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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

Mergulhando em Guarapari

Seus mares tem uma das maiores biodiversidades do Brasil
Guarapari, no litoral do Espírito Santo, é um dos melhores lugares do Brasil para iniciar na prática do mergulho. Tem uma das maiores variedades de peixes recifais do Brasil, pontos boa visibilidade e a baixa profundidades já se encontram diversos corais e peixes belíssimos! Por isso o batismo na cidade é tão procurado. Para quem não sabe, batismo é experimentar um mergulho com cilindro após uma breve aula e com o acompanhamento de um instrutor. É uma introdução ao mundo do mergulho e dá para ter uma boa ideia de como é se preparar para um mergulho, da sensação que é respirar pela boca, do peso do equipamento, e dos benefícios que observar a vida marinha de perto podem trazer.

Família que mergulha unida permanece unida
A região de Guarapari, além de ser boa para batismo, tem também pontos incríveis para quem quer evoluir na prática e "subir de nível" mergulhando a maiores profundidades, e principalmente mergulhar em naufrágio, já que lá está um dos melhores do país!

Instruções para a turma do batismo
Já fiz muita coisa maluca na vida, já passei por muita coisa legal, muitas aventuras, mas uma das sensações mais loucas que tive foi mergulhar no naufrágio do Victory 8B em Guarapari, no Espírito Santo. O navio é grego e foi abandonado na costa brasileira depois de ser apreendido por problemas financeiros, e foi afundado propositalmente para servir de recife artificial e ponto de mergulho. Ele tem quase 90 metros de comprimento e está bem preservado e integrado à vida marinha, a 35 metros de profundidade.

Equipado e pronto para mais uma aventura subaquática
Chegar ao navio não é fácil, ele está em uma região de fortes correntezas e pouca visibilidade. E é na descida que a aventura começa. O barco solta os mergulhadores contra a correnteza e a gente vai flutuando até uma boia que fica presa ao navio. A partir desta boia, é preciso segurar na corda e ir puxando o corpo em direção ao navio. Esta sensação parece filme de terror, a correnteza é muito forte, pareque que a máscara vai ser arrancada da cabeça, e a visibilidade é pouca, deve ser pouco mais de cinco metros. E a gente vai se afundando cada vez mais, em direção ao desconhecido... Quando de repente dá para ver a estrutura do navio, só as janelinhas e as bordas da cabine principal, uma cena sinistra. Puxando mais e mais, é possível ter noção do tamanho do navio, são metros e metros para baixo até o fundo do mar.

A descida pela lateral é incrível
Começamos descendo pela parte externa circulando a nave principal. Deu para notar o quanto os corais cobriram a carcaça do navio, em alguns pontos parecia que tinha mais de meio metro de coral sobre o metal. Incrível também é a diversidade de formas e texturas de corais, e a quantidade de peixes e cardumes que vive e visita a estrutura. Havia um cardume gigante que eu acho que era de sardinhas, fazendo um verdadeiro balé ao redor do navio. A cada mudança de direção a luz batia sobre elas e parecia uma cortina de peixes dançando! Muito legal!
Chegamos perto do fundo, a aproximadamente 35 metros de profundidade, e deu para ver toda a extensão do navio, bem assentado ao fundo quase em posição vertical. Entre várias janelas havia uma passagem de um lado ao outro do navio, por onde foi possível atravessar. Emocionante passar pelo corredor e ver algumas dependências internas. Voltamos subindo ao redor do casco até chegar na ponte de comando, com todas aquelas janelinhas voltadas para a frente do navio. Ao longo do caminho muitos cardumes, dezenas de espécies. Entramos pela frente da cabine e saímos do outro lado, e depois nos encontramos no topo para iniciar a volta. Se essa descrição é pouco para você, confira no vídeo abaixo os melhores momentos do mergulho que fiz em 26/12. E comente se curtiu!
 

domingo, 5 de janeiro de 2020

Hotel Fazenda Lagoa Azul

O hotel é bem grande e a região muito bonita.
Hotel Fazenda por definição é um lugar mais rústico, portanto geralmente inóspito a quem tem mobilidade reduzida, principalmente se usar cadeiras de rodas. Mas alguns hotéis têm se arriscado a oferecer acomodações adaptadas e estrutura para receber cadeirantes.

