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sábado, 1 de setembro de 2018

Musculação para pessoas com mielomeningocele


Olá pessoal. tudo bem? Hoje é a primeira postagem sobre atividades físicas para pessoas com mielomeningocele. E hoje vamos falar de uma atividade física muito importante para as pessoas com mielomeningocele que são cadeirantes ou para os que andam com a ajuda de órteses, a musculação. Sabemos que a mielomeningocele pode atingir vários níveis na nossa coluna vertebral. Por isso uns conseguem ficar em pé e andar, outros têm uma certa movimentação nos membros inferiores mas não tem força para ficar em pé e outros ainda são cadeirantes e não tem movimentação nenhuma, nem força e as vezes nem sensibilidade nos membros inferiores. 
Antes de falarmos da musculação, propriamente dita, vamos falar de coisas muito importantes que devem ser passadas para o professor de Educação Física, informações básicas sobre a deficiência e as particularidades que cada pessoa tem. Essas informações são passadas ao professor antes de começar a prática de atividade física, na avaliação física que é feita dentro da academia. É muito importante que o aluno confie no professor, essas informações farão com que o professor tenha segurança em realizar o trabalho no aluno. Então vamos falar um pouco sobre avaliação física, a avaliação física é o ponto principal onde vai determinar como o aluno se encontra fisicamente, e alguns parâmetros são mensurados bem como: altura, peso, envergadura, IMC (índice de massa corporal), dobras cutâneas, informações sobre o estado de saúde, se tem algum problema de saúde, e principalmente informações sobre a deficiência como foi dito anteriormente. 
Mas espera aí Felipe! Como o professor vai medir o meu IMC (índice de massa corporal) se eu sou cadeirante!? Como ele vai usar as fórmulas de dobras cutâneas se sou cadeirante? Infelizmente não tem como fazer o IMC para cadeirantes, pois, não foi elaborada uma fórmula matemática para calcular o IMC (índice de massa corporal) em pessoas com deficiência num modo geral. Em pessoas com mielomeningocele que andam pode ser até que dê certo, mas também não será um resultado fidedigno na hora da prescrição de uma ficha de exercícios físicos. Mas Felipe, oque são dobras cutâneas? A dobra cutânea é uma medida da espessura de duas camadas de pele e a gordura subcutânea adjacente. Várias dobras cutâneas podem ser avaliadas isoladamente ou em conjunto. Entre estas, podemos citar as dobras cutâneas tricipital, bicipital e da panturrilha, indicadoras de gordura periférica, e as dobras subescapular e supra ilíaca, indicadoras de gordura central. A dobra cutânea mais utilizada em crianças é a tricipital.
Devido à existência de uma relação entre gordura subcutânea e gordura corporal total, a soma de várias dobras cutâneas pode ser utilizada para estimar a gordura corporal total.A validade e confiabilidade das medidas de dobras cutâneas são influenciadas pela habilidade do avaliador, pelo tipo de adipômetro, pelos fatores do indivíduo avaliado e pela equação utilizada para estimar a gordura corporal. Para cadeirantes no máximo em membros superiores é feita a medida de dobras cutâneas, mas não para comparar os resultados com o de pessoas sem deficiência, esse procedimento se tornará valioso para o cadeirante comparar o seu próprio resultado depois de 3 meses treinando a primeira ficha. Outro cuidado que temos que tomar é com relação a medir a pessoa com mielomeningocele, ou pesá-la, pois, se ela for cadeirante, ela terá que ser medida em cima de um colchonete, por uma fita ou régua de madeira, se conseguir andar, aí a medida pode ser normal, como de uma pessoa sem deficiência. Para pesar um cadeirante o processo é um pouco complicado, pois nem todas, ou quase nenhuma das academias de musculação de nosso país tem uma balança adaptada para pesar pessoas cadeirantes, nesse caso a pesagem pode ser adaptada ou se o cadeirante tiver uma noção de quanto mais ou menos ele pesa e ele pode colocar em sua ficha de avaliação. como pode ser essa adaptação. Felipe? 
Pode ser feita da seguinte forma: O professor coloca uma tábua de madeira ou uma cadeira em cima da balança e a pesa, depois coloca o cadeirante em cima da tábua ou da cadeira e pesa novamente, em seguida com os dois valores já tirados, o mesmo subtrai o valor das duas pesagens e dá o peso do cadeirante. Outro ponto importantíssimo antes de começar a musculação é o aluno passar todas as informações sobre a sua deficiência para o professor, para que ele tenha um bom programa de treinamento em mente para seu aluno. Em casos de alunos com alergia ao látex, alergia bem comum em pessoas com mielomeningocele, avisar ao professor sobre isso, pois aí ele não passará exercícios com materiais que contém látex. Questão de saúde também tem que ser abordada ao professor, como a parte urinária por exemplo, dizer francamente a ele sem nenhuma vergonha que usa sonda ou fraldas, urinar antes da prática da musculação, assim como o professor vai ser franco em perguntar sobre isso, para não haverem acidentes também falar sobre as questões com relação ao intestino e também, principalmente, sobre sua alimentação no dia a dia. Passada essa fase de avaliação física e entrevista para conhecer um pouco da vida do aluno com mielo o professor deve começar a fazer o que chamamos, dentro da musculação, de teste de carga, ou seja, o teste de 1 RM (uma repetição máxima) tem o objetivo de encontrar a carga máxima com que o indivíduo consegue realizar apenas uma repetição de determinado exercício, esse teste tem um papel essencial na prescrição de exercícios, para se determinar uma carga “ideal” de treino.
O interesse pelo 1RM é tamanho que já foram desenvolvidas fórmulas para descobrir seu valor. Como calcular 1 RM. A predição da carga segundo a estimativa de Brischae é feita de seguinte forma: Realiza-se o exercício com no máximo 10 repetições, mas quantas vezes por semana eu posso fazer musculação a OMS (Organização Mundial da Saúde) diz que no mínimo 3 vezes por semana é bom praticarmos qualquer atividade física, mas posso fazer musculação de 2ª a 6ª se eu quiser Felipe? Sim, pode, mas tem o professor tem que dividir a ficha para que não haja sobrecarga muscular e nem articular. Outro ponto principal para ser analisado pelo professor é o objetivo do aluno, se ele quer ganhar força, hipertrofiar, emagrecer, diminuir dores articulares, prevenir lesões futuras, resistência e potência e também o nível de treinamento do aluno, se ele é iniciante, intermediário ou avançado.
Então agora vamos, nesse parágrafo, falar sobre a montagem de ficha para a pessoa com mielomeningocele, antes da prescrição o professor deve levar em conta se o seu aluno é anda ou cadeirante, se ele tem alergia ou não entre outros fatores como foi dito acima. E principalmente a acessibilidade para a pessoa com mielomeningocele nos aparelhos, principalmente se o aluno for cadeirante, se ele consegue fica mais tranquilo essa questão de acessibilidade.
Podemos citar vários exercícios para pessoas com mielomeningocele, com objetivos distintos e com níveis de treinamento distintos, vou destacar aqui nesse parágrafo, alguns nomes de exercícios para cada grupamento muscular e cada um deles você vai perceber onde será realizado, se é em aparelho ou exercício solo. Vamos começar falando sobre os exercícios para o músculo peitoral. Os exercícios para peitoral maior são: Supino declinado com halter, supino declinado com barra, flexão de braços entre os steps, supino reto com halter, supino reto com barra, crucifixo declinado.
Os exercícios para peitoral menor são: supino inclinado com halter supino inclinado com barra, crucifixo inclinado com barra no smith.
Exercícios para as costas: extensão de ombro, puxador na frente, puxador na frente fechado, puxador cruzado, puxador na frente triângulo, puxador na frente fechado invertido, remada articulada, remada baixa, remada curvada, remada curvada com halter.
Os exercícios para quadríceps são: Agachamento livre 90°, avanço livre com barra, cadeira extensora, agachamento livre 90° com pernas afastadas, agachamento no Hack vertical a 90°, leg press 110°, agachamento no Smith 90°. Os exercícios para bíceps femoral são: flexora em pé, flexora deitada, flexora sentada, stiff.
Os exercícios para os ombros nas suas três porções são: Deltóide medial: Elevação lateral inclinado, elevação lateral em pé, elevação lateral sentado, elevação lateral no cabo; Deltóide posterior: Crucifixo inverso em pé, crucifixo inverso em sentado, crucifixo inverso no cabo; Deltóide anterior: Desenvolvimento com halter, elevação frontal, desenvolvimento barra.
Os exercícios para o bíceps nas suas duas porções são: Rosca Schott, rosca alternada inclinada, rosca direta barra fechada, rosca alternada, rosca concentrada, rosca direta peada aberta, rosca direta barra W pegada aberta. Os exercícios para tríceps nas suas porções são: Para a parte lateral (+ cabeça medial): Puxada de tríceps na polia alta, barra reta ou V, extensões de tríceps com barra EZ, deitado no banco, press guilhotina, agarre à largura dos ombros, Kickbacks com halteres, torso horizontal no banco, extensões com halteres, a um braço, por detrás da cabeça. Para a cabeça longa: Kickbacks com halteres, banco inclinado + retroversão, desenvolvimento com barra, à nuca, Kickbacks com halter, torso horizontal no banco, extensões com halteres, a um braço, por detrás da cabeça extensões de tríceps com barra EZ, sentado.
Os exercícios para abdominal são: Abdominal reto com as mãos estendidas, abdominal lateral com rotação, abdominal reto com elevação do tronco, flexão do quadril suspensa, abdominal bicicleta, abdominal reto com perna alta, abdominal prancha, flexão lateral do tronco, abdominal invertido com joelhos flexionados, abdominal prancha lateral.
Os exercícios para trapézio são: Agachamento com remada alta, remada alta na polia, remada baixa, remada em pé na polia, remada alta na polia, remada alta com barra, remada aberta, remada curvada, remada na máquina.
Como eu disse esses são os exercícios feitos na academia de um modo geral, nem sempre são específicos para pessoas com mielomeningocele, mas dá pra ser executado, deve ao professor a obrigação de avaliar qual é os melhores exercícios a serem prescritos e lembrando também qual é o objetivo do seu aluno. Para finalizar esse texto, a última orientação o número médio de séries a ser feitas dependendo do objetivo, do volume de treino, e da carga do aluno é entre 6 a 20 repetições em 3 séries e pra cada objetivo um intervalo entre as séries isso será determinado pelo professor. Além de benefícios físicos a musculação pode trazer também benefícios psicológicos, sociais entre outros.
Sempre lembrando de verificar com seu médico se você pode fazer musculação e se há alguma alteração específica para você nos exercícios.

