segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Nova parceria do Blog

A partir deste mês, o Blog do Cadeirante inicia uma parceria com o professor de Educação Física Felipe de Souza Lima, que é cadeirante e especializado em atividades físicas para pessoas com deficiência. Felipe mora em Juiz de Fora/MG, se formou em 2017 e trabalha na área desde então. Já foi estagiário no Projeto Aviva e trabalhou no Clube Bom Pastor, naquela cidade. Aqui ele vai falar sobre a importância da atividade física para pessoas com deficiência, como estas atividades podem ajudar na diminuição de dores crônicas e outros temas relacionados. Se tiverem dúvidas ou sugestões de temas a serem abordados, sintam-se à vontade para comentar! Abaixo segue uma breve apresentação do Felipe:

Felipe carregando a Tocha Olímpica em 2016
"Meu nome é Felipe de Souza Lima, tenho 27 anos, sou Professor de Educação Física, sou Bacharel em Educação Física, pela Faculdade Metodista Granbery, Licenciando também pela Faculdade Metodista Granbery e Pós Graduado em Atividade Física Para Pessoas com Deficiência pelo Centro Universitário Internacional Uninter, pólo Juiz de Fora, Palestrante sobre Musculação para Pessoas com Mielomeningocele e sobre os benefícios da Atividade Física Para Pessoas com Dor Crônica, professor de educação física pelo grupo de apoio ao tratamento da dor crônica"
Felipe de Souza Lima - email: fsouzalima1991jf@gmail.com

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Cadeirantes são demais!

Quem disse que cadeirante é inválido? Que tem que ficar em casa? Que não pode fazer isso ou aquilo?
Se alguém te disser que você não consegue, que não dá conta, que está limitado ou "é melhor ficar mais quieto", mostre esta postagem para ele! Ou mande para aquele lugar...
Cadeirantes rules!!!!

