domingo, 18 de fevereiro de 2018

Problemas ao ver jogo no Mineirão

Um programa que eu adoro fazer com meu pai. Mas sempre enfrento problemas.
Assistir jogo de futebol nos estádios após as reformas para a Copa do Mundo em 2014 se tornou um bom programa para pessoas com deficiência. Porém, ainda há problemas. Depois de muito tempo sem ir, aproveitei um dia com menos dores, tomei remédios para aguentar e fui ao jogo Cruzeiro X Nova Lima no sábado, 17/02. A chegada ao estádio foi tranquila, chegamos cedo, me informei sobre o melhor local no estacionamento para entrar pelo portal E, e haviam muitas vagas para deficiente vazias. Parei próximo ao elevador e subi. Sempre há pessoas com jaleco "Quero Ajudar" para mostrar o caminho ou levar a cadeira se for necessário.

Não respeitam as vagas para cadeiras de rodas nem o espaço para o acompanhante
Entramos e ficamos na área interna, pois o sol bate bem em cima das "baias" para cadeirantes e acompanhantes. Isto é um problema, a localização delas, são todas de frente para o sol, e em jogo à tarde, torra a cabeça do Cadeirante. É preciso levar óculos escuros, boné e passar filtro, coisas que eu esqueci. Perto de iniciar o jogo fomos para o lugar. Chegando lá, foi difícil encontrar um lugar para estacionar minha cadeira, não porque haviam vários cadeirantes assistindo, mas porque as pessoas não respeitam a utilização das vagas, ficam de pé em frente à vaga da cadeira e à cadeira do acompanhante impedindo a visão do campo. Se a gente reclama, ainda acha ruim. As cadeiras são exclusivas para acompanhantes dos cadeirantes, se não é o caso, deixe a cadeira livre, não fique de pé na frente dela. 

Fica difícil ver jogo assim.
Pior é que não tamparam somente a visão do meu pai, mas também a minha. Um senhor insistiu em ficar ao meu lado, agarrado no vidro, e quando eu queria ver um lance próximo ao gol tinha que ficar me esticando para a frente. Daí dá para ter ideia do quanto é importante deixar livre, se eu deixasse para lá sairia de lá todo dolorido, de tanto ir para a frente e tentar segurar o corpo nessa posição. As vagas estão ali para ser usadas por deficientes, o estádio tem bancos para todos e nem estava lotado, porque as pessoas insistem em ver o jogo todo de pé ao invés de sentar em uma cadeira? É a cultura do brasileiro, infelizmente.Mas sou brasileiro e não desisto nunca, resolvemos buscar uma alternativa.

Só quando encontramos uma cadeira ocupada meu pai pode ter visão melhor.
A "solução" para o acompanhante conseguir boa visão do campo é buscar uma cadeira ao lado que esteja sendo usada por acompanhante ou PCD. Para meu pai, resolveu. Ainda assim, eu precisei pedir ao senhor que estava ao meu lado para chegar um pouco para o lado para que eu conseguisse enxergar melhor o campo. Felizmente este não criou caso. Passou um tempo e apareceu ao meu lado duas crianças e um senhor atrás delas. Achei normal, não criei caso, afinal eles não estavam atrapalhando. Até que um deles subiu no suporte do vidro e se pendurou nele. E começou a atrapalhar minha visão. Coloquei a mão no vidro, para mostrar que ali era o limite, para ela não entrar na minha frente. Mas começou a vir para cima. Mantive a mão, aí ele virou para o senhor e disse que queria voltar para onde estavam. O cara fez só "shh fica quieto aí". Então percebi que os meninos só estavam ali para que o senhor tivesse uma boa visão. Inacreditável, o cara usar as crianças para chegar perto do vidro e ter boa visão. Felizmente depois que o menino reclamou mais, foram embora.
 
