quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Curso de Mergulho Adaptado

Primeira turma de mergulho adaptado de Minas Gerais
No final dos anos 90, pouco depois que me formei em Viçosa, vim para BH, e, ao fazer um curso em uma faculdade daqui, fui convidado para fazer um trabalho de organização administrativa na Mar a Mar, uma empresa de cursos e material de mergulho, onde fui muito bem acolhido e fiz bons amigos. Desde então tive a oportunidade de conhecer de perto o mundo do mergulho autônomo, aquele com uso de cilindro de ar. Fiz algumas aulas nos momentos de folga mas não concluí o curso e não tirei a certificação, pois fui chamado para trabalhar no interior de Minas poucos meses depois. 
Quando sofri o acidente de moto que me deixou paraplégico, estava morando em Florianópolis. Uma das vantagens de morar naquele paraíso, cheio de belas praias e ilhas, era poder praticar o mergulho livre, com uso de máscara e respirador (ou snorkel), com mais frequência. Na época, conheci a cidade de Bombinhas, um balneário famoso pelos belos pontos de mergulho, um ponto de encontro de mergulhadores de todo o Brasil, o que voltou a despertar meu interesse pela atividade. Mas como o mestrado me tomava muito tempo, fui adiando o mergulho autônomo.
Aprendendo sobre o equipamento
Já cadeirante, após aquele período inicial de adaptação, voltei a fazer as atividades que sempre curti, voltei a pedalar com uma handbike, saltei de parapente, sempre buscando novas aventuras, e eis que no ano passado, em uma rede social (odeio quando alguém fala assim, foi no Facebook mesmo), a Adriana Buzelin, uma tetraplégica mineira, comentou que queria fazer um curso de mergulho adaptado e deu a ideia de montarmos um aqui em BH, pois só havia em SP. Muita gente opinou, eu disse que animava, que ajudaria a montar a turma, mas como a coisa não andou ela desistiu e partiu para São Paulo para fazer o curso lá, se tornando assim a primeira mineira credenciada pela HSA - Handicapped Scuba Association, a entidade que regula os cursos de mergulho para deficientes. 
Vestir a roupa de neoprene é bem difícil, só com ajuda
Pensei em fazer o mesmo, ainda mais que meus irmãos moram em São Paulo, mas como ainda tinha esperança de trazer esse curso para BH, fui até a Mar a Mar conversar com a Paula, proprietária, sobre essa possibilidade, e ela, depois de refeita do susto de me ver em uma cadeira de rodas, topou imediatamente o desafio, apesar da estrutura da empresa não prever acesso para cadeirantes. Demos uma rodada por lá e descobrimos que o banheiro da loja poderia ser adequado, invertendo a porta, e que as aulas poderiam ser dadas em uma salinha usada como oficina. O acesso à piscina seria feito pela lateral, onde há uma boa rampa. Paula mandou arrumar tudo, e fiquei por conta de conseguir os alunos.
Não foi fácil juntar a turma, tentei marcar uma vez, chamando algumas pessoas que tinham interesse, mas ninguém deu certeza, e em um encontro com um amigo, me lembrei que ele era mergulhador antes de ser cadeirante, e o chamei para o curso. Depois de trocar muita ideia com mais dois amigos pela internet, conseguimos fechar a turma! Na verdade a turma ficou maior do que eu imaginava, só tinha três confirmados e apareceram mais dois! Fechamos com cinco, eu, Gustavo, Gil Porta, Múcio e Brisa, esta última é repórter da Rede Minas e fez uma grande matéria para o quadro Ação Ilimitada, dentro do programa Mais Ação.
No curso a gente aprende os detalhes do mergulho autônomo voltado para deficientes, além de toda teoria da certificação básica da PADI. Aprendemos a manusear o equipamento, a manter o corpo flutuando, a nos comunicar embaixo d'água, e ainda como compensar a falta das pernas e como agir em alguma emergência. Foram quatro dias de teoria, no nosso caso foi na parte da manhã, e quatro dias de mergulho na piscina. Como o mergulho deve ser feito individualmente, dividimos o horário para que todos pudessem ficar pelo menus uma hora e meia na água. Foi muito bom voltar a sentir o corpo todo submerso, sem pontos de pressão, e sem limitações. Isto é o principal, já que um cadeirante está acostumado a encontrar obstáculos todos os dias, desde que levanta, e debaixo da água tudo isso some, a locomoção é fácil e não tem degrau ou buraco que nos impeça de "andar". O William Spinetti, instrutor da HSA que veio nos dar o curso, é um excelente profissional, com muita paciência ensinou a todos com as melhores técnicas e deu um show nas aulas, tanto teóricas quanto práticas. Agradeço aqui publicamente por ter vindo e nos ensinado com tanta dedicação. E também aos demais instrutores da Mar a Mar, que nos ajudaram bastante no aprendizado. E especialmente à Paula, que viabilizou o curso e tratou a todos com muito carinho.
Debaixo d'água que nem um peixe... sem nadadeiras traseiras!
Mas para mim, pessoalmente, a maior vantagem do mergulho adaptado é a possibilidade de fazer uma atividade recreativa, divertida e interessante sem ficar acabado ao final. Muito pelo contrário, o mergulho só me faz bem! Eu já vinha fazendo hidroterapia para controle da dor, pois a água relaxa o corpo e, sem a constante pressão da cadeira, a tendência é a dor sumir. E foi o que aconteceu! Eu saia das aulas de piscina totalmente relaxado e sem dores.
O mergulho é muito prazeroso, e apesar de não podermos contar com as pernas para ajudar a nadar, não cansa muito, pois o correto é nadar vagarosamente, admirando a vida marinha. É uma atividade de contemplação, quanto mais a pessoa "viajar" no ambiente, na experiência, melhor. Agora o próximo passo é fazer o "Check Out", ou batismo, no mar. Já estou de viagem marcada para Fernando de Noronha em novembro. Vou contar tudo aqui!
Sempre defendi aqui no blog que os cadeirantes podem fazer tudo que tem vontade, devem buscar realizar seus sonhos e desejos, independente do que seja, pois com adaptações, é possível fazer de tudo. E sempre defendi também que cadeirantes devem fazer esportes, atividades físicas e de lazer. E o mergulho é tudo isso junto!

