quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Reformada mas sem acesso

E os cadeirantes, vão na concorrente?
Na última segunda feira fiquei feliz ao ver que a lotérica perto da minha casa providenciou acesso a cadeirantes, mas logo acima fiquei triste, pois a padaria Santíssimo Pão (Rua Grão Mogol, 65) que acabou de passar por uma grande reforma, não se lembrou de quem tem problemas de locomoção.
Ela ficou fechada por um bom tempo, alguns meses, e reabriu há algumas semanas. Eu já estava curioso para saber se resolveram o problema de acesso, mas fiquei decepcionado. Na verdade eu nunca havia tentado ir lá rodando, eu sempre parava em frente de carro enquanto a Gi ia comprar alguma coisa para o lanche. Eu esperava no carro porque sabia que não tinha como entrar, pois havia dois degraus em uma entrada e um na outra. E a Gi geralmente estava comigo.
Moro na região há três anos, e no início não tínhamos alternativa de outra padaria por aqui. Mas há uns dois anos abriu uma unidade da Trigopane alguns metros acima, na Grão Mogol mesmo. Naturalmente, eu dava preferência para a Trigopane devido ao acesso facilitado, mas eu gostava muito do pão de laranja da Santíssimo, e quando a Gi estava comigo, comprava lá mesmo.
Mas eis que há alguns meses a padaria fechou e entrou em uma grande reforma. E quando reabriu, de cara percebi um "puxadinho" que fizeram pro lado do estacionamento, para ampliar a lanchonete. Ficou bem bacana, com grandes janelas. Mas a entrada.... Além de não fazerem uma rampa, mantiveram os degraus e fecharam a outra entrada, que tinha só um degrau. Perguntei à menina do caixa se tinha outra entrada, e ela disse que era só aquela. E rampa móvel? Muito menos.
Desse jeito, além de perder definitivamente um cliente, ficarão mal vistos por quem se preocupa com acessibilidade. E as pessoas estão cada vez mais atentas a isso. Eu, pelo menos, sempre estou. E divulgo aqui, para quem quiser ver. E, de preferência, me ajudar a cobrar.

Mais um lugar ganha acesso

Agora sim, acessível
Há quase dois anos, falei em um post aqui no blog sobre o absurdo que é casas lotéricas não terem acesso para cadeirantes. São lugares voltados para o público em geral, respaldados por um dos bancos mais populares do país, a Caixa Econômica Federal. O mínimo que deviam ser é acessíveis.
Naquele post dei o exemplo de uma lotérica na Av. Alfredo Balena e de outra no início da Rua Grão Mogol, perto de onde moro, a São Judas Tadeu. Só que de um tempo para cá percebi que colocaram uma escada de metal nesta segunda lotérica. Não sei se foi por causa do meu post (eu mandei e-mail para a Caixa reclamando na época, mas faz tanto tempo que devem ter esquecido), mas o fato é que parecia que o problema tinha sido resolvido. E segunda feira passada fui lá conferir.
Chegar até lá rodando já é um desafio, há muitas árvores no meio da calçada e é preciso ir pela rua em alguns trechos encarando os carros que vêm na contramão. Depois precisei subir na calçada por uma entrada de garagem que mais parecia uma escada, com dois pequenos degraus. Mas não desanimei e fui embora.
Chegando na lotérica, percebi que a rampa é feita de duas peças, uma rampinha pequena subindo um pequeno ressalto e depois a rampa maior sobre os três degraus descendo. A rampa é mais inclinada do que deveria, mas possui corrimãos dos dois lados, que ajudam a frear a cadeira na descida e a puxar a cadeira na subida. Mas não dava para ser menos inclinada devido ao espaço.
A subida é meio puxada, mas o corrimão ajuda
Para subir o esforço é grande, e só fiz metade dele, pois um cara, vendo a força que eu fazia, empurrou a cadeira até o final. Mas dá para subir sozinho, numa boa. Parabéns ao dono da lotérica pela iniciativa, ou à Caixa pela cobrança, ou mesmo a mim pela denúncia!

