quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Cadeirante na Itália - Modena e Maranelo

O prédio onde a Ferrari começou, a oficina do pai do Enzo
Tudo começou nos anos 80, acompanhando minha mãe assistindo Fórmula 1 nos domingos pela manhã. Conheci Piquet, Senna, Prost, Lauda, Berger e as respectivas escuderias que defendiam. Minha primeira simpatia foi pela Mc Laren, que era defendida pelo Senna. Tanto que pintei meu carrinho de rolimã com suas cores! Mais velho, surgiu a paixão por automóveis, e comecei a estudar mais o mundo da Fórmula 1. Nesse estudo me deparei com a Ferrari, e percebi que era uma das mais tradicionais e enigmáticas do circuito. Foi paixão à primeira corrida, e minha admiração pela Scuderia e pelos carros só cresceu ao longo dos anos. Não poderia, portanto, deixar de conhecer mais um pouco de sua história em minha passagem pela Itália. Enviei e-mails para os dois museus da Ferrari, um que fica em Modena, onde a empresa nasceu, e outro em Maranello, onde fica a fábrica, distante a apenas 20 km. Disse que era cadeirante, perguntei sobre a acessibilidade e expliquei que faria uma matéria para o meu blog. Retornaram rapidamente e disseram que estariam me esperando em Modena, com toda a estrutura necessária.
"Esta casa foi vendida por Enzo Ferrari quando tinha vinte anos para comprar seu primeiro carro de corrida"
Pegamos o trem cedo em Roma e antes das onze da manhã já estávamos em Modena. Sobre a viagem de trem conto em outro post. A cidade é muito simpática, preserva aquele ar de interior, com aqueles belos casarões e igrejas. Pegamos um táxi e fomos direto ao Museo Casa Enzo Ferrari, que fica na oficina do pai do Enzo, fundador da Ferrari, Alfredo Ferrari. Ele é composto de duas partes, o prédio original da Oficina de Alfredo, que seu filho Enzo vendeu para comprar seu primeiro carro de corrida, e outro prédio moderno que conta com loja, lanchonete e um salão que é um museu multimídia, que na época contava a história da Maserati, da qual a Ferrari é proprietária. Rodando pelo salão, em determinado momento inicia-se uma exposição de vídeo em todas as paredes, como se toda a sala fosse a tela. Muito bacana. Fui antes à recepção e me apresentei, e eles já tinham preparado uma van adaptada para me levar ao outro museu, em Maranello, e depois à fábrica.
Interior do prédio moderno do Museo Enzo Ferrari
Interior do salão multimídia com carros da Maserati
Entre dois carros clássicos da Maserati
Fui então para o outro prédio, que conta um pouco da história do Enzo e como ele criou uma das marcas mais famosas do mundo. Há vários motores e carros clássicos e icônicos em exposição, como um Alfa Romeu com dois motores V8 que bateu o recorde de velocidade em 1935. Lá também há um modelo da Ferrari Enzo de 2002 e um bólido de Fórmula 1 de 1987 guiado por Gherard Berger. Tem também uma reprodução de uma sala de reuniões da Ferrari no início de sua vida. Depois de curtir tantos objetos incríveis e sua história, dentro do prédio onde tudo começou, fomos para a van. Era um carro enorme, com dezesseis lugares e elevador para cadeira de rodas na parte traseira. Fui dentro do porta malas e a Gi sentadinha com várias opções...
Sala de reuniões dos primórdios da Ferrari
Alfa Romeo de dois motores recordista de velocidadade em 1935
Ao lado da belíssima Enzo Ferrari, com toda a fúria do seu motor V12
F1 1987 pilotado por Gherard Berger
Chegamos a Maranello, que é uma província de Modena, e gira toda em torno da fábrica da Ferrari. Passamos em frente à entrada da fábrica e paramos em frente ao Museo Ferrari. Nas proximidades há várias lojas que alugam Ferraris - e até Lamborghinis - para uma volta pela cidade. Na entrada há um carro de Fórmula 1 "enjaulado" em um emaranhado de metal. Entramos no museu - só a Gi pagou - e demos de cara com uma reprodução de uma oficina de Fórmula 1, com imagens de todos os corredores da Ferrari ao longo dos anos, inclusive o Massa e o Rubinho. Mas para a frente havia um enorme motor de Fórmula 1 e uma placa de incentivo para o Schumacher. Passando por uma lojinha de lembranças entramos definitivamente no museu, que tinha carros de Fórmula 1 e a reprodução de uma estação de controle de corrida, daqueles que aparecem muito na TV, mostrando os diretores com os nervos à flor da pele. Ainda no primeiro andar haviam carros de GT e outras categorias, destacando as vitórias da Scuderia.
