sábado, 1 de setembro de 2018

Musculação para pessoas com mielomeningocele


Olá pessoal. tudo bem? Hoje é a primeira postagem sobre atividades físicas para pessoas com mielomeningocele. E hoje vamos falar de uma atividade física muito importante para as pessoas com mielomeningocele que são cadeirantes ou para os que andam com a ajuda de órteses, a musculação. Sabemos que a mielomeningocele pode atingir vários níveis na nossa coluna vertebral. Por isso uns conseguem ficar em pé e andar, outros têm uma certa movimentação nos membros inferiores mas não tem força para ficar em pé e outros ainda são cadeirantes e não tem movimentação nenhuma, nem força e as vezes nem sensibilidade nos membros inferiores. 
Antes de falarmos da musculação, propriamente dita, vamos falar de coisas muito importantes que devem ser passadas para o professor de Educação Física, informações básicas sobre a deficiência e as particularidades que cada pessoa tem. Essas informações são passadas ao professor antes de começar a prática de atividade física, na avaliação física que é feita dentro da academia. É muito importante que o aluno confie no professor, essas informações farão com que o professor tenha segurança em realizar o trabalho no aluno. Então vamos falar um pouco sobre avaliação física, a avaliação física é o ponto principal onde vai determinar como o aluno se encontra fisicamente, e alguns parâmetros são mensurados bem como: altura, peso, envergadura, IMC (índice de massa corporal), dobras cutâneas, informações sobre o estado de saúde, se tem algum problema de saúde, e principalmente informações sobre a deficiência como foi dito anteriormente. 
Mas espera aí Felipe! Como o professor vai medir o meu IMC (índice de massa corporal) se eu sou cadeirante!? Como ele vai usar as fórmulas de dobras cutâneas se sou cadeirante? Infelizmente não tem como fazer o IMC para cadeirantes, pois, não foi elaborada uma fórmula matemática para calcular o IMC (índice de massa corporal) em pessoas com deficiência num modo geral. Em pessoas com mielomeningocele que andam pode ser até que dê certo, mas também não será um resultado fidedigno na hora da prescrição de uma ficha de exercícios físicos. Mas Felipe, oque são dobras cutâneas? A dobra cutânea é uma medida da espessura de duas camadas de pele e a gordura subcutânea adjacente. Várias dobras cutâneas podem ser avaliadas isoladamente ou em conjunto. Entre estas, podemos citar as dobras cutâneas tricipital, bicipital e da panturrilha, indicadoras de gordura periférica, e as dobras subescapular e supra ilíaca, indicadoras de gordura central. A dobra cutânea mais utilizada em crianças é a tricipital.
Devido à existência de uma relação entre gordura subcutânea e gordura corporal total, a soma de várias dobras cutâneas pode ser utilizada para estimar a gordura corporal total.A validade e confiabilidade das medidas de dobras cutâneas são influenciadas pela habilidade do avaliador, pelo tipo de adipômetro, pelos fatores do indivíduo avaliado e pela equação utilizada para estimar a gordura corporal. Para cadeirantes no máximo em membros superiores é feita a medida de dobras cutâneas, mas não para comparar os resultados com o de pessoas sem deficiência, esse procedimento se tornará valioso para o cadeirante comparar o seu próprio resultado depois de 3 meses treinando a primeira ficha. Outro cuidado que temos que tomar é com relação a medir a pessoa com mielomeningocele, ou pesá-la, pois, se ela for cadeirante, ela terá que ser medida em cima de um colchonete, por uma fita ou régua de madeira, se conseguir andar, aí a medida pode ser normal, como de uma pessoa sem deficiência. Para pesar um cadeirante o processo é um pouco complicado, pois nem todas, ou quase nenhuma das academias de musculação de nosso país tem uma balança adaptada para pesar pessoas cadeirantes, nesse caso a pesagem pode ser adaptada ou se o cadeirante tiver uma noção de quanto mais ou menos ele pesa e ele pode colocar em sua ficha de avaliação. como pode ser essa adaptação. Felipe? 
Pode ser feita da seguinte forma: O professor coloca uma tábua de madeira ou uma cadeira em cima da balança e a pesa, depois coloca o cadeirante em cima da tábua ou da cadeira e pesa novamente, em seguida com os dois valores já tirados, o mesmo subtrai o valor das duas pesagens e dá o peso do cadeirante. Outro ponto importantíssimo antes de começar a musculação é o aluno passar todas as informações sobre a sua deficiência para o professor, para que ele tenha um bom programa de treinamento em mente para seu aluno. Em casos de alunos com alergia ao látex, alergia bem comum em pessoas com mielomeningocele, avisar ao professor sobre isso, pois aí ele não passará exercícios com materiais que contém látex. Questão de saúde também tem que ser abordada ao professor, como a parte urinária por exemplo, dizer francamente a ele sem nenhuma vergonha que usa sonda ou fraldas, urinar antes da prática da musculação, assim como o professor vai ser franco em perguntar sobre isso, para não haverem acidentes também falar sobre as questões com relação ao intestino e também, principalmente, sobre sua alimentação no dia a dia. Passada essa fase de avaliação física e entrevista para conhecer um pouco da vida do aluno com mielo o professor deve começar a fazer o que chamamos, dentro da musculação, de teste de carga, ou seja, o teste de 1 RM (uma repetição máxima) tem o objetivo de encontrar a carga máxima com que o indivíduo consegue realizar apenas uma repetição de determinado exercício, esse teste tem um papel essencial na prescrição de exercícios, para se determinar uma carga “ideal” de treino.
