segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Cadeirante na Itália - Vaticano

Na Praça de São Pedro, na esperança de ver Chiquinho!
Nosso quarto e último destino na Europa foi a Itália. E era justamente o lugar que eu mais queria conhecer, pois minha família veio de lá. Porém, confesso que foi a parte mais mal planejada da viagem, chegaríamos em Roma no fim da tarde de um dia, gastaria um dia inteiro para ir e voltar a Modena, e ainda iria embora no quarto dia pela manhã. Então, teria apenas um dia para conhecer os principais pontos turísticos da cidade. Já havia conversado com meu cunhado, que estivera lá há pouco tempo, e ele me disse que seria suficiente.
Chegamos à noite em Roma pelo terminal Termini
Chegamos ao aeroporto e pegamos um trem para a cidade. Escolhi um hotel próximo à estação Termini propositalmente, pois de lá partem trens, metrô e ônibus para qualquer parte da cidade e até para outras cidades. Chegamos a Termini por volta de oito e meia, bem cansados. Fomos andando até o hotel, mas chegando lá... O atendente nos disse que o quarto adaptado estava ocupado, e que os ocupantes haviam saído cedo e ainda não haviam retornado. Eu poderia esperar eles chegarem para trocarem de quarto entrar, ou poderia ir para um hotel semelhante que eles já tinham reservado para mim pelo mesmo preço. Inicialmente fiquei meio revoltado por não terem reservado direito, ameacei entrar em contato com o Booking, mas resolvi ir até o hotel para ver se valia a pena. O atendente chamou então um auxiliar japonês para nos levar até o hotel, que era no quarteirão seguinte. Fomos então atrás do japonês. Chegamos à esquina e entramos à esquerda. Acabou a rua e o japonês olhou para um lado, olhou para o outro e se virou pra nós. Perguntei se estava tudo certo e descobri que ele não falava inglês. Mas entendi que ele não estava encontrando o hotel. Pediu pra gente esperar ali - bem no meio do cruzamento, e saiu correndo pela rua até o fim do quarteirão e sumiu na esquina. Logo apareceu ele de novo, correndo, chegou até a gente e pediu para esperar mais um pouco, continuou correndo na outra direção até sumir. Nisso a gente já estava rindo, o japonês magrinho naquela roupa tipo ascensorista de elevador chique correndo prum lado e pro outro. Apareceu de novo o japonês tentando explicar que não encontrava o hotel e ia voltar ao primeiro hotel para pegar mais explicação. E lá vai o japonês correndo pela rua. Logo ele voltou correndo explicando o vacilo: era só entrar para a direita no início, o hotel era logo depois da esquina.
Fachada do Hotel San Remo, com degraus... mas tinha entrada lateral
Chegando ao hotel, pequeno problema: tinha dois degraus na porta. Antes que eu reclamasse o japonês entrou correndo e pediu para abrirem a porta lateral, onde há uma rampa. Tinha um certo cheiro de mofo, mas pelo menos não era íngreme. O hotel era bem melhor que o primeiro, apesar da entrada, e o quarto era bem adaptado e espaçoso. Saímos para jantar em um restaurante próximo, indicado pelo hotel. Pedimos pizza (claro) e vinho da casa - são sempre boa pedida, vinhos de qualidade em garrafa comum. Conversando descobrimos que estávamos ao lado de um casal de brasileiros. 
Prática trava de cadeira de rodas no metrô de Roma
No dia seguinte saímos cedo para correr pelos pontos turísticos. Resolvemos começar pelo Vaticano. Perguntei antes e descobri que o melhor meio de transporte seria o metrô. Em Roma há muitas estações adaptadas, mas é preciso se informar pois nem todos os elevadores funcionam. Chegamos rapidamente lá, mas ao sair da estação percebi que teria algum problema, pois o Vaticano ficava no alto. Não me desesperei, afinal um lugar que deve receber dezenas de cadeirantes por mês não poderia ser sem acesso. Chegamos à entrada e a fila estava dobrando o quarteirão. Mas logo me direcionaram para a entrada de cadeirantes, onde já haviam dois na fila. Entramos logo, e começou a sequência de elevadores. O primeiro leva a uma loja e algumas esculturas, o segundo ao segundo andar e início da Capela Sistina. Ainda haviam mais dois, para o segundo andar, e para a Praça São Pedro.
