terça-feira, 12 de março de 2019

10 anos de Blog do Cadeirante

Uma década mostrando que é possível ser pleno e feliz sobre uma cadeira de rodas!!!
Hoje o Blog do Cadeirante completa dez anos no ar!! Dez anos ajudando quem vive em cadeira de rodas!!! Quando fiz a primeira postagem, naquele 12 de março de 2009, eu havia me tornado cadeirante há menos de três anos. Tudo era muito novo ainda e havia pouquíssima informação sobre o dia a dia de um cadeirante. Buscando na Internet, encontrava-se apenas artigos científicos sobre lesão medular e uma ou outra publicação pessoal, ninguém falava sobre a compra da cadeira, os direitos que os deficientes tem, esportes adaptados, aquisição de veículos com desconto, trabalho, família, filhos e muito menos como é viver em uma cadeira de rodas na prática!
Tudo começou em 24 de julho de 2006, após um acidente de moto na UFV
Para sanar esta lacuna, criei o blog com a intenção de ajudar outras pessoas que estivessem passando pela mesma situação, pois naquela época pouca gente tinha noção do que é ser cadeirante! Quem sofria um acidente, por exemplo, perdia os movimentos, algumas funções do corpo e tinha que se virar com isso, além de todos as complicações que poderiam ocorrer. Busquei mostrar de forma simples e direta os desafios e perrengues que vinha e ainda venho enfrentando no dia a dia sobre uma cadeira de rodas. Nunca tive a intenção de mostrar vitimismo nem buscar assistencialismo, meu objetivo sempre foi a divulgação isenta do que enfrentamos e como podemos fazer para contornar e passar por cima de todos os obstáculos!
Viajar é uma das formas de mostrar como podemos ir longe, mesmo sobre rodas
Mais do que isso, sempre mostrei tudo que podemos fazer mesmo com todas as limitações que uma cadeira de rodas nos impõe, como falta de acessibilidade, o desrespeito e preconceito que enfrentamos, e principalmente mostrar que é perfeitamente possível ser feliz e pleno com estas limitações. Busco mostrar as minhas conquistas e o caminho para chegar até elas, ressaltando onde as limitações se mostraram presentes e como as contornei.
Da minha cadeira eu posso abraçar o mundo!! 
Daquela época até hoje amadureci bastante, conquistei muitas coisas, desde um bom emprego até experiências incríveis que jamais sonhei viver antes da cadeira, como as viagens que fiz, os esportes que pratiquei, e para fechar com chave de ouro, a maior alegria da minha vida foi ter os meus lindos gêmeos Anne e Max!!! Passei também por muitos perrengues, principalmente com o agravamento da dor crônica, que hoje é minha única limitante a viver plenamente, contra a qual luto diariamente. A cadeira eu tiro de letra, a dor é que me impede de fazer mais do que faço. E olha que faço muita coisa....
A maior felicidade encontrei nos sorrisos dos meus filhos e da minha companheira
Hoje sou um homem realizado e feliz, e tenho prazer em mostrar para quem quiser que somos parte da sociedade, somos cidadãos como qualquer outro, com a diferença de nos locomover de forma diferente e necessitar eventualmente de acesso facilitado. Continuo firme na luta por um mundo mais inclusivo e justo para quem tem limitação! Juntes-se a mim e vamos fazer o amanhã ser melhor do que hoje! Que venham mais décadas!!!

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Comparativo entre sedans mais caros para PCD

