quarta-feira, 28 de março de 2012

Pernas pro alto

Sempre que possível, mire-as para o céu!
Infelizmente este post não é para anunciar minhas férias premium de três meses, mas para falar sobre um hábito que deve ser adotado por todo cadeirante: colocar as pernas para cima. Não precisa também se pendurar no teto como um morcego, mas se lembrar de, sempre que possível, buscar uma forma de levantar os pés e deixar as pernas sobre algum objeto no mesmo nível ou mais alto do que o assento.
O ideal mesmo é deixar pelo menos um pouco os pés em um lugar mais alto, porém não pode deixar muito tempo, senão a circulação fica mais difícil. E é para a circulação o maior benefício de colocar as pernas para cima. Já ouviram falar que a panturrilha é o coração das pernas? Isso porque elas bombeiam o sangue para cima com a contração muscular. Só que nos cadeirantes, principalmente os lesados medulares, essa contração não existe. Por isso nossos pés incham se ficamos muito tempo sentados com os pés para baixo (essa é minha desculpa quando alguém fala que meus pés estão inchados de tanto beber...). Outra forma de evitar o inchaço dos pés é usar meias de alta compressão.
E não é preciso estar em casa para levantar os pezinhos. Quando estiver na casa de um amigo, não se avexe em pedir um banquinho para esticar as pernas. Até no escritório é possível fazer isso, basta conseguir um banco ou um apoio para colocar os pés. Só que o chefe não pode ver, senão vai achar que você está tirando onda de malandro...
Eu adoro um puxadinho!
Em casa, uma forma de ajudar nessa prevenção é comprar um sofá com chaise. Para quem não sabe, o chaise é esse "puxadinho" que o sofá tem onde dá para esticar as pernas. A vantagem é que fica fácil colocar as pernas para cima, mesmo que no mesmo nível do tronco. Como fica em casa, é uma atividade que a gente acostuma a fazer todo dia, ajudando na circulação. Mas melhor do que isso é deitar e colocar as pernas para cima mesmo, em uma almofada ou travesseiro. Eu faço as duas coisas, afinal meus pés já ficam inchados por outros motivos, prefiro evitar que falem que sou bebum...

domingo, 25 de março de 2012

Conferência Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência

A III Conferência Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência, que será realizada aqui em Belo Horizonte, terá por finalidade analisar os obstáculos e avanços das políticas nacional, estadual e municipal nessa área. O objetivo é promover o debate sobre direitos, cidadania e compromissos com as pessoas com deficiência, buscando a conscientização da sociedade a respeito da dignidade de todos os cidadãos, em sua diversidade.
Com o tema "Um olhar através da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da ONU: Novos desafios e perspectivas", resgata o comprometimento e a justiça social com novos princípios democráticos e seu impacto na gestão

Como preparação serão realizadas algumas Pré-Conferências, e a da Regional Leste irá acontecer no dia 26 de março, segunda-feira, de 13h às 18h no Centro Mineiro de Resíduos - avenida Belém, 40 - bairro Esplanada, onde serão levantadas as propostas a serem encaminhadas para o nível municipal. Outras pré-conferências já estão agendadas, conforme a programação abaixo.


A ideia da prefeitura é alcançar o maior número de pessoas interessadas. Como o número de vagas é limitado, eles solicitam que sejam realizadas as pré-inscrições através do telefone 3277-4137 ou pelo e-mail gerpsl@pbh.gov.br
A participação de todos é importante para fortalecer e garantir os nossos direitos!

