Pela primeira vez em BH, três handbikers pedalaram juntos na lagoa da Pampulha! Eu tenho minha handbike desde março de 2011, e até hoje não tinha conseguido encontrar outros cadeirantes que tem a mesma paixão que eu pelas bikes aqui em Minas. Já encontrei outros handbikers no Rio de Janeiro em 2011, como contei nesse post.
Se uma handbike já chama a atenção, imagine três
Ano passado descobri que havia outro mineiro que andava de handbike, o Cláudio, que mora em Pará de Minas. Trocamos algumas mensagens mas não combinamos nada. Esse mês, o Cláudio me contactou avisando que estava vindo para BH dar uma volta na Pampulha, e ainda iria trazer um amigo, que está iniciando no esporte. Combinamos então de nos encontrar no Parque Ecológico no sábado de manhã.
Chegamos lá mas havia um probleminha. A handbike do Marcos, o amigo do Cláudio, estava com um pneu furado. Buscaram uma loja de bikes na região e logo encontraram, e foram lá arrumar o pneu dele. Dali a uma hora mais ou menos voltaram, e o Marcos estava tão empolgado que comprou logo dois pneus zero bala!
Handbikers na Pampulha
Fomos então dar um rolé até a Igreja da Pampulha, aquela famosa desenhada por Niemeyer. Eu queria ir pela ciclovia, mas o Cláudio prefere rodar pelo asfalto, porque tem menos buraco. Meu medo de rodar no asfalto é porque a handbike é baixinha, e pode não ser notada pelos carros. Mas as bikes deles tinham aquela bandeirinha atrás, que ajuda a torná-las visíveis para os motoristas. Preciso colocar uma na minha logo...
Com a lagoa ao fundo, e no meio um futuro handbiker
Rodamos no meio dos carros, e até que repeitaram bastante. Também, três handbikes chamam tanta atenção que tinha hora que o trânsito literalmente parava. Lá na Igreja, encontramos um cadeirante e futuro handbikeres, o Anderson, que aparece nas fotos. Ele já comprou a handbike dele e está esperando chegar. Muito bacana isso, eu sempre incentivei o esporte para deficientes, e saber que tem mais gente animada a rodar de handbike por aqui me anima ainda mais. Fiz um vídeo com minha GoPro e compartilho abaixo. Quem sabe ele anima mais gente a virar handbikers? https://www.youtube.com/watch?v=CnD4DWoKaKw
Quando fiz o post de avaliação da TiLite, reclamei do protetor de roupa que veio nela, um acessório que paguei caro e não veio como imaginei. Acontece, tudo bem, mas eu estava com um problema nas mãos: não usava como protetor de roupa e ficava raspando as calças nas rodas da cadeira, e mesmo se levantasse ele para proteger a roupa, não conseguiria usar do jeito que eu gosto. Curto mesmo é protetor tipo "para lamas", justos à roda e com apoio em cima, como os da M3.
Para resolver o problema, pensei em algumas alternativas. Poderia tentar adaptar o protetor de roupa da M3, mas ia ficar estranho, um protetor vermelho em uma cadeira cinza. Iria dar muito trabalho, pois precisaria de um "nove" maior e ainda adaptar o encaixe do quadro, que na M3 é parafusado. Ou eu furaria o quadro da TiLite, ou buscaria um encaixe diferente. Complicado. Outra alternativa seria comprar um protetor de roupa da TiLite de outro modelo, mas eu pagaria caro e demoraria muito para chegar. E até chegar, minhas calças iriam acabar rasgando na lateral de tanto raspar nas rodas.
Protetor de roupa da "Jangadinha"
Mas eis que tive uma luz! Poderia adaptar os para lamas da minha antiga cadeira dobrável, a Jangadinha (uma Ortobrás duplo X), que são de plástico, leves e resistentes. Não são os mais lindos do mundo, mas eu não me preocupo tanto com isso, priorizo a funcionalidade. Mas como adaptá-los? Eles são parafusados no quadro da cadeira, e não era uma alternativa furar minha TiLite. Mas percebi que, além do furo onde eles eram parafusados, havia outro furo mais em cima sem uso.