As principais marcas à venda no Brasil estão representadas aqui
Há pouco mais de um mês publiquei o primeiro comparativo entre sedans automáticos para pessoas com deficiência, destacando naquele os modelos que ficam na primeira faixa de preço, entre 44 e 49 mil reais, considerados modelos de entrada das montadoras. Agora, dando continuidade àquele, divulguei no canal do Blog no Youtube o Comparativo entre sedans mais caros para PCD, composto pelos modelos que ficam entre 49 e 55 mil reais aproximadamente.
Como disse no post anterior, esta categoria era a mais procurada por famílias em crescimento, compostas por três, quatro ou até cinco pessoas, contando com os filhos. E por algumas pessoas com deficiência, que precisam de bom espaço interno e porta malas grande. Porém, com o surgimento dos SUVs compactos, os sedans deixaram de ser a primeira opção. Mas com o congelamento do limite de isenção há quase dez anos, os SUVs estão cada vez mais pelados e alguns modelos começam a deixar de ser oferecidos.
O grande destaque do comparativo, desta vez corretamente, foi o Arrizo 5
Assim, o segmento de sedans começa a ter a atenção das pessoas com deficiência novamente. Não são mais aqueles carros médios que comprávamos há dez anos como Corolla, Civic, Vectra, mas ainda tem bons porta malas e alguns equipamentos interessantes. E com a chegada das marcas chinesas, a briga fica ainda mais interessante, como o Arrizo 5 chacoalhando o segmento. Os sedans deste comparativo na maioria são os mesmos modelos do comparativo anterior, mas em versões mais completas, porém há novidades como Cobalt, City, Yaris e Virtus. O City na versão Personal é o único sedan da Honda abaixo do limite de isenção, e a Toyota vem com dois modelos desta vez, um Etios Sedan mais completo e o Yaris básico.
Apesar de mais completos, ainda faltam muitos itens na maioria deles. A exceção é o Arrizo 5, justamente o campeão deste comparativo, que é completo, completo mesmo. De motor turbo a rodas de liga, tem de tudo. O único problema dele é não sabermos como vai ser a desvalorização, já que quase todo carro de montadora de procedência chinesa tem alta desvalorização. Para mim, não será tão alta quanto seus "coleguinhas" de olhos puxados, pois o grupo Caoa está investindo pesado na marca e aparentemente a qualidade é maior. E se vender bem como parece que vai, se agradar os proprietários como parece que vai, não deve sofrer tanto na revenda. O segundo colocado, Fiat Cronos, repete o bom desempenho do comparativo anterior, pois vem com muitos itens de conforto, como a excelente mídia de 7 polegadas, segurança como controle de estabilidade e tração. Porém a Fiat vacilou ao deixar como opcional o Piloto Automático, porém felizmente mesmo pedindo ele como opcional, fica abaixo do limite de isenção. Nem precisa dizer que acho um vacilo maior deixar de pedir ao comprar o carro. Em terceiro, para mim, o Volkswagen Virtus, que surpreende ao tirar nota máxima no teste de colisão do Lain N'Cap.
Os demais sedans, tem muitas qualidades, e muitos defeitos também. Melhor do que escrever, é falar, portanto não deixe de assistir o vídeo com minhas impressões, e com o ranking que fiz também. Este, segue aí em cima, para facilitar a vida de quem pretende adquirir um destes modelos. E a planilha, segue abaixo, no link, basta clicar na aba "Sedans 2":
https://docs.google.com/spreadsheets/d/1BGVM56y_rYkOVzUpH5ifWm00RjTbu4emUYD9-3yBhSo/edit?usp=sharing

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Porta automática: acessibilidade além da facilidade

Basta se aproximar que ela se abre sozinha
O que você pensa quando se depara com uma porta automática? Quem é como eu, de cidade pequena, sempre encara como uma novidade tecnológica, soltando um sonoro “noooooooó” quando vê uma. Quem é de cidade grande provavelmente nem se dá conta de que passou por uma, pois o número de estabelecimentos que a utilizam é enorme. Mas essas são as impressões de quem não tem nenhuma dificuldade pra se locomover e tem, no ato de andar, a coisa mais comum do mundo. Mas e para quem tem dificuldade? Um cadeirante, por exemplo? O que uma porta automática representa para ele? 

Na nossa correria diária, nem sempre dedicamos um tempo pra pensar no significado dessas facilidades do dia-a-dia – e muitas vezes encaramos algumas delas até como “frescura”. Mas o que é bobagem para nós pode ser uma tremenda conquista para quem leva uma vida um pouco diferente da nossa – por exemplo, por uma deficiência motora. Para mim e talvez pra você, levantar da cadeira e abrir uma porta com maçaneta redonda é banal, mas e para quem precisa de uma cadeira de rodas, ou de uma muleta? Você já se sentou em uma e tentou viver seu dia sem sair dela?