Bela igreja no caminho para o Vaticano
Entrada do Museu Vaticano, cadeirante não pega fila - só de cadeirantes...
Praça Quadrada, na entrada do Vaticano
Praça no centro do Museu
O Vaticano é um complexo com museu, lojas, praças ao ar livre, igreja e espaços internos. Iniciamos pela praça principal, onde há um monumento em forma de globo que fica girando. Não descobri o nome dele, mas pela foto acima dá para saber qual é. Depois da praça entramos no Museu do Vaticano, com obras religiosas e peças ligadas à história da igreja no mundo. Havia até uma arca que lembra aquelas de histórias do Indiana Jones. Rodamos pelos corredores e galerias do museu e ao final havia uma escada, mas - claro - tinha um elevador que levava até a Capela Cistina. Antes da entrada havia um espaço com uma mesa e um padre, para que as pessoas pedissem uma benção. Havia um casal lá e a Gi pediu para esperar, e assim que liberou entramos. Expliquei em inglês que a gente queria uma benção para nossa relação, e depois de dizer que Deus não havia me abandonado, por causa da minha situação, segurou nas nossas mãos e começou dizendo que a Gi era um anjo que apareceu na minha vida, que nossa relação era especial e Deus estava olhando por nós, etc, etc, nesse momento olhei para a Gi e ela estava desabando de chorar. O detalhe é que ela não fala inglês, então estava chorando porque? Quando acabou agradeci ao padre e fui tirar minha dúvida, ela disse que ele não poderia estar falando nada de ruim, então se emocionou! Ah, mulheres...
Linda arca entre os objetos do museu
O trânsito para dentro da capela era intenso, mas o pessoal respeita e é só ir pedindo licença. Chegando mais no meio, o padre que tinha nos dado benção apareceu e foi na frente tirando o povo e me posicionou em frente ao altar. Em seguida pediu silêncio a todos e começou uma breve missa. A capela é menor do que eu imaginava, mas sua grandiosidade está no teto, que é todo tomado pela obra de Michelangelo. Realmente incrível, de encher os olhos. Depois da missa fomos direto para a Praça São Pedro, onde fica a Basílica de São Pedro e onde o Papa aparece eventualmente. A praça é linda, mas toda irregular e complicada de rodar com cadeira de rodas, principalmente nas laterais. Imaginava que ela fosse plana, mas é toda em desníveis. Há escadas nas laterais, para acessar o centro há rampas, mas estando longe é mais fácil descer os degraus, são baixos e largos. O obelisco ao centro também é fantástico, mas o grande barato é estar ali, onde são revelados novos papas, onde o povo se junta para ver e ouvir o Papa - enfim, onde a história aconteceu e acontece até hoje.
Elevador que leva à Capela Sistina
Entramos depois na Basílica, que tem um caminho um pouco tortuoso para cadeirantes: peguei um elevador, atravessei a frente toda para chegar em uma rampa, atravessei algumas cordas e finalmente estava lá dentro. O lugar é absolutamente incrível, a altura do teto, as imagens nas laterais e a luz que entra pelo teto e janelas, coisa de louco. Dentro da basílica há diversos santuários e seções dedicadas a alguns papas, com destaque, claro para o túmulo do João Paulo II. Outra que chama muita atenção é a Pietá, toda em mármore, belíssima. E no fundo da basílica, o imponente altar, que já vi várias vezes na televisão, principalmente na Missa do Galo no fim do ano. Fiquei imaginando o tamanho das árvores que deram origem àquelas colunas. Na saída passamos em uma das lojinhas de lá para comprar lembranças - mas é mais barato fora da basílica, há dezenas de lojas e até camelôs.
Detalhe da fachada da Basílica de São Pedro
Túmulo do Papa João Paulo II
Altar Papal
Saindo de lá demos mais algumas voltas pela praça e fomos almoçar. Me disseram que os restaurantes bons são os mais próximos, pois os padres não comem mal. Realmente, comemos uma massa bem gostosa. Depois fomos pegar um buzão para conhecer Roma - conto no próximo post!