sexta-feira, 27 de julho de 2018

Banco do Brasil, complicando a vida do cadeirante

Tem elevador, mas tem que chamar alguém para liberar, isso quando funciona
Todo cadeirante brasileiro passa raiva com acessibilidade em algum momento da vida. Ou todo dia, se for muito ativo e sair de casa com frequência. Logo que criei o blog, aproveitei esta ferramenta para colocar a boca no trombone, toda vez que esbarrava com falta de acessibilidade eu tirava foto, fazia uma postagem no blog, enviava e-mail para os responsáveis, ou para o órgão competente quando era prédio público, e fazia de tudo para que mudassem a situação e garantissem a acessibilidade. Consegui muitas mudanças desta forma, de restaurantes a shoppings. Mas com o tempo me acomodei. Só que uma "empresa" em especial tem me feito passar raiva continuamente: o Banco do Brasil.
Logo ele, que se define como o banco dos brasileiros, um órgão de economia mista com participação do governo em quase 70% de suas ações. Praticamente um órgão público. E tem pecado muito em acessibilidade. Em várias agências. A primeira vez que passei raiva com o Banco do Brasil publiquei aqui no blog, clique aqui para ver a postagem. Depois disso, ao ser admitido no BDMG, transferi minha agência para a da Rua da Bahia, 1479, e qual foi minha surpresa ao chegar na agência e descobrir que a mesma não tem acesso para cadeirantes. Para chegar aos caixas há uma grande escadaria, e até tem elevador, mas está quebrado há anos (da última vez que estive lá, ainda estava quebrado).
Outra agência que sempre me dá problemas é a do meu bairro, na Av. Mario Werneck, 1893. Tem uma escadaria na porta e um elevador na lateral. No início, toda vez que eu precisava usar o elevador, era necessário chamar uma pessoa de dentro da agência para liberar ele. O argumento era que se ficasse destravado, pessoas iriam utilizar sem necessidade. Acontece que bem em frente ao elevador está a recepção de uma academia. Portanto, gente para ficar de olho o dia inteiro, tem. Depois de um tempo, ele passou a ficar destrancado. Só que, quando eu precisava utilizar, ele estava quebrado. Aconteceu de novo este mês. Precisei ir ao banco para habilitar o celular na máquina, formatei ele e quando isso acontece é preciso seguir alguns passos e ir a um caixa eletrônico liberar o aparelho. Cheguei à agência e o elevador não funcionou. Não sabia se estava bloqueado ou quebrado, pedi à minha ajudante para ir lá dentro chamar alguém. Aí já está errado, precisar de uma pessoa para ir chamar alguém. E se eu estivesse sozinho? Vieram duas pessoas, tentaram, tentaram e concluíram que o elevador estava quebrado. Como eu precisava ir lá dentro, perguntei por uma solução e se ofereceram para me levar escada acima, e como eu precisava muito ir ao banco para tirar dinheiro e habilitar meu celular, aceitei.
Não sabiam nem como lidar com a cadeira. Tive que explicar que era mais fácil subir de costas, uma pessoa levando atrás e a outra fazendo a segurança na frente. E assim foi feito, me levaram escada acima meio sem jeito, com insegurança, balançando muito, mas cheguei inteiro lá em cima. Fui resolver o que tinha para resolver, e na hora de ir embora, foi preciso chamar novamente a ajuda, que demorou uns dez minutos. Expliquei novamente como seria mais seguro para mim e com bastante medo fui levado escada abaixo.
Agência da Raja Gabaglia 1725, mais uma sem acessibilidade (foto do Google Maps, não tirei foto no dia)
Acha que acabou? Infelizmente não. Mais uma agência sem acessibilidade é a da Av. Raja Gabaglia, 1725. Precisei pagar um título com urgência, e precisava ser na boca do caixa. Como já estou cansado de passar raiva e correr risco na agência do bairro Buritis, achei que se rodasse um pouco de carro, apesar do transtorno de colocar e tirar a cadeira do carro, seria melhor atendido. Procurei outra agência próxima e me deparei com a agência citada. Fui até lá e o primeiro problema foi a vaga de deficiente que há em frente à agência, estava ocupada. Precisei deixar o carro na rua paralela, voltar rodando e enfim chegar ao destino. Chegando lá, com o que me deparo? Outra escada. E a impossibilidade de acessar os caixas. Conversei com um atendente, que chamou um funcionário, que explicou que não tinha como acessar o caixa, e ele chamou outra pessoa, que me deu a solução: escrever minha senha em um papel para que ela fosse ao caixa pagar o título que tinha em mãos. Apesar do risco da operação, precisava fazer o pagamento e estava cansado e com muita dor para sair procurando outra agência. Escrevi a senha, entreguei o boleto e o cartão, e fiquei esperando no andar de baixo. A pessoa foi, pagou e voltou. E eu voltei para casa.
Estou para escrever este post há uns quatro anos. Só que não gosto de ser o reclamão, que vive chorando nas redes sociais devido ao mundo cruel em que vive. Só que paciência tem limite. Cada vez que passava raiva, escrevia um pouco. E hoje resolvi publicar, não só para reclamar, mas para denunciar: que banco é esse que se diz "valioso para mim" e que não atende a todos com as necessidades de cada um? 

terça-feira, 29 de maio de 2018

Financiando um veículo com isenções

O carro mais barato do Brasil com câmbio assistido pode ser comprado com parcelas suaves
Como tenho me especializado em test drives de veículos para pessoas com deficiência, muita gente me envia questões sobre este momento da compra de uma carro zero km com isenção. E a realidade é que a maioria das pessoas não tem condições de comprar nem mesmo um carro com isenções na faixa de 50 a 55 mil reais, que são os carros em versão para PCD tabelados em 69.990,00 só para ficar abaixo dos 70 mil. Por isso mesmo, a maioria das questões que recebo é se dá para comprar um carro zero com isenções com uma entrada pequena e ganhando pouco, geralmente menos de dois mil reais.
Partindo deste pressuposto, resolvi fazer uma simulação de compra de um carro com isenções de ICMS e IPI. Como meu foco são os veículos para cadeirantes, que precisam de veículos automáticos ou automatizados, me limitei a estes modelos. E o modelo escolhido foi o Mobi Drive GSR, justamente por ser o mais barato do Brasil. Sem isenção, ele custa pouco menos de 47 mil, com as isenções de IPI e ICMS sai por 36.589,44 (valor de maio de 2018). Por este valor ele vem com direção elétrica, borboleta para troca de marchas, banco traseiro bi partido, computador de bordo, entre outros. Não é um carro tão básico assim, andei em muitos veículos mais caros e menos equipados.
Suponha que a pessoa tenha oito mil reais disponível para comprar um carro com isenção. E esta pessoa ganhe por mês dois salário mínimos, ou seja, pouco mais que mil e oitocentos reais. E tenha guardado oito mil reais. Não é tão fácil juntar esta grana, mas por exemplo, um deficiente físico que sofreu acidente automobilístico recebe do DPVAT o seguro obrigatório, que há algum tempo estava em torno de 13,5 mil reais. Pagando as despesas necessárias para se reerguer, dá para segurar os oito mil. Escolhi este valor na simulação, por ser próximo ao valor mínimo da entrada, que é de 20%. Dando de entrada R$ 8.000,00, é possível financiar o restante em até 60 vezes, mas para não ficar muito longo, escolhi 48 vezes, que tem a vantagem de ter uma taxa um pouco menor, de 1,26% (em maio/18). Na simulação, as parcelas serão de apenas R$ 860,00 - e ainda dá para negociar! Este valor cai ainda mais se a pessoa com deficiência solicitar isenção de IOF, que é de 0,38%.
O Mobi cabe uma cadeira monobloco rebatendo um terço do banco traseiro, e ainda sobra espaço
Ficou assim o resultado da simulação:
Fiat Mobi Drive 1.0 GSR
Preço Público: R$ 46.790,00
Preço com isenção de IPI, ICMS e bônus de 4%: R$ 36.589,44
Entrada de R$ 8.000,00 + 48 vezes de R$ 860,00