Restaurante Ninho da Coruja

Uma das entradas do restaurante
Em Macacos estive em um restaurante da categoria quaaaase adaptado. E esse falta bem pouco para subir de categoria. O nome dele é Ninho da Coruja, e fica na Alameda das Quaresmeiras, 123. É de estilo rústico, feito quase todo em madeira, e é bem integrado à natureza, tanto que é comum ver macacos ou esquilos nos beirais e árvores ao redor.
Pequeno degrau na entrada. É fácil subir, mas podia ser rampa.
O restaurante conta com duas entradas, e a principal é acessível, apesar de ter um pequeno desnível. A outra entrada é mais ampla e dá numa pequena descida, mas na porta há um pequeno degrau. Lá dentro há bastante espaço entre as mesas para circular, e dá para chegar em todas as mesas, que são de pés paralelos e a cadeira de rodas encaixa com facilidade.
Esquilo fazendo uma boquinha
Costelinha com ora pro nobis servida nas panelinhas. Muito bom.
Há um banheiro que não é muito acessível, mas está fácil de ser adaptado. São três banheiros, dois femininos e um masculino, mas um dos femininos é que dá para entrar com a cadeira e é bem amplo. Só que tem um pequeno degrau na porta... Também é fácil de transpor, mas precisava dele? Fácil remover ou transformar em rampa.
Quanto ao cardápio, uma tentação só. Recomendo a costelinha com ora pro nobis, deliciosa. Vem em várias panelinhas rústicas, e dá até para três comerem bem. É uma inimiga de qualquer regime, mas muito amiga do sabor. E quando a gente está de férias ou passeando, a segunda opção é que importa mais. Depois a gente compensa na academia ou fazendo esportes...

quinta-feira, 22 de março de 2012

Destaque no tênis em cadeira de rodas

Fábio mandando bem no tênis
Para provar que a superação vem de nós mesmos, mais um exemplo de determinação e força de vontade: o atleta do tênis em cadeira de rodas Fábio Wanderson, representando a Ong Tênis Para Todos, chega à final da primeira etapa do Circuito Mineiro de Tênis para Todos, ficando com o segundo lugar. O torneio aconteceu no bairro Buritis. Para quem está começando, o pouco vale muito, ele enfrentou nessa disputa Luiz Carlos Ferreira, sexto colocado no ranking brasileiro de tênis em cadeira de rodas.
Ao centro, Gerson Carlos de Souza, diretor de planejamento e gestão da ong
Treinando muito, Fábio almeja muito mais, esperando que um dia seja valorizado e apoiado para que conquiste uma posição dentre os melhores. Os próximos desafios de Fábio serão a segunda etapa do mineiro, que iniciou no dia 16 de março, e o Minas Wheelchair Tennis Open, com início no dia 27deste mês e término no dia primeiro de abril. Este é o torneio mais importante da América do Sul, e contará com atletas vindos de vários países.
O Minas Wheelchair Tennis Open é credenciado pela International Tennis Federation - ITF (classificação ITF3), como uma das etapas do Circuito Mundial da modalidade (NEC Wheelchair Tennis Tour), e conta com os principais atletas da América Sul e oferece premiação em dinheiro. 
Telefone:             31 3442-9353      
Email: tenisparatodos@oi.com.br
Este é mais um exemplo da importância do esporte para os cadeirantes. Estamos torcendo por você!

quarta-feira, 21 de março de 2012

Banheira para cadeirantes

Minha amiga Vanessa, de São Paulo, me mandou um link para um post do site da Portobelo que mostra uma banheira desenvolvida para ser utilizada por cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida. Achei muito bacana a ideia, mas até chegar ao Brasil, considerando ainda o preço que se costuma cobrar por coisas assim, será um objeto para poucos. Mas fica a dica, pelo menos como sonho de consumo.

Os designers 
Kim Jung Su, Yoon Ji Soo & Kim Dong Hwan acabam de apresentar o conceito de uma banheira para cadeirantes, a Flume Bathtub. A proposta consiste em uma banheira de design moderno, com dois corrimões e uma curvatura em forma de assento, na qual o usuário pode tomar seu banho sentado.
Para facilitar o acesso à banheira, os designers buscaram inspiração no parque de diversões. A Flume fica sobre uma estrutura triangular e funciona como uma gangorra. Quando vazia, a banheira pende para o lado onde está assento e os corrimões. É por esse lado da banheira que o usuário entra nela.