domingo, 28 de agosto de 2011

Krug Bier

Ontem estive novamente no Krug Bier, faz tempo que quero fazer um post sobre o lugar, que considero um dos mais acessíveis de BH. Mas eu não tinha nenhuma foto do banheiro, e desta vez tirei. O bar/restaurante/choperia fica na Rua Major Lopes, 172, São Pedro, BH. É uma avenida bem plana e com muitas vagas de estacionamento, mas as reservadas para deficientes ficam um pouco longe. Mas tem um estacionamento pago bem ao lado, e se a pessoa estiver indo ao Krug paga oito reais independente do tempo que fique lá.
A entrada conta com uma rampa suave, com inclinação adequada. E eles deixam bastante espaço entre as mesas, o que facilita a circulação com cadeira de rodas. Mas quando enche, os espaços diminuem, mas basta pedir uma liçencinha aqui e outra ali para circular com tranquilidade. Só que a maioria das mesas tem pés centrais, o que dificulta posicionar, mas basta ficar um pouco de lado para ficar bem acomodado. Além disso, há enormes mesas de madeira vazadas, onde a cadeira entra com facilidade e os joelhos não ficam esbarrando. Recomendo utilizar sempre esta opção, mas tem que ter bastante gente junto, senão fica sub utilizado.
O banheiro é ótimo, não é tão grande mas o suficiente para circular bem. A porta é a mais bonita que já vi, com espelho e madeira, como percebem na imagem acima, mas é muito pesada e costuma travar, aí só pedindo ajuda para conseguir fechar. Este é um ponto falho que poderia facilmente ser corrigido.
O motivo de ir lá foi participar de um encontro com ex-estudantes da Universidade Federal de Viçosa que estão morando em BH. A ideia do encontro surgiu de um grupo montado no Facebook, e após montado o evento o pessoal foi aderindo e no final contou com mais de 30 pessoas. Foi muito bom rever alguns amigos que eu não via há anos, encontrar outros que vejo sempre e ainda conhecer alguns da mesma época em que morei naquela cidade inesquecível. Eu morei 13 anos lá, de 1992 (quando passei para Administração aos 18 anos) a 2005, e ainda tenho alguns bons amigos que moram lá. Viver em Viçosa é uma experiência fantástica,  a gente aprende muita coisa, tanto profissional quanto pessoalmente. Vai gente de tudo quanto é estado brasileiro, e até de outros países. A diversidade cultural que reina num lugar desses é coisa rara, e se a pessoa souber aproveitar, sai com uma importante experiência de vida. Eu posso dizer sem medo que foi a melhor época da minha vida!

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Acessibilidade no Aeroporto Regional da Zona da Mata

O Nilson Baptista, de São João Nepomuceno, nos brinda com um relato sobre a situação da acessibilidade do Aeroporto Regional da Zona da Mata, localizado na cidade de Goianá e fica a 35 km de Juiz de Fora. O aeroporto é novo, foi inaugurado em 2007, mas as operações de vôos comerciais de passageiros iniciaram agora no dia 23 de agosto. Vejam abaixo as impressões e análises do Nilson, ao qual deixo meus agradecimentos pela colaboração.
"Minha chegada ao aeroporto foi num táxi Palio Weekend Adventure que estacionou na vaga para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. Dirigi-me, pela faixa azul e branca até a entrada sem nenhuma dificuldade. Já no saguão verifiquei a existência de telefones públicos com altura apropriada, balcões para atendimento a cadeirantes e banheiro adaptado espaçoso e limpíssimo. 
Para o acesso ao terraço panorâmico existe elevador para cadeirante. Pelo fato de as aeronaves que a Azul Linhas Aéreas utilizará nesta rota (Viracopos/Aeroporto Regional da Zona da Mata) serem do modelo ATR 72/200, turboélice, de 66 lugares, ainda não está disponível o equipamento denominado Ambulift (um carrinho com elevador para colocar o cadeirante no interior da aeronave), mas um outro equipamento utilizado em aviões menores e mais baixos, como é o caso dos que estarão operando. 
A nota que eu dei em termos de acessibilidade foi 9,5 porque não embarquei, e assim não pude avaliar o procedimento de colocar-me no interior da aeronave. Mas existe uma funcionária chamada Andréa Santana que cuida dos detalhes no atendimento a pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. 
O diretor da empresa que administra o aeroporto, Denilson Duarte, foi muito gentil, concedendo-me uma entrevista para o jornal do qual sou editor em minha cidade: São João Nepomuceno."