Abraçadeiras e o para lamas
E aí veio a grande ideia, se eu passasse uma abraçadeira pelo quadro da TiLite, poderia parafusá-la no para lamas, e aí resolveria o problema. Parti então para a prática. Fui a uma loja de material de construção e comprei dois pares de abraçadeiras e alguns parafusos. Com elas em mãos, comecei a pensar em como fixar. Os buracos delas eram mais afastados do que os dos para lamas, então resolvi invertendo o lado de um dos buracos, já que as abraçadeiras eram moldáveis. Com um alicate resolvi facilmente.
Abraçadeira fixada no para lamas e ao fundo parafuso da cadeira que afrouxei.
Então parafusei um lado no para lamas, dobrei e estiquei o resto da abraçadeira. Afrouxei dois parafusos do assento da TiLite e enfiei as abraçadeiras por baixo do assento. Aí foi só dobrar as abraçadeiras por trás do quadro, e então parafusar no buraco inferior do para lamas e apertar bem. Ficou ótimo! Só que os parafusos ficaram muito proeminentes, então precisei serrar os parafusos bem rentes, para não pegar nas rodas.
Resultado final, para lamas novo!
Mas ainda tinha um problema, por mais que apertasse as abraçadeiras, elas correriam o risco de girar em falso no quadro quando eu me apoiasse nelas. Então resolvi com uma "trava": o próprio freio da cadeira. Posicionei de forma que ele pegasse na ponta do para lamas, então seguraria ele mesmo com meu peso. E deu certo! Estou muito orgulhoso da minha "acochambration" para instalar os para lamas. E no próximo post conto porque gosto tanto de protetor de roupa/para lamas. São extremamente úteis, vocês verão!
Este post não é sobre dicas de presentes de natal para cadeirantes, mesmo porque o natal agora está meio longe, né? É sobre uma viagem para a cidade de Natal, no Rio Grande do Norte.
Desta vez, infelizmente, o passageiro não fui eu. Quem nos traz o relato da experiência de viagem de um cadeirante para Natal é o Eduardo Martins, leitor do blog de Sorocaba/SP. Ele já contribuiu aqui no blog com um post sobre um hotel que ficou em Salvador, e se decepcionou. Desta vez, ele estava preocupado com a companhia aérea, que problemas poderia enfrentar com a Gol, pois nunca tinha voado com eles. Felizmente foi bem atendido e desta vez ele escolheu um hotel melhor, e não passou perrengue. Confiram abaixo o relato dele.
Eduardo "sofrendo" na praia.
"Eu fui pra Natal e foi muito bom, fui bem atendido pela Gol, sem nenhum problema com a equipe de bordo, só tive problema com a má administração do aeroporto, tanto na ida, como na volta. Faltando mais ou menos 30 minutos para o embarque, alteraram a plataforma, e tive que sair fazendo um tour pelo aeroporto até chegar na outra plataforma, que embarcava no solo. E o aeroporto de Guarulhos só tem um Ambulit para atender todo mundo, vê se pode.
O hotel tinha até cabide retrátil
Fiquei no Hotel Porto Mirim, que pertence à rede Porto Suites e é bem localizado, na Praia dos Artistas, bem na saída dele um rampa super suave que nem dá pra sentir, praticamente já saí na guia rebaixada e com faixa de pedestre pra poder travesar para o calçadão da praia sem problema algum.
O banheiro do hotel é muito bem adaptado, com banco retrátil.
O quarto do hotel é muito bem adaptado. Até o guarda roupa e frigo bar são adaptados, e os funcionários muito educados e prestativos.
O passeio de Bugue é tranquilo para cadeirantes
O passeio de Bugue pelas dunas e algumas praias e restaurantes é muito bem organizado e é feito com todo cuidado com nosso caso. Já outros tipos de passeios, as empresas locais ainda não se adequaram para atender nossas necessidades.
Só uma surpresa na volta que não foi nada agradável: quando cheguei minha casa tinha sido assaltada, fizeram a limpa, mas aos poucos coisas materiais vamos readquirindo."
