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sábado, 21 de setembro de 2013

Cadeirante, coitada...

Para aprender a não ser má, vai virar cadeirante!
O post de hoje trás à tona um tema controverso: o papel dos cadeirantes nas tramas das novelas. Quem levantou a bola foi a Suzi, leitora do blog que mora em Brasília, e se indignou com o "castigo" que a personagem Leila, vivida pela Fernanda Machado, recebeu na novela "Amor à Vida". A Leila é uma das piores vilãs da novela, tramou a morte de uma pessoa para ficar com a herança dela através do próprio namorado, fez mil armações para se dar bem, fora o destrato com a própria família, principalmente com a irmã, que é deficiente, autista. Depois de tanta sacanagem com um monte de gente, ela cai da escada ao ver um vestido e, para destruir com a vida dela, sofre uma lesão medular, perdendo os movimentos das pernas. Bem feito pra ela, né?
O que indigna é que sempre o vilão “merece” ser castigado ficando preso para o resto da vida em uma cadeira de rodas. Será que não se importam o que pensam as pessoas que sofreram uma lesão assim e fazem das tripas coração para viver uma vida digna? Será que é legal passar essa imagem de que uma limitação física ocorrida com uma pessoa normal é associada a alguma maldade passada? Nas palavras da Suzi, "Não acho justo que em todas as novelas o vilão fique em cadeira de rodas, é de uma pobreza imaginária muito grande, um autor de novela mostrar a situação de uma pessoa que se torna cadeirante como pagadora de maldades anteriores... o que dizer então de uma criança que nasce com os movimentos limitados?" Faz sentido, viu.
Bem feito, né?
Essa novela já está sendo alvo de protesto de muitos médicos, já que o hospital retratado na trama só não é mais podre do que o Congresso Nacional. Tem todo tipo de falcatrua ali, de erro médico a infidelidade com funcionários, até transa lá dentro já mostraram. E agora o autor vem com essa, tacar uma lesão medular na vilã para ela deixar de ser má. Nunca criam um papel de uma pessoa cadeirante que obteve êxito em seus projetos, que leva uma rotina normal, trabalha e corre atrás de seus sonhos. Até a novela que mostrou uma cadeirante se recuperando, a Aline Moraes em "Viver a Vida", ela só ficou cadeirante porque desobedeceu o pai e foi para o exterior para fazer frente à rival nas passarelas. Sempre tem uma coisa ruim por trás.
Fato é que este tipo de "publicidade" estigmatiza os cadeirantes e deficientes em geral como "pagadores de pecados", de uma forma ou de outra. Será que não está na hora de mudar essa cena?

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Desrespeito em Show - 2

Decepção em BH
O relato abaixo me foi enviado pela Mariane Ster, cadeirante que mora aqui em BH e é minha colega de trabalho. É um caso pior ainda do que o relato anterior, me deixou indignado. Confiram.

"Está acontecendo em BH o evento "BH Music Station", que promove apresentações artísticas em estações do metrô. No sábado, dia 10, houve a apresentação de Mutantes e Moraes Moreira. Eu e mais três amigos resolvemos comparecer, entusiasmados com as apresentações destes artistas.
Antes de comprar os ingressos, entretanto, procurei saber junto à produtora Nó de Rosa se havia adaptações para receber cadeirantes. Foi garantido que o evento estava preparado para receber cadeirantes, havendo inclusive banheiros adaptados. Com este "sinal verde" da produtora, comprei meu ingresso. 
No sábado, no entanto, quando cheguei à Praça da Estação, qual não foi minha surpresa quando vi que o acesso para o evento era uma escada. E mais, que na estação Vilarinho, onde aconteceriam os shows, também havia escada e pior que a da Praça da Estação. Três seguranças muito solícitos se ofereceram para me carregar pela escada, mas não aceitei, tendo em vista que me foi garantida a acessibilidade ao evento. Bem, um dos amigos que estavam comigo, Francisco, desceu a escada e foi ter com o produtor do evento. 
Este produtor informou que o único acesso era realmente aquela escada e que não havia banheiros adaptados, mas numa tentativa de contornar a situação, pensou em oferecer-nos um carro da produção para nos levar à estação Vilarinho e lá eu entraria por trás do palco e usaria um banheiro que foi utilizado pelo Hebert Vianna quando ele fez uma apresentação naquele mesmo lugar. Logo em seguida, entretanto, ele ficou sabendo que o banheiro não estava disponível para o evento. 
Não critico a atitude do produtor naquele momento, mas fiquei indignada com a produtora ao saber que havia um local com elevador, mas que não estava em uso no dia deste evento. Resolvemos, nós quatro, não prestigiar. Devolvemos nossos ingressos, pegamos nosso dinheiro de volta e fomos para outro lugar. Vale ressaltar aqui que não houve qualquer problema nessa negociação com o produtor; no que diz respeito à devolução dos ingressos, fomos ressarcidos corretamente, até no valor dos táxis que utilizamos. Nisso, não há o que criticar. 
Mas como pode um evento realizado em um espaço público não garantir a todo e qualquer cidadão os seus direitos constitucionais de ir e vir, à cultura e ao lazer? Como uma produtora não pensa nesse aspecto ao organizar um evento deste porte e não sendo a primeira vez que ele ocorre? Sinto muito, mas houve uma falha gigante da Nó de Rosa Produções. Ou o funcionário que me atendeu e disse que o evento contava com adaptações era extremamente mal informado (o que já é bastante negativo para uma empresa) ou a empresa não sabe o que é adaptação. 
Não fui de graça, paguei pelo meu ingresso e nem como consumidora eu fui respeitada. 
Apesar de reconhecer que o produtor (desculpem-me, não sei o nome dele) propôs aquilo que era possível propor naquele momento, a sua proposta era de uma gambiarra. Se o evento é no metrô, por que eu iria de carro, sendo que nos vagões acontecem algumas intervenções artísticas? Se é pra ser assim, que os preços dos ingressos sejam diferenciados. 
Mas pior ainda é pagar para ir a um evento no metrô e descobrir que ele também não é nenhum exemplo de acessibilidade. O local que tem o elevador, conforme fui informada, era a uns 50 metros de onde eu estava (na boca da escada). É triste, mas parecem tempos de apartheid. Há entrada para os ditos normais e há entrada para "os outros". Sinto muito se a comparação é forte, mas incluir vai tão além de construir rampas e colocar elevadores e nem isso ainda conseguimos fazer plenamente! 
Este episódio mostra que estamos longe de atingir uma maturidade cidadã. Se ela já tivesse sido atingida, não seria sequer necessário falar a respeito de acessibilidade. O assunto já estaria no DNA de políticos, artistas, produtores de eventos, empresários, enfim, de todos. 
Peço a quem leu esta mensagem, que a compartilhe, pois minha vontade é de gritar bem alto e fazer com ela chegue ao maior número possível de olhos, ouvidos e cérebros, principalmente. Quando falo em acessibilidade, não estou pedindo favor. Só quero o cumprimento do que está previsto em lei."
Mariane Ster