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Aprenda a lidar com a deficiência dos outros

Vejam que barato esse vídeo elaborado pelo pessoal do Hospital Albert Einstein, que dá dicas de como ajudar um cadeirante, um cego, surdo, enfim, qualquer pessoa com deficiência. São dicas simples, que parecem óbvias mas muita gente não se toca, e pela dúvida, enfiam os pés pelas mãos. Grande sacada!

domingo, 21 de agosto de 2011

Peças de metal

Porque não vem assim de fábrica?
Mais um post com a M3 como protagonista... e mais uma vez uma crítica. Para não ficar repetitivo, nem tudo que acontece com a cadeira eu coloco no blog. Dessa vez foi o nove de novo. Para quem não lembra, é só clicar aqui para ver do que se trata.
Como contei naquele post, passei por São Paulo e o Luciano, da Casa Ortopédica, resolveu meu problema substituindo a peça por uma de metal, e ainda me deu outra de plástico para ficar de reserva. E eis que no começo do mês o outro nove, que ainda era original de fábrica (e de plástico), resolveu quebrar. Mas fiquei tranquilo na hora, pois tinha outro de reserva em casa.
Cheguei em casa e fui logo convocando minha mecânica de cadeira de rodas improvisada, a Gi, minha namorada. Ela trouxe as chaves e começamos a "desmontação" da cadeira. Desaperta daqui, desaperta de lá, e tiramos o encosto, pois para colocar o nove tem que tirar o encosto todo da cadeira. Só que para o danado do nove entrar... Parece que era mais apertado do que o original. Dei umas marteladas, passei um óleo para entrar mais fácil (ui!) e conseguimos colocar o nove. Ficou bem justo, e difícil de rodar em torno do eixo. Mas funcionou.
No outro dia, na hora de ir embora do trabalho, fui passar para a cadeira e... ploft! Quebrou de novo o nove. Não durou dois dias. Mas acho que o motivo foi a pressão em que ele estava. Cheguei em casa e fui atrás do Luciano de novo. Não literalmente, mas por e-mail. Contei para ele meu novo drama da cadeira e ele, como sempre, se prontificou a me mandar um novo nove, desta vez de metal. Ele não me deu mais daquela vez porque não tinha outro de metal, só um de plástico.
E semana passada chegou a encomenda do Luciano, ilustrada na foto deste post: ele me mandou um par de "noves" de metal e ainda um par de apoiadores de aba, que ficam parafusados no quadro para segurar a aba, também de metal. E eu já havia quebrado um destes, que também vem de plástico de fábrica. Esta peça é ainda mais crítica do que o nove, pois recebe todo nosso peso quando fazemos elevação. Mais uma vez o Luciano brilhou, me quebrou um mega galho, e foi super atencioso. Deixo aqui registrado meus agradecimentos ao Luciano, que ajuda tanta gente na conquista de melhor mobilidade. 
Agora eu pergunto: porque estas peças não vem de fábrica de metal (no caso, alumínio)? Será que é para quebrar e fazer a gente passar raiva? Ou será que são só algumas cadeiras mais antigas que vêm assim? Alguém sabe se as novas vem de metal? Ah, o Pablo Gustavo me alertou que a dele veio de metal, e com o tempo fazem barulho em piso irregular. Bem, pelo menos duram mais!
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sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Dúvida cruel