Normas sobre portas e acessibilidade

A vida para quem usa cadeira de rodas é diferente da vida de quem anda em aspectos sobre os quais pensamos pouco. Uma pessoa que anda consegue passar por portas estreitas simplesmente girando um pouco o tronco, mas uma cadeira de rodas não permite isso. Por isso, os estabelecimentos precisam ficar atentos às normas de acessibilidade quando instalam suas portas, inclusive as portas automáticas, descritas na norma NBR 9050/2004. Ela foi criada para padronizar essas instalações e garantir que ao menos o mínimo será feito.

Uma das regras diz respeito à largura da porta: elas devem ter no mínimo 80 centímetros de largura, e isso vale para todas as portas:
• sanfonadas: o vão livre dessa porta deve ter essa medida mesmo com a porta totalmente recolhida, o que quase nunca acontece pois ela foi criada para espaços pequenos;
• portas vai-vem: cada metade deve ter 80 centímetros, não apenas a soma das duas. Isso permite que o cadeirante utilize apenas uma das metades, diminuindo o risco de acidentes ao acionar as duas com a cadeira. Outra instrução é que haja um visor de vidro nesta porta entre 40cm e 90cm a partir do piso, para que a pessoa de um lado veja se outra se aproxima pelo outro;
• portas automáticas: dadas as grandes dimensões das placas de vidro, estas costumam ter dimensões bastante grandes. No caso das portas com acionamento ótico, os sensores devem ser regulados para pessoas de baixa estatura, cadeirantes e crianças;
• demais modelos de portas.

Outras normas importantes

Você deve ter notado que toda a explicação acima diz respeito à visibilidade e à passagem em si pelas portas. Mas tem um outro detalhe sobre o qual não falamos, à exceção das portas automáticas: o acionamento delas. Uma porta automática abre e fecha sozinha, mas e as demais? Lá em cima, mencionei as maçanetas redondas, que tipicamente exigem um pouco mais de destreza para serem acionadas (quem nunca passou aperto ao tentar girar uma estando com as mãos engorduradas?). Se você se aproximasse de uma porta com essa maçaneta, porém sentado numa cadeira de rodas, como seria a “pega” nessa maçaneta?

O teste é fácil: sente-se numa poltrona em frente a porta e faça isso. Verá que a mecânica deste movimento fica totalmente diferente. A NBR9050/2004 também versa sobre isso e recomenda que as maçanetas instaladas em portas que prevejam a passagem de cadeirantes tenham maçaneta reta e na posição horizontal. Assim, um movimento simples e unidirecional já é suficiente para abrir a porta - inclusive em casos de emergência! Já imaginou o que é uma emergência para quem não tem como correr? Se a porta for automática, ele só precisa se aproximar e passar.

Outra coisa: a força necessária para abrir uma porta (que também não é problema nas portas automáticas). A abertura deve ser suave, mas nem sempre isso acontece, principalmente no caso das portas pivotantes e as portas com “braço” automático para mantê-las fechadas. Praticidade para uns, dificuldade para outros. Deve-se pensar sempre, em primeiro lugar, nos usuários com dificuldade de locomoção, para garantir a eles o direito de se locomover livremente mesmo que estejam desacompanhados de alguém para ajudá-los.

Finalizando: já viu em consultórios e repartições aquelas portas com uma espécie de proteção metálica na porção mais baixa delas? São exatamente para evitar acidentes caso as portas levem uma trombada mais forte de uma cadeira de rodas ou mesmo uma muleta. São especialmente importantes nas portas de vidro, mais fáceis de quebrar. Algumas pessoas não gostam dessa proteção por razões estéticas, mas um bom desenho da porta pode solucionar isso. Nas portas automáticas, essa proteção não é necessária pois se abrem antes do usuário ter contato com elas.

Resumindo:
Vão livre: as portas automáticas requerem mais espaço, mas fornecem os maiores vãos.
Facilidade de acionamento: elas se abrem e se fecham sozinhas, sem ação humana.
Maçaneta: não é necessária.
Visibilidade: garantida nos dois sentidos. 

