sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Cadeira de rodas manual Stand Up

Milagre! Ah não, é só tecnologia...
Meu Deus, o cadeirante ficou de pé!! Há muito tempo isto não é impossível, nem é novidade. Desde seis meses após a minha lesão que eu fico de pé utilizando órteses. A primeira vez que fiquei de pe apos a lesão foi em uma maquina de ortostatismo, no Hospital Sarah. E foi o primeiro momento constrangedor que passei. A maquina e composta de uma plataforma que se parece com um púlpito, que a gente se aproxima de frente, prende os joelhos e é passado uma faixa sob o quadril. Aí é só ligar a máquina e ela puxa a faixa e vai te deixando de pé. A única dificuldade é passar a faixa por trás do quadril, temos que elevar o corpo para possibilitar que seja colocada atrás. Muito prático e simples de operar, assim que mas nesta época eu não tinha sensibilidade nem controle das necessidades básicas. Assim que a máquina puxa toda a faixa, ela pressiona o quadril e a barriga contra a plataforma, para estabilizar o corpo. Ao acabar o processo, foi só apertar minha barriga para as necessidades básicas funcionarem. E algumas "bolinhas" apareceram atrás de mim...
Cadeirante geralmente depende de alguém quando precisa pegar alguma coisa no alto
Depois dessa vergonha, o pessoal do Sarah confeccionou para mim um par de órteses de plástico, no formato das minhas pernas. Com elas, eu conseguia ficar de pé usando qualquer bancada, janela ou apoio firme, basta colocar as órteses e puxar o corpo para cima. Passei a fazer fisioterapia em casa, e usando a cabeceira da cama como apoio, ficava de pé três vezes por semana em casa. Algum tempo depois, iniciei a fisioterapia na clínica, e ficava de pé usando aquelas barras em forma de escada que ficam perto da parede. E depois quando iniciei a hidroterapia, ficou tudo mais fácil pois ficar de pé na piscina é bem melhor pois o peso do corpo diminui na água. Além disso não dá aquelas tonteiras que a gente sente quando fica de pé no solo.
Com a cadeira Stand Up, isso acabou!
Como minhas órteses ficavam na Aquafisio BH, onde faço hidro, eu acabava não ficando mais em casa. Até que descobri uma forma mais simples e parecida com a máquina do Sarah, a cadeira Stand Up, que usa um sistema elétrico para levantar o assento e encosto da cadeira até a posição de pé - ou melhor, quase totalmente de pé, pois é preciso ficar em um ângulo menor que noventa graus para não virar para a frente. A primeira que vi foi na Reatech em 2009, motorizada, que permite inclusive que o cadeirante rode de pé. É bem interessante, vi um cara rodando com ela na posição vertical e achei uma coisa de outro mundo. A solução para frequentar festas, onde a maioria geralmente conversa de pé, e a gente que é cadeirante fica tentando entrar no papo esticando o pescoço. Só que fui ver o preço do equipamento e quase cai para trás, na época era mais de quatorze mil reais (hoje já passa de 15 mil).
Como não era tão útil nem viável, deixei para lá. Até que em 2014 descobri que há um modelo mais em conta (nem tanto, afinal custa em torno de 6 mil), a Stand Up manual. É uma cadeira comum, com aros para tocar nas rodas, porém tem o sistema que deixa o cadeirante de pé. Alguns meses depois um amigo meu, o Cristiano, comprou uma, e fiz uma matéria aqui no blog sobre ela. O tempo passou, e acabei fazendo outra órtese para ficar em pé em casa. Assim não ficaria muito tempo sem ficar de pé, pois estava indo à hidroterapia apenas uma vez por semana.
Da posição sentado para de pé em poucos segundos
Porém, um belo dia, navegando pelo Facebook, vi que um cadeirante do estado de São Paulo estava vendendo uma cadeira Stand Up manual usada, por pouco mais de dois mil reais. Entrei em contato, combinamos o frete e fechei o negócio. Em uma semana ela chegou para mim. Tive um pouco de receio por estar comprando usada, mas por sorte ela estava realmente em bom estado, tudo funcionando direitinho, exceto pela bateria, que precisei trocar, mas o vendedor arcou com este custo.
Comecei a usar a cadeira e ela faz o que promete, coloca o cadeirante de pé. Como disse antes, não é totalmente vertical, a gente fica um pouco para trás, mas não atrapalha em nada. O importante ela faz, descarga de peso sobre as pernas, e permite alcançar qualquer coisa que esteja no alto - no meu caso é qualquer coisa mesmo, pois tenho 1,95m. Com ela consigo alcançar malas na parte de cima do armário, qualquer coisa que esteja em uma prateleira alta, copos e panelas que são guardados no alto, e até trocar lâmpada eu consegui trocar! Veja abaixo a avaliação dela no meu canal.
Se vale a pena gastar quase seis mil reais só para ficar de pé e alcançar alguns lugares? Sim, vale. Se tiver este dinheiro sobrando, vale a pena sim, pois não é só para alcançar, ela é importante para a saúde, pois com o tempo os ossos vão enfraquecendo, e ficar de pé mantêm os ossos mais íntegros, fazendo a descarga de peso sobre eles. Porém não é só comprar e ficar de pé, é preciso consultar com fisioterapeuta e ortopedista para verificar se você pode ficar de pé, um destes profissionais irá solicitar um exame de densitometria óssea, que irá verificar a força que tem nos ossos. Se está há anos na cadeira sem ficar de pé, corre o risco de já estar com os ossos fracos e pode ser perigoso ficar de pé assim. Veja a matéria que fiz sobre ortostatismo abaixo, e consulte sempre seu médico antes de fazer qualquer atividade!
http://www.blogdocadeirante.com.br/2009/08/importancia-do-ortostatismo_26.html

