quarta-feira, 24 de maio de 2017

Avaliação para indicação de cadeira de rodas

A cadeira de rodas deve ser fabricada de acordo com as medidas do usuário
* por Dra Maria de Mello
Você sabe o que é uma avaliação para a indicação de uma cadeira de rodas?
É a identificação de um sistema ideal para o usuário específico, composto de assento, encosto e uma base móvel para aqueles indivíduos que passam a maior parte do seu tempo assentados e que dependam desse sistema para mobilidade (mesmo que seja somente para longas distâncias). Para que isso ocorra, é necessário fazer uma avaliação extremamente detalhada e cuidadosa do usuário de forma a hierarquizar as intervenções necessárias, além de identificar as principais razões para a distribuição de peso inadequada, assimetrias e atitudes posturais indesejadas, e o que pode ser alterado dentro dos limites do conforto e funcionalidade. Antes de planejar a intervenção, deve-se considerar que na maioria dos casos todas as áreas corporais são interdependentes; um ajuste em uma região poderá afetar outras. Por isso a importância de seguir uma hierarquia de acomodações/correções, que pode variar de caso para caso.
Você pode ler um artigo completo acerca do tema em http://technocare.net.br/portal/wp-content/uploads/2015/02/artigo_SistemasdePosicionamento.pdf
Quanto mais moldada ao corpo, melhor.
Às quintas feiras à tarde a Dra Maria de Mello faz as avaliações gratuitamente na Technocare. É preciso agendar por email contato@technocare.net.br ou pelo telefone (31) 3443 2200.

terça-feira, 16 de maio de 2017

Cadeirante, mulher e dois bebês no avião

Família toda embarcada
Pense em uma comissária de bordo tensa... Assim ficou a comissária do vôo Belo Horizonte/Vitória no dia 21 de abril passado. Imaginem o que ela pensou ao ver chegar na porta da aeronave um cadeirante e logo atrás dele uma mulher com um carrinho duplo com dois bebês nele. No mínimo foi "danou-se...". Foi a primeira viagem de avião com os gêmeos. Deixamos o carro no estacionamento do Aeroporto de Confins e começamos a preparação. Para simplificar levamos somente uma mala grande e uma mochila, além da bolsa da Gi que parece uma mala - dessas enormes que cabe um monte de coisa de criança. Para complicar um pouco eu levei o Freewheel, o que na verdade ajudou, pois usei ele como suporte para levar a mala atrás da cadeira!
Para levar tudo improvisei um suporte para mala
Fomos andando do estacionamento até o check in, eu levando a mala atrás e a Gi levando os gêmeos no carrinho duplo. Chegando ao check-in (da Latam) primeiro problema: a atendente disse que não poderíamos viajar na primeira fileira, pois a aeronave tem airbag (!) e com criança no colo não é permitido. Depois de argumentar que eu não ando, e que se fosse viajar em fileiras mais atrás teria que ser carregado, e que a primeira fileira é reservada para pessoas com deficiência, ela conversou com alguém lá dentro e liberou. Aí veio o segundo problema, não poderíamos viajar juntos, na mesma fileira, eu e a Gi com os bebês no colo. Isso porque há somente quatro máscaras de oxigênio em cada fileira de três poltronas, portanto se a terceira poltrona estivesse ocupada, não haveria máscaras para todos. Concordei, mas perguntei: se não tiver ninguém na poltrona, podemos? Ela disse que eu teria que negociar na hora, com as pessoas que organizam o vôo (aqueles que atendem na porta da aeronave).
Ao ver esta turma chegando na aeronave, as comissárias piraram
Despachamos a mala, pegamos mais duas etiquetas para despachar a cadeira de rodas e o carrinho dos gêmeos na porta da aeronave, e nos dirigimos para o embarque. Aí vai a primeira dica para quem está em situação semelhante e vai voar: chegar com pelo menos uma hora e meia de antecedência, pois só nosso check in demorou quase meia hora! Chegamos no embarque e veio mais uma tarefa complicada, passar pelo sensor de metal. Tive que passar, ser revistado manualmente (como é com todo cadeirante) e esperar a Gi entrar com um menino, me entregar, voltar e passar com o outro. E aí ela passou sozinha, tirou sapato, passou toda a bagagem de mão no raio X, e aquele procedimento todo que é padrão nesta passagem.
Passando com o Max pelo sensor de metal
Depois de uns minutos passando pelo raio X chegamos ao guichê de embarque e choramos com os atendentes para nos colocar juntos na mesma fileira. Foram compreensivos, conversaram com alguns clientes e conseguiram! Muito legal da parte deles. Porém no embarque, o velho problema de aeronaves antigas da frota deles, a cadeira não passa nem na porta do corredor. Tive que ser carregado até a poltrona por duas pessoas. Aí tirei a almofada e o Freewheel para guardar e esperei minha esposa trazer o meu filho. Ela veio, deixou o menino, foi buscar a menina e despachar o carrinho de bebês. Uns quinze minutos para embarcar todo mundo...