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

CASE cria retroescavadeira para pessoas com mobilidade reduzida

Marca inova com máquina de construção para profissionais com limitações físicas
Com o lançamento da retroescavadeira conceito 580N Accessibility, a CASE Construction Equipment, marca da CNH Industrial, inova mais uma vez no segmento. A marca, líder em vendas de retroescavadeiras, foi a inventora do modelo em 1957 nos Estados Unidos e a primeira a trazê-la ao país, se tornou sinônimo do produto.
No Brasil, as retroescavadeiras ainda representam uma fatia muito grande de todo o mercado de máquinas de construção. O ponto forte da retroescavadeira é sua versatilidade. Ela integra dois implementos: uma carregadeira na dianteira e uma escavadeira na parte de trás, daí a origem do seu nome. Além disso, por ser uma máquina de pneus com dimensões reduzidas, consegue se locomover com agilidade na obra, em terrenos acidentados e até nas cidades.
Por causa dessas características, a retroescavadeira é usada em construções residenciais e não residenciais, obras de infraestrutura, indústria, saneamento, agricultura e mineração.
O novo modelo de retroescavadeira da CASE mostra que a marca continua à frente, buscando soluções que visam aumentar a segurança, produtividade e inclusão no ambiente de trabalho.
Inclusão no mercado de trabalho – Dois pontos norteiam o trabalho da CASE ao desenvolver a retroescavadeira conceito 580N Accessibility: a inserção de pessoas com mobilidade reduzida no mercado de trabalho e o aumento da expectativa de vida do trabalhador brasileiro, que demanda melhores condições para o dia a dia no canteiro de obras.
“É uma solução que permitirá a inclusão de pessoas com necessidades especiais no segmento de construção. Pela primeira vez, esses profissionais com privação dos membros inferiores poderão ser operadoras de máquinas rodoviárias”, afirma Maurício Moraes, gerente de Marketing da CASE para a América Latina.
Esta máquina abre mais uma alternativa de trabalho para pessoas com deficiência
De acordo com o gerente, esta é uma aposta pioneira da marca com criação totalmente brasileira. “Realizamos pesquisas nos diversos mercados de todo o mundo e não encontramos soluções de acessibilidade estruturadas para este tipo de aplicação, por isso, desenvolvemos uma solução nacional, alinhada às nossas estratégias de futuro e sustentabilidade”, esclarece Moraes.
A 580N Accessibility tem as mesmas funções e configurações que o modelo sem o recurso de acessibilidade, explica Moraes. A principal modificação é a plataforma de elevação, capaz de permitir o transbordo da cadeira de rodas para o assento desta plataforma.
A ergonomia e o espaço interno se mantêm, principalmente porque a plataforma de elevação ficará posicionada externamente à cabine, justamente para garantir a operação de máquina em qualquer condição. As dimensões externas da máquina também serão preservadas.
Um joystick é usado para movimentar e introduzir o operador na cabine da máquina até a posição de transbordo para o assento. Também houve o reposicionamento de suportes de mão e dispositivos para permitir uma nova dinâmica de operação.
Os comandos de aceleração e freio, por exemplo, foram transferidos de pedais para as mãos, permitindo a integração da máquina ao operador. “Essa é uma das opções para os comandos da máquina conceito, mas claro que demandas diferenciadas estão sendo estudadas até chegarmos ao modelo padrão”, completa Moraes.
Outra vantagem do modelo é que, por ser totalmente inclusiva, ela também pode ser operada por profissionais sem necessidades especiais.
A CASE Construction Equipment – Comercializa e dá suporte a uma linha completa de equipamentos de construção ao redor do mundo, detentora de um portfólio completo de escavadeiras hidráulicas, motoniveladoras, pás-carregadeiras, tratores de esteira, mini carregadeiras e retroescavadeiras, inclusive a CASE foi a fabricante da primeira retroescavadeira em 1957. Por meio dos revendedores CASE, os clientes têm acesso a um verdadeiro parceiro comercial com equipamentos de classe mundial, líderes de mercado, com suporte de pós-vendas, garantia de qualidade e financiamento flexível.
A CASE é uma marca da CNH industrial NV, líder mundial em bens de capital listada na New York Stock Exchange (NYSE: CNHI) e no Mercato Telematico Azionario da Borsa Italiana (MI: CNHI). Mais informações sobre a CNH industrial podem ser encontradas online em www.cnhind.com.