domingo, 11 de janeiro de 2015

Londres para cadeirantes - Parte 2

Fachada imponente do Museu Britânico

Na tarde do nosso segundo dia em Londres fomos ao British Museum. A entrada é gratuita e a acessibilidade completa. Tem dois elevadores na entrada, um de cada lado da escadaria principal, e ambos estavam funcionando. O hall de entrada do museu é incrível, o teto é arredondado e todo de vidro, em um vão de encher os olhos. Assim como em Paris, há quiosques de informação com guias em várias línguas, incluindo o português. Os funcionários são também cuidados e atenciosos com cadeirantes, explicam e acompanham até os elevadores e acessos. Começamos pela coleção grega, com lindas peças em mármore, estátuas, tem até pedaços do Pártenon e templos gregos quase completos. Depois descobri que há uma batalha jurídica entre a Grécia e a Inglaterra para que devolvam peças roubadas no passado. Gostei muito também da coleção de múmias e dos artefatos egípcios, com destaque para a Pedra de Roseta, que contém o primeiro texto bilíngue que se tem notícia. Em uma das alas tinha até uma caveira de cristal ao estilo Indiana Jones! Dá para gastar algumas horas apreciando alguns dos sete milhões de objetos de todos os continentes catalogados no museu. Depois do museu, fomos a pé para casa do Filipe.
Templo grego quase completo
A caveira de cristal que o Indiana Jones estava procurando!
No dia seguinte, fiquei sabendo que a cavalaria real passaria pelo Palácio de Buckingham, então começamos por lá o passeio. Muito legal ver os cavaleiros com aquelas vestes típicas e capacetes dourados, parece que voltamos ao século retrasado! Depois disso fomos para a Tower Bridge, outro cartão postal icônico de Londres. Como era um pouco longe, precisávamos pegar dois ônibus. Como a Gi não fala inglês, precisei ensinar a ela o nome das ruas em que iríamos descer, pois quando ela fosse pagar a passagem, o motorista iria perguntar. Enquanto esperávamos no ponto, eu ficava ensaiando com ela o nome das ruas. No primeiro ônibus, o motorista perguntou e ela falou, como ele não entendeu continuou perguntando, quando eu já ia lá resolver um dos passageiros se ofereceu para dar o recado. Para o segundo ônibus, mesma coisa, ficamos treinando, chegou na hora ela falou o nome, o motorista repetiu e ela: - Isso! É lá mesmo! Claro que o cara não entendeu patavinas. E eu fiquei rindo lá no meio do ônibus...
Cavalaria real. Parece aqueles soldadinhos de chumbo!
Os homi britânico!