Na ida, soninho gostoso e brincadeiras no chão
No vôo de ida a Anne dormiu o tempo todo e o Max ficou comigo, eventualmente descia para meus pés para brincar e se comportou muito bem. A Gi estava com medo que nossos filhos fossem como aqueles bebês que passam uma hora inteira de vôo gritando e chorando, passamos ileso desta vez! Chegando a Vitória, mais um transtorno previsto: não há finger (aquele corredor que vai até o avião) e o desembarque é sempre por escada. A ideia era, depois de esperar desembarcar todo mundo, descer com um menino, deixar no carrinho lá embaixo com alguém vigiando, voltar para pegar o segundo, e esperar meu desembarque. Mas um dos auxiliares da companhia se ofereceu para descer com o menino, e assim foi. E eu fiquei esperando vir aquela cadeira que desce escada, assim que chegou veio aquele desconforto de ser carregado até ele. Achei que por ser estreito passaria para o corredor, mas nada feito. Desci as escadas, transferi para minha cadeira e fomos nós para o desembarque. Chegando ao desembarque, meus pais estavam esperando, aí autorizaram minha mãe entrar na sala para ajudar com a bagagem.
Na volta, cada um de um lado do corredor
Na volta, não tivemos a mesma sorte da ida e não conseguimos viajar na mesma fileira. Mais uma vez um funcionário cismou que eu não poderia viajar com um bebê no colo na primeira fileira. Teria que ser na terceira ou quarta. Expliquei os mesmos argumentos da ida, mas o cara não queria dar o braço a torcer. Outro funcionário, mais coerente, percebeu o transtorno e constrangimento que seria e tratou de ligar para o pessoal de bordo para me posicionar na primeira fileira. Assim foi, após o embarque por escada, como todos são no aeroporto de Vitória, me acomodaram na primeira fileira com a Anne e a Gi foi do outro lado do corredor com o Max. Na viagem, mais uma vez meus meninos se comportaram bem, só no finalzinho a Anne ficou um pouco nervosa. Estava entediada, normal nessa idade.
No fim das contas, fomos e voltamos sem maiores transtornos, só um grande trabalho. Foi bom como experiência para as próximas viagens, principalmente se for mais tempo do que uma hora. Já temos outra viagem programada no final de maio para São Paulo, preparem-se, comissárias!!

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Iveco Soulclass - o 1º Micro Ônibus inclusivo do Brasil

Ao invés do cadeirante ir até a poltrona, a poltrona vem até o cadeirante!
Se você é uma pessoa com mobilidade reduzida e já andou de ônibus de viagem, provavelmente também se revoltou com o fato de a maioria deles ostentar o símbolo da acessibilidade na lataria. Principalmente se você foi carregado por aquelas escadas estreitas, sem a menor segurança e muito menos conforto. Eu me sentia um saco de batatas, e já fui derrubado uma vez. Felizmente não machuquei as batatinhas...
O belo design da carroceria ficou a cargo da Caio Induscar
Há alguns anos recebi e-mail de uma empresa de turismo de São Paulo, a Sunflower, que dizia ter o único ônibus de turismo adaptado do Brasil. Pegaram uma carroceria comum e instalaram um elevador na lateral, embutido no porta malas, que leva o cadeirante até dentro do ônibus. Vejam a postagem que fiz clicando aqui. Realmente, foi uma solução interessante, porém o cadeirante viaja na própria cadeira, como nos ônibus urbanos. Agora a Iveco lançou o SoulClass, que é o primeiro micro-ônibus realmente inclusivo do país. A solução para embarque do cadeirante foi obtida por meio do Dispositivo de Poltrona Móvel (DPM), da marca Elevittá, que leva a poltrona até a calçada, o cadeirante transfere, e a poltrona volta para dentro do ônibus, junto com as outras poltronas.
No interior não dá para diferenciar a poltrona adaptada das outras.
O projeto do SoulClass se enquadra nas regras da portaria 269 do Inmetro, que entrará em vigor em julho, e exige dos novos ônibus do segmento rodoviário equipamentos para embarque e desembarque de pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, disponibilizados também para outras versões, como os escolares. A versão executiva acomoda 24 passageiros, incluindo até dois cadeirantes, mais o condutor. 
O porta malas traseiro foi pensado para caber duas cadeiras ou mais, de modelos diferentes
E a mesma quantidade de passageiros podem ser acomodados na versão escolar. Isto é uma excelente notícia para alunos cadeirantes, que correm risco todos os dias embarcando carregados pelas escadas de ônibus precários. Aguardamos ansiosamente que esta solução chegue a ônibus maiores e permitam embarque digno nas viagens intermunicipais. Se houvesse pelo menos uma unidade destas operando na linha que vai de Belo Horizonte ao Aeroporto de Confins, eu não gastaria tanto com estacionamento no aeroporto. Passou da hora de surgirem ônibus acessíveis de verdade no Brasil. Parabéns à Iveco por mais esta iniciativa inclusiva e acessível! Vejam abaixo o vídeo que fiz do lançamento do Soulclass em São Paulo. E clique neste link para ler uma matéria sobre ele em que eu participei.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Encosto Ottobock Baxx

