terça-feira, 23 de agosto de 2016

Restaurante Gaeta - Guarapari

Restaurante Gaeta, em Meaípe (imagem da internet)
É sempre uma satisfação conhecer pessoas que se preocupam com a acessibilidade sem obrigação ou necessidade própria. Infelizmente, estes são os motivos mais comuns para alguém investir em adaptações para atender pessoas com mobilidade reduzida. Por isso me alegrei por saber que os donos do Restaurante Gaeta, em Meaípe, uma das praias mais badaladas de Guarapari - onde fica a famosa boate Mais.
Curiosa rampa dupla, funciona bem e transmitiu segurança
Eu estava buscando um restaurante legal para passar meu primeiro dia dos pais em Guarapari, onde moram meus pais, e me deparei com este restaurante no site Trip Advisor, onde havia informação que ele dispunha de acesso para cadeirantes. Liguei para lá para saber mais e me disseram que havia sim o acesso, e ainda banheiro adaptado e espaço para circular. Fiz a reserva na hora, informando ainda que iria com dois bebês, em carrinho duplo. A pessoa me garantiu que teria um lugar adequado. Confiei.
Conseguiram espaço para carrinho de bebê duplo e cadeirante
Chegamos lá e percebi a dificuldade que seria encontrar um lugar para estacionar. A praia é pequena e está sempre cheia, ainda mais em um domingo de dia dos pais. Felizmente ao chegar ao restaurante vi uma placa informando que havia estacionamento nos fundos para clientes. Entrei e me deparei com uma rampa meio longa, duas curvas e o estacionamento ao fundo. Meio longe, mas achei que não seria problema, já que meus pais estavam comigo e me ajudariam se fosse o caso. Depois do (longo) processo de desembarque, a Gi foi na frente e eu segui pelo estacionamento. Logo apareceu um funcionário do restaurante para auxiliar na subida da rampa - que nem é tão íngreme assim - mas aceitei numa boa.
Comemorei meu primeiro dia dos pais com meu pai e meus filhos - perfeito
Chegando na porta, encaixaram duas rampas de madeira sobre os dois degraus da entrada. Achei estranho e um pouco temerário duas rampas, uma para cada lado da cadeira, mas percebi que o funcionário deles tem experiência com cadeiras de rodas e ele me posicionou de costas, empinou a cadeira e subiu suavemente. É uma adaptação meio precária, mas funciona bem. Reservaram a última mesa de uma fileira, no canto, de forma que deixaram um bom espaço para alocar o carrinho dos bebês. Fiquei bem satisfeito com este cuidado. O espaço entre as mesas é suficiente para circular e a mesa reservada era adequada para cadeirantes, com pés paralelos, e a cadeira entra por completo. O banheiro fica nos fundos, tem uma rampa leve e ele é bem adaptado, porém não tem pia lá dentro, somente no cômodo ao lado, e a lixeira, como sempre, é de pedal. É utilizável, porém poderia ser melhor.
O cardápio é variado em frutos do mar, tem moquecas variadas, mas o mais famoso é a lagosta gratinada. É cara, mas vem bem servida para duas pessoas, acompanha arroz, pirão e moqueca de banana da terra, e é uma delícia. Como todos pediram o mesmo prato, não posso avaliar outros, mas pela foto da lagosta dá para ter uma ideia da delícia que é.
Visual da praia de Meaípe
Após o almoço demos uma volta pela praia - ou melhor, por cima da praia, já que ela fica abaixo do nível da rua, embaixo de um muro, e não há nem rampa boa o suficiente para descer com a cadeira de rodas. Vale pelo visual, curtindo um fim de tarde, sugiro um doce de jaca como sobremesa - é bem gostoso. Ao final conversei com os donos do restaurante, que disseram ser o único da região que se preocupou em adaptar para cadeirantes. Fica a dica para um passeio saboroso quando estiver em Guarapari.
Mais informações:
http://www.soues.com.br/plus/modulos/estabelecimento/detalhe.php?cdgrupo=1&cdestabelecimento=555
http://oviajantecomilao.blogspot.com.br/2013/10/guarapari-gaeta-e-suas-moquecas.html

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Jogos Paralímpicos, estamos na torcida!

Equipe de Rugby em cadeira de rodas
As paralimpíadas estão chegando e os atletas brasileiros contam com nosso apoio e nossa torcida. Neste clima, compartilhamos duas histórias inspiradoras de esportistas brasileiros.
Rafael pronto para arrebentar nas paralimpíadas
Rafael Hoffmann é atleta do Rugby em Cadeira de Rodas, a modalidade participa dos Jogos Paralímpicos desde Sydney 2000. O esportista conta com o apoio da Coloplast, nossa parceira aqui no blog, na divulgação de novidades e informações importantes sobre tecnologias, produtos e serviços que tornam mais fácil a vida de pessoas com necessidades íntimas de saúde.
Leia, abaixo, o depoimento de Rafael Hoffmann e entre na torcida pelo Rugby Paralímpico Brasileiro!
Os embates do Rugby são paulera!
“Já imaginava que seria convocado por estar presente nas últimas competições de preparação que a Seleção Brasileira fez na Europa, mas até o Comitê Paralímpico divulgar a lista oficial, onde pude ver meu nome, e ter a certeza de que fui escolhido para defender nosso País, a ansiedade foi grande. Sem dúvida alguma, essa convocação foi a maior alegria e emoção que tive como atleta, uma mistura de felicidade e responsabilidade por ser na nossa casa, no Rio de Janeiro. Estamos na reta final da preparação, no próximo dia 21 de agosto nos encontraremos no centro de treinamento Paralímpico, em São Paulo, onde será feita a aclimatação. Por sermos o País sede dos jogos, automaticamente, subimos pra 8º no ranking mundial, isso nos deixa bastante otimista por bons jogos na briga por uma medalha paralímpica, que é a nossa meta”.