Esse final foi trágico, meus pêsames por suas perdas, mas fico feliz de saber que é possível uma viagem a Natal sem maiores surpresas e com boas possibilidades de diversão. Já passei pela troca repentina de plataforma em Guarulhos, com embarque complicado no solo, esse é um problema que definitivamente deve ser resolvido, pois estamos às portas de eventos internacionais no país, e desse jeito passaremos vergonha. Cabe a nós exigirmos melhor tratamento, afinal não estão nos fazendo nenhum favor.
Lembram que há algum tempo falei sobre a importância da musculação para quem tem lesão medular? Pois bem, só que é difícil encontrar uma academia adaptada, ou algum outro lugar para fazer musculação. É possível malhar usando pesos, mas para que seja eficiente é preciso ter vários pares de pesos de pesos diferentes. Aí fica caro. Mas tem uma solução mais prática e muito mais barata: usar um Thera-band.
Thera-bands, cada cor tem uma resistência
Thera-bands, para quem não sabe, são aquelas fitas elásticas usadas em fisioterapia, que tem várias funções, como oferecer resistência ou estabilidade nos exercícios. Mas elas podem ser usadas também para musculação. E para quem usa cadeira de rodas, ela pode ser útil nessa tarefa. Basta posicionar o Thera-band na cadeira de forma que ofereça a resistência necessária para forçar o músculo que se quer trabalhar. A grande vantagem dos exercícios com Thera-band é o custo, pois basta comprar algumas faixas, seguir orientações e se exercitar em qualquer lugar.
Variação para exercitar o bíceps
Para mostrar pra gente as melhores posições para malhar com Thera-band, pedi auxílio ao Claudinei, que já me orienta na musculação na Aquafisiobh. O primeiro exercício é de bíceps, que tem duas variações. Na primeira, mais comum, é só passar o Thera-band pelo garfo que segura a roda dianteira e puxar para cima (como na primeira foto do post, lá em cima). Se a pessoa achar fraca a resistência da faixa, basta segurar mais embaixo. A variação deste exercício, para trabalhar a parte interna do bíceps, usa o Thera-band na mesma posição, por baixo do garfo, a diferença é que ele deve ser passado por entre as pernas e segurado rente ao corpo, como na foto acima. Assim é possível trabalhar o bíceps com mais eficiência.
Trabalhando tríceps com o Thera-band
Outro exercício fácil de fazer é para trabalhar o tríceps. Basta passar a faixa pela "bengala", que é o empurrador da cadeira, e então passar o braço por trás da cabeça, segurando a Thera-band e puxando-a para cima. A foto abaixo exemplifica bem a posição da faixa.
Posição da Thera-band para tríceps
Há uma variação de tríceps que trabalha também ombro, passando a Thera-band pelo quadro da cadeira e puxando para trás com o braço esticado, conforme foto abaixo. É um exercício mais completo porque trabalha também a musculatura escapular.
Passando pelo quadro, é só puxara para trás
Utilizando o quadro, é possível também fazer dois outros exercícios para trabalhar bíceps e escápulas. É só passar o Thera-band por baixo do quadro e segurar as duas pontas com as mãos, conforme abaixo. Na primeira variação, puxe os dois de uma vez malhando bíceps. Na outra, segure as pontas invertidas e puxe mais em cima com os braços abertos para malhar escapular e ombros.
Bíceps com os dois braços de uma vez
Com os braços abertos, puxe os dois de uma vez
Por fim, um exercício para trabalhar ombro, passando a Thera-band pela parte inferior do aro da roda, puxe para o lado abrindo o braço.
Use o aro da cadeira para travar o Thera-band
Com essas dicas, não tem desculpa para deixar de se exercitar, preferencialmente com o acompanhamento de um profissional. Mas usando a Thera-band, dá para fazer em casa também. O ideal é comprar de várias cores e resistências, e então buscar a que melhor se adapte aos exercícios.
