quinta-feira, 23 de junho de 2016

Fertilização na prática

Na fertilização dá para acompanhar o momento de inserir os óvulos fecundados
Já contei aqui em um post de setembro do ano passado, como chegamos à decisão de ter filhos e expliquei brevemente como foi a fertilização. Vou voltar ao assunto, a pedidos, fazendo um passo a passo do procedimento e contando outros detalhes. Lembrando que falo sempre do ponto de vista de um homem com lesão medular, que é o meu caso. O primeiro passo é definir que método é mais indicado. Para isto, é fundamental consultar com um urologista, preferencialmente um que tenha experiência com lesado medular. Quem faz acompanhamento no Hospital Sarah pode solicitar uma consulta com um urologista de lá. Neste momento o casal já deverá ter definido se o procedimento será realizado na rede pública ou particular.
O urologista deverá solicitar um espermograma para identificar se há espermas de qualidade e em quantidade suficiente na ejaculação retrógrada. Este tipo de ejaculação é muito comum em homens com lesão medular, a ejaculação acontece no ato sexual ou na masturbação mas não sai para fora do pênis, vai para dentro da bexiga. O espermograma então é feito pela masturbação e em seguida um cateterismo, então o médico avalia se há espermas bons na urina. Se houver, pode ser possível utilizar colher os espermas direto na urina ao invés de fazer a punção. A punção é a coleta dos espermas diretamente no testículo.
Fizemos na clínica Vilara, no Hospital Vila da Serra
Em seguida, a mulher consulta com um ginecologista, já na clínica escolhida, para verificar como está sua saúde e definir quanto remédio tomará para estimular a produção de óvulos. No nosso caso, pesquisamos por uns dois meses até escolher a clínica Vilara, que fica no Hospital Vila da Serra. O valor do processo todo ficaria entre quinze e vinte mil reais, a variação se deve à quantidade de remédios que a mulher toma, quanto mais velha, mais remédios. No nosso caso, a Gi estava com 37 anos, tomou o máximo sugerido, e acabamos gastando quase o máximo.
Foram introduzidos três óvulos fecundados, dos quais dois vingaram
A mulher começa então o tratamento tomando os remédios que estimulam a produção de óvulos e o médico vai acompanhando por ultrassons. Assim que a mulher atinge uma boa quantidade de óvulos, é marcada a retirada dos óvulos, e na mesma data é marcada a punção. A Gi produziu oito óvulos, e na data marcada ela foi encaminhada para uma sala onde foi feita uma espécie de raspagem, com sedação leve. Em seguida fui encaminhado para a punção, em uma sala ao lado. Eu poderia tomar anestesia local, mas como minha sensibilidade é pequena na área, dispensei. O médico fez a primeira coleta de espermas na parte externa do testículo, e levou para o laboratório, que fica ao lado. Na hora não resisti e falei para o médico: "é doutor, esse é o único exame em que o paciente não quer ouvir que não tem porra nenhuma!" Todos riram na sala. E logo veio a resposta do laboratória, não tinha espermas de qualidade.
Acompanhar o crescimento deles pelos ultrassons foi muito bom!
Aí o médico fez um corte na bolsa escrotal (o saco),  enfiou a seringa dentro do testículo e retirou mais uma leva. Mandou para o laboratório, e desta vez haviam espermas em quantidade e com boa mobilidade. Logo em seguida já iniciaram os processos para a fecundação. Na sala, outro médico fez o resto do trabalho, costurando a bolsa escrotal. Mais uma vez eu não aguentei e falei: "é cara, esse seu trabalho é um saco." O cara riu muito. E eu completei: "tá vendo, quem manda não sedar o paciente?" Não tem jeito, nem nessa hora eu fico sério.
O ultrassom 3D deu para ver a carinha deles
Aí fomos para casa e aguardamos notícias do médico. Em uns quinze dias eles nos ligaram, haviam fecundado quatro óvulos e marcaram para colocarem no útero da Gi. Fomos para uma sala com telas na parede e pudemos acompanhar a inserção dos óvulos, foram introduzidos três. Foi muito emocionante ver aqueles três pequenos pontinhos sendo colocados dentro do útero dela. A partir de então, fomos acompanhando a evolução dos óvulos em ultrassons semanais. Até a quarta semana, os três estavam crescendo, mas a partir da quinta semana um deles involuiu. Os dois continuaram crescendo e deram origem aos meus filhos, Anne e Max. Vejam no vídeo abaixo meu depoimento sobre a fertilização.

