sábado, 1 de setembro de 2018

Musculação para pessoas com mielomeningocele


Olá pessoal. tudo bem? Hoje é a primeira postagem sobre atividades físicas para pessoas com mielomeningocele. E hoje vamos falar de uma atividade física muito importante para as pessoas com mielomeningocele que são cadeirantes ou para os que andam com a ajuda de órteses, a musculação. Sabemos que a mielomeningocele pode atingir vários níveis na nossa coluna vertebral. Por isso uns conseguem ficar em pé e andar, outros têm uma certa movimentação nos membros inferiores mas não tem força para ficar em pé e outros ainda são cadeirantes e não tem movimentação nenhuma, nem força e as vezes nem sensibilidade nos membros inferiores. 
Antes de falarmos da musculação, propriamente dita, vamos falar de coisas muito importantes que devem ser passadas para o professor de Educação Física, informações básicas sobre a deficiência e as particularidades que cada pessoa tem. Essas informações são passadas ao professor antes de começar a prática de atividade física, na avaliação física que é feita dentro da academia. É muito importante que o aluno confie no professor, essas informações farão com que o professor tenha segurança em realizar o trabalho no aluno. Então vamos falar um pouco sobre avaliação física, a avaliação física é o ponto principal onde vai determinar como o aluno se encontra fisicamente, e alguns parâmetros são mensurados bem como: altura, peso, envergadura, IMC (índice de massa corporal), dobras cutâneas, informações sobre o estado de saúde, se tem algum problema de saúde, e principalmente informações sobre a deficiência como foi dito anteriormente. 
Mas espera aí Felipe! Como o professor vai medir o meu IMC (índice de massa corporal) se eu sou cadeirante!? Como ele vai usar as fórmulas de dobras cutâneas se sou cadeirante? Infelizmente não tem como fazer o IMC para cadeirantes, pois, não foi elaborada uma fórmula matemática para calcular o IMC (índice de massa corporal) em pessoas com deficiência num modo geral. Em pessoas com mielomeningocele que andam pode ser até que dê certo, mas também não será um resultado fidedigno na hora da prescrição de uma ficha de exercícios físicos. Mas Felipe, oque são dobras cutâneas? A dobra cutânea é uma medida da espessura de duas camadas de pele e a gordura subcutânea adjacente. Várias dobras cutâneas podem ser avaliadas isoladamente ou em conjunto. Entre estas, podemos citar as dobras cutâneas tricipital, bicipital e da panturrilha, indicadoras de gordura periférica, e as dobras subescapular e supra ilíaca, indicadoras de gordura central. A dobra cutânea mais utilizada em crianças é a tricipital.
Devido à existência de uma relação entre gordura subcutânea e gordura corporal total, a soma de várias dobras cutâneas pode ser utilizada para estimar a gordura corporal total.A validade e confiabilidade das medidas de dobras cutâneas são influenciadas pela habilidade do avaliador, pelo tipo de adipômetro, pelos fatores do indivíduo avaliado e pela equação utilizada para estimar a gordura corporal. Para cadeirantes no máximo em membros superiores é feita a medida de dobras cutâneas, mas não para comparar os resultados com o de pessoas sem deficiência, esse procedimento se tornará valioso para o cadeirante comparar o seu próprio resultado depois de 3 meses treinando a primeira ficha. Outro cuidado que temos que tomar é com relação a medir a pessoa com mielomeningocele, ou pesá-la, pois, se ela for cadeirante, ela terá que ser medida em cima de um colchonete, por uma fita ou régua de madeira, se conseguir andar, aí a medida pode ser normal, como de uma pessoa sem deficiência. Para pesar um cadeirante o processo é um pouco complicado, pois nem todas, ou quase nenhuma das academias de musculação de nosso país tem uma balança adaptada para pesar pessoas cadeirantes, nesse caso a pesagem pode ser adaptada ou se o cadeirante tiver uma noção de quanto mais ou menos ele pesa e ele pode colocar em sua ficha de avaliação. como pode ser essa adaptação. Felipe? 
