segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Paris para cadeirantes - Parte 2

O  Pensador. Fiquei pensativo...
Continuando o passeio por Paris, depois da Torre Eiffel fomos ao Museu Rodin. Para entrar no museu, assim como na torre, não peguei fila e nem paguei, os seguranças são experientes e os recepcionistas te dão todas as informações necessárias. O Museu Rodin é um dos mais legais de Paris, com belíssimas esculturas e jardins, tem acessibilidade para cadeirantes em todas as dependências, com rampas e elevadores, tudo dentro das normas. 

Rampas suaves para entrar no Museu
Depois de passar pela portaria, onde há uma loja de lembranças, uma rampa leva ao jardim onde estão as mais conhecidas obras, O Pensador e a Porta do Inferno, entre outras. Após apreciar as esculturas e os jardins, fomos para o prédio principal, onde há rampas e uma porta exclusiva. Depois de ver as obras do primeiro andar, há um elevador para o segundo. Achei interessante como eles esconderam o elevador, com uma porta oculta na parede. Só se vê um pequeno botão com o símbolo da acessibilidade, que ao ser apertado revela a porta, aberta eletronicamente, em um espaço da parede. Fiz um filme por dentro, saído do elevador, vejam abaixo.
Algumas obras no jardim da frente
Gostei de ver no segundo andar uma professora ensinando a curiosos aluninhos um pouco sobre a história e as obras de arte de Rodin. Que privilégio destes pequenos! Todos educadamente sentados e prestando atenção. É outro nível, eles estudam os grandes artistas direto na fonte, no local em que viveram. Há modelos e esboços de Rodin, em algumas salas há dezenas deles. Me surpreendi com uma das obras, um corpo feminino com as pernas abertas! E a genitália era cheia de detalhes! Pena que a foto que tirei não ficou boa, pois a escultura é em bronze, e ficava em um canto, contra a luz. Rodin era meio tarado mesmo, não são poucas as esculturas de corpos nus e ainda tem uma na entrada que retrata três homens pelados, um atrás do outro. O cara era bem liberal.
Alunos atentos à explicação da professora
Uma das loucas e lindas obras de Rodim
Rodamos por todas as salas e fomos para os fundos, onde há belos jardins, mais obras de arte, e um café delicioso. Mas o chão é de pedrinhas, dá para rodar sozinho, mas com o tempo cansa. Antes de chegar no café há um banheiro adaptado, que estava aberto e bem limpo. Fomos direto para o café, onde dei uma tarefa para a Gi: se virar sozinha para pedir um lanche pra gente. Não seria difícil, pois eu queria croassant e chocolate, além de macarrones, todos nomes que a gente fala por aqui. Ela foi lá dentro e voltou super feliz por ter conseguido se fazer entender! Eu ri. Depois fomos até o final, onde há um lago, bancos e mais obras lindas. Foi super agradável, é um museu imperdível.
Delicioso café nos fundos do Museu
Lago e mais esculturas no final do jardim dos fundos
Do Rodin fomos ao Musée de l'Armée (Museu das Armas), que fica bem ao lado, dá para ir rodando. Ele fica ao lado da Institution Nationale des Invalides, uma espécie de hospital militar, onde vi vários cadeirantes passeando pelo belo jardim. Me senti em casa! Vários coleguinhas! A Gi cogitou me deixar lá mesmo, mas lembrou que não fala inglês e precisaria de mim. Ufa, salvo pela língua!
É comigo?
Entramos no Museu e lá dentro vimos diversos tipos de armas, de canhões a espadas, e dezenas de armaduras muito bacanas. O museu conta um pouco da história das guerras mundiais e das conquistas francesas, há quadros enormes, maquetes, e até esquemas militares em painéis multimídia! Bem interessante. Na volta para o museu pegamos um ônibus (me informei através do aplicativo Cittymapper, que te dá as opções de transporte de ponto a ponto) em direção à avenida Champs Elysées, onde descemos para subir a pé até o hotel. Deliciosa caminhada, anoitecendo. À noite jantamos no Le Courcelles, um delicioso bistrô próximo ao hotel. Comemos foie gras e tomamos vinho - nacional, claro.
Olha o Lancelot aí!
Não fui eu não, seu dedo duro!
Algumas armaduras em exposição
Pátio do Museu de l'Armée
No dia seguinte, mudamos de hotel. Com ajuda do recepcionista do Méderic, descobrimos o Hotel Des Deux Avenues, na Rue Poncelet, 38. Era mais caro setenta euros, porém não tinha outra alternativa. Felizmente este era todo acessível, apesar da calçada em frente ser estreita, ruim para virar. O quarto era muito grande e o banheiro todo adaptado, com cadeira de plástico móvel na parede. E o staff muito educado e prestativo. Este hotel era ainda mais próximo do Arco do Triunfo, menos de dez minutos andando. E tinha um bar/restaurante na esquina muito agradável, bom para tomar café ou uma cerveja à noite. Recomendo. 
Banheiro do Des Deux Avenues. Ótimo.
Os próximos museus da lista foram o Louvre e o d'Orsay. Conto no próximo post!