Não ficou nada mal, não é mesmo? Dá para comprar um carro zero quilômetro, com três anos de garantia, por menos de novecentos reais por mês! Claro que depende de não haver restrição no cadastro da pessoa, há critérios que as financeiras utilizam. Mas se estiver tudo certo, é só separar a grana da parcela! Na Automax os vendedores estão preparados para orientar quem tiver interesse neste tipo de compra. Passe por lá: Av. Raja Gabaglia, 2222 - Tel (31) 3299-0000.

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Pegador de objetos

Uma "mãozinha" extra na hora de pegar objetos
Quem tem mobilidade reduzida encontra uma série de limitações em casa, e acaba dependendo sempre de alguém ou passando muita raiva. Desde transferir para algum lugar até alcançar um objeto, há muitas situações que podem ser resolvidas com alguns acessórios. Antes de virar cadeirante eu não tinha dificuldade para alcançar quase nada, afinal eu tinha 1,95 metro. Após o acidente, passei para um metro e meio... E de repente tudo ficou meio longe. Para complicar, sofro de dor crônica, e se esticar para pegar as coisas é bem desgastante. E as coisas na casa de um cadeirante vivem se distanciando da gente... Duvida?
Simples e prático, fácil de guardar e de usar
Vou dar um exemplo: quem nunca chegou na cama, ou no sofá, transferiu da cadeira, puxou o corpo para trás, encostou, arrumou as pernas e percebeu que esqueceu de pegar o controle remoto na estante? Aí tem que jogar o corpo para frente, voltar para a cadeira, ir até o controle, e repetir o processo de se sentar. Que ódio. Ou então a gente precisa pegar alguma coisa que está numa prateleira mais alta, como um livro ou uma garrafa, ou mais comum, precisa pegar uma camisa no armário, e não alcança. Para a camisa, a gente vai puxando até sair do cabide, mas pode acabar relaxando a gola ou estragando a camisa. O que fazer, então? 
O modelo dobrável é ainda mais compacto e funcional
Para estas situações descobri o pegador de objetos. Ele lembra aqueles brinquedos dos anos 80 que consistem de uma garra presa a uma barra e um sistema para controlar a barra. Alguns tinham formato de mão mesmo, era divertido apertar alguém de longe e esconder o brinquedo, a pessoa ficava procurando e não encontrava o autor do apertão. Mas o pegador não é para brincadeira (apesar de eu usar de vez em quando), é muito útil nas situações que citei. Uso diariamente, tenho um na sala e um no quarto.
Fim daquele tal de "pega aqui pra mim?"
Além de pegar objetos que estão longe, dá para pegar também objetos que estão no alto. E isso traz muita independência para nós, já que não é necessário chamar ninguém para pegar o que você precisa. E isso se estende também para o armário. Esse pegador azul é melhor, mais resistente e tem duas borrachas na ponta que imitam o movimento de pinça que fazemos com nossa mão. Desta forma é possível pegar até camisas e calças que estiverem penduradas no armário. É o acessório mais útil que já encontrei desde que virei cadeirante. E como conseguir um?
Dá até para pegar cabides e roupas
Comigo! Eu compro de um fornecedor e vendo pelo Mercado Livre. Clique nos links abaixo para adquirir o seu:
https://produto.mercadolivre.com.br/MLB-805634760-pegador-de-objetos-distncia-de-60-cm-_JM
https://produto.mercadolivre.com.br/MLB-890404487-pegador-de-objetos-distncia-dobravel-80-cm-_JM