Quando cheia de água, a Flume fica estabilizada em uma posição central, paralela ao chão. Os designers, no entanto, não informam se o peso do usuário oferece papel importante para que a banheira fique na posição para banho.
Para sair do banho, o usuário precisa esperar para que a água seja drenada. Sem água, a Flume volta para a posição inicial e o indivíduo pode deixar a banheira, com movimentos semelhantes ao da entrada na estrutura.
Prático e fácil de entrar e sair
O conceito, segundo os designers, pode ser aplicado não apenas em residências e hotéis que promovemacessibilidade para cadeirantes. A Flume Bathtub, segundo eles, pode ser usada por qualquer pessoa e oferece, ainda, uma alternativa de banho para idosos e pessoas com a locomoção comprometida. 
projeto foi vencedor do prêmio Red Dot Award Design Concept 2011, por promover, não apenas acessibilidade, mas também privacidade ao usuário.
Confira a matéria completa no site da Portobelo clicando aqui.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Turismo para cadeirantes – rompendo as barreiras e superando as limitações

Ponte Hercílio Luz em Florianópolis
Em cima de uma cadeira de rodas ou não, eis aqui um fato: todo mundo no mundo gosta de viajar. E não é só porque a mobilidade de um cadeirante é reduzida que ele deve ficar em casa, muito antes pelo contrário. As cidades é que tem que se adaptar para recebê-lo, assim como deve fazer com qualquer tipo de público em qualquer situação de redução de mobilidade. O direito de se divertir, de conhecer novos lugares, de fazer uma reserva de hotel com hospedagem adequada e de curtir cada momento da vida como se fosse único (porque é) é inalienável e cabe a todos os habitantes desse planeta, qualquer que seja a situação física em que se encontra.
Embora o Brasil esteja se adaptando cada vez mais para receber os cadeirantes com dignidade e facilidade, nem tudo são flores – ainda. As intenções públicas são boas, ainda que lentas, mas o povo vem pedindo mudanças e elas já acontecem com sucesso em várias regiões do país. Não só os cadeirantes pressionam o governo por novas adaptações, mas também a população como um todo, o que faz com que essas “intenções” se tornem, de fato, realidade. Algumas cidades, como o Rio de Janeiro, Florianópolis e Fortaleza, já desenvolvem sérios projetos para acessibilidade em praias, que são seu principal chamariz, e traçam um rumo certo na democratização do acesso para todo mundo.
Andando de handbike em Copacabana
E viajar é tão bacana que os próprios cadeirantes não ficam por aí esperando alguém fazer algo por eles: há relatos de portadores de deficiência crônica ou acidental que desenvolveram seus próprios roteiros de viagem e são felizes assim. O importante é não ficar de fora das boas realizações pessoais com medo de que uma cidade ou outra não trate o cadeirante da forma correta – e, se isso acontecer, reclamação nelas! A primeira coisa que o cadeirante tem a fazer é entender que, caso não tenha acesso irrestrito a qualquer ponto turístico da cidade visitada, a culpa disso é do município, e não dele.
A dica é que, antes de viajar, o cadeirante pesquise bastante, pela internet mesmo, o que aquela cidade tem a oferecer de turismo sustentável e acessibilidade aos diversos públicos. O transporte público é muito importante nessa pesquisa, já que ele é peça importante de passeios em qualquer cidade do mundo. Ônibus, táxis e estações de metrô tem a obrigação de facilitar o acesso a cadeirantes, por lei.
Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (Fortaleza)
O sistema de hotelaria também tem que ser pesquisado com afinco. Não é qualquer hotel no Rio de Janeiro, em São Paulo ou em Recife que está perfeitamente adaptado para receber cadeirantes, e essa situação também pode se repetir nos hoteis em Fortaleza, Florianópolis ou Belo Horizonte. Verifique em todas as suas opções se as instalações contam com elevadores, pegadores nas paredes e o mínimo de degraus possível, em caso de desnível nos andares. E prefira sempre as acomodações que te deixem geográfica e estrategicamente próximo aos locais onde você vai pegar condução pública para visitar a cidade.
Por fim, verifique se os passeios mais badalados têm total autonomia de acesso. Museus, monumentos históricos e culturais, teatros e cinemas têm a obrigatoriedade de garantir o acesso de qualquer pessoa. O negócio é ir à luta e pelejar para que tudo esteja nos conformes quando você viajar. Sendo cadeirante ou não, tendo um país tão lindo para visitar, ficar em casa já deixou de ser opção há muito tempo.