O estacionamento é todo em bloquete de cimento
É o caso do Hotel Fazenda Lagoa Azul, no município de Esmeraldas, a 45 km de Belo Horizonte. Pesquisando onde passar o reveillon, como tínhamos apenas dois dias, já que minha esposa iria trabalhar no dia 30 e no dia 2, encontrei este hotel e liguei para saber mais. Me informaram que o hotel dispunha de quarto "com portas mais largas e mais espaço interno" e acesso a "quase todos" os ambientes. Como estou acostumado a encarar acessibilidade precária, nem perguntei sobre cadeira de banho, já que iria levar a minha.

O quarto standard é muito grande, tanto que tem até camas para os filhos
O caminho inclui 15 km de estrada de terra em bom estado, mas não há placas muito nítidas, porém pelo Google Maps é fácil chegar lá. Não há vagas específicas para deficientes mas os funcionários ajudam a encontrar uma vaga próxima à entrada, e se necessário auxiliam no desembarque. O estacionamento é calçado por bloquetes de cimento complicados para andar com a cadeira. Mas se parar ao lado da entrada lateral é possível desembarcar no piso liso. 

O banheiro é bem fraco em adaptações. Basicamente, só a barra dentro do box.
A recepção é ampla mas não há balcão rebaixado, é bem alto e incômodo para cadeirantes. O quarto standard adaptado é muito grande e tem uma coisa difícil de se ver nesse tipo de acomodação: três camas, sendo uma de casal e duas de solteiro. É simples, há um pequeno frigobar, uma cômoda com gavetas, televisão e ar condicionado. A porta do banheiro é bem larga e passa a cadeira de rodas.

O acesso ao restaurante é bom
Os problemas começam no banheiro. Dá para fazer um jogo dos sete erros da acessibilidade com a foto dele. O espelho é muito alto. O banheiro é muito estreito, não passa a cadeira entre o vaso e a parede. Até a cadeira de banho é difícil colocar sobre o vaso, não dá para colocar a cadeira a noventa graus para transferir. Não há barras de apoio próximo ao vaso. A porta do box é apertada e tem um ressalto no chão. O suporte de sabonete é muito alto. E não há chuveirinho!! Esse para mim é o pior erro. Quarto adaptado para cadeirantes tem que ter chuveirinho. 

O espaço para circulação é razoável, e as mesas são boas para cadeirantes
No buffet há espaço para se servir, mas as panelas ficam muito altas
O acesso ao restaurante é tranquilo, há rampa com antiderrapante e boa inclinação. No buffet, em fogão a lenha, há bom espaço de um lado, porém as panelas ficam em posição elevada, dificultando enxergar o alimento lá dentro. Do outro lado é possível entrar com a cadeira, mas só se volta de ré. As mesas tem pés paralelos e boa altura, boas para entrar embaixo com a cadeira.

A rampa para acesso à área externa está bem judiada e a inclinação não é boa
Ao sair para a área externa há uma rampa de cimento muito ruim, com inclinação acima da recomendada e cheia de buracos. Impossível subir sozinho. Para chegar até a piscina há dois caminhos, um de bloquete bem ruim e outro bom, de piso liso. Porém há um pequeno degrau, chato de subir na volta. Não há nenhum acessório que auxilie descer para a piscina ou voltar, é tudo na mão. Quem não tem força e uma estratégia para isso, tem que ser carregado. 

O acesso à piscina é bem ruim, bloquete e grama.
O acesso secundário à piscina é bom, mas tem um degrau para chegar lá.
Há uma grande lagoa no hotel - que dá nome ao mesmo - que dispõe de pedalinho e waterball - aquelas bolas que se entra e são infladas. Tem também passeio de charrete em volta da lagoa, que é toda gramada com trechos em bloquete. Não dá para rodar por ali sem algum acessório, a cadeira trava o tempo todo.

Em volta da lagoa há grama e alguns trechos com bloquete. Difícil rodar na cadeira, só com acessório.
A lagoa vista da sede é bem bonita, e ainda tem os pedalinhos.
Em resumo, as adaptações são insuficientes para um cadeirante passar uma estadia tranquila principalmente por conta do banheiro apertado e sem chuveirinho. Se fosse maior, ajudaria bastante, seria mais usável com uma cadeira de banho. De resto dá para se adaptar, pois rodar pelas áreas externas com um acessório como o Freewheel é tranquilo. Se o cadeirante for aventureiro como eu, aí vale a pena, pois o lugar é muito bonito, o preço é razoável e os funcionários são solícitos e atenciosos. 

