar”. Os status dos documentos que foram enviados irão mudar para “entregue”. E pronto, sua solicitação de isenção foi enviada. Desça a página até o final e anote o protocolo ou clique em cima da frase “Imprimir comprovante de protocolo” e imprima a página que se abre.
Caso algum documento esteja faltando ou errado, você receberá um e-mail informando sobre a inconsistência, e então você deverá ir até a sede da Secretaria da Fazenda levar o documento correto.

Isenção na Secretaria
O tempo de espera varia de estado para estado, mas também reduziu bastante após a informatização. A isenção de ICMS em MG geralmente fica pronta em uma semana, mas dependendo da demanda pode demorar mais de um mês. O resultado chegará no e-mail informado no processo. Após receber o e-mail informando que a isenção foi deferida, é preciso ir à Secretaria da Fazenda, na Rua da Bahia, 1816. Então, basta juntar com a isenção de IPI, levar à concessionária escolhida e fechar a compra. E aguardar ansiosamente pela chegada do veículo novo!

segunda-feira, 29 de abril de 2019

Remédios de graça e com desconto

Veja como conseguir bons descontos em remédios de uso contínuo
Cadeirantes e pessoas com deficiência, em sua maioria, precisam comprar medicamentos constantemente. E todo mundo sabe que medicamento no Brasil é muito caro. Muita gente usa mais da metade da renda só para comprar remédios. Infelizmente, é a realidade do nosso país.
Alguns medicamentos são distribuídos gratuitamente através do Programa Farmácia Popular do Governo Federal. São mais de mil medicamentos disponíveis, veja a lista neste link. É possível conseguir de anticoncepcionais a medicamentos controlados, independente da renda ou condição social do paciente. Para conseguir o remédio de graça, é bom ter o Cartão Nacional de Saúde (CNS). Quem ainda não possui o cartão pode fazer um pré-cadastro e gerar um protocolo de atendimento no Portal Saúde do Cidadão. Pelo site, o usuário pode fazer o cadastro e imprimir o cartão. Outra forma de fazer o cartão é solicitar no posto de saúde do seu bairro ou cidade. Porém, mesmo sem o cartão, o paciente pode ter acesso aos remédios, levando receita médica emitida por médicos do SUS ou da rede particular e documento de identificação a uma farmácia credenciada ou na rede própria do governo e fazendo a solicitação na hora.
Os que não estão na lista, infelizmente devem ser comprados. E se houver uma forma de diminuir essa conta? Sempre há. Eu como consumidor de remédios e pesquisador por natureza, estou sempre em busca de formas de conseguir descontos ou comprar medicamentos mais baratos. A primeira atitude para economizar nos remédios é partir para os genéricos. Geralmente são mais baratos que os remédios "de marca", fabricados pelas grandes indústrias. Mas dá para economizar mais ainda.
Mesmo comprando genéricos, é preciso pesquisar. A primeira coisa a fazer é verificar qual o princípio ativo dos remédios que consumimos. Na caixa ou na bula sempre tem esta informação, geralmente abaixo do nome do remédio. Com esta informação em mãos, é hora de ir na farmácia e perguntar o preço pelo princípio ativo. Anote o nome do fabricante dos três mais baratos e corra para a Internet. Procure o site de cada um deles e veja se há algum desconto para quem é cadastrado. Muitos deles tem este tipo de cadastro, como a EMS que fabrica Gabapentina e Retemic entre outros, e a Pfizer que fabrica a Lyrica. Após se cadastrar no sites destes laboratórios você consegue descontos e benefícios na compra dos medicamentos na farmácia.
Além dos descontos dos laboratórios, muitos planos de saúde tem convênio com as farmácias para conceder descontos nos medicamentos. Verifique nas farmácias que você tem costume de comprar se há algum desconto relacionado ao seu plano de saúde. Aí é só apresentar a carteirinha do convênio no momento da compra. O ideal é antes de fechar simular todas as opções de desconto possíveis. Pode parecer que dá um pouco de trabalho, mas ao fim de um ano você perceberá o tamanho da economia na sua conta bancária. Além do mais, as farmácias não devem se importar em simular as opções, pois é interesse delas que você se sinta bem atendido e volte todo mês para comprar mais. Algumas farmácias, como a Droga Raia aqui em BH, já fazem a simulação antes mesmo da gente perguntar. Pela minha experiência, foi onde fui melhor atendido neste quesito.