Esgrima, uma paixão
Ataide Ribeiro, publicitário e esgrimista
O esgrimista Ataide Ribeiro, atleta apoiado pela Coloplast, relata como o esporte resgatou a sintonia entre corpo e mente.
"Acredito no poder disciplinador do esporte. Antes de me tornar cadeirante pratiquei algumas modalidades como Judô, Karaté, Muay Thai, Bike e Futebol. Eu tive, aos dezesseis anos, uma doença muito rara conhecida por Síndrome de Behçet, a qual me deixou, na época, tetraplégico. Após vários anos de tratamento com fisioterapia, medicamentos e outros, o meu quadro neurológico evoluiu positivamente. Hoje, tenho um quadro estável de tetraparesia incompleta com predomínio dos membros inferiores.
Quando a esgrima entrou na minha vida resgatei uma parte de mim, que achei que tinha perdido para sempre. A esgrima é um esporte completo porque trabalha o corpo e mente e os mantém em perfeita sintonia. Na prática deste esporte aliamos força, agilidade, destreza e leveza. A esgrima tem tudo a ver comigo, pois me ajuda naquilo que tenho de menos como leveza, apura e torna eficaz a minha força e agilidade, sendo assim é impossível não se APAIXONAR por este esporte.
Conheci a esgrima por meio de um amigo, foi amor à primeira vista. Com menos de 6 meses de treinamento consegui ser Campeão Mineiro (no Campeonato Interno da ACE - Ação com Esporte), na minha categoria (A), e Prata no Geral (Disputada entre as categorias A, B e C). Logo no meu primeiro torneio em nível nacional, I Copa do Brasil - 2016, consegui um 7º Lugar no Florete e 9º na Espada.
Infelizmente, não irei participar dos jogos Paraolímpicos deste ano no Rio de Janeiro. Mas, tenho a certeza de que o Brasil está bem representado pelos atletas que conseguiram a sua tão sonhada classificação, desejo toda a sorte do mundo a todos eles.
Muito se fala contra e a favor das Olimpíadas e Paraolimpíadas serem disputados no Brasil, na cidade do Rio de Janeiro. Tenho toda a certeza que as delegações do mundo todo serão muito bem recepcionadas em solo brazuca. Na Grécia Antiga, os jogos eram realizados para unir povos em conflitos constantes. Devemos aproveitar os jogos para nos unificar como povo, como cidadão, como ser humano."

Sobre a Coloplast
A Coloplast desenvolve produtos e serviços que tornam mais fácil a vida de pessoas com condições médicas muito pessoais e realmente íntimas. Trabalhando próximo aos usuários finais e profissionais que usam nossos produtos, nós criamos soluções sensíveis às suas necessidades especiais.
Se você precisa realizar o cateterismo intermitente, solicite a visita de um (a) enfermeiro (a) especializado (a), que pode tornar a sua vida mais fácil. Ligue para 0800 285 86 87 (ligação gratuita)