E aí, como entrar no carro para ir embora? Falta de noção total...
Pior que não ter o espaço na arquibancada respeitado é chegar ao estacionamento do Mineirão e perceber que o espaço delimitado para que sua porta abra para entrar no carro também não foi respeitado. Logo após a foto o dono do carro chegou e ainda tentou argumentar dizendo que o funcionário do estádio o orientou a parar ali. Apesar de não acreditar, continuei explicando que independente de quem mandou, ele está errado de parar ali, e espero que não volte a cometer essa gafe, que me fez esperar dez minutos com dores fortes no corpo até sua chegada. Triste ver esta cultura de fazer o errado e ainda achar que está certo.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Como dizer a uma criança que você tem uma deficiência

Quem ilustra este post é minha linda filha Anne. Ainda não tive essa conversa com ela, mas será bem mais fácil
Semana passada, fui deixar meus filhos na escolinha e resolvi descer do carro e acompanhá-los até a porta da sala, já que era a primeira semana de aula deles. Chegando lá, a babá deles tirou minha cadeira, desci e entrei no pátio da escola. Várias crianças me cercaram, muitos deles nunca tinham visto um cadeirante ou uma cadeira de rodas. Alguns pais puxaram seus filhos ou seguraram eles quando quiseram vir até mim, o que achei uma bobagem, não tem porque tolher a curiosidade dos filhos. Além disso, eu não mordo!
Algumas crianças ficaram no "que legal" outros só olhavam curiosos, até que uma menina de uns quatro anos me olhou nos olhos e perguntou:
- Porque você está nesse carrinho?
Achei de uma linda inocência e uma coragem enorme ela vir me perguntar, enquanto os amiguinhos só olhavam. Respondi:
- Isso que eu estou chama cadeira de rodas e estou nela porque tenho um dodói nas pernas e não consigo ficar de pé nem andar. Aí uso ela para andar.
Ela ficou pensativa, olhando pra mim, olhando pra cadeira. Aí perguntou:
- Mas você vai sarar?
Essa pergunta me pegou e fiquei pensando na resposta. Me sai com essa:
- Não vou sarar não, mas eu não ligo de andar nela, acho até legal.
Mais alguns segundos me olhando, e mais uma pergunta da minha curiosa amiguinha:
- Nem se sua mãe te der um beijinho?
Tive vontade de rir, mas fui pego novamente de surpresa, sem saber bem o que falar. Nesse momento a professora chamou e ela saiu correndo. No fundo pensei "ufa" pois não tinha decidido ainda o que responder. Fiquei entre contar a verdade, e estragar a crença dela que tudo que mamãe beija sara, o que ajuda ela a enfrentar o sofrimento, ou falar algo como "vou pedir para ela da próxima vez que a encontrar" mas aí ela ia achar que eu sou triste porque não tenho minha mamãe para beijar meus dodóis. Acho que o melhor seria falar a verdade, explicando que meu dodói é muito grande, que eu machuquei porque caí da moto, então não ia sarar com o beijinho da mamãe. Seria ótimo, ganharia outra adepta ao grupo anti-moto.
Não sou dono da verdade, cada pessoa pode achar uma forma diferente de explicar esta situação, mas sacho que no geral me saí bem. Queria ter mais tempo para responder a ela, e explicar que é normal usar a cadeira, muita gente usa, que é perfeitamente possível ser feliz assim, mas foi o que deu para fazer frente a essas questões tão complexas num tempo tão curto. Quem sabe da próxima vez?

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Cadeira de rodas manual Stand Up