Uma das famosas cabines telefônicas londrinas
No meio do caminho, antes de trocar de ônibus, reparei em uma placa em um prédio com os números mais icônicos que se pode ver em Londres: 007. O prédio era o London Film Museum, um museu com os principais veículos usados nos filmes do James Bond desde o primeiro (são 23 filmes da franquia). Há helicópteros, aviões, barcos, motos e dezenas de carros. Atrás dos principais veículos há telas ou televisões onde aparecem as principais cenas de ação que eles participaram. E há descrições explicando como foram feitas as cenas. Muito bacana para quem curte filme e carros, como eu. Ah, o museu não tem gratuidade, e não é barato, quase quinze libras. Mas valeu a pena.
Aston Martin do James Bond, esse foi dirigido por Sean Conery
Um dos helicópteros da exposição.
Depois disso pegamos outro busão, chegamos à Tower Bridge e nos impressionamos com o tamanho dela. Na base de uma das torres tinha uma entrada com uma fila na porta, fomos nos informar por lá e já nos colocaram para dentro, sem pagar. Há um elevador ali que leva até o corredor que liga as duas torres. No corredor, além da linda vista da cidade, há painéis com fotos e a história de outras pontes famosas mundo afora. Ao final, você tira uma foto e recebe um tícket, para comprar na saída uma montagem com a ponte ao fundo. Depois há uma sala de cinema com um filme bem interessante contando como foi feita a ponte, desde a ideia inicial até a construção final, mostrando o mecanismo de abertura para barcos. Para fechar o passeio é preciso descer por elevador, mas este estava quebrado e precisei voltar por onde vim.
Tower Bridge ao fundo.
Gi com os cabelos esvoaçantes na Tower Bridge. Ao fundo, o castelo Tower of London.
Bem ao lado da Tower Bridge fica o Tower of London, um castelo que funcionava como prisão no passado. Há guardas uniformizados com vestes antigas típicas, e é possível fazer um passeio guiado pelo interior do castelo. Só que nesse daí cadeirante e acompanhante pagam, quinze libras cada... Acabamos não fazendo porque estava ficando tarde, e leva-se pelo menos umas duas horas para ver tudo. Além disso, nem tudo lá dentro é acessível, alguns prédios só podem ser acessados por escada e não tem elevador. Tomei birra e não voltei mais. O passeio em torno do castelo já valeu pela vista do rio e da Tower Bridge. De lá pegamos um ônibus até um pub típico londrino, para finalmente tomar uma cerveja Guiness com o Filipe. Este é um programa imperdível em Londres, tomar uma Guiness em um pub! Depois fomos comer em um restaurante indiano chamado Massala Hut, muito bom, onde tomamos uma cerveja chamada Cobra, também muito gostosa (não, não era feita de cobra nem tinha uma cobra dentro dela).
Tomando uma Guiness com o Filipe em pub londrino
Para o último dia em Londres eu tinha programado ir a Notting Hill e Abbey Road, mas acordei com muitas dores e fiquei descansando até tarde. Saímos à tarde para dar um rolé pelo bairro e ficou nisso. Para a noite, eu tinha combinado de encontrar com o Carlos, um amigo que fiz pela internet, e já acompanha o blog há alguns anos. Mais uma vez usamos ônibus para atravessar a cidade em um dia chuvoso. Encontramos com ele no bairro Southwark, ao sul da cidade, do lado de baixo do rio Tâmisa. Ele nos levou a um pub que é um dos mais antigos de Londres, só que não lembro o nome. Fica bem na beira do rio e tem uma vista privilegiada para a Tower Bridge, que fica linda iluminada à noite. O pub tinha várias cervejas artesanais de vários sabores, escolhi uma das mais exóticas, feita de morango! É gostosa mas um pouco enjoativa. Encontramos lá um amigo dele brasileiro, o Felipe, e de lá fomos a pé para um restaurante também na beira do rio (e que eu também esqueci o nome). O restaurante era bem bacana, tinha banheiro para deficiente, só que não tinha acesso para a parte de cima, onde ainda haviam mesas perto da janela. Carlos e Felipe me levaram escada acima e degustamos ali pratos deliciosos e vinho do bom. Foi uma noite bem agradável, batemos muito papo e divertimos bastante! Nunca encontrei um camarada que conheci pela internet tão gente boa.
Tomando cerveja de morango em antigo pub tradicional
Vista da Tower Bridge à noite
Com o Carlos e o Felipe jantando à beira do rio Tâmisa.
No dia seguinte, pela manhã, pegamos um trem para o aeroporto de Gatwick, para embarcar para Roma. Gostaria de agradecer mais uma vez ao Filipe pela excelente recepção e estadia, espero um dia poder retribuir!
Sair de trem pela estação Victoria é fácil, é só seguir a linha vermelha!