Entrada do Museo Ferrari em Maranello
Olha o Massa e o Rubinho ali
Placa de incentivo ao Schumacher
Alguns Fórmula 1 e um painel de controle ao fundo
Passando para o segundo andar, destaque para um boneco de cera do Comendador Enzo Ferrari em uma réplica do seu escritório. Incrível, muito bem feito, dá para sentir o jeitão italiano do criador dessa lenda. Aí vem uma série de carros históricos e icônicos da marca, antigos e modernos. Há também curiosidades e projetos absurdos, como uma interpretação de um americano do design da marca e um com uma bolha enorme no lugar do para brisa. Mas a cereja do bolo foi uma sala dedicada à La Ferrari, em uma câmara escura, as lâmpadas se apagam e aquela luz roxa acende mostrando somente filetes ao longo do corpo do carro. Tem também um painel demonstrando o funcionamento do Kers. Em outra sala há um carro "no esqueleto", demonstrando como é a estrutura por trás de um superesportivo. No terceiro andar (tudo servido por elevadores, com total acessibilidade) haviam carros protagonistas de filmes e seriados famosos, acompanhados por TVs passando os principais trechos. Essa aí de baixo, uma 275 GTB, foi dita como protagonista de um curta de 1976 pelas ruas de Paris a mais de duzentos por hora. Mais tarde descobriu-se que o filme foi feito por uma Mercedes.
Uma clássica 275 GTB
Comendador Enzo Ferrari em seu escritório
Não é à toa que ela tem um nome feminino, com esta bunda avantajada
Um modelo raríssimo e exclusivo, 599 SA Aperta
Esqueleto de uma 599. Até assim ela é linda!
Chegamos então à sala dedicada à Fórmula 1 recente, com carros que ganharam os últimos títulos (a maioria do Schumacher) e a galeria de troféus da Scuderia - vejam o vídeo mais abaixo. Há também uma mini sala redonda com uma TV e diversos auto falantes, onde você escolhe o carro, de rua ou de Fórmula 1, e ouve o ronco do motor, passando marchas e acelerando forte. Muito bacana. Acabando o tour pelo museu, finalmente ia conhecer a fábrica! Mas ao chegar na saída... um temporal desabava sobre Maranello. A van lá me esperando e eu não conseguia chegar nem perto da porta, de tanto que chovia. Fiquei mais uma hora e meia rodando pelo museu, até a chuva melhorar e me deixar ir para a van. Aí só dava tempo para ir embora, direto para a estação ferroviária. Foi aí que começou o maior perrengue que já passei na vida em viagens! Outra hora conto!
Alguns dos muitos troféus da Scuderia Ferrari

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Cadeirante na Itália - Roma

Em frente ao Coliseu - felizmente não tem leões lá dentro mais!
Como passamos a manhã no Vaticano, teria apenas a tarde para rodar pelos principais pontos turísticos de Roma. Começamos pelo mais famoso, o Coliseu. Pegamos um ônibus adaptado em uma praça próxima ao Vaticano - que acabamos andando de graça, pois quando a Gi foi pagar o motorista não aceitou de jeito nenhum - depois descobrimos que deveria ter comprado um ticket. Andar de ônibus em Roma é tranquilo, não é difícil pedir informações e alguns tem o nome dos lugares mais famosos na frente. Há alguns quiosques de informações pela cidade e neles consegue-se mapas e relações de linhas de ônibus. Um pouco mais confuso do que Paris, mas não é difícil se localizar. Consegui explicar ao motorista que iríamos ao Coliseu e nos deixou bem em frente.
