
Todo mundo conheçe o ditado "quanto mais eu rezo, mais asombração aparece". A cada dificuldade para um cadeirante que encontro nas ruas da cidade me lembro deste ditado. E o pior é que cada desrespeito é mais absurdo que o outro. A bola da vez é o Hospital Belo Horizonte, um dos mais conceituados e tradicionais da cidade. Já tem um tempo que eu gostaria de externar minha indignação, mas semana passada foi a gota d'água.
O problema é estacionamento para deficiente físico. O hospital conta com um estacionamento amplo, com vagas específicas para cadeirantes, mas que é terceirizado. E os preços são absurdos. Precisei trocar um curativo nas costas e fui ao hospital, entrei no estacionamento e no lugar da vaga de deficiente tinha um carro de não deficiente. Detalhe, o lugar das vagas de deficiente é o único plano do estacionamento, o resto é todo em declive. O manobrista procurou alguém que tivesse parado há pouco tempo e conseguiu liberar outra vaga no plano, mas ao lado de uma corrente. Não aguento isso, as pessoas acham que vaga para deficiente é só um lugar marcado, não entendem que é preciso um espaço maior para abrir a porta completamente e encostar a cadeira de rodas. Mas mesmo quando a vaga para deficiente está liberada há outro transtorno. Uma delas, a que geralmente está desocupada, fica ao lado de um poste de metal. Então tenho que parar o carro torto para conseguir chegar com uma cadeira de rodas perto. E sempre o tal poste atrapalha, se não for ninguém ajudar não consigo sair sozinho não. Naquela ocasião, consegui sair do carro na marra e subi para fazer meu curativo.
Demorei uma hora e meia, voltei pro carro e sai do estacionamento. Valor? R$ 12,50. Um absurdo total. E não foi o mais caro que paguei, em uma emegência certa vez fiquei umas quatro horas e paguei 30 reais. Agora me explica: se as vagas para deficientes físicos na cidade são gratuitas para quem tem carro credenciado, porque em estacionamento fechado são pagas? Ainda mais em um hospital? Difícil entender. Difícil aceitar.
Ah, mas há as vagas para deficiente próximas ao hospital, não? Aí é que está o maior absurdo. Na busca de não ser tão lesado no bolso, quem procura uma vaga de deficiente próximo ao Hospital Belo Horizonte encontra bem ao lado da portaria principal, em uma rua paralela.

Só que a vaga fica depois de um ponto de taxi e na descida. E a rua ainda é de pedra fincada. Parece brincadeira, mas não é, as fotos estão aí para provar. É a pior vaga para deficiente que já vi na vida. Em um morro e ainda de pedra fincada. Incrível como o gênio que definiu o lugar da vaga não imaginou a dificuldade que é tocar uma cadeira de rodas em chão de pedra fincada. E na subida. Sem contar no risco que é a cadeira descer enquanto o deficiente faz a transferência, já que mesmo com os freios puxados, o peso e a posição não são suficientes. Se não houvesse ninguém para segurar minha cadeira, eu teria caido.

A solução que encontrei foi parar o carro em frente a uma padaria do outro lado da rua da entrada de emergência do hospital, em lugar proibido de estacionar, mas o único mais próximo de alguma entrada. Corro o risco de tomar multa quando vou lá, mas é o jeito para não pagar caro.
Mas como sempre não fico só no bla bla bla. Já mandei reclamação para o Hospital e para a BH Trans, que cuida do trânsito em BH. Espero sinceramente que alguma providência seja tomada neste caso.