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Bike Cadeirante em ação

Publiquei aqui há alguns meses uma matéria sobre a Bike Cadeirante, uma adaptação que o Luiz Valente criou para encaixar uma bicicleta atrás de uma cadeira de rodas de forma a permitir que uma pessoa pedale e leve um cadeirante em sua cadeira na frente. Uma solução simples e barata que possibilita lazer para duas pessoas ao ar livre e ainda alia exercício físico a curtir a paisagem!
A Bike do Luiz ficou um tempo parada, foi desmontada, e há alguns meses ele iniciou o projeto Bike Cadeirante 2.0, aperfeiçoou o projeto, melhorou a dirigibilidade e a bike ficou pronta! Já foram feitos dois passeios com ela, em um deles o George Silvério pedalou com seu primo cadeirante Gilson no AmBHulantes, um evento que convida todos a pedalar pela cidade. Foi uma prova que a Bike Cadeirante une as pessoas, promove a integração entre parentes ou amigos!
No outro evento, o cadeirante Davi César participou do evento Pedalando pelos Muros. Haverão outras edições destes eventos em breve (AmBHulantes dia 07/09 e Pedalando pelos Muros dia 22/09), quem se interessar por participar com a Bike Cadeirante ou quiser adaptar sua própria cadeira a uma bicicleta, pode entrar em contato com o Luiz Valente pelo whatsapp +55 31 94070260. Vamos participar 

domingo, 18 de fevereiro de 2018

Problemas ao ver jogo no Mineirão

Um programa que eu adoro fazer com meu pai. Mas sempre enfrento problemas.
Assistir jogo de futebol nos estádios após as reformas para a Copa do Mundo em 2014 se tornou um bom programa para pessoas com deficiência. Porém, ainda há problemas. Depois de muito tempo sem ir, aproveitei um dia com menos dores, tomei remédios para aguentar e fui ao jogo Cruzeiro X Nova Lima no sábado, 17/02. A chegada ao estádio foi tranquila, chegamos cedo, me informei sobre o melhor local no estacionamento para entrar pelo portal E, e haviam muitas vagas para deficiente vazias. Parei próximo ao elevador e subi. Sempre há pessoas com jaleco "Quero Ajudar" para mostrar o caminho ou levar a cadeira se for necessário.

Não respeitam as vagas para cadeiras de rodas nem o espaço para o acompanhante
Entramos e ficamos na área interna, pois o sol bate bem em cima das "baias" para cadeirantes e acompanhantes. Isto é um problema, a localização delas, são todas de frente para o sol, e em jogo à tarde, torra a cabeça do Cadeirante. É preciso levar óculos escuros, boné e passar filtro, coisas que eu esqueci. Perto de iniciar o jogo fomos para o lugar. Chegando lá, foi difícil encontrar um lugar para estacionar minha cadeira, não porque haviam vários cadeirantes assistindo, mas porque as pessoas não respeitam a utilização das vagas, ficam de pé em frente à vaga da cadeira e à cadeira do acompanhante impedindo a visão do campo. Se a gente reclama, ainda acha ruim. As cadeiras são exclusivas para acompanhantes dos cadeirantes, se não é o caso, deixe a cadeira livre, não fique de pé na frente dela. 

Fica difícil ver jogo assim.
Pior é que não tamparam somente a visão do meu pai, mas também a minha. Um senhor insistiu em ficar ao meu lado, agarrado no vidro, e quando eu queria ver um lance próximo ao gol tinha que ficar me esticando para a frente. Daí dá para ter ideia do quanto é importante deixar livre, se eu deixasse para lá sairia de lá todo dolorido, de tanto ir para a frente e tentar segurar o corpo nessa posição. As vagas estão ali para ser usadas por deficientes, o estádio tem bancos para todos e nem estava lotado, porque as pessoas insistem em ver o jogo todo de pé ao invés de sentar em uma cadeira? É a cultura do brasileiro, infelizmente.Mas sou brasileiro e não desisto nunca, resolvemos buscar uma alternativa.

Só quando encontramos uma cadeira ocupada meu pai pode ter visão melhor.
A "solução" para o acompanhante conseguir boa visão do campo é buscar uma cadeira ao lado que esteja sendo usada por acompanhante ou PCD. Para meu pai, resolveu. Ainda assim, eu precisei pedir ao senhor que estava ao meu lado para chegar um pouco para o lado para que eu conseguisse enxergar melhor o campo. Felizmente este não criou caso. Passou um tempo e apareceu ao meu lado duas crianças e um senhor atrás delas. Achei normal, não criei caso, afinal eles não estavam atrapalhando. Até que um deles subiu no suporte do vidro e se pendurou nele. E começou a atrapalhar minha visão. Coloquei a mão no vidro, para mostrar que ali era o limite, para ela não entrar na minha frente. Mas começou a vir para cima. Mantive a mão, aí ele virou para o senhor e disse que queria voltar para onde estavam. O cara fez só "shh fica quieto aí". Então percebi que os meninos só estavam ali para que o senhor tivesse uma boa visão. Inacreditável, o cara usar as crianças para chegar perto do vidro e ter boa visão. Felizmente depois que o menino reclamou mais, foram embora.
 