domingo, 4 de janeiro de 2015

Londres para cadeirantes - Parte 1

Em frente ao Big Ben com a London Eye ao fundo
A viagem até Londres foi rápida e tranquila, chegamos domingo de manhã na estação St. Pancras, onde foi filmado Harry Potter. A estação é enorme e muito bonita, tem uma escultura linda de um casal se beijando, como em um reencontro, lembra aquela famosa foto de um marinheiro beijando uma mulher no porto. Chegando lá encontramos o Filipe, irmão do meu cunhado que mora lá e nos recebeu no seu apartamento. É uma mão na roda ter alguém que conhece a cidade para orientar o passeio e evitar furadas. E o cara é tão gente fina que procurou um apartamento com elevador antes de se mudar pensando em uma futura visita.
Fachada da estação ferroviária St. Pancras
Escultura no interior da estação
Fomos para a casa dele de ônibus, em um daqueles vermelhos famosos, de dois andares. O que pegamos era tão moderno que o motor era híbrido, movido a gasolina e energia elétrica. O cadeirante entra pela porta do meio, onde uma rampa aparece por baixo do ônibus ao comando do motorista. O cadeirante só precisa apertar um botão com o símbolo da acessibilidade ao lado da porta. Ninguém precisa ajudar a subir, pois a inclinação é ótima, e a chance de estragar é pequena, pois não tem a complexidade dos elevadores brasileiros. Depois de entrar, a rampa se recolhe e a porta se fecha, e aí um probleminha: é preciso ir até a cabine do motorista para pagar a passagem, voltando pelo corredor onde as pessoas estão entrando para embarcar. Ou melhor, pagar não, passar um cartão chamado "Oyster" em uma máquina. Se o cadeirante está sozinho, e as pessoas te vêem no corredor, todo mundo para e espera, sem reclamar. Imagina se fosse no Brasil...
Chegamos ao bairro do Filipe e passamos em uma estação para comprar o tal cartão de ônibus. A estação também serve ao metrô, porém esta não tinha acesso para cadeirantes. Não são todas na cidade que têm, o que faz do ônibus o transporte ideal. Assim como em Paris, há mapas das linhas disponíveis no aeroporto, estações, e até lojas de souvenir. Em seguida subimos para o apartamento dele, que fica em uma região nobre de Londres, próximo ao Regent's Park. É um apê típico de solteiro, um quarto grande, sala com cozinha combinada, um quarto pequeno e um banheiro. Ele nos cedeu sua suíte master (que honra) e ficou no menor. O banheiro não era adaptado, mas a cadeira passava com facilidade na porta. Tem uma banheira onde fica o chuveiro, o que percebi que atrapalharia um pouco o banho. Como outras cidades europeias, não havia ralo fora do box, portanto o banho sentado no vaso também seria complicado. Optei por tentar entrar na banheira, colocando um banco lá dentro, mas na prática isso se tornou complicado e perigoso - para sair da banheira passei um arrego. Nos dias seguintes, preferi tomar banho no vaso, e depois a Gi secava o banheiro.
Com o Filipe almoçando jamon
Devidamente instalados, aproveitamos o belo dia de sol - raridade em Londres - para conhecer os primeiros pontos turísticos. De cara, obvio, o Big Ben. Fomos almoçar jamon (pronuncia-se "ramon") - uma carne de cedro muito gostosa - no Iberia, e depois pegamos outro ônibus e descemos próximo ao prédio do parlamento. O prédio do parlamento - Palácio de Westminster - é imenso, toma um mega quarteirão às margens do rio. Apesar do sol, fazia um pouco de frio, por isso não tirei a blusa hora nenhuma - mais para frente me arrpendi de não ter levado blusas mais parrudas. Chegamos ao Big Ben e já avistamos a London Eye - aquela roda gigante à beira do rio Tâmisa. Confesso que achei que o Big Ben fosse maior, mas sua simbologia o torna gigante. Ele é testemunha de centenas de anos de reinado britânico.
O relógio mais famoso do mundo
London Eye ao fundo
Atravessamos o rio para ver melhor a London Eye, mas não animei dar uma volta, queria conhecer outros lugares. Fomos à St. Margaret's Church (Igreja de Santa Margarida) que fica bem atrás do parlamento. Estava fechada à visitação, mas só a construção por fora vale a pena. De lá nos dirigimos ao Palácio de Buckingham, residência oficial da realeza. Como não era longe, fomos a pé - e a roda - através do parque St. James, que tem um lago muito bonito no meio, além de vários animais como gansos, marrecos, patos e outros parentes.
Em frente a um dos portões do Palácio de Buckingham
O que mais impressiona em Buckingham são os portões. Imensos e adernados com brasões e lanças douradas, transmitem a sensação de fortaleza. Um deles fica aberto, mas com guardas na frente que não permitem ninguém entrar. Infelizmente não peguei a famosa troca da guarda, e só vi dois guardas com aquele chapéu típico à la Margie Simpson. O complexo do palácio é muito grande e conta com um parque aberto ao público, o Green Park, por onde passamos para ir embora. A próxima parada foi na National Gallery, um dos mais famosos museus da Europa, que fica na praça Trafalgar Square. A praça em si já é muito legal para se visitar, tem artistas de rua, fontes e estátuas. Tinha até um galo azul gigante no lugar de uma estátua, a explicação é que ainda não decidiram qual personalidade homenagear com uma estátua ali. Dizem as más línguas que estão esperando a rainha morrer... Acabamos não entrando na National Gallery porque estava escurecendo.
Em frente ao National Gallery
Detalhe da praça Trafalgar Square
Galo azul em Londres. Acho que é cruzeirense...
Dentro de um táxi adaptado
No dia seguinte, Filipe foi para o trabalho e eu e Gi fomos explorar a cidade. Logo ao sair do prédio avistei um táxi para deficientes encostando em um hotel, era uma Mercedes tipo van. O taxista foi muito solícito, tirou uma rampa do porta malas e me ajudou a subir. Por dentro ele era bem espaçoso, com lugar próprio para o cadeirante ir, de costas para o motorista. A altura deixou a desejar, fiquei com a cabeça meio inclinada, mas pela minha altura não ia encontrar um que desse nunca. Os famosos táxis pretos londrinos também ostentam o símbolo de acessibilidade, mas não cheguei a experimentar. Fomos para o Borough Market, uma espécie de Mercado Central que tem de tudo, até uma Taverna em estilo medieval. Almoçamos por lá e fomos ao British Museum, que tem mais de sete milhões de objetos de todos os continentes. Conto sobre ele (e outras coisas) no próximo post!
Dentro do Borough Market