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Iveco Daily Elevittá

Finalmente uma forma inclusiva de viajar de van e micro ônibus
Em 2014 estive na Itália, e aproveitei para conhecer os museus e a fábrica da Ferrari. São dois museus, um em Modena, onde nasceu a Ferrari, e outro em Maranello, a pouco mais de 20 km de distância, onde fica a fábrica. Entrei em contato com o museu, disse que iria fazer a visita e questionei sobre a acessibilidade, informando que iria fazer matérias para meu blog (veja a matéria aqui). Se mostraram muito receptivos, disponibilizaram uma pessoa para me receber no museu e transporte adaptado gratuitamente para mim e minha esposa.
Largado, triste, no porta malas do micro ônibus na Itália
Chegando lá, fui bem recebido em Modena, conheci a casa onde nasceu a Ferrari e um museu interativo enorme, tudo muito acessível, com bom espaço para circular e banheiros adaptados. Depois de rodar por tudo solicitei o transporte. Chegou então um micro ônibus, com dezesseis lugares, e elevador para cadeirante na traseira. Entrei pelo elevador e na hora me senti um mala. Não que eu não seja... mas naquela situação, com uma barreira de bancos na minha frente, me senti uma mala de verdade, uma carga no fundo do ônibus, totalmente separado da minha mulher, o que dificultava até nossa conversa. Sem contar que balançou horrores, e nem cinto de segurança tinha.
Gustavo Serizawa no lançamento da Daily Elevittá, em São Paulo
Na época pensei: "será que não tem outra forma de transportar um cadeirante nesses veículos?" Dois anos depois, finalmente tive a resposta para minha pergunta. Há dois meses meu agente entrou em contato comigo para fazer fotos de uma adaptação inovadora. Eu precisaria manter segredo, pois era um produto sem igual no mercado. Aceitei na hora, e quando cheguei ao estúdio fiquei impressionado com o produto: era um micro ônibus da Iveco, o Daily Elevittá, com dezoito lugares mais o motorista, que permite levar até três cadeirantes nas poltronas do próprio veículo. "Mas como o cadeirante vai subir na poltrona?" eu perguntei na hora. Quem me respondeu foi o Gustavo Serizawa, gerente de marketing de produto da Iveco, e idealizador do produto: "Não precisa, a poltrona desce até o cadeirante". E em seguida demonstrou o produto. Fiquei fascinado, finalmente alguém pensou em simplificar o processo de embarque de cadeirantes! Fiz o test drive e me impressionei ainda mais: a descida é suave, mas rápida, e como a gente passa direto para a poltrona, já coloca o cinto de segurança e desce os apoios de braço, a subida é tranquila e segura. Não há trancos nem instabilidade, a poltrona é puxada por uma espécie de esteira e em poucos segundos está de volta ao lugar de origem. Para outros cadeirantes embarcarem, basta transferir para a poltrona do lado, e a poltrona móvel pode buscar outra pessoa. Fantástico!
Embarcando com tranquilidade no Daily Elevittá
Mas o mais importante do sistema é que os cadeirantes viajam junto com as outras pessoas, interagindo, conversando e se divertindo, e não fica isolado no porta malas, balançando e inseguro. Isso sim é inclusão! O cadeirante não fica longe, nem em outro nível, é apenas mais um passageiro. Pessoalmente, nunca gostei do sistema de elevador, por isso nunca uso táxi adaptado. Prefiro usar táxi comum e guardar a cadeira no porta malas. Esta é outra vantagem da Elevittá: cabem até três cadeiras de rodas no porta malas, dobráveis ou monobloco. Ao transferir para a poltrona no carro ou van, a gente pode movimentar mais as pernas e manter o tronco ereto sem fazer força. Na própria cadeira, não dá para fazer isto, pois ela é feita para que nosso corpo encaixe ali e faça menos movimentos possíveis.
Tenho outro exemplo da importância deste produto: sou cliente da Automax Fiat, e a concessionária oferece o serviço de levar e buscar o cliente quando deixa o veículo para revisão ou concerto. De hora em hora uma van fica por conta de fazer este trabalho. Porém, como subir nela? Me arrisquei a fazer isto duas vezes, só consegui sendo carregado para entrar e sair. Na segunda vez, uma das pessoas que estava me carregando tropeçou e cai sentado na beirada da porta. Felizmente não me machuquei, mas nunca mais utilizei o sistema, mas a Automax resolveu disponibilizando um táxi para mim sempre que eu levava o carro. Um alto custo para a concessionária, que fez o possível para atender o cliente, mas se tivesse um veículo como este, atenderia a todos com segurança. Outra aplicação importante é em veículos para transfer de hotéis, resorts, parques, etc. Tem muito lugar precisando de um desses!
Vejam acima o vídeo de lançamento e abaixo as considerações dos gerentes da Iveco. Foi um privilégio participar como garoto propaganda deste produto incrível que vem agregar na qualidade de vida de quem tem mobilidade reduzida. Parabéns à Iveco pela iniciativa, espero que em breve esteja por toda a parte.
“O Daily Elevittá é a primeira van do Brasil a contemplar 18 lugares com até três cadeirantes, mais o motorista. Preservamos a inclusão para os passageiros e a rentabilidade para o operador em um conceito de experiência em acessibilidade ampliada” ressalta Gustavo Serizawa, gerente de marketing de produto da Iveco Bus para a América Latina.
Se o bem-estar dos ocupantes está garantido no modelo, o transportador também acumula benefícios ao adquirir o Daily Elevittá. Leis de acessibilidade do transporte de passageiros, para a categoria M2 (veículos para o transporte de passageiros com mais de oito lugares, além do condutor, com Peso Bruto Total inferior ou igual a cinco toneladas), seja escolar, urbano ou fretamento, sinalizam que, nos próximos anos, entre 2017 e 2018, todos os veículos que realizam o transporte público de passageiros deverão proporcionar acesso a pessoas com mobilidade reduzida (cadeirantes, obesos, idosos, entre outros).
"Lançamos um produto economicamente viável para os empresários do setor e nos antecipamos aos concorrentes. O Daily Elevittá abre uma nova era no transporte de passageiros", destaca Humberto Spinetti, diretor de negócios da Iveco Bus para a América Latina. O executivo afirma ainda que o cliente contará com o apoio da rede de concessionárias Iveco, com revendas estrategicamente distribuídas pelo país. "Nosso produto contribuirá para que as pessoas possam se deslocar e realizar suas atividades diárias sem nenhum tipo de constrangimento", completa Spinetti.