Como estou meio safadeeenho essa semana, aí vai mais um post sobre sexo. Vi um post com este título no blog Ser Lesado mostrando dois vídeos sobre o assunto e achei muito interessante, tanto que gostaria de complementar as informações. São vídeos produzidos pelo Dr. Mitchell Tepper, sexólogo americano, demonstrando posições sexuais específicas para quem tem lesão medular. O título dos vídeos já dá uma pista do caminho para descobrir as melhores posições: criatividade, adaptabilidade e senso de humor.
O primeiro vídeo é sobre posições para homens com lesão medular, e o Dr. Mitchell é o próprio protagonista, já que ele também é lesado medular:
No vídeo, o Dr. Mitchell explica que é importante ter muitas espumas e travesseiros na cama, pois auxiliam na estabilidade e posições. Achei o vídeo limitado, pois apesar do título, "posições sexuais", ele demonstra somente uma com penetração. Vou tentar complementar. Na única posição que ele demonstra, ele utiliza um encosto triangular de espuma, no qual se encosta para que a parceira venha por cima. Essa posição é muito boa pois proporciona olhos nos olhos, muito contato e visão da penetração se a mulher se afasta.
Uma variação que gosto dessa posição é quando a mulher vira de costas para o parceiro, e ela fica praticamente de quatro. Além de estimular mais o pênis, forçando-o para baixo, essa posição permite carícias, apertões e outros, e uma bela visão. Para quem curtia a posição de quatro, é a mais próxima que conheço.
A outra dica do vídeo é para melhorar o sexo oral, com auxílio de almofadas também, de forma que a mulher fique confortável e o homem faça menos esforço do que se estivesse deitado. Uma variação desta posição que sugiro é deitado mesmo, utilizando o triângulo por baixo do homem e um travesseiro embaixo da bunda da mulher.
Ainda tem outra posição que funciona: a mulher deitada de bruços com as pernas esticadas, e o homem vira por cima dela, que abra as pernas para permitir a penetração. E um pouco mais trabalhosa e exige um pouco de esforço, mas funciona e é uma boa variação. Só não rola quando o homem é muito pesado, ou muito grande. Aí a mulher tem dois prazeres, quando goza e quando o cara sai de cima... rsrs
O segundo vídeo é sobre posições para mulheres com lesão medular:
Também utilizando espumas e travesseiros, nesse vídeo a Ann, que tem lesão completa na T9, demonstra uma maior variedade de posições que a mulher pode adotar com conforto. Quando está por cima, ela explica que consegue maior controle corporal e da penetração se apoiando na cabeceira da cama para puxar e empurrar o corpo. Ela explica também que a força do parceiro ajuda, já que ele pode puxar e empurrar ela fazendo o famoso movimento de vai e vem. Em seguida ela mostra como faz para subir no namorado e dar início à posição.
A posição seguinte é ela por baixo, e para facilitar a penetração, ela joga as pernas para trás esticadas. Dessa forma o parceiro tem mais liberdade de movimento, não precisa segurar as pernas dela abertas.
O Dr. Mitchell em seguida explica a importância dos travesseiros e espumas, e acrescenta uma coisa interessante: a utilização de velcros para sustentar o corpo e minimizar o esforço. Creio que isso é especialmente importante para tetraplégicos.
Outra posição que a Ann demonstra é uma variação da posição "cachorrinho", utilizando as almofadas para apoiar o corpo. Ela disse que gosta da posição porque tem muita dor nas costas, considera essa a mais confortável para quem tem este tipo de problema.
A última posição é deitada sobre as espumas, com a perna para cima também, como na primeira posição. Ela acha mais confortável para ela do que a primeira porque deixa as costas arqueadas. Convenhamos que essa moça é bem flexível, o que ajuda na hora do "malabarismo".
Outra dica fundamental é esvaziar a bexiga antes do sexo. Como não temos controle, é possível algum "vazamento", e para isso é importante ter capas impermeáveis sob o lençol. Mas isso acho básico, todo cadeirante com lesão acaba passando por isso, então a capa deve fazer parte da rotina.