terça-feira, 14 de junho de 2016

O amor da minha vida

Sabe quando tudo parece se encaixar e não precisa mudar nada? Assim é nosso amor!
Nossa história começa em Viçosa, onde estudamos, no final dos anos 90. Na época ela fazia graduação em engenharia civil e eu fazia pós graduação em administração. Uma amiga da pós me chamou para sair e chamei um amigo, e ela ficou de chamar uma amiga também, e nos encontramos em um boteco. Ela era a amiga dela, conterrânea da mesma cidade. Ficamos batendo papo, eu já estiquei um olho para ela e comecei a lançar minhas cantadas infalíveis. Depois de algumas cervejas, dei a ideia de ir para outro bar. Depois de algum tempo jogando charme dei o golpe de misericórdia e a beijei. 
Ficamos juntos até eu levar todos em casa, afinal era o que único que tinha carro. Fui deixar ela em casa por último, e tentei arrastar para “um lugar mais tranquilo”, mas ela resistiu, não sei como. Fui embora e ficamos um tempo sem nos ver, até nos esbarrarmos em uma boate. Conversamos um pouco até ela não resistir novamente ao meu charme. Depois de muitos beijos ardentes usei a mesma estratégia, fui deixar ela e as amigas em casa deixando ela por último. Mais uma vez ela resistiu a ir para outro lugar. Estava se fazendo de difícil.
Depois disso ficamos mais uma vez em um bar, mas eu precisei ir para casa mais cedo já que tinha namorada na época e morava com ela numa cidade perto de Viçosa. Depois disso ficamos muito tempo sem nos ver, alguns meses. Até que um belo dia eu estava comprando pão em uma padaria e a vi. Mexi com ela e ela fingiu que não me conhecia, mas logo se lembrou - afinal, com 1,95 metro eu não era tão fácil de esquecer. Fui levar ela em casa, como estava de bike, fui acompanhando ela a pé. Chegando lá dei uns pegas nela na porta da casa dela. Depois disso começamos a ficar com mais frequência, e ela finalmente descobriu que eu tinha namorada. Depois de me chamar de cachorro várias vezes, caiu na velha história que eu estava mal com a namorada, terminaria com ela logo, e continuei enrolando. Algum tempo depois ela começou a pressionar para eu terminar com a namorada. Aí percebi que a Gi era uma pessoa bacana, gostava mesmo de mim, então terminei com a outra.
Namoramos por quatro meses, até que resolvi partir para novos horizontes. Terminamos algum tempo depois do baile de formatura dela e nos distanciamos um pouco, mas ainda mantivemos contato por e-mail. Eventualmente trocávamos mensagens e nos encontrávamos. Até que, 2006, eu estava solteiro, fazendo mestrado na UFSC em Floripa, e vieram as primeiras férias. Vim para BH e liguei para ela – eu sempre dava uma olhadinha se alguém estava mexendo nas minas gavetas. Ficamos juntos e na semana seguinte fui a Viçosa para encontrar outra ex namorada e no dia de voltar para BH sofri o acidente. Como eu estava na casa daquela ex-namorada, acabamos voltando o namoro. Dali a dois meses acabou tudo de novo, e comecei a namorar uma das enfermeiras do hospital em que eu estava. Nesse meio tempo, o contato com a Gi se intensificou.
Ela estava morando em Salvador, mas disse, em um certo momento, que sempre gostou de mim e mudava pra BH o mais rápido possível se eu largasse a enfermeira e investisse nela. Resolvi aceitar a proposta e em um mês ela estava em BH e reiniciamos o relacionamento. Logo ela já mudou de mala e cuia pra casa dos meus pais, onde eu estava morando, e em pouco tempo nos mudamos para um apartamento "só nosso".
Desde então somos companheiros em tudo, viagens, aventuras, enfrentando os problemas de acessibilidade e para completar nossa linda história de amor, fizemos duas pessoinhas lindas!
Em suma, temos um relacionamento maravilhoso, como já namoramos antes pulamos aquela parte chata dos ciúmes descabidos, das briguinhas bobas, vivemos muito bem há nove anos e meio e nos amamos profundamente. O negócio é ser feliz, independente das diferenças!

