domingo, 4 de janeiro de 2015

Londres para cadeirantes - Parte 1

Em frente ao Big Ben com a London Eye ao fundo
A viagem até Londres foi rápida e tranquila, chegamos domingo de manhã na estação St. Pancras, onde foi filmado Harry Potter. A estação é enorme e muito bonita, tem uma escultura linda de um casal se beijando, como em um reencontro, lembra aquela famosa foto de um marinheiro beijando uma mulher no porto. Chegando lá encontramos o Filipe, irmão do meu cunhado que mora lá e nos recebeu no seu apartamento. É uma mão na roda ter alguém que conhece a cidade para orientar o passeio e evitar furadas. E o cara é tão gente fina que procurou um apartamento com elevador antes de se mudar pensando em uma futura visita.
Fachada da estação ferroviária St. Pancras
Escultura no interior da estação
Fomos para a casa dele de ônibus, em um daqueles vermelhos famosos, de dois andares. O que pegamos era tão moderno que o motor era híbrido, movido a gasolina e energia elétrica. O cadeirante entra pela porta do meio, onde uma rampa aparece por baixo do ônibus ao comando do motorista. O cadeirante só precisa apertar um botão com o símbolo da acessibilidade ao lado da porta. Ninguém precisa ajudar a subir, pois a inclinação é ótima, e a chance de estragar é pequena, pois não tem a complexidade dos elevadores brasileiros. Depois de entrar, a rampa se recolhe e a porta se fecha, e aí um probleminha: é preciso ir até a cabine do motorista para pagar a passagem, voltando pelo corredor onde as pessoas estão entrando para embarcar. Ou melhor, pagar não, passar um cartão chamado "Oyster" em uma máquina. Se o cadeirante está sozinho, e as pessoas te vêem no corredor, todo mundo para e espera, sem reclamar. Imagina se fosse no Brasil...
Chegamos ao bairro do Filipe e passamos em uma estação para comprar o tal cartão de ônibus. A estação também serve ao metrô, porém esta não tinha acesso para cadeirantes. Não são todas na cidade que têm, o que faz do ônibus o transporte ideal. Assim como em Paris, há mapas das linhas disponíveis no aeroporto, estações, e até lojas de souvenir. Em seguida subimos para o apartamento dele, que fica em uma região nobre de Londres, próximo ao Regent's Park. É um apê típico de solteiro, um quarto grande, sala com cozinha combinada, um quarto pequeno e um banheiro. Ele nos cedeu sua suíte master (que honra) e ficou no menor. O banheiro não era adaptado, mas a cadeira passava com facilidade na porta. Tem uma banheira onde fica o chuveiro, o que percebi que atrapalharia um pouco o banho. Como outras cidades europeias, não havia ralo fora do box, portanto o banho sentado no vaso também seria complicado. Optei por tentar entrar na banheira, colocando um banco lá dentro, mas na prática isso se tornou complicado e perigoso - para sair da banheira passei um arrego. Nos dias seguintes, preferi tomar banho no vaso, e depois a Gi secava o banheiro.
Com o Filipe almoçando jamon
Devidamente instalados, aproveitamos o belo dia de sol - raridade em Londres - para conhecer os primeiros pontos turísticos. De cara, obvio, o Big Ben. Fomos almoçar jamon (pronuncia-se "ramon") - uma carne de cedro muito gostosa - no Iberia, e depois pegamos outro ônibus e descemos próximo ao prédio do parlamento. O prédio do parlamento - Palácio de Westminster - é imenso, toma um mega quarteirão às margens do rio. Apesar do sol, fazia um pouco de frio, por isso não tirei a blusa hora nenhuma - mais para frente me arrpendi de não ter levado blusas mais parrudas. Chegamos ao Big Ben e já avistamos a London Eye - aquela roda gigante à beira do rio Tâmisa. Confesso que achei que o Big Ben fosse maior, mas sua simbologia o torna gigante. Ele é testemunha de centenas de anos de reinado britânico.
O relógio mais famoso do mundo
London Eye ao fundo
Atravessamos o rio para ver melhor a London Eye, mas não animei dar uma volta, queria conhecer outros lugares. Fomos à St. Margaret's Church (Igreja de Santa Margarida) que fica bem atrás do parlamento. Estava fechada à visitação, mas só a construção por fora vale a pena. De lá nos dirigimos ao Palácio de Buckingham, residência oficial da realeza. Como não era longe, fomos a pé - e a roda - através do parque St. James, que tem um lago muito bonito no meio, além de vários animais como gansos, marrecos, patos e outros parentes.
Em frente a um dos portões do Palácio de Buckingham
O que mais impressiona em Buckingham são os portões. Imensos e adernados com brasões e lanças douradas, transmitem a sensação de fortaleza. Um deles fica aberto, mas com guardas na frente que não permitem ninguém entrar. Infelizmente não peguei a famosa troca da guarda, e só vi dois guardas com aquele chapéu típico à la Margie Simpson. O complexo do palácio é muito grande e conta com um parque aberto ao público, o Green Park, por onde passamos para ir embora. A próxima parada foi na National Gallery, um dos mais famosos museus da Europa, que fica na praça Trafalgar Square. A praça em si já é muito legal para se visitar, tem artistas de rua, fontes e estátuas. Tinha até um galo azul gigante no lugar de uma estátua, a explicação é que ainda não decidiram qual personalidade homenagear com uma estátua ali. Dizem as más línguas que estão esperando a rainha morrer... Acabamos não entrando na National Gallery porque estava escurecendo.
Em frente ao National Gallery
Detalhe da praça Trafalgar Square
Galo azul em Londres. Acho que é cruzeirense...
Dentro de um táxi adaptado
No dia seguinte, Filipe foi para o trabalho e eu e Gi fomos explorar a cidade. Logo ao sair do prédio avistei um táxi para deficientes encostando em um hotel, era uma Mercedes tipo van. O taxista foi muito solícito, tirou uma rampa do porta malas e me ajudou a subir. Por dentro ele era bem espaçoso, com lugar próprio para o cadeirante ir, de costas para o motorista. A altura deixou a desejar, fiquei com a cabeça meio inclinada, mas pela minha altura não ia encontrar um que desse nunca. Os famosos táxis pretos londrinos também ostentam o símbolo de acessibilidade, mas não cheguei a experimentar. Fomos para o Borough Market, uma espécie de Mercado Central que tem de tudo, até uma Taverna em estilo medieval. Almoçamos por lá e fomos ao British Museum, que tem mais de sete milhões de objetos de todos os continentes. Conto sobre ele (e outras coisas) no próximo post!
Dentro do Borough Market