Vejam o vídeo que o instrutor William Spinetti fez sobre o curso:

Abaixo link para matéria veiculada no MG TV da Rede Globo.
http://globotv.globo.com/rede-globo/mgtv-2a-edicao/t/edicoes/v/grupo-de-cadeirantes-aprende-tecnicas-de-mergulho-em-belo-horizonte/2870481/
Não deixem de ler a excelente matéria do Gil Porta, um dos alunos do curso:
http://www.bhlegal.net/blog/mergulho-adaptado/

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Desafio Intermodal

Melhor modal para cadeirante!
Todo ano acontece nas principais capitais do país o Desafio Intermodal, que apesar do nome complicado, nada mais é do que avaliar qual a maneira mais rápida, econômica e prática para se deslocar em um grande centro urbano. O deslocamento é realizado por voluntários em diferentes modais de transporte, individuais ou coletivos, motorizados ou não, que saem de um ponto de encontro combinado e vão até um determinado ponto na cidade, cada um com as facilidades e dificuldades de seu meio de transporte.
E esse ano fui convidado para participar. Pela primeira vez em BH chamaram um cadeirante, a ideia era perceber a diferença que a cadeira de rodas traria para o deslocamento, e qual alternativa um cadeirante tem para se locomover na cidade. Como a escolha era livre, optei pelo triciclo elétrico, que é um pouco mais largo que uma moto, tem boa autonomia da bateria, roda bem pelo asfalto e por ciclovias, e ainda pode pegar atalhos. O trajeto também era livre, e as pessoas podiam fazer uso de GPS.
Alguns participantes do Desafio Intermodal
O ponto de encontro escolhido foi a Praça Diogo de Vasconcelos, mais conhecida como Praça da Savassi, e os voluntários chegaram por volta das 18 hs, já que o horário de partida definido foi 18:15. A Poliana foi a responsável por checar se todos estavam presentes e monitorou a largada oficial. Tudo foi coberto pela Rede Minas de televisão, que filmou o pessoal saindo e foi até a chegada entrevistar o pessoal. Saímos pontualmente na hora programada e nos primeiros quilômetros acompanhei as bicicletas, depois uma delas sumiu na minha frente, e as outras ficaram para trás.
O trânsito estava tranquilo no início, mas quando chegou próximo à Via Expressa, o bicho pegou. Mas como o triciclo é tão estreito quanto uma moto com baú, consegui me enfiar nos corredores entre os carros e deixei todo o trânsito para trás. E ainda pude atravessar as avenidas com segurança e utilizar as ciclovias quando valia a pena.
Resultado final do Desafio Intermodal 2013
Trinta e um minutos depois de sair, cheguei ao ponto final combinado. Ainda perdi uns dois minutos na chegada, pois não lembrava onde era a portaria principal da PUC e fiquei parado na secundária, aí me toquei e continuei até o final. Fiquei quatro minutos atrás da moto. Mas o que surpreendeu mesmo foi o primeiro lugar, um atleta de ciclismo. Mais impressionante foi ele ter ficado longos sete minutos na frente do motociclista! Bicicleta é um excelente alternativa de locomoção, é um ótimo exercício e é prazeroso!
Só que, para cadeirante, handike não é uma alternativa legal no meio do trânsito. Primeiro, porque é baixinha, mesmo sinalizada, corre-se o risco de passarem por cima...  Segundo, porque é osso subir morro com uma handbike, e morro é o que não falta em BH. Andar de cadeira motorizada na cidade também é arriscado, já que não dá para andar em todas as calçadas, que tem árvores, degraus, buracos, muito menos nas ruas, pois corre-se o risco de também ser atropelado. A solução então é o triciclo elétrico! Como provado no desafio, é seguro, rápido e prático! Além de ecológico!!