Iveco Daily Elevittá

Finalmente uma forma inclusiva de viajar de van e micro ônibus
Em 2014 estive na Itália, e aproveitei para conhecer os museus e a fábrica da Ferrari. São dois museus, um em Modena, onde nasceu a Ferrari, e outro em Maranello, a pouco mais de 20 km de distância, onde fica a fábrica. Entrei em contato com o museu, disse que iria fazer a visita e questionei sobre a acessibilidade, informando que iria fazer matérias para meu blog (veja a matéria aqui). Se mostraram muito receptivos, disponibilizaram uma pessoa para me receber no museu e transporte adaptado gratuitamente para mim e minha esposa.
Largado, triste, no porta malas do micro ônibus na Itália
Chegando lá, fui bem recebido em Modena, conheci a casa onde nasceu a Ferrari e um museu interativo enorme, tudo muito acessível, com bom espaço para circular e banheiros adaptados. Depois de rodar por tudo solicitei o transporte. Chegou então um micro ônibus, com dezesseis lugares, e elevador para cadeirante na traseira. Entrei pelo elevador e na hora me senti um mala. Não que eu não seja... mas naquela situação, com uma barreira de bancos na minha frente, me senti uma mala de verdade, uma carga no fundo do ônibus, totalmente separado da minha mulher, o que dificultava até nossa conversa. Sem contar que balançou horrores, e nem cinto de segurança tinha.
Gustavo Serizawa no lançamento da Daily Elevittá, em São Paulo
Na época pensei: "será que não tem outra forma de transportar um cadeirante nesses veículos?" Dois anos depois, finalmente tive a resposta para minha pergunta. Há dois meses meu agente entrou em contato comigo para fazer fotos de uma adaptação inovadora. Eu precisaria manter segredo, pois era um produto sem igual no mercado. Aceitei na hora, e quando cheguei ao estúdio fiquei impressionado com o produto: era um micro ônibus da Iveco, o Daily Elevittá, com dezoito lugares mais o motorista, que permite levar até três cadeirantes nas poltronas do próprio veículo. "Mas como o cadeirante vai subir na poltrona?" eu perguntei na hora. Quem me respondeu foi o Gustavo Serizawa, gerente de marketing de produto da Iveco, e idealizador do produto: "Não precisa, a poltrona desce até o cadeirante". E em seguida demonstrou o produto. Fiquei fascinado, finalmente alguém pensou em simplificar o processo de embarque de cadeirantes! Fiz o test drive e me impressionei ainda mais: como a gente passa para a poltrona, já coloca o cinto de segurança e desce os apoios de braço, a subida é suave e segura. Não há trancos nem instabilidade, a poltrona é puxada por uma espécie de esteira e em poucos segundos está de volta ao lugar de origem. Para outros cadeirantes embarcarem, basta transferir para a poltrona do lado, e a poltrona móvel pode buscar outra pessoa. Fantástico!
Embarcando com tranquilidade no Daily Elevittá
Mas o mais importante do sistema é que os cadeirantes viajam junto com as outras pessoas, interagindo, conversando e se divertindo, e não fica isolado no porta malas, balançando e inseguro. Isso sim é inclusão! O cadeirante não fica longe, nem em outro nível, é apenas mais um passageiro. Pessoalmente, nunca gostei do sistema de elevador, por isso nunca uso táxi adaptado. Prefiro usar táxi comum e guardar a cadeira no porta malas. Esta é outra vantagem da Elevittá: cabem até três cadeiras de rodas no porta malas, dobráveis ou monobloco. Ao transferir para a poltrona no carro ou van, a gente pode movimentar mais as pernas e manter o tronco ereto sem fazer força. Na própria cadeira, não dá para fazer isto, pois ela é feita para que nosso corpo encaixe ali e faça menos movimentos possíveis.
Tenho outro exemplo da importância deste produto: sou cliente da Automax Fiat, e a concessionária oferece o serviço de levar e buscar o cliente quando deixa o veículo para revisão ou concerto. De hora em hora uma van fica por conta de fazer este trabalho. Porém, como subir nela? Me arrisquei a fazer isto duas vezes, só consegui sendo carregado para entrar e sair. Na segunda vez, uma das pessoas que estava me carregando tropeçou e cai sentado na beirada da porta. Felizmente não me machuquei, mas nunca mais utilizei o sistema, mas a Automax resolveu disponibilizando um táxi para mim sempre que eu levava o carro. Um alto custo para a concessionária, que fez o possível para atender o cliente, mas se tivesse um veículo como este, atenderia a todos com segurança. Outra aplicação importante é em veículos para transfer de hotéis, resorts, parques, etc. Tem muito lugar precisando de um desses!
Vejam acima o vídeo de lançamento e abaixo as considerações dos gerentes da Iveco. Foi um privilégio participar como garoto propaganda deste produto incrível que vem agregar na qualidade de vida de quem tem mobilidade reduzida. Parabéns à Iveco pela iniciativa, espero que em breve esteja por toda a parte.
“O Daily Elevittá é a primeira van do Brasil a contemplar 18 lugares com até três cadeirantes, mais o motorista. Preservamos a inclusão para os passageiros e a rentabilidade para o operador em um conceito de experiência em acessibilidade ampliada” ressalta Gustavo Serizawa, gerente de marketing de produto da Iveco Bus para a América Latina.
Se o bem-estar dos ocupantes está garantido no modelo, o transportador também acumula benefícios ao adquirir o Daily Elevittá. Leis de acessibilidade do transporte de passageiros, para a categoria M2 (veículos para o transporte de passageiros com mais de oito lugares, além do condutor, com Peso Bruto Total inferior ou igual a cinco toneladas), seja escolar, urbano ou fretamento, sinalizam que, nos próximos anos, entre 2017 e 2018, todos os veículos que realizam o transporte público de passageiros deverão proporcionar acesso a pessoas com mobilidade reduzida (cadeirantes, obesos, idosos, entre outros).
"Lançamos um produto economicamente viável para os empresários do setor e nos antecipamos aos concorrentes. O Daily Elevittá abre uma nova era no transporte de passageiros", destaca Humberto Spinetti, diretor de negócios da Iveco Bus para a América Latina. O executivo afirma ainda que o cliente contará com o apoio da rede de concessionárias Iveco, com revendas estrategicamente distribuídas pelo país. "Nosso produto contribuirá para que as pessoas possam se deslocar e realizar suas atividades diárias sem nenhum tipo de constrangimento", completa Spinetti.