Este encosto dá muita estabilidade e segurança ao tronco
Você já sentiu meio instável em sua cadeira? Já sentiu que falta alguma coisa para apoiar seu tronco? Quem nunca, não é mesmo? Os encostos das cadeiras de rodas comuns não oferecem muito apoio lateral para o tronco - na verdade, acho que não dá para considerar a curvatura do encosto como apoio para o tronco. Por este motivo, é comum cadeirantes com comprometimento alto, uma lesão acima de T5 por exemplo, passarem por algum episódio de desequilíbrio na cadeira, levando altos sustos. Comigo, que tenho lesão em T2, já aconteceram alguns "quase" tombos no início da lesão, quando não tinha nenhum controle de tronco. Era só escorregar a mão do aro de impulsão que o corpo todo caia para o lado. Só não virava um tombo porque tenho os braços longos, e conseguia me apoiar no chão. Com o tempo, adquiri bastante força no tronco, mas ainda assim acontecem alguns desequilíbrios.
Vista do encosto Baxx por trás. Muito robusto, porém muito leve.
Quem não tem esta força, ou tem lesão mais alta, passa muitos perrengues devido à falta de apoio lateral. O encosto Baxx, da alemã Ottobock, tem abas nas laterais que podem ser ajustadas em qualquer nível de altura, individualmente. Isto é bom porque geralmente temos diferentes nível de força em cada lado do corpo - e muitas vezes há uma certa tendência de cair mais para um lado do que para o outro. Dá para deixar um lado mais baixo e outro mais alto, e esta foi a preferência do Mateus, atleta de tênis de mesa e proprietário da cadeira mostrada neste post.
Detalhe da trava que permite abrir a aba para facilitar a transferência
As abas são confortáveis, pois são acolchoadas como o resto do encosto. E para facilitar a entrada, elas são rebatíveis. Basta apertar um botão vermelho que fica na lateral do encosto e ela abre completamente, possibilitando transferir normalmente para a cadeira. Aí é só voltar a aba para a posição normal que ela trava automaticamente. Muito prático. Se você se interessou pelo encosto Baxx, envie um e-mail para blog.cadeirante@gmail.com, que tenho contato direto com a Ottobock e consigo encomendar para ser entregue em qualquer lugar do país! Vejam abaixo o vídeo que fiz na Technocare demonstrando o encosto com auxílio do Mateus.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Cadeira de Rodas Smart Exo