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Paris para cadeirantes - Parte 4

Catedral de Notre Dame
Para nosso último dia em Paris eu havia programado duas igrejas - ou melhor, catedrais - a Notre Dame e a Sacre Coeur. Pelo mapa percebi que eram um pouco longe, então priorizei a primeira. Para chegar lá precisamos pegar dois ônibus, o primeiro até o Jardin des Touleries, depois atravessamos o rio Sena para pegar outro. Atravessamos pela "Passerelle Léopold-Sédar-Senghor" - a cidade é tão chique que até uma passarela tem um nome pomposo. Como várias pontes sobre o rio Sena, essa tinha centenas de cadeados fechados no parapeito, e logo à frente um camelô vendendo cadeados. Não perdemos a oportunidade, compramos um cadeado em forma de coração, que nem chave tem, escrevemos nossos nomes e travamos ele na grade do parapeito. Fofo, né?

Momento romântico sobre o rio Sena
Pegamos o outro ônibus e rapidamente chegamos ao destino. Notre Dame fica em uma ilha no meio do rio Sena, atravessamos mais uma ponte e nos deparamos com sua imponente fachada. Só chegando perto de uma catedral para ter noção da sua grandiosidade, superou muito qualquer expectativa que eu tinha. Chegando perto o que impressiona é a quantidade de detalhes, que em alguns pontos chegam a ser sinistros, como os gárgulas na lateral, que remetem ao estilo gótico da catedral. As portas enormes convidam ao interior, e a preferência para deficientes mais uma vez foi respeitada e me conduziram à frente da fila.