Outra forma de economizar em diversos outros produtos é se afiliar a um programa de cashback. Para quem não sabe do que se trata, é uma forma de receber parte do valor de produtos adquiridos pela Internet de volta em sua conta. Basta se cadastrar, ativar o aplicativo no celular e a extensão no Chrome, e você receberá de volta um percentual das suas compras feitas pela Internet. Em um dos programas de cashback, por exemplo, alguns sites como Walmart e Americanas te devolvem até 5% do valor gasto em alguns dias, e há sites que dão até 30% ou mais! Este percentual varia e é bom considerar isso quando comparar preços. Nos aplicativos você verifica antes de comprar quanto cada loja está dando de volta nas compras. Para se cadastrar, clique nos links abaixo, dos principais programas:

https://www.meliuz.com.br/i/ref_13f0ba6b?ref_source=45

http://convite.beblue.com.br/6bdf571013c4452da0ee5406dea01bb0

A lição que fica é: pesquise, compare, use a tecnologia para buscar melhores preços e não deixe de pechinchar, afinal, cada real poupado é bem vindo!

sexta-feira, 5 de abril de 2019

Como solicitar isenção de IPI para deficiente por conta própria

O processo é simples e online, e a resposta chega rápido!
Antigamente para solicitar a isenção de impostos era preciso juntar, xerocar e autenticar vários documentos, ir a uma unidade da Receita Federal, esperar na fila, entrar com o processo e aguardar vários dias, e então ligar para lá toda semana para saber se estava pronto, e assim que finalmente era deferido, tinha que voltar lá para buscar. Aí começava a mesma luta para conseguir a isenção de ICMS...
Mas felizmente as coisas mudaram, o tempo passou e a informatização chegou para agilizar e facilitar a vida de quem precisa solicitar isenção de impostos para garantir o direito de ir e vir em um veículo zero quilômetro! O processo de solicitação de IPI hoje é feito todo online e demora apenas três dias úteis para receber uma resposta! Viva a tecnologia!! O site da Receita Federal com orientações e laudos é este aqui: http://idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/tributaria/isencoes/isencao-ipi-iof-pessoas-fisicas
Porém, o processo ainda é um pouco burocrático. Para facilitar a vida de quem precisa pedir esta isenção, fiz um vídeo explicando passo a passo como solicitar a isenção por conta própria. E neste texto, explico com mais detalhes quais são estes passos. 

Quem tem direito
A primeira dúvida que as pessoas tem é se tem direito à isenção. O ideal é consultar um médico especialista que tenha algum conhecimento sobre este tipo de isenção, como médicos que já estão acostumados a emitir o laudo. Para ajudar, veja neste link as patologias passíveis de obter isenção de impostos: 