O Dr. Mitchell cita também a influência do espasmo durante o sexo, que pode ajudar ou atrapalhar, depende da situação. Geralmente o espasmo estimula, pois é mais movimento, mas se atrapalhar o parceiro, basta tomar remédio anti-espasmo, ou segurar a perna até parar. Ele comenta também que a temperatura do corpo de quem tem lesão varia muito durante o sexo, ficando quente acima da lesão e frio abaixo dela. Fica embaixo do edredom que resolve!
Todas essas opções são excelente na cama, e há ainda as posições na cadeira de rodas, algumas estão demonstradas na figura que ilustra esse post. Bem, agora cumpri uma "promessa de campanha": fiz praticamente um mini kama sutra de cadeirante! Claro que tem mais, mas o importante mesmo é a criatividade e, claro, o bom humor! Se já dá para dar risada durante o sexo quando a gente é "normal", quando não temos controle do corpo, acontecem coisas hilárias... experimenta!
Essa é umas das primeiras questões que vem à cabeça de uma pessoa quando ela vira cadeirante. Principalmente quando ela sofre uma lesão medular. A impressão que se tem é que a vida sexual acaba depois de uma lesão na coluna, afinal perde-se os movimentos e sensibilidade da lesão para baixo. Eu mesmo já pensei isso há muitos anos, vendo um cadeirante. "Perder os movimentos é complicado, mas deve ser triste ficar sem vida sexual". Felizmente, eu estava enganado. Vou falar nesse post do ponto de vista masculino, pois posso falar por experiência própria.
Em primeiro lugar, nem todos os movimentos são perdidos. A ereção ainda ocorre na grande maioria dos casos, de maneira involuntária e reativa, mas relativamente normal. A duração é que vai diminuindo. No início, pelo menos no meu caso, ocorreu o contrário. A ereção durava muito tempo. Enquanto houvesse "atividade", ele continuava lá, firme e forte. Com o tempo, a duração foi diminuindo, diminuindo, e ainda hoje é menor que o normal. Mas é só ter paciência, estimular novamente, que volta a ficar animadinho. Mas muitos cadeirantes tem dificuldade em manter e só conseguem a ereção com remédios. Isso não é vergonha para ninguém, é só uma condição, que felizmente tem "cura". Mas esse post não é sobre ereção, e sim sobre prazer. Só aproveitei para falar um pouco disso.
Acontece que o prazer não é dependente da ereção. Para os homens, é difícil entender isso, pois ligamos muito o prazer à ereção e à ejaculação. E temos a falsa impressão que só é possível dar prazer a uma mulher se a ereção ocorrer. A verdade é que prazer é muito mais do que isso. No homem o orgasmo está muito ligado à ejaculação, e os lesados medulares descobrem o que as mulheres já sabem: há outras formas de sentir prazer e chegar ao orgasmo. Um dos maiores responsáveis por ela é o cérebro, e isso não é afetado pela lesão. Então o prazer começa na imaginação. Por isso é importante que as coisas aconteçam da forma mais normal possível, com sexo oral, toque, amassos e tudo mais. Tem mulher que não vê sentido em fazer sexo oral no homem que tem lesão porque ele não está sentindo. Mas está vendo, e assim estimula o cérebro e busca o prazer.
Além disso, podemos buscar prazer na sensibilidade da pele, que no caso de um lesado medular, se limita, ou é mais nítida, na área acima da lesão, geralmente parte do tronco, braços e cabeça. E nessas áreas há muitas formas de sentir prazer, não só com os sentidos que citei. No quesito pele, podemos explorar áreas erógenas pouco exploradas pelos homens, como nuca, pescoço, braços, e principalmente, mamilos, que já tem uma sensibilidade maior. Me lembrei da "aula" sobre sexo no Hospital Sarah. Tinha um cara lá meio machista, mas engraçado. A médica explicou isso que falei acima, que seria importante explorar outras zonas erógenas, como cabeça, nuca, mamilos... e o cara solta: "quer dizer então que todos nós viramos moças?" Tive que rir! E completei: "é cara, agora que vai mamar no peitinho é a mulher!" kkkkk
Então, como todo mundo, cadeirante também sente prazer. Ouvi falar de casos de tetraplégicos que vão à loucura só com carinhos na nuca. Independente da limitação que seja imposta ao nosso corpo, é possível sim encontrar formas de sentir prazer. Cabe a nós explorá-las. Não falei sobre o caso das mulheres porque não tenho muito conhecimento mesmo, mas creio que seja até mais fácil do que os homens, pois elas já tem o hábito de explorar outras áreas. Então é isso, relaxa e goza!