E aí, como entrar no carro para ir embora? Falta de noção total...
Pior que não ter o espaço na arquibancada respeitado é chegar ao estacionamento do Mineirão e perceber que o espaço delimitado para que sua porta abra para entrar no carro também não foi respeitado. Logo após a foto o dono do carro chegou e ainda tentou argumentar dizendo que o funcionário do estádio o orientou a parar ali. Apesar de não acreditar, continuei explicando que independente de quem mandou, ele está errado de parar ali, e espero que não volte a cometer essa gafe, que me fez esperar dez minutos com dores fortes no corpo até sua chegada. Triste ver esta cultura de fazer o errado e ainda achar que está certo.

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Hotel Blue Tree Premium em São Paulo

Fachada do Blue Tree Premium Faria Lima (foto do site do hotel)
São Paulo é um dos meus destinos mais frequentes, e não é somente porque lá acontecem os principais eventos do país, nem pela diversidade cultural ou pela rica gastronomia. O principal motivo de ir tanto a São Paulo são meus três lindos sobrinhos que lá residem, e meus dois irmãos. Por isso, nunca uso hotel para hospedagem naquela cidade, prefiro ficar na casa de um dos meus irmãos, para aproveitar bem o pouco tempo com todos.
Hall do hotel, alto nível em tudo
Mas eis que recebi o convite da Iveco para cobrir o lançamento da Daily Elevittá, da qual sou garoto propaganda. E eles disponibilizaram um hotel para que eu ficasse próximo ao evento. Solicitei as adaptações necessárias e reservaram para mim o Blue Tree Premium Faria Lima, que fica na Avenida Brigadeiro Faria Lima, 3989, Vila Olímpia. Por ser de uma grande rede, fiquei mais tranquilo em relação às adaptações, pois geralmente seguem o padrão internacional e prestam atenção às necessidades dos clientes.
Na entrada do quarto, uma sala com sofá e TV
Ao chegar, já me impressionei bem com o funcionário que me recebeu, perguntou como faria para auxiliar o taxista a montar minha cadeira e depois perguntou se eu queria ajuda para desembarcar. Parece coisa simples, mas pouca gente faz isso, geralmente vão pegando a cadeira, segurando de qualquer jeito, ou até tentando puxar a gente para fora do carro. Perguntou também se eu queria ser empurrado, outra coisa básica. Não preciso de ajuda para estas tarefas, declinei educadamente. No balcão, achei que havia encontrado uma falha, ele é alto e não tem nenhuma parte rebaixada, mas me direcionaram para uma mesa para fazer meu check in. Tudo certo.
A cama é enorme e muito confortável
Feito o check in, me acompanharam até o apartamento, no vigésimo quinto andar. O quarto é enorme, com bastante espaço para circulação, dividido em uma ante sala, cama e escritório. A sala tinha duas mesinhas de centro, que atrapalham a aproximação da cadeira de rodas, e um sofá, muito baixo e macio. Não arrisquei me transferir par ele. A TV é visível da cama, portanto não foi necessário utilizar a sala. A cama tem boa altura, pouco acima da cadeira de rodas, e não tinha obstáculo. Me aguardava em cima da cama o programa do lançamento do veiculo da Iveco e uma sacola da Kopenhagen de brinde (hummm). O escritório fica atrás da cama, é composto por uma mesa com gavetas e uma cadeira, a mesa é bem vazada e a cadeira entra com facilidade. A vista do apartamento é belíssima, para quem gosta de prédio... Dá para ver boa parte da cidade.
Até escritório tem no quarto
Vista do 25º andar
O banheiro, como era de se esperar, era muito bem estruturado. Tinha barras para todo lado, inclusive barra móvel ao lado do vaso, que felizmente não tem aquela abertura na frente. O assento, este sim tem abertura, e esta eu acho útil, facilita a higiene. Para a lixeira, nota dez, aberta por cima porém mais estreita que a boca. No box, um banco para banho, recomendável para quem tem bom controle de tronco. Como é meu caso, utilizei sem dificuldade.
O banheiro é top, completo e com todas as adaptações necessárias
O hotel conta também com piscina, academia, sauna e área de lazer no último andar, porém como fiquei pouco tempo não tive oportunidade de conhecer. A esta altura você deve estar pensando que este hotel é caríssimo, e não está longe da verdade. Fiquei lá porque foi cortesia, não gastei nada, mas em uma busca rápida pelo Trivago, descobri a diária fica em torno de quatrocentos reais. Bem puxado, mas para quem não abre mão de luxo e sofisticação, é uma boa pedida.