sábado, 4 de junho de 2016

Test drive de cadeirantes

Test drive, só "compartilhado"
- Pai, estou querendo trocar de carro.
- Que bom, já escolheu o modelo.
- Sim, já. Mas preciso de uma ajudinha...
- Hmmm lá vem. De quanto você precisa?
- Não é dinheiro, preciso de um test driver.
- De que?
- De um test driver. Um motorista para fazer um test drive por mim...
Esse diálogo é fictício mas pode acontecer com qualquer um que não possa dirigir um veículo que não seja adaptado, como quem sofreu lesão medular e usa cadeira de rodas. Eu mesmo já pedi a um amigo que estava para trocar de carro para me chamar quando fosse fazer test drive em um veículo que me interessava. Porque não podemos fazer test drive? Simplesmente porque não há veículos adaptados para test drive nas concessionárias. Nem em lugar nenhum! Pelo menos aqui em Belo Horizonte.
E porque é importante fazer test drive? O test drive é uma das etapas mais importantes na aquisição de um veículo. Primeiro a gente levanta os fundos – no bom sentido – pesquisa as opções na faixa de preço que podemos pagar, faz um comparativo dos itens de série que cada um oferece, e vai à concessionária conhecer o escolhido para fazer o test drive. Afinal, sentar no veículo é uma coisa, dirigir, sentir a direção, estudar as dimensões do veículo em manobras, e muitas outras coisas só é possível experimentar se fizer um test drive. Só que o comprador é cadeirante, e aí? Como podemos, então, fazer test drive em um carro se não há veículos adaptados para deficientes nas concessionárias? A solução é pedir a alguém de confiança para fazer o test drive por nós. Ou ir a uma feira de tecnologia assistiva, como a Reatech, para fazer o test drive nos veículos que temos interesse. Na feira as montadoras aproveitam para disponibilizar os veículos que tem mais saída para deficiente Se o veículo que a gente quer não está na feira, temos que recorrer ao "test driver" mesmo...
Verificar se o porta malas é bom para acomodar bem a cadeira de rodas
Na impossibilidade de fazer o test drive, que itens devemos observar em um veículo na hora da compra? Em primeiro lugar, devemos testar a facilidade para transferir para o carro do lado do motorista. A primeira observação deve ser em relação à porta. Quanto mais a porta abrir, mais perto vai dar para chegar com a cadeira, e mais fácil será para transferir. O segundo ponto a se observar é a altura do banco. Carros mais altos são mais difíceis para transferir. Mas isto não precisa ser fator de eliminação, pois é possível desenvolver técnicas para subir em carros mais altos sem fazer muito esforço. Só não dá para ser muito difícil, afinal é uma tarefa que será realizada quase todo dia – isso para quem trabalha.
Outro ponto importante é o espaço interno. Isto é especialmente importante para quem é alto, como eu. Como o veículo deve ser adaptado, se a adaptação for como a mais comum, uma barra embaixo do volante para aceleração e frenagem, tem que ter espaço suficiente para passar as pernas embaixo. Eu já machuquei os joelhos em um carro com pouco espaço interno. Outro item que considero crucial - que é opcional, mas muitos carros já tem de série, são comandos no volante. Como temos sempre uma mão ocupada com acelerador e freio, a outra mão deve sempre ficar no volante, e os comandos de rádio, telefone e piloto automático no volante fazem a diferença. Outra facilidade são as borboletas para trocar marcha atrás do volante. Em carro com câmbio automático é desnecessário, mas se for automatizado, elas permitem subir ou descer marchas mesmo no modo automático. Facilita muito em subidas e descidas para manter o motor no giro ideal.
Agora vem a segunda etapa do test drive – o porta malas. Cadeirante que compra carro sem considerar o tamanho e formato do porta malas pode ter muito aborrecimento pela frente. É muito importante verificar se a cadeira de rodas entra com facilidade no porta malas e deixa algum espaço para bagagem. Veja no vídeo acima minhas considerações.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Como adaptar a casa para cadeirante