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Paris para cadeirantes - Parte 4

Catedral de Notre Dame
Para nosso último dia em Paris eu havia programado duas igrejas - ou melhor, catedrais - a Notre Dame e a Sacre Coeur. Pelo mapa percebi que eram um pouco longe, então priorizei a primeira. Para chegar lá precisamos pegar dois ônibus, o primeiro até o Jardin des Touleries, depois atravessamos o rio Sena para pegar outro. Atravessamos pela "Passerelle Léopold-Sédar-Senghor" - a cidade é tão chique que até uma passarela tem um nome pomposo. Como várias pontes sobre o rio Sena, essa tinha centenas de cadeados fechados no parapeito, e logo à frente um camelô vendendo cadeados. Não perdemos a oportunidade, compramos um cadeado em forma de coração, que nem chave tem, escrevemos nossos nomes e travamos ele na grade do parapeito. Fofo, né?

Momento romântico sobre o rio Sena
Pegamos o outro ônibus e rapidamente chegamos ao destino. Notre Dame fica em uma ilha no meio do rio Sena, atravessamos mais uma ponte e nos deparamos com sua imponente fachada. Só chegando perto de uma catedral para ter noção da sua grandiosidade, superou muito qualquer expectativa que eu tinha. Chegando perto o que impressiona é a quantidade de detalhes, que em alguns pontos chegam a ser sinistros, como os gárgulas na lateral, que remetem ao estilo gótico da catedral. As portas enormes convidam ao interior, e a preferência para deficientes mais uma vez foi respeitada e me conduziram à frente da fila.

A imponente nave da Nôtre Damme
Um dos belíssimos vitrais
Lá dentro é incrível, os arcos da nave central e os vitrais deixam qualquer um de queixo caído. Há várias imagens lindas (tinha até da Joana D'Arc) nas laterais e muitas velas, que você pode pegar à vontade (sugerem deixar dois euros de doação) para acender e deixar com seus pedidos. Acho que ouvi inclusive sussuros do corcunda pelas paredes... Rodamos pelo interior e fomos para os fundos, onde há um belo jardim. A arquitetura dos fundos impressiona quase tanto quanto da fachada, onde destacam-se as pontas e arcos.

Deixei também meu pedido

Restaurante charmoso
Depois do almoço passamos por La Conciergerie e fomos conhecer a Bastilha, ou melhor, o monumento Coluna de Julho, uma enorme coluna coroada por um anjo dourado, que marca o local onde ficava a Bastilha. Deixamos o resto da tarde para uma voltinha pelas Galerias Lafayette (deixei propositalmente pouco tempo para a Gi não gastar muito).

