terça-feira, 29 de setembro de 2009

Herança bendita


Ao que tudo indica, a "febre" da gripe suína está acabando. Não vejo mais ninguém na rua de máscara e os dados de óbitos pela gripe diminuíram. Mas essa gripe trouxe um bom hábito a todos, lavar as mãos com frequência e, no meu caso, carregar este frasquinho aí de cima no "kit".
Não sei como não pensei nisso antes, para nós cadeirantes deve ser item obrigatório no dia a dia, afinal é sempre difícil encontrar uma pia que encaixe a cadeira e dê distância para lavar as mãos. Depois que passei a usar o álcool gel percebi o quanto já comi de bactérias por pegar sanduíches, pãos, biscoitos e afins com as mãos sujas. Por mais que se limpe a cadeira frequentemente (minha namorada limpa umas três vezes por semana) o aro sempre contém sujeira, pois fica muito perto do chão, e no gira-gira traz um sem número de impurezas, poeira, etc. Se passamos por uma poça na rua, com certeza respinga no aro, e depois vai para nossas mãos.
Portanto, a herança bendita que a gripe suína nos trouxe foi o aumento da higiene no dia a dia, pois a maior parte das pessoas não lava a mão antes de comer. Uma vez que vira hábito a gente não esquece de higienizar as mãos e garante assim menos exposição a bactérias e mais qualidade de vida.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

O "Kit"


Entre as diversas mudanças de hábito que a cadeira de rodas me trouxe, uma delas eu apelidei de "kit cadeirante". Como não dava mais para colocar a carteira no bolso de trás da calça, passei a carregá-la no bolso da frente. Com o tempo percebi que até isso é complicado de fazer quando não dá pra dar uma levantadinha. Também percebi que não bastava mais carregar só a carteira onde quer que eu fosse, tinha que levar também chave, documento do carro, e as novidades: coletor urinário, saco coletor, caixa de remédios, e muitas vezes acrescentar material para fazer o cateterismo.
Como fazer então para levar essa tralha toda sem cair tudo? Que "recipiente" eu poderia usar, já que a moda das pochetes ficou enterrada (felizmente) nos anos 80? Poderia carregar uma pochete assim mesmo, porque uma vantagem da cadeira de rodas é que as pessoas olham mais pra ela do que pra você, e no caso os fins justificam os meios. Mas achei mais "muderno" e menos mico carregar uma bolsa tipo necessaire. Pra não ficar falando esse nominho grande e afrescalhado achei melhor colocar outro nome, e kit veio a calhar, porque afinal de contas, é um kit mesmo.
Kit cadeirante! Em breve à venda em uma farmácia perto de você! Brincadeira, apesar da boa idéia não tenho queda para ser comerciante. E também já existem no mercado algumas alternativas interessantes, como as bolsas e pochetes da Modus Ateliê. Mas eu ainda prefiro meu kit... bem que a Nokia podia perceber o merchandising que fiz aqui e me dar um celular novo, heim?

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Pesquisa sobre Mercado de Trabalho para Deficientes

Conheci através do blog a Beatriz Minervino, estudante de administração de empresas na UNIP - Campos Paraiso em Sao Paulo, que está fazendo uma pesquisa de final de curso sobre a Capacitação e o Desenvolvimento da Pessoa com Deficiência para o Mercado de Trabalho. É um tema muito importante e de utilidade pública, todos sabem o quanto é complicado o deficiente físico conseguir um cargo relevante e que considere todas suas limitações e necessidades.
Para realizar a pesquisa ela precisa de voluntários para responder à pesquisa sobre os deficientes e o mercado de trabalho. Quem se candidatar é só preencher as questões abaixo e mandar para a Beatriz no e-mail biaminervino@gmail.com. Vamos contribuir!!

PERFIL

Nome:
Idade:
Onde mora:
Tipo de deficiência:
Adaptabilidade Necessária:
Nível de escolaridade:

QUESTIONÁRIO

1. Descreva por favor sua experiência profissional. Onde já trabalhou, em qual função e por quanto tempo

2. Qual sua experiência com o pré-conceito e com a super proteção?

3. Você já participou de algum programa de capacitação ou curso? Em caso positivo, por favor, descreva como e onde foi esse programa.

4. Após o processo de capacitação, você se sentiu mais preparada para o trabalho?

5. Quais são suas potencialidades e dificuldades?

6. Em relação à lei de cotas, qual sua opinião?

7. Você já recebeu algum auxílio do governo?

8. Qual medida você sugeriria ao governo para auxiliar as pessoas com deficiência no mercado de trabalho?

9. Qual mudança você sugeriria a empresa que você trabalha (ou a escola em que estuda) para facilitar/ estimular seu desenvolvimento profissional?