Passamos em frente ao Monumento a Vitor Emanuel II
Estava receoso quanto à acessibilidade do lugar, mas me surpreendi. Chegamos por cima e demos a volta, e como em todos os pontos turísticos, me direcionaram para a entrada. É um pouco irregular, na entrada, mas nada complicado. Lá dentro havia uma fila enorme para entrar, mas fui direto para a entrada e nem precisei pagar, nem a acompanhante. Fomos entrando e nos deparamos com uma plataforma que dá para o centro do Coliseu, onde é possível ver o labirinto que há na parte inferior. O tamanho é de um estádio de futebol, mas o mais legal é imaginar tudo que se passou ali dentro. Voltamos para o anel externo e fomos até um elevador que leva aos andares superiores. Há também uma plataforma para vislumbrar melhor o interior, que estava lotada e o povo se estapeando para chegar na beirada. Fui pedindo licença e cheguei até a beirada, onde pude contemplar a grandiosidade do Coliseu. Incrível. Fomos rodando até o outro lado e descobrimos um mini museu com peças antigas do Coliseu, miniaturas e imagens dele antigamente e hoje. Achei muito interessante uma figura que mostrava como ele era e o que sobrou hoje. Muito legal. Além disso, do Coliseu tínhamos uma vista muito boa do Arco de Constantino e do Templo de Vênus e Roma. Foi um belo passeio.
Vista da primeira plataforma no Coliseu
Na segunda plataforma no andar superior do Coliseu
Arco de Constantino
Templo de Vênus e Roma
Depois do Coliseu pensamos em ir à Fontana di Trevi. Bem em frente havia uma estação de metrô, e já sabia que tinha uma linha direto até lá. Lá dentro havia dois lances de escadas, então pedi para acionarem o elevador de escada (igual ao do Vaticano). Desci no primeiro, mas quando foram acionar o segundo, não funcionou. Acabei voltando e pegando um ônibus. Chegando próximo descemos e fui perguntar a uma turista como chegar lá, mas ela me disse que não valeria à pena pois a fonte estava desligada, em reforma, e seria melhor ir à Piazza Navona, que era mais próxima de onde estávamos. Seguimos o conselho e fomos à praça, rodando mesmo. Chegando lá me surpreendi com a beleza das fontes e o tamanho da praça. Na primeira fonte há uma imagem de Netuno lutando contra um polvo, e cavalos saindo da água. É chamada Fonte de Netuno.
Fonte de Netuno na Piazza Navona
Mais embaixo fica a fonte principal, chamada Fonte dos Quatro Rios, que tem uma escultura gigante vazada no centro e com um enorme obelisco em cima. Há vários elementos compondo a estrutura, como seres míticos, leões e até palmeiras. Fantástica! Descendo mais na praça (ela é enorme) me deparei com mais uma fonte menor e um prédio onde havia uma bandeira do Brasil! Imaginei do que se tratava e me informei, era de fato a embaixada brasileira, que ocupa aquele prédio desde 1920. Santa coincidência, Batman! A turista me mandou pra lá sem saber que eu era brasileiro! Tinha uns latinos tocando sanfona, violão e violoncelo, foi o momento que me senti mais próximo da América do Sul. A Piazza Navona toda é bem descontraída, tem várias tribos e muito espaço para passear. Há também vários restaurantes e bares ao redor, convidam a uma paradinha para comer. Mas não estávamos com fome.
Detalhe da Fonte dos Quatro Rios
Embaixada brasileira na Piazza Navona
A tarde estava caindo e tínhamos que voltar para o hotel, para ir a um restaurante recomendado pelo casal de brasileiros que conhecemos no primeiro dia. Mas como eu estava com vontade de ir ao banheiro, resolvemos andar um pouco e procurar um lugar com banheiro adaptado. Fomos andando pela avenida Corso Vittorio Emanuelle, Rodamos um pouco e passamos pela Igreja Santa Maria in Vallicelliana, mas como lá não tinha banheiro adaptado não entramos. Continuamos nossa via sacra, perguntando em alguns restaurantes sobre banheiro, mas nada. Em certo momento avistei um prédio muito bonito ao final de uma rua, como parecia turístico imaginei que lá teria banheiro. Ô vida difícil de um cadeirante apertado...