O que é melhor, cadeira top e bolso vazio ou cadeira semi top com troco?
Afinal de contas, vale a pena gastar o valor de um carro usado em uma cadeira de rodas só porque ela é mais leve? Depende. Do uso, em primeiro lugar. Se o cadeirante é uma pessoa ativa, que sai de casa todo dia, seja para trabalhar ou fazer esportes, e dirige, roda pra todo lado, enfrenta morros e descidas, a resposta é sim. É importante ter uma cadeira bem leve para minimizar o esforço na hora de guardar no carro sozinho (esse foi o principal motivo que me fez trocar) e na hora de tocar.
Mas se o cadeirante não for tão ativo assim, será que uma monobloco nacional, como a M3, não resolve? Sim, resolve. A M3 ainda é uma excelente cadeira, e os problemas que eu enfrentei com ela são facilmente resolvidos. As rodas dianteiras, que se "dissolveram", troquei por um par de Frog Legs e nunca mais tive problemas. Os encaixes dos para lamas, que quebraram com pouco tempo de uso, a própria fábrica me mandou novos feitos de alumínio, que não quebraram mais. O encosto, tive um pouco de culpa na quebra, pois eu tenho o costume de apoiar as costas quando me visto. Quebrou duas vezes e agora está durando.
Mas vamos aos números, nas medições das minhas cadeiras (tamanho 44 na M3 e 17" na TiLite):
- Peso da Tilite sem as rodas e almofada: 7,5 Kg
- Peso da M3 sem as rodas e almofada: 10 Kg
- Peso das rodas originais da TiLite com eixo, câmara e pneus: 1,6 Kg cada;
- Peso das rodas X-core 3 da M3 com eixo e pneus maciços Shox: 2,2 Kg cada;
- Almofada Roho: 1,4 Kg.
Em resumo: Ti Lite completa: 12,1 Kg X M3: 15,8 Kg. Ou seja, a primeira é 23% mais leve que a segunda. Considerando só o quadro, são dois quilos e meio a menos, um quarto do peso a menos. Isso faz diferença na hora de guardar no carro.
E a TiLite é mais bem feita. Parece um projeto mais "redondo", menos sujeito a folgas e empenos. Ela é mais estável e transmite mais segurança nas transferências. Nada exageradamente melhor, mas nota-se a maior qualidade.
Mas e o preço? Uma TiLite básica no Brasil saí por volta de R$ 10.000,00. Uma M3 básica parte dos R$ 3.415,00 (nunca entendi esses 15 reais). Portanto a M3 custa 34% do valor da TiLite.
Quem ganha o embate? Na minha opinião, a M3, pelo custo/benefício. É uma cadeira bonita, regulável, leve e prática. Não dá para comparar com uma dobrável, por exemplo. Além da praticidade, traz alta estima ao cadeirante. Ou seja, só acho que vale a pena gastar essa bolada na TiLite se você for um cadeirante muito ativo e exigente, que faz questão de leveza. Depois dela, o que vai ficar leve mesmo é o seu bolso...
Em tempo: vale a pena mesmo é ir aos EUA buscar uma TiLite. Abaixo discrimino os gastos que tive na viagem, contando os gastos da minha mulher e os ingressos em parques.
- Duas passagens aéreas ida e volta para Orlando: 25 mil milhas mais 950,00 reais cada, 1.900,00;
- Sete dias de hospedagem no hotel Radisson: 2.000,00;
- Aluguel de carro por uma semana: 1.100,00;
- Alimentação, ingressos e outros: 1.000,00
Total: R$ 6.000,00, sendo que a cadeira TiLite lá custa US$ 2.250,00 = R$ 4.837,50 (dólar a R$ 2,15).