Milagre! Ah não, é só tecnologia...
Meu Deus, o cadeirante ficou de pé!! Há muito tempo isto não é impossível, nem é novidade. Desde seis meses após a minha lesão que eu fico de pé utilizando órteses. A primeira vez que fiquei de pe apos a lesão foi em uma maquina de ortostatismo, no Hospital Sarah. E foi o primeiro momento constrangedor que passei. A maquina e composta de uma plataforma que se parece com um púlpito, que a gente se aproxima de frente, prende os joelhos e é passado uma faixa sob o quadril. Aí é só ligar a máquina e ela puxa a faixa e vai te deixando de pé. A única dificuldade é passar a faixa por trás do quadril, temos que elevar o corpo para possibilitar que seja colocada atrás. Muito prático e simples de operar, assim que mas nesta época eu não tinha sensibilidade nem controle das necessidades básicas. Assim que a máquina puxa toda a faixa, ela pressiona o quadril e a barriga contra a plataforma, para estabilizar o corpo. Ao acabar o processo, foi só apertar minha barriga para as necessidades básicas funcionarem. E algumas "bolinhas" apareceram atrás de mim...
Cadeirante geralmente depende de alguém quando precisa pegar alguma coisa no alto
Depois dessa vergonha, o pessoal do Sarah confeccionou para mim um par de órteses de plástico, no formato das minhas pernas. Com elas, eu conseguia ficar de pé usando qualquer bancada, janela ou apoio firme, basta colocar as órteses e puxar o corpo para cima. Passei a fazer fisioterapia em casa, e usando a cabeceira da cama como apoio, ficava de pé três vezes por semana em casa. Algum tempo depois, iniciei a fisioterapia na clínica, e ficava de pé usando aquelas barras em forma de escada que ficam perto da parede. E depois quando iniciei a hidroterapia, ficou tudo mais fácil pois ficar de pé na piscina é bem melhor pois o peso do corpo diminui na água. Além disso não dá aquelas tonteiras que a gente sente quando fica de pé no solo.
Com a cadeira Stand Up, isso acabou!
Como minhas órteses ficavam na Aquafisio BH, onde faço hidro, eu acabava não ficando mais em casa. Até que descobri uma forma mais simples e parecida com a máquina do Sarah, a cadeira Stand Up, que usa um sistema elétrico para levantar o assento e encosto da cadeira até a posição de pé - ou melhor, quase totalmente de pé, pois é preciso ficar em um ângulo menor que noventa graus para não virar para a frente. A primeira que vi foi na Reatech em 2009, motorizada, que permite inclusive que o cadeirante rode de pé. É bem interessante, vi um cara rodando com ela na posição vertical e achei uma coisa de outro mundo. A solução para frequentar festas, onde a maioria geralmente conversa de pé, e a gente que é cadeirante fica tentando entrar no papo esticando o pescoço. Só que fui ver o preço do equipamento e quase cai para trás, na época era mais de quatorze mil reais (hoje já passa de 15 mil).
Como não era tão útil nem viável, deixei para lá. Até que em 2014 descobri que há um modelo mais em conta (nem tanto, afinal custa em torno de 6 mil), a Stand Up manual. É uma cadeira comum, com aros para tocar nas rodas, porém tem o sistema que deixa o cadeirante de pé. Alguns meses depois um amigo meu, o Cristiano, comprou uma, e fiz uma matéria aqui no blog sobre ela. O tempo passou, e acabei fazendo outra órtese para ficar em pé em casa. Assim não ficaria muito tempo sem ficar de pé, pois estava indo à hidroterapia apenas uma vez por semana.
Da posição sentado para de pé em poucos segundos
Porém, um belo dia, navegando pelo Facebook, vi que um cadeirante do estado de São Paulo estava vendendo uma cadeira Stand Up manual usada, por pouco mais de dois mil reais. Entrei em contato, combinamos o frete e fechei o negócio. Em uma semana ela chegou para mim. Tive um pouco de receio por estar comprando usada, mas por sorte ela estava realmente em bom estado, tudo funcionando direitinho, exceto pela bateria, que precisei trocar, mas o vendedor arcou com este custo.
Comecei a usar a cadeira e ela faz o que promete, coloca o cadeirante de pé. Como disse antes, não é totalmente vertical, a gente fica um pouco para trás, mas não atrapalha em nada. O importante ela faz, descarga de peso sobre as pernas, e permite alcançar qualquer coisa que esteja no alto - no meu caso é qualquer coisa mesmo, pois tenho 1,95m. Com ela consigo alcançar malas na parte de cima do armário, qualquer coisa que esteja em uma prateleira alta, copos e panelas que são guardados no alto, e até trocar lâmpada eu consegui trocar! Veja abaixo a avaliação dela no meu canal.
Se vale a pena gastar quase seis mil reais só para ficar de pé e alcançar alguns lugares? Sim, vale. Se tiver este dinheiro sobrando, vale a pena sim, pois não é só para alcançar, ela é importante para a saúde, pois com o tempo os ossos vão enfraquecendo, e ficar de pé mantêm os ossos mais íntegros, fazendo a descarga de peso sobre eles. Porém não é só comprar e ficar de pé, é preciso consultar com fisioterapeuta e ortopedista para verificar se você pode ficar de pé, um destes profissionais irá solicitar um exame de densitometria óssea, que irá verificar a força que tem nos ossos. Se está há anos na cadeira sem ficar de pé, corre o risco de já estar com os ossos fracos e pode ser perigoso ficar de pé assim. Veja a matéria que fiz sobre ortostatismo abaixo, e consulte sempre seu médico antes de fazer qualquer atividade!
http://www.blogdocadeirante.com.br/2009/08/importancia-do-ortostatismo_26.html

