quinta-feira, 31 de março de 2011

Adaptação em piscina

A Inaie, designer de São Paulo, me contactou há algum tempo contando como adaptou a piscina de um cadeirante com uma solução muito mais simples do que aqueles elevadores barulhentos e lentos que geralmente são utilizados. Abaixo conta a história e ilustra com fotos:

Briefing
Após o acidente o Aparecido adaptou-se bem à estrutura que tinha num sobrado até encontrar uma casa térrea dentro de suas condições financeiras. Embora térrea a casa adquirida não era de fácil acesso.
O desejo de reforma se direcionou principalmente à parte externa da casa, o lazer, por se tratar do espaço mais utilizado pelo cliente.
A maior preocupação era como ele entrava na antiga piscina: estacionando a cadeira em frente a borda, ele se impulsionava até cair na água.
Numa conversa informal, propus um estudo para melhorar a acessibilidade na piscina e na parte externa.
Os instrumentos existentes no mercado para facilitar o acesso á piscina por cadeirantes e portadores de outras deficiências de locomoção, são em sua maioria, sistemas mecânicos, o que geraria uma manutenção que não interessava aos envolvidos no projeto.

Desenvolvimento do Projeto
Ainda em fase de croqui, decidimos tentar estudar a transição do Aparecido do carro para a cadeira e vice-versa. Após análise da transferência citada, o primeiro croqui foi ganhando forma. De início imaginamos uma caixa para ele entrar na água como se saísse do carro, depois refletimos que ele deveria ter uma rampa (muito prolongada, para suavizar) porém, o projeto ficava um pouco prejudicado pela área reduzida.
Em conversas com o Aparecido, ele disse que o estreitamento de certas partes para ele não o prejudicaria, e disposto a encarar o desafio, ele acreditou na eficiência no projeto e executou.
A área externa recebeu decks de madeira para ligar a casa à parte coberta da churrasqueira, assim evitaríamos, quebrar todo piso externo, nivelar e outras atividades, reduzindo o tempo de obra e o custo final. Um banheiro externo foi reformulado e reposicionado para o acesso da cadeira.
Assim como a churrasqueira e o balcão da ilha, que atende ao churrasqueiro com facilidade.
As medidas e alturas não seguem os padrões exigidos pela ABNT, porque o Aparecido já tinha uma rotina em área não adaptada, então ele preferiu um meio termo para ele e para os amigos e familiares não cadeirantes. Algumas alterações do projeto original foram feitas na obra, mas a essência original do projeto permaneceu intacta.
Considerações finais
Nosso foco hoje é divulgar essas imagens, para que o sistema possa ser utilizado em piscinas públicas, clínicas, academias, hotéis, enfim, onde houver interesse, além de discutir com outros interessados uma forma de melhorar o projeto.

Contatos da Inaie:

terça-feira, 29 de março de 2011

Entrando no mar

Na barraca do AdaptSurf
Meu domingo no Rio foi de fortes emoções. De manhã fui pro Leblon para experimentar o projeto da Ong Adapt Surf, que visa integrar pessoas com deficiência a esportes e lazer no mar, promovendo praias acessíveis itinerantes, ou seja, a cada final de semana eles montam o projeto em uma praia do Rio, geralmente no Leblon ou Barra da Tijuca. O legal é que informam tudo por twitter, e foi como descobri que seria no Leblon no domingo.
Como havíamos combinado com a Thati de encontrar lá mais cedo, já que ela prefere a praia menos cheia, vi o pessoal montando a estrutura, com tenda, pranchas adaptadas, cadeira de rodas infláveis e esteira para chegar até a praia. Depois de tudo montado fomos conhecer o projeto e saber como faria para participar, pois queria entrar no mar, coisa que não fazia desde 2006, quando morei em Floripa e podia ir à praia a qualquer momento. Nunca fui tão fã assim de ficar no mar, mas sempre tive uma admiração especial por ele, ainda mais por ser de um estado que não é banhado pelo mar.
A eteira e a cadeira flutuante
Patrick, um dos participantes do projeto, nos explicou que é tudo gratuito, e eles entram com a pessoa no mar com acompanhamento de um fisioterapeuta, e se for de interesse dão aulas de surf, pois contam com pranchas adaptadas, onde o deficiente vai ajoelhado ou deitado. Só que o mar estava bravo, com ondas fortes, portanto não ia dar para um novato surfar. Mas também eu queria só entrar no mar e beber um pouco de água salgada. Tá bom, não queria beber, mas sabia que uns caldos seriam inevitáveis.