domingo, 3 de fevereiro de 2019

Cadeirante militar faz rapel no Rio

Aventura sobre rodas no belo visual do Morro da Urca
O militar Washington Espíndola, que se tornou cadeirante após ser baleado em um assalto, não se abateu pelo ocorrido e nunca desistiu de curtir a vida nem fazer o que gosta! Já mostramos aqui no blog um esporte que ele pratica, o Airsoft, e agora ele nos trás uma nova e radical aventura! 
Apenas cordas, ganchos e mosquetões segurando a cadeira de rodas!
Washington fez rapel no Morro da Urca, no Rio de Janeiro! Isso mesmo, ele desceu a pedra do morro em sua cadeira de rodas, segurando apenas pelas cordas e com auxílio da Equipe Graver Turismo de Aventura
Muita adrenalina se pendurar assim na pedra!
A ideia surgiu no aniversário dele em uma conversa com o compadre Roberto Brandão, que é o dono da Graver. Como ele é militar, este tipo de atividade fazia parte de vida dele na época que servia. Só que após o tiro, nunca mais havia conjecturado voltar a fazer rapel. Com incentivo do amigo, fizeram todo o planejamento para operacionalizar a atividade e no dia 2 de fevereiro, sob coordenação do Brandão da Equipe Graver e participação de membros da Equipe de Airsoft, e da CSAR Pararescue MilSim, que tem treinamento em rapel, APH Tático e resgates verticais.
Parabéns a todos os envolvidos pelo sucesso no rapel adaptado e ao Washington por nos presentear com mais esta aventura sobre rodas!! E você, teria coragem? Bora descer montanha???

* todas as fotos e o vídeo foram fornecidos pelo Washington

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Como escolher melhor o porta malas