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Paris para cadeirantes - parte 1

Em frente à torre mais famosa do mundo
Antes mesmo de elaborar o itinerário da minha viagem para a Europa, já sabia que iria a Paris. Meu pai conheceu a cidade nos anos 90 e sempre me disse que as pessoas não podem morrer sem conhecer Paris. Não espero morrer tão cedo, mas por garantia achei melhor resolver logo essa parada. Encaixei a cidade como destino seguinte a Madri, e ainda quis me fazer uma gracinha: como iria em início de outubro, programei para passar meu aniversário, que é dia 1º, na cidade! Além de curtir meu quadragésimo primeiro aniversário (abafa) na cidade Luz, iria repetir uma "zoada" que meu pai me deu em um certo réveillon. Ele estava na cidade e me ligou dizendo que estava "sofrendo" e tomando um champanhe "nacional" em Paris. Pela saco.
Além de pesquisar sobre a acessibilidade, me consultei com quem conhece bem a cidade, a Laura, do blog Cadeira Voadora. Liguei para ela para pegar dicas adicionais, pois já tinha lido todos os posts dela sobre Paris. Minha principal dúvida era em relação à circulação na cidade, e Laura me disse que o metrô não era boa alternativa, pois só uma linha é adaptada, e que ela andou muito de táxi por lá, apesar de não ser barato. Porém ela fala francês, e portanto não teve dificuldade de comunicação. Essa era outra dúvida, já tinha ouvido falar que os parisienses não gostam muito de falar inglês. Mas não é bem assim, o ideal, é abordar as pessoas na rua em francês, dizendo que não fala a língua, e perguntando se a pessoa poderia conversar em inglês. Decorei a frase "de abordagem" e para completar instalei um aplicativo que tem expressões e frases em francês chamado "aprenda francês grátis", que não precisa de internet na versão básica. Ajudou muito.
Depois de passar por Madri, chegamos a Paris no dia primeiro de outubro, no final da tarde. Me informei e disseram que os ônibus que iam para o Arco do Triunfo eram adaptados para cadeirantes. Porém precisaríamos atravessar o aeroporto até um ponto de ônibus. Depois de alguns minutos andando - e rodando - chegamos ao ponto. Para nosso azar, o próximo ônibus adaptado ia demorar mais meia hora. Como estava anoitecendo, perguntei se poderiam me carregar. Como se dispuseram, aceitei e embarcamos. Depois de uma hora chegamos ao Arco do Triunfo, e a retirada do ônibus foi aquela luta, um segurando por trás e outro segurando as pernas. Pelo menos a escada e a porta do ônibus são mais largos que dos brasileiros.

O Arco do Triunfo é surpreendente, imenso e belíssimo.
Nos deslumbramos um pouco com o Arco do Triunfo, iluminado e imponente, e seguimos para o Hotel Médéric, a 15 minutos a pé (e rodando), em uma ruazinha simpática de frente para um restaurante (o que foi ótimo, já que estávamos morrendo de fome). O hotel era menor do que parecia pelo site - isso acontece muito - e o quarto adaptado era no térreo e de frente para o salão de café da manhã (não incluso na diária). Entramos e o quarto era um pouco apertado, mas suficiente, e o banheiro era logo ao lado esquerdo. Mas foi só abrir a porta do banheiro para a decepção tomar conta. O box não só era minúsculo, como ficava sobre uma plataforma de uns quinze centímetros.
Box do quarto "adaptado" do Méderic
Impossível um cadeirante tomar banho ali. E olha que enviei e-mail para o Booking dizendo que era cadeirante e precisava de um banheiro adaptado, e eles responderam que estava tudo certo. Fui ao recepcionista reclamar e ele disse que era o único quarto adaptado. O jeito era ficar ali mesmo, e tomar banho sentado no vaso, que só seria possível porque o chuveiro era bem adaptado, ligado em uma mangueira. Só que não havia ralo do lado de fora do box - uma coisa que descobri ser muito comum também lá fora. Sem problema, coloquei uma toalha na porta para não invadir o quarto e tomei meu banho. Mas não dava para ficar ali, precisaria trocar de hotel. Como na hora não ia conseguir, relaxamos e jantamos no restaurante em frente, tomando vinho nacional - francês!
No dia seguinte fomos ao primeiro lugar que me veio na cabeça, a Torre Eiffel, claro! Pelo GPS ficava a quatro quilômetros, então resolvemos ir andando. É tudo muito charmoso em Paris, o café da manhã no hotel nem faz falta, é mais interessante tomar café em um dos diversos cafés da cidade. Passamos pelo Arco do Triunfo e seguimos pela Avenida Kléber. Sem muito problema, pois é tudo praticamente plano, só uma pequena subida. Ao final dela nos deparamos com o Trocadéro, uma pracinha com um monumento. Em frente, o Palais de Chaillot e uma ampla praça, com a Torre ao fundo. A praça estava em obras, portanto tivemos que circulá-la para chegar à torre. Atravessamos o rio Sena e chegamos finalmente à torre.