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

TCC - Cadeirantes em Cinemas, Teatros e Casas de Show

Cadeirantes em cinemas
O link abaixo é para uma pesquisa de um TCC relacionada a experiência de cadeirantes em Cinemas, Teatros e Casas de Show na cidade de São Paulo, tem como objetivo encontrar estas experiências e, assim, conscientizar a população sobre estes dados através de um projeto audiovisual!

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

TCC - Produtos para facilitar o dia a dia nas ruas

O TCC deste post vem de duas estudantes do 4º período de administração do CEFET/RJ. A ideia delas é desenvolver produtos para facilitar o dia a dia dos cadeirantes nas ruas, por isso desenvolveram um questionário para entender melhor as dificuldades que passamos. Vamos ajudá-las? É só clicar no link abaixo e responder.

sábado, 21 de setembro de 2013

Cadeirante, coitada...

Para aprender a não ser má, vai virar cadeirante!
O post de hoje trás à tona um tema controverso: o papel dos cadeirantes nas tramas das novelas. Quem levantou a bola foi a Suzi, leitora do blog que mora em Brasília, e se indignou com o "castigo" que a personagem Leila, vivida pela Fernanda Machado, recebeu na novela "Amor à Vida". A Leila é uma das piores vilãs da novela, tramou a morte de uma pessoa para ficar com a herança dela através do próprio namorado, fez mil armações para se dar bem, fora o destrato com a própria família, principalmente com a irmã, que é deficiente, autista. Depois de tanta sacanagem com um monte de gente, ela cai da escada ao ver um vestido e, para destruir com a vida dela, sofre uma lesão medular, perdendo os movimentos das pernas. Bem feito pra ela, né?
O que indigna é que sempre o vilão “merece” ser castigado ficando preso para o resto da vida em uma cadeira de rodas. Será que não se importam o que pensam as pessoas que sofreram uma lesão assim e fazem das tripas coração para viver uma vida digna? Será que é legal passar essa imagem de que uma limitação física ocorrida com uma pessoa normal é associada a alguma maldade passada? Nas palavras da Suzi, "Não acho justo que em todas as novelas o vilão fique em cadeira de rodas, é de uma pobreza imaginária muito grande, um autor de novela mostrar a situação de uma pessoa que se torna cadeirante como pagadora de maldades anteriores... o que dizer então de uma criança que nasce com os movimentos limitados?" Faz sentido, viu.
Bem feito, né?
Essa novela já está sendo alvo de protesto de muitos médicos, já que o hospital retratado na trama só não é mais podre do que o Congresso Nacional. Tem todo tipo de falcatrua ali, de erro médico a infidelidade com funcionários, até transa lá dentro já mostraram. E agora o autor vem com essa, tacar uma lesão medular na vilã para ela deixar de ser má. Nunca criam um papel de uma pessoa cadeirante que obteve êxito em seus projetos, que leva uma rotina normal, trabalha e corre atrás de seus sonhos. Até a novela que mostrou uma cadeirante se recuperando, a Aline Moraes em "Viver a Vida", ela só ficou cadeirante porque desobedeceu o pai e foi para o exterior para fazer frente à rival nas passarelas. Sempre tem uma coisa ruim por trás.
Fato é que este tipo de "publicidade" estigmatiza os cadeirantes e deficientes em geral como "pagadores de pecados", de uma forma ou de outra. Será que não está na hora de mudar essa cena?