sábado, 17 de março de 2012

Entrando na piscina

Antes de entrar, estudando o terreno
Como disse no post sobre a pousada de Macacos, vou mostrar aqui uma técnica que uso para entrar na piscina sozinho com segurança. Antes, porém, dois avisos: primeiro, consigo fazer o procedimento porque recuperei muitos movimentos após a lesão, tenho um ótimo controle de tronco e força nos braços. Portanto, se você não se sentir seguro, não tente fazer isso em casa! Segundo, você tem que prometer que não vai fazer nenhum comentário maldoso ou sacana sobre minha pança ligeiramente proeminente nas fotos.
Aproximei a espreguiçadeira da borda da piscina
Vamos ao passo a passo. Não é nada de outro mundo, mas tem que ser bem feito para não causar um acidente e piorar a situação já não tão boa do cadeirante. Começo aproximando uma espreguiçadeira da cadeira de rodas. A que usei na pousada é de alumínio, bem leve. Ah, e uma observação: as primeiras fotos estão "erradas", pois esqueci de deixar um espaço entre a espreguiçadeira e a borda da piscina, o que foi resolvido depois com a ajuda da Gi, que arrastou um pouco para trás a espreguiçadeira, comigo em cima, claro. O ideal é uns vinte a trinta centímetros, o suficiente para dar para sentar no chão.
Transferi para a espreguiçadeira
Após aproximar a espreguiçadeira e deixá-la a uns vinte centímetros da borda, é só fazer a transferência. O cuidado a ser tomado é com a estabilidade dela, e com a firmeza para se equilibrar em cima dela. A que usei era meio mole, por isso demorei uns minutos para pegar confiança.
Me aproximei da borda da espreguiçadeira
Depois de passar para a espreguiçadeira, eu coloquei as duas pernas na água e cheguei o corpo um pouco para frente. Em seguida, segurei firmemente nas laterais da espreguiçadeira e comecei a escorregar o corpo, vagarosamente, até encostar a bunda na beira da piscina.
Em seguida, sente na beira da piscina
E na sequência, segurei na borda da piscina e escorreguei o corpo para dentro da água. Pronto, já estava curtindo uma piscininha numa boa! Vidinha chata, né? Pena que é só de vez em quando... Nas fotos, eu estava na pousada de Macacos, mas já fiz processo semelhante na casa dos meus pais.
Depois de tanto esforço, relaxei por umas três horas...
Quanto ao processo de volta, é só imaginar os passos ao contrário. Foi assim que voltei para a cadeira, sozinho de novo. É mais difícil, pois a gente tem que erguer o corpo, e portanto fazer mais força. Mas não é impossível, garanto! Basta um pouco de força nos braços e equilíbrio. E um pouco de treinamento também, com alguém auxiliando, e depois a gente pega o jeito.
Vale muito a pena tentar, ainda mais para curtir um sol num fim de semana!

quinta-feira, 15 de março de 2012

Ganhador da promoção dos 3 anos de blog

A promoção em comemoração aos três anos do blog acabou mais rápido do que eu imaginava, e o blog atingiu 510.000 visitas apenas dois dias depois do post. E o grande vencedor foi o Wallace, do Rio de Janeiro. Ele seguiu as regras da promoção e me mandou o print screen ontem, com a hora do acesso (21:34). Recebi outros e-mails com o mesmo número de acesso, mas o Wallace foi o primeiro a mandar, e seguiu direitinho as orientações. E eu confirmei nas estatísticas do blog, claro. 
Ele vai receber em casa o mini compressor de ar com o adaptador doméstico. Espero que seja muito útil e evite dezenas de viagens à borracharia ou posto de combustível para encher os pneus. Só não dá para encher os pneus da cintura, heim?
Parabéns Wallace, e obrigado a todos pela participação!!

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