Acesso exclusivo para entrar na Torre Eiffel
Vista da Torre Eiffeil
Para entrar na Torre Eiffel, há uma entrada especial para cadeirantes, sem pegar fila. E ainda é gratuito! Fomos direto para a entrada e fomos conduzidos ao elevador. O elevador passar por um andar em que há um restaurante, onde eu não quis descer, e sobe para o segundo andar, onde fica o principal mirante. Ali há também lojas de lembrancinhas, lanchonete, banheiros (adaptado inclusive) e informações sobre a torre. A grade nas laterais fica em boa altura, de forma que uma pessoa sentada consegue enxergar. Porém, há binóculos acionados por moeda que são altos, somente para pessoas em pé. Deveria haver um mais baixo. Outra limitação é de acesso. Cadeirantes não podem subir ao último andar, no topo da torre. Explicaram que é porque em caso de emergência fica difícil sair, pois só tem um elevador, pequeno.

Outra vista da Torre Eiffel. O rio Sena é muito lindo!
Depois de curtir a torre, resolvemos ir ao Museu Rodin. Fiz sinal para um táxi, e o motorista, que falava muito pouco inglês, foi solícito ao parar. Pela primeira vez depois de cadeirante, entrei pela porta traseira! O carro era um Toyota Prius alongado, com muito espaço atrás. A cadeira coube facilmente no porta malas. Era perto, mas ainda assim ficou caro, doze euros. Depois disso, e de me informar melhor sobre os ônibus, só andei de ônibus. Todos são adaptados e passam com muita frequência, inclusive à noite. Falarei do Museu Rodin no próximo post.

Mais uma belíssima vista da cidade
A grade oferece boa visibilidade para cadeirantes

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Madri para cadeirantes

Um dos símbolos de Madri
Neste mês realizei mais um sonho antigo: fui à Europa para conhecer alguns países. Eu e Gi começamos pela Espanha, na capital Madri. Escolhi a cidade porque era uma boa alternativa de entrada, e tinha boas referências da família. Reservei antecipadamente um hotel próximo ao aeroporto, pois ficaria somente um dia e meio na cidade, e viajaria para Paris no dia seguinte. Reservei pelo Booking.com o Barajas Plaza, que tinha quarto adaptado, e enviei uma solicitação especial informando que era cadeirante e precisava do quarto e banheiro adaptados. Alguns dias depois recebi a resposta do Booking informando que o hotel havia confirmado meu pedido.

Plaza Mayor, com um divertido Homem Aranha
Depois de dez horas de viagem, chegamos a Madri de madrugada, às cinco e meia da manhã. Até sair do avião - por último, como sempre - pegar mala e passar pela imigração, já era quase sete. Já tinha visto que o hotel ficava a menos de três quilômetros do aeroporto, mas ir andando não ia rolar. Poderia pegar um ônibus ou o metrô, mas dado o cansaço achei melhor pegarmos um táxi, afinal não poderia ficar muito caro. Poderia sim... Em poucos metros rodando reparei no taxímetro: vinte euros. Perguntei ao motorista o motivo do valor e ele me explicou que o valor mínimo era aquele, já é padrão. Nunca paguei tão caro para andar tão pouco. Mas já estava feito, fazer o que.