sábado, 10 de setembro de 2016

SpeediCath

Sonda prática, simples de usar
SpeediCath® é o cateter hidrofílico pronto para uso da Coloplast®. Seu revestimento exclusivo e os orifícios polidos e também lubrificados garantem um cateterismo seguro, simples e prático todos os dias. Não é preciso adicionar água, lubrificação ou esperar a ativação do revestimento. Não dá para ser mais rápido ou mais simples do que isso.
SpeediCath® foi projetado para aumentar o conforto, minimizar o risco de danos à uretra e evitar complicações relacionadas ao cateterismo intermitente. Garante cateterismo extremamente suave, tanto durante a inserção quanto na retirada do cateter.
Até quem tem pouca mobilidade nas mãos consegue abrir a sonda
O anel permite abertura fácil e o ponto adesivo garante que o cateter permaneça onde foi colocado mesmo para quem tem destreza manual limitada, a qualquer hora e em qualquer lugar. Está disponível em diferentes comprimentos e tamanhos para se adaptar a homens, mulheres e crianças. 
O fato de vir lubrificado agiliza o cateterismo
SpeediCath® é um produto livre de PVC e garante que a saúde nunca será comprometida, além de limitar o impacto ambiental. Lembre-se, ele não é reutilizável. É um cateter estéril, de uso único.
Se você precisa realizar o cateterismo intermitente, solicite a visita de um(a) enfermeiro(a) especializado(a). Ligue para 0800 285 86 87 (ligação gratuita – de seg. a sexta das 8h – 20h). O programa Coloplast® Ativa pode tornar a sua vida mais fácil.