10. Quais são seus objetivos e planos para o futuro?

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Campanha do milagre

Fantástica a campanha criada pela PragmaDDB para a Comisión Especial de Discapacidad – Congreso de la República del Perú (Comissão Especial sobre Deficiência – Congresso Nacional do Perú) sobre a falta de respeito que muitas pessoas têm sobre as vagas reservadas aos deficientes físicos em diversos estabelecimentos.
Uma bela lição aos espertinhos que acham que ninguém vai perceber se ele parar "só uns minutinhos" na vaga para deficiente. Deviam fazer por aqui também.

Quem nunca passou por isso?

Eu já vivenciei esta situação várias vezes. A vontade que dá é pegar um sujeito desses e amarrá-lo a uma cadeira de rodas, em seguida mandá-lo tentar subir uma calçada sozinho. Enquanto ele não conseguir, não soltar o infeliz. Seria uma grande lição. Além, é claro, de lhe aplicar uma pesada multa.

Transporte alternativo ecologicamente correto

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Debridamento cirúrgico


Ontem fiz uma mini-cirurgia, um debridamento para retirar um pouco de tecido morto da escara, essa casca que aparece na foto. Eu já tinha ouvido falar o quanto é difícil a escara fechar, mas não sabia que era tanto. E pensar que ela começou com um simples machucado nas costas na hora de entrar no carro.
Apesar da paraplegia, os médicos queriam aplicar anestesia. Eu disse, claro, que não precisava, pois tinha pouca sensibilidade. Mas me arrependi, na hora senti dor pra caramba, parecia mesmo que estavam tirando meu couro. E estou sentindo até agora. Não foi tão ruim, pois minha sensibilidade realmente está boa, e tenho grande resistência à dor. No dia eu estava com tanta dor nas pernas que minimizou a dor na escara.
Mas as perspectivas pós-debridamento são boas, os médicos disseram que a escara está bem superficial e está diminuindo bastante, mais uns três meses e sara. Isso ainda me impressiona, eu passei a vida me machucando pelas montanhas de bike, e os machucados não duravam um mês. Mas a realidade do lesado medular é outra, a cicatrização é mais lenta e os machucados abrem com mais facilidade. O negócio agora é minimizar os movimentos e não fica muito tempo na mesma posição. E talvez ainda seja necessário outro debridamento daqui a um mês. E espero que essa seja minha primeira e última escara.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Hoje é o Dia Nacional de Luta das Pessoas com Deficiência


O dia 21 de setembro, além de dia da árvore é também o dia nacional de luta das pessoas com deficiência. Este dia foi instituído pelo movimento social em Encontro Nacional, em 1982, com todas as entidades nacionais. Porém, só foi instituído legalmente em 2005, por meio da lei nº 11.133/2005 através de ação do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência (CONADE). Este ano também é comemorado os 200 anos de Louis Braille, inventor do Braille, sistema de escrita e leitura para as pessoas cegas, que hoje garante aos cegos o acesso à educação e às diferentes formas de se comunicar.
Foi escolhido o dia 21 de setembro pela proximidade com a primavera e o dia da árvore numa representação do nascimento de nossas reivindicações de cidadania e participação plena em igualdade de condições.
Esta data é comemorada e lembrada todos os anos desde então em todos os estados; serve de momento para refletir e buscar novos caminhos em nossas lutas, e também como forma de divulgar nossas lutas por inclusão social.
Teoricamente, os 14,5% da população – número de pessoas, segundo o IBGE, que possui algum tipo de deficiência –, tem muito o que comemorar. No papel, o País é um grande defensor dos direitos dos deficientes. Desde 2001, o Brasil integra a Organização dos Estados Americanos (OEA) na Convenção Interamericana para Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Pessoas com Deficiência. Em 2008, foi ratificada pelo Congresso Nacional a inclusão do País na Convenção da Organização das Nações Unidas (ONU), que propõem medidas duras para garantir maior abrangência à política nacional de atendimento às pessoas com deficiência. Há mais de 20 anos, vigora lei federal que garante o acesso do segmento aos direitos básicos como saúde, educação, emprego e moradia. Isso tudo, porém, é a teoria.
Na prática, a maior parte dos deficientes físicos brasileiros ainda enfrenta barreiras. A primeira delas – e, talvez, a mais importante – é a falta de conhecimento de seus direitos. Este tem sido o objetivo deste blog e de tantos outros que abordam este tema. Neste sentido a Internet é uma valiosa ferramenta de informação e troca de experiências. E também de denúncia, que muitas vezes se transforma em ação para garantir nossos direitos.

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