segunda-feira, 5 de março de 2018

Veículos premium com desconto para PCD

Que tal comprar um carro premium com desconto de até cem mil reais?
Está achando que pessoas com deficiência só pode adquirir carro básico com desconto? Engano seu. O limite de isenção está congelado em 70 mil reais há mais de sete anos, o que limita cada vez mais as opções de veículos para pessoas com deficiência. Porém, a isenção pode ser de ICMS e IPI, e o limite vale apenas para ICMS. Portanto, se a pessoa tem condições de arcar com um pouco mais, é possível comprar diversos veículos com um bom desconto. Deixando de lado a isenção de ICMS - mesmo porque não há perspectiva de aumento do limite mesmo, então logo logo só será possível adquirir carro automático com isenção de IPI - há muitas boas opções no mercado.
O primeiro veículo premium que descobri ter isenção de IPI foi o Mercedes C180
Estive nas concessionárias das principais marcas premium alemãs, Mercedes, BMW e Audi, na sueca Volvo e na inglesa Range Rover. Fiz teste drive nos modelos que achei mais adequados para cadeirantes. O primeiro que testei foi o Mercedes Benz C180 Avantgard, que é montada em Iracemápolis, interior de São Paulo. O requinte a gente sente antes mesmo de entrar no carro, ao chegar na concessionária Minas Máquinas na Av. Raja Gabaglia, fui recebido cordialmente pelo manobrista, que ao perceber que eu era cadeirante perguntou se eu queria parar o carro no último andar do prédio para depois descer de elevador. Assim o fiz, parei minha humilde Spin entre Mercedes de mais de duzentos mil reais!  Vejam abaixo o vídeo:

Um modelo maior, mais espaçoso, o GLA 200 é uma boa opção.
Depois de alguns meses, voltei à Mercedes pois descobri que outro modelo mais indicado para cadeirantes também tem desconto de IPI, o GLA 200. É um SUV compacto que tem bastante espaço interno e porta malas maior. Porém, infelizmente, não cabe a cadeira montada no porta malas, devido ao desenho dele. Mas sobra bastante espaço para bagagem. Abaixo, link para o teste.

Até o queridinho dos jogadores de futebol tem desconto para deficientes, Range Rover Evoque!
Desci pelo elevador e uma recepcionista me conduziu até o hall e chamou o vendedor Augusto, que fez um breve questionamento sobre os modelos de interesse e fomos até sua mesa para explicar as condições para PCD. Há vários modelos com desconto, mas o que me interessava mais era o C180, que havia visto no Salão do Automóvel em 2016 com publicidade sobre o desconto. O modelo é montado no Brasil, em Iracemápolis, e tem desconto de IPI, que chega a quase 9% do valor do carro.

A próxima montadora alemã premium que visitei foi a BMW, em sua concessionária Euroville, também na Av. Raja Gabaglia. Mesmo tratamento diferenciado na recepção, logo veio até mim o consultor de vendas Bruno, que me conduziu ao salão principal enquanto me explicava a política de descontos para PCD da marca. Me surpreendi com a notícia de que TODOS os veículas da BMW tem desconto para deficiente, em valores que chegam a mais de 100 mil reais! Claro que neste caso o carro passa de quinhentos mil. Mas para quem tem dinheiro, imagina comprar por 400 mil um carro de 500 mil?
O Audi Q3 me impressionou pela tecnologia embarcada e custo benefício
Para fechar a tríade alemã de alto nível, fui à Audi, também na Av. Raja Gabaglia. Uma grande vantagem daquela concessionária fica escondida: há vaga para deficiente coberta e próxima à entrada do salão principal. Só que para chegar lá é preciso entrar pela lateral da concessionária. Quem me atendeu lá foi o Jean, que me explicou que há alguns modelos bem interessantes fabricados no Brasil, como o A3 e o A3 sedan, e o SUV compacto Q3. Este último me chamou a atenção pelo porta malas grande e espaço interno, foi o que escolhi para test drive. E foi lá que encontrei os melhores preços com isenção. Acredita que dá para comprar um Audi com pouco mais de cem mil reais? Não é pouco, mas é um veículo premium. Tem muito carro médio por aí que passa facilmente desse valor, como o Corolla por exemplo.