Laudo Médico
O primeiro passo, e o maior complicador da isenção de IPI é conseguir o laudo médico correto, que deve ser feito seguindo o modelo do Anexo V da Receita Federal. O melhor lugar para solicitar este laudo é no Hospital Sarah Kubitchek (www.sarah.br). Lá eles já estão acostumados a fazer test tipo de laudo e emitem utilizando o modelo do Anexo V, e já assinam e carimbam corretamente. É só logar no site, ir na "Área do Paciente", entrar no menu "Solicitação de Documentos", escolher na guia "Laudos e Relatórios Médicos", e clicar em "Solicitar". Na página que abre, vá até o campo Dados da Solicitação e na guia "Selecione a finalidade desejada" escolher "Outras Finalidades". No campo abaixo, "Descreva as informações..." basta digitar "Laudo Médico para solicitação de isenção de IPI". E então é só aguardar, demora de 15 a 60 dias, dependendo da unidade em que foi solicitado.
Para quem não tem acesso ao Hospital Sarah, é possível solicitar em um Posto de Saúde ou Clínica Médica que tenha médicos que sejam credenciados também no SUS. Para fazer isto basta imprimir o Anexo V, que está no link abaixo:
http://receita.economia.gov.br/formularios/isencoes-e-suspensoes/deficientes/anexo-v-laudo-avaliacao-deficiencia-fisica-ou-visual-isencao-ipi-3-11-17-revisao-diren.pdf
Levar a um posto de saúde ou clínica, e pedir que os médicos preencham, são dois que assinam mais o responsável pela unidade de saúde. O ideal é que pelo menos um dos médicos seja especializado na patologia em questão, se a deficiência for uma lesão medular, que seja um neurologista ou neurocirurgião, se for amputação, que seja um ortopedista.

CNH
Com o laudo médico em mãos, será necessário alterar ou tirar a CNH. Este passo poderá ser feito antes do anterior, mas com o laudo da Receita em mãos, facilita até para a perícia do Detran. Basta se dirigir ao Detran de sua cidade e fazer a solicitação de alteração ou exame para tirar a CNH. O Detran marca uma perícia médica - na qual sugiro levar o laudo anterior - e então serão marcados os exames para habilitação. Mesmo sendo alteração, é preciso fazer novamente o exame de rua. Será necessário frequentar auto escola com carro adaptado, fazer o exame escrito para quem está tirando a primeira habilitação, ou o exame de rua para alteração. Após aprovado, será emitida a CNH com as observações no verso que são letras que identificam que adaptações o veículo precisará ter.

SISEN
O passo seguinte é acessar o sistema da Receita Federal que concentra estas solicitações, o SISEN, neste link: https://www.sisen.receita.fazenda.gov.br. Ao entrar no site, há no topo três opções, para inciar é preciso clicar na primeira, Requerimento. Você será direcionado para a tela de login, se não tiver cadastro, será preciso clicar em "Primeiro acesso?"
Após fazer o cadastro, receberá um código de acesso para entrar no sistema. Com ele em mãos, volte à página principal do SISEN e clique em Requerimento. Entre no sistema e abaixo da pergunta "Deseja fazer um novo Requerimento?" clique em "IPI". Se for deficiente não condutor, é necessário marcar a opção "Quero exercer o papel de representante legal...".
Em seguida, abra-se uma caixa de diálogo, e é só clicar em "Pessoa com deficiência" e aí inicia-se o processo. Aí é só seguir os passos do sistema, selecionando o tipo de deficiência, entra com os dados de endereço (basta digitar o CEP e ele busca o endereço) e contato e clica em "Próximo".
A tela seguinte é para preencher a lista de condutores autorizados, que só precisa preencher se o requerente for não condutor. Sendo condutor, deixe em branco. Depois, basta clicar nas opções de disponibilidade financeira e regularidade fiscal e clicar em "Próximo".
A tela seguinte contém os dados da deficiência, que estão relacionados no Laudo Médico do Anexo V. Basta ir clicando nas opções relacionadas às limitações da deficiência do requerente seguindo o que está no laudo. Importante aqui é entrar com os CIDs corretamente, basta digitar os números do CID sem ponto e clicar em "Incluir".
Logo abaixo, é necessário entrar com os CPFs dos médicos, e também com o CNPJ da unidade. É só digitar os números e dar "Enter" ou "Tab" no teclado que o sistema puxa os nomes. Depois tem que escolher qual o Tipo de Serviço Médico, ou seja da unidade de saúde na qual foi pego o laudo.
Para finalizar esta parte, entre com o CPF do responsável pela unidade de saúde e com a data em que o laudo foi emitido, e em seguida clique em "Próximo".
A tela seguinte é para anexar o Laudo Médico, emitido no padrão do Anexo V. O arquivo precisa ser  no formato PDF e não pode ser maior do que 2 MB (megabites). Basta clicar em Selecionar Arquivo e escolher ele no seu computador. Assim que acabar de anexar, aparece o nome do arquivo em verde. Aí é só clicar em "Próximo".
A última tela é para conferir os dados que foram registrados no requerimento, basta verificar tudo se está correto, selecionar no texto "Declaro estar ciente..." e clicar em "Confirmar".
Pronto, a solicitação de isenção foi realizada com sucesso. Guarde o número do protocolo e então é só aguardar. O resultado sai em 72 horas úteis, ou seja, 3 dias úteis. Você recebe um email dizendo que a isenção de IPI foi deferida, aí você entra novamente no SISEN, identifica que foi deferida e clica em uma seta no canto para baixar o arquivo. Aí é só levar na concessionária junto com a isenção de ICMS e comprar seu carro com isenção.
Veja o vídeo abaixo, onde expliquei tudo isso, e se tiver alguma dúvida volte a este texto. E boa sorte! 