domingo, 31 de dezembro de 2017

Que o próximo ano seja melhor que o anterior

A ideia é sempre melhorar!
Como foi para você este ano que está acabando? Fez tudo que planejou? Realizou seus sonhos? Está mais feliz agora do que no início do ano? 
É isso que a gente sempre espera ao entrar em um ano novo. Que seja um ano bom em todos os sentidos. Que realizemos os planos profissionais e pessoais. Emagrecer, ficar em forma, conseguir uma promoção, um novo emprego, conquistar alguém, comprar um carro novo, uma casa nova, ter um filho, passar mais tempo com os filhos, passar mais tempo com os pais, ser mais paciente, bondoso e amável. Claro que não dá para fazer tudo em um único ano, por isso promessas de ano novo raramente são cumpridas. 
Com a maturidade a gente percebe isto, portanto a única promessa que faço ao entrar em um novo ano é fazer o possível para que seja melhor que o anterior. 
Este ano para mim foi um ano de extremos. Por um lado, aproveitei muito acompanhando o crescimento dos meus filhos. Realizei um sonho de conhecer neve e esquiar. Fiz muitos vídeos bons para meu canal do YouTube. 
Por outro lado foi o ano com mais dores crônicas da minha vida. Tudo de bom que fiz foi na raça, aguentando estas dores. Por isso não consegui fazer tudo que quis. Fiquei muito tempo de cama, muito tempo em hospital, muito tempo desanimado e até triste, coisa que nunca havia experimentado. E para tentar melhorar este quadro, ao final do ano, dia 5 deste mês, fiz mais uma cirurgia para tentar diminuir esta dor, implantando mais um eletrodo do neuroestimulador, desta vez acima da lesão, no pescoço. 
A cirurgia deu certo, porém ainda não foi eficiente no controle da dor. Há ainda dezenas de programações para tentar acertar na mosca, e pegar bem na dor. Ainda acho que o neuro estimulador será  
Entro no ano com esta esperança, de que consiga diminuir a dor e voltar a colocar meus planos em ação. Voltar a trabalhar, votar a escrever mais no blog, fazer mais vídeos, e ajudar mais gente. É isso que me realiza. Mas só nos tempos vagos, pois minha felicidade é minha família. Com ela e com menos dor, pretendo fazer este ano melhor que o atual. É o que desejo a todos vocês, que tenham um ano melhor que o que está acabando! 

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Iveco desenvolve van acessível a motorista com deficiência