Daniel Dias é o embaixador da Volvo para a causa das pessoas com deficiência
Saindo da Alemanha, fui direto para a Suécia. Desta vez não procurei, fui convidado pela Volvo para uma palestra e para conhecer os veículos. Na palestra descobri que a Volvo foi a pioneira no Brasil a dar desconto de IPI em toda sua linha de veículos, mesmo sendo importados. Foi um projeto da Volvo que liberou o desconto de IPI a veículos importados no país, assim como tinha visto na BMW. Todas as outras montadoras, depois disso, podem aderir ao desconto em todos os veículos, nacionais ou importados.
Mudando de continente, testei um carro que a princípio não é premium, mas oferece tanta tecnologia e conforto que é comparável a todas as marcas que citei acima, e por um preço bem mais convidativo. Foi o Jeep Compass, que na versão topo de linha oferece condução semi-autônoma, alerta de desvio de faixa e estacionamento autônomo. Confira tudo isso no vídeo abaixo.
Portanto, se você está de olho em um carrão importado e tem deficiência, solicite isenção de IPI, pode dar um bom desconto.

domingo, 18 de fevereiro de 2018

Problemas ao ver jogo no Mineirão

Um programa que eu adoro fazer com meu pai. Mas sempre enfrento problemas.
Assistir jogo de futebol nos estádios após as reformas para a Copa do Mundo em 2014 se tornou um bom programa para pessoas com deficiência. Porém, ainda há problemas. Depois de muito tempo sem ir, aproveitei um dia com menos dores, tomei remédios para aguentar e fui ao jogo Cruzeiro X Nova Lima no sábado, 17/02. A chegada ao estádio foi tranquila, chegamos cedo, me informei sobre o melhor local no estacionamento para entrar pelo portal E, e haviam muitas vagas para deficiente vazias. Parei próximo ao elevador e subi. Sempre há pessoas com jaleco "Quero Ajudar" para mostrar o caminho ou levar a cadeira se for necessário.

Não respeitam as vagas para cadeiras de rodas nem o espaço para o acompanhante
Entramos e ficamos na área interna, pois o sol bate bem em cima das "baias" para cadeirantes e acompanhantes. Isto é um problema, a localização delas, são todas de frente para o sol, e em jogo à tarde, torra a cabeça do Cadeirante. É preciso levar óculos escuros, boné e passar filtro, coisas que eu esqueci. Perto de iniciar o jogo fomos para o lugar. Chegando lá, foi difícil encontrar um lugar para estacionar minha cadeira, não porque haviam vários cadeirantes assistindo, mas porque as pessoas não respeitam a utilização das vagas, ficam de pé em frente à vaga da cadeira e à cadeira do acompanhante impedindo a visão do campo. Se a gente reclama, ainda acha ruim. As cadeiras são exclusivas para acompanhantes dos cadeirantes, se não é o caso, deixe a cadeira livre, não fique de pé na frente dela. 

Fica difícil ver jogo assim.
Pior é que não tamparam somente a visão do meu pai, mas também a minha. Um senhor insistiu em ficar ao meu lado, agarrado no vidro, e quando eu queria ver um lance próximo ao gol tinha que ficar me esticando para a frente. Daí dá para ter ideia do quanto é importante deixar livre, se eu deixasse para lá sairia de lá todo dolorido, de tanto ir para a frente e tentar segurar o corpo nessa posição. As vagas estão ali para ser usadas por deficientes, o estádio tem bancos para todos e nem estava lotado, porque as pessoas insistem em ver o jogo todo de pé ao invés de sentar em uma cadeira? É a cultura do brasileiro, infelizmente.Mas sou brasileiro e não desisto nunca, resolvemos buscar uma alternativa.