- Grupo no Facebook com mais orientações (Carros PCD Brasil): https://www.facebook.com/groups/20397...

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Cuidados com os aros

Eles dão uma mãozinha na hora de tocar a cadeira
Os aros de impulsão das cadeiras de rodas não podem deixar de entrar na manutenção mensal ou até semanal, se o cadeirante for muito ativo. Afinal, eles são o principal local de contato que temos ao locomover a cadeira. Além de ser limpo diariamente, uma vez por semana é importante apertar as porcas que os ligam aos parafusos que ficam por dentro dos aros das rodas da cadeira. Aproveitando o ajuste, limpem bem as porcas, pois com o tempo podem enferrujar. Quem mora no litoral deve ter especial atenção a estas peças. Os aros em si não costumam enferrujar por serem feitos de alumínios em sua maioria. Mas se forem de ferro, a limpeza diária é fundamental. 
Outra coisa importante é verificar se há arranhões profundos ou entalhes que podem gerar pequenos "pontos" no alumínio. Estes pontos, se não forem identificados, podem cortar a mãos ou os dedos em uma freada ou até numa tocada. Já aconteceu comigo e já vi acontecer com amigos. Pode parecer bobagem, mas dependendo do tamanho do "desnível" do aro, machuca bem. 
Uma chave resolve pequenas lascas no aro
Para resolver este problema basta usar a parte lisa de uma chave e raspar no aro onde estiver danificado várias vezes até sumir. Como o metal da chave é mais forte que o alumínio, ela "come" a lasca até nivelar. Outra solução é pegar uma lixa fina comum e passar no local até nivelar. Mas será preciso passar muitas vezes até conseguir um bom resultado. Com a chave é mais rápido, porém mais "grosseiro". A lixa tem a vantagem de uniformizar a superfície e tirar outros arranhões menores. 
O que sugiro é usar a chave para tirar as lascas quando aparecerem, e uma vez por mês desmontar os aros e dar uma lixada geral neles. Assim eles ficam mais bonitos e uniformes. E ainda é um bom exercício!

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Acessórios de auxílio à mobilidade

Que tal uma cadeira movida a cavalo? (imagem da Internet)
Desde a invenção da cadeira de rodas tem gente pensando em formas de ajudar o usuário a tocá-la. Provavelmente o primeiro acessório para auxiliar um cadeirante foi um cavalo... e de lá para cá surgiram inúmeros acessórios para ajudar, seja na força para tocar, seja para passar pelos terrenos acidentados que toda cidade brasileira tem. Vou listar aqui alguns acessórios que conheço.

Uma roda de 12 polegadas que transforma a cadeira em um triciclo

1- Freewheel
É uma espécie de "roda livre" que levanta as rodinhas dianteiras e facilita passar por terreno acidentado, como brita, areia e pedras. Facilita bastante passar por grama, brita, pedras e até areia. Encaixa facilmente e é compacto, fácil transportar até por aeronave. As desvantagens são que não resolve se as rodas traseiras forem muito finas, irão agarrar do mesmo jeito, e não tem motor, depende da propulsão manual. É fabricado nos Estados Unidos, e no Brasil encontra-se para comprar na Mobility (www.mobilitybrasil.com.br) ao preço sugerido de 3.000,00 reais.

