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| Para aprender a não ser má, vai virar cadeirante! |
O post de hoje trás à tona um tema controverso: o papel dos cadeirantes nas tramas das novelas. Quem levantou a bola foi a Suzi, leitora do blog que mora em Brasília, e se indignou com o "castigo" que a personagem Leila, vivida pela Fernanda Machado, recebeu na novela "Amor à Vida". A Leila é uma das piores vilãs da novela, tramou a morte de uma pessoa para ficar com a herança dela através do próprio namorado, fez mil armações para se dar bem, fora o destrato com a própria família, principalmente com a irmã, que é deficiente, autista. Depois de tanta sacanagem com um monte de gente, ela cai da escada ao ver um vestido e, para destruir com a vida dela, sofre uma lesão medular, perdendo os movimentos das pernas. Bem feito pra ela, né?
O que indigna é que sempre o vilão “merece” ser castigado ficando preso para o resto da vida em uma cadeira de rodas. Será que não se importam o que pensam as pessoas que sofreram uma lesão assim e fazem das tripas coração para viver uma vida digna? Será que é legal passar essa imagem de que uma limitação física ocorrida com uma pessoa normal é associada a alguma maldade passada? Nas palavras da Suzi, "Não acho justo que em todas as novelas o vilão fique em cadeira de rodas, é de
uma pobreza imaginária muito grande, um
autor de novela mostrar a situação de uma pessoa que se torna cadeirante como pagadora de
maldades anteriores... o que dizer então de uma criança que nasce com os
movimentos limitados?" Faz sentido, viu.
| Bem feito, né? |
Essa novela já está sendo alvo de protesto de muitos médicos, já que o hospital retratado na trama só não é mais podre do que o Congresso Nacional. Tem todo tipo de falcatrua ali, de erro médico a infidelidade com funcionários, até transa lá dentro já mostraram. E agora o autor vem com essa, tacar uma lesão medular na vilã para ela deixar de ser má. Nunca criam um papel de uma pessoa cadeirante que obteve êxito em seus projetos, que leva uma rotina normal, trabalha e corre atrás de seus sonhos. Até a novela que mostrou uma cadeirante se recuperando, a Aline Moraes em "Viver a Vida", ela só ficou cadeirante porque desobedeceu o pai e foi para o exterior para fazer frente à rival nas passarelas. Sempre tem uma coisa ruim por trás.
Fato é que este tipo de "publicidade" estigmatiza os cadeirantes e deficientes em geral como "pagadores de pecados", de uma forma ou de outra. Será que não está na hora de mudar essa cena?


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