Conceito Daily Life permite que deficiente seja motorista profissional
Mais uma vez a Iveco inova e mostra responsabilidade social. Durante o 2º Iveco Bus Experience, realizado no dia 7 de novembro em Sete Lagoas, foi apresentada a Daily Life, conceito baseado na Daily Elevittá, que mostrei aqui no blog ano passado. A diferença é que neste modelo o assento que é projetado para fora do veículo e desce até o nível da calçada através de um mecanismo de correias e esteira para receber uma pessoa com mobilidade reduzida, e sobe pelo mesmo sistema, é o do motorista. Uma vez dentro da cabine, através de adaptações veiculares convencionais, é possível dirigir o veículo como qualquer outra pessoa. Ao fim do trajeto, basta acionar o mecanismo - tudo por conta própria - e descer até a calçada para voltar à cadeira de rodas, muleta ou acessório de auxílio à mobilidade. A única tarefa não autônoma é guardar e receber a cadeira de rodas. Durante a apresentação do conceito pelo gerente de marketing de produto Gustavo Serizawa, foi sugerida a instalação de um Chair Topper para guardar a cadeira do motorista em cima da van. Porém este mecanismo serve somente para cadeiras dobráveis. Uma sugestão mais abrangente seria o próprio motorista guardar a cadeira no banco do passageiro, assim como fazemos em veículos de passeio. A dificuldade seria a altura da van, mas se houver uma forma de levá-la junto pelo mesmo mecanismo, facilitaria. Enfim, como é um protótipo (e eles já estão pensando nisso) tenho certeza que no produto final haverá uma forma.
O embarque é confortável e seguro com o Elevittá
A Daily Life tem espaço para até 18 passageiros, e pode também ser equipada com um assento Elevittá na lateral, que permite levar até três pessoas com mobilidade reduzida, assim um motorista com deficiência pode transportar outras pessoas com deficiência! Desta forma, será muito mais fácil a comunicação e compreensão das necessidades dos passageiros. Acontece muito de motoristas de vans ou ônibus perderem a paciência ou serem indelicados com pessoas com deficiência por não compreender suas particularidades. Se até o motorista for deficiente, a integração e inclusão serão mais completas e genuínas! Em um setor tão carente de investimentos e produtos que promovam a inclusão, esta solução permite a inserção de cadeirantes no mercado de trabalho, também na função de condutores profissionais. Há muitas pessoas que trabalhavam como motoristas e sofreram um acidente que impossibilitou a continuidade na profissão, e há também os que têm interesse em investir no segmento e esbarravam na falta de acessibilidade.
Agora é possível que motoristas profissionais embarquem com conforto e segurança
O sistema Elevittá leva a outro patamar o embarque e desembarque de pessoas com deficiência. É fácil de operar, pois os controles são simples e intuitivos, é rápido, comparativamente aos elevadores tradicionais, é confortável, pois é feito na poltrona do veículo, e é seguro, pois em todo o processo a pessoa fica com o cinto de segurança afivelado. Não há trancos fortes nem aqueles movimentos bruscos que tanto assustam quem usa elevadores de cadeiras de rodas tradicionais. A transferência da cadeira de rodas para a poltrona é rápida e segura, já que é possível encostar a cadeira nela e encontrar o melhor ângulo para jogar o corpo sem muito esforço. Uma vez na poltrona, basta descer o apoio de braço, colocar o cinto de segurança e acionar o comando para ser levado para cima suavemente. Ele vai primeiro para cima, até o nível do assoalho do veículo, depois para trás, até encaixar no lugar certo. Aí é só girar a poltrona e você está pronto para dirigir! Aponto apenas um defeito: o Elevittá estava sem a plataforma de apoio dos pés, o que deixou as pernas soltas na subida e no giro. Informei e disseram que será acrescentada na versão final. Fora isto, em todo o processo encontrei algumas dificuldades específicas da minha estatura: tive que abaixar a cabeça um pouco para passar pela porta, precisei puxar a perna por baixo do volante e posicionar a outra na diagonal para caber. Porém, tenho 1,95 metro, e mesmo assim eu coube. Poucos centímetros a menos e já não haverá estes problemas.
Dirigindo a Daily Life na pista de teste da Iveco. Alguém precisando de motorista aí?
Após testar o embarque e desembarque na apresentação oficial do produto, seguimos para a fábrica da Iveco, no complexo da CNH Industrial. Lá houveram algumas solenidades e fomos convidados a conhecer a linha de produção dos veículos e detalhes da fábrica. Logo em seguida fomos para a pista de testes da Iveco, única da América Latina destinada a veículos de grande porte. Havia stands de parceiros da Iveco e vários veículos para test drive. O único que me interessava - e que eu poderia efetivamente dirigir - era o Daily Life. Eu já havia dirigido micro-ônibus na Reatech em São Paulo, mas tive que ser carregado até a direção. Entrei novamente pela poltrona do motorista e me posicionei. O veículo estava adaptado com acelerador de aro por cima do volante, freio mecânico por alavanca embaixo do volante, e câmbio manual adaptado com embreagem automatizada. Aí realmente poderia ser melhor, a embreagem automatizada, que é acionada por um botão em cima da alavanca, não é o ideal. Com o acelerador de aro fica um pouco melhor, já que é possível manter uma mão sempre no volante, mas a operação de caixa manual é sempre mais trabalhosa para quem precisa usar as mãos para acelerar, frear, virar o volante e ainda operar seta, luzes e outras funções do veículo.
O controle é simples de operar e tem cabo extensor
Sobre o custo, o gerente Gustavo Serizawa estima que o projeto Life deve começar em valores que representem de 10%, 20% ou até 30% do valor de uma Daily Elevittá, que hoje custa em média algo em torno de R$ 160 mil a R$ 170 mil. Ele aproveita para informar que atualmente, 20% da produção da van Daily é na versão Elevittá, a maioria para o mercado interno. Fica aqui meus parabéns às equipes que desenvolveram o produto e montaram o evento de lançamento. Iniciativas como esta devem ser comemoradas e divulgadas, não conheço nenhuma outra empresa tão engajada com a inclusão e acessibilidade como a Iveco. Que venham novos produtos!!
Vejam a avaliação em vídeo:

Vejam a seguir outras matérias sobre produtos para inclusão da Iveco:
http://www.blogdocadeirante.com.br/2016/08/iveco-daily-elevitta.html
http://www.blogdocadeirante.com.br/2017/04/iveco-soulclass-o-1-micro-onibus.html

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Animal silvestre entra em casa de cadeirante e causa confusão

Flagrado na imagem da câmera de segurança
Anoitecia em uma segunda feira tranquila. Eu e minha família nos preparávamos para descansar. Sou cadeirante, e estava na porta da varanda relaxando enquanto minha esposa preparava o banho dos gêmeos Anne e Max, de um ano e nove meses, que brincavam em cima da nossa cama. De repente, ouvimos um estrondo vindo da sala, barulho de coisa caindo e quebrando. Achando que era um dos meninos que havia caído, eu corri para o corredor e encontrei minha esposa assustada, ela achou que eu havia caído da caeira. Mais barulhos vieram da sala, e fomos juntos, lentamente para ver do que se tratava.
O bicho era bem grande e ameaçador
Chegando na sala nos deparamos com uma ave preta enorme, de quase um metro, empoleirada no parapeito da janela, tentando sair mas impedida pela tela de segurança que havia do lado de fora. Imaginamos que se tratava de um urubu. Voltamos correndo para dentro levando as crianças, que haviam nos seguido até o corredor, e nos fechamos no quarto. Usando uma câmera de segurança posicionada na sala, avaliamos a situação pelas imagens que ela transmite para o celular. O bicho, assustado, tentava freneticamente sair. Ele havia entrado pela janela da área que dá na cozinha, e só tem grades paralelas, é a única da casa sem telas. A única saída fora esta janela da área, que estava escura, seria pela porta do quarto que fica no meio do corredor e dá na varanda, mas o bicho precisaria ser espantado nessa direção, atravessar o corredor e o quarto até chegar lá. Como espantá-lo chegando pela frente dele, evitando bicadas ou suas enormes garras? Eu não conseguiria voltar rapidamente, pois precisaria virar a cadeira completamente e tocá-la até o corredor. Minha mulher estava com muito medo de tentar ir até lá.
A gata Christie foi a primeira convocada para espantar o bicho
A primeira ideia que tivemos foi usar a gata da família, que também estava no quarto com a gente. Levamos o corajoso bichano até o fim do corredor, e este, assim que avistou a ave correu em sua direção, e nós corremos de volta para o quarto para acompanhar tudo pela câmera. A gatinha correu e pulou pelos móveis atrás da ave, até que esta encontrou refúgio em cima do bar da sala, inalcançável pela gata. Elaboramos o plano B: minha mulher vestiu um pesado casaco de inverno de couro, calças, e colocou uma bacia verde sobre a cabeça para protegê-la. A ideia era ir até a sala e espantar o bicho para que ele encontrasse uma saída enquanto eu acompanharia tudo pela câmera. Lá foi ela com aquela bacia fashion na cabeça. Chegando à sala, no primeiro movimento brusco, a ave voou novamente para a janela, chocando-se com a tela. Ela voltou correndo para o quarto.
O plano B foi enviar a corajosa Gi com "equipamento"de proteção
Plano C: ligar para o Eustáquio, porteiro do nosso prédio, para pedir ajuda. Como a porta do apartamento estava trancada por dentro, ele teria que entrar no apartamento ao lado, que está vazio, pular da varanda daquele para a varanda do nosso apartamento, e então ir até a sala tentar enxotar o bicho para a cozinha ou de volta para a varanda. Liguei e não consegui contato, o telefone dele estava desligado. Não dava para irmos até a cozinha chamar no interfone por causa do bicho. Aí liguei para meu vizinho Felipe, do andar de baixo, e pedi para ele chamar o Eustáquio e explicar o plano. Alguns minutos se passaram e ouvimos alguém nos chamando, era ele já entrando na nossa varanda. Abri a porta do quarto e encontrei com ele no corredor para explicar a situação e o plano. Se não desse certo, a gente ia chamar os bombeiros.