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Restaurante Gaeta - Guarapari

Restaurante Gaeta, em Meaípe (imagem da internet)
É sempre uma satisfação conhecer pessoas que se preocupam com a acessibilidade sem obrigação ou necessidade própria. Infelizmente, estes são os motivos mais comuns para alguém investir em adaptações para atender pessoas com mobilidade reduzida. Por isso me alegrei por saber que os donos do Restaurante Gaeta, em Meaípe, uma das praias mais badaladas de Guarapari - onde fica a famosa boate Mais.
Curiosa rampa dupla, funciona bem e transmitiu segurança
Eu estava buscando um restaurante legal para passar meu primeiro dia dos pais em Guarapari, onde moram meus pais, e me deparei com este restaurante no site Trip Advisor, onde havia informação que ele dispunha de acesso para cadeirantes. Liguei para lá para saber mais e me disseram que havia sim o acesso, e ainda banheiro adaptado e espaço para circular. Fiz a reserva na hora, informando ainda que iria com dois bebês, em carrinho duplo. A pessoa me garantiu que teria um lugar adequado. Confiei.
Conseguiram espaço para carrinho de bebê duplo e cadeirante
Chegamos lá e percebi a dificuldade que seria encontrar um lugar para estacionar. A praia é pequena e está sempre cheia, ainda mais em um domingo de dia dos pais. Felizmente ao chegar ao restaurante vi uma placa informando que havia estacionamento nos fundos para clientes. Entrei e me deparei com uma rampa meio longa, duas curvas e o estacionamento ao fundo. Meio longe, mas achei que não seria problema, já que meus pais estavam comigo e me ajudariam se fosse o caso. Depois do (longo) processo de desembarque, a Gi foi na frente e eu segui pelo estacionamento. Logo apareceu um funcionário do restaurante para auxiliar na subida da rampa - que nem é tão íngreme assim - mas aceitei numa boa.
Comemorei meu primeiro dia dos pais com meu pai e meus filhos - perfeito
Chegando na porta, encaixaram duas rampas de madeira sobre os dois degraus da entrada. Achei estranho e um pouco temerário duas rampas, uma para cada lado da cadeira, mas percebi que o funcionário deles tem experiência com cadeiras de rodas e ele me posicionou de costas, empinou a cadeira e subiu suavemente. É uma adaptação meio precária, mas funciona bem. Reservaram a última mesa de uma fileira, no canto, de forma que deixaram um bom espaço para alocar o carrinho dos bebês. Fiquei bem satisfeito com este cuidado. O espaço entre as mesas é suficiente para circular e a mesa reservada era adequada para cadeirantes, com pés paralelos, e a cadeira entra por completo. O banheiro fica nos fundos, tem uma rampa leve e ele é bem adaptado, porém não tem pia lá dentro, somente no cômodo ao lado, e a lixeira, como sempre, é de pedal. É utilizável, porém poderia ser melhor.
O cardápio é variado em frutos do mar, tem moquecas variadas, mas o mais famoso é a lagosta gratinada. É cara, mas vem bem servida para duas pessoas, acompanha arroz, pirão e moqueca de banana da terra, e é uma delícia. Como todos pediram o mesmo prato, não posso avaliar outros, mas pela foto da lagosta dá para ter uma ideia da delícia que é.
Visual da praia de Meaípe
Após o almoço demos uma volta pela praia - ou melhor, por cima da praia, já que ela fica abaixo do nível da rua, embaixo de um muro, e não há nem rampa boa o suficiente para descer com a cadeira de rodas. Vale pelo visual, curtindo um fim de tarde, sugiro um doce de jaca como sobremesa - é bem gostoso. Ao final conversei com os donos do restaurante, que disseram ser o único da região que se preocupou em adaptar para cadeirantes. Fica a dica para um passeio saboroso quando estiver em Guarapari.
Mais informações:
http://www.soues.com.br/plus/modulos/estabelecimento/detalhe.php?cdgrupo=1&cdestabelecimento=555
http://oviajantecomilao.blogspot.com.br/2013/10/guarapari-gaeta-e-suas-moquecas.html