Iveco Daily Elevittá

Finalmente uma forma inclusiva de viajar de van e micro ônibus
Em 2014 estive na Itália, e aproveitei para conhecer os museus e a fábrica da Ferrari. São dois museus, um em Modena, onde nasceu a Ferrari, e outro em Maranello, a pouco mais de 20 km de distância, onde fica a fábrica. Entrei em contato com o museu, disse que iria fazer a visita e questionei sobre a acessibilidade, informando que iria fazer matérias para meu blog (veja a matéria aqui). Se mostraram muito receptivos, disponibilizaram uma pessoa para me receber no museu e transporte adaptado gratuitamente para mim e minha esposa.
Largado, triste, no porta malas do micro ônibus na Itália
Chegando lá, fui bem recebido em Modena, conheci a casa onde nasceu a Ferrari e um museu interativo enorme, tudo muito acessível, com bom espaço para circular e banheiros adaptados. Depois de rodar por tudo solicitei o transporte. Chegou então um micro ônibus, com dezesseis lugares, e elevador para cadeirante na traseira. Entrei pelo elevador e na hora me senti um mala. Não que eu não seja... mas naquela situação, com uma barreira de bancos na minha frente, me senti uma mala de verdade, uma carga no fundo do ônibus, totalmente separado da minha mulher, o que dificultava até nossa conversa. Sem contar que balançou horrores, e nem cinto de segurança tinha.
Gustavo Serizawa no lançamento da Daily Elevittá, em São Paulo
Na época pensei: "será que não tem outra forma de transportar um cadeirante nesses veículos?" Dois anos depois, finalmente tive a resposta para minha pergunta. Há dois meses meu agente entrou em contato comigo para fazer fotos de uma adaptação inovadora. Eu precisaria manter segredo, pois era um produto sem igual no mercado. Aceitei na hora, e quando cheguei ao estúdio fiquei impressionado com o produto: era um micro ônibus da Iveco, o Daily Elevittá, com dezoito lugares mais o motorista, que permite levar até três cadeirantes nas poltronas do próprio veículo. "Mas como o cadeirante vai subir na poltrona?" eu perguntei na hora. Quem me respondeu foi o Gustavo Serizawa, gerente de marketing de produto da Iveco, e idealizador do produto: "Não precisa, a poltrona desce até o cadeirante". E em seguida demonstrou o produto. Fiquei fascinado, finalmente alguém pensou em simplificar o processo de embarque de cadeirantes! Fiz o test drive e me impressionei ainda mais: como a gente passa para a poltrona, já coloca o cinto de segurança e desce os apoios de braço, a subida é suave e segura. Não há trancos nem instabilidade, a poltrona é puxada por uma espécie de esteira e em poucos segundos está de volta ao lugar de origem. Para outros cadeirantes embarcarem, basta transferir para a poltrona do lado, e a poltrona móvel pode buscar outra pessoa. Fantástico!
Embarcando com tranquilidade no Daily Elevittá
Mas o mais importante do sistema é que os cadeirantes viajam junto com as outras pessoas, interagindo, conversando e se divertindo, e não fica isolado no porta malas, balançando e inseguro. Isso sim é inclusão! O cadeirante não fica longe, nem em outro nível, é apenas mais um passageiro. Pessoalmente, nunca gostei do sistema de elevador, por isso nunca uso táxi adaptado. Prefiro usar táxi comum e guardar a cadeira no porta malas. Esta é outra vantagem da Elevittá: cabem até três cadeiras de rodas no porta malas, dobráveis ou monobloco. Ao transferir para a poltrona no carro ou van, a gente pode movimentar mais as pernas e manter o tronco ereto sem fazer força. Na própria cadeira, não dá para fazer isto, pois ela é feita para que nosso corpo encaixe ali e faça menos movimentos possíveis.
Tenho outro exemplo da importância deste produto: sou cliente da Automax Fiat, e a concessionária oferece o serviço de levar e buscar o cliente quando deixa o veículo para revisão ou concerto. De hora em hora uma van fica por conta de fazer este trabalho. Porém, como subir nela? Me arrisquei a fazer isto duas vezes, só consegui sendo carregado para entrar e sair. Na segunda vez, uma das pessoas que estava me carregando tropeçou e cai sentado na beirada da porta. Felizmente não me machuquei, mas nunca mais utilizei o sistema, mas a Automax resolveu disponibilizando um táxi para mim sempre que eu levava o carro. Um alto custo para a concessionária, que fez o possível para atender o cliente, mas se tivesse um veículo como este, atenderia a todos com segurança.
Vejam acima o vídeo de lançamento e abaixo as considerações dos gerentes da Iveco.
“O Daily Elevittá é a primeira van do Brasil a contemplar 18 lugares com até três cadeirantes, mais o motorista. Preservamos a inclusão para os passageiros e a rentabilidade para o operador em um conceito de experiência em acessibilidade ampliada” ressalta Gustavo Serizawa, gerente de marketing de produto da Iveco Bus para a América Latina.
Se o bem-estar dos ocupantes está garantido no modelo, o transportador também acumula benefícios ao adquirir o Daily Elevittá. Leis de acessibilidade do transporte de passageiros, para a categoria M2 (veículos para o transporte de passageiros com mais de oito lugares, além do condutor, com Peso Bruto Total inferior ou igual a cinco toneladas), seja escolar, urbano ou fretamento, sinalizam que, nos próximos anos, entre 2017 e 2018, todos os veículos que realizam o transporte público de passageiros deverão proporcionar acesso a pessoas com mobilidade reduzida (cadeirantes, obesos, idosos, entre outros).
"Lançamos um produto economicamente viável para os empresários do setor e nos antecipamos aos concorrentes. O Daily Elevittá abre uma nova era no transporte de passageiros", destaca Humberto Spinetti, diretor de negócios da Iveco Bus para a América Latina. O executivo afirma ainda que o cliente contará com o apoio da rede de concessionárias Iveco, com revendas estrategicamente distribuídas pelo país. "Nosso produto contribuirá para que as pessoas possam se deslocar e realizar suas atividades diárias sem nenhum tipo de constrangimento", completa Spinetti.