domingo, 31 de dezembro de 2017

Que o próximo ano seja melhor que o anterior

A ideia é sempre melhorar!
Como foi para você este ano que está acabando? Fez tudo que planejou? Realizou seus sonhos? Está mais feliz agora do que no início do ano? 
É isso que a gente sempre espera ao entrar em um ano novo. Que seja um ano bom em todos os sentidos. Que realizemos os planos profissionais e pessoais. Emagrecer, ficar em forma, conseguir uma promoção, um novo emprego, conquistar alguém, comprar um carro novo, uma casa nova, ter um filho, passar mais tempo com os filhos, passar mais tempo com os pais, ser mais paciente, bondoso e amável. Claro que não dá para fazer tudo em um único ano, por isso promessas de ano novo raramente são cumpridas. 
Com a maturidade a gente percebe isto, portanto a única promessa que faço ao entrar em um novo ano é fazer o possível para que seja melhor que o anterior. 
Este ano para mim foi um ano de extremos. Por um lado, aproveitei muito acompanhando o crescimento dos meus filhos. Realizei um sonho de conhecer neve e esquiar. Fiz muitos vídeos bons para meu canal do YouTube. 
Por outro lado foi o ano com mais dores crônicas da minha vida. Tudo de bom que fiz foi na raça, aguentando estas dores. Por isso não consegui fazer tudo que quis. Fiquei muito tempo de cama, muito tempo em hospital, muito tempo desanimado e até triste, coisa que nunca havia experimentado. E para tentar melhorar este quadro, ao final do ano, dia 5 deste mês, fiz mais uma cirurgia para tentar diminuir esta dor, implantando mais um eletrodo do neuroestimulador, desta vez acima da lesão, no pescoço. 
A cirurgia deu certo, porém ainda não foi eficiente no controle da dor. Há ainda dezenas de programações para tentar acertar na mosca, e pegar bem na dor. Ainda acho que o neuro estimulador será  
Entro no ano com esta esperança, de que consiga diminuir a dor e voltar a colocar meus planos em ação. Voltar a trabalhar, votar a escrever mais no blog, fazer mais vídeos, e ajudar mais gente. É isso que me realiza. Mas só nos tempos vagos, pois minha felicidade é minha família. Com ela e com menos dor, pretendo fazer este ano melhor que o atual. É o que desejo a todos vocês, que tenham um ano melhor que o que está acabando! 

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Iveco desenvolve van acessível a motorista com deficiência