Como os antigos cavaleiros da Idade Média, Eustáquio tentou espantar o animal com uma varinha e uma bacia!
Armado da bacia verde, ele foi até a sala, onde viu que a ave havia retornado para cima do bar. Achou o bicho muito grande e disse que era um Jacú, e não Urubu. O Eustáquio então teve a brilhante ideia de abrir a porta do apartamento e enxotar o animal para o corredor, e depois assustá-lo pelas escadas até o hall do prédio. Abriu a porta e Felipe, o vizinho, ficou do lado de fora observando. Eustáquio pegou uma vara de pescar, que serve de bandeira para minha handbike, e foi até o bar cutucar a ave para que ela voasse para a porta. Percebendo a dificuldade dele para se aproximar do bicho, gritei que iríamos ligar para os bombeiros. Felipe ouviu e ligou lá da porta, e disse que mandaram ligar para a Polícia Ambiental. Nesse meio tempo eu também estava ligando, e disseram que iam mandar uma viatura. Enquanto aguardávamos, Eustáquio resolveu atiçar o bicho e este voou rapidamente para a porta. Neste momento, Felipe viu aquele bicho enorme indo em sua direção e instintivamente fechou a porta! Sem ter para onde ir, a ave voltou para a janela. Eustáquio em um pulo foi até lá e fechou ele do lado de fora, entre a janela e a tela de segurança. O problema estava parcialmente resolvido! Mas como tirar aquele bicho de lá?
Bombeiros posicionados para capturar o Jacú
Finalmente chegaram os bombeiros! Eustáquio subiu com eles e foram entrando um,dois, três... cinco bombeiros ao todo! Não imaginei que um pássaro precisasse de tanta gente para ser capturado! Um deles usava até equipamento de rapel! Se fosse o caso poderia até descer pelo lado de fora do prédio. Impressionante o profissionalismo e preparação que eles trabalham. Posicionaram-se pela sala de forma a cercar a rota do bicho caso ele voasse, um ficou filmando, e dois deles ficaram nas extremidades da janela. Um tocou de um lado e o outro abriu mais a janela do outro, quando estava quase pegando o bicho deu uma voadora (literalmente) e saiu voando pela sala e foi para a área, passando pela cozinha! Nenhum dos outros conseguiu pegar, mas o cara do rapel foi para a área, tocou de um lado e de outro até encurralar o Jacú no canto da área e finalmente o capturou!
Dominado pelo bombeiro, o animal estava bem assustado
Chegou na sala segurando o Jacú pelas pernas, como fazem com galinhas, e aproveitou para nos dar informações importantes sobre este animal. O Jacú é animal silvestre protegido por lei, sua captura ou criação é crime ambiental e pode dar cadeira! Algumas pessoas criam Jacú e cruzam com galo índio, para gerar o Jacú Índio, que é forte e agressivo, e é usado em rinha de galo. Atividade ainda mais proibida que dá cadeia do mesmo jeito. O bicho deixou algumas penas, várias penugens e um rastro de cocô por todo o ambiente.
Meu querido e raro relógio disco do Legião...
O pior mesmo foi quebrar meu relógio-disco, que fiz com minhas próprias mão usando um disco do Legião Urbana que ganhei na adolescência... Snif... Se alguém tiver contato com este tipo de animal, chame os bombeiros pelo número 193, ou a polícia militar ambiental, se houver na sua cidade, pelo número 190. E se você for cadeirante, fique ainda mais longe deste bicho, ou ele pode furar sua roda! Ou sua pele...