É como um Freewheel com motor, direção e freios

2- Firefly ou Kit Livre
Mesmo princípio do Frewheel, é uma "quinta roda" que encaixa na frente da cadeira de rodas, com a vantagem de ter um motor elétrico no centro da roda e uma bateria que impulsionam o conjunto. Tem guidom com acelerador e freio, e até marcha a ré como opcional. As desvantagens são o tamanho e peso, o sistema complexo de encaixe na cadeira, e o pior é que não sobe morro, já que a tração é dianteira e o peso está todo atrás. E tem o preço, que nas versões intermediárias já ultrapassa os cinco dígitos. O modelo de 1000 wats custa mais de 10 mil reais.

Pelo valor de um carro usado, você empurra a cadeira com um motorzinho elétrico

3- Smart Drive
É também uma roda extra com um motor elétrico interno, com a diferença que se posiciona atrás do eixo da cadeira de rodas, e o acionamento é automático. Basta começar a tocar a cadeira que o motor entra em ação e empurra a cadeira de rodas. Só experimentei na Reatech, me pareceu fraco, não sei se aguenta um morro. Mas é mais engenhoso e tecnológico que os anteriores, porém sofre do mesmo mal, preço abusivo. No site da Mobility está por "apenas" 22 mil reais. Mais caro que muito carro.

Um triciclo que pode andar nas ruas e entrar em estabelecimentos comerciais. Serve pra tudo!

4 - Triciclos e Scooters Elétricos
Este não é um acessório que acopla à cadeira, mas um item à parte, que o cadeirante precisa se transferir para utilizar. Mas é mais confortável que a cadeira, e há modelos como o da foto acima que é forte, tem 1000 wats, a tração é traseira, portanto sobe qualquer morro, e é curto, pode entrar em supermercado, farmácia, lotérica, e ainda tem os equipamentos para rodar nas ruas, como retrovisor, farol, seta, freios a disco e até marcha a ré. Para mim, é o melhor acessório à mobilidade que conheço, e o preço, apesar de alto, não é proibitivo, pouco mais de 10 mil reais. 
http://www.blogdocadeirante.com.br/2018/11/triciclo-eletrico-para-pessoas-com.html

Estes são os principais acessórios que auxiliam quem tem mobilidade reduzida e trazem mais independência no dia a dia. Esqueci de algum? Se você conhece outros, deixe nos comentários. Gostaria que houvesse algum mais barato? Eu também! Mas infelizmente é tudo caro para pessoas com deficiência. Já que é assim, vamos tocar a cadeira do jeito que dá!

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Triciclo elétrico para pessoas com mobilidade reduzida