Conceito Daily Life permite que deficiente seja motorista profissional
Mais uma vez a Iveco inova e mostra responsabilidade social. Durante o 2º Iveco Bus Experience, realizado no dia 7 de novembro em Sete Lagoas, foi apresentada a Daily Life, conceito baseado na Daily Elevittá, que mostrei aqui no blog ano passado. A diferença é que neste modelo o assento que é projetado para fora do veículo e desce até o nível da calçada através de um mecanismo de correias e esteira para receber uma pessoa com mobilidade reduzida, e sobe pelo mesmo sistema, é o do motorista. Uma vez dentro da cabine, através de adaptações veiculares convencionais, é possível dirigir o veículo como qualquer outra pessoa. Ao fim do trajeto, basta acionar o mecanismo - tudo por conta própria - e descer até a calçada para voltar à cadeira de rodas, muleta ou acessório de auxílio à mobilidade. A única tarefa não autônoma é guardar e receber a cadeira de rodas. Durante a apresentação do conceito pelo gerente de marketing de produto Gustavo Serizawa, foi sugerida a instalação de um Chair Topper para guardar a cadeira do motorista em cima da van. Porém este mecanismo serve somente para cadeiras dobráveis. Uma sugestão mais abrangente seria o próprio motorista guardar a cadeira no banco do passageiro, assim como fazemos em veículos de passeio. A dificuldade seria a altura da van, mas se houver uma forma de levá-la junto pelo mesmo mecanismo, facilitaria. Enfim, como é um protótipo (e eles já estão pensando nisso) tenho certeza que no produto final haverá uma forma.
O embarque é confortável e seguro com o Elevittá
A Daily Life tem espaço para até 18 passageiros, e pode também ser equipada com um assento Elevittá na lateral, que permite levar até três pessoas com mobilidade reduzida, assim um motorista com deficiência pode transportar outras pessoas com deficiência! Desta forma, será muito mais fácil a comunicação e compreensão das necessidades dos passageiros. Acontece muito de motoristas de vans ou ônibus perderem a paciência ou serem indelicados com pessoas com deficiência por não compreender suas particularidades. Se até o motorista for deficiente, a integração e inclusão serão mais completas e genuínas! Em um setor tão carente de investimentos e produtos que promovam a inclusão, esta solução permite a inserção de cadeirantes no mercado de trabalho, também na função de condutores profissionais. Há muitas pessoas que trabalhavam como motoristas e sofreram um acidente que impossibilitou a continuidade na profissão, e há também os que têm interesse em investir no segmento e esbarravam na falta de acessibilidade.
Agora é possível que motoristas profissionais embarquem com conforto e segurança
O sistema Elevittá leva a outro patamar o embarque e desembarque de pessoas com deficiência. É fácil de operar, pois os controles são simples e intuitivos, é rápido, comparativamente aos elevadores tradicionais, é confortável, pois é feito na poltrona do veículo, e é seguro, pois em todo o processo a pessoa fica com o cinto de segurança afivelado. Não há trancos fortes nem aqueles movimentos bruscos que tanto assustam quem usa elevadores de cadeiras de rodas tradicionais. A transferência da cadeira de rodas para a poltrona é rápida e segura, já que é possível encostar a cadeira nela e encontrar o melhor ângulo para jogar o corpo sem muito esforço. Uma vez na poltrona, basta descer o apoio de braço, colocar o cinto de segurança e acionar o comando para ser levado para cima suavemente. Ele vai primeiro para cima, até o nível do assoalho do veículo, depois para trás, até encaixar no lugar certo. Aí é só girar a poltrona e você está pronto para dirigir! Aponto apenas um defeito: o Elevittá estava sem a plataforma de apoio dos pés, o que deixou as pernas soltas na subida e no giro. Informei e disseram que será acrescentada na versão final. Fora isto, em todo o processo encontrei algumas dificuldades específicas da minha estatura: tive que abaixar a cabeça um pouco para passar pela porta, precisei puxar a perna por baixo do volante e posicionar a outra na diagonal para caber. Porém, tenho 1,95 metro, e mesmo assim eu coube. Poucos centímetros a menos e já não haverá estes problemas.
Dirigindo a Daily Life na pista de teste da Iveco. Alguém precisando de motorista aí?
Após testar o embarque e desembarque na apresentação oficial do produto, seguimos para a fábrica da Iveco, no complexo da CNH Industrial. Lá houveram algumas solenidades e fomos convidados a conhecer a linha de produção dos veículos e detalhes da fábrica. Logo em seguida fomos para a pista de testes da Iveco, única da América Latina destinada a veículos de grande porte. Havia stands de parceiros da Iveco e vários veículos para test drive. O único que me interessava - e que eu poderia efetivamente dirigir - era o Daily Life. Eu já havia dirigido micro-ônibus na Reatech em São Paulo, mas tive que ser carregado até a direção. Entrei novamente pela poltrona do motorista e me posicionei. O veículo estava adaptado com acelerador de aro por cima do volante, freio mecânico por alavanca embaixo do volante, e câmbio manual adaptado com embreagem automatizada. Aí realmente poderia ser melhor, a embreagem automatizada, que é acionada por um botão em cima da alavanca, não é o ideal. Com o acelerador de aro fica um pouco melhor, já que é possível manter uma mão sempre no volante, mas a operação de caixa manual é sempre mais trabalhosa para quem precisa usar as mãos para acelerar, frear, virar o volante e ainda operar seta, luzes e outras funções do veículo.
O controle é simples de operar e tem cabo extensor
Sobre o custo, o gerente Gustavo Serizawa estima que o projeto Life deve começar em valores que representem de 10%, 20% ou até 30% do valor de uma Daily Elevittá, que hoje custa em média algo em torno de R$ 160 mil a R$ 170 mil. Ele aproveita para informar que atualmente, 20% da produção da van Daily é na versão Elevittá, a maioria para o mercado interno. Fica aqui meus parabéns às equipes que desenvolveram o produto e montaram o evento de lançamento. Iniciativas como esta devem ser comemoradas e divulgadas, não conheço nenhuma outra empresa tão engajada com a inclusão e acessibilidade como a Iveco. Que venham novos produtos!!
Vejam a avaliação em vídeo:

Vejam a seguir outras matérias sobre produtos para inclusão da Iveco:
http://www.blogdocadeirante.com.br/2016/08/iveco-daily-elevitta.html
http://www.blogdocadeirante.com.br/2017/04/iveco-soulclass-o-1-micro-onibus.html

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Animal silvestre entra em casa de cadeirante e causa confusão

Flagrado na imagem da câmera de segurança
Anoitecia em uma segunda feira tranquila. Eu e minha família nos preparávamos para descansar. Sou cadeirante, e estava na porta da varanda relaxando enquanto minha esposa preparava o banho dos gêmeos Anne e Max, de um ano e nove meses, que brincavam em cima da nossa cama. De repente, ouvimos um estrondo vindo da sala, barulho de coisa caindo e quebrando. Achando que era um dos meninos que havia caído, eu corri para o corredor e encontrei minha esposa assustada, ela achou que eu havia caído da caeira. Mais barulhos vieram da sala, e fomos juntos, lentamente para ver do que se tratava.
O bicho era bem grande e ameaçador
Chegando na sala nos deparamos com uma ave preta enorme, de quase um metro, empoleirada no parapeito da janela, tentando sair mas impedida pela tela de segurança que havia do lado de fora. Imaginamos que se tratava de um urubu. Voltamos correndo para dentro levando as crianças, que haviam nos seguido até o corredor, e nos fechamos no quarto. Usando uma câmera de segurança posicionada na sala, avaliamos a situação pelas imagens que ela transmite para o celular. O bicho, assustado, tentava freneticamente sair. Ele havia entrado pela janela da área que dá na cozinha, e só tem grades paralelas, é a única da casa sem telas. A única saída fora esta janela da área, que estava escura, seria pela porta do quarto que fica no meio do corredor e dá na varanda, mas o bicho precisaria ser espantado nessa direção, atravessar o corredor e o quarto até chegar lá. Como espantá-lo chegando pela frente dele, evitando bicadas ou suas enormes garras? Eu não conseguiria voltar rapidamente, pois precisaria virar a cadeira completamente e tocá-la até o corredor. Minha mulher estava com muito medo de tentar ir até lá.
A gata Christie foi a primeira convocada para espantar o bicho
A primeira ideia que tivemos foi usar a gata da família, que também estava no quarto com a gente. Levamos o corajoso bichano até o fim do corredor, e este, assim que avistou a ave correu em sua direção, e nós corremos de volta para o quarto para acompanhar tudo pela câmera. A gatinha correu e pulou pelos móveis atrás da ave, até que esta encontrou refúgio em cima do bar da sala, inalcançável pela gata. Elaboramos o plano B: minha mulher vestiu um pesado casaco de inverno de couro, calças, e colocou uma bacia verde sobre a cabeça para protegê-la. A ideia era ir até a sala e espantar o bicho para que ele encontrasse uma saída enquanto eu acompanharia tudo pela câmera. Lá foi ela com aquela bacia fashion na cabeça. Chegando à sala, no primeiro movimento brusco, a ave voou novamente para a janela, chocando-se com a tela. Ela voltou correndo para o quarto.
O plano B foi enviar a corajosa Gi com "equipamento"de proteção
Plano C: ligar para o Eustáquio, porteiro do nosso prédio, para pedir ajuda. Como a porta do apartamento estava trancada por dentro, ele teria que entrar no apartamento ao lado, que está vazio, pular da varanda daquele para a varanda do nosso apartamento, e então ir até a sala tentar enxotar o bicho para a cozinha ou de volta para a varanda. Liguei e não consegui contato, o telefone dele estava desligado. Não dava para irmos até a cozinha chamar no interfone por causa do bicho. Aí liguei para meu vizinho Felipe, do andar de baixo, e pedi para ele chamar o Eustáquio e explicar o plano. Alguns minutos se passaram e ouvimos alguém nos chamando, era ele já entrando na nossa varanda. Abri a porta do quarto e encontrei com ele no corredor para explicar a situação e o plano. Se não desse certo, a gente ia chamar os bombeiros.