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Turismo Para Todos

Que o turismo deve ser um direito universal nós já sabemos, porém para que seja bem aproveitado, com segurança e tranquilidade por pessoas com deficiência, são necessários alguns cuidados. Destes, muitos são específicos para a deficiência da pessoa, e a ausência de uma estrutura confiável pode trazer muitos riscos e problemas. Isto pode inviabilizar a viagem, caso não se possa contar com os profissionais e equipamentos corretos.
A Sonhotur, empresa pioneira em turismo na Região de Erechim, está especializando-se em um produto inédito no Brasil: Turismo de Saúde, que alia diversão a cuidados especiais em viagens para pessoas com deficiências e idosos. Abre-se assim uma possibilidade para pessoas que tem necessidades específicas de tratamento de saúde possam curtir turismo em um país belíssimo: Portugal.
A Sonhotur acredita que todas as pessoas devem ter a oportunidade de “ser turista” sem preocupações em relação à sua condição ou aos cuidados de que necessita (higiene pessoal, cuidados diários, transporte, etc.). A equipe da Sonhotur tem experiência, competência profissional e possibilita a viagem para Portugal, sozinho ou acompanhado por amigos ou família, com a garantia que os seus serviços irão abranger todas as necessidades. Os profissionais são reconhecidos pela sua ampla experiência na prestação de cuidados diários e reabilitação. A equipe é composta por Enfermeiros, Fisioterapeutas, Terapeutas Ocupacionais, Médicos, Nutricionistas entre outros profissionais de saúde. Se necessário, é possível prestar acompanhamento nas atividades e experiências por 12/24h por um profissional de saúde ou outro. O programa Turismo Para Todos tem uma grande rede de parcerias que permite oferecer diversas possibilidades aos clientes com a garantia de se tratar bem. O programa Turismo Para Todos permite-lhe conhecer Portugal sem limites! Mesmo que não possa interromper a sua reabilitação, ou que precise de tratamentos clínicos, eles tem a solução.
A Sonhotur está formando turmas para viagens para Lisboa com saídas em 13 de setembro e 17 de novembro. O valor do pacote de 9 dias e 7 noites parte de entrada de 630,00 euros mais 12 vezes de 145,00 euros no cartão. À vista, tem mais de 10% de desconto, sai por 2.106,00 euros. O pacote inclui hospedagem, transporte terrestre em veículo adaptado, refeições, entradas nas atrações, transfer e seguro de viagem. Não está incluída a passagem aérea de ida e volta. Além do pacote básico, o cliente pode solicitar à parte os serviços de cuidados diários de acordo com suas necessidades.
Quem tiver interesse, entre em contato pelo e-mail do Blog, blog.cadeirante@gmail.com, que eu dou mais informações e envio os formulários da Sonhotur, onde constam as necessidades e serviços que cada cliente possa ter. Ou então baixe aqui o formulário de inscrição. Bora pra Portugal?