Pode ser feita da seguinte forma: O professor coloca uma tábua de madeira ou uma cadeira em cima da balança e a pesa, depois coloca o cadeirante em cima da tábua ou da cadeira e pesa novamente, em seguida com os dois valores já tirados, o mesmo subtrai o valor das duas pesagens e dá o peso do cadeirante. Outro ponto importantíssimo antes de começar a musculação é o aluno passar todas as informações sobre a sua deficiência para o professor, para que ele tenha um bom programa de treinamento em mente para seu aluno. Em casos de alunos com alergia ao látex, alergia bem comum em pessoas com mielomeningocele, avisar ao professor sobre isso, pois aí ele não passará exercícios com materiais que contém látex. Questão de saúde também tem que ser abordada ao professor, como a parte urinária por exemplo, dizer francamente a ele sem nenhuma vergonha que usa sonda ou fraldas, urinar antes da prática da musculação, assim como o professor vai ser franco em perguntar sobre isso, para não haverem acidentes também falar sobre as questões com relação ao intestino e também, principalmente, sobre sua alimentação no dia a dia. Passada essa fase de avaliação física e entrevista para conhecer um pouco da vida do aluno com mielo o professor deve começar a fazer o que chamamos, dentro da musculação, de teste de carga, ou seja, o teste de 1 RM (uma repetição máxima) tem o objetivo de encontrar a carga máxima com que o indivíduo consegue realizar apenas uma repetição de determinado exercício, esse teste tem um papel essencial na prescrição de exercícios, para se determinar uma carga “ideal” de treino.
O interesse pelo 1RM é tamanho que já foram desenvolvidas fórmulas para descobrir seu valor. Como calcular 1 RM. A predição da carga segundo a estimativa de Brischae é feita de seguinte forma: Realiza-se o exercício com no máximo 10 repetições, mas quantas vezes por semana eu posso fazer musculação a OMS (Organização Mundial da Saúde) diz que no mínimo 3 vezes por semana é bom praticarmos qualquer atividade física, mas posso fazer musculação de 2ª a 6ª se eu quiser Felipe? Sim, pode, mas tem o professor tem que dividir a ficha para que não haja sobrecarga muscular e nem articular. Outro ponto principal para ser analisado pelo professor é o objetivo do aluno, se ele quer ganhar força, hipertrofiar, emagrecer, diminuir dores articulares, prevenir lesões futuras, resistência e potência e também o nível de treinamento do aluno, se ele é iniciante, intermediário ou avançado.
Então agora vamos, nesse parágrafo, falar sobre a montagem de ficha para a pessoa com mielomeningocele, antes da prescrição o professor deve levar em conta se o seu aluno é anda ou cadeirante, se ele tem alergia ou não entre outros fatores como foi dito acima. E principalmente a acessibilidade para a pessoa com mielomeningocele nos aparelhos, principalmente se o aluno for cadeirante, se ele consegue fica mais tranquilo essa questão de acessibilidade.