As rampas devem seguir as medidas mínimas sugeridas pela NBR 9050
Quando há necessidade de receber um cadeirante em casa, seja devido a um acidente que causou uma limitação motora ou devido a um relacionamento com uma pessoa que use cadeira de rodas, muita gente sente um frio na espinha ao imaginar uma obra enorme, com a casa toda quebrada e a conta bancária vazia. Mas não é bem assim, hoje em dia com a proliferação de cadeiras de rodas mais curtas e ágeis, fica mais fácil adaptar a casa. Por isso é importante considerar que tipo de cadeira de rodas a pessoa utilizará (ou utiliza). Se a pessoa sofreu uma lesão baixa e está com membros superiores intactos, poderá se adaptar facilmente a uma cadeira monobloco, que é mais curta e ágil, o que facilita manobras em espaços reduzidos. Se for uma lesão alta, que comprometeu os braços, e será necessário usar uma cadeira dobrável ou motorizada, a necessidade de espaço será maior, portanto precisará fazer mais obras.
A primeira coisa a se adaptar são as entradas e passagens da casa. Uma cadeira de rodas normal tem largura entre 60 e 68 centímetros, a exceção são cadeiras feitas sob medida para obesos. Esta medida é suficiente para passar por portas tamanho padrão, de setenta centímetros. Será necessário trocar a porta somente se ela ficar em uma quina, ou de frente para um corredor estreito, e a cadeira que o cadeirante for utilizar for muito grande. Até cadeiras monobloco maiores, como a minha, conseguem virar em lugares assim. O que sugiro é fazer um test drive com uma cadeira similar ao que o cadeirante for usar para ver se passa em todas as quinas e portas.
Projeto de rampa elaborado dentro da NBR 9050
A porta do banheiro, porém, deverá obrigatoriamente ser trocada. A obra pode ser simples, basta retirar a porta existente, quebrar em um dos lados e colocar uma porta maior, de pelo menos setenta centímetros. Mas recomendo aproveitar a obra e colocar logo uma porta de correr, de oitenta centímetros, pelo menos. Passando para dentro do banheiro, a primeira coisa a se adaptar é a mangueira do chuveirinho. É fundamental comprar uma mangueira maior para permitir ao cadeirante lavar "as partes" sozinho. Se não quiser comprar ou não encontrar a mangueira grande, dá para juntar dois pedaços de mangueira com um pedaço oco de antena de televisão. Meu tio Altair fez para mim e uso assim até hoje! Além da mangueira, é importante adaptar a pia, deixando livre o vão por baixo dela, de forma que seja possível entrar com a cadeira embaixo e utilizar com conforto.
Passando para o quarto, as adaptações mais importantes são a cama, que deve ser da altura da cadeira de rodas, e o armário, que deve ter portas fáceis de acessar e gavetas e cabides em uma altura suficiente para que a pessoa possa alcançá-los.
Na cozinha a atenção deve ser quanto aos armários e prateleiras. Os armários abaixo da pia devem ter um vão livre na parte de baixo que dê para passar os pés com folga, sem raspar. Esta configuração é boa se a cozinha não tiver muito espaço para circular (como na maioria dos apartamentos). Os armários acima da pia não podem ser muito altos, de forma que o cadeirante consiga alcançar objetos guardados ali. As prateleiras não podem ser muito altas, e as que forem mais baixas devem ficar acima das pernas do cadeirantes.
Projeto que elaborei para uma cozinha totalmente acessível
Na sala, o importante é que a mesa tenha um vão grande o suficiente para entrar com a cadeira de rodas. O ideal são mesas com pés paralelos, que não tem nenhum obstáculo para as pernas. O sofá segue a mesma lógica da cama, ele deve ser da altura do assento da cadeira de rodas, para facilitar a transferência. Um conforto que pode ajudar no dia a dia é o chase, aquela extensão do sofá, que pode trazer alívio para as pernas.
Veja no vídeo abaixo algumas destas considerações.
Estes são os ambientes que considero importantes e que me garantem um certo nível de conforto, claro que há muito mais opções a serem adaptadas em uma casa, a gente está sempre evoluindo, mas partindo destas dicas é possível adaptar boa parte dos ambientes.
Agora, uma dica importante: se você vai receber um cadeirante por um fim de semana, ou só eventualmente, e quer que ele tenha o mínimo de conforto e possa pelo menos tomar banho, mas não pode (ou não quer) fazer uma obra em sua casa, tem uma solução: basta comprar a mangueira do chuveirinho e uma cadeira de banho de rodas pequenas. Isso se ele for com uma companheira (o) ou você não se importar em levar e buscar ele no banheiro.