Como os antigos cavaleiros da Idade Média, Eustáquio tentou espantar o animal com uma varinha e uma bacia!
Armado da bacia verde, ele foi até a sala, onde viu que a ave havia retornado para cima do bar. Achou o bicho muito grande e disse que era um Jacú, e não Urubu. O Eustáquio então teve a brilhante ideia de abrir a porta do apartamento e enxotar o animal para o corredor, e depois assustá-lo pelas escadas até o hall do prédio. Abriu a porta e Felipe, o vizinho, ficou do lado de fora observando. Eustáquio pegou uma vara de pescar, que serve de bandeira para minha handbike, e foi até o bar cutucar a ave para que ela voasse para a porta. Percebendo a dificuldade dele para se aproximar do bicho, gritei que iríamos ligar para os bombeiros. Felipe ouviu e ligou lá da porta, e disse que mandaram ligar para a Polícia Ambiental. Nesse meio tempo eu também estava ligando, e disseram que iam mandar uma viatura. Enquanto aguardávamos, Eustáquio resolveu atiçar o bicho e este voou rapidamente para a porta. Neste momento, Felipe viu aquele bicho enorme indo em sua direção e instintivamente fechou a porta! Sem ter para onde ir, a ave voltou para a janela. Eustáquio em um pulo foi até lá e fechou ele do lado de fora, entre a janela e a tela de segurança. O problema estava parcialmente resolvido! Mas como tirar aquele bicho de lá?
Bombeiros posicionados para capturar o Jacú
Finalmente chegaram os bombeiros! Eustáquio subiu com eles e foram entrando um,dois, três... cinco bombeiros ao todo! Não imaginei que um pássaro precisasse de tanta gente para ser capturado! Um deles usava até equipamento de rapel! Se fosse o caso poderia até descer pelo lado de fora do prédio. Impressionante o profissionalismo e preparação que eles trabalham. Posicionaram-se pela sala de forma a cercar a rota do bicho caso ele voasse, um ficou filmando, e dois deles ficaram nas extremidades da janela. Um tocou de um lado e o outro abriu mais a janela do outro, quando estava quase pegando o bicho deu uma voadora (literalmente) e saiu voando pela sala e foi para a área, passando pela cozinha! Nenhum dos outros conseguiu pegar, mas o cara do rapel foi para a área, tocou de um lado e de outro até encurralar o Jacú no canto da área e finalmente o capturou!
Dominado pelo bombeiro, o animal estava bem assustado
Chegou na sala segurando o Jacú pelas pernas, como fazem com galinhas, e aproveitou para nos dar informações importantes sobre este animal. O Jacú é animal silvestre protegido por lei, sua captura ou criação é crime ambiental e pode dar cadeira! Algumas pessoas criam Jacú e cruzam com galo índio, para gerar o Jacú Índio, que é forte e agressivo, e é usado em rinha de galo. Atividade ainda mais proibida que dá cadeia do mesmo jeito. O bicho deixou algumas penas, várias penugens e um rastro de cocô por todo o ambiente.
Meu querido e raro relógio disco do Legião...
O pior mesmo foi quebrar meu relógio-disco, que fiz com minhas próprias mão usando um disco do Legião Urbana que ganhei na adolescência... Snif... Se alguém tiver contato com este tipo de animal, chame os bombeiros pelo número 193, ou a polícia militar ambiental, se houver na sua cidade, pelo número 190. E se você for cadeirante, fique ainda mais longe deste bicho, ou ele pode furar sua roda! Ou sua pele...