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Desrespeito em show - 1

O relato abaixo me foi enviado pelo Cláudio Medina, de Santo André, São Paulo. É mais um exemplo de desrespeito com cadeirantes, que infelizmente ainda acontece muito no Brasil.


Espaço dedicado aos cadeirantes - muito baixo!
"Fui assistir ao show de duas bandas de rock, com minha namorada e um amigo nosso, sendo todos os três cadeirantes. Obviamente em eventos assim nós não podemos ficar no meio da galera, já que não conseguiríamos ver nada com as pessoas em pé e nós sentados na cadeira de rodas, por isso ficamos em locais elevados ou dependendo das condições, ficamos próximos do palco. Pois bem, infelizmente nada disto ocorreu neste dia.

Chegamos a Casa Espaço das Américas com mais ou menos uma hora e meia de antecedência, justamente para ver como era a área reservada para os deficientes. Com a casa vazia, a nossa visão era até boa, apesar de ser longe podia se ver o palco perfeitamente. Depois que a casa foi lotando complicou, as pessoas que estavam na Pista Premium ficaram em pé na nossa frente, já que o local onde estávamos tinha apenas uns 40 cm de elevação.
Vale ressaltar que daquele local, os deficientes que podiam ficar em pé conseguiam ter uma boa visão do palco, mas os cadeirantes como nós que ali estávamos viam quase nada. Chegamos a citar este exemplo com uns responsáveis lá antes do show, mas disseram que não poderíamos ficar em outro local porque não teríamos segurança. Argumentamos que nos sentíamos lesados e que se fosse assim processaríamos a Casa, porém nos responderam: ‘‘a Casa sede o espaço, não estamos descumprindo a Lei’’.

É bom deixar claro que a nossa intenção não era arrumar briga ou criar uma situação constrangedora, nada disso. Nós apenas tentamos levantar este simples argumento de que daquele ponto não conseguiríamos ver praticamente nada, mas insistiram em nos alegar que ali era o único local seguro pra gente. Além de falarmos com dois gerentes da Casa, conversamos também com alguns seguranças e bombeiros, com um representante da produtora Free Pass, e até com managers da própria banda Slash. Mas com nenhum destes obtivemos sucesso, ficou um jogando a culpa no outro e nessa quem saiu no prejuízo fomos nós cadeirantes, que ficamos com a nossa visão encoberta e tivemos de ver (ou tentar ver) o show daquele local mesmo.

Vista de quem estava no espaço - que vista?
Durante o show, uma das gerentes da Casa veio até nós e disse que poderíamos ficar próximos ao palco, e nos encaminhou ao local. Pois bem, nos deslocamos até lá com nossas cadeiras de rodas, mas chegando lá não fomos muito bem recebidos. O chefe dos seguranças de palco imediatamente veio e nos mandou sair dali, falando sem nenhuma educação. Essa atitude fez que nos sentíssemos desrespeitados, mas com o som alto do show em andamento, não pudemos debater muito e acabamos saindo dali. No fim do show, obviamente que procuramos este cidadão, mas ele rapidamente sumiu do mapa. Só espero que ele um dia aprenda a respeitar os deficientes.

Sobre a Casa, confesso que até entendo esta preocupação deles com a nossa integridade física, de termos um espaço separado do publico em geral, isso é muito válido sim. Mas poxa, o que adianta estar seguro e não conseguir ver o show? Se fosse assim eu ficaria na comodidade da minha casa e assistiria pela TV ou pela internet. Eu só queria poder ver de perto um artista que sou fã desde criança. Eu paguei pra estar ali, como qualquer outro expectador. Deficientes não tem desconto para eventos assim como muita gente pensa, nós pagamos o valor do ingresso normal (que aliás, é absurdamente caro), então temos direitos iguais. Não queremos privilégios, somente igualdade e respeito.

Enfim, este relato tem a função de demonstrar como é a situação dos deficientes em alguns locais públicos por aí, pra ver se as pessoas tomam consciência deste problema, que pra algumas pessoas, pode até parecer simples e sem gravidade. Se você acha isso, experimente um dia ir a algum show de um artista de seu agrado, comprar o ingresso, e lá na hora ficar sentado em uma cadeira, com várias pessoas em pé na sua frente. Só quem vivencia na pele sabe como essa situação é constrangedora e revoltante.