Resumindo, pelo preço da cadeira no Brasil mais mil reais, eu e a Gi passamos o reveillon em Orlando, curtimos os parques, conhecemos vários lugares e nos divertimos bastante. Sem contar as compras que fizemos lá, roupas e eletrônicos custam metade do preço daqui. Isso sim, vale a pena!
Agora sim, a avaliação da minha cadeira nova! Afinal, foi pra isso que fui a Orlando, nos EUA. Só que rolou uma leve tensão antes da cadeira chegar... Pedi com a antecedência necessária, estava tudo certo, ela chegaria pouco antes de eu chegar ao hotel. Mandei até e-mail avisando ao pessoal de lá. Mas cheguei no sábado, e não tinha chegado ainda. Veio a segunda feira, dia 31/12, não imaginei que fosse chegar mesmo. No dia primeiro, muito menos, feriado. Mas dia 2 era pra ter chegado. No dia seguinte comecei a preocupar, afinal eu ia embora no dia 5, sábado, de manhã cedo. Comecei a despachar e-mails e mensagens para o Dado, do site Mão na Roda, que me ajudou na compra. Sexta feira, véspera de ir embora, desci para a recepção de manhã e... nada! Fui para a sala de computadores do hotel, e já estava escrevendo mais e-mails desesperados, quando de repente olhei para a portaria e lá estava a enorme caixa estrito TiLite do lado! Ufa!
A bichinha é muito bonita
Mas vamos à avaliação da cadeira. Os principais motivos para comprar a TiLite foram facilidade para guardar no carro e mais resistência, já que minha M3 andava com uns probleminhas chatos, como quebra de alguma peças e empeno da roda dianteira. E ela superou as expectativas. Bem mais leve que a M3 (2/3 do peso dela), na hora de pegar para guardar dá para sentir uma grande diferença. E de fato ela é mais bem construída que a M3, mais firme e mais estável. Também achei ela mais ágil, por ser um pouco mais curta, apesar do centro de gravidade da roda traseira ser um pouco mais para trás. O segredo é o apoio de pés virado para dentro.
Barra para descer o encosto
Gostei muito também da forma de dobrar o encosto, empurrando uma pequena barra em direção ao encosto. É difícil de acostumar no início, mas depois que peguei a manha achei mais fácil do que o cabo de aço da M3. É mais resistente, o da M3 vivia estourando as argolas que prendem aos encaixes. Mas a grande vantagem é que ele trava o encosto fechado, impedindo que fique abrindo quando alguém pega a cadeira por ali. Acontecia muito na M3, e era um transtorno, a pessoa tinha que colocar as rodas de novo para fechar o encosto.
Protetor de roupa, não curti
Mas teve uma coisa que eu não gostei. O protetor de roupa. Na M3, ele é como um para lamas mesmo, se abre para cima para facilitar a transferência e dobra para dentro para guardar. E aguenta o peso da pessoa, o que é útil para vestir roupa e fazer elevação. O da TiLite é de alumínio e só dobra para dentro, o que torna difícil a transferência. A ideia é aprender a transferir com ele levantado, chegando bem na beirada da cadeira para isso. Se o protetor fosse menor, dava para fazer, mas ele é muito grande, e está difícil acostumar. Eu acabo usando a maior parte do tempo eles dobrados, e a roda fica raspando na roupa. Vou acabar trocando.
Freio original à esquerda e Scissor instalado à direita
Outros pontos fracos dela, o freio e as rodinhas dianteiras. Os freios são de plástico e aparentam fragilidade, e as rodinhas vão pelo mesmo caminho. Felizmente o Dado havia me alertado destes poréns. Então já pedi junto com a cadeira um par de freios do tipo Scissor, daqueles que ficam embutidos embaixo da cadeira. São mais difíceis de acionar, mas é questão de costume. Além deles, comprei também um par de rodas dianteiras Frog Legs, que nem as que tenho na M3. São bem melhores, e lá fora o preço é ótimo, cinquenta dólares o par. No próximo post vou fazer um comparativo dela com a M3, com prós e contras.
Agora, como disse um amigo meu, troquei a Ferrari vermelha por uma McLaren prata!