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Como evitar escaras

É feio, e choca, mas é muito importante evitar.
Quando a pessoa sofre uma lesão medular e vira cadeirante, ela conhece uma terrível enfermidade chamada escara. Para quem não sabe, as escaras, também conhecidas como úlceras de pressão, são lesões que ocorrem na pele devido a falta de irrigação de sangue em regiões que ficam muito tempo sob pressão. Portanto, é o tipo de lesão que acontece com pessoas com mobilidade reduzida. Mas como evitar o aparecimento de escaras? Darei foco nesta matéria para as formas de evitar as escaras mais comuns em cadeirantes, as que aparecem nos glúteos, também conhecidos como bumbum, bunda, popô, aí você escolhe. 
A regra número um para evitar escaras vale para qualquer parte do corpo: mudar de posição frequentemente. Se estiver deitado, tem que mudar de decúbito (posição deitado). Se for frontal, é de barriga para baixo, se for lateral, é de ladinho mesmo. Quanto à posição sentado, principalmente na cadeira de rodas, quem é cadeirante e já passou pelo Hospital Sarah conhece o termo "elevação", que é o ato de levantar o corpo segurando nos para lamas ou rodas da cadeira de rodas, mantendo a bunda no ar por alguns minutos. A elevação é muito importante para aliviar um pouco a pressão nos glúteos e alterar a posição do corpo, pois as escaras surgem justamente quando a pessoa se mantêm por longos períodos na mesma posição.
Almofada Roho Quadtro Select Low Profile. Palavrão para proteger o popô
Outra forma de evitar o aparecimento de úlceras de pressão nos glúteos é a utilização de almofadas anti escaras. Há diversos modelos com preços variados - alguns até abusivos - que prometem auxiliar na prevenção das temidas escaras. As mais simples são almofadas de ar ou gel feitas de plástico, com preços que começam em menos de trinta reais! Mas será que são mesmo eficientes? No início da lesão, logo no primeiro ano, percebi o quanto são desconfortáveis as almofadas que vem nas cadeiras de rodas, feitas de espuma comum. Descobri as almofadas de ar e adquiri uma bem simples, de plástico. E houve alguma melhora, senti mais conforto e mais mobilidade. Porém a almofada é instável, barulhenta e sensível a furos. A que tive durou menos de seis meses, mesmo sem usar todo dia. Eu só usava quando ficava longos períodos sentado na cadeira. Aí vem mais uma dica para evitar escaras: transferir com frequência. Sempre que for a algum lugar que tenha um sofá, ou uma cadeira confortável, procure transferir, tanto para mudar a posição quanto de superfície.
Após quase três anos na cadeira de rodas, utilizando uma M3, fui à Reatech, feira de produtos para deficientes. Lá conheci a almofada Roho, uma marca americana que fabrica almofadas e colchões anti escaras. Achei que fosse barata e quase caí para trás quando descobri que custava mais de mil reais. Isso em 2009. Um ano depois consegui comprar direto na fonte, nos EUA, pela metade do preço. Comprei o modelo Quadtro Select Low Profile - é uma almofada composta por dezenas de gomos, de perfil baixo (5 cm de altura) com tecnologia que divide a almofada em quatro partes, cada uma delas pode ficar com uma quantidade de ar diferente, e rigidez diferente. Isto é importante pois o peso do nosso corpo não é simétrico, e dependendo de acidentes ou problemas no corpo, pode haver ainda mais diferença de peso em cada lado do corpo. Portanto, a almofada se ajusta ao peso e formato do corpo do usuário. E por ser inflada com ar, permite uma certa movimentação com estabilidade, e realmente previne a formação de escaras.
Para quem não tem tanta grana - ou não está disposto a vender um rim - há um modelo mais simples da Roho, a Mosaic. Ela é composta por gomos maiores, e não tem divisória. Mas o material é o mesmo, e o princípio também. Previne escaras da mesma forma, e é quase tão confortável quanto. E custa um quarto do preço. Vale a pena? Eu acredito que sim. Principalmente para quem passa longos períodos sentado na cadeira de rodas.
Assento Ortopédico Fibrasca Saúde
A boa notícia é que a concorrência se mexeu e hoje há outros modelos de almofadas de ar ou de látex que também evitam escaras. Uma empresa brasileira, a Fibrasca Saúde, me procurou para pedir auxílio no desenvolvimento de uma almofada de látex com desenho próprio para evitar escaras. Me enviaram o primeiro protótipo, testei por alguns dias e dei algumas sugestões. Alteraram a forma de fixar na cadeira e enviaram outro protótipo, que testei por alguns meses. E fiquei bem satisfeito com o resultado. É uma almofada confortável, facilmente lavável e ajuda mesmo a prevenir escaras. E é relativamente barata, custa em torno de cem reais. Muito melhor do que uma almofada original, melhor do que uma almofada de plástico, e a um preço justo. Veja no vídeo abaixo algumas considerações sobre prevenção de escaras e análise de alguns modelos.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Fertilização na prática

Na fertilização dá para acompanhar o momento de inserir os óvulos fecundados
Já contei aqui em um post de setembro do ano passado, como chegamos à decisão de ter filhos e expliquei brevemente como foi a fertilização. Vou voltar ao assunto, a pedidos, fazendo um passo a passo do procedimento e contando outros detalhes. Lembrando que falo sempre do ponto de vista de um homem com lesão medular, que é o meu caso. O primeiro passo é definir que método é mais indicado. Para isto, é fundamental consultar com um urologista, preferencialmente um que tenha experiência com lesado medular. Quem faz acompanhamento no Hospital Sarah pode solicitar uma consulta com um urologista de lá. Neste momento o casal já deverá ter definido se o procedimento será realizado na rede pública ou particular.
O urologista deverá solicitar um espermograma para identificar se há espermas de qualidade e em quantidade suficiente na ejaculação retrógrada. Este tipo de ejaculação é muito comum em homens com lesão medular, a ejaculação acontece no ato sexual ou na masturbação mas não sai para fora do pênis, vai para dentro da bexiga. O espermograma então é feito pela masturbação e em seguida um cateterismo, então o médico avalia se há espermas bons na urina. Se houver, pode ser possível utilizar colher os espermas direto na urina ao invés de fazer a punção. A punção é a coleta dos espermas diretamente no testículo.
Fizemos na clínica Vilara, no Hospital Vila da Serra
Em seguida, a mulher consulta com um ginecologista, já na clínica escolhida, para verificar como está sua saúde e definir quanto remédio tomará para estimular a produção de óvulos. No nosso caso, pesquisamos por uns dois meses até escolher a clínica Vilara, que fica no Hospital Vila da Serra. O valor do processo todo ficaria entre quinze e vinte mil reais, a variação se deve à quantidade de remédios que a mulher toma, quanto mais velha, mais remédios. No nosso caso, a Gi estava com 37 anos, tomou o máximo sugerido, e acabamos gastando quase o máximo.
Foram introduzidos três óvulos fecundados, dos quais dois vingaram
A mulher começa então o tratamento tomando os remédios que estimulam a produção de óvulos e o médico vai acompanhando por ultrassons. Assim que a mulher atinge uma boa quantidade de óvulos, é marcada a retirada dos óvulos, e na mesma data é marcada a punção. A Gi produziu oito óvulos, e na data marcada ela foi encaminhada para uma sala onde foi feita uma espécie de raspagem, com sedação leve. Em seguida fui encaminhado para a punção, em uma sala ao lado. Eu poderia tomar anestesia local, mas como minha sensibilidade é pequena na área, dispensei. O médico fez a primeira coleta de espermas na parte externa do testículo, e levou para o laboratório, que fica ao lado. Na hora não resisti e falei para o médico: "é doutor, esse é o único exame em que o paciente não quer ouvir que não tem porra nenhuma!" Todos riram na sala. E logo veio a resposta do laboratória, não tinha espermas de qualidade.
Acompanhar o crescimento deles pelos ultrassons foi muito bom!
Aí o médico fez um corte na bolsa escrotal (o saco),  enfiou a seringa dentro do testículo e retirou mais uma leva. Mandou para o laboratório, e desta vez haviam espermas em quantidade e com boa mobilidade. Logo em seguida já iniciaram os processos para a fecundação. Na sala, outro médico fez o resto do trabalho, costurando a bolsa escrotal. Mais uma vez eu não aguentei e falei: "é cara, esse seu trabalho é um saco." O cara riu muito. E eu completei: "tá vendo, quem manda não sedar o paciente?" Não tem jeito, nem nessa hora eu fico sério.
O ultrassom 3D deu para ver a carinha deles
Aí fomos para casa e aguardamos notícias do médico. Em uns quinze dias eles nos ligaram, haviam fecundado quatro óvulos e marcaram para colocarem no útero da Gi. Fomos para uma sala com telas na parede e pudemos acompanhar a inserção dos óvulos, foram introduzidos três. Foi muito emocionante ver aqueles três pequenos pontinhos sendo colocados dentro do útero dela. A partir de então, fomos acompanhando a evolução dos óvulos em ultrassons semanais. Até a quarta semana, os três estavam crescendo, mas a partir da quinta semana um deles involuiu. Os dois continuaram crescendo e deram origem aos meus filhos, Anne e Max. Vejam no vídeo abaixo meu depoimento sobre a fertilização.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Mobilização Passiva