Esperamos que os responsáveis de casas de shows e eventos deem mais condições dignas aos deficientes para que possam estar no meio e se socializem como qualquer pessoa normal, e que as autoridades fiscalizem aos que descumprirem ou que desrespeitarem o nosso direito de ir e vir, de se divertir e se entreter, o direito de nos sentirmos cidadãos e de sermos felizes!

Aquele papo de que ‘‘a esperança é a última que morre’’ definitivamente não vale para nós deficientes. Nas nossas vidas passamos por inúmeras dificuldades e mesmo assim nunca deixamos de lutar e de sorrir, porque pra nós a felicidade é o que nos move e a esperança nunca morrerá!

Claudio Medina Junior
Santo André, 12 de novembro de 2012
Para ler o texto completo no facebook clique aqui.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Caso de polícia

Polícia na vaga de deficiente. Para quem denuncio?
Quando eu vejo algum cidadão desprovido de noção parando o carro em uma vaga de deficiente, fico indignado. Se o cara fica dentro do carro e sai quando quem precisa da vaga pede, menos mal, mas se o cara estaciona e sai do carro, e depois de meia hora volta com a desculpa que era "só um minutinho", dá vontade de amarrar as pernas do infeliz e pedir para ele se virar em uma cadeira de rodas. O que essas pessoas não entendem é que a vaga tem que ficar vazia, pois se um deficiente precisar, é muito complicado e às vezes inviável a alternativa de buscar outra vaga mais distante e em local de difícil acesso.
Belo exemplo, né?
E quando uma autoridade usa uma vaga de deficiente? E se for policial? Não foi uma nem duas vezes que flagrei a cena acima, um carro da polícia parado em uma vaga para deficiente. O veículo acima foi flagrado ontem (18/07) na Rua Bernardo Guimarães, 1468, em frente à unidade do Detran/MG que atende justamente... deficientes. É lá que os deficientes fazem exames médicos para tirar carteira, entram com pedido de isenção de impostos e outros serviços. Por isso que há vagas para deficientes lá na frente. Para serem usadas por deficientes.
Outro dia passei por uma situação semelhante. Precisei ir ao centro da cidade, na Praça Sete, e não estava conseguindo encontrar vaga. Como é muito difícil conseguir vagas por lá, há vagas para deficiente na Avenida Afonso Pena, e fui atrás delas. Imaginem a surpresa ao perceber que todas as vagas foram ocupadas pela Polícia Civil? E como se não bastasse, colocaram um cavalete para acabar de ocupar as vagas. Tive que parar o carro longe e ir rodando até a Praça Sete. E depois voltei rodando. O resultado foram muitas dores no corpo o resto da semana.
Até no Shopping eles abusam
Outro flagra feito por um leitor do blog foi este acima. Uma viatura da Polícia Militar parado em uma vaga para deficiente no BH Shopping. A foto foi tirada no dia 16/06. O que esses caras pensam? Que como "autoridade" eles fazem o que querem? Param onde bem entendem? Se fosse um caso de emergência ou situação de perigo, tudo bem. Mas eles param em qualquer situação. Como fazemos nesse caso? Reclamar com a BH Trans? Pois me cansei desses abusos e fiz uma denúncia na Ouvidoria Geral do Estado. Vamos ver se dá algum resultado. Que mais podemos fazer?

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Hotel pseudo-adaptado

Eu já disse aqui algumas vezes que uma das coisas que mais muda na vida da gente quando viramos cadeirante é o planejamento. Devemos sempre pensar em acesso e adaptações para cadeiras de rodas em todos os lugares que vamos ou frequentamos. Mas nem sempre só o planejamento resolve.
Infelizmente há lugares e pessoas que tentam passar uma imagem de acessíveis e adaptados, ou mesmo tentam ganhar clientes na base do "enrolation". Passam informações erradas e tentam nos empurrar lugares que não resolvem em nada nossas necessidades, acreditando que no fim das contas não vai haver problema se faltar "uma coisinha ou outra". Mas esse tempo acabou (ou, pelo menos, está acabando). Ninguém mais aceita gato por lebre, e o "jeitinho" brasileiro está cada vez mais fora de moda.
E uma forma muito eficiente nos dias de hoje de denunciar estes absurdos são as mídias sociais, como este blog, que procura servir como um canal de exposição das más práticas e problemas de acessibilidade encontrados por nós cadeirantes. A história abaixo foi enviada pelo Eduardo Martins, de Sorocaba. Ele me pediu umas dicas para sua primeira viagem como cadeirante, que ele faria em janeiro para Salvador, e passei o que sabia sobre o avião, e sobre as necessidades que deveria exigir no hotel. Ele agradeceu, e reservou um quarto "adaptado" em um hotel na cidade, o B Hotel, que garantiu que tinha a estrutura necessária. Abaixo o relato do Eduardo:
"Na entrada do hotel havia uma rampa com um grau de inclinação que não tem como subir sozinho, além de ser feito de piso comum e escorregadio, se chover há o risco de descer mesmo travando as rodas. Além disso, a rampa termina a 40 cm da guia, ou seja, o cadeirante vai parar no meio da rua. Ao chegar na recepção pedi as chaves da suite adaptada, que me foi prontamente entregue. Ao entrar tentei ligar para a recepção para saber se estava no quarto correto, mas o telefone não funcionava e tive que voltar até a portaria. Fui informado que sim, pois era o único que eles tinham adaptado. Mas a única adaptação realizada foi a mudança das portas para poder passar a cadeira e mais nada. A cama era composta por duas camas box de solteiro, que juntas formavam uma de casal, só que as duas tinham rodinhas e com o movimento separavam uma da outra, correndo o risco de você cair no vão entre as duas.
No banheiro havia um box de vidro com uma porta que mal passava uma pessoa em pé, e não havia ducha manual também. O vaso ficava entre o box e uma pia de pedra, sem espaço para nada, e não havia nenhum local ou barras para poder se apoiar para transferência, tinha que contar com ajuda da minha mulher todas as vezes que precisava fazer uso e mesmo assim machucando as costas quase todas as vezes. 
Tive que tomar banho frio sentado no vaso com a ducha íntima, me lavando da forma que desse e jogando água pra todo lado, aumentando ainda mais o risco para voltar para cedeira depois. Já na empresa aérea Azul fui muito bem atendido, com todos os cuidados necessários."