Excelente alternativa para locomoção de pessoas com mobilidade reduzida
Se tem um veículo que mudou minha vida após a lesão medular, foi o triciclo elétrico. Ele aumentou minha autonomia e independência para sair de casa e ainda é muito divertido. Ele permite a uma pessoa com mobilidade reduzida sair de casa e percorrer pequenas e médias distâncias sem ajuda de ninguém, podendo utilizar a calçada ou as ruas. Como ele tem rodas grandes e todos os itens de segurança presentes em motos, como setas, farol, luz de freio e de ré, pode rodar nas ruas junto com os carros, subir pequenos degraus e descer ou subir morros íngremes. A outra vantagem inegável é a economia, ele recarrega em tomada comum e o quilômetro rodado custa em torno de um centavo!
Passeando em um parque com o triciclo
A maior vantagem sobre outros aparelhos e acessórios de auxílio à mobilidade é que ele sobe qualquer morro, por mais íngreme que seja. Ele tem motor de 1000 wats e vem com um seletor embaixo do acelerador com três opções de velocidade. Na velocidade 1, é possível subir morros íngremes ou acompanhar uma pessoa andando. Muito bom para passear com a esposa ou filhos em um parque ou pela calçada mesmo. Aliás, o fato de andar bem tanto na rua quanto na calçada é que faz dele uma alternativa excelente para o dia a dia. Na velocidade 2, ele vai um pouco mais rápido e dá para rodar por um parque ou calçadão. Na velocidade 3 ele atinge sua velocidade máxima de 35km/h em terreno plano e dá para rodar na rua.
Temos também modelo para duas pessoas!
O triciclo é curto, tem apenas 1,55m de comprimento por 65cm de largura e pode entrar em supermercados, padarias, farmácias, lotéricas, papelarias, e qualquer comércio que tenha um mínimo de acesso. Até em padaria com um degrau na porta eu já entrei, pois ele sobre pequenos degraus e meio fios. A autonomia é de até 60 km com uma carga, carrega em tomada comum em 110 ou 220 V e uma carga completa demora de seis a oito horas. Ele tem todos os equipamentos necessários para tráfego nas ruas e pode rodar por calçadas, grama, terra e areia. Aguenta até 140kg e tem modelos para uma e duas pessoas.
Fazendo compras no Supermercado,

- O modelo de 1000 wats para uma pessoa custa R$ 10.990,00 + frete.
- O modelo de 1000 wats para duas pessoa custa R$ 12.990,00 + frete.

Ele pode ser adquirido à vista com 3% de desconto, com entrada de 40% e o restante em até dez vezes no cartão de crédito, ou ainda é possível financiar o triciclo elétrico pelo Crédito Acessibilidade do Banco do Brasil, que divide o valor em até 60 vezes com juros muito baixos. As condições para conseguir o crédito são: ser correntista do Banco do Brasil, ter renda mensal de no máximo dez salários mínimos e ser deficiente. Também é possível que um  parente com conta no BB consiga o crédito para o deficiente.

Sou representante da fábrica para todo o Brasil. Para comprar o triciclo elétrico solicite o Pedido de Compra ou envie um e-mail para blog.cadeirante@gmail.com que eu retorno com o formulário para preenchimento da Nota Fiscal. Se preferir, mande um Whatsapp para (31) 98482-9474 e conversamos melhor.