Igreja Santa Maria in Vallicelliana
Seguimos até lá e o lugar era o Castelo de Santo Ângelo, já havia lido sobre ele. Atravessamos o rio e conversei com o segurança, ele disse que eu só poderia ir em alguns andares, e sim, havia banheiro adaptado. Fui ao banheiro e depois fui comprar ingresso, que para mim e acompanhante custou... nada. Rodamos pelo primeiro andar e pegamos um elevador para a parte superior. Lá em cima havia um corredor que circula o Castelo e ao longo dele haviam algumas salas com esculturas e peças da idade média. Rodamos, visitamos e percebemos que a vista para o rio era linda, com a Basílica de São Pedro ao fundo. Continuamos e nos deparamos com... um boteco!! Eu fiquei que nem criança quando entra no parquinho. Haviam mesas no corredor e lá dentro, e belas e simpáticas garçonetes atendendo. Nos sentamos em uma mesa onde dava para ver a Basílica e o sol se pondo sobre a cidade. Pedimos duas taças de vinho branco e veio um prato com uma mistureba de tira gosto. Tinha batata chips, azeitona, morangos bêbados (em uma taça com açúcar e licor), queijos e mini sanduíches! Para provar vejam a foto abaixo! Curtimos o fim de tarde e o pôr do sol, ao anoitecer saímos do Castelo.
Castelo de Santo Ângelo
Pôr do sol com a Basílica ao fundo
Isso que é acompanhamento!
Fomos rodando pela beira do rio e passamos por um prédio antigo e um carrossel! Com cara de ter uns mil anos, todo decorado. Mas infelizmente estava fechado. Ao longo do rio havia vários camelôs vendendo diversas bugigangas, de discos de vinil a mini estátuas. Mais à frente nos deparamos com o belíssimo prédio do Palácio da Justiça. A esta altura já havíamos abortado o restaurante, então resolvemos pegar um táxi até o hotel. Pegamos uma perua Stilo, carro inexistente no Brasil, e o taxista falava perfeitamente inglês. Fui batendo papo com ele contando que já tive um Stilo no Brasil, e que lá era carro chique. Chegando perto do hotel, resolvemos comprar um lanche pronto em um botequinho e levar para o hotel. Dormimos cansados mas felizes pelo dia divertido por Roma! No dia seguinte, Modena e Maranello! Conto no próximo post!
Carrossel histórico às margens do rio Tibre

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Cadeirante na Itália - Vaticano

Na Praça de São Pedro, na esperança de ver Chiquinho!
Nosso quarto e último destino na Europa foi a Itália. E era justamente o lugar que eu mais queria conhecer, pois minha família veio de lá. Porém, confesso que foi a parte mais mal planejada da viagem, chegaríamos em Roma no fim da tarde de um dia, gastaria um dia inteiro para ir e voltar a Modena, e ainda iria embora no quarto dia pela manhã. Então, teria apenas um dia para conhecer os principais pontos turísticos da cidade. Já havia conversado com meu cunhado, que estivera lá há pouco tempo, e ele me disse que seria suficiente.
Chegamos à noite em Roma pelo terminal Termini
Chegamos ao aeroporto e pegamos um trem para a cidade. Escolhi um hotel próximo à estação Termini propositalmente, pois de lá partem trens, metrô e ônibus para qualquer parte da cidade e até para outras cidades. Chegamos a Termini por volta de oito e meia, bem cansados. Fomos andando até o hotel, mas chegando lá... O atendente nos disse que o quarto adaptado estava ocupado, e que os ocupantes haviam saído cedo e ainda não haviam retornado. Eu poderia esperar eles chegarem para trocarem de quarto entrar, ou poderia ir para um hotel semelhante que eles já tinham reservado para mim pelo mesmo preço. Inicialmente fiquei meio revoltado por não terem reservado direito, ameacei entrar em contato com o Booking, mas resolvi ir até o hotel para ver se valia a pena. O atendente chamou então um auxiliar japonês para nos levar até o hotel, que era no quarteirão seguinte. Fomos então atrás do japonês. Chegamos à esquina e entramos à esquerda. Acabou a rua e o japonês olhou para um lado, olhou para o outro e se virou pra nós. Perguntei se estava tudo certo e descobri que ele não falava inglês. Mas entendi que ele não estava encontrando o hotel. Pediu pra gente esperar ali - bem no meio do cruzamento, e saiu correndo pela rua até o fim do quarteirão e sumiu na esquina. Logo apareceu ele de novo, correndo, chegou até a gente e pediu para esperar mais um pouco, continuou correndo na outra direção até sumir. Nisso a gente já estava rindo, o japonês magrinho naquela roupa tipo ascensorista de elevador chique correndo prum lado e pro outro. Apareceu de novo o japonês tentando explicar que não encontrava o hotel e ia voltar ao primeiro hotel para pegar mais explicação. E lá vai o japonês correndo pela rua. Logo ele voltou correndo explicando o vacilo: era só entrar para a direita no início, o hotel era logo depois da esquina.