É gente, infelizmente ainda temos que passar por situações como estas, com total desrespeito ao cadeirante. Ou melhor, desrespeito até mesmo com o ser humano, não é preciso ser expert em acessibilidade para saber que o local é totalmente inadequado para um cadeirante. Fica a dica, se foram para Salvador, fiquem longe do B Hotel, é melhor pagar mais caro e procurar um hotel tipo "A".

sábado, 21 de janeiro de 2012

Verde mar não está para peixe

Quando vamos a um lugar "chique", onde as coisas são de primeira, e geralmente mais caras, imaginamos que investiram para atender os clientes com toda a estrutura necessária, e se preocuparam com a acessibilidade para todos. Mas não é o que acontece na prática.
O símbolo está ali, mas cade a acessibilidade?
Ontem estive no Verde Mar, um supermercado de alto padrão localizado na avenida Nossa Senhora do Carmo, 1900, no bairro Sion aqui em BH. Geralmente a Gi desce e eu espero no carro, mas desta vez resolvi acompanhá-la. Só que de cara já encontrei um obstáculo. Havia um "trem" de carrinhos logo no corredor de entrada, como podem ver na foto acima. E a entrada é no final do corredor. Tive que contornar algumas pessoas e o segurança arredou alguns carrinhos para eu conseguir entrar.
Lá dentro até que o espaço é suficiente para rodar, mas alguns lugares são apertados, como na seção de queijos (que eu adoro). Mas não é nada que incomode, dá para passar. Fizemos nossas compras, e na hora de sair, fui direto no caixa preferencial (mesmo porque eu estava sendo usado como carrinho de supermercado e carregando as compras numa cestinha no colo).
Se isso é preferencial, prefiro nem ir lá
Mas na hora de passar pelo caixa... quase não cabe a cadeira! Tive que ser empurrado para conseguir sair, arrastando os arros das rodas. E olha que minha cadeira é compacta, imagino uma mais larga um pouquinho. Estaria lá até agora... É um absurdo um caixa preferencial que não cabe uma cadeira né? Pior que o danado do supermercado nem tem site para mandar um e-mail reclamando. Vou ter que voltar lá só para reclamar pessoalmente. 

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Polícia deficiente

E agora, quem poderá nos defender?
Infelizmente não é um caso de contratação de deficiente por parte da Polícia, mas sim uma deficiência que ocorre com muitos policiais pelo Brasil afora: eles se acham no direito de transgredir as leis e abusam da autoridade. O caso em questão vem do Rio de Janeiro, e me foi enviado pelo Bruno Cardoso, que flagrou o desrespeito de policiais civis que estacionaram em uma vaga de deficientes no Bangu Shopping.
O pior é que o estacionamento do shopping estava vazio, e mesmo assim tiveram a cara de pau de estacionar em uma vaga de deficientes. Até quando vamos ter que engolir atitudes como esta de pessoas que supostamente deveriam zelar pela lei e pela ordem? Cadê a moral dessas pessoas?

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Prefeitura e Fórum sem acesso na Bahia

Prefeitura Municipal de Conceição da Feira
Sempre que me deparo com falta de acessibilidade, reclamo, publico e cobro mudanças. Mas o que me revolta mesmo é ver que ainda há prédios públicos sem acesso. Como o próprio nome diz, o lugar é público, portanto deve atender a todo tipo de público, certo? Infelizmente, nem sempre.
O relato que me chega vem do Antônio Venas, que mora em Conceição da Feira, cidade de 21 mil habitantes que fica a 100 km de Salvador. Antônio me conta que lá, nem o Fórum, nem a Prefeitura tem acesso para deficientes. Tudo bem que é uma cidade pequena, mas tem muita gente que precisa de acesso para estes lugares, não só cadeirantes como o Antônio, mas também idosos e pessoas com mobilidade reduzida.
Entrada do Fórum da cidade - fácil fazer uma rampa aí
O Antônio ainda lembrou que, pela lei, devemos procurar o Ministério Público para denunciar falta de acessibilidade, só que naquela cidade ele fica no mesmo prédio do Fórum "Desembargadora Guardina do Arte", este da foto acima. Sempre que precisa de algum documento ou coisa assim, ele precisa ficar no carro esperando a boa vontade de algum funcionário que tenha acabado o atendimento de outras pessoas para finalmente antedê-lo. É uma situação constrangedora e cansativa para quem já passa tantas dificuldades.
Portanto, fica aí o apelo do Antônio e de todos os moradores de Conceição da Feira para que o poder público local tome atitudes em relação à acessibilidade da cidade, não só em prédios públicos, mas em outros lugares também.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Decepção no Banco do Brasil