terça-feira, 19 de maio de 2015

Lancha adaptada para deficientes

Uma rampa facilita muito embarque e desembarque
Quem acompanha o blog sabe que pude retomar um dos esportes que mais curto em 2013, o mergulho. Mergulho adaptado não demanda muita estrutura, basta fazer o curso específico e ter o acompanhamento correto na hora do mergulho. Uma luva tipo "mão de pato" é um dos poucos equipamento que pode ajudar na prática do mergulho adaptado, mas tem um detalhe que pouca gente percebe, e que poderia fazer toda a diferença: uma lancha adaptada. Já tive problemas em mergulhos, tanto para embarcar no porto quanto para voltar ao barco em alto mar, pois nunca tinha visto uma embarcação que oferecesse alguma facilidade para o cadeirante.
Não tinha visto até mês passado. Recebi um e-mail do Jonny, de Santos, apresentando uma lancha adaptada para deficientes. Ela tem uma tampa na parte da frente que se transforma em uma rampa, permitindo a uma cadeira de rodas entrar com facilidade. A ideia surgiu da indagação do Jonny sobre como seria ter os movimentos limitados e querer aproveitar um passeio de lancha ou algum esporte náutico, como o mergulho. E não existia nada neste sentido no Brasil. Agora já estão operando lanchas adaptadas em Ilha Bela, São Sebastião e Ubatuba no litoral de São Paulo.
Embarcar e desembarcar cadeirante é uma operação de guerra
E o Jonny acertou em cheio. Desde a primeira vez que entrei em um barco depois de cadeirante senti na pele a dificuldade no embarque. Foram precisos quatro homens para me colocar no barco, em uma operação tensa. Afinal, o barco não parava de balançar e sempre havia um espaço entre o barco e o cais. Com muita força conseguiram me colocar para dentro. Depois, para pular no mar, outra dificuldade. Mesmo o barco tendo um rebaixamento atrás, haviam degraus que tive que pular um a um até chegar na beirada, e então saltar para o mar. Se houvesse uma rampa, ficaria muito mais fácil.
Mergulhadores voltando ao barco com facilidade
Mas a maior dificuldade mesmo eu senti na volta. Para voltar ao barco foram três pessoas para me "içar" de volta. E já passei coisa pior, em um mergulho no naufrágio do Victory 8B em Guarapari, o barco tinha uma escada de metal em forma de espinha de peixe, e como o mar estava bravo, bati as pernas várias vezes ali, o que gerou vários hematomas e ainda dei sorte por não quebrar nenhum osso. Com uma lancha adaptada não teria este problema. A rampa entra na água e permite aos mergulhadores, com ou sem deficiência, sair e entrar no barco com facilidade.
Até mesmo mulheres de saia ou vestido podem se beneficiar da lancha adaptada
Além de funcional, a lancha é muito bonita
A lancha adaptada pode atender não só cadeirantes como também um obesos, idosos ou pessoas com dificuldade de locomoção. Espero que operadoras de mergulho e pessoas que queriam proporcionar opções de lazer náutico a todos tenham interesse neste novo tipo de embarcação. O email do Jonny é msjk@uol.com.br e o telefone (12) 99772-0082.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Kart adaptado para aluguel no Kartódromo de Betim