Fachada do Hotel San Remo, com degraus... mas tinha entrada lateral
Chegando ao hotel, pequeno problema: tinha dois degraus na porta. Antes que eu reclamasse o japonês entrou correndo e pediu para abrirem a porta lateral, onde há uma rampa. Tinha um certo cheiro de mofo, mas pelo menos não era íngreme. O hotel era bem melhor que o primeiro, apesar da entrada, e o quarto era bem adaptado e espaçoso. Saímos para jantar em um restaurante próximo, indicado pelo hotel. Pedimos pizza (claro) e vinho da casa - são sempre boa pedida, vinhos de qualidade em garrafa comum. Conversando descobrimos que estávamos ao lado de um casal de brasileiros. 
Prática trava de cadeira de rodas no metrô de Roma
No dia seguinte saímos cedo para correr pelos pontos turísticos. Resolvemos começar pelo Vaticano. Perguntei antes e descobri que o melhor meio de transporte seria o metrô. Em Roma há muitas estações adaptadas, mas é preciso se informar pois nem todos os elevadores funcionam. Chegamos rapidamente lá, mas ao sair da estação percebi que teria algum problema, pois o Vaticano ficava no alto. Não me desesperei, afinal um lugar que deve receber dezenas de cadeirantes por mês não poderia ser sem acesso. Chegamos à entrada e a fila estava dobrando o quarteirão. Mas logo me direcionaram para a entrada de cadeirantes, onde já haviam dois na fila. Entramos logo, e começou a sequência de elevadores. O primeiro leva a uma loja e algumas esculturas, o segundo ao segundo andar e início da Capela Sistina. Ainda haviam mais dois, para o segundo andar, e para a Praça São Pedro.
Bela igreja no caminho para o Vaticano
Entrada do Museu Vaticano, cadeirante não pega fila - só de cadeirantes...
Praça Quadrada, na entrada do Vaticano
Praça no centro do Museu
O Vaticano é um complexo com museu, lojas, praças ao ar livre, igreja e espaços internos. Iniciamos pela praça principal, onde há um monumento em forma de globo que fica girando. Não descobri o nome dele, mas pela foto acima dá para saber qual é. Depois da praça entramos no Museu do Vaticano, com obras religiosas e peças ligadas à história da igreja no mundo. Havia até uma arca que lembra aquelas de histórias do Indiana Jones. Rodamos pelos corredores e galerias do museu e ao final havia uma escada, mas - claro - tinha um elevador que levava até a Capela Cistina. Antes da entrada havia um espaço com uma mesa e um padre, para que as pessoas pedissem uma benção. Havia um casal lá e a Gi pediu para esperar, e assim que liberou entramos. Expliquei em inglês que a gente queria uma benção para nossa relação, e depois de dizer que Deus não havia me abandonado, por causa da minha situação, segurou nas nossas mãos e começou dizendo que a Gi era um anjo que apareceu na minha vida, que nossa relação era especial e Deus estava olhando por nós, etc, etc, nesse momento olhei para a Gi e ela estava desabando de chorar. O detalhe é que ela não fala inglês, então estava chorando porque? Quando acabou agradeci ao padre e fui tirar minha dúvida, ela disse que ele não poderia estar falando nada de ruim, então se emocionou! Ah, mulheres...
Linda arca entre os objetos do museu
O trânsito para dentro da capela era intenso, mas o pessoal respeita e é só ir pedindo licença. Chegando mais no meio, o padre que tinha nos dado benção apareceu e foi na frente tirando o povo e me posicionou em frente ao altar. Em seguida pediu silêncio a todos e começou uma breve missa. A capela é menor do que eu imaginava, mas sua grandiosidade está no teto, que é todo tomado pela obra de Michelangelo. Realmente incrível, de encher os olhos. Depois da missa fomos direto para a Praça São Pedro, onde fica a Basílica de São Pedro e onde o Papa aparece eventualmente. A praça é linda, mas toda irregular e complicada de rodar com cadeira de rodas, principalmente nas laterais. Imaginava que ela fosse plana, mas é toda em desníveis. Há escadas nas laterais, para acessar o centro há rampas, mas estando longe é mais fácil descer os degraus, são baixos e largos. O obelisco ao centro também é fantástico, mas o grande barato é estar ali, onde são revelados novos papas, onde o povo se junta para ver e ouvir o Papa - enfim, onde a história aconteceu e acontece até hoje.