Finalmente uma cadeira monobloco com preço razoável
As vantagens da cadeira monobloco sobre a dobrável são indiscutíveis. Mais leve, mais ágil no dia a dia e em lugares estreitos, mais fácil de guardar sozinho no carro. Claro que também há desvantagens, ela não apoia tanto o corpo e alguns dizem que é menos confortável. Mas até isto tem mudado, com os opcionais que existem para uma monobloco é possível ter tanto conforto quanto em uma dobrável. Tanto que o avanço deste modelo sobre a dobrável é nítido, a cada dia mais cadeirantes estão optando pela cadeira monobloco. 
Barra inferior reforça rigidez e estrutura do quadro
Outra desvantagem que sempre foi apontada das cadeiras monobloco foi o preço elevado. Historicamente, cadeiras monobloco são bem mais caras que cadeiras dobráveis, por isso muitos cadeirantes, inclusive eu, começam com uma cadeira dobrável, e depois que pegam confiança e juntam algum dinheiro, trocam pela monobloco. E nunca mais voltam à dobrável.
Outra vantagem do modelo monobloco é o visual limpo
Com a evolução da tecnologia, e com a preferência cada vez maior pelas cadeiras monobloco, era de se esperar que seu preço caísse, devido à economia de escala. Demorou, mas finalmente tem surgido modelos abaixo de dois mil e quinhentos reais. É o caso do modelo Exo, da fabricante Smart. É uma cadeira monobloco feita em alumínio T-6, muito resistente e leve, Seu quadro sem as rodas e almofada, pesa apenas 8,5 kg (informações do fabricante). O assento e o encosto são em nylon, o que ajuda na redução do peso. Minha cadeira, um TiLite ZR, tem encosto e assento também em nylon, e não sinto diferença para os rígidos. Na verdade, vejo é vantagem em usar encosto maleável, dá para regular e deixar mais confortável.
Protetor de roupa com apoio superior facilita elevação e vestir roupa
A Cadeira Exo da Smart tem garantia de 5 anos no quadro e seis meses nas peças. Aguenta até 100 kg e tem muitos opcionais, que podem deixar ela do jeito que o usuário quer. Eu gostei particularmente do protetor de roupa, que tem apoio na parte superior - no modelo que está na Technocare à venda, e está em promoção. Quem não conhece ou está querendo mudar para uma cadeira monobloco, vale a pena dar uma passada lá, a loja fica na rua Piauí, 69, loja 3. Ou na loja virtual, clique neste link e conheça a Smart Exo.
Vejam abaixo avaliação que fiz da cadeira Smart Exo.

sexta-feira, 31 de março de 2017

Technocare

Com a Dra Maria de Melo em frente à Technocare
O Blog do Cadeirante fechou parceria com a Technocare, uma das maiores lojas de tecnologia assistiva do Brasil. Através dela, contaremos com a experiência da Dra Maria de Mello, que trará informações importantes sobre produtos e serviços voltados para pessoas com deficiência e irá tirar nossas dúvidas. Afinal, é fundamental ser bem orientado para tomar a decisão certa ao investir no nosso bem estar.
Além disso, vou auxiliar no atendimento da loja virtual da Technocare, onde estarão disponíveis os principais produtos demonstrados nas postagens do blog. Aproveitaremos para fazer novas avaliações de produtos voltados para melhorar e facilitar o dia a dia dos cadeirantes. Os leitores do blog poderão pedir por avaliações de produtos que tenham interesse, e nas postagens e vídeos buscaremos tirar todas as dúvidas sobre eles.

quarta-feira, 8 de março de 2017

Seguro de Automóvel para Cadeirantes

Não dá para arriscar perder um bem tão valioso
O índice de roubo de carros em Belo Horizonte é de 40 carros roubados por dia, e esta estatística envolve carros adaptados também. O Detran não faz distinção ao divulgar as informações se o carro roubado é adaptado ou não. A violência esta presente para todos.
Meu nome é Daniel Santos e eu como Corretor de Seguros sempre recebia ligação de pessoas aqui na minha corretora com dúvidas e informações de pessoas com interesse em fazer um seguro para seus carros, mas sempre na ligação a pessoa identificava que o seu carro era adaptado. Acredito que isso se deve porque a pessoa com deficiência, ao comprar um veículo novo ou usado, tem que adaptar o seu carro à sua necessidade e por isso é um público muito bem informado. Eu como corretor de Seguros sabia das regras e das Seguradoras que atendem melhor esse público, porém não tinha despertado o interesse em fazer um trabalho direcionado. Até que o número de clientes cadeirantes começou a aumentar muito e resolvi fazer uma parceria com o Blog do Cadeirante.
O importante a você que quer fazer um seguro ficar atento é que nem todas as Seguradoras irão te pagar 100% da tabela FIPE, No geral, o mercado paga 75%, porque o carro para deficientes tem uma isenção de impostos, e as Seguradoras na hora da Perda Total fazem a quitação dos Impostos de Isenção. Verifique com o seu corretor ou nos consulte para saber as Seguradoras que são as melhores tanto no atendimento, tanto para o pagamento dos 100% da Fipe. O ideal é fazer o seguro sempre com 105, a 110% porque nem todas as Seguradoras pagam despesas extras para pagamento das adaptações.
Outro detalhe importante é que como você compra o carro com isenção de impostos, a maioria das Seguradoras irá te pagar o preço do valor do carro na nota fiscal em caso de roubo/furto ou perca total.
Nos colocamos à disposição para atendimento e dúvidas.