Podemos citar vários exercícios para pessoas com mielomeningocele, com objetivos distintos e com níveis de treinamento distintos, vou destacar aqui nesse parágrafo, alguns nomes de exercícios para cada grupamento muscular e cada um deles você vai perceber onde será realizado, se é em aparelho ou exercício solo. Vamos começar falando sobre os exercícios para o músculo peitoral. Os exercícios para peitoral maior são: Supino declinado com halter, supino declinado com barra, flexão de braços entre os steps, supino reto com halter, supino reto com barra, crucifixo declinado.
Os exercícios para peitoral menor são: supino inclinado com halter supino inclinado com barra, crucifixo inclinado com barra no smith.
Exercícios para as costas: extensão de ombro, puxador na frente, puxador na frente fechado, puxador cruzado, puxador na frente triângulo, puxador na frente fechado invertido, remada articulada, remada baixa, remada curvada, remada curvada com halter.
Os exercícios para quadríceps são: Agachamento livre 90°, avanço livre com barra, cadeira extensora, agachamento livre 90° com pernas afastadas, agachamento no Hack vertical a 90°, leg press 110°, agachamento no Smith 90°. Os exercícios para bíceps femoral são: flexora em pé, flexora deitada, flexora sentada, stiff.
Os exercícios para os ombros nas suas três porções são: Deltóide medial: Elevação lateral inclinado, elevação lateral em pé, elevação lateral sentado, elevação lateral no cabo; Deltóide posterior: Crucifixo inverso em pé, crucifixo inverso em sentado, crucifixo inverso no cabo; Deltóide anterior: Desenvolvimento com halter, elevação frontal, desenvolvimento barra.
Os exercícios para o bíceps nas suas duas porções são: Rosca Schott, rosca alternada inclinada, rosca direta barra fechada, rosca alternada, rosca concentrada, rosca direta peada aberta, rosca direta barra W pegada aberta. Os exercícios para tríceps nas suas porções são: Para a parte lateral (+ cabeça medial): Puxada de tríceps na polia alta, barra reta ou V, extensões de tríceps com barra EZ, deitado no banco, press guilhotina, agarre à largura dos ombros, Kickbacks com halteres, torso horizontal no banco, extensões com halteres, a um braço, por detrás da cabeça. Para a cabeça longa: Kickbacks com halteres, banco inclinado + retroversão, desenvolvimento com barra, à nuca, Kickbacks com halter, torso horizontal no banco, extensões com halteres, a um braço, por detrás da cabeça extensões de tríceps com barra EZ, sentado.
Os exercícios para abdominal são: Abdominal reto com as mãos estendidas, abdominal lateral com rotação, abdominal reto com elevação do tronco, flexão do quadril suspensa, abdominal bicicleta, abdominal reto com perna alta, abdominal prancha, flexão lateral do tronco, abdominal invertido com joelhos flexionados, abdominal prancha lateral.
Os exercícios para trapézio são: Agachamento com remada alta, remada alta na polia, remada baixa, remada em pé na polia, remada alta na polia, remada alta com barra, remada aberta, remada curvada, remada na máquina.
Como eu disse esses são os exercícios feitos na academia de um modo geral, nem sempre são específicos para pessoas com mielomeningocele, mas dá pra ser executado, deve ao professor a obrigação de avaliar qual é os melhores exercícios a serem prescritos e lembrando também qual é o objetivo do seu aluno. Para finalizar esse texto, a última orientação o número médio de séries a ser feitas dependendo do objetivo, do volume de treino, e da carga do aluno é entre 6 a 20 repetições em 3 séries e pra cada objetivo um intervalo entre as séries isso será determinado pelo professor. Além de benefícios físicos a musculação pode trazer também benefícios psicológicos, sociais entre outros.
Sempre lembrando de verificar com seu médico se você pode fazer musculação e se há alguma alteração específica para você nos exercícios.