sábado, 13 de outubro de 2018

Como guardar e tirar a cadeira do carro

Com um pouco de treino a gente aprende
A primeira técnica que aprendi e que me deu muita liberdade, muita independência, a ponto do meu dia a dia ficar quase igual a quando era antes do acidente, foi guardar e tirar a cadeira do carro sozinho. Antes disso, toda vez que eu precisava sair de casa, eu tinha que pedir a alguém para ir comigo. Nos primeiros meses eu estava sem trabalhar, me recuperando, mas para ir na fisioterapia, ao médico ou até ao Shopping, eu precisava de alguém para ir comigo, para desmontar a cadeira, guardar no porta malas, e depois montar a cadeira para eu sair do carro. Isso me deixava chateado porque muitas vezes não conseguia fazer o que eu queria, porque não tinha ninguém para ir comigo. 
Felizmente foi um período pequeno, de dois meses, até eu ser chamado ao Hospital Sarah, onde mostraram uma técnica em vídeo de uma pessoa guardando a cadeira no carro. Na época era mais comum a cadeira dobrável, pouca gente usava monobloco. E guardar uma cadeira dobrável por conta própria não é tão difícil, já que ela desmonta várias peças e dá para ir guardando aos poucos. Ainda assim é um pouco pesada, e é preciso força nos braços. Logo que sai de lá eu treinei um pouco e consegui repetir o processo. Aí após adquirir meu primeiro carro adaptado, me tornei muito independente, ia onde queria sozinho, sem maiores problemas. Ou melhor, desde que houvesse acessibilidade onde eu estava indo, mas isso é um problema externo, de estrutura da cidade, e não podemos resolver por nossa conta. Mas mesmo assim dá para contornar. Quando vou a algum lugar que não tem acessibilidade, ligo antes e peço para alguém me auxiliar assim que eu chegue ao local.
O apoio de braço ajuda bastante no processo
Ao comprar minha primeira cadeira monobloco, em 2009, surgiu um novo problema: como guardar aquela cadeira que não desmonta nem dobra? Recorri à Internet e encontrei um vídeo gringo mostrando a técnica. Treinei bastante até conseguir, ou melhor, até desenvolver minha própria técnica, que ficou um pouco diferente da que vi. E aos poucos fui aperfeiçoando a técnica. Aí fiz um vídeo mostrando como faço e publiquei. Depois disso, apareceram vários vídeos mostrando técnicas iguais ou similares à minha. Porém nenhuma delas tinha uma didática muito boa, as pessoas ia mostrando e guardando a cadeira, fazendo parecer fácil. Mas sei que não é fácil, cada pessoa tem um nível de dificuldade, seja devido ao pouco controle de tronco, seja devido à pouca força muscular. Portanto resolvi fazer outro vídeo, desta vez explicando cada passo da técnica que uso, desde o posicionamento, até a fixação da cadeira no banco do passageiro.
E depois mostrei como faço para tirar ela do carro. Esse movimento é mais tranquilo, pois para tirar não temos que fazer tanta força, basta passar por cima e deixar ela descer até o asfalto. E então montar as rodas. Após o vídeo, espero que tenha ficado mais fácil treinarem a forma de guardar e tirar a cadeira. Mas tenha em mente que cada pessoa vai ter suas particularidades, e portanto terá que adaptar o método à suas limitações. E, se necessário, irá utilizar ferramentas ou acessórios para ajudar a estabilizar ou puxar a cadeira para cima. Alguns acessórios que vejo utilizarem são tábua de transferência e alças de apoio. É possível instalar no carro alças do lado do motorista, daquelas popularmente chamadas de "pqp", o que ajuda tanto na transferência quanto ao guardar a cadeira. O desafio maior é tirar a cadeira do chão e levar até o colo do motorista. Uma vez que se consiga isso, é só acabar de guardar. Vejam abaixo o vídeo que produzi, espero que ajude muita gente!

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Cadeirantes são demais!

Quem disse que cadeirante é inválido? Que tem que ficar em casa? Que não pode fazer isso ou aquilo?
Se alguém te disser que você não consegue, que não dá conta, que está limitado ou "é melhor ficar mais quieto", mostre esta postagem para ele! Ou mande para aquele lugar...
Cadeirantes rules!!!!

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Pegador de objetos

Fim daquele tal de "pega aqui pra mim?"
Quem tem mobilidade reduzida encontra uma série de limitações em casa, e acaba dependendo sempre de alguém ou passando muita raiva. Desde transferir para algum lugar até alcançar um objeto, há muitas situações que podem ser resolvidas com alguns acessórios. Antes de virar cadeirante eu não tinha dificuldade para alcançar quase nada, afinal eu tinha 1,95 metro. Após o acidente, passei para um metro e meio... E de repente tudo ficou meio longe. Para complicar, sofro de dor crônica, e se esticar para pegar as coisas é bem desgastante. E as coisas na casa de um cadeirante vivem se distanciando da gente... Duvida?
Link para comprar o pegador de objetos:
https://produto.mercadolivre.com.br/MLB-890404487-pegador-de-objetos-distncia-dobravel-80-cm-_JM
O modelo dobrável é ainda mais compacto e funcional