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

A solidão da pessoa com deficiência

*por Dayana Beatriz
Quero falar um pouco sobre a solidão da pessoa com deficiência.A deficiência, seja ela física, mental ou intelectual podem ser fatores que afasta o indivíduo dos modelos padrões estéticos, tornando assim tudo mais difícil. Estamos acostumados com a falta de acessibilidade, mas as dificuldades de convívio serão sempre maiores de se superar.
Vez ou outra aparecem aquelas pessoas que nos dizem: “Que bom que você saiu de casa!”, “Nossa, não sei como você aguenta” (já nem ligo mais kkkkkkk), e somos vistos como exemplo de superação, quando só estamos querendo se distrair, divertir… Na realidade é bem chato ficar ouvindo isso!
Quando é assim há deficientes que preferem não sair de casa, preferindo ficar no seu mundo virtual aonde “todos são aceitos”, “todo mundo é bonzinho”, e acabam se isolando do convívio social. 
A mesma coisa acontece quando há um casal onde um deles é cadeirante, o que é andante se torna herói por conviver com essa pessoa, é muito amável, bonzinho, e com os olhares de fora são pregados rótulos sobre o casal. 
Diante de tantas situações preconceituosas tem que se ter muito amor próprio para não desanimar. Acreditar que você é capaz, tem suas qualidades, investir nelas e não dar ouvidos a essas baboseiras que nos falam rsrs
As pessoas sem deficiência também devem deixar seus preconceitos de lado e tentar ver que no deficiente há muito mais do se vê na aparência, encontrando uma pessoa bacana, garanto que você pode se surpreender!
E digo mais, se isso não acontecer, não desanime. 
“Estar junto de alguém é bom, mas estar bem consigo mesmo é delicioso”

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Militar pratica esporte de ação na mata

Washington e alguns integrantes da equipe de Airsoft
O relato abaixo me foi enviado pelo amigo Washington Espíndola, que nos conta como descobriu em um esporte de estratégia uma forma de diversão e interação com os amigos.
"Queria dividir com os amigos do blog alguns momentos de mais um domingo especial, onde pude auxiliar na aplicação de mais um treinamento para a minha Equipe de Airsoft. Sou militar, hoje reformado. Fui baleado durante um assalto no Rio de Janeiro após ter sido identificado como sendo militar. 
No meio da mata com amigos e empunhando a arma de Airsoft
Uma de minhas paixões é o Airsoft. Para aqueles que não conhecem, a grosso modo é um esporte de ação onde se simulam missões militares, com objetivos definidos. Após ter sido baleado tive uma recuperação bem traumática, onde tive toda a sorte de complicações, permanecendo internado por cinco meses e 19 dias. Durante todo esse período os membros de minha Equipe, que hoje são meus irmãos não me abandonaram em nenhum momento. 
Não tem tempo ruim para entrar na mata com a cadeira de rodas!
Após minha recuperação não aceitaram meu afastamento e me mantém motivado a continuar. Junto a minha esposa Carolina, me estimulam e motivam a me manter ativo no esporte. E nesse domingo pude ajudar a conduzir um dos primeiros treinamentos aos novos trainees da Equipe. A intenção é mostrar aos amigos que apesar das dificuldades advindas da lesão, devemos persistir na busca da qualidade de vida, fazendo aquilo que gostamos."

Muito bacana o esporte! Parabéns e obrigado por compartilhar conosco sua história e sua paixão!

sexta-feira, 28 de julho de 2017

A importância da NBR nas Reformas de Casas e Apartamentos

Vai reformar? Siga as normas!
Reformar, muitas vezes altera a estrutura do imóvel. Uma coluna retirada indevidamente causa danos ao local e às pessoas. Mas, a corriqueira instalação de portas e janelas, por exemplo, também pode modificar a edificação. Por isso a importância da NBR nas reformas de casas e apartamentos. Pretende reformar? Leia esse artigo para conhecer os principais aspectos da norma que rege essas reformas.

O que é uma NBR?

NBR significa “Norma Brasileira” e representa um grupo de características ou orientações a cerca de processos, produtos ou materiais. As NBR’s são elaboradas pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), entidade privada e única representante da ISO (International Organization for Standardization) no Brasil.