Gente, tenho uma opinião sobre determinadas empresas, como a CEF e Banco do Brasil: devido sua abrangência e público de interesse, deveriam ser totalmente acessíveis. Deveriam. Já publiquei aqui que a CEF não exige que as casas lotéricas tenham acesso, e na sexta passada passei por uma situação com o Banco do Brasil que me deixou profundamente revoltado.
Apesar de realizar 95% das atividades bancárias pela internet, na sexta feira eu precisei pagar um boleto de valor acima do limite da internet, e teria de ir pessoalmente na agência, não podia ser nem em caixas eletrônicos. Aproveitei a deixa para conhecer a agência do Banco do Brasil mais próxima da minha casa, que fica na Av. Contorno, 5722. Não é a agência que tenho conta, pois quando transferi minha conta para BH (era em Coimbra/MG) eu morava no Gutierrez, e escolhi a agência do Santo Agostinho, na Raja Gabaglia. Detalhe: sou correntista do BB desde 1998.
Uma agência com degrau, em que não posso nem usar o caixa eletrônico
Como era muito perto (uns 150 metros), resolvi ir rodando. Sai de casa por volta das 14:00hs debaixo de um sol de rachar. Atravessei algumas ruas e me deparei com a fachada da agência. Pra começar, um belo de um degrau. Mas como era só um, pedi a uma pessoa que passava para subir comigo. Subi, e lá dentro veio me atender um funcionário do banco. De cara ele já disse que lá não atendem cadeirantes, pois há uma placa na porta avisando que o atendimento a deficientes é na Rua Paraíba, 1279. Eu já conhecia esta agência, já estive lá uma vez e lembrava que tem uma grande rampa na porta, como podem ver na foto abaixo.
Pois bem, lá fui eu rodar mais 700 metros para chegar na outra agência. Com muito esforço e ajuda de alguns pedestres, já que estou recém operado e não podia fazer muita força, fui lentamente até esta agência. Chegando lá, subi a rampa, muito bem feita, e entrei na agência. Mais uma decepção. Lá dentro me disseram que não há atendimento em caixa físico, só atendimento eletrônico e outros serviços. Fiquei decepcionado, pois fui encaminhado por um funcionário da outra agência.
Uma agência enorme dessas e sem atendimento
Me informaram, então, que eu deveria ir até a próxima agência, na rua Sergipe, pois lá era acessível e havia caixa físico. Era só descer a rua Tomé de Souza, atravessa a Av. Cristóvão Colombo e subir um pouco a rua Sergipe. Felizmente, como era só descida, resolvi encarar mais 500 metros rodando. Só que nem tudo é acessível no caminho. Me deparei com várias esquinas sem rebaixamento, buracos, desníveis, e o pior: a "subidinha" da rua Sergipe era bem pesada, vejam na foto abaixo. A agência está escondidinha no canto esquerdo.
Já no meio da subida da rua Sergipe
Depois de um imenso esforço para subir, finalmente fui atendido na agência. Para voltar, só de táxi mesmo, pois pelas subidas que enfrentaria demoraria uns três dias pra chegar em casa. Me deparei com mais um problema: na frente da agência tem um estacionamento de motos, para que um táxi se aproximasse e permitisse meu embarque, só se descesse a rua toda. Foi o que fiz, e finalmente consegui pegar um táxi para ir pra casa. Ah, e vaga para deficiente próxima, não vi nenhuma.
Se tivesse ido de carro, onde estacionaria??
O que me revolta, nessa história toda, é fazer o cliente de bobo, mandando de um lado para o outro, e mesmo assim não oferecer estrutura adequada. E o pior, a agência do Banco do Brasil "acessível" mais próxima da minha casa fica a 1300 metros. Haja braço.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Absurdo no Taguatinga Shopping

Mais um abuso cometido por shopping. Desta vez o relato vem do Distrito Federal, do José Oscar, que é cadeirante e advogado em Brasília.
Como se não bastasse ser comum encontrarmos carros de pessoas que não são deficientes, muitas vezes com a conivência dos funcionários do shopping, o José Oscar se deparou com um desrespeito ainda maior. Ele é frequentador do Taguatinga Shopping, e sempre que encontra vagas reservadas sendo mal ocupadas ele reclama, mas desta vez ficou sem argumentos. Ele encontrou na vaga reservada para deficientes um carro promocional do próprio shopping.
Se a própria administração do shopping deixa isto acontecer, como algum cliente pode esperar ou mesmo exigir respeito? É triste perceber o descaso com os deficientes físicos, parece que encaram estas vagas como alternativa para outros usos, como acontece em alguns banheiros. Eu já vi várias vezes banheiros para deficientes sendo usados como depósito de material de limpeza, ou mesmo de materiais inservíveis, como pias, móveis, e outros "lixos".
Mais uma vez, repito: se não reclamarmos, botarmos a boca no trombone, a coisa continua como está, ou piora. Um dia, espero, seremos ouvidos.