Quarto meia boca no Barajas Plaza
Chegamos ao hotel quase oito da manhã, expliquei que solicitei check in antecipado mas o atendente me disse que não poderia entrar antes das nove da manhã. Reclamei mas achei melhor aguardar no hall, onde haviam alguns sofás. Perto das nove horas chegou uma senhora, que me pareceu ser proprietária, e agilizou o quarto. Porém, veio com más notícias. Me explicou que o quarto adaptado para deficientes era de solteiro, e ofereceu um quarto comum. Expliquei que meu problema era o banheiro, e fui até um deles para ver se dava. Nada feito, minha cadeira nem entrava no banheiro. Pedi então para trocar a cama do quarto de deficiente, descansamos ali mesmo por uma hora e pouco, e fomos para o quarto "adaptado". Entre aspas sim, para minha infelicidade. O quarto era pequeno, a cama de casal ocupou o espaço todo, e ao lado havia uma parede que atrapalhava aproximar com a cadeira. Além disso, o banheiro, apesar da porta grande, tinha um box pequeno, e ainda sem cadeira higiênica. Como era só uma noite, e a gente ia passar o dia na rua, pedi um banco plástico e fomos conhecer Madri.

Pracinha no bairro Barajas
A dona do hotel me indicou a melhor maneira de rodar pela cidade: de metrô, pois havia uma estação próxima ao hotel. Fomos andando (e rodando) até a estação, passando por uma bela pracinha e uma igrejinha que me lembrou o jogo Assassin's Creed, em estilo medieval. Na estação me informei com a atendente como chegar na Plaza del Sol, nosso primeiro destino turístico. Ela fez algumas ligações e deu o caminho, eu teria que trocar de trem duas vezes, pois em uma das estações o elevador estava quebrado, portanto não dava para trocar uma vez só. Mesmo usando três linhas de metrô, a passagem custou somente dois euros por pessoa. O metrô de Madri imenso, tem várias linhas e cobre os principais pontos da cidade. É possível comprar passagem em máquinas automáticas, escolhendo o destino, mas é importante procurar saber sobre a situação dos elevadores, pois em algumas estações eles não funcionam.

Plaza del Sol, num belo dia de sol
Chegamos à Plaza del Sol, que conta com várias ruas fechadas bem charmosas e dezenas de lojas e restaurantes. Paramos em um restaurante para comer e resolvi experimentar as "Patatas Bravas" por recomendação de um amigo, e descobri que são batatas com um molho muito apimentado! Obrigado, heim Pedro? Se não fosse a cerveja estaria cuspindo fogo até agora... Só recomendo se a pessoa gostar muito de pimenta. De lá, resolvemos pegar um ônibus de turismo, há duas linhas que passam pelos principais pontos turísticos. Você paga uma vez só e pode descer e subir quantas vezes quiser. Há passagens válidas por um dia, dois ou uma semana, fiquei com um dia só. Não é barato, foram 21 euros por pessoa, mas vale a pena. Você ganha um fone de ouvido e coloca na lateral da poltrona, e escolhe a língua em que quer ouvir a narração da viagem. Tem em português, mas estava muito ruim o áudio e preferi ouvir em espanhol mesmo. Dá para entender.