Sem Degraus Consultoria em Acessibilidade: http://semdegraus.blogspot.com.br/

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Testando o Up Rose

Aparelho Locomotor Multifuncional - made in Brasil!
Muitos cadeirantes sonham voltar a ficar de pé e voltar a andar, alcançar as coisas, olhar pela janela ou até mesmo dar um abraço de pé. Para ver sua mãe assim de novo, a Rosana, mineira de Belo Horizonte criou o Up Rose, que tem este nome em homenagem a ela. A mãe dela sofreu um acidente e lesionou a medula, ficando paraplégica.
É muito legal se movimentar de pé novamente pelo ambiente, ver novamente os móveis e as pessoas de cima. É quase como andar de novo, com a vantagem de não fazer esforço. O aparelho é uma alternativa interessante aos inviáveis exoesqueletos fabricados no exterior, porém não pode ser utilizado em ambientes externos, pois não ultrapassa obstáculos como desníveis ou buracos. Para usar dentro de casa ou shoppings é uma maravilha. Além disto tem uma vantagem, muito importante: praticar o ortostatismo (ficar de pé) para melhorar a circulação, evitar osteoporose, estimular o intestino entre outras vantagens. Porém, ficar de pé em casa, ou na fisioterapia, costuma ser muito chato, a gente fica de frente para uma parede ou algum canto da casa, sem muito o que fazer além de alguns exercícios. O Up Rose torna esta atividade divertida e acrescenta várias utilidades ao ortostatismo, além dos exercícios para tronco e membros superiores.
Há opcionais para atender vários tipos de limitações
Para subir nele não senti dificuldades, foi só posicionar a cadeira, colocar os pés para dentro, chegar na beirada da cadeira e puxar o corpo para cima. Simples assim! Achei que fosse desequilibrar, devido ao meu tamanho e peso, mas nada disso aconteceu. Como o motor e as baterias dele ficam na base, o peso dela facilita o equilíbrio ao subir. O João ficou na frente dando apoio, mas me disseram que basta encostar na parede para conseguir subir sozinho nele. Após subir, é só fechar a porta de segurança e instalar apoios atrás e na frente para o corpo ficar bem travado. Como há apoios no joelho, a gente fica realmente estável dentro do aparelho. Se for necessário, há um módulo para apoiar as costas e dar mais estabilidade ainda. No meu caso, testei, mas achei desnecessário. Apesar de minha lesão ser alta, tenho bom controle de tronco, como verão no vídeo abaixo.
Ao longo do teste, achei muito fácil conduzir o Up Rose, desviar de obstáculos e passar por portas. Muito seguro, muito estável. E na hora de descer, foi tão fácil quanto subir, é só retirar os apoios, destravar a porta traseira e descer o corpo até a beirada da cadeira. Pronto, é só se posicionar na cadeira, levar o Up Rose até um canto com o controle remoto e voltar a rodar sentado! 
O Up Rose já está sendo comercializado por representantes regionais, no site tem os telefones e emails da equipe comercial. Ele custa 15.900 reais e pode ser adquirido através do Crédito Acessibilidade do Banco do Brasil. A representante mais simpática e acessível é a Dilma (que não está curtindo ser xará de uma certa presidente), os telefones dela são (31) 99891-5627 / 99360-5077 e o email dela é riosdilma@hotmail.com.