Elevador que leva à Capela Sistina
Entramos depois na Basílica, que tem um caminho um pouco tortuoso para cadeirantes: peguei um elevador, atravessei a frente toda para chegar em uma rampa, atravessei algumas cordas e finalmente estava lá dentro. O lugar é absolutamente incrível, a altura do teto, as imagens nas laterais e a luz que entra pelo teto e janelas, coisa de louco. Dentro da basílica há diversos santuários e seções dedicadas a alguns papas, com destaque, claro para o túmulo do João Paulo II. Outra que chama muita atenção é a Pietá, toda em mármore, belíssima. E no fundo da basílica, o imponente altar, que já vi várias vezes na televisão, principalmente na Missa do Galo no fim do ano. Fiquei imaginando o tamanho das árvores que deram origem àquelas colunas. Na saída passamos em uma das lojinhas de lá para comprar lembranças - mas é mais barato fora da basílica, há dezenas de lojas e até camelôs.
Detalhe da fachada da Basílica de São Pedro
Túmulo do Papa João Paulo II
Altar Papal
Saindo de lá demos mais algumas voltas pela praça e fomos almoçar. Me disseram que os restaurantes bons são os mais próximos, pois os padres não comem mal. Realmente, comemos uma massa bem gostosa. Depois fomos pegar um buzão para conhecer Roma - conto no próximo post!

domingo, 11 de janeiro de 2015

Londres para cadeirantes - Parte 2

Fachada imponente do Museu Britânico

Na tarde do nosso segundo dia em Londres fomos ao British Museum. A entrada é gratuita e a acessibilidade completa. Tem dois elevadores na entrada, um de cada lado da escadaria principal, e ambos estavam funcionando. O hall de entrada do museu é incrível, o teto é arredondado e todo de vidro, em um vão de encher os olhos. Assim como em Paris, há quiosques de informação com guias em várias línguas, incluindo o português. Os funcionários são também cuidados e atenciosos com cadeirantes, explicam e acompanham até os elevadores e acessos. Começamos pela coleção grega, com lindas peças em mármore, estátuas, tem até pedaços do Pártenon e templos gregos quase completos. Depois descobri que há uma batalha jurídica entre a Grécia e a Inglaterra para que devolvam peças roubadas no passado. Gostei muito também da coleção de múmias e dos artefatos egípcios, com destaque para a Pedra de Roseta, que contém o primeiro texto bilíngue que se tem notícia. Em uma das alas tinha até uma caveira de cristal ao estilo Indiana Jones! Dá para gastar algumas horas apreciando alguns dos sete milhões de objetos de todos os continentes catalogados no museu. Depois do museu, fomos a pé para casa do Filipe.
Templo grego quase completo
A caveira de cristal que o Indiana Jones estava procurando!
No dia seguinte, fiquei sabendo que a cavalaria real passaria pelo Palácio de Buckingham, então começamos por lá o passeio. Muito legal ver os cavaleiros com aquelas vestes típicas e capacetes dourados, parece que voltamos ao século retrasado! Depois disso fomos para a Tower Bridge, outro cartão postal icônico de Londres. Como era um pouco longe, precisávamos pegar dois ônibus. Como a Gi não fala inglês, precisei ensinar a ela o nome das ruas em que iríamos descer, pois quando ela fosse pagar a passagem, o motorista iria perguntar. Enquanto esperávamos no ponto, eu ficava ensaiando com ela o nome das ruas. No primeiro ônibus, o motorista perguntou e ela falou, como ele não entendeu continuou perguntando, quando eu já ia lá resolver um dos passageiros se ofereceu para dar o recado. Para o segundo ônibus, mesma coisa, ficamos treinando, chegou na hora ela falou o nome, o motorista repetiu e ela: - Isso! É lá mesmo! Claro que o cara não entendeu patavinas. E eu fiquei rindo lá no meio do ônibus...
Cavalaria real. Parece aqueles soldadinhos de chumbo!
Os homi britânico!

Uma das famosas cabines telefônicas londrinas
No meio do caminho, antes de trocar de ônibus, reparei em uma placa em um prédio com os números mais icônicos que se pode ver em Londres: 007. O prédio era o London Film Museum, um museu com os principais veículos usados nos filmes do James Bond desde o primeiro (são 23 filmes da franquia). Há helicópteros, aviões, barcos, motos e dezenas de carros. Atrás dos principais veículos há telas ou televisões onde aparecem as principais cenas de ação que eles participaram. E há descrições explicando como foram feitas as cenas. Muito bacana para quem curte filme e carros, como eu. Ah, o museu não tem gratuidade, e não é barato, quase quinze libras. Mas valeu a pena.