Vista do Palácio de Comunicaciones
Passando por uma praça, a Gi observou um prédio antigo bem alto e um pessoal andando lá em cima, aí resolvemos descer. O prédio era o Palacio de Comunicaciones, localizado na Plaza Cibeles. Nesta praça tem um monumento que, para mim, é o monumento ao cadeirante, composto de uma mulher em uma cadeira sobre rodas puxada por dois leões! Atravessamos as avenidas e chegamos ao Palácio, e na hora estava tendo uma manifestação. Não sei quem eram ou o que pediam, mas tinham muitas faixas e cartazes, e a polícia estava na área. Mas não teve barraco, tudo pacífico e organizado. Entramos para saber o que tinha lá em cima, era um snack bar muito bacana e tinha acesso para cadeirantes. Subimos pelo elevador e lá em cima tinha um lance de escadas, mas havia um elevador lateral, de corrimão. Vi muito isso em Madri, até mesmo para vencer dois lances de escada. Lá em cima desfrutamos de deliciosos drinks e de uma belíssima vista da cidade e de brinde um belo por do sol.
Plaza de Cibeles, pra mim, monumento ao cadeirante
No dia seguinte fomos para Paris. Mas deixei mais um dia e meio para Madri, pois pegaria o voo de volta lá. Voltando de Roma, chegamos em Madri meio dia e pouco, desta vez escolhi o Íbis Aeropuerto Barajas, que acabou sendo o melhor hotel da viagem. Quarto espaçoso, banheiro bem adaptado e preço justo, só cinquenta e dois euros a diária. Como cheguei com muita dor não saímos do quarto. No outro dia fomos (de metrô) ao Santiago Barnabéu, estádio do Real Madri. Caro para entrar, não animei, queria mesmo ir na loja do clube, que mais parece um shopping. Tem tudo quanto é produto do Real Madri, eles sabem fazer marketing do time. A propósito, só há dois times no mundo que tem uma Tríplice Coroa, eles e o Cruzeiro Esporte Clube.
Mostrando aos espanhóis quem comanda o Brasileirão...
Depois disso fomos ao Palácio Real, que é a residência oficial do Rei da Espanha. Assim que entrei me lembrei da frase mais famosa do último rei, Juan Carlos: "porque no te callas!" Fiquei repetindo e a Gi ficou brava porque achou que eu estava mandando ela calar a boca! O Palácio tem um pátio central amplo, com chão irregular, mas não muito incômodo. As entradas para cadeirante e acompanhante são gratuitas, e uma pessoa te acompanha para acessar o Palácio, pois é preciso pegar um elevador escondido.
Trono do Rei e da Rainha
Dali fomos ao Mercado de San Miguel, uma espécie de Mercado Central sofisticado (quem é de BH sabe do que estou falando). Depois fomos  à Plaza Mayor, uma espécie de quarteirão fechado com vários restaurantes. No caminho há calçamento de pedras, meio desconfortável, mas tolerável. A praça mesmo é de pedras também'. Paramos em outro restaurante e comemos Tapas e Pincho, especialidades da Espanha. Gostei de Tapas com Ramon (que é carne da coxa de cedro defumada, muito gostoso) e Pincho é uma espécie de omelete recheada com batatas, muito bom também.
Mercado de San Miguel
Resumindo, Madri é um destino muito interessante e divertido, e leva a acessibilidade a sério. O metrô é a melhor opção de locomoção, mas é necessário se informar sobre os elevadores. De ônibus também é tranquilo para rodar pela cidade. Há alguns locais com chão de pedras, mas nada horrível para rodar. Há muito mais atrações do que se supõe, as pessoas são muito simpáticas e solícitas, e come-se muito bem nos restaurantes de lá. É uma cidade cosmopolita e divertida, vale a pena conhecer. Sem contar que é uma ótima alternativa de entrada na Europa.
Até pequenas escadas tem acesso!

terça-feira, 21 de outubro de 2014

De olho na acessibilidade para o turismo

Todos Juntos por um Brasil Mais Acessível
É relevante ver quando ações em diferentes partes do país ressaltam a importância da acessibilidade. Um assunto que deve permanecer sempre atual por colocar em jogo a locomoção de vários moradores que na maioria das cidades ainda encontra muitos obstáculos, infelizmente.
O Ministério Público do Paraná, sedia nos dias 23 e 24 de outubro, no auditório do edifício-sede do órgão, um workshop com a missão de dar continuidade  às ações de formação em acessibilidade voltadas a membros e servidores da instituição, e que a partir do encontro as iniciativas sejam multiplicadas.
O evento é organizado pelo Conselho Nacional do Ministério Público e tem  apoio e participação da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR). A abertura do eventro contará com uma palestra intitulada Acessibilidade: conceitos, tendências e desafios”, por Sérgio Paulo da Silveira Nascimento (SDH/PR). Outros assuntos como concurso público, atendimento prioritário, educação inclusiva estarão em pauta, além do debate no final do encontro.
Quem estiver interessado em participar pode se inscrever pelo e-mail nucleoacessibilidade@cnmp.mp.br.  Será expedido certificado de participação pelo CNMP.
Já em Pernambuco, um programa de capacitação nas redes hoteleiras está em curso. A ideia é investir na inclusão de turistas com deficiência. A Empetur -  Empresa de Turismo do Estado começou a atividade com 68 estabelecimentos, treinando seus funcionários. Incluem-se hoteis, bares, restaurantes e pousadas. A primeira etapa foi feita em parceria com o Sebrae, o treinamento foi liderado pela cadeirante Mosana Cavalcanti e por Manoel Aguiar, este último com deficiência visual, ambos consultores em acessibilidade.
Além da capital pernambucana, as cidades Olinda, Jaboatão dos Guararapes e a ilha Fernando de Noronha também tiveram o evento. O plano é expandir para outras cidades que integram as rotas turísticas do estado.
Infelizmente o Brasil anda a passos lentos na implementação de áreas de lazer e turismo preparados para receber turistas com deficiência, ainda há muito o que fazer, porém multiplicar iniciativas e divulgar essas ações corrobora para que a mentalidade da importância da acessibilidade aumente no país. Além de mostrar para uma grande parcela da sociedade que o deficiente deve estar inserido na coletividade igual a todos, na prática de esporte, na saúde, no mercado de trabalho, na vida social, e é claro, seguindo as rotas turísticas.
A locomoção das pessoas com deficiência pode ser facilitada se a cidade estiver preparada para tal, isso implica em oferecer qualidade de vida através de direitos básicos como ir e vir.