Chegou minha hora e os caras fazem um briefing, uma breve explicação de como é o mergulho e como devemos proceder. Me levaram para o mar, e logo nas primeiras ondas a cadeira começa a boiar. Depois me tiraram da cadeira e os caras me seguraram enquanto eu fazia o possível para manter o corpo estável. É um ótimo exercício para o tronco e acredito que com o tempo melhore o equilíbrio.
A sensação de sentir as ondas, mergulhar para furar as maiores, até mesmo sentir a água salgada na boca e no corpo é inigualável e única. Foi uma experiência fantástica, os caras tem muita responsabilidade e ficam dois por sua conta, dando muita sensação de segurança. Mas mesmo assim a Gi ficava apavorada quando eu sumia debaixo d'água. Ficamos uns 20 minutos na água, tempo mais do que suficiente para curtir bastante a água do mar (e tomar uns bons litros de água salgada também - brincadeira, foram só uns mililitros).
E o mais legal é a sensação de "alma lavada" depois de um bom banho de mar. Fiquei muito feliz com a oportunidade e agradeço ao Felipe e Patrick da ong AdaptSurf, espero que outros deficientes também tenham este prazer.

sábado, 26 de março de 2011

Pedalando em Copacabana

Viemos ontem pro Rio e já cheguei na pilha de pedalar. Mas o cansaço de viagem e a cama do hotel me impediram. Liguei pro Dado, do Mão na Roda e combinamos de amoçar no dia seguinte e combinar uma pedalada. À noite fomos ao bar Devassa encontrar a Thati, amiga da Gi. Hoje almoçamos no Almir, um restaurante árabe alto nível com comida deliciosa.
Depois do almoço fomos montar minha handbike enquanto o Dado foi buscar a dele. Nos atrapalhamos para montar o encosto da bike e quando fomos pedalar já era umas cinco da tarde. Atravessei a rua pela primeira vez com a handbike e confesso que senti um certo cagaço, pois a bichinha é baixinha e dá a impressão que os motoristas não vão enxergá-la.
Entramos na ciclovia, que estava lotada, e mandamos ver nas hands. É uma delícia pedalar na beira da praia, sentindo a brisa do mar e admirando o belíssimo visual. Não aguentei acompanhar muito o ritmo do Dado, o cara treina e compete a nível internacional, mas ele pegou leve e pedalou "passeando". Fiquei impressionado como as bikes chamam atenção, tiraram muitas fotos delas e perguntaram um monte de coisas.
Muito bacana pedalar com mais "handbikers"
Mais tarde chegou o Nicolas, que também contribui no Mão na Roda, com outra Handvikn igual à minha. Trocamos muita ideia em relação às bikes e batemos muito papo, os caras são nota dez. No final, o pneu traseiro do Nicolas furou e emprestei o meu pra ele voltar pra casa pedalando e amanhã vamos pedalar no Flamengo. Mas só depois de colar uma câmara de ar.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Pedalando na lagoa da Pampulha

Aproveitando minhas férias, peguei a handbike hoje e fui para a lagoa da Pampulha aproveitar que é plano, tem ciclovia e um belo visual. E hoje fui paramentado, com capacete, luva e meu Camelback, que estava jogado desde que fiquei paraplégico e é o único resquício dos tempos de mountain bike, já que o resto ficou na mudança que veio de Floripa. Também instalei o suporte de GPS do carro na bike para filmar parte do percurso e medir com os aplicativos do meu celular. Baixei logo três aplicativos e aproveitei hoje para testar todos e ver qual é o melhor. Me decidi pelo Runkepper, que manda pra internet e publica no twitter o percurso percorrido. Cliquem no link a seguir para ver parte do percurso que salvei: http://runkeeper.com/user/alerifer/activity/29414975.
Aproveitei para fazer um vídeo explicando como passo para a handbike, já que muita gente tem dúvida em relação a isso, pois ela é muito baixinha, e a transferência é complicada. Na filmagem não apareceu muito bem, pois fui eu mesmo que filmei, e acabou não aparecendo a calçada. Mas acho que deu pra entender. Faço da seguinte forma: coloco a handbike em cima da calçada bem próxima ao meio fio, paro a cadeira de rodas do lado da bike, passo a perna por cima do banco da bike e escorrego o corpo até a bike. Depois é só arrumar as pernas nos devidos lugares. Para voltar é a mesma coisa, a cadeira fica bem próxima ao meio fio, a bike idem, e pulo pra cadeira de rodas apoiando no banco da bike. O problema que encontro é que a bike não tem "freio de mão", não trava, então preciso da ajuda de alguém (no caso a Gi) para segurar a bike enquanto faço a transferência. Ela só coloca o pé embaixo da roda traseira da bike e segura o guidon, o resto eu faço sozinho.
Outro vídeo que fiz com o celular foi no suporte de GPS, mas não ficou muito bom porque a câmera focou mais no pedal, que estava mais próximo, deixando o fundo um pouco desfocado na maior parte do vídeo. Mas acho que dá pra ter uma ideia do quanto é gostoso pedalar a handbike, ainda mais em volta da lagoa. Da próxima vez vou colocar o suporte mais pra cima, pegando só a cena em frente à bike. Detalhe trágico: eu estava começando a me empolgar na pedalada quando o simpático casal ao fim do vídeo não me ouviu chegando e simplesmente travou meu caminho. Depois disso passei a trocar de via, apesar do ressalto que dá passar por cima da grama. Mas pelo menos não parei no meio do caminho. Acho que falta uma buzina nessa bike...