Iveco Daily Elevittá

Finalmente uma forma inclusiva de viajar de van e micro ônibus
Em 2014 estive na Itália, e aproveitei para conhecer os museus e a fábrica da Ferrari. São dois museus, um em Modena, onde nasceu a Ferrari, e outro em Maranello, a pouco mais de 20 km de distância, onde fica a fábrica. Entrei em contato com o museu, disse que iria fazer a visita e questionei sobre a acessibilidade, informando que iria fazer matérias para meu blog (veja a matéria aqui). Se mostraram muito receptivos, disponibilizaram uma pessoa para me receber no museu e transporte adaptado gratuitamente para mim e minha esposa.
Largado, triste, no porta malas do micro ônibus na Itália
Chegando lá, fui bem recebido em Modena, conheci a casa onde nasceu a Ferrari e um museu interativo enorme, tudo muito acessível, com bom espaço para circular e banheiros adaptados. Depois de rodar por tudo solicitei o transporte. Chegou então um micro ônibus, com quinze lugares, e elevador para cadeirante na traseira. Entrei pelo elevador e na hora me senti um mala. Não que eu não seja... mas naquela situação, com uma barreira de bancos na minha frente, me senti uma mala de verdade, uma carga no fundo do ônibus, totalmente separado da minha mulher, o que dificultava até nossa conversa. Sem contar que balançou horrores, e nem cinto de segurança tinha.
Gustavo Serizawa no lançamento da Daily Elevittá, em São Paulo
Na época pensei: "será que não tem outra forma de transportar um cadeirante nesses veículos?" Dois anos depois, finalmente tive a resposta para minha pergunta. Há dois meses meu agente entrou em contato comigo para fazer fotos de uma adaptação inovadora. Eu precisaria manter segredo, pois era um produto sem igual no mercado. Aceitei na hora, e quando cheguei ao estúdio fiquei impressionado com o produto: era um micro ônibus da Iveco, o Daily Elevittá, com dezoito lugares mais o motorista, que permite levar até três cadeirantes nas poltronas do próprio veículo. "Mas como o cadeirante vai subir na poltrona?" eu perguntei na hora. Quem me respondeu foi o Gustavo Serizawa, gerente de marketing de produto da Iveco, e idealizador do produto: "Não precisa, a poltrona desce até o cadeirante". E em seguida demonstrou o produto. Fiquei fascinado, finalmente alguém pensou em simplificar o processo de embarque de cadeirantes! Fiz o test drive e me impressionei ainda mais: como a gente passa para a poltrona, já coloca o cinto de segurança e desce os apoios de braço, a subida é suave e segura. Não há trancos nem instabilidade, a poltrona é puxada por uma espécie de esteira e em poucos segundos está de volta ao lugar de origem. Para outros cadeirantes embarcarem, basta transferir para a poltrona do lado, e a poltrona móvel pode buscar outra pessoa. Fantástico!
Embarcando com tranquilidade no Daily Elevittá
Mas o mais importante do sistema é que os cadeirantes viajam junto com as outras pessoas, interagindo, conversando e se divertindo, e não fica isolado no porta malas, balançando e inseguro. Isso sim é inclusão! O cadeirante não fica longe, nem em outro nível, é apenas mais um passageiro. Pessoalmente, nunca gostei do sistema de elevador, por isso nunca uso táxi adaptado. Prefiro usar táxi comum e guardar a cadeira no porta malas. Esta é outra vantagem da Elevittá: cabem até três cadeiras de rodas no porta malas, dobráveis ou monobloco. Ao transferir para a poltrona no carro ou van, a gente pode movimentar mais as pernas e manter o tronco ereto sem fazer força. Na própria cadeira, não dá para fazer isto, pois ela é feita para que nosso corpo encaixe ali e faça menos movimentos possíveis.
Tenho outro exemplo da importância deste produto: sou cliente da Automax Fiat, e a concessionária oferece o serviço de levar e buscar o cliente quando deixa o veículo para revisão ou concerto. De hora em hora uma van fica por conta de fazer este trabalho. Porém, como subir nela? Me arrisquei a fazer isto duas vezes, só consegui sendo carregado para entrar e sair. Na segunda vez, uma das pessoas que estava me carregando tropeçou e cai sentado na beirada da porta. Felizmente não me machuquei, mas nunca mais utilizei o sistema, mas a Automax resolveu disponibilizando um táxi para mim sempre que eu levava o carro. Um alto custo para a concessionária, que fez o possível para atender o cliente, mas se tivesse um veículo como este, atenderia a todos com segurança.
Vejam acima o vídeo de lançamento e abaixo as considerações dos gerentes da Iveco.
“O Daily Elevittá é a primeira van do Brasil a contemplar 18 lugares com até três cadeirantes, mais o motorista. Preservamos a inclusão para os passageiros e a rentabilidade para o operador em um conceito de experiência em acessibilidade ampliada” ressalta Gustavo Serizawa, gerente de marketing de produto da Iveco Bus para a América Latina.
Se o bem-estar dos ocupantes está garantido no modelo, o transportador também acumula benefícios ao adquirir o Daily Elevittá. Leis de acessibilidade do transporte de passageiros, para a categoria M2 (veículos para o transporte de passageiros com mais de oito lugares, além do condutor, com Peso Bruto Total inferior ou igual a cinco toneladas), seja escolar, urbano ou fretamento, sinalizam que, nos próximos anos, entre 2017 e 2018, todos os veículos que realizam o transporte público de passageiros deverão proporcionar acesso a pessoas com mobilidade reduzida (cadeirantes, obesos, idosos, entre outros).
"Lançamos um produto economicamente viável para os empresários do setor e nos antecipamos aos concorrentes. O Daily Elevittá abre uma nova era no transporte de passageiros", destaca Humberto Spinetti, diretor de negócios da Iveco Bus para a América Latina. O executivo afirma ainda que o cliente contará com o apoio da rede de concessionárias Iveco, com revendas estrategicamente distribuídas pelo país. "Nosso produto contribuirá para que as pessoas possam se deslocar e realizar suas atividades diárias sem nenhum tipo de constrangimento", completa Spinetti.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