Entenda a NBR 16820

A ABNT NBR 16820 surgiu em 2014, para evitar tragédias como a ocorrida em 2012, após o desabamento de um prédio no centro do Rio de Janeiro. O problema foi devido uma reforma sem acompanhamento técnico, onde paredes estruturais e paredes externas foram removidas. Foram 17 vítimas fatais.
Essa norma torna obrigatória um Laudo de Reforma, elaborado por engenheiro ou arquiteto. O documento traz informações de quais procedimentos serão realizados, equipamentos protetivos para trabalhadores e vizinhança, documentação, registros pré e pós-reforma, além de especificaras responsabilidades do proprietário. Em setembro de 2015, a NBR 16280 reforma ganhou uma atualização.
Um dos principais aspectos da norma é a responsabilidade do síndico. O profissional (ou administradora) tem a responsabilidade de autorizar, autorizar com ressalva ou vetar. Voltando ao desabamento ocorrido no Rio de Janeiro, a falta de envolvimento dele com a obra foi criticada. Segundo Fábio Sciliar, delegado titular da Delegacia de Repressão a Crimes contra o Meio Ambiente e Patrimônio Histórico (Delemaph), o síndico deveria ter comunicado as irregularidades da reforma à prefeitura, além de realizar Boletim de Ocorrência, citando o Código Civil.


Quando a ABNT 16280 é aplicada?

Em toda reforma de casa e apartamento que possa modificar a estrutura. Caso a intenção seja trocar suas antigas janelas e portas por portas e janelas de alumínio, com remoção de paredes, é necessário orientação e acompanhamento de engenheiro ou arquiteto. Saiba em quais situações se aplicam a essa norma:

1. Modificação de esquadrias, fachada-cortina e componentes;
2. Furos, aberturas, retirada e acréscimo de paredes;
3. Vedações que alterem a disposições iniciais da edificação;
4. Uso de ferramentas de alto impacto para alteração de revestimento;
5. Instalação e reforma de equipamentos contra incêndio;
6. Instalação e reforma de sistema de ar-condicionado;
7. Instalação e reforma de sistema de automação, dados e comunicação;
8. Instalações de sistema de gás;
9. Instalações elétricas;
10. Instalação e reforma de sistema hidrossanitário.

Você conhecia a importância da NBR 16280 para reformas? Confira aqui mais informações sobre obras e reformas.

Fontes

* por Robert Sena

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Esqui Adaptado no Valle Nevado, no Chile