A imponente nave da Nôtre Damme
Um dos belíssimos vitrais
Lá dentro é incrível, os arcos da nave central e os vitrais deixam qualquer um de queixo caído. Há várias imagens lindas (tinha até da Joana D'Arc) nas laterais e muitas velas, que você pode pegar à vontade (sugerem deixar dois euros de doação) para acender e deixar com seus pedidos. Acho que ouvi inclusive sussuros do corcunda pelas paredes... Rodamos pelo interior e fomos para os fundos, onde há um belo jardim. A arquitetura dos fundos impressiona quase tanto quanto da fachada, onde destacam-se as pontas e arcos.

Deixei também meu pedido

Restaurante charmoso
Depois do almoço passamos por La Conciergerie e fomos conhecer a Bastilha, ou melhor, o monumento Coluna de Julho, uma enorme coluna coroada por um anjo dourado, que marca o local onde ficava a Bastilha. Deixamos o resto da tarde para uma voltinha pelas Galerias Lafayette (deixei propositalmente pouco tempo para a Gi não gastar muito).

Coluna de Julho

Chez Clement
Para encerrar o dia, fomos jantar no Chez Clément, um restaurante muito bacana (mas sem acessibilidade - a não ser as mesas sobre a calçada). Depois de quatro deliciosos dias na capital francesa, fomos para Londres de trem passando por baixo do Canal da Mancha. Depois conto sobre as viagens de trem pela Europa.
Não deixem de ler os relatos da Laura Martins sobre seus passeios por Paris:
http://cadeiravoadora.blogspot.com.br/search/label/Paris
Outro site muito completo sobre Paris que consultei:
http://www.conexaoparis.com.br/

domingo, 7 de dezembro de 2014

Paris para cadeirantes - Parte 3

Em frente à pirâmide de vidro do Louvre
Paris é a cidade dos Museus. Depois de conhecer dois deles, reservamos o terceiro dia em Paris para visitar mais dois, os famosos D'Orsay e Louvre. Acordamos cedo, tomamos café em uma cafeteria muito charmosa - pedi crepe suzete - e um único ônibus nos levou direto ao Museu D'Orsay. Mais um gratuito, para cadeirante e acompanhante. A acessibilidade lá dentro é um pouco confusa, muitas vezes é preciso pedir informação aos funcionários para chegar aos andares ou níveis, pois alguns elevadores são escondidos. A quantidade de níveis nas laterais também incomoda, pois há pequenos degraus de um para outro, e o cadeirante precisa ficar dando a volta para pegar outras entradas. Mas vale a pena, a cada sala que a gente entra, uma sensação diferente, dada a variedade de obras.

Fachada do Museu D'Orsay.
Na nave principal há várias esculturas belíssimas de mármore e bronze, e nas laterais ficam os níveis com quadros e algumas peças antigas. Nos deparamos com dezenas de estudantes desenhando as esculturas. A nave é toda inclinada, e há rampas nas laterais, bem suaves. Depois de explorar a parte central, partimos para os andares superiores. Não parece, mas há cinco andares no D'Orsay! Resolvemos ir de baixo para cima, e já pegamos o elevador direto para o último andar. Lá é possível ver através dos relógios que ficam na fachada principal, uma bela vista para o Rio Sena. Também no último andar há um restaurante muito bacana, super bem decorado.

Nave central do D'Orsay, com muitas esculturas
Voltamos para o quarto andar e nos deparamos com diversas peças de mobiliário antigas, recriações de quartos, aposentos e ateliês de grandes artistas renascentistas. Muito interessante. Há ainda outras galerias com quadros imensos, do chão ao teto. Descemos mais um pouco e resolvemos ir direto para a atração principal, a seção Van Gogh, onde está o famoso quadro auto retrato. Um espetáculo, chega a ser emocionante. Ainda mais para quem viu o episódio de Dr. Who em que Van Gogh vem do passado e vê as pessoas admirando suas obras, coisa que ele morreu sem ver, já que não vendeu uma única obra em vida. Assistam um resumo clicando aqui ou aqui.