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Guincho hidráulico para transferências

Auxílio importante na hora de transferir
Fazer transferências é sempre um desafio para quem tem mobilidade reduzida. Quanto maior o comprometimento, maior a dificuldade. Há no mercado alguns produtos que facilitam esta tarefa, como os guinchos hidráulicos. Neste post vou compartilhar com vocês um modelo de guincho que conheci há algum tempo e me impressionou pela qualidade.

O VOLLENZ HOME é um guincho de transferência móvel que, com total conforto e menor esforço do cuidador, transfere pessoas com algum tipo de limitação física de um local para outro. Uma solução simples e barata, com acionamento HIDRÁULICO, que facilita seu manuseio e garante a segurança do paciente.

Fácil de operar e manter
Importante ressaltar que este é o único guincho hidráulico do mercado com certificação da ANVISA. 
VOLLENZ HOME pode utilizado em residências, hospitais, casas de repouso e clínicas de recuperação, e é destinado todas as pessoas com deficiência motora momentânea ou permanente.

Compacto e funcional
Sabe quais os benefícios ele pode proporcionar? Veja:
- Faz a transferência de pacientes com apenas um cuidador;
- O processo é rápido, seguro e confortável;
- Evita as quedas do paciente durante sua transferência;
- Elimina lesões nos cuidadores ou enfermeiros.

O VOLLENZ HOME tem capacidade máxima para 150kg, acompanha um cesto confortável, lavável e fácil de utilizar. Os pés do guincho tem a abertura ajustável por pedal, adaptando-se em qualquer ambiente. O braço do guincho se eleva movimentando a alavanca e se rebaixa ao girar o manípulo, que conta com um limitador que garante a segurança tanto do paciente como do cuidador.

Conheça mais sobre a Vollenz em www.vollenz.com

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Nova parceria do Blog

A partir deste mês, o Blog do Cadeirante inicia uma parceria com o professor de Educação Física Felipe de Souza Lima, que é cadeirante e especializado em atividades físicas para pessoas com deficiência. Felipe mora em Juiz de Fora/MG, se formou em 2017 e trabalha na área desde então. Já foi estagiário no Projeto Aviva e trabalhou no Clube Bom Pastor, naquela cidade. Aqui ele vai falar sobre a importância da atividade física para pessoas com deficiência, como estas atividades podem ajudar na diminuição de dores crônicas e outros temas relacionados. Se tiverem dúvidas ou sugestões de temas a serem abordados, sintam-se à vontade para comentar! Abaixo segue uma breve apresentação do Felipe:

Felipe carregando a Tocha Olímpica em 2016
"Meu nome é Felipe de Souza Lima, tenho 27 anos, sou Professor de Educação Física, sou Bacharel em Educação Física, pela Faculdade Metodista Granbery, Licenciando também pela Faculdade Metodista Granbery e Pós Graduado em Atividade Física Para Pessoas com Deficiência pelo Centro Universitário Internacional Uninter, pólo Juiz de Fora, Palestrante sobre Musculação para Pessoas com Mielomeningocele e sobre os benefícios da Atividade Física Para Pessoas com Dor Crônica, professor de educação física pelo grupo de apoio ao tratamento da dor crônica"
Felipe de Souza Lima - email: fsouzalima1991jf@gmail.com

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Cadeirantes são demais!

Quem disse que cadeirante é inválido? Que tem que ficar em casa? Que não pode fazer isso ou aquilo?
Se alguém te disser que você não consegue, que não dá conta, que está limitado ou "é melhor ficar mais quieto", mostre esta postagem para ele! Ou mande para aquele lugar...
Cadeirantes rules!!!!