Uma das coisas mais legais que fiz na vida!
Se tem uma coisa que me dá satisfação é descobrir algo que parece impossível de ser feito em uma cadeira de rodas e há uma forma de adaptar e fazer. Quem diria que é possível um cadeirante esquiar? Mas o que me dá satisfação mesmo, é experimentar esta coisa! E ainda por cima, realizar um antigo sonho. Meu sonho era conhecer neve e esquiar, pois um amigo de república, nos anos 90, foi aos Estados Unidos, esquiou e voltou dizendo que o esporte era minha cara, já que eu gostava de esportes radicais e descia montanha de bicicleta (antes de ser cadeirante). Mais de vinte anos depois, consegui esquiar! E ele tinha razão, esquiar é muito legal e é o tipo de coisa que eu gosto muito de fazer, pois envolve esporte, velocidade e emoção.
Chegando ao complexo Valle Nevado, um dos hotéis ao fundo
Não precisei ir aos EUA para experimentar o esqui adaptado, há alguns anos eu descobri que havia na Argentina e no Chile. Como conhecer o Chile também era uma vontade antiga, resolvi realizar dois sonhos de uma vez. Eu ia deixar este post por último, pretendia falar sobre a viagem ao Chile primeiro, mas resolvi colocar a sobremesa na frente do prato principal! Se você não quer esperar meus posts sobre o Chile, dê um pulo no Cadeira Voadora, a Laura fez posts excelentes sobre o país e ainda tive o privilégio de pegar dicas com ela pessoalmente! As informações sobre o esqui adaptado eu consegui pesquisando na Internet, em 2015! É que esta viagem estava programada para aquele ano, porém resolvi com a Gi ter filhos, e adiei esta viagem até este ano. E, apesar de minhas dores terem aumentado, juntei forças e encarei mais esta aventura. Não se aguento outra dessas...
Quanto mais sobe, a paisagem vai ficando mais branca e menos verde
Enviei alguns emails para a responsável pelo esqui adaptado no Valle Nevado, a Myrian Torralbo (mtorralbo@vallenevado.com) em 2015 e ela me explicou que o equipamento é seguro, tem instrutores especializados e toda infra estrutura necessária às aulas de esqui adaptado. Aulas? Eu me perguntei. Eu não quero virar profissional, só experimentar! Ela me explicou que, se a pessoa quiser se tornar um esquiador amador, ou até profissional, após algumas aulas você pode esquiar sozinho. As primeiras aulas, são com o instrutor te levando, segurando o "monoesqui" - é como eles chamam a cadeira. Eu iria em setembro daquele ano, mas já sabem porque não fui. Passou o tempo, e este ano resolvi ir no início de junho e experimentar o esqui adaptado. Mandei emails para a Myrian novamente, e a primeira resposta que ela me deu me deixou muito chateado: estariam fechados, só abririam no final de junho. Poxa, já tinha comprado passagem, reservado hotel... Pesquisei antes, e disseram que a temporada de esqui é de junho a setembro, por isso fiquei tranquilo. Mas não comuniquei com ela antes. Bola fora. Felizmente, duas semanas antes de embarcar para o Chile, caiu uma nevasca por lá e permitiu adiantarem a temporada. Ufa!
Loja para alugar roupa e equipamento de esqui
Reservei uma van para o Valle Nevado com antecedência, por indicação da minha irmã, que mora em SP, com a Fabiana, da BraChil Turismo, pelo WhatsApp (+56 9 6259-0772). Tudo em português, ela me disse que já tinha experiência com cadeirantes e a van me pegaria no hotel. Foi tudo como combinado, porém a van - como todas que peguei lá - era muito alta, e precisei ser carregado até o banco. Se não fosse o pessoal que estava indo junto - dois rapazes se ofereceram para ajudar - seria bem complicado subir. Seguimos viagem, e no pé da montanha, logo antes da subida principal, tem uma loja enorme para alugar roupa e material de esqui. Não deixe de alugar roupa completa, inclusive bota, e se for esquiar alugue capacete também.
Tomando um chá de coca na subida da montanha - sem ficar doidão!
A subida é longa, enjoativa (devido às curvas e à altitude) e linda. São 62 curvas, numeradas! E o visual vai mudando, cada vez mais alto, e com cada vez mais neve. No meio do caminho há um mirante onde é possível tomar um chá de coca. Sim, feito da folha que dá origem à cocaína, mas não se preocupe, não é tóxico, não dá onda e faz bem para adaptar ao ar rarefeito. Chegando à estação de esqui, tudo impressiona. Há vários hotéis, restaurantes e lojas. O visual é incrível, tudo muito branco e belíssimo. Mas nem tudo é acessível. Para chegar ao restaurante principal eu precisei ser carregado, não há elevador. Mas há gente acostumada a lidar com cadeirantes para ajudar. Há banheiro adaptado, mas estava em reforma, felizmente consegui usar assim mesmo.
Aqui o Gonzalo me explicando como segurar e utilizar os "alrrigues"
Depois de comer, com o belíssimo visual das pistas, fui para minha aula. O Gonzales foi meu instrutor, ele fala bem português e explicou detalhadamente como é o esqui adaptado. O aluno segura dois mini esquis chamados "alrrigues" (não sei se escreve assim) que auxiliam nas curvas e na estabilidade do monoesqui. O instrutor vai atrás segurando o monoesqui e o aluno vai seguindo as orientações, abrindo os alrrigues nas curvas e inclinando o corpo. O monoesqui tem dois esquis paralelos e móveis, ligados à cadeira por um amortecedor. O aluno fica preso à cadeira por vários cintos, é tudo muito seguro. E lá fomos nós!
No teleférrico, com Nicolas e o Gonzalo
O início é tenso, a gente não sabe a que velocidade vai e nem se é fácil tombar. A impressão que dá é que vai correr muito e que na primeira oportunidade a gente vai de cara na neve. Isto porque dá para perceber que há pouco atrito, é fácil escorregar. Mas logo nos primeiros metros já sentimos segurança, e dá para começar a curtir a descida. Ele desliza gostoso, o atrito com a neve é muito baixo. E a gente vai fazendo curvas para não ganhar muita velocidade. A cada curva é preciso abrir o braço para o lado que está virando e inclinar levemente o corpo. O Gonzalo vai dando as instruções, para que lado tem que inclinar, o quanto abrir o braço, e a gente começa a sentir o monoesqui. É uma delícia! O vento (gelado) batendo no rosto, as curvas, a velocidade aumentando, e ainda tem aquele visual incrível! De vez em quando passa em cima de um montinho e a gente sente o monoesqui levantando e amortecendo. Já fiz muitos esportes de aventura na vida, e este vai certamente para meu top five! Vejam no vídeo abaixo se não foi demais:

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...