Que acha desse tantinho de bagagem? Aí tem cadeira de banho, de rodas, duas bicicletas e bagagem de quatro pessoas.
Nos vídeos de test drives que mostro sempre dou ênfase ao tamanho do porta malas e à facilidade - ou dificuldade - para colocar a cadeira de rodas nele. Desta forma, busco mostrar o grau de dificuldade para se guardar uma cadeira no porta malas, e o que determina isto é, além do tamanho do mesmo, o formato, a quantidade de plástico que tem ao redor e na tampa, e a altura da base do porta malas - que fica ali logo acima do para choques. Quanto mais alta a base do porta malas, mais alto será necessário levantar a cadeira de rodas para guardá-la dentro dele. Em geral os carros não tem porta malas muito altos, mas na categoria dos SUVs isto complica um pouco, pois uma das características deste tipo de carro é a maior altura do solo. Pensando nisso, a maioria das montadoras já deixa um recorte maior na tampa para que não seja necessário levantar nenhum tipo de carga muito alto. Mas dou dois exemplos em que isto foi "esquecido": o Chery Tiggo 2 e o Citroën C4 Cactus. Neles é preciso levantar bastante a cadeira para colocar no porta malas. No primeiro, não é necessário desmontá-la, o que torna ainda mais difícil a tarefa, pois é preciso levantar a cadeira bem alto até passarem as duas rodas daquela base. E então a cadeira pode ser encaixada lá dentro. Para retirar, é o mesmo trabalho, é necessário levantar a cadeira até ultrapassar a base para então descê-la até o chão.
Nos sedans é importante observar a largura e altura da abertura do porta malas, pois pode dificultar o acesso da cadeira
Outro ponto importante é a amplitude da abertura dele após abrir a tampa. É importante verificar a largura e principalmente a altura da "boca" do porta malas. Se for muito estreito ou muito baixo, será difícil posicionar a cadeira - principalmente as do tipo monobloco - até conseguir enfiar dentro do porta malas. A dica que eu sempre dou para carros com abertura do porta malas estreita, é enfiar a cadeira de cabeça para baixo colocando primeiro a traseira dela, depois as rodinhas, e então girar e deslisar ela até o fundo do porta malas. Desta forma a cadeira não bate muito na lataria do carro e ainda otimiza o espaço lá dentro. Muitas vezes é possível colocar as rodas por cima da cadeira, deixando ainda mais espaço para bagagens.
A vantagem dos SUVs é que em alguns cabe a cadeira de rodas montada
No fim das contas, qual o porta malas ideal? Eu sempre sugiro um porta malas que caiba a cadeira de rodas sem desmontar. Vai ter quem diga "Ah, mas não custa tirar as duas rodas na hora de guardar". Não custa porque não é você quem tira. Quem guarda a cadeira do cadeirante no porta malas é sempre outra pessoa. A esposa, o marido, o pai, mãe, e por aí a fora vai. E é muito mais fácil rebater o encosto, pegar e colocar ela lá dentro. Em alguns modelos, como a Spin, não precisa nem rebater o encosto se a cadeira não for muito alta. Além de facilitar a vida de quem guarda, é muito mais rápido. E algumas vezes, a gente está com pressa. Mas tem que esperar tirar uma roda, virar a cadeira, tirar outra roda, guardar a cadeira, depois uma, depois a outra roda. É no mínimo o triplo do tempo do que guardar a cadeira toda. Vai por mim, vale a pena investir um pouco mais e comprar um carro que caiba toda a cadeira. E que carros cabem? São poucos dentro do limite de 70 mil reais que dá para comprar com as duas isenções, posso até listar: entre os SUVs, cabe no Captur, no Duster, no Kicks, no Peugeot 2008 e no Tiggo 2; minivan, cabe na Spin e no Aircross; perua, cabe na Spacefox e na Adventure. E só. Se eu tiver esquecido algum, deixe nos comentários e eu atualizo. O melhor de todos sem dúvida é a Spin, que tem o maior porta malas, com 710 litros, e a tampa mais ampla e baixa. Facílimo de guardar a cadeira, e ainda sobra muito espaço. É ela o carro da primeira foto deste post.
Até um carro pequeno como o Mobi cabe uma cadeira de rodas, desde que rebata parte do banco traseiro
Acima do limite, aí já tem muitos outros modelos. Cabe salientar, que estes que citei eu sei que cabem mais modelos e tamanhos de cadeira, pois em todos eles testei a minha cadeira, uma monobloco tamanho 44. Não vão caber todas as cadeiras, mas a grande maioria, sim. E há outros modelos que pode ser que caiba cadeiras menores, tamanho 42 para baixo, como o Creta e o Renegade, mas aí teria que testar, e não posso afirmar com certeza. Entre os sedans, todos eles precisam que a cadeira seja desmontada, mas há alguns que esta tarefa é mais difícil, em especial modelos que tem a caída do teto tipo "fastback", como o HB20S e o Arrizo 5, pois o ângulo do teto deixa menos espaço para a tampa do porta malas, e a abertura fica mais estreita. Cito dois que a abertura é muito boa, o Voyage e o Versa. Se sua opção for por um hatch, certifique-se que a cadeira caiba "assentada" no fundo do porta malas, ou seja, com o eixo traseiro e as rodinhas dianteiras encostadas no fundo dele. Isso facilitará colocar as rodas e sobrará mais espaço para bagagens. Se a cadeira entra de lado, ocupa muito mais espaço. Nestes, caso não seja utilizado o banco traseiro, é possível rebatê-lo, ou parte dele, e aí pode caber até mesmo a cadeira montada.
Em hatches como o 208 cabe a cadeira de rodas assentada no fundo
O que sugiro é relacionar os carros que tem interesse em comprar, e então ir às concessionárias testar para ver se cabe a cadeira. Transfira para algum lugar, e peça alguém para colocar para você.
Seguindo essas dicas, espero que facilite a tomada de decisão na hora de comprar um carro, principalmente ao considerar o tipo e tamanho de porta malas ideal!