E sua cidade, está preparada para receber turistas com deficiência?

domingo, 19 de outubro de 2014

Viajando de Low Cost para (e pela) Europa

Moderno Airbus A330-200 da Air Europa
Viajar para a Europa era um sonho antigo. Após duas adiadas, resolvi colocar em prática meus planos este ano. Comecei a programar em maio, com a compra das passagens. Meu objetivo era passar por quatro países, portanto seriam várias passagens, além da principal, de ida e volta para lá. Recomendado por meu cunhado, que foi ano passado visitar o irmão que morava em Madri, escolhi a cidade como "porta de entrada" na Europa. Busquei por preços de passagens através dos Skyscanner, e as mais baratas eram pela Air China, que meu cunhado utilizou, e Air Europa, uma companhia espanhola. Fui ao site das companhias para comparar preços e datas. Ficaria 14 dias na Europa e queria pegar dia 1º de outubro, para comemorar meu aniversário lá.
O espaço para as pernas até que é razoável - minhas pernas que são enormes!
Após pesquisa sobre opinião de consumidores sobre as companhias e envio de e-mail questionando sobre o preparo para receber cadeirantes, escolhi a Air Europa. Após a compra da passagem, enviei mais um e-mail perguntando se eu poderia ser alocado nas primeiras fileiras, pois poderia esticar as pernas e mudar de posição, afinal seriam dez horas de vôo. Me confirmaram que o assento seria reservado para mim e na reserva estava informado que eu era cadeirante. Cheguei ao aeroporto de Guarulhos, e houve resistência para me alocar na primeira fileira. Mostrei o e-mail da confirmação deles impresso (*isso é fundamental, imprimir todas os e-mails*). Logo chamaram uma pessoa mais "graduada" e ela me fez a seguinte proposta: reservaria para mim uma fileira inteira de quatro assentos no meio, e eu poderia usar à vontade, os braços eram todos removíveis. Aceitei e embarcamos.
Pegamos uma fileira inteira
Me passaram para aquelas cadeiras estreitas para chegar até o meio do avião e transferi para a poltrona. O avião era um Airbus A330-200 para quase 300 pessoas, confortável e com tela individual para cada passageiro. Isso foi ótimo para ver filmes na viagem, vi dois inteiros. E a solução deles de reservar quatro poltronas foi ótima, pude deitar no colo da Gi e dormir, no fim das contas foi menos cansativo do que a viagem de oito horas para Orlando. O atendimento deles também foi muito bom, mostraram que estão preparado para lidar com deficientes, e o espaço entre poltronas não é tão apertado. Durante o vôo serviram vários lanches e refeições, e tem bastante entretenimento a bordo. Na volta não consegui as quatro poltronas porque o vôo estava cheio, mas aí me colocaram na primeira fileira - que na verdade não é a primeira, é só a primeira da classe econômica. Foi bom também porque pude esticar as pernas e mudar de posição, minimizando novamente o desgaste.
"Amarrado" à cadeira de avião
Outra grande preocupação ao fazer uma viagem destas é o banheiro. Não conheço nenhum avião com sanitário adaptado, portanto nem adianta reclamar. Fiquei contando com a experiência dos comissários e minha no vôo para Orlando. Daria um jeito. Quando deu o horário e senti que precisava ir ao banheiro, chamei os comissários. Trouxeram a cadeira, transferi para ela e fomos. Chegando lá, colocaram a cadeira de frente para a porta e sugeriram que eu tentasse transferir. Me segurei nas barras e na pia, e joguei o corpo para a frente, com alguma ajuda deles. Meus joelhos entraram na lateral do vaso, consegui colocar a perna em cima do vaso, mas percebi que não conseguiria virar o corpo. Minhas pernas são muito grandes, e o banheiro muito estreito. Voltei à cadeira e sugeri fazer como fiz no vôo para Orlando, um dos comissários me puxaria de frente e me colocaria em cima do vaso, e então a Gi entraria comigo. Primeira tentativa, ele não conseguiu me girar direito e voltamos à cadeira. Segunda tentativa, o cara já bufando, minhas pernas travaram na porta e voltamos à cadeira. Aí deram a sugestão: como o banheiro ficava entre duas classes, poderiam fechar as duas cortininhas nas laterais e eu faria a sondagem ali. Assim fizemos, e deu certo. Na volta, fiz diferente. Diminuí a ingestão de líquidos à noite (o vôo era às 23:30), fiz uma sondagem antes de embarcar e no vôo tomei pouco líquido, então fiquei até chegar no Brasil sem sondagem, para fazer no aeroporto. Foi melhor assim.
Espaço para as pernas na EasyJet. Melhor que alguns aviões daqui.
De Madri para Paris busquei passagens no mesmo site e o melhor custo benefício foi pela EasyJet, uma das mais famosas Low Cost da Europa - para quem não sabe, significa baixo custo. No site deles já mostram a preocupação com cadeirantes, você escolhe a necessidade que tem e compra sem marcar assento. Uma diferença básica com o Brasil, é que lá fora não tem essa de ficar chorando para ir na primeira fileira, que é reservada para deficientes, que você tem necessidade, que não adianta. A legislação lá proíbe que pessoas com deficiência ocupem as primeiras fileiras, pois são saídas de emergência. Mas eles são experientes com cadeirantes, auxiliam a passar para a cadeira estreita que te leva mais para o fundo, e depois para a sua poltrona. O que se consegue conversando é não ir muito para o fundo. Usei a mesma companhia para ir de Londres para Roma, mas de Roma para Madri usei a Ryanair, outra Low Cost. Vou contar como foi.
Avião da Ryanair. Meio feinho, né?
Viajar de Low Cost dentro da Europa é muito tranquilo. A verdade é que as Low Cost de lá são muito semelhantes às nossas companhias "normais", na EasyJet me senti na Gol, até a cor é igual! Os assentos são apertados - assim como os daqui - e não dão nada a bordo, só vendem - assim como no Brasil. A diferença é que lá eles sabem lidar com cadeirantes, perguntam sempre como podem ajudar e se necessário transferir sabem exatamente como te pegar e orientam com educação. Recomendo usarem sem medo, porém na Ryanair achei a poltrona mais apertada para as pernas, mas mesmo assim nada absurdo. Me acomodei bem, até dormi. O que se deve observar é em que aeroporto estas companhias operam, pois muitas vezes só utilizam aeroportos mais distantes e menores. Foi o caso da Ryanair, que decolou de Ciampino, cidade próxima a Roma. Comprei nela mesmo porque os outros aeroportos também são distantes. A diferença é que para outros há linha de trem direto, para Ciampino havia só ônibus. Acabei indo de táxi, não ficou tão caro, trinta euros. Porém houve outro inconveniente: lá só há embarque na pista, portanto precisei ir de Ambulift. Pelo menos estava funcionando, ao contrário de alguns daqui.
Espaço para as pernas na Ryanair. Apertadinho.
De Paris para Londres, e de Roma para Modena, viajei de trem. E rodei muito de metrô em Madri. Vou contar como foi em outros posts. Vivi o maior perrengue em viagens da minha vida em um desses trechos, fiquei até tenso - olha que isso não é fácil - mas depois ri muito. Vocês também irão rir!
Legal nos vôos pela Europa é o visual.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Cadeira Stand up