sábado, 16 de abril de 2016

Como solicitar isenção de IPI e ICMS para deficiente

A gente enfrenta um pouco de burocracia, mas vale a pena para comprar um possante!
Dirigir - ou voltar a dirigir - é um dos primeiros sonhos de quem vive em uma cadeira de rodas. O motivo é simples: independência. É muito chato ter que pedir para pai, mãe, irmão ou esposa para te levar onde você precisa, e fica muito caro chamar táxi toda hora para quem não tem um parente com tempo livre por perto. Se a pessoa trabalha ou estuda, fica ainda mais complicado depender de carona ou táxi todo dia. Outra alternativa é o transporte público, mas a falta de estrutura para cadeirantes, como ônibus com elevadores e estações com acessibilidade, desanimam qualquer um. Sem contar o tempo de espera e a empurração, reflexo da falta de respeito dos outros passageiros...
Além da necessidade, temos outro grande incentivo para adquirir um veículo: as isenções de impostos. Deficientes são isentos de IPI e ICMS na aquisição de um veículo zero quilômetro. Também são isentos de IOF no financiamento do veículo e não pagam IPVA enquanto estiverem com o veículo em seu nome. Estes dois últimos podem ser aplicados a veículos usados, se o deficiente for adquirir um veículo usado financiado, podde solicitar isenção de IOF. Quanto à isenção de IPVA, é um alívio não pagar este imposto todo ano, já que não vemos mesmo onde ele é aplicado, pois as estradas continuam esburacadas.
Mas vamos à isenção de IPI e ICMS, que são os principais impostos e significam um desconto de 25 a 35% do valor do veículo, dependendo do carro e da marca. A Fiat, por exemplo, dá 5% de desconto em veículo para deficiente, além do desconto dos impostos. E qual o procedimento? Tratando-se de processo em repartição pública, a primeira coisa que a gente pensa é: "Ih, lá vem burocracia..." Sim, lá vem. Muita. Tanta que a maioria das pessoas prefere contratar um despachante. Porém há uma boa notícia: houveram melhorias na solicitação que facilitam e agilizam o processo. Aqui em Minas, nem precisa mais ir à SEF para entregar os documentos e formulários, é possível enviar tudo pela internet. E os prazos? Já foram bem maiores no passado. Quando solicitei as primeiras isenções, em 2007, demorou quase seis meses. Nesta última (estou adquirindo o terceiro carro com isenções) foi menos de um mês e meio o IPI e quinze dias o ICMS.
No vídeo acima eu explico os principais passos para solicitar as isenções. Logo abaixo estão os links para a página de isenções na Receita Federal, os documentos necessários para solicitar isenção de ICMS no Estado de Minas Gerais, link para solicitar a isenção e para Fazendas Estaduais de SP e RJ. Nos sites há as instruções para solicitação e os formulários necessários.
- Receita Federal do Brasil
http://idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/tributaria/isencoes/isencao-do-ipi-iof-para-aquisicao-de-veiculo/isencao-ipi-iof-para-pessoas-portadoras-de-deficiencia-fisica-visual-mental-severa-ou-profunda-e-autistas
- Secretaria de Estado da Fazenda de MG
Documentos:
http://www.fazenda.mg.gov.br/empresas/impostos/icms/docisencaoicms.htm
Solicitação da isenção:
https://www2.fazenda.mg.gov.br/sol/ctrl/SOL/SERVWEB/CADASTRO_001?ACAO=VISUALIZAR
- Secretaria de Estado da Fazenda de SP
- Secretaria de Estado da Fazenda do RJ