UPDATE: Resposta do Taguatinga Shopping:

Caros Sam e José Oscar,
Soubemos do ocorrido na vaga para cadeirantes do Taguatinga Shopping e lamentamos profundamente o fato em questão. Estaremos mais atentos junto à nossa equipe e às empresas que locam espaços comerciais em nosso shopping, como foi o caso. Esperamos que esse ato isolado não impeça o Sr. José Oscar de fazer novas visitas ao Taguatinga Shopping. Estamos sempre abertos a sugestões e críticas.
Atenciosamente,
Renata Monnerat
Gerente de marketing do Taguatinga Shopping

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Vagas alteradas no Santander

A vaga absurda que haviam feito na agência do Santander...
Gente, quando uma coisa dessas acontece, vejo que vale a pena lutar por nossos direitos. Há alguns meses, precisamente em fevereiro, meu amigo Alfredo Miranda (que tem um Scooter que avaliei),  me mandou um e-mail denunciando uma vaga para deficientes absurda feita numa agência do Santander no bairro Gutierrez (na foto acima). Publiquei aqui no blog e mandei um e-mail para o Santander reclamando, mas não recebi resposta. 
Felizmente, ontem o Alfredo me mandou outro e-mail contando que viu obras na agência e eles refizeram a vaga! Desta vez, seguiram os padrões de acesso ditados na NBR 9050 (além de regras de bom senso, né?) que tornam possível um cadeirante sair do carro sem cair em cima do jardim ou se espremer na parede. Vejam só como ficou bom!
... e as vagas novas na agência. Fizeram até uma para Idosos!
Agora sim! Tô até pensando em abrir conta lá...
Parabéns (e obrigado) ao Alfredo pela denúncia eficiente e ao Santander por atender às nossas reivindicações, e à norma, claro. A propósito, na época o Alfredo tinha me informado até as normas legais que obrigam os bancos a ter vagas especiais, mas não publiquei por um deslize: é o Decreto n° 5.296, de 02 de dezembro de 2004, que regulamenta a Lei n° 10.098/00, para, no art. 25, determinar a reserva de 2 % (dois por cento) do total de vagas regulamentadas de estacionamento para veículos que transportem pessoas portadoras de deficiência física ou visual, desde que devidamente identificados.
É o mínimo, né gente?

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Universidades sem acesso

Novinho, lindão, e quase todo acessível
Universidades Federais são, por definição, locais onde todos (da Federação) podem ter a oportunidade de ampliar seus conhecimentos, correto? Sendo assim, devem ser obrigatoriamente acessíveis a todos, de forma que a acessibilidade seja uma requisito mínimo em todas suas dependências, não é mesmo? A prática mostra que não.
Hoje fui defender meu projeto de dissertação e, por incrível que pareça, mesmo todos no departamento já me conhecendo há muitos anos, marcaram para mim um auditório sem acesso. E olha que o prédio, esse bonitão aí de cima, é novinho, tem menos de três anos. Já fiz um post sobre ele aqui, elogiando, mas dessa vez venho para criticar. É em uma parte que eu não conhecia, onde há três ou quatro auditórios, tem elevador para a parte de cima e tudo, mas no auditório 2, em que apresentei, não havia acesso, só tinha uma entrada por trás do auditório, cujas cadeiras são em níveis. Aí o jeito foi apelar para meu professor, que teve que me levar pelos cinco lances de escada até chegar ao computador e colocar minha apresentação.
A capa do meu projeto. Lindo, não?
Não tirei foto porque estava preocupado com a apresentação, mas deu tudo certo e fui aprovado, com poucos comentários da banca.

Denúncia do Marcelino, foi até pro jornal
Coincidentemente, pouco antes eu havia visto pelo celular um e-mail com a história do Marcelino, major da Polícia Militar de Pernambuco que ficou paraplégico devido a um acidente de carro em serviço, que recebeu uma homenagem na Universidade Federal de Pernambuco e teve que ser carregado para subir no palco, pois não tinha acesso. Uma situação constrangedora, que poderia ser evitada se tivessem pensado nisso antes.  Podem dizer que foi falta de tato de quem planejou os dois eventos, mas o fato é que uma Universidade deve ter acesso para tudo, né? Que vergonha, heim Governo Federal?

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Ônibus acessível??

Cadê o elevador?
Uma coisa sempre me deixou injuriado: porque é que existem tantos ônibus de viagem com o símbolo da acessibilidade? De onde é que eles tiram que esses ônibus são acessíveis? Felizmente não uso muito, mas nas poucas vezes que precisei usar esse tipo de ônibus, geralmente voltando do aeroporto de Confins, foi uma luta danada. Tive que ser carregado para dentro do ônibus por pelo menos duas pessoas, que fazem uma força colossal para me puxar escada acima, primeiro pelo peso, segundo pelo espaço extremamente pequeno que estes ônibus tem até chegar nas poltronas. 
Ah, que bom que tem lugar pra mim! Mas pra chegar nele....
E o pior é a virada, a porta é minúscula, imagina o cara ter que passar com os braços meio abertos e segurando outro? Aí tem vem o outro cara segurando as pernas, e como as minhas tem mais de um metro, fazer a curva segurando e subir as escadinhas é um desafio. Já quase caí várias vezes, numa delas o cara sentou no painel para descansar, de tanto que foi a luta. Outra vez o cara agarrou para fazer a curva e passar pela portinha e até conseguir passar eu já senti meus braços escorrendo pelas mãos suadas do cara (eca!).
Mais um?
Na verdade nunca vi um ônibus de viagem acessível. Alguns me dizem que aquele de dois andares tem acesso, mas nunca comprovei. Tudo bem que muitas vezes o símbolo é colocado para deixar as primeiras poltronas para quem tem dificuldade de locomoção ou outra deficiência, como no ônibus acima, mas isso é básico, né gente? Precisa colocar tanto sinal por aí??