10 anos de lesão medular

Após o acidente, essa foi a marca da freada
24 de julho de 2006. Aos 32 anos, depois de uma discussão com a ex namorada, o cara vai saindo de Viçosa em direção a Belo Horizonte, quando vê na loja de um amigo uma moto amarela, esportiva, convidando a uma voltinha. Aproveitando que está cedo e não tem pressa para chegar, resolve parar para trocar ideia com o pessoal e pede para dar uma volta na moto. Com experiência em pilotagem, não acredita que correrá muito risco, mesmo se der uma aceleradinha. Aproveitando que é época de férias, vai para a Universidade Federal, onde há longas retas, que estão vazias em plena segunda feira à tarde. Como pretende acelerar, vai para a reta mais afastada, verifica em volta se não há movimento, e acelera forte. Primeira, segunda, terceira, e já passa de cem por hora. Quarta, quinta, e ao entrar a sexta marcha olha para baixo para conferir a velocidade: 140 km/h. Em um piscar de olhos olha para a frente, e um pequeno trator, com carretinha e tudo, atravessa de repente na sua frente. Sem ter o que fazer, aperta forte os freios. A moto rabeia, e como está com pneus lisos, não parece que vai parar. O cara tenta se separar da máquina, e começa a deitá-la - é o procedimento correto nesses casos. Só que o pneu liso tem uma quina - não é arredondado como outros - e esta quina pegou no asfalto e fez efeito alavanca, jogando a moto - e o piloto - para cima. O cara voa por cima da moto, em um mergulho direto para o asfalto. O peso do corpo sobre a cabeça - com aproximadamente 600 kg (cálculo de acordo com a velocidade e o peso) esmaga a vértebra T2, paralisando imediatamente o corpo todo dos mamilos para baixo.
A moto que me mudou minha vida. Ao fundo, o capacete que salvou minha vida
Esse cara sou eu! Estava de férias do mestrado na UFSC, em Florianópolis, sofri o acidente e não voltei mais para lá. E minha vida mudou radicalmente. Pensa bem, eu morava em um lugar lindo, estava só estudando, voltando a curtir vida de estudante, estava solteiro, curtindo balada, fazia esportes todo dia - o carro ficava na garagem, eu ia pedalando para Universidade todo dia, fazia trilha nos fins de semana, trekking, viajava pela região nos fins de semana, tinha feito muitos novos amigos, enfim, estava curtindo demais, e de repente caí numa cama de hospital com o corpo todo paralisado e nenhuma perspectiva de me recuperar. Era para entrar em depressão, certo? Errado. Quando percebi que a situação era irreversível, que teria que me adaptar a um monte de coisa, tratei de correr atrás logo. Fui para o Hospital Sarah Kubitchek, referência em reabilitação no Brasil, aprendi tudo que pude e fui me informar sobre as possibilidades da vida na cadeira. Mas afinal, como fiz para superar?
No hospital, todo estrupiado. Mas feliz, por estar vivo.
A primeira coisa que fiz para dar a volta por cima foi entender e aceitar a situação. A probabilidade de andar era mínima, então desencanei imediatamente de voltar a andar, pois se isso acontecesse seria lucro. Não ia adiantar nada ficar desesperado para voltar a andar, buscar mil e um tratamentos ou rezar para tudo quanto é santo. Sempre fui otimista e prático. Se era para ser cadeirante, seria o cadeirante mais bem humorado e de bem com a vida. Porque não era uma cadeira de rodas que iria mudar quem eu era. Claro que tem obstáculo, tem hora que a gente passa raiva, mas o segredo é não se deixar abalar. Isso eu sei fazer como ninguém.
O fato é que não penso hora nenhuma em voltar a andar. Juro. Desde o início. Tem gente que vai me trucar "ah, você vive postando nas redes sociais os tratamentos, alternativas de voltar a andar, etc, etc., então deve ficar pesquisando." Negativo operante. Não gasto um minuto do meu dia pensando em voltar a andar, procurando tratamento, nada disso. Há muitos anos coloquei um alerta do Google para meu email com algumas palavras chave como "célula troco", "deficiente", "cadeirante", etc, aí recebo emails quando aparece alguma coisa. Dou uma lida rápida para ver se não é falso e publico. Porque sei que tem gente que se preocupa com isso e quer saber o que está acontecendo.
No logo do blog, um pouco do que realizei desde a lesão.
E como vai minha vida hoje? Nesses dez anos, realizei todos os sonhos que eu tinha antes de sofrer a lesão, e outros sonhos que foram surgindo ao longo do tempo. Aos 32, antes da lesão, eu queria acabar o mestrado e buscar um bom emprego, em que eu pudesse fazer o que gosto - o emprego que tenho hoje, é o melhor que já tive na vida. Eu queria muito conhecer outros países, nesse meio tempo fui aos EUA, quatro países da Europa e Argentina - esse era o único que eu já conhecia. Sempre gostei de fazer esportes, como ciclismo, mergulho, trekking, paraquedismo, kart e voltei a fazer tudo isso, adaptado. Eu sempre gostei de sair com meus amigos, gosto de conhecer gente nova, fazer novos amigos, hoje tenho muito mais amigos que na época, muitos deles cadeirantes como eu. Queria encontrar uma mulher para formar uma família. No ano seguinte ao da lesão, eu e Gi nos entendemos e iniciamos nosso relacionamento. Esse ano, tivemos um casal de gêmeos. Tudo, absolutamente tudo que quis fazer, eu fiz. E a cadeira não me impediu de nada. É o que quero que as pessoas entendam. Qual a diferença entre quem eu sou hoje e quem eu era antes da lesão? A forma como me locomovo! O resto a gente corre atrás, adapta, resolve e vai ser feliz. Porque a vida continua!
Vejam o vídeo abaixo, sobre os dez anos.