Cristiano de pé, na cadeira Stand-up
Cadeiras de rodas que deixam o cadeirante de pé não são novidade, a primeira vez que vi uma dessas foi na Reatech de 2009, um cara estava na fila para entrar amarrado na cadeira de pé e rodando! Era uma cadeira motorizada Stand-Up, da Freedom, e o mais interessante é que além de deixar o cadeirante de pé ela permite ser dirigida nessa posição. Dessa forma dá para pegar itens em várias portas de um armário sem precisar descer e subir toda hora.
Na época consultei o preço desta belezinha mas quase caí para trás, era quase quinze mil reais! É o preço do conforto... e da necessidade, pois ficar de pé é fundamental, já falei várias vezes aqui sobre a importância do ortostatismo. Como fico de pé usando talas, não pesquisei mais sobre esta cadeira. Recentemente, porém, um amigo meu, o Cristiano, de quem já falei aqui no blog, apareceu no Facebook com uma cadeira Stand Up. A diferença da dele é que, além de não ser motorizada, é beeeem mais em conta. É uma cadeira manual com um sistema elétrico que coloca o cadeirante em pé. 
Stand-up manual da Freedom
Ela custa pouco mais de cinco mil reais - não é barato, eu sei, mas considerando a média de preço das coisas para cadeirantes, até que não é exagerado. E os benefícios não são apenas para a saúde, dentro de casa é uma mão na roda poder ficar de pé em muitas situações. Para pegar coisas em prateleiras, para enxergar em lugares altos, e até para pendurar ou pegar roupa do varal são alguns exemplos. O sistema é muito simples, há um comando no braço similar ao de cadeiras motorizadas que aciona o sistema que coloca o cadeirante de pé. Cristiano disse que até a filha dele aciona facilmente o dispositivo. E esta gostando muito da cadeira, tem feito o ortostatismo com frequência e tem se virado melhor em casa. A desvantagem dela é o peso, tocar ela em locais íngremes é mais difícil. Mas como é uma cadeira voltada mais para o uso em casa,  isso não atrapalha. 
O transporte no carro é tranquilo, ela dobra e o dispositivo não é muito grande. Muito útil e prática para o dia a dia, se não fosse tão cara, seria uma ótima alternativa como segunda cadeira, para ficar em casa. Aliás, é uma ótima alternativa, para quem tem condições.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Corrida Maluca de Cadeirantes