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Cuidados com os aros

Eles dão uma mãozinha na hora de tocar a cadeira
Os aros de impulsão das cadeiras de rodas não podem deixar de entrar na manutenção mensal ou até semanal, se o cadeirante for muito ativo. Afinal, eles são o principal local de contato que temos ao locomover a cadeira. Além de ser limpo diariamente, uma vez por semana é importante apertar as porcas que os ligam aos parafusos que ficam por dentro dos aros das rodas da cadeira. Aproveitando o ajuste, limpem bem as porcas, pois com o tempo podem enferrujar. Quem mora no litoral deve ter especial atenção a estas peças. Os aros em si não costumam enferrujar por serem feitos de alumínios em sua maioria. Mas se forem de ferro, a limpeza diária é fundamental. 
Outra coisa importante é verificar se há arranhões profundos ou entalhes que podem gerar pequenos "pontos" no alumínio. Estes pontos, se não forem identificados, podem cortar a mãos ou os dedos em uma freada ou até numa tocada. Já aconteceu comigo e já vi acontecer com amigos. Pode parecer bobagem, mas dependendo do tamanho do "desnível" do aro, machuca bem. 
Uma chave resolve pequenas lascas no aro
Para resolver este problema basta usar a parte lisa de uma chave e raspar no aro onde estiver danificado várias vezes até sumir. Como o metal da chave é mais forte que o alumínio, ela "come" a lasca até nivelar. Outra solução é pegar uma lixa fina comum e passar no local até nivelar. Mas será preciso passar muitas vezes até conseguir um bom resultado. Com a chave é mais rápido, porém mais "grosseiro". A lixa tem a vantagem de uniformizar a superfície e tirar outros arranhões menores. 
O que sugiro é usar a chave para tirar as lascas quando aparecerem, e uma vez por mês desmontar os aros e dar uma lixada geral neles. Assim eles ficam mais bonitos e uniformes. E ainda é um bom exercício!

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Comparativo entre sedans de entrada para PCD

O comparativo agora é com os sedans de entrada, que custam até 50 mil com as isenções
Nos últimos anos, com a preferência crescente dos brasileiros pelo câmbio automático, as montadoras passaram a equipar seus modelos de entrada com este tipo de transmissão. Coincidentemente, o segmento de pessoas com deficiência tem ficado cada vez mais dependentes dos modelos de entrada, já que o limite para aquisição de veículos com isenção está congelado há dez anos. Portanto, é uma categoria muito importante para quem tem deficiência e precisa de câmbio automático. E os sedans, que tradicionalmente são carros familiares, indicados para casais que resolvem aumentar a família e consequentemente a bagagem, são mais importantes ainda para quem usa aparelhos de auxílio à locomoção, como cadeiras de rodas, muletas e andadores.
Porta malas grandes é uma das características marcantes dos sedans.
E o destaque principal deles é o tamanho do porta malas, que é sempre maior do que dos hatches, e até mesmo do que muitos SUVs compactos. A desvantagem é que não cabe uma cadeira de rodas praticamente montada como nos modelos deste último segmento, por isso seria, na minha opinião a segunda melhor opção para PCDs. Infelizmente não temos mais sedans médios com câmbio automático abaixo do valor limite para solicitar as duas isenções, então temos que nos contentar com os compactos mesmo.
Dando continuidade aos comparativos entre veículos para pessoas com deficiência, elaborei uma planilha com os sedans disponíveis no mercado abaixo de 70 mil reais. Para facilitar, dividi a planilha em duas faixas de preço, de 45 a 50 mil reais, e de 50 a 55 mil reais. Procurei não incluir dois modelos da mesma montadora, já que acabam sendo muito semelhantes, e também versões muito próximas do mesmo modelos, como Prima Advantage e LT, nestes casos priorizei a versão mais vantajosa. Desta vez, além de montar a planilha relacionando as principais características de cada modelo, elaborei também um ranking pessoal com as minhas escolhas, e com os principais pontos fortes e fracos de cada um. Claro que cada um tem uma opinião e uma preferência, portanto meu ranking servirá apenas para compartilhar o que acho de cada carro. E ajudar a tomar a melhor decisão. No link abaixo, está a planilha que tenho usado para comparar os itens de cada segmento. Nela está a aba dos SUVs, dos Sedans de entrada (Sedans1) e o ranking.
https://docs.google.com/spreadsheets/d/1BGVM56y_rYkOVzUpH5ifWm00RjTbu4emUYD9-3yBhSo/edit?usp=sharing
Este foi o ranking que elaborei. Espero que ajude a balizar a decisão

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