sexta-feira, 27 de julho de 2018

Banco do Brasil, complicando a vida do cadeirante

Tem elevador, mas tem que chamar alguém para liberar, isso quando funciona
Todo cadeirante brasileiro passa raiva com acessibilidade em algum momento da vida. Ou todo dia, se for muito ativo e sair de casa com frequência. Logo que criei o blog, aproveitei esta ferramenta para colocar a boca no trombone, toda vez que esbarrava com falta de acessibilidade eu tirava foto, fazia uma postagem no blog, enviava e-mail para os responsáveis, ou para o órgão competente quando era prédio público, e fazia de tudo para que mudassem a situação e garantissem a acessibilidade. Consegui muitas mudanças desta forma, de restaurantes a shoppings. Mas com o tempo me acomodei. Só que uma "empresa" em especial tem me feito passar raiva continuamente: o Banco do Brasil.
Logo ele, que se define como o banco dos brasileiros, um órgão de economia mista com participação do governo em quase 70% de suas ações. Praticamente um órgão público. E tem pecado muito em acessibilidade. Em várias agências. A primeira vez que passei raiva com o Banco do Brasil publiquei aqui no blog, clique aqui para ver a postagem. Depois disso, ao ser admitido no BDMG, transferi minha agência para a da Rua da Bahia, 1479, e qual foi minha surpresa ao chegar na agência e descobrir que a mesma não tem acesso para cadeirantes. Para chegar aos caixas há uma grande escadaria, e até tem elevador, mas está quebrado há anos (da última vez que estive lá, ainda estava quebrado).
Outra agência que sempre me dá problemas é a do meu bairro, na Av. Mario Werneck, 1893. Tem uma escadaria na porta e um elevador na lateral. No início, toda vez que eu precisava usar o elevador, era necessário chamar uma pessoa de dentro da agência para liberar ele. O argumento era que se ficasse destravado, pessoas iriam utilizar sem necessidade. Acontece que bem em frente ao elevador está a recepção de uma academia. Portanto, gente para ficar de olho o dia inteiro, tem. Depois de um tempo, ele passou a ficar destrancado. Só que, quando eu precisava utilizar, ele estava quebrado. Aconteceu de novo este mês. Precisei ir ao banco para habilitar o celular na máquina, formatei ele e quando isso acontece é preciso seguir alguns passos e ir a um caixa eletrônico liberar o aparelho. Cheguei à agência e o elevador não funcionou. Não sabia se estava bloqueado ou quebrado, pedi à minha ajudante para ir lá dentro chamar alguém. Aí já está errado, precisar de uma pessoa para ir chamar alguém. E se eu estivesse sozinho? Vieram duas pessoas, tentaram, tentaram e concluíram que o elevador estava quebrado. Como eu precisava ir lá dentro, perguntei por uma solução e se ofereceram para me levar escada acima, e como eu precisava muito ir ao banco para tirar dinheiro e habilitar meu celular, aceitei.
Não sabiam nem como lidar com a cadeira. Tive que explicar que era mais fácil subir de costas, uma pessoa levando atrás e a outra fazendo a segurança na frente. E assim foi feito, me levaram escada acima meio sem jeito, com insegurança, balançando muito, mas cheguei inteiro lá em cima. Fui resolver o que tinha para resolver, e na hora de ir embora, foi preciso chamar novamente a ajuda, que demorou uns dez minutos. Expliquei novamente como seria mais seguro para mim e com bastante medo fui levado escada abaixo.
Agência da Raja Gabaglia 1725, mais uma sem acessibilidade (foto do Google Maps, não tirei foto no dia)
Acha que acabou? Infelizmente não. Mais uma agência sem acessibilidade é a da Av. Raja Gabaglia, 1725. Precisei pagar um título com urgência, e precisava ser na boca do caixa. Como já estou cansado de passar raiva e correr risco na agência do bairro Buritis, achei que se rodasse um pouco de carro, apesar do transtorno de colocar e tirar a cadeira do carro, seria melhor atendido. Procurei outra agência próxima e me deparei com a agência citada. Fui até lá e o primeiro problema foi a vaga de deficiente que há em frente à agência, estava ocupada. Precisei deixar o carro na rua paralela, voltar rodando e enfim chegar ao destino. Chegando lá, com o que me deparo? Outra escada. E a impossibilidade de acessar os caixas. Conversei com um atendente, que chamou um funcionário, que explicou que não tinha como acessar o caixa, e ele chamou outra pessoa, que me deu a solução: escrever minha senha em um papel para que ela fosse ao caixa pagar o título que tinha em mãos. Apesar do risco da operação, precisava fazer o pagamento e estava cansado e com muita dor para sair procurando outra agência. Escrevi a senha, entreguei o boleto e o cartão, e fiquei esperando no andar de baixo. A pessoa foi, pagou e voltou. E eu voltei para casa.
Estou para escrever este post há uns quatro anos. Só que não gosto de ser o reclamão, que vive chorando nas redes sociais devido ao mundo cruel em que vive. Só que paciência tem limite. Cada vez que passava raiva, escrevia um pouco. E hoje resolvi publicar, não só para reclamar, mas para denunciar: que banco é esse que se diz "valioso para mim" e que não atende a todos com as necessidades de cada um? 