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

A solidão da pessoa com deficiência

*por Dayana Beatriz
Quero falar um pouco sobre a solidão da pessoa com deficiência.A deficiência, seja ela física, mental ou intelectual podem ser fatores que afasta o indivíduo dos modelos padrões estéticos, tornando assim tudo mais difícil. Estamos acostumados com a falta de acessibilidade, mas as dificuldades de convívio serão sempre maiores de se superar.
Vez ou outra aparecem aquelas pessoas que nos dizem: “Que bom que você saiu de casa!”, “Nossa, não sei como você aguenta” (já nem ligo mais kkkkkkk), e somos vistos como exemplo de superação, quando só estamos querendo se distrair, divertir… Na realidade é bem chato ficar ouvindo isso!
Quando é assim há deficientes que preferem não sair de casa, preferindo ficar no seu mundo virtual aonde “todos são aceitos”, “todo mundo é bonzinho”, e acabam se isolando do convívio social. 
A mesma coisa acontece quando há um casal onde um deles é cadeirante, o que é andante se torna herói por conviver com essa pessoa, é muito amável, bonzinho, e com os olhares de fora são pregados rótulos sobre o casal. 
Diante de tantas situações preconceituosas tem que se ter muito amor próprio para não desanimar. Acreditar que você é capaz, tem suas qualidades, investir nelas e não dar ouvidos a essas baboseiras que nos falam rsrs
As pessoas sem deficiência também devem deixar seus preconceitos de lado e tentar ver que no deficiente há muito mais do se vê na aparência, encontrando uma pessoa bacana, garanto que você pode se surpreender!
E digo mais, se isso não acontecer, não desanime. 
“Estar junto de alguém é bom, mas estar bem consigo mesmo é delicioso”

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Militar pratica esporte de ação na mata

Washington e alguns integrantes da equipe de Airsoft
O relato abaixo me foi enviado pelo amigo Washington Espíndola, que nos conta como descobriu em um esporte de estratégia uma forma de diversão e interação com os amigos.
"Queria dividir com os amigos do blog alguns momentos de mais um domingo especial, onde pude auxiliar na aplicação de mais um treinamento para a minha Equipe de Airsoft. Sou militar, hoje reformado. Fui baleado durante um assalto no Rio de Janeiro após ter sido identificado como sendo militar. 
No meio da mata com amigos e empunhando a arma de Airsoft
Uma de minhas paixões é o Airsoft. Para aqueles que não conhecem, a grosso modo é um esporte de ação onde se simulam missões militares, com objetivos definidos. Após ter sido baleado tive uma recuperação bem traumática, onde tive toda a sorte de complicações, permanecendo internado por cinco meses e 19 dias. Durante todo esse período os membros de minha Equipe, que hoje são meus irmãos não me abandonaram em nenhum momento. 
Não tem tempo ruim para entrar na mata com a cadeira de rodas!
Após minha recuperação não aceitaram meu afastamento e me mantém motivado a continuar. Junto a minha esposa Carolina, me estimulam e motivam a me manter ativo no esporte. E nesse domingo pude ajudar a conduzir um dos primeiros treinamentos aos novos trainees da Equipe. A intenção é mostrar aos amigos que apesar das dificuldades advindas da lesão, devemos persistir na busca da qualidade de vida, fazendo aquilo que gostamos."

Muito bacana o esporte! Parabéns e obrigado por compartilhar conosco sua história e sua paixão!

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