Aston Martin do James Bond, esse foi dirigido por Sean Conery
Um dos helicópteros da exposição.
Depois disso pegamos outro busão, chegamos à Tower Bridge e nos impressionamos com o tamanho dela. Na base de uma das torres tinha uma entrada com uma fila na porta, fomos nos informar por lá e já nos colocaram para dentro, sem pagar. Há um elevador ali que leva até o corredor que liga as duas torres. No corredor, além da linda vista da cidade, há painéis com fotos e a história de outras pontes famosas mundo afora. Ao final, você tira uma foto e recebe um tícket, para comprar na saída uma montagem com a ponte ao fundo. Depois há uma sala de cinema com um filme bem interessante contando como foi feita a ponte, desde a ideia inicial até a construção final, mostrando o mecanismo de abertura para barcos. Para fechar o passeio é preciso descer por elevador, mas este estava quebrado e precisei voltar por onde vim.
Tower Bridge ao fundo.
Gi com os cabelos esvoaçantes na Tower Bridge. Ao fundo, o castelo Tower of London.
Bem ao lado da Tower Bridge fica o Tower of London, um castelo que funcionava como prisão no passado. Há guardas uniformizados com vestes antigas típicas, e é possível fazer um passeio guiado pelo interior do castelo. Só que nesse daí cadeirante e acompanhante pagam, quinze libras cada... Acabamos não fazendo porque estava ficando tarde, e leva-se pelo menos umas duas horas para ver tudo. Além disso, nem tudo lá dentro é acessível, alguns prédios só podem ser acessados por escada e não tem elevador. Tomei birra e não voltei mais. O passeio em torno do castelo já valeu pela vista do rio e da Tower Bridge. De lá pegamos um ônibus até um pub típico londrino, para finalmente tomar uma cerveja Guiness com o Filipe. Este é um programa imperdível em Londres, tomar uma Guiness em um pub! Depois fomos comer em um restaurante indiano chamado Massala Hut, muito bom, onde tomamos uma cerveja chamada Cobra, também muito gostosa (não, não era feita de cobra nem tinha uma cobra dentro dela).
Tomando uma Guiness com o Filipe em pub londrino
Para o último dia em Londres eu tinha programado ir a Notting Hill e Abbey Road, mas acordei com muitas dores e fiquei descansando até tarde. Saímos à tarde para dar um rolé pelo bairro e ficou nisso. Para a noite, eu tinha combinado de encontrar com o Carlos, um amigo que fiz pela internet, e já acompanha o blog há alguns anos. Mais uma vez usamos ônibus para atravessar a cidade em um dia chuvoso. Encontramos com ele no bairro Southwark, ao sul da cidade, do lado de baixo do rio Tâmisa. Ele nos levou a um pub que é um dos mais antigos de Londres, só que não lembro o nome. Fica bem na beira do rio e tem uma vista privilegiada para a Tower Bridge, que fica linda iluminada à noite. O pub tinha várias cervejas artesanais de vários sabores, escolhi uma das mais exóticas, feita de morango! É gostosa mas um pouco enjoativa. Encontramos lá um amigo dele brasileiro, o Felipe, e de lá fomos a pé para um restaurante também na beira do rio (e que eu também esqueci o nome). O restaurante era bem bacana, tinha banheiro para deficiente, só que não tinha acesso para a parte de cima, onde ainda haviam mesas perto da janela. Carlos e Felipe me levaram escada acima e degustamos ali pratos deliciosos e vinho do bom. Foi uma noite bem agradável, batemos muito papo e divertimos bastante! Nunca encontrei um camarada que conheci pela internet tão gente boa.
Tomando cerveja de morango em antigo pub tradicional
Vista da Tower Bridge à noite
Com o Carlos e o Felipe jantando à beira do rio Tâmisa.
No dia seguinte, pela manhã, pegamos um trem para o aeroporto de Gatwick, para embarcar para Roma. Gostaria de agradecer mais uma vez ao Filipe pela excelente recepção e estadia, espero um dia poder retribuir!
Sair de trem pela estação Victoria é fácil, é só seguir a linha vermelha!

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