terça-feira, 29 de maio de 2018

Financiando um veículo com isenções

O carro mais barato do Brasil com câmbio assistido pode ser comprado com parcelas suaves
Como tenho me especializado em test drives de veículos para pessoas com deficiência, muita gente me envia questões sobre este momento da compra de uma carro zero km com isenção. E a realidade é que a maioria das pessoas não tem condições de comprar nem mesmo um carro com isenções na faixa de 50 a 55 mil reais, que são os carros em versão para PCD tabelados em 69.990,00 só para ficar abaixo dos 70 mil. Por isso mesmo, a maioria das questões que recebo é se dá para comprar um carro zero com isenções com uma entrada pequena e ganhando pouco, geralmente menos de dois mil reais.
Partindo deste pressuposto, resolvi fazer uma simulação de compra de um carro com isenções de ICMS e IPI. Como meu foco são os veículos para cadeirantes, que precisam de veículos automáticos ou automatizados, me limitei a estes modelos. E o modelo escolhido foi o Mobi Drive GSR, justamente por ser o mais barato do Brasil. Sem isenção, ele custa pouco menos de 47 mil, com as isenções de IPI e ICMS sai por 36.589,44 (valor de maio de 2018). Por este valor ele vem com direção elétrica, borboleta para troca de marchas, banco traseiro bi partido, computador de bordo, entre outros. Não é um carro tão básico assim, andei em muitos veículos mais caros e menos equipados.
Suponha que a pessoa tenha oito mil reais disponível para comprar um carro com isenção. E esta pessoa ganhe por mês dois salário mínimos, ou seja, pouco mais que mil e oitocentos reais. E tenha guardado oito mil reais. Não é tão fácil juntar esta grana, mas por exemplo, um deficiente físico que sofreu acidente automobilístico recebe do DPVAT o seguro obrigatório, que há algum tempo estava em torno de 13,5 mil reais. Pagando as despesas necessárias para se reerguer, dá para segurar os oito mil. Escolhi este valor na simulação, por ser próximo ao valor mínimo da entrada, que é de 20%. Dando de entrada R$ 8.000,00, é possível financiar o restante em até 60 vezes, mas para não ficar muito longo, escolhi 48 vezes, que tem a vantagem de ter uma taxa um pouco menor, de 1,26% (em maio/18). Na simulação, as parcelas serão de apenas R$ 860,00 - e ainda dá para negociar! Este valor cai ainda mais se a pessoa com deficiência solicitar isenção de IOF, que é de 0,38%.
O Mobi cabe uma cadeira monobloco rebatendo um terço do banco traseiro, e ainda sobra espaço
Ficou assim o resultado da simulação:
Fiat Mobi Drive 1.0 GSR
Preço Público: R$ 46.790,00
Preço com isenção de IPI, ICMS e bônus de 4%: R$ 36.589,44
Entrada de R$ 8.000,00 + 48 vezes de R$ 860,00

Não ficou nada mal, não é mesmo? Dá para comprar um carro zero quilômetro, com três anos de garantia, por menos de novecentos reais por mês! Claro que depende de não haver restrição no cadastro da pessoa, há critérios que as financeiras utilizam. Mas se estiver tudo certo, é só separar a grana da parcela! Na Automax os vendedores estão preparados para orientar quem tiver interesse neste tipo de compra. Passe por lá: Av. Raja Gabaglia, 2222 - Tel (31) 3299-0000.