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Pernas com vida própria 2

Ela tá viva!
Em 2010 publiquei aqui um post falando sobre os espasmos nas pernas, que tanto incomodam quem sofre uma lesão medular. Incomodam tanto que atrapalha até a gente dormir. Os espasmos sempre tem um motivo, e há formas de combatê-los. Ou, pelo menos, de amenizá-los. Tem gente que dorme mal só por causa dos espasmos, e ainda atrapalha a companheira ou companheiro a dormir. A mulher de um amigo descobriu um colchão com densidade diferente de cada lado, e agora o espasmo não atrapalha ela! Espertinha...
Um dos motivos da ocorrência de espasmos é algum incômodo no corpo. Como não sentimos o corpo da lesão para baixo, se algum músculo estiver dolorido, se algum osso estiver pegando em algum lugar, ou mesmo se houver algum início de úlcera de pressão, os espasmos surgem para avisar. Portanto, se estiver deitado ou sentado e começarem os espasmos, tente mudar de posição para ver se resolve. Estique uma perna, mude de lado, ou sente um pouco. Procure identificar o local que te traz incômodo, veja se há áreas onde a pele está começando a ficar vermelha. Pode ser um início de escara.
No caso dos homens, se os testículos estiverem sendo apertados, taí um bom motivo para aparecer um espasmo. Se estiver deitado de lado, eles podem estar sendo apertados. Nós homens sabemos como dar aquela "arrumadinha" nas bolotas para deixar tudo mais folgado. Às vezes isto basta para parar os espasmos.
Outra coisa que causa espasmos são necessidades fisiológicas. Se a bexiga estiver cheia, a perna começa a puxar. No meu caso, isso é batata. A maior parte das vezes que tenho espasmos constantes, daqueles que a perna mexe três vezes, para, passam cinco segundos, e ela mexe de novo três vezes. Posso até ter feito cateterismo há pouco tempo, mas às vezes meus rins estão "frenéticos" e produzem muita urina de uma vez, e a bexiga enche rapidamente. Faço outro cateterismo, e pronto, adeus espasmos. Intestino cheio também causa espasmos. Um tempinho no "trono" fazendo massagens no abdômen podem trazer algum alívio.
Ah, o mais importante: exercícios. Eu sempre faço exercícios nas pernas à noite, a famosa mobilização passiva. A falta de movimento também ajuda nos espasmos. Os músculos encurtados, os tendões, eles precisam de movimento, mesmo que pouco.
Há um paliativo para os espasmos, o famoso Baclofeno. Eu tomo todo dia, de oito em oito horas, foi recomendação do Sarah. Quando fico sem, percebo que fico com mais espasmo mesmo.
Mas, infelizmente, pode ser que nada disso dê resultado. E os espasmos continuem perturbando. Aí, amigo, o negócio e contar isso para um médico da área. De repente, ele te ajuda. Mas que dá raiva, dá, as pernas não funcionam para o que é importante, mas ficam se mexendo sem ninguém mandar. Que desobedientes!
Alguém tem outra receita para evitar espasmos?