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Desrespeito nas ruas e calçadas

Desrespeito não só com cadeirantes, mas também com pedestres
Sabe aquele ditado, quanto mais eu rezo, mais assombração me aparece? Tem hora que me sinto assim, tanto brigo pelos nossos direitos e denuncio abusos e cada dia descubro um absurdo maior que o outro. Hoje fui almoçar perto do trabalho, e para minha surpresa, tinha uma caçamba enorme no meio do caminho. Já encontro dificuldade para vencer o morro, que tem dois níveis, e eles colocam a caçamba bem em cima da parte menos íngreme. E quando estava passando, travei o caminho, pois não cabia mais ninguém. Deu até fila esperando o coitado do cadeirante passar. E essa situação não atrapalha só cadeirantes, em um lugar movimentado desses aumenta muito a chance de alguém levar um trombada. Quase presenciei isso na volta, o cara vinha de trás da caçamba e o outro subindo não viu, quase que um joga o outro no chão. Mas ninguém fala nada, não procura saber quem foi o sem noção que mandou colocar aquilo ali e nem denuncia na prefeitura. Mas vai ser a primeira coisa que vou fazer amanhã...  Triste é ver um lugar desses, amplo e com piso tátil, sendo estragado por uma coisa horrenda dessas.
Outro flagrante de desrespeito com deficientes me foi enviado pela Anamaria, que precisou estacionar seu carro, devidamente credenciado pela BH Trans, na rua Curitiba, região nobre de BH, e olha quem estava ocupando a vaga de deficiente: a polícia civil! Um absurdo e enorme desrepeito, não só com ela, mas com a população, que vê uma cena destas de um órgão que deveria, em primeiro lugar, dar o exemplo. Triste.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Rampa de português

É só subir um degrau para chegar na rampa...
Gente, já não uso tanto este espaço para denunciar falta de acesso, senão teria que fazer um blog só pra isso, mas dessa vez não resisti. O flagra foi feito na rua Fernandes Tourinho, 604, no Koni Store, uma casa de comida japonesa que tem uma rampa inacreditável. Ela tem até boa inclinação, tem antiderrapante para não escorregar, mas acaba em um degrau!! Como assim?
Incrédulo naquela situação, fiz questão de perguntar para os funcionários se não havia uma rampa móvel para encaixar na frente daquela ali para permitir o acesso ao lugar, mas eles disseram que não, mas se precisasse chamavam alguém lá dentro para me ajudar a subir no degrau. Aí eu poderia chegar até a rampa! Poxa gente, não acho ruim alguém me ajudar a subir um degrau ou dois quando necessário, e sei que bato muito nessa tecla, mas bastava uma rampa móvel para resolver o problema né? Pelo jeito as pessoas não pensam mesmo nos cadeirantes. Mas pelo menos para quem consegue subir um degrau eles adaptam! Fala sério... Será que custava tanto esticar um pouco a rampinha??
Quando for comer japonesa, vou em outro lugar...
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quarta-feira, 20 de abril de 2011

Campanha educativa

Muito interessante e inteligente esta campanha desenvolvida pela agência The Getz, de Curitiba, que tem o objetivo de mostrar o quanto é importante o respeito às vagas reservadas para deficiente. Um tapa de luva em quem acha que é só parar na vaga que não está sendo usada, mesmo rapidinho, que não vai atrapalhar ninguém. Extremamente coerente depois da história da Anamaria, e foi ela mesma que me mostrou. E a Ivonete, de São Paulo, também deu a dica.
Quantas vezes eu já precisei parar e tinha um infeliz na vaga de deficiente, precisei parar longe e fiz um grande esforço tocando a cadeira pelas perigosas ruas da cidade. Sem contar as vezes em que, mesmo eu pedindo e mostrando a credencial da BHTrans, a pessoa se fez de desentendida e não se moveu um centímetro para liberar a vaga. É o cúmulo, não é?

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Denúncia de vaga de deficiente

O relato abaixo foi enviado pela Anamaria, terapeuta daqui de BH que passou por uma situação absurda envolvendo vaga para deficiente. Incrível a cara de pau de algumas pessoas, revoltante.
"Ola pessoal!!!

Gostaria de compartilhar com vcs um acontecido comigo, em frente ao pronto Socorro do Hospital Vera Cruz. Tenho o meu carro credenciado há mais de dez anos pela Bhtrans. Eu tenho prótese nos dois quadris e isso faz com que eu tenha dificuldade de deambular e muita dor. Há dois meses atrás, minha avó estava em observação no Vera Cruz e eu fui visitá-la, então tentei estacionar meu carro na rua Paracatu, em frente ao pronto atendimento onde ela estava. Chegando lá, havia estacionado na vaga de deficiente um carro sem credencial e sete motos, isso mesmo, sete motos. Na hora consegui estacionar em outro lugar e voltar andando, o que para mim é possível, mas com dor. Resolvi ligar para Bhtrans e em pouco tempo eles chegaram, porém não podiam multar ninguém e o reboque não foi junto. O pior não é isso, quando os guardas chegaram eu me identifiquei e disse que era um absurdo o que estava havendo ali.
Sabe o que aconteceu? O porteiro do hospital ligou para os donos das sete motos e do carro e todos foram lá e retiraram seus veículos. Questionaram, acharam um absurdo alguém denunciar eles, e olha que são profissionais da saúde, que absurdo. Cheguei a ser ameaçada por dois deles, dizendo que se eu caísse lá dentro do hospital na mão deles eu ia ver. Bom, no dia seguinte liguei para o hospital e fiz a minha queixa, e uma mulher que presenciou tudo também ligou queixando da conduta dos funcionários. Sendo assim, eu lhes pergunto, onde vamos parar com tamanha falta de educação, e principalmente quando essa vem por parte de pessoas que deveriam ser as primeiras a cumprirem o dever? Gostaria ainda de dizer que eu sou profissional da saúde e cada dia que passa me envergonho mais dessa classe, que dentro dos consultórios dizem uma coisa e do lado de fora agem de outra. Hipocrisia? Com certeza sim, além de muita falta de educação. Bem final da historia, os funcionários não foram punidos. E se passarmos por lá hoje com toda certeza as motos estarão estacionadas na vaga.
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Anamaria A. Costa
Terapeuta Ocupacional
Crefito-4:1558LTTO