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Bike Cadeirante - Como fazer

Uma forma barata e prática de passear de bike com um cadeirante
Eu sou um apaixonado por bicicleta - bike para os íntimos. Fui ciclista minha vida inteira e sempre defendi que andar de bike é uma das atividades mais completas que existe, porque dá prazer, é um ótimo exercício, permite socializar, curtir a natureza ou a cidade, e ainda é barato e não agride o meio ambiente. Passear de bike é muito bom, e não tem limite de idade. E é muito fácil, basta pegar a magrela, encontrar um lugar seguro e pedalar. Só que passear com um cadeirante é um pouco mais complicado, pois pessoas com dificuldade de locomoção não conseguem andar de bike. Felizmente há as adaptações, como as handbikes - que eu utilizo - e triciclos, sem contar as bikes elétricas.
Prender a bike à cadeira pode ser bem simples, barato e seguro
Pensando em possibilitar uma amiga passear com sua filha, cadeirante, o mineiro Luiz Valente resolveu projetar uma adaptação para unir uma cadeira de rodas a uma bicicleta, usando como inspiração alguns vídeos que ele viu na internet. A ideia parece simples: substituir a roda dianteira da bicicleta pelas rodas traseiras da cadeira de rodas, transformando-a em um triciclo - ou melhor, quinciclo, pois ficará com cinco rodas, as quatro da cadeira mais a traseira da bike. Mas na prática foi preciso muita criatividade para ligar uma coisa na outra, mantendo o custo baixo. 
Detalhe da barra de aço que segura o garfo e atravessa o quadro da cadeira
Ele utilizou uma cadeira dobrável da filha da amiga e uma bicicleta doada por um amigo, comprou uma barra de aço inox com rosca de 8 milímetros, porcas de pressão e ruelas de 8 milímetros, junções de 8 milímetros e algumas fitas hellerman - aquelas usadas para lacrar bagagens. Gastou quarenta e cinco reais com todo o material. Então ele fez dois furos no quadro da cadeira de rodas e atravessou a barra de aço de um lado ao outro da cadeira, próximo ao eixo da roda traseira. Ele usou as junções para dar mais força na barra e também para prender o garfo da bike.
As porcas de pressão vão nas duas pontas da barra, para fixar com segurança.
Detalhe da fita hellerman que prende o guidão da bike na cadeira, com fita isolante por cima
A fita hellerman prende o guidão da bike no punho de empurrar da cadeira. Foram utilizadas duas fitas grossas de cada lado, e ele ainda passou fita isolante para reforçar. É importante que esta fixação fique bem firme. A dirigibilidade do conjunto demanda atenção, pois as rodinhas dianteiras da cadeira de rodas não ultrapassam facilmente desníveis e buracos. É preciso ficar atento para não dar trancos no cadeirante nem causar acidentes. Outro ponto de atenção é nas curvas. Como as rodas dianteiras não viram com a bicicleta, ao fazer curvas fechadas a bicicleta tende a virar para fora da curva. Por isso é preciso deitar o corpo para dentro da curva, para balancear. Com estes cuidados, é uma delícia rodar com um companheiro ou companheira pelas ruas e ciclovias da cidade!
Vejam no vídeo abaixo entrevista com o Luiz Valente, criador da Bike Cadeirante, e o test drive que fiz com ele. Agradeço a ele pela oportunidade de mostrar este trabalho 

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