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Falcessibilidade

Qualquer engenheiro que queira hoje projetar uma construção, certamente se deparará com um inconveniente chamado acessibilidade. É inevitável olhar para o tema com certo desconforto, afinal o mal é recente. Há pouco tempo, era absolutamente incomum tratar do assunto em qualquer que fosse a ocasião, uma vez deficiente, sua vida social estava restrita ao ambiente doméstico.
Para nossa sorte, os tempos mudaram. Novos ventos trouxeram à sociedade a consciência de que deficiência limita, mas o motivo real não é a condição física do deficiente. A limitação é imposta pela falta de acesso a lugares com boa infraestrutura, que envolvam adaptações internas e externas. E vamos combinar que estamos todos aceitando quem estabeleceu arbitrariamente esta condição. Concluída esta etapa de conscientização, a questão agora é outra: o que significa hoje o termo acessibilidade?
Simples. Atualmente ele é sinônimo de falcessibilidade. Inclui uma rampa, um elevador, uma vaga no estacionamento, uma porta de banheiro maior! Mas está longe ainda de priorizar calçadas e incluir estruturas que tornem possível o acesso de cadeirantes a todos os lugares do ambiente. É revoltante olhar um ônibus com um adesivo enorme que indica acessibilidade e descobrir que a cadeira de rodas entra pela porta, porém não passa no corredor, que é estreito demais. Ou então encontrar aquela rampa linda que leva a uma escada. A acessibilidade esta lá, porém não significa que esteja sendo eficiente.
Ainda bem que tem rampa!
Esta situação é mais comum do que imaginamos. Salvo pouquíssimas exceções, o que vemos em restaurantes, lanchonetes, universidades, bibliotecas... são adaptações mal feitas que mascaram o problema e nos fazem crer que estamos em um ambiente adaptado. Aceitar esta condição porque o prédio é antigo e a reforma teria um alto custo, já é difícil, agora aceitar que construções atuais sigam o mesmo caminho, é no mínimo incoerente.
A verdadeira inclusão de pessoas com qualquer tipo e grau de deficiência só será possível quando todos estiverem atentos à questão e conscientes de que não há barreiras naturais, porém estruturais. Os problemas de acessibilidade seriam facilmente resolvidos simplesmente se lançássemos um olhar diferente para a sociedade que nos cerca e para as relações que nos permeiam. Tornar todos os lugares de um ambiente acessível é garantir igualdade de direitos.
Essa aí só dá para subir guinchado!
Uma mudança de postura parece estar a caminho, mas ela demandará tempo e custo. Duas palavras que já nos desanimam. Mas, sinceramente, sou otimista por natureza e acredito que em breve estaremos discutindo outras questões que vão além de se fazer uma porta maior ou se colocar uma rampa no lugar de um degrau. Acredito na quebra de paradigmas enraizados em nosso modo de pensar e de enxergar o nosso semelhante. Quero ser a primeira a sorrir ao acordar e perceber que são novos tempos, que todos vivemos dias melhores. Que o preconceito, o descaso e, sobretudo, o desconhecimento deram lugar a igualdade, ao respeito e ao amor. Sou demasiadamente sonhadora? Talvez. Mas antes de qualquer coisa sou demasiadamente humana para aceitar que as coisas continuem como estão.

Fernanda Ribeiro
Estudante de Física

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Stand Up adaptado

Quem disse cadeirante não pode fazer "Stand Up"?
Taí um esporte que parecia ser impossível de adaptar: Stand Up Paddle (SUP). Para quem não sabe do que se trata, é aquele esporte em que a pessoa rema em pé em cima de uma prancha, parecida com aquelas de surf. A prancha de SUP é maior e mais grossa que a prancha de surf, pois precisa ser mais estável e ter maior flutuabilidade.
Curtindo o lago Paranoá
E não é que mais um cadeirante inovador resolveu adaptar o esporte? Foi o Gabriel, que fez isso em um lugar improvável: Brasília, bem no cerrado central do Brasil. Ele adaptou uma prancha de SUP para conseguir fixar a cadeira de rodas em cima, garantindo estabilidade e segurança. O esporte ajuda quem tem lesão medular porque exige que o remador utilize a musculatura do abdômen tanto para remar quanto para se equilibrar. Sem contar o prazer de deslizar pela água, e a sensação inigualável de superação!! Ele contou com a ajuda do pessoal da Raia Norte para adaptar a prancha e auxiliar na prática.
Podemos chamar de Sit Down Paddle agora?
O exemplo do Gabriel é mais uma prova de que nada é impossível, e com força de vontade e empenho, podemos realizar qualquer sonho em cima de uma cadeira de rodas. Até mesmo praticar um esporte que tem "em pé" até no nome! Abaixo uma entrevista que o Gabriel deu para a DF TV, de Brasília. Parabéns pela ideia e pela conquista!
https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=R2lNitC7_Pc

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