É importante movimentar os membros afetados para manter a integridade e elasticidade
Fiz um post sobre isto em 2009, sem muito destaque, e pouca gente deu bola. Depois disso sempre quis voltar ao assunto e explicar melhor o quanto é importante fazer a mobilização passiva. Mas afinal, do que se trata? Porque é importante? Porque e por quem deve ser feita? Para tentar responder estas questões, resolvi fazer um vídeo sobre o tema, e ainda demonstrar alguns exercícios de mobilização passiva que faço todos os dias.
A mobilização passiva consiste no movimento de uma articulação em todas as direções possíveis sem contração muscular voluntária. No caso de quem tem lesão medular, como eu, é pegar as pernas, pés e dedos e movimentá-los para todos os lados. Todo mundo que tem lesão medular deve fazer a mobilização passiva, de preferência todos os dias. Se a pessoa tem limitações para fazer estes movimentos, o ideal é buscar um fisioterapeuta para fazê-los. Aliás, antes mesmo de começar a fazer os exercícios é importante consultar com um fisioterapeuta para que ele determine os exercícios certos para cada caso.
A mobilização passiva é importante para manutenção da integridade e elasticidade das articulações e músculos. É importante também para ativar e manter a circulação sanguínea, além de auxiliar na redução dos espasmos. E ainda previne o surgimento de trombose.
Sei que não é fácil fazer exercícios repetitivos todo dia, mas já que é importante não dá para deixar de fazer. Eu faço todos os dias logo que acordo, e ainda faço mais à noite. Não dá para descuidar da saúde, senão os prejudicados somos nós mesmos!

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Paternidade sobre rodas

O sonho de ser pai não acaba com a lesão medular
O primeiro post que fiz sobre este assunto, foi contando a história do Gregori, de Lages, e como ele se tornou pai. Hoje, com muita alegria, venho aqui contar a vocês sobre a minha experiência! Ainda não sou pai por vias de fato, mas se Deus quiser, serei. Minha companheira, que tantas vezes já citei aqui no Blog, a Giordana, está grávida!! E de gêmeos! E agora vocês vão saber como tudo aconteceu.
Antes de virar cadeirante, eu já sabia que poderia ser um ótimo pai. Desde sempre eu adoro criança. Acho que desde que deixei de ser uma - se é que eu deixei mesmo, pois meu pai mesmo sempre afirma que minha mentalidade é de um menino de doze anos. Portanto, ser pai sempre foi um sonho meu. Quando encontrei minha cara metade, depois do acidente que me deixou paraplégico, procurei saber como poderia ter filhos.
A primeira opção que encontrei foi a fertilização, também conhecida como inseminação artificial. A fertilização é o método mais comum e com maior probabilidade de sucesso. Só que é um processo caro, entre doze e vinte mil reais. Quando comecei a pesquisar, descobri que há um programa do Hospital das Clínicas que faz a fertilização gratuitamente. É preciso fazer uma triagem que começa no posto de saúde, que te encaminha para uma consulta com um urologista, e em seguida para a fila de espera, que costuma durar uns dois anos até ser chamado para os exames finais e a fertilização. Fiz todo o processo, fui chamado e fiz o espermograma, para identificar se há espermas móveis em boa quantidade. No meu caso não havia, portanto o procedimento indicado para colher os espermas seria punção. Neste ponto, em conversa com a Gi, decidimos que ainda não era o momento ideal para termos filhos. Interrompemos o projeto.
Gi pronta para receber os óvulos fecundados
Até que, ano passado, voltamos a conversar sobre isso. Com o avanço das nossas idades, se fosse para ter filhos, era o momento. Na verdade, só precisei convencer a Gi a ter filhos, pois eu não deixei de querer hora nenhuma. Já que chegamos a um acordo, fomos atrás do método. Voltar à fila era impensável, portanto fomos atrás de clínicas particulares. Perguntei a um amigo que havia feito há pouco tempo e ele indicou a Origen. Fomos lá e nos assustamos um pouco com o preço, quinze a vinte mil reais. O preço varia porque a compra dos remédios varia de acordo com a produção de óvulos. Pesquisando outras, descobri a Clínica Vilara, que funciona dentro do Hospital Vila da Serra. O preço era bem melhor, de doze a dezesseis mil. Gostamos do médico e da estrutura, resolvemos encarar.
Vou falar agora do processo de fertilização propriamente dito. Funciona assim: a mulher estimula a produção de óvulos artificialmente, com a utilização de remédios - a quantidade de remédios que a mulher toma depende da idade e da velocidade de produção dos óvulos. O médico vai acompanhando quantos óvulos são produzidos e decide o momento em que já são suficientes. No nosso caso, a Gi produziu oito óvulos, um número razoável, mas o médico sugeriu congelar aqueles óvulos e fazer mais um mês de tratamento para juntar pelo menos mais sete ou oito, por garantia. O problema é o custo, os remédios são muito caros. Resolvemos arriscar com os oito.
A gente acompanha a introdução dos óvulos pela tela - dá pra ver só um pontinho, mas é emocionante!
Como eu já havia feito espermograma, sabia que a retirada dos meus espermas seria por punção, ou seja, retirado direto na fonte, através de uma minicirurgia onde eles abrem o escroto e os buscam com uma seringa. Após a retirada, o médico faz os testes para ver se encontra espermas com boa mobilidade e procede para a inseminação. No mesmo dia, os óvulos da mulher são colhidos, e os espermas bons são colocados em contato com os óvulos, para a fertilização. Os óvulos fertilizados são cultivados em laboratório, e assim que estão evoluindo é marcada a inseminação. Os óvulos são então introduzidos na mulher. Dos oito óvulos retirados, sete estavam bons, o médico separou os cinco melhores e fecundou quatro. Introduziu três na Gi, para acompanhar. É possível que nenhum deles evolua, ou somente um. É muito raro os três vingarem, assim nos disse o médico.
Gi já apresenta uma leve barriguinha - e um grande sorriso no rosto!
A partir daí, o médico foi acompanhando a evolução com ultrassons semanais. Até a quarta semana, os três estavam indo bem! Ficamos um pouco assustados com a possibilidade de trigêmeos, mas se fosse para ser, daríamos conta. Até que na quinta semana um deles parou de evoluir, mas os outros dois continuaram! E continuam até hoje, graças a Deus. Já descobrimos que é uma casal e já demos os nomes, Anne e Max. A Gi está entrando no sexto mês daqui uma semana e eles estão desenvolvendo bem.
E agora começa a luta para montar o quarto dos bebês - adaptado para mim, é claro - e comprar um caminhão de coisas para cuidar deles nos primeiros meses. Aliás, caminhões, porque só de fralda já enche um...