Só quando encontramos uma cadeira ocupada meu pai pode ter visão melhor.
A "solução" para o acompanhante conseguir boa visão do campo é buscar uma cadeira ao lado que esteja sendo usada por acompanhante ou PCD. Para meu pai, resolveu. Ainda assim, eu precisei pedir ao senhor que estava ao meu lado para chegar um pouco para o lado para que eu conseguisse enxergar melhor o campo. Felizmente este não criou caso. Passou um tempo e apareceu ao meu lado duas crianças e um senhor atrás delas. Achei normal, não criei caso, afinal eles não estavam atrapalhando. Até que um deles subiu no suporte do vidro e se pendurou nele. E começou a atrapalhar minha visão. Coloquei a mão no vidro, para mostrar que ali era o limite, para ela não entrar na minha frente. Mas começou a vir para cima. Mantive a mão, aí ele virou para o senhor e disse que queria voltar para onde estavam. O cara fez só "shh fica quieto aí". Então percebi que os meninos só estavam ali para que o senhor tivesse uma boa visão. Inacreditável, o cara usar as crianças para chegar perto do vidro e ter boa visão. Felizmente depois que o menino reclamou mais, foram embora.
 
E aí, como entrar no carro para ir embora? Falta de noção total...
Pior que não ter o espaço na arquibancada respeitado é chegar ao estacionamento do Mineirão e perceber que o espaço delimitado para que sua porta abra para entrar no carro também não foi respeitado. Logo após a foto o dono do carro chegou e ainda tentou argumentar dizendo que o funcionário do estádio o orientou a parar ali. Apesar de não acreditar, continuei explicando que independente de quem mandou, ele está errado de parar ali, e espero que não volte a cometer essa gafe, que me fez esperar dez minutos com dores fortes no corpo até sua chegada. Triste ver esta cultura de fazer o errado e ainda achar que está certo.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Como dizer a uma criança que você tem uma deficiência

Quem ilustra este post é minha linda filha Anne. Ainda não tive essa conversa com ela, mas será bem mais fácil
Semana passada, fui deixar meus filhos na escolinha e resolvi descer do carro e acompanhá-los até a porta da sala, já que era a primeira semana de aula deles. Chegando lá, a babá deles tirou minha cadeira, desci e entrei no pátio da escola. Várias crianças me cercaram, muitos deles nunca tinham visto um cadeirante ou uma cadeira de rodas. Alguns pais puxaram seus filhos ou seguraram eles quando quiseram vir até mim, o que achei uma bobagem, não tem porque tolher a curiosidade dos filhos. Além disso, eu não mordo!
Algumas crianças ficaram no "que legal" outros só olhavam curiosos, até que uma menina de uns quatro anos me olhou nos olhos e perguntou:
- Porque você está nesse carrinho?
Achei de uma linda inocência e uma coragem enorme ela vir me perguntar, enquanto os amiguinhos só olhavam. Respondi:
- Isso que eu estou chama cadeira de rodas e estou nela porque tenho um dodói nas pernas e não consigo ficar de pé nem andar. Aí uso ela para andar.
Ela ficou pensativa, olhando pra mim, olhando pra cadeira. Aí perguntou:
- Mas você vai sarar?
Essa pergunta me pegou e fiquei pensando na resposta. Me sai com essa:
- Não vou sarar não, mas eu não ligo de andar nela, acho até legal.
Mais alguns segundos me olhando, e mais uma pergunta da minha curiosa amiguinha:
- Nem se sua mãe te der um beijinho?
Tive vontade de rir, mas fui pego novamente de surpresa, sem saber bem o que falar. Nesse momento a professora chamou e ela saiu correndo. No fundo pensei "ufa" pois não tinha decidido ainda o que responder. Fiquei entre contar a verdade, e estragar a crença dela que tudo que mamãe beija sara, o que ajuda ela a enfrentar o sofrimento, ou falar algo como "vou pedir para ela da próxima vez que a encontrar" mas aí ela ia achar que eu sou triste porque não tenho minha mamãe para beijar meus dodóis. Acho que o melhor seria falar a verdade, explicando que meu dodói é muito grande, que eu machuquei porque caí da moto, então não ia sarar com o beijinho da mamãe. Seria ótimo, ganharia outra adepta ao grupo anti-moto.
Não sou dono da verdade, cada pessoa pode achar uma forma diferente de explicar esta situação, mas sacho que no geral me saí bem. Queria ter mais tempo para responder a ela, e explicar que é normal usar a cadeira, muita gente usa, que é perfeitamente possível ser feliz assim, mas foi o que deu para fazer frente a essas questões tão complexas num tempo tão curto. Quem sabe da próxima vez?

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