Acelerando e se divertindo!
Já vi muitos eventos direcionados a cadeirantes, desde blocos de carnaval até movimentos sociais, como o Movimento Superação, mas nunca tinha visto um tão divertido quanto a Corrida Maluca de Cadeirantes realizada em Porto Alegre pela AACD em julho. Foi a segunda edição do evento, que reuniu 28 crianças cadeirantes fantasiadas e teve o objetivo de mostrar que a cadeira de rodas também pode fazer parte da brincadeira.
Achei muito criativas as fantasias, em maio fui a uma festa a fantasia e procurei por fantasias para cadeirantes, e só encontrei algumas crianças fantasiadas em halloween nos Estados Unidos. Muito bacana uma iniciativa destas por aqui.
Confiram o vídeo exclusivo sobre o evento e se deliciem com os rostos felizes das crianças:

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Mineiro está atravessando o país empurrando uma cadeira de rodas

Zé do Pedal na Cruzada pela Acessibilidade
Morei em Viçosa por 13 anos e sempre fui ciclista, andava de bike pra todo lado e fazia trilha todo fim de semana. Naquela época ouvi falar do Zé do Pedal, um ciclista que leva a sério a bicicleta como meio de trasporte e aventura. Ele já fez dezenas de viagens ao redor do mundo pedalando, fez documentários sobre as viagens, e agora está em uma nova iniciativa, caminhando ao invés de pedalar e ainda empurrando uma cadeira de rodas. Atualmente ele já está em Maceió, Alagoas. Vejam a história abaixo.
Demonstrando as dificuldades de cadeirantes
"O ativista mineiro José Geraldo de Souza Castro, Zé do Pedal, 56, começou no dia 10 de fevereiro o projeto: “Extremas Fronteiras – Barreiras Extremas” (Cruzada pela Acessibilidade). Uma caminhada, de 10.700km, empurrando uma cadeira de rodas, saindo de Uiramutã, Fronteira norte com a Venezuela, passando por 20 estados brasileiros: Roraima, Amazonas, Pará, Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia, Goiás, Brasília, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, lançou, na última segunda-feira, 13, seu novo site: www.zedopedal.com.br, idealizado e produzido pela agência de publicidade viçosense INTERMINAS.
Zé do Pedal divulgando a caminhada
A caminhada, que terá duração aproximada de um ano, tem como objetivo precípuo ministrar palestras em escolas nas comunidades visitadas visando atrair a atenção das crianças sobre um dos principais problemas que afetam às pessoas deficientes: as barreiras arquitetônicas (atualmente podem-se ver pessoas em cadeiras de rodas impossibilitadas de entrar em um banco ou setor publico, por falta de rampas de acesso ou de elevadores)., e, projetar uma imagem diferente da pessoa deficiente que não gere pena, senão Igualdade – Dignidade – Respeito, pois apenas eliminando as barreiras arquitetônicas e sociais que dificultam às pessoas deficientes a participarem ativamente em todos os aspectos da vida social, teremos um mundo mais justo e mais humano. Para alcançar este objetivo, após as palestras, em parceria com os Lions Clubes do Brasil, serão distribuídas cartilhas, em formato digital, da Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência."
Acompanhem suas aventuras no site do Zé do Pedal:
http://www.zedopedal.com.br/

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