Mobiliário antigo retratando uma sala.
Curtimos bastante o museu e fomos almoçar nas margens do rio Sena, para seguir depois para o Louvre, do outro lado do rio. Chegando ao palácio do Louvre há alguns gramados, onde o povo fica deitado, namorando ou brincando com os filhos, ou com cachorro. É tipo um parque, bem descontraído. O Palácio do Louvre é enorme, por fora dá para ter ideia da quantidade de coisa que tem lá dentro. Passa-se por um portal enorme para chegar à entrada principal, aquela pirâmide de vidro.

Chegada ao complexo do Louvre
Como em todos os museus de Paris, a fila estava enorme. E como em todos que estive, cadeirante não pega fila, não paga, e nem o acompanhante. Assim que o segurança me viu abriu a corda da entrada e me conduziu ao elevador mais bacana que já andei, que sobe do chão até a plataforma da entrada. Chegando ao térreo, há um balcão de informações com vários atendentes treinados em várias línguas, inclusive português. Há também vários mapas e guias gratuitos, fundamentais para se orientar dentro do museu. Para os mais exigentes, há aparelhos de áudio que podem ser alugados por cinco euros com explicações sobre cada obra. Eu não quis alugar, preferi ir acompanhando no guida de papel e conversando com a Gi sobre as obras.

As Bodas de Caná, incrível.
Do térreo se escolhe em que direção ir, de acordo com a galeria que se queira visitar primeiro. Começamos pelo lado direito do museu, que era justamente onde estava a principal atração, a Mona Lisa. Queria ver logo essa danada. Rodar pelos corredores do Louvre é enebriante, as pinturas no teto e os detalhes de decoração impressionam quase tanto quanto as obras expostas. Chegando à sala da Mona Lisa, há um quadro gigantesco no lado oposto, As Bodas de Caná, de Paolo Veronese, que chega a tirar o fôlego, tanto pela beleza quanto pelo tamanho. O quadro é injustamente negligenciado pelos turistas, dada a atenção que a Mona Lisa recebe, o que permite admirá-lo sem muita interferência.
Gioconda, a Mona Lisa, com visão privilegiada!
O lado da Mona Lisa parece um formigueiro, são dezenas de pessoas se estapeando para chegar perto e conseguir a melhor foto. Mais uma vez o respeito aos cadeirantes se fez valer e assim que um dos seguranças me viu tentando chegar perto pediu para abrir passagem e abriu a corrente que separa o povo, e deixou também a Gi ficar ali pertinho para tirar foto e curtir a pintura comigo. Ela é menor do que se supõe, mas é realmente hipnotizante. Muito legal poder ficar tão perto de uma obra tão famosa e icônica.
Vênus de Milo, dando uma de João sem braço...
... nem percebeu o cofrinho de fora!
De lá fomos atrás da Vênus de Milo. Belíssima escultura, e como não perco uma oportunidade, tirei uma foto que pouca gente tem: do cofrinho da Vênus de Milo! Rsrs Outras que fiz questão de conhecer foram Psiquê Reanimada pelo Beijo de Eros, A Madona das Rochas, também de Da Vinci, a Victória de Samotrácia e a Diana de Versalhes. Depois fomos às galerias egípcias, incríveis, com sarcófagos e múmias, e ao Louvre Medieval, onde é possível ver as estruturas do forte que havia onde hoje é o Louvre. Tem até uma miniatura dele, que parece um castelo.

Psiqué Reanimada pelo Beijo de Eros
A pirâmide invertida, no meio do mini shopping do subterrâneo do Louvre
Depois de curtir as principais obras e galerias, voltamos à recepção, e fomos explorar as galerias que há por ali. Tem lanchonete, lojas de lembranças, lojas grandes (até da Apple tinha) e no meio a famosa pirâmide invertida, que me fez lembrar o filme O Código Da Vinci. Muito legal. Vale a pena comprar um Guia Oficial das obras primas do Louvre, é ótimo para direcionar a visita. Uma tarde é pouco para conhecer o Louvre, mas recomendo ficar até o fim do dia para pegar o museu iluminado. À noite, é outro mundo, maravilhoso. Na volta andamos até o início da Champs-Elysées e pegamos um ônibus até o hotel. Foi um dia incrível!

Louvre à noite é um show
O portal na entrada do Louvre

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