segunda-feira, 21 de março de 2011

Primeira pedalada ao ar livre

Pedalando no Parque Santa Lúcia
Hoje finalmente estreei oficialmente minha handbike. Colocá-la no carro foi um parto, além de pesada ela é sem jeito de pegar, o guidon fica virando e pesa pro lado. Mas depois de uma pequena luta conseguimos colocar no porta malas, e mesmo com o banco traseiro rebatido a frente dela ficou entre os dois bancos dianteiros. Mas felizmente coube a bike e ainda sobrou espaço para colcoar a cadeira de rodas (claro que tinha que ir, afinal eu não ia passar do carro direto pra bike).
Eu queria mesmo ir para a lagoa da Pampulha, um dos cartões postais de BH, mas como saímos de casa tarde, pois fiz hidroginástica antes, resolvi ir para o Parque Santa Lúcia, que fica bem perto da minha casa (a uns três quilômetros) e tem uma bela lagoa com pista de ciclismo em todo o entorno. Chegamos lá e ao tirar a bike do porta malas já virou atração. Tinha uns garotos saindo da escola e pararam em volta para entender do que se tratava. Cada um dava uma opinião, começaram a perguntar e expliquei que se tratava de um triciclo para pedalar com as mãos. Montamos com alguma dificuldade, afinal era a primeira vez, e comecei o difícil processo de passar pra ela.
A bichinha é muito baixinha, eu pensei em colocá-la em cima da calçada pra ficar mais alta, mas não tinha uma calçada com descida pra ciclovia. Resolvi pular direto da cadeira, mas esqueci de um detalhe: passar a perna por cima do banco. Quando caí no banco percebi a cagada, e aí veio uma luta pra conseguir passar a perna para me posicionar corretamente.
Passada a luta, coloquei a fita de fixação nos joelhos, que a Gi confeccionou hoje à tarde, e parti para as pedaldas. Pensem bem, eu fui ciclista por mais de 20 anos, fiquei paraplégico, com nenhuma esperança de voltar a pedalar, e depois de quatro anos e oito meses dou novamente pedaladas em cima de uma bike. Como diz um amigo meu, correu até uma lágrima no canto do olho...
A visão de quem pedala
A partir daí foi uma festa. Pedalei em volta da lagoa por quase uma hora, dei umas sete voltas. Passei muito tempo regulando as marchas, e ainda não consegui deixar 100%, mas amanhã tem mais pedal e acabo o serviço. O Parque tem altos e baixos, deu pra ver como é fácil subir morros com marchas mais leves, e quanto ela corre na descida, colocando marchas pesadas. Cheguei a quase 40 km/h. Não tenho ainda computador de bordo mas meu celular tem um aplicativo (Sportstrack) que faz o monitoramento de todo o percurso, registrando velocidade máxima e média, tempo de duração, altitude e até calorias gastas. Mas só usei por duas voltas, depois dei pra Gi tirar umas fotos. Amanhã vou fazer vídeos, depois posto aqui. E gente, é incrível a sensação de pedalar uma handbike. Sentir novamente o vento na cara, o barulho da corrente e das rodas no asfalto, as marchas trocando e diminuindo a força... não tem preço. Tô feliz que nem pinto no lixo! (apesar de nunca ter entendido esse ditado...)