sábado, 20 de junho de 2015

Adequação Postural

Maria de Mello me explicando a importância de manter a postura correta
Manter a postura correta é um desafio para todo mundo. Antes de virar cadeirante, eu já sofria com problemas ocasionados pela má postura, devido aos 1,95 metro de altura. Para começar, sentia dores no pescoço por ficar sempre olhando para baixo e, principalmente, para alcançar a boca das meninas... Sacrifício válido! Outra queixa constante era na região da coluna lombar, que era constantemente forçada nos diversos esportes que eu praticava. Esse quadro me rendeu muitas sessões de fisioterapia e aplicação de calor e gelo. Só que eu era indisciplinado, largava a fisioterapia na metade e não fazia os exercícios recomendados. Acabava voltando ao médico...
Alguns problemas de coluna comuns
Ao virar cadeirante devido a lesão medular, a maior parte das pessoas (incluindo eu) relaxa ainda mais para manter a postura. O que complica ainda mais o quadro é a falta de sensibilidade, como não sentimos mais as dores abaixo da lesão, a coluna pode piorar bastante com o tempo. Como eu recuperei alguma sensibilidade, voltei a sentir as dores na lombar que me queixava no passado, e passei isso para minha fisioterapeuta, a Joyce da Aquafisiobh. Ela passou alguns exercícios que faço até hoje na água, na hidroterapia, o que me alivia um pouco. Só que eu estava tratando a consequência, e não a causa: a má postura.
Mês passado, no II Simpósio Mineiro de Reabilitação em Lesão Medular do qual participei, tive o prazer de conhecer a Dra. Maria de Mello, terapeuta ocupacional especialista em adequação funcional assentado. Após assistir minha palestra, em que comentei sobre as dores crônicas que sinto, ela veio conversar comigo sobre a questão postural. Ela percebeu que eu não estava bem posicionado na cadeira e marcamos uma avaliação na TechnoCare, na Av. Pedro II 3377, onde ela atende.
Aprendendo alguns exercícios para melhorar as dores na coluna
Fui em uma sexta feira pela manhã, acompanhado de minha mãe que estava me visitando. Maria nos recebeu muito bem e explicou em detalhes como é o projeto de adequação funcional que ela faz, analisando o dia a dia da pessoa, atividades que desempenha, tempo que passa na cadeira e quais as principais queixas posturais e de dores. Contei tudo para ela, da hora que acordo até a hora que vou deitar, incluindo atividades eventuais, esportes que pratico, viagens, tudo. Depois ela analisou minha posição na cadeira de rodas, de lado, de frente, parado e tocando a cadeira. Coincidentemente eu tinha uma tomografia da coluna completa feita recentemente, no qual ela identificou uma retificação da minha coluna. Aí ela pediu para eu deitar na maca e fez alguns exercícios comigo, pegando sempre meu feedback sobre como estava me sentindo. Com base em tudo ela emitiu um relatório com as recomendações para melhorar minha postura e diminuir minhas dores localizadas. O relatório incluiu ajustes na minha cadeira e sugestões para a cadeira do banco, onde trabalho todo dia. Estou seguindo as recomendações há duas semanas e já senti melhoras e diminuição das dores.
Quem quiser fazer um projeto de adequação funcional com a Maria de Mello é só entrar em contato com ela pelos telefone (31) 9428-9100 ou 3443-2200, ou ainda pelo email mariademello@technocare.net.br.

domingo, 23 de março de 2014

Cuidador para cadeirante

Grande exemplo de cuidador "gente boa" no filme "Intocáveis"
As limitações que uma deficiência trazem são únicas para cada pessoa, o que causa um grau maior ou menor de dependência. Geralmente tetraplégicos tem maior dependência do que paraplégicos, mas mesmo isso varia de caso para caso e há tetraplégicos totalmente independentes. Mas há deficiências que, por suas características próprias, demandam acompanhamento constante. Quando o deficiente tem uma limitação severa, ele precisa de ajuda todos os dias, muitas vezes até mesmo para sair da cama. Em um caso assim, é fundamental contar com alguém para ajudar na manhã seguinte, senão a pessoa nem da cama sai. A família geralmente é a solução, porém é muito complicado para qualquer um hoje em dia parar toda a rotina para cuidar de alguém. As pessoas precisam trabalhar, sair, viajar, e não dá para ficar "por conta". O que acontece muitas vezes é o "revezamento", cada um dedica parte do dia ao cuidado. Ou então o companheiro (a) faz as vezes de cuidador. Mas e quando há imprevistos? Não dá para depender disso. Nestes casos, a solução é contratar um cuidador.
Minha "cuidadora" é minha mulher!
Mas contratar um cuidador não é tarefa fácil, é preciso ser alguém com experiência, pois dadas as limitações em questão, muitas vezes é necessário até conhecimentos de enfermagem ou medicina. É preciso ser alguém de confiança, pois vai passar muito tempo na casa da pessoa, vai lidar com momentos íntimos, sem contar a possibilidade de abuso, que infelizmente ainda existe. Às vezes o fator confiabilidade pesa muito mais que a experiência. Então, como contratar alguém? Quantos contratar para ter a segurança de ter alguém 24 horas? Quanto pagar? E até mesmo, como viajar de férias ou a estudos e levar alguém que dê segurança tendo tão grande dependência? Estas perguntas são individuais e dependem das necessidades de cada um. Nunca precisei de cuidador, mas o que percebo é que muitas vezes as pessoas contratam por indicação, já que o fator confiança é importante. Mas nada impede de encontrar aquela pessoa que vai encaixar com nossas necessidades. Só tem que procurar, e dar um pouco de sorte.
Esses dias tive contato com dois cadeirantes, um homem e uma mulher, com este mesmo problema, contratar um cuidador. E os dois moram sozinhos. Ele tem 25 anos, mora em Aracaju e tem uma deficiência chamada Artroghiphoses, que impede que alguns músculos se fortaleçam e encurta certos tendões dos membros, é uma doença que possui várias "versões" e a dele afetou os membros superiores e inferiores. Ele não tem o desenvolvimento dos músculos que o ajudem a levantar o braço para lavar a cabeça por exemplo e a mão não consegue esticar toda, na verdade o tendão a puxa para baixo e suas pernas já sofreram certas e longas cirurgias para melhorar sua forma. Hoje ele conta com um cuidador, e está em busca de outra pessoa. O e-mail dele é oscarlwr@gmail.com, se alguém souber de alguém, entra em contato.
Aline é de BH e precisa de cuidadora
Ela se chama Aline, tem 35 anos, mora em Belo Horizonte e é Jornalista, Relações Públicas e Especialista em Marketing (uau, quanta coisa); ela sofreu lesão medular nas vértebras C4, C5, C6 por acidente automobilístico há quatro anos e dois meses; tem pouca mobilidade física, e usa cadeira motorizada. Ela precisa de cuidados 24 horas por dia, na realização das atividades do dia a dia como higiene pessoal, auxilio na higienização do apartamento e das cadeiras, cama hospitalar, roupas além dos cuidados com a alimentação. Os cuidados se estendem no acompanhamento médico. Ela conta hoje com duas cuidadoras no regime 24 x 24 horas, e está em busca de uma substituta para uma delas, que sai em maio. As peculiaridades da lesão medular como cateterismo e transferência são ensinadas por ela.
Como já percebi que muitos posts do blog servem como ponte de contato entre pessoas, sugiro que quem tiver interesse no assunto, que esteja precisando de um cuidador ou que seja cuidador oferecendo seus serviços, dê o contato nos comentários, dizendo de que cidade é. Se você sabe do contato de alguém de confiança, pode deixar também. Ou então, se não quiser que fique exposto, envie para o e-mail do blog (blog.cadeirante@gmail.com), terei prazer em colocar as pessoas em contato.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Como medir um cadeirante