O prédio é bonito, mas o da Gasmig é mais
Gentem, passei em outro concurso! Dessa vez para o BDMG, o Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais. Foi outra vez um concurso que fiz por fazer, sem muita expectativa, pois já estou empregado. E nem estudar eu estudei. Tudo bem que estou fazendo mestrado e tenho estudado, e muitas matérias tem relação com o que cai em concursos. Mas acho que é justamente essa tranquilidade que me permitiu fazer as provas com calma, pensando bem nas respostas.
Agora estou avaliando os prós e contras de mudar de emprego, mas uma coisa está me deixando animado a mudar, a carga horária, que é de seis horas. E isso, para quem sente dores crônicas como eu, é muito importante. Só que são seis horas corridas, sem pausa, que podem me deixar quebrado do mesmo jeito. E o serviço pode ser mais repetitivo, menos desafiador. A área que atuo hoje é estratégica na empresa e acabo coordenando vários projetos, sempre uma coisa nova. Por outro lado, é legal mudar de ambiente, e a própria mudança de tipo de serviço já é um desafio. Mas estou balançado: gosto muito do que faço, da empresa e dos colegas de trabalho, mas ir para um banco pode ser uma boa oportunidade de colocar em prática os estudos do mestrado em finanças, área que sempre gostei muito e entendo um pouco. E tem a carga horária 25% menor.
Ah, desta vez fiz o concurso e passei como deficiente mesmo, mandei o laudo médico no prazo (ao contrário do que aconteceu no concurso da Gasmig). E este post, no fim das contas, é para estimular os deficientes a buscar esta excelente alternativa, os concursos públicos. É só estudar, pois as vagas existem, são obrigatórias por lei, e há para todo tipo de cargo. Na iniciativa privada também há esta obrigatoriedade, pela Lei nº 8.213, que estabelece um percentual de vagas destinadas a portadores de deficiência de acordo com o número de funcionários da empresa: até 200, 2% do total; de 201 a 500, 3%; de 501 a mil, 4%; e acima de mil funcionários, 5%. Só que, além de nem todas as empresas cumprirem esta lei, as que cumprem costumam deixar os cargos mais baixos e simplórios para os deficientes.
Mas o fato é: se a pessoa se esforçar e correr atrás, sem trabalhar não fica. Mas tem outro porém: muita gente não se anima a buscar um trabalho para não perder o benefício do INSS. Já recebi algumas indagações neste sentido. E minha opinião é: vale a pena, e muito, perder este benefício para trabalhar. Primeiro porque nos sentimos mais úteis, segundo porque podemos crescer e ganhar mais, e terceiro porque o trabalho é uma das melhores formas de inclusão social que conheço. Então, bora trampar, galera!

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Eu não ando... mas corro!

Se tivesse uma dessas, facilitaria muito meu dia!
Calma, não é de handbike nem de carro que eu corro. Corro é no dia a dia. Minha vida é mais corrida do que de muita gente que anda. E como vocês sabem, o tempo de cadeirante costuma ser dobrado para algumas coisas, como entrar e sair do carro. Mesmo assim dou meus pulos e consigo dar conta de tudo que eu preciso e me disponho a fazer.
Começa assim: segunda feira vou pro trabalho às 08:30, trabalho e tenho hidroterapia às 12:15 e tenho que almoçar no carro, no trecho do trabalho até a Aquafisio. A Gi faz panquecas recheadas com frango e requeijão ou outros recheios e vou comendo quando o semáforo fecha. Não como rápido, vou saboreando as panquecas tranquilamente, mesmo porque é meio longe e demora uns vinte minutos. Faço a sessão, tomo banho, me troco (só para me trocar são vinte minutos) e volto pro trabalho. Saio do trabalho lá pelas seis e desço para o centro para pegar a Gi (casal em que só o cadeirante dirige é raro, heim).
Na terça, é o dia mais pesado. Tenho acupuntura às 14:30, portanto só saio do trabalho quinze para as duas, almoço às duas e dez e vou para a acupuntura. Volto para o trabalho, fico até as 18:00 e saio correndo para a universidade, onde dou aula das 19:00 às 20:40. Depois vou pra casa. Quarta feira, tem hidro de novo. E na sexta, acupuntura de novo, mas pelo menos não tenho aula.
E porque faço tanta coisa? A hidro faço porque é fisioterapia na água (e não hidroginástica) e há vários motivos para fazer: melhorar a postura e musculatura abdominal, manter a integridade dos ossos, fazer ortostatismo (ficar de pé) e outros tantos. A acupuntura faço para melhorar as dores crônicas, e deitar um pouco, já que, como disse há alguns posts, não consigo fazer isso no intervalo do trabalho. E funciona pra caramba, saio de lá novinho.
E as aulas fazem parte do mestrado, é condição para conseguir a titulação. Enfim, andar, não ando, mas corro pra cima e pra baixo!

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