sexta-feira, 18 de março de 2011

Família blogueira

Devido à repercussão e à importância que este blog tomou em minha vida, minha família também se empolgou e resolveu criar seus blogs. Meu irmão já tinha feito um pra ele, mas não deu continuidade devido a falta de tempo. Mas agora minha irmã e meu pai criaram blogs muito interessantes e estão animados com a dinâmica e interatividade que um blog proporciona.
Minha irmã teve a ideia de fazer um blog que reúna histórias de superação que sirvam de exemplo para tanta gente que vive reclamando da vida, entra em depressão e se descabela por problemas pequenos, que podem ser contornados com força de vontade e outros atributos nobres como paciência e perseverança. Achei muito bacana a iniciativa e a primeira história de superação será a minha, que inspirou-a a criar o blog. Vamos contribuir?
Meu pai já partiu pra outro lado, criou um blog com assuntos gerais, e vai contar tanto histórias pessoais como opiniões sobre assuntos diversos, de economia a futebol. E ele está super empolgado, já escreveu dezenas de textos e está publicando vários por semana. E não é porque é meu pai, mas o cara escreve bem pra caramba, é super inteligente e adora futebol.
Taí o blog dele: http://pitacosdopi.blogspot.com/.
Depois me contem se gostaram, viu?

Rampa móvel simples de fazer

Gente, já bati nessa tecla dezenas de vezes e volto a falar no assunto. É uma coisa simpes, barata e que pode trazer aos donos de estabelcimentos comerciais mais clientes e ainda melhorar sua imagem junto ao público em geral. Uma rampa móvel, como muitas que mostrei aqui, resolve aquele velho probelminha de haver um ou dois degraus que impossibilitam, ou pelo menos dificultam muito, a entrada de um cadeirante.
O cara não precisa chamar pedreiro, não precisa quebrar nada, não tem que ir na prefeitura pedir autorização, nem precisa incomodar os clientes com obra para tornar o lugar acessível. Basta medir direitinho, fazer uns rabiscos simples para ter uma ideia e contratar um marceneiro ou ferreiro pra confeccionar. Mas tem que ter muita atenção com as medidas, deve ter pelo menos oitenta centímetros de largura e inclinação suave, algo em torno de 20 a 30 graus e tem que encaixar bem, sem folgas, para proporcionar segurança e podem ser feitas de madeira ou metal. A NBR 9050 dá até uma fórmula para calcular a inclnção ideal o item 6.5, quem quiser detalhes é só clicar no link.
Em Buenos Aires encontrei um ótimo exemplo de rampa móvel feita de madeira. Este material tem a vantagem de ficar leve, pois da pra usar até compensado, mas não pode pegar chuva, senão empena. Foi no restaurante Siga la Vaca, em Porto Madero. A entrada sem rampa:
E com rampa:

Exemplo a ser seguido, diretamenta da terra dos hermanos!

quarta-feira, 16 de março de 2011

Turismo acessível

Como eu comentei antes, Buenos Aires é uma cidade ótima para cadeirantes, tudo muito plano e rampas em quase todas as esquinas e nos prédios principais. Mas nem tudo são flores... O Caminito, por exemplo, é todo em pedra fincada, assim como a feira de San Telmo. Mas mesmo assim há calçadas em piso liso ou ladrilhos. E como são programas imperdíveis, vale o sacrifício.
Feirinha de San Telmo, na pracinha o piso é bom
Há também restaurantes e lojas com degraus, mas os argentinos são sempre solícitos e simpáticos para ajudar a vencer estes pequenos obstáculos. E a língua nunca é problema, se ficar difícil o "portunhol", quem souber falar inglês se dá bem, pois a grande maioria fala.
O único problema que tive foi com alguns taxistas que se recusaram a me levar assim que viram a cadeira. Mas foi um ou outro. Há muitos Corsa perua, o que achei melhor pra levar a cadeira sem problema. Mas teve um taxista muito doido que arrumou um jeito de enfiar no porta malas do Siena, depois trouxe a gente pro hotel costurando como um louco no trânsito. A Gi se borrou toda, ainda mais porque estava meio tonta. Me diverti muito!
Destaco dois exemplos acessibilidade: o restaurante da esquina da rua Florida com Av. Córdoba, que mesmo sendo no nível da rua tem elevador para os banheiros no andar de cima e o Siga la Vaca, em Porto Madero, que tem uma rampa móvel muito bem feita para vencer o degrau que tem lá. Vou mostrar em outro post.
Bares e restaurantes em Palermo
Em Palermo, um agradável bairro de classe média-alta, tem uma rua muito gostosa com bares ótimos, carne um excelente programa para fazer à noite, a dois ou em grupo. Muitas esquina tem acesso, mas nem todas.

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