quarta-feira, 2 de março de 2011

Pagando língua

Fui elogiar a Cemig no post que falei sobre a falta de energia e paguei língua... Segunda feira saí do trabalho debaixo de um temporal, daqueles com ventania de jogar motoboy pro alto. Tanto que tinha motoboy encostando a motoca pra não ser levado pelo vento ou pela enxurrada. Mas como eu estava de carro, enfrentei as ruas. E ainda assim passei um arrego, passei por uma rua alagada e meu carro avisou que não é barco, deu uma rabeada mas consegui sair da lagoa.
Peguei a Gi, que ficou toda molhada só até chegar ao carro e viemos pra casa. Quando chegamos... a rua completamente escura. Só nossa rua. E como o prédio estava sem energia, eu não tinha como subir. Esperamos uns 40 minutos e ligamos pra Cemig pra reclamar. Disseram que o prazo para resolver falta de luz na área urbana era de quatro horas, então resolvemos ir para o shopping lanchar e ir ao banheiro. Assim fizemos, rodamos, fizemos uma hora e voltamos pra casa lá pelas 10 da noite. E nada da luz voltar.
Sobre aquele programa de assistência a deficiente que citei aqui, eu mesmo ainda não me cadastrei, é mole? Casa de ferreiro, espeto de pau... Mas mesmo assim liguei reclamando de novo e dizendo que eu só conseguiria subir com energia, pois moro no 3º andar mas são dez lances de escada. E a resposta foi a mesma da primeira vez: nada poderia ser feito e teríamos que esperar. Deu meia noite e nada. Pensei em ir para um hotel, mas ainda fiquei na esperança de voltar logo, afinal já eram quase cinco horas sem luz, algo muito raro. Resolvi então entrar na garagem e esperar mais um pouco, o porteiro abriu o portão no manual e desci. Só que deu uma hora da manhã e nada. Ainda voltamos a pensar em ir pra um hotel, mas até fazer uma malinha, chegar lá, descer, e nos arrumarmos para dormir, não ia compensar, pois iríamos acordar cedo para trabalhar. Resolvemos então dormir no carro até voltar a eneergia, o que aconteceui às 4:30 da manhã. Aí então subimos e dormimos mais um pouco. Só que o resultado é que até hoje estou todo quebrado, com mais dores no corpo do que o normal. Agora crio vergonha e faço o tal do cadastro, esperando nunca precisar usá-lo.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Vaga absurda

Através de denúncia do Alfredo Miranda, descobri um absurdo cometido pelo Banco Santander, que recentemente inaugurou uma agência na Av.Francisco Sá, 1228 - Gutierrez, aqui em BH. A agência em questão fez uma vaga pra deficente na porta só pra inglês ver... totalmente inadequada. Parece que fazem só pra cumprir a lei mesmo, não pensam no deficiente, nas suas necessidades nem mesmo se é que alguém vai usar mesmo.
Em primeiro lugar, tem um jardim ao lado da vaga, se uma pessoa que dirige, como eu, parar ali, não tem espaço pra sair do carro. Ou sai no meio do jardim e fica agarrado na terra. Do outro lado, tem a parede da agência, tem um pequeno espaço na lateral mas duvido que seja suficiente para abrir completamente a porta e possibilitar chegar uma cadeira de rodas ali ao lado.
Mas o incrível mesmo é que a entrada da vaga é perpendicular a outra vaga, se o cara parar o carro ali e chegar outra pessoa, o carro fica travado!! Isso se conseguir mesmo colocar o carro ali, pois um banco tem sempre as vagas cheias na porta. E não basta uma, para manobrar e entrar ao lado do jardim é preciso duas vagas disponíveis atrás a vaga de deficiente. É ou não um absurdo total??
Como disse o Alfredo, o único jeito de chegar na vaga é de helicóptero ou guindaste!
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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Restaurante indiano


No sábado à noite fomos conhecer o Maharaj, um restaurante indiano muito chique, que fica na rua Paraíba com Afonso Pena.
O lugar fica embaixo do consulado indiano, em uma casa enorme, antiga mas restaurada. Só que esqueceram da acessibilidade na restauração. E é mais um triste exemplo de "não é acessível porque não quer". Ou porque nenhum parente do dono precisou. Parece que o povo tem que sentir na pele pra dar valor a isso.
Na entrada tem um pequeno degrau e depois de um espaço vem mais três. E lá dentro há mais um descendo para outro nível de mesas. Nada que pequenas rampas móveis não resolvam. Como não tinha, apelei para a rampa "braçal" dos garçons. Banheiro adaptado, nem pensar.
Lá dentro a decoração impressiona, muitas estátuas, quadros, tapetes, e até um tuk-tuk de verdade faz parte do ambiente. Tem um telão que passa clipes de música indiana o tempo todo. Fomos com dois casais de amigos e meus pais.
Eu comi um prato com cubos de queijos e um molho que parece mingau de inhame (só na aparência), a Gi comeu frango com um molho maluco, minha mãe pediu um arroz com camarão, meu pai comeu cordeiro (no bom sentido) e uma amiga pediu um outro prato com camarão. Os molhos indianos são muito fortes e gostei mais dos pratos com camarão, mas é tudo muito bem feito. E bem carinho. Mas pra experimentar e curtir uma noite diferente, vale o sacrifício, apesar da "inacessibilidade".
Marbeny e Fernanda em frente ao Tuk-tuk

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