Agora deficientes podem pilotar um kart adaptado
Desde que descobri o Panda, primeiro piloto de parakart adaptado mineiro que se tem notícia, botei pilha nos proprietários do Kartódromo de Betim para que adaptassem um kart de aluguel para possibilitar aos deficientes correr com seus amigos - e até competir entre si pelo melhor tempo. Na época animaram com a ideia, conversaram com o seu Helon, pai do Panda e responsável pela adaptação do kart dele, que topou a parada também. Fiquei na expectativa, mas com corrida todo fim de semana no kartódromo, e considerando que o seu Helon é mecânico do Panda, que estava participando do campeonato brasileiro de parakart - do qual foi campeão - o tempo foi passando e nada de kart adaptado. Até que mês passado finalmente ficou pronto! Panda fez questão de testar para ver se a adaptação estava boa, e assim que aprovada ele entrou em contato comigo para que eu fosse lá experimentar.
Com o Humberto em frente ao pódio, que  ainda não está adaptado, mas é só me colocar lá em cima!
Combinei com dois colegas de trabalho, o Humberto e o Francisco, e fomos para o Kartódromo em um sábado à tarde. Tínhamos marcado a corrida para as três da tarde, mas cheguei um pouco mais cedo, pois tinha que verificar se tudo estava certo para possibilitar minha corrida. Quem me recebeu lá foi a Thiara, administradora do Kartódromo (e corredora também). Ela me disse que o Panda deu o veredito no kart e que era só aguardar para entrar na pista com ele. O Panda não pode ir porque estava meio adoentado, mas falei com ele pouco tempo antes e me deu as instruções para operar o bichinho. Eu já andei no kart do Panda, como contei aqui, mas esta adaptação era um pouco diferente. No do Panda, o acelerador e o freio são acionados por aletas atrás do volante, mas neste o freio é uma barra por acionamento manual no chão do kart, similar àquelas das adaptações de carros de rua. O que complica um pouco a pilotagem, pois segurar o volante (que não é hidráulico, claro) com uma mão só enquanto freia em uma curva é uma tarefa difícil, como comprovei na prática depois.
Detalhe do kart adaptado, do lado direito o acelerador embaixo do volante, do esquerdo o freio ligado ao chão
Chegada a hora da corrida fizemos a inscrição e pegamos o equipamento. Além de mim e meus três colegas (o Francisco levou o irmão mais novo dele), outras três pessoas se inscreveram para completar o grid. Eu e o Humberto não fomos assistir ao briefing, uma explicação rápida sobre as regras da corrida, porque já havíamos corrido antes (eu há muito tempo, mas lembro bem das regras). Fui colocar o macacão no banheiro adaptado que fica dentro do vestiário, que infelizmente ainda não está totalmente adaptado, falta a rampa e a porta, mas fecharam o vestiário todo para mim e pude me trocar.
Já equipado e instalado no kart, com minha equipe de apoio
Fomos então para o galpão onde ficam os karts, onde finalmente conheci o adaptado. A adaptação ficou ótima, muito bem feita. A transferência para o kart ainda é um exercício, mas com pouca ajuda e em etapas, sentando na lateral e depois no assento, é tranquilo. Recomendo levar uma almofada pequena, pois o assento é de fibra sem acolchoamento, como os outros karts, mas como temos menos "material" na bunda a almofada é útil. Transferi para o kart mas descobri um problema: como minhas pernas são muito grandes (mais de metro) ficou impossível acomodar as pernas dobradas e acionar o freio, que fica próximo ao volante mas preso ao chão. A solução foi deixar as pernas esticadas, com os pés por cima do para choque do kart. O problema é que tenho muito pouca sensibilidade nos pés, e não dava para saber se estava machucando. A solução foi colocar uma outra almofada por baixo dos pés e amarrá-los bem para não ficarem batendo.
Na tomada de tempo me adaptando ao kart
Uma vez instalado, bora pra pista. Abriram a pista para o qualifying, ou tomada de tempo, onde os pilotos vão para a pista alternadamente dar voltas para formar o grid. Quem faz o menor tempo larga em primeiro, o segundo em segundo, até o fim do grid. Acostumei rapidamente com os controles, depois de umas duas voltas já parti para as voltas rápidas. Rodamos por uns dez minutos e formou-se o grid. O Humberto era o mais experiente de todos, já corre há algum tempo e ficou com a pole position. E quem ficou em segundo? O kart adaptado! Fiz o segundo melhor tempo apesar de ter ficado mais de dez anos sem correr. Fiquei muito feliz com a colocação.
Grid de largada, adrenalina a mil!
Tudo pronto, foi dada a largada. O Francisco, que largou em terceiro, pulou entre eu e o Humberto e assumiu a ponta. Logo em seguida Humberto o passou, e duas curvas depois eu fiz a ultrapassagem por dentro em uma curva que ele abriu demais. Dali em diante, o Humberto foi distanciando, enquanto segurei firme a segunda posição. Até que, por volta de dois terços da prova, o Humberto foi fechado e saiu fora da pista, ficando agarrado nos pneus. Aproveitei o vacilo e assumi a ponta! Mas senti na sequência um piloto de capacete cinza na minha cola. Errei uma curva fechada e senti o cara aproximando. Na volta seguinte, errei a mesma curva e o cara colou. Mais um errinho bobo e o cara passou. Pior foi que trouxe o Humberto na sequência, que se recuperou e me passou na última volta!
Foi dada a largada!
No fim, Luiz, um dos caras que estava no kartódromo e se inscreveu junto com a gente ficou em primeiro, Humberto em segundo, eu em terceiro e o Francisco em quarto. O irmão do Francisco ficou em sexto. Analisando meus erros (pelo vídeo que gravei de toda a corrida) percebi que eu errava justamente em uma curva para a esquerda em que eu precisava dar uma freada forte antes e até o meio, e como disse no começo segurar o volante com uma mão só não é fácil. Mas fiz uma excelente corrida, conhecendo muito pouco a pista e menos ainda o kart. Minha melhor volta foi 1"10'714, esse tempo posso usar para comparar com outros deficientes que corram no mesmo kart (exceto o Panda, que é profissa!). Foi muito divertido e pretendo voltar em breve, porém é preciso melhorar a posição do freio, de preferência no volante como o do Panda, para que eu possa acomodar as pernas dentro do kart, acabei machucando um pouco a canela. Outras pessoas de estatura normal podem não ter este problema.
Minha visão pilotando o kart adaptado
Abaixo um vídeo que fiz com os melhores momentos da corrida, ficou um pouco de lado pela posição da câmera no meu capacete, pois acabei encostando nela. Mas dá para ver tudo que falei, até o Humberto preso nos pneus aos três minutos e dez, e algumas ultrapassagens de retardatários que fiz. Gostaria de agradecer imensamente à Thiara, por ceder um chassi para ser adaptado, ao seu Helon, que fez a adaptação, e ao Panda por nos ajudar a tornar tudo possível. Agora é juntar os amigos e pé na tábua! Ou melhor, mão na aleta, no nosso caso! Rsrs

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