terça-feira, 5 de abril de 2016

Opcionais das Cadeiras de Rodas

Farol de xenon, vidro fumê? Daqui a pouco vão oferecer!
"Este modelo é ótimo, mas se você incluir esta roda mais esportiva, ficará bem mais bonito. Recomendo também assentos mais confortáveis, e você pode pedir ainda para lamas mais modernos." Estas frases não são de um vendedor de carros, mas sim de um vendedor de cadeiras de rodas. A cada dia aparecem mais opcionais e firulas que nos oferecem na hora de comprar nossa parceira. Mas afinal de contas, que itens são importantes e podem te oferecer mais praticidade e conforto, e o que é desnecessário? Há ainda os opcionais estéticos, que deixam a cadeira mais limpa, mais bonita.
Claro que há a questão pessoal, itens que eu julgo necessários podem parecer bobagem para algumas pessoas. De qualquer forma é sempre bom ouvir a opinião de quem está a quase dez anos vivendo sobre quatro rodas. Com este intuito fiz o vídeo acima. Depois de publicá-lo percebi que um dos itens ia dar polêmica: o assento rígido. Acredito que a maior parte das pessoas vá preferir este tipo de assento. Isto porque o assento de lona que vem em algumas cadeiras nacionais cede com o tempo e fica desconfortável. No vídeo, usei como comparativo o assento da TiLite, que é de lona mas muito firme. Uso há três anos e não cedeu nem um centímetro. Por isto acho desnecessário assento rígido, na verdade até prefiro o de lona para aqueles momentos em que precisamos usar a cadeira sem almofada (quando ela molha e não há outra por perto). Quando precisei fazer isto na M3, foi bem ruim, pois não tenho muito amortecimento na bunda...
O mais importante ao escolher os opcionais é não se deixar levar pela emoção. Grande parte dos itens oferecidos tem um componente de estética, como rodas bonitas, encostos de fibra de carbono ou peças coloridas. Claro que, se dinheiro não for problema, peça tudo que for do gosto, mas como a maioria das pessoas não tem esta facilidade, é preciso focar nos itens que realmente fazem a diferença em conforto e praticidade. Com o tempo, é possível comprar peças avulsas e melhorar gradativamente a cadeira. Até que ela fique "tunada" ao seu gosto!

sexta-feira, 25 de março de 2016

Regulagens na cadeira de rodas

Com um jogo de chaves Allen é possível regular grande parte das peças de uma cadeira de rodas.
Deixar a cadeira na medida certa e plenamente confortável é um desafio e pode levar anos. Um dos principais motivos é a dificuldade de encontrar profissionais que saibam fazer todas as regulagens necessárias. A alternativa que temos é aprender por conta própria a mexer e regular nossas cadeiras. Porém, muita gente tem dificuldade em segurar a cadeira e apertar determinados parafusos, se este for seu caso, será preciso a ajuda de alguém. Mas de qualquer forma, temos que aprender!
Antes de mostrar as possíveis regulagens, a dica que dou é regular a cadeira toda na hora da compra, junto ao vendedor. O problema é a dificuldade de encontrar lojas dedicadas a cadeiras de rodas, ainda mais que tenham profissionais capacitados para fazer as regulagens corretas. Minha sugestão é viajar até uma cidade que disponha disto, como São Paulo ou Rio, para fazer um test drive na cadeira que deseja adquirir e regular ela corretamente para maior conforto. A Reatech é uma boa oportunidade para fazer o test drive, só que já fiquei sabendo que este ano não terá!
Se não conseguir fazer nada disto, a sugestão é adquirir uma cadeira que tenha muitas opções de regulagens e levá-la a um fisioterapeuta que entenda de cadeiras de rodas ou ao Sarah, que na minha opinião é o melhor lugar para isto. O importante é deixar a cadeira bem ajustada para sua deficiência e tamanho. Uma cadeira mal ajustada pode trazer sérios problemas futuros – e a gente sabe que problemas nós cadeirantes já temos o suficiente.
Fiz três vídeos mostrando alguns ajustes que fui aprendendo a fazer ao longo tempo – frisando que só consigo fazer isto por ter quase dez anos de lesão e ter estudado bastante o funcionamento destas nossas parceiras!

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