Prevline Corretora de Seguros. www.prevlineseguros.com.br (31) 3309-3598.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Test drive na Fiat Toro 2.4 com adaptação universal

Além de linda a pick up tem espaço de sobra e motor forte
Já mostrei aqui a adaptação veicular universal portátil, que permite pessoas com mobilidade reduzida dirigir qualquer veículo automático ou automatizado. Com ela, podemos utilizar o carro de parentes ou amigos, ou ainda alugar um carro automático em uma locadora e dirigir com a adaptação. Agora vou mostrar outra aplicação muito útil para a adaptação universal: fazer test drive. Como sabem, cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida não podem fazer test drive antes de adquirir um veículo justamente por não haver veículos adaptados para test drive nas concessionárias. Acredito que não há interesse em disponibilizar veículos adaptados devido ao custo que isto pode representar e porque devem achar que não vale a pena separar um veículo para este fim por acreditarem que a demanda é baixa. Mesmo sabendo que veículos adaptados podem ser dirigidos por qualquer pessoa, podem achar que a adaptação atrapalha de alguma forma quem não precisa dela para fazer o test drive.
O fato é que a alternativa que a pessoa com mobilidade reduzida tem é pedir a alguém para fazer o test drive por ela e confiar na opinião dela ou buscar na internet test drive realizado por outras pessoas. Acontece que o test drive de uma pessoa com mobilidade reduzida deve considerar alguns pontos que uma pessoa sem deficiência não considera, como facilidade de acesso ao interior do carro, capacidade do porta malas e facilidade para guardar uma cadeira de rodas. Outra opção é comparecer a uma feira de tecnologia assisitva, como a Reatech, onde as montadoras disponibilizam veículos adaptados para test drive. Porém isto demanda tempo e dinheiro para ir à feira, e é preciso esperar até a época em que elas acontecem. Felizmente há pessoas com deficiência que fazem test drive nestas feiras e disponibilizam em seus canais, como é o caso do canal deste blog.
Por isto é importante nos mobilizarmos para demonstrar para as concessionárias que somos uma fatia importante do mercado e precisamos do mesmo tratamento de outros clientes. Se as concessionárias tivessem uma adaptação universal, possibilitaria a todos a realização de test drive. A Automax Fiat, localizada à Av. Raja Gabaglia 2222, investe na estrutura para deficientes e tem rampas para todas as dependências, banheiro adaptado e atendimento exclusivo para quem for adquirir veículo com isenção. E abriu suas portas para que eu fizesse um test drive na nova Fiat Toro 2.4 Freedom, com motor tigershark de 186 cv. É um carro muito confortável e forte, que não entra na regra de isenções por ser utilitário, mas isto não impede que uma pessoa com deficiência possa adquirí-lo. E essa é mais uma limitação que nós temos: não podemos aquirir utilitário com isenção. Mais uma regra desnecessária e sem motivo. Quer dizer que uma pessoa com deficiência não pode ter um sítio ou fazenda? Como se não bastassem as limitações que já enfrentamos todos os dias...
Muito conforto e tecnologia embarcada, aliado a prazer ao dirigir
Mas vamos às minhas impressões do test drive. A Fiat Toro é uma pick up belíssima, a mais bonita do segmento na minha opinião. E o tamanho dela agrada bastante, não é grande demais nem pequena demais. A porta tem um ótimo angulo de abertura, o que facilita aproximar a cadeira de rodas, e apesar de ser um veículo alto, não é difícil transferir para o banco do motorista. Uma vez transferido, o espaço interno surpreende. É bem fácil acomodar as pernas mesmo com uma adaptação instalada. A cadeira de rodas cabe com sobra na caçamba, que já vem com capota marítima, protegendo o que estiver lá dentro. Além da cadeira, cabe com folga cadeira de banho, kit livre, malas, e ainda dá para carregar um triciclo elétrico se tirar a capota marítima. Essa é uma das maiores vantagens de comprar uma pick up, levar um triciclo ou scooter elétrica, em uma viagem para praia, por exemplo,.
E apesar de ser um carro grande, com quase cinco metros de comprimento, ela é ágil no trânsito e fácil de manobrar. A direção elétrica ajuda bastante, e é outro item fundamental para quem tem mobilidade reduzida, principalmente pessoas com lesão alta e comprometimento de membros superiores. É importante não precisar fazer muita força para manobrar, e a direção elétrica deixa até as manobras curtas e lentas fáceis de realizar. Comandos no volante e sistema multimídia com tela touch completam o pacote de facilidades para quem precisa ficar com uma mão sempre na adaptação. É um veículo excelente para cadeirantes, porém não entra na regra de isenção. Mesmo se entrasse, esbarraria no limite de valor, que hoje é de 70 mil reais para isenção de ICMS. Mais uma vez, ficamos reféns dos limites absurdos para conseguirmos um mínimo de conforto e bem estar.

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