Haja fita métrica pra mim!
Essa semana recebi a seguinte dúvida de um leitor: como medir um cadeirante? Quem perguntou foi o Aldenir, professor de Educação Física que se deparou com este problema. Acredito que a maior dúvida dele é como fazer isto sem uma cama ou maca por perto, com a pessoa na cadeira mesmo. Depois que virei cadeirante, me medi umas duas ou três vezes, para ver se eu tinha encolhido. E encolhi mesmo! Perdi alguns milímetros por causa do acidente, afinal minha vértebra T2 explodiu, e além disso, a pessoa sentada o tempo todo, sem alongar, sem levantar, pode encolher um pouco com o passar dos anos. Eu já perdi dois centímetros, tinha 1,95m antes do acidente, e na última medição, que no meu caso faço de pé mesmo, deu 1,93m. Essa técnica é até engraçada, eu fico de pé com as talas nas pernas e a Gi pega uma cadeira (tem que ser cadeira mesmo) e fica na ponta dos pés para alcançar minha cabeça com uma trena.
Na impossibilidade de deixar o paciente de pé, qual a alternativa? Para responder a esta pergunta recorri à minha ex-super-fisioterapeuta Andrezza Rodrigues, que me deu a seguinte resposta:
"Você deita o paciente bem retinho na cama (o ideal seria uma maca) faça um risco no topo da cabeça marcando na maca e outro risco no calcanhar com as pernas bem esticadas e a ponta dos dedos voltadas para trás. Peça ao cadeirante para sair do local marcado e meça a distância de um traço ao outro.
A outra forma é: primeiro medir as pernas hiper estendidas; calcanhar à espinha iliaca antero superior (EIAS); depois a cabeça do úmero até a EIAS, e por ultimo a cabeça."
Ela prefere a primeira forma, acha mais fidedigno. Fiz o teste na cama e deu em cima, 1,93m. É muito metro de homem... Esse tamanho todo às vezes ajuda, às vezes atrapalha. Só minhas pernas tem 1,04m, e sem movimento, tem hora que é um parto "trazer" elas junto comigo. Passar elas por baixo do voltante ao entrar no carro é sempre complicado. Por outro lado, para pegar coisas no alto, meus dois metros de envergadura (braços abertos) ajudam muito.
Agradeço à Andrezza pela explicação e pela contribuição! Agora já sabem: qualquer dúvida, perguntamos para tia Andrezza!

domingo, 14 de abril de 2013

Apoio para as pernas

Meu apoio para as pernas
Já comentei sobre a importância de manter as pernas para cima de vez em quando, para melhorar a circulação, quando falei sobre o sofá com chaise. O sofá resolve o problema quando estamos em casa, mas e no serviço? É lá que passamos a maior parte do tempo, às vezes nove ou dez horas, e é quando ficamos com os pés para baixo a maior parte do tempo. Há uma alternativa que eu uso no trabalho, que foi uma solicitação que fiz ao pessoal do RH do banco, um local para que eu possa me deitar por alguns minutos a cada três horas para diminuir as dores que sinto no corpo e melhorar a circulação. Ajuda pra caramba.
Mas mesmo assim estava sentindo dores nas pernas e de vez em quando meus pés inchavam um pouco. Aí pensei nessa solução: um apoio para os pés para esticar as pernas de vez em quando. Conversei com as fisioterapeutas do banco e elas aprovaram a ideia, sugerindo como deveria ser feito (sim, o prédio tem fisioterapeuta o dia inteiro à nossa disposição, elas rodam os andares fazendo ginástica laboral em todos).
Apoio de pernas em ação
Mandei então um e-mail para o pessoal da manutenção para construir o tal apoio. No mesmo apareceram dois dos competentes funcionários para pegar comigo as diretrizes. Passei as medidas combinadas com as fisioterapeutas, no meu caso, cinquenta centímetros de altura, vinte e cinco de largura e quarenta de comprimento. Essas medidas foram específicas para mim, pensando na altura que minha cadeira de escritório fica e a distância ideal para as pernas. E ainda pedi para colocarem uma espécie de almofada em cima, para não machucar as pernas. Em dois dias entregaram o apoio! Tenho usado diariamente, sempre que começo a sentir dores nas pernas. Para quem passa pelo mesmo problema, taí a sugestão.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Exercícios com Thera-band