O interesse pelo 1RM é tamanho que já foram desenvolvidas fórmulas para descobrir seu valor. Como calcular 1 RM. A predição da carga segundo a estimativa de Brischae é feita de seguinte forma: Realiza-se o exercício com no máximo 10 repetições, mas quantas vezes por semana eu posso fazer musculação a OMS (Organização Mundial da Saúde) diz que no mínimo 3 vezes por semana é bom praticarmos qualquer atividade física, mas posso fazer musculação de 2ª a 6ª se eu quiser Felipe? Sim, pode, mas tem o professor tem que dividir a ficha para que não haja sobrecarga muscular e nem articular. Outro ponto principal para ser analisado pelo professor é o objetivo do aluno, se ele quer ganhar força, hipertrofiar, emagrecer, diminuir dores articulares, prevenir lesões futuras, resistência e potência e também o nível de treinamento do aluno, se ele é iniciante, intermediário ou avançado.
Então agora vamos, nesse parágrafo, falar sobre a montagem de ficha para a pessoa com mielomeningocele, antes da prescrição o professor deve levar em conta se o seu aluno é anda ou cadeirante, se ele tem alergia ou não entre outros fatores como foi dito acima. E principalmente a acessibilidade para a pessoa com mielomeningocele nos aparelhos, principalmente se o aluno for cadeirante, se ele consegue fica mais tranquilo essa questão de acessibilidade.
Podemos citar vários exercícios para pessoas com mielomeningocele, com objetivos distintos e com níveis de treinamento distintos, vou destacar aqui nesse parágrafo, alguns nomes de exercícios para cada grupamento muscular e cada um deles você vai perceber onde será realizado, se é em aparelho ou exercício solo. Vamos começar falando sobre os exercícios para o músculo peitoral. Os exercícios para peitoral maior são: Supino declinado com halter, supino declinado com barra, flexão de braços entre os steps, supino reto com halter, supino reto com barra, crucifixo declinado.
Os exercícios para peitoral menor são: supino inclinado com halter supino inclinado com barra, crucifixo inclinado com barra no smith.
Exercícios para as costas: extensão de ombro, puxador na frente, puxador na frente fechado, puxador cruzado, puxador na frente triângulo, puxador na frente fechado invertido, remada articulada, remada baixa, remada curvada, remada curvada com halter.
Os exercícios para quadríceps são: Agachamento livre 90°, avanço livre com barra, cadeira extensora, agachamento livre 90° com pernas afastadas, agachamento no Hack vertical a 90°, leg press 110°, agachamento no Smith 90°. Os exercícios para bíceps femoral são: flexora em pé, flexora deitada, flexora sentada, stiff.
Os exercícios para os ombros nas suas três porções são: Deltóide medial: Elevação lateral inclinado, elevação lateral em pé, elevação lateral sentado, elevação lateral no cabo; Deltóide posterior: Crucifixo inverso em pé, crucifixo inverso em sentado, crucifixo inverso no cabo; Deltóide anterior: Desenvolvimento com halter, elevação frontal, desenvolvimento barra.
Os exercícios para o bíceps nas suas duas porções são: Rosca Schott, rosca alternada inclinada, rosca direta barra fechada, rosca alternada, rosca concentrada, rosca direta peada aberta, rosca direta barra W pegada aberta. Os exercícios para tríceps nas suas porções são: Para a parte lateral (+ cabeça medial): Puxada de tríceps na polia alta, barra reta ou V, extensões de tríceps com barra EZ, deitado no banco, press guilhotina, agarre à largura dos ombros, Kickbacks com halteres, torso horizontal no banco, extensões com halteres, a um braço, por detrás da cabeça. Para a cabeça longa: Kickbacks com halteres, banco inclinado + retroversão, desenvolvimento com barra, à nuca, Kickbacks com halter, torso horizontal no banco, extensões com halteres, a um braço, por detrás da cabeça extensões de tríceps com barra EZ, sentado.
Os exercícios para abdominal são: Abdominal reto com as mãos estendidas, abdominal lateral com rotação, abdominal reto com elevação do tronco, flexão do quadril suspensa, abdominal bicicleta, abdominal reto com perna alta, abdominal prancha, flexão lateral do tronco, abdominal invertido com joelhos flexionados, abdominal prancha lateral.
Os exercícios para trapézio são: Agachamento com remada alta, remada alta na polia, remada baixa, remada em pé na polia, remada alta na polia, remada alta com barra, remada aberta, remada curvada, remada na máquina.
Como eu disse esses são os exercícios feitos na academia de um modo geral, nem sempre são específicos para pessoas com mielomeningocele, mas dá pra ser executado, deve ao professor a obrigação de avaliar qual é os melhores exercícios a serem prescritos e lembrando também qual é o objetivo do seu aluno. Para finalizar esse texto, a última orientação o número médio de séries a ser feitas dependendo do objetivo, do volume de treino, e da carga do aluno é entre 6 a 20 repetições em 3 séries e pra cada objetivo um intervalo entre as séries isso será determinado pelo professor. Além de benefícios físicos a musculação pode trazer também benefícios psicológicos, sociais entre outros.
Sempre lembrando de verificar com seu médico se você pode fazer musculação e se há alguma alteração específica para você nos exercícios.

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