Vou dar um exemplo: quem nunca chegou na cama, ou no sofá, transferiu da cadeira, puxou o corpo para trás, encostou, arrumou as pernas e percebeu que esqueceu de pegar o controle remoto na estante? Aí tem que jogar o corpo para frente, voltar para a cadeira, ir até o controle, e repetir o processo de se sentar. Que ódio. Ou então a gente precisa pegar alguma coisa que está numa prateleira mais alta, como um livro ou uma garrafa, ou mais comum, precisa pegar uma camisa no armário, e não alcança. Para a camisa, a gente vai puxando até sair do cabide, mas pode acabar relaxando a gola ou estragando a camisa. O que fazer, então? 
Simples e prático, fácil de guardar e de usar
Para estas situações descobri o pegador de objetos. Ele lembra aqueles brinquedos dos anos 80 que consistem de uma garra presa a uma barra e um sistema para controlar a barra. Alguns tinham formato de mão mesmo, era divertido apertar alguém de longe e esconder o brinquedo, a pessoa ficava procurando e não encontrava o autor do apertão. Mas o pegador não é para brincadeira (apesar de eu usar de vez em quando), é muito útil nas situações que citei. Uso diariamente, tenho um na sala e um no quarto.
Uma "mãozinha" extra na hora de pegar objetos
Além de pegar objetos que estão longe, dá para pegar também objetos que estão no alto. E isso traz muita independência para nós, já que não é necessário chamar ninguém para pegar o que você precisa. E isso se estende também para o armário. Esse pegador azul é melhor, mais resistente e tem duas borrachas na ponta que imitam o movimento de pinça que fazemos com nossa mão. Desta forma é possível pegar até camisas e calças que estiverem penduradas no armário. É o acessório mais útil que já encontrei desde que virei cadeirante. E como conseguir um?
Dá até para pegar cabides e roupas
Comigo! Eu compro de um fornecedor e vendo pelo Mercado Livre. Clique nos links abaixo para adquirir o seu:
https://produto.mercadolivre.com.br/MLB-890404487-pegador-de-objetos-distncia-dobravel-80-cm-_JM

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

A tábua da salvação

Essa tábua quebra um galho!
Quem é cadeirante sabe que um dos "calcanhares de Aquiles" do dia a dia são as transferências. A gente precisa fazer transferência a todo momento, desde a hora em que acorda até a hora em que deita. É da cama para a cadeira, da cadeira para o carro, da cadeira para o sofá, da cadeira para outra cadeira... Veja no vídeo abaixo como usar a tábua. Só que, quem tem lesão alta sofre para fazer estas transferências. A ferramenta mais simples e útil que temos para auxiliar nessas transferências é a tábua de transferência. Que, na verdade, nem precisa ser uma tábua, já vi tábua de transferência feita de plástico e de acrílico.
Mas onde conseguir esta bendita tábua? No Mercado Livre? Em loja de produtos ortopédicos? É, nesses dois lugares tem - para quem quer ver no Mercado Livre, clique neste link. Mas são muito caras. A mais barata no Mercado Livre custa oitenta e nove reiais! Mas que alternativa temos? Ganhei a minha no Sarah, e é onde a maioria das pessoas que tem esta tábua ganha. Só que nem todo mundo passa pelo Sarah, e aí vem me perguntar onde conseguir a tábua. A sugestão que dou é: faça sua própria tábua. Falo para procurarem a postagem sobre a tábua no blog, pegar a foto que tirei dela e mandar fazer em uma marcenaria. Só que eu estava pensando nisso outro dia, e acho que só com base no desenho é complicado fabricar esta tábua. E este é o propósito deste post. Fiz o desenho abaixo com as medidas da tábua, para quem quiser mandar fazer, levar ao marceneiro ou ao... plastiqueiro? Quem trabalha com plástico rígido, e pedir para fazer com base nas medidas. Se for de madeira, é feita de compensado e tem um centímetro e meio de espessura. Depois é só arredondar as bordas. Explicando um pouco o desenho, ela mede 72 cm de complimento por 29 cm de largura, e as medidas dentro da tábua, que pegam no início do buraco, é para orientar onde fazer o buraco. Tentei pegar bem nas bordas do buraco para facilitar, e o buraco tem dez centímetros por quatro de largura. Espero ajudar de verdade quem tem dificuldade com transferências!
Clique na imagem para ampliar e salve em seu computador

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