Malhando bíceps
Lembram que há algum tempo falei sobre a importância da musculação para quem tem lesão medular? Pois bem, só que é difícil encontrar uma academia adaptada, ou algum outro lugar para fazer musculação. É possível malhar usando pesos, mas para que seja eficiente é preciso ter vários pares de pesos de pesos diferentes. Aí fica caro. Mas tem uma solução mais prática e muito mais barata: usar um Thera-band.
Thera-bands, cada cor tem uma resistência
Thera-bands, para quem não sabe, são aquelas fitas elásticas usadas em fisioterapia, que tem várias funções, como oferecer resistência ou estabilidade nos exercícios. Mas elas podem ser usadas também para musculação. E para quem usa cadeira de rodas, ela pode ser útil nessa tarefa. Basta posicionar o Thera-band na cadeira de forma que ofereça a resistência necessária para forçar o músculo que se quer trabalhar.  A grande vantagem dos exercícios com Thera-band é o custo, pois basta comprar algumas faixas, seguir orientações e se exercitar em qualquer lugar.
Variação para exercitar o bíceps 
Para mostrar pra gente as melhores posições para malhar com Thera-band, pedi auxílio ao Claudinei, que já me orienta na musculação na Aquafisiobh. O primeiro exercício é de bíceps, que tem duas variações. Na primeira, mais comum, é só passar o Thera-band pelo garfo que segura a roda dianteira e puxar para cima (como na primeira foto do post, lá em cima). Se a pessoa achar fraca a resistência da faixa, basta segurar mais embaixo. A variação deste exercício, para trabalhar a parte interna do bíceps, usa o Thera-band na mesma posição, por baixo do garfo, a diferença é que ele deve ser passado por entre as pernas e segurado rente ao corpo, como na foto acima. Assim é possível trabalhar o bíceps com mais eficiência.
Trabalhando tríceps com o Thera-band
Outro exercício fácil de fazer é para trabalhar o tríceps. Basta passar a faixa pela "bengala", que é o empurrador da cadeira, e então passar o braço por trás da cabeça, segurando a Thera-band e puxando-a para cima. A foto abaixo exemplifica bem a posição da faixa.
Posição da Thera-band para tríceps
Há uma variação de tríceps que trabalha também ombro, passando a Thera-band pelo quadro da cadeira e puxando para trás com o braço esticado, conforme foto abaixo. É um exercício mais completo porque trabalha também a musculatura escapular.
Passando pelo quadro, é só puxara para trás
Utilizando o quadro, é possível também fazer dois outros exercícios para trabalhar bíceps e escápulas. É só passar o Thera-band por baixo do quadro e segurar as duas pontas com as mãos, conforme abaixo. Na primeira variação, puxe os dois de uma vez malhando bíceps. Na outra, segure as pontas invertidas e puxe mais em cima com os braços abertos para malhar escapular e ombros.
Bíceps com os dois braços de uma vez
Com os braços abertos, puxe os dois de uma vez
Por fim, um exercício para trabalhar ombro, passando a Thera-band pela parte inferior do aro da roda, puxe para o lado abrindo o braço.
Use o aro da cadeira para travar o Thera-band
Com essas dicas, não tem desculpa para deixar de se exercitar, preferencialmente com o acompanhamento de um profissional. Mas usando a Thera-band, dá para fazer em casa também. O ideal é comprar de várias cores e resistências, e então buscar a que melhor se adapte aos exercícios.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Dores crônicas

Ái como dói...
Tem gente que acha que sou o cadeirante mais bem humorado do Brasil. Não concordo, mas uma coisa é certa: sou o cadeirante com dores crônicas mais bem humorado do Brasil. Sim, eu sinto dor todo dia, e viver com dor não é fácil. Eu sinto dores fortes por todo o corpo 24 horas por dia. Aprendi a conviver com isso, mas o problema são as crises, quando a dor vem tão forte que atinge até acima da lesão.
Já compartilhei isso aqui mas volto para falar um pouco mais do que sinto e quem sabe encontrar alguém que já passou ou passa por isso. A situação é a seguinte: minhas pernas queimam e formigam o tempo todo. Às vezes de leve, às vezes forte, às vezes quase insuportável (como agora). É uma queimação terrível e intensa, que vai do quadril até a ponta dos pés. Mas não é só isso. No tronco, também sinto uma queimação intensa. Menos do que nas pernas, mas mesmo assim muito forte.
O pior é que nenhum médico resolve meu problema. Na verdade, mal mal há um diagnóstico preciso. O mais preciso foi do Dr. Gabriel, neurologista do Sarah: dor mista, de fonte neuropática, muscular e sensitiva. Ou seja, devido à lesão, e com a recuperação que tive até hoje, minha medula interpreta a sensibilidade que tenho hoje abaixo da lesão como dor. Por isso, quanto mais tempo passo sentado, mais dor eu sinto. Daí veio a recomendação de deitar a cade três horas, como eu disse nesse post. É o que ajuda a tornar suportável a dor, fico quinze a vinte minutos deitado de lado e a dor melhora. Além disso, estive recentemente em outro neurocirurgião que alterou minhas medicações, e hoje tomo Simbalta, Tramadol, Lyrica e amitriptilina para a dor. Pediu que eu abolisse o Tylex, mas em crises, como a que estou passando, ainda é o único que traz alguma melhora imediata.
Não gosto de posts negativos, como disse no começo sou muito bem humorado, e continuo sendo mesmo com crise de dor, mas resolvi desabafar um pouco aqui. Estou afastado do trampo esses dias, mas espero voltar amanhã, ainda mais que tem festa de fim de ano! Torçam por minha melhora!!

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Ortostatismo em casa

Já disse aqui o quanto é importante praticar o ortostatismo, mas essa prática às vezes esbarra na falta de estrutura, para que o cadeirante consiga se levantar com segurança, ou de tempo para colocar as talas, posicionar a cadeira e se levantar, o que muitas vezes precisa também da ajuda de alguém.
Barra paralela de porta
Mas o Sérgio Lucas, leitor do blog, resolveu a questão com uma solução simples e eficiente: utilizando uma barra paralela, daquelas que encaixam na porta. Ele posiciona a cadeira embaixo da barra e trava ela, coloca os pés no chão, segura na barra e levanta o corpo. Fácil, simples e seguro. Qualquer problema, é só abaixar o corpo e sentar na cadeira de novo. Com cuidado, claro.
Sérgio Lucas se segurando na barra
Uma forma simples de praticar sempre o ortostatismo e aproveitar todas as vantagens dessa prática. Recomendo, porém, consultar um fisioterapeuta para saber se há alguma limitação para a prática desta atividade. Há pessoas que não podem fazer por problemas ósseos ou musculares. O Sérgio fez até um vídeo ficando de pé e fazendo barra. Essa é mais uma vantagem de utilizar a barra paralela, você pode fazer exercícios para os braços. Confiram:

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Malhando

Tentando sorrir enquanto faço força
Nunca tive paciência para musculação. Cheguei a entrar na academia umas cinco vezes, com boa intenção e até com recomendação médica (para fortalecer o ombro que operei devido a uma luxação). Mas em todas as vezes não durei nem três meses. Achava chato ficar repetindo aqueles exercícios fazendo uma força danada sem sair do lugar. Acho que eu era hiperativo mesmo, não conseguia ficar parado muito tempo. Além disso, eu adorava fazer esportes, principalmente mountain bike, que envolvia muito movimento e velocidade.
Fortalecendo os braços
Hoje em dia, com a idade e maturidade (além da lesão), fiquei mais paciente. E novamente, por recomendação médica (e de fisioterapeutas), voltei a malhar. Só que desta vez assistido por fisioterapeutas, na Aquafisiobh. Como eu já disse aqui, ela instalou uma verdadeira academia adaptada na clínica. É possível fazer quase todos os exercícios de uma academia normal, inclusive os aparelhos para perna, caso a pessoa tenha alguma força.
Tríceps com peso
É muito importante para o cadeirante fazer musculação, pois o condicionamento físico é fundamental para conseguir tocar a cadeira pelas calçadas esburacadas e superar todos os obstáculos que encontramos. Chega a ser fundamental em alguns casos, dependendo do quadro do cadeirante, do tipo de lesão e do comprometimento da musculatura. Ajuda também para manter o peso e minimizar a perda muscular. Mas o exercício deve ser orientado, pois pode causar lesões e piorar o quadro. Na Aquafisiobh tem um Fisioterapeuta que é Educador Físico também, o Claudinei, que sugere uma sequência de exercícios direcionada para a necessidade da pessoa.
O peso é pequeno, mas estou começando, vai aumentar...
Para quem pratica esportes por lazer ou para competição tem ainda mais necessidade de praticar musculação  que nesse caso serve como um complemento e forma de preparo para as atividades esportivas. Tem até gente que pratica fisioculturismo em cadeira de rodas, participando de campeonato e tudo! Sei não, acho meio exagerado... Cliquem aqui para ver.
Mas um dos maiores benefícios é mesmo manter o corpo forte para garantir mais independência e agilidade nas diversas atividades e desafios que nós cadeirantes enfrentamos, como transferências, manobras, superação de degraus e ressaltos. E a gente ainda fica gatinho para o verão...

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Total Gym 1000

Força muleque!!
Esses dias testei um aparelho surpreendente na Aquafisiobh: o Total Gym 1000, que é inspirado no reformer, utilizado para a prática de pilates. Ele consiste de um carrinho deslizante, em que a gente deita ou senta sobre ele, que se movimenta a partir de cordas puxadas por quem está no carrinho. Difícil entender? No vídeo abaixo fica mais fácil.
O interessante nesse equipamento é que o peso é da própria pessoa que está usando, e a dificuldade é aumentada de acordo com a inclinação do carrinho. Para um lesado medular, ele tem duas funções: fortalecimento muscular e controle de tronco. Fazer o aparelho deitado até que não é tão difícil, uma vez posicionado a gente só tem que controlar o corpo para não virar no chão. É bom uma pessoa auxiliar nos joelhos, para as pernas não ficarem abrindo ou esticando em espasmo. No vídeo isso acontece uma vez.
Sentado é bem mais difícil, mas é eficiente!
Mas fazer ele sentado... é bem tenso. Tem que ter bastante controle de tronco, pois não há nada para segurar, a não ser a cordinha, mas ela não tem sustentação para baixo e para cima. Dá um medo grande de cair, mas a presença de uma pessoa (fisioterapeuta, diga-se de passagem) na sua frente dá mais segurança. Mesmo assim foi tenso, e muito cansativo fazer sentado. Porém, achei muito eficiente o trabalho nele, pois saí com a impressão de aumentar a sensibilidade da musculatura das costas, principalmente nos músculos paravertebrais. E o controle de tronco que a gente trabalha nele é impressionante!
O legal mesmo é fazer deitado, o carrinho correndo para cima e para baixo é bem divertido! E a dificuldade depende do peso da pessoa, quanto mais gordinho, mais difícil. Se estiver difícil, aí que o cara tem que fazer mais, para deixar de ser gordinho!

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Suco de Cranberry

Anti-bactéria natural
Eu já tinha ouvido falar que um tal de suco de cranberry ajuda a evitar infecções urinárias. Há pouco tempo, o Múcio, colega da fisioterapia que está se tornando um grande parceiro do blog, me recomendou que tomasse suco de cranberry, pois ele estava tomando e percebeu uma melhora na cor e consistência da urina dele. Resolvi seguir a dica do Múcio e começar a tomar o tal suco também. Mas o que é cranberry, afinal de contas? Que fruta metida é essa que nem tradução para o português tem?
Cereja? Que nada, é Cranberry!
Cranberry é uma frutinha vermelha parecida com uma cereja, é conhecida no Brasil como Oxicoco e é nativa da América do Norte, pois é cultivada principalmente nas regiões frias do Hemisfério Norte. Vários estudos têm mostrado um benéfico potencial do suco de cranberry contra infecções bacterianas do trato urinário, além de ser rico em antioxidantes. Acredita-se que a frutose e as proantocianidinas do tipo A contidas no cranberry, quando entram na urina diminuem a adesão das bactérias à parede do trato urinário, evitando assim a instalação da infecção e proliferação subsequente dos microrganismos.
Encontrei um tanto de artigo na internet confirmando que a tal da cranberry é eficiente na prevenção à infecção urinária. Um deles afirma que há estudos que revelam que tomar o suco de cranberry como prevenção da infecção urinária é igual a tomar um antibiótico no esquema de profilaxia usual (com antibióticos em dose baixa). Portanto, substitui a macrodantina (que voltei a tomar há algum tempo, e tomo um por dia). Isso é ótimo, pois acaba sendo um antibiótico natural! Em breve vou suspender a macro...
O problema do suco de Cranberry é o preço, que varia de dez a doze reais o litro. Não é tão carro, mas como é para ser tomado todo dia, no fim do mês a conta sobe. Aqui vão alguns links para artigos que encontrei: artigo 1; artigo 2; artigo 3.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Plataforma vibratória

Terremoto, terremoto! Ah não, é só a plataforma vibratória!
Se tem um aparelho que nunca imaginei que seria útil a um paraplégico é a plataforma vibratória. Quando penso nela, a primeira imagem que me vem à cabeça é daqueles comerciais da Polishop com uma mulher super sarada em pé, paradinha, chacoalhando toda e sorrindo, enquanto o locutor garante que ela só tem aquela barriguinha porque passa horas na plataforma... Mas sempre tive a impressão de que aquilo ajuda é a "cair" muita coisa na mulher, já que chacoalha tudo...
Quando vi o aparelho na Aquafiosiobh, achei que a Joyce estava querendo investir em serviços de estética e modelagem corporal. Mas depois que ela me explicou a intenção do aparelho, resolvi experimentar. Ele é alto, fica a uns 25 cm do chão, e quando subi parecia que ia bater a cabeça no teto! Claro que é necessário calçara as talas (órteses) para travar o joelho. Fiquei com um pouco de medo no início, afinal era ela de um lado e a Solange do outro segurando um homem de quase dois metros com pouco movimento de quadril para ajudar... tenso! Mas logo peguei confiança e consegui me segurar sozinho. O bom é que logo que você consegue se segurar, pode começar a fazer os exercícios que a fisioterapeuta vai ditando. Inicialmente, ela pede para você movimentar para frente e para trás, para um lado e para o outro. A vibração da plataforma ajuda a buscar o músculo certo para manter o corpo ereto. Além disso, a vibração causa uma certa atividade na musculatura, que é predominantemente estática.
Para exemplificar o processo, fiz uma pequena filmagem do Múcio, artista do vídeo abaixo, já se segurando sozinho e fazendo alguns exercícios com o corpo.

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