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Pegador de objetos

Uma "mãozinha" extra na hora de pegar objetos
Quem tem mobilidade reduzida encontra uma série de limitações em casa, e acaba dependendo sempre de alguém ou passando muita raiva. Desde transferir para algum lugar até alcançar um objeto, há muitas situações que podem ser resolvidas com alguns acessórios. Antes de virar cadeirante eu não tinha dificuldade para alcançar quase nada, afinal eu tinha 1,95 metro. Após o acidente, passei para um metro e meio... E de repente tudo ficou meio longe. Para complicar, sofro de dor crônica, e se esticar para pegar as coisas é bem desgastante. E as coisas na casa de um cadeirante vivem se distanciando da gente... Duvida?
Simples e prático, fácil de guardar e de usar
Vou dar um exemplo: quem nunca chegou na cama, ou no sofá, transferiu da cadeira, puxou o corpo para trás, encostou, arrumou as pernas e percebeu que esqueceu de pegar o controle remoto na estante? Aí tem que jogar o corpo para frente, voltar para a cadeira, ir até o controle, e repetir o processo de se sentar. Que ódio. Ou então a gente precisa pegar alguma coisa que está numa prateleira mais alta, como um livro ou uma garrafa, ou mais comum, precisa pegar uma camisa no armário, e não alcança. Para a camisa, a gente vai puxando até sair do cabide, mas pode acabar relaxando a gola ou estragando a camisa. O que fazer, então? 
O modelo dobrável é ainda mais compacto e funcional
Para estas situações descobri o pegador de objetos. Ele lembra aqueles brinquedos dos anos 80 que consistem de uma garra presa a uma barra e um sistema para controlar a barra. Alguns tinham formato de mão mesmo, era divertido apertar alguém de longe e esconder o brinquedo, a pessoa ficava procurando e não encontrava o autor do apertão. Mas o pegador não é para brincadeira (apesar de eu usar de vez em quando), é muito útil nas situações que citei. Uso diariamente, tenho um na sala e um no quarto.
Fim daquele tal de "pega aqui pra mim?"
Além de pegar objetos que estão longe, dá para pegar também objetos que estão no alto. E isso traz muita independência para nós, já que não é necessário chamar ninguém para pegar o que você precisa. E isso se estende também para o armário. Esse pegador azul é melhor, mais resistente e tem duas borrachas na ponta que imitam o movimento de pinça que fazemos com nossa mão. Desta forma é possível pegar até camisas e calças que estiverem penduradas no armário. É o acessório mais útil que já encontrei desde que virei cadeirante. E como conseguir um?
Dá até para pegar cabides e roupas
Comigo! Eu compro de um fornecedor e vendo pelo Mercado Livre. Clique nos links abaixo para adquirir o seu:
https://produto.mercadolivre.com.br/MLB-805634760-pegador-de-objetos-distncia-de-60-cm-_JM
https://produto.mercadolivre.com.br/MLB-890404487-pegador-de-objetos-distncia-dobravel-80-cm-_JM

segunda-feira, 5 de março de 2018

Veículos premium com desconto para PCD

Que tal comprar um carro premium com desconto de até cem mil reais?
Está achando que pessoas com deficiência só pode adquirir carro básico com desconto? Engano seu. O limite de isenção está congelado em 70 mil reais há mais de sete anos, o que limita cada vez mais as opções de veículos para pessoas com deficiência. Porém, a isenção pode ser de ICMS e IPI, e o limite vale apenas para ICMS. Portanto, se a pessoa tem condições de arcar com um pouco mais, é possível comprar diversos veículos com um bom desconto. Deixando de lado a isenção de ICMS - mesmo porque não há perspectiva de aumento do limite mesmo, então logo logo só será possível adquirir carro automático com isenção de IPI - há muitas boas opções no mercado.
O primeiro veículo premium que descobri ter isenção de IPI foi o Mercedes C180
Estive nas concessionárias das principais marcas premium alemãs, Mercedes, BMW e Audi, na sueca Volvo e na inglesa Range Rover. Fiz teste drive nos modelos que achei mais adequados para cadeirantes. O primeiro que testei foi o Mercedes Benz C180 Avantgard, que é montada em Iracemápolis, interior de São Paulo. O requinte a gente sente antes mesmo de entrar no carro, ao chegar na concessionária Minas Máquinas na Av. Raja Gabaglia, fui recebido cordialmente pelo manobrista, que ao perceber que eu era cadeirante perguntou se eu queria parar o carro no último andar do prédio para depois descer de elevador. Assim o fiz, parei minha humilde Spin entre Mercedes de mais de duzentos mil reais!  Vejam abaixo o vídeo:

Um modelo maior, mais espaçoso, o GLA 200 é uma boa opção.
Depois de alguns meses, voltei à Mercedes pois descobri que outro modelo mais indicado para cadeirantes também tem desconto de IPI, o GLA 200. É um SUV compacto que tem bastante espaço interno e porta malas maior. Porém, infelizmente, não cabe a cadeira montada no porta malas, devido ao desenho dele. Mas sobra bastante espaço para bagagem. Abaixo, link para o teste.

Até o queridinho dos jogadores de futebol tem desconto para deficientes, Range Rover Evoque!
Desci pelo elevador e uma recepcionista me conduziu até o hall e chamou o vendedor Augusto, que fez um breve questionamento sobre os modelos de interesse e fomos até sua mesa para explicar as condições para PCD. Há vários modelos com desconto, mas o que me interessava mais era o C180, que havia visto no Salão do Automóvel em 2016 com publicidade sobre o desconto. O modelo é montado no Brasil, em Iracemápolis, e tem desconto de IPI, que chega a quase 9% do valor do carro.

A próxima montadora alemã premium que visitei foi a BMW, em sua concessionária Euroville, também na Av. Raja Gabaglia. Mesmo tratamento diferenciado na recepção, logo veio até mim o consultor de vendas Bruno, que me conduziu ao salão principal enquanto me explicava a política de descontos para PCD da marca. Me surpreendi com a notícia de que TODOS os veículas da BMW tem desconto para deficiente, em valores que chegam a mais de 100 mil reais! Claro que neste caso o carro passa de quinhentos mil. Mas para quem tem dinheiro, imagina comprar por 400 mil um carro de 500 mil?
O Audi Q3 me impressionou pela tecnologia embarcada e custo benefício
Para fechar a tríade alemã de alto nível, fui à Audi, também na Av. Raja Gabaglia. Uma grande vantagem daquela concessionária fica escondida: há vaga para deficiente coberta e próxima à entrada do salão principal. Só que para chegar lá é preciso entrar pela lateral da concessionária. Quem me atendeu lá foi o Jean, que me explicou que há alguns modelos bem interessantes fabricados no Brasil, como o A3 e o A3 sedan, e o SUV compacto Q3. Este último me chamou a atenção pelo porta malas grande e espaço interno, foi o que escolhi para test drive. E foi lá que encontrei os melhores preços com isenção. Acredita que dá para comprar um Audi com pouco mais de cem mil reais? Não é pouco, mas é um veículo premium. Tem muito carro médio por aí que passa facilmente desse valor, como o Corolla por exemplo.

Daniel Dias é o embaixador da Volvo para a causa das pessoas com deficiência
Saindo da Alemanha, fui direto para a Suécia. Desta vez não procurei, fui convidado pela Volvo para uma palestra e para conhecer os veículos. Na palestra descobri que a Volvo foi a pioneira no Brasil a dar desconto de IPI em toda sua linha de veículos, mesmo sendo importados. Foi um projeto da Volvo que liberou o desconto de IPI a veículos importados no país, assim como tinha visto na BMW. Todas as outras montadoras, depois disso, podem aderir ao desconto em todos os veículos, nacionais ou importados.
Mudando de continente, testei um carro que a princípio não é premium, mas oferece tanta tecnologia e conforto que é comparável a todas as marcas que citei acima, e por um preço bem mais convidativo. Foi o Jeep Compass, que na versão topo de linha oferece condução semi-autônoma, alerta de desvio de faixa e estacionamento autônomo. Confira tudo isso no vídeo abaixo.
Portanto, se você está de olho em um carrão importado e tem deficiência, solicite isenção de IPI, pode dar um bom desconto.

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