Coluna de Julho

Chez Clement
Para encerrar o dia, fomos jantar no Chez Clément, um restaurante muito bacana (mas sem acessibilidade - a não ser as mesas sobre a calçada). Depois de quatro deliciosos dias na capital francesa, fomos para Londres de trem passando por baixo do Canal da Mancha. Depois conto sobre as viagens de trem pela Europa.
Não deixem de ler os relatos da Laura Martins sobre seus passeios por Paris:
http://cadeiravoadora.blogspot.com.br/search/label/Paris
Outro site muito completo sobre Paris que consultei:
http://www.conexaoparis.com.br/

domingo, 7 de dezembro de 2014

Paris para cadeirantes - Parte 3

Em frente à pirâmide de vidro do Louvre
Paris é a cidade dos Museus. Depois de conhecer dois deles, reservamos o terceiro dia em Paris para visitar mais dois, os famosos D'Orsay e Louvre. Acordamos cedo, tomamos café em uma cafeteria muito charmosa - pedi crepe suzete - e um único ônibus nos levou direto ao Museu D'Orsay. Mais um gratuito, para cadeirante e acompanhante. A acessibilidade lá dentro é um pouco confusa, muitas vezes é preciso pedir informação aos funcionários para chegar aos andares ou níveis, pois alguns elevadores são escondidos. A quantidade de níveis nas laterais também incomoda, pois há pequenos degraus de um para outro, e o cadeirante precisa ficar dando a volta para pegar outras entradas. Mas vale a pena, a cada sala que a gente entra, uma sensação diferente, dada a variedade de obras.

Fachada do Museu D'Orsay.
Na nave principal há várias esculturas belíssimas de mármore e bronze, e nas laterais ficam os níveis com quadros e algumas peças antigas. Nos deparamos com dezenas de estudantes desenhando as esculturas. A nave é toda inclinada, e há rampas nas laterais, bem suaves. Depois de explorar a parte central, partimos para os andares superiores. Não parece, mas há cinco andares no D'Orsay! Resolvemos ir de baixo para cima, e já pegamos o elevador direto para o último andar. Lá é possível ver através dos relógios que ficam na fachada principal, uma bela vista para o Rio Sena. Também no último andar há um restaurante muito bacana, super bem decorado.

Nave central do D'Orsay, com muitas esculturas
Voltamos para o quarto andar e nos deparamos com diversas peças de mobiliário antigas, recriações de quartos, aposentos e ateliês de grandes artistas renascentistas. Muito interessante. Há ainda outras galerias com quadros imensos, do chão ao teto. Descemos mais um pouco e resolvemos ir direto para a atração principal, a seção Van Gogh, onde está o famoso quadro auto retrato. Um espetáculo, chega a ser emocionante. Ainda mais para quem viu o episódio de Dr. Who em que Van Gogh vem do passado e vê as pessoas admirando suas obras, coisa que ele morreu sem ver, já que não vendeu uma única obra em vida. Assistam um resumo clicando aqui ou aqui.

Mobiliário antigo retratando uma sala.
Curtimos bastante o museu e fomos almoçar nas margens do rio Sena, para seguir depois para o Louvre, do outro lado do rio. Chegando ao palácio do Louvre há alguns gramados, onde o povo fica deitado, namorando ou brincando com os filhos, ou com cachorro. É tipo um parque, bem descontraído. O Palácio do Louvre é enorme, por fora dá para ter ideia da quantidade de coisa que tem lá dentro. Passa-se por um portal enorme para chegar à entrada principal, aquela pirâmide de vidro.

Chegada ao complexo do Louvre
Como em todos os museus de Paris, a fila estava enorme. E como em todos que estive, cadeirante não pega fila, não paga, e nem o acompanhante. Assim que o segurança me viu abriu a corda da entrada e me conduziu ao elevador mais bacana que já andei, que sobe do chão até a plataforma da entrada. Chegando ao térreo, há um balcão de informações com vários atendentes treinados em várias línguas, inclusive português. Há também vários mapas e guias gratuitos, fundamentais para se orientar dentro do museu. Para os mais exigentes, há aparelhos de áudio que podem ser alugados por cinco euros com explicações sobre cada obra. Eu não quis alugar, preferi ir acompanhando no guida de papel e conversando com a Gi sobre as obras.

As Bodas de Caná, incrível.
Do térreo se escolhe em que direção ir, de acordo com a galeria que se queira visitar primeiro. Começamos pelo lado direito do museu, que era justamente onde estava a principal atração, a Mona Lisa. Queria ver logo essa danada. Rodar pelos corredores do Louvre é enebriante, as pinturas no teto e os detalhes de decoração impressionam quase tanto quanto as obras expostas. Chegando à sala da Mona Lisa, há um quadro gigantesco no lado oposto, As Bodas de Caná, de Paolo Veronese, que chega a tirar o fôlego, tanto pela beleza quanto pelo tamanho. O quadro é injustamente negligenciado pelos turistas, dada a atenção que a Mona Lisa recebe, o que permite admirá-lo sem muita interferência.
Gioconda, a Mona Lisa, com visão privilegiada!
O lado da Mona Lisa parece um formigueiro, são dezenas de pessoas se estapeando para chegar perto e conseguir a melhor foto. Mais uma vez o respeito aos cadeirantes se fez valer e assim que um dos seguranças me viu tentando chegar perto pediu para abrir passagem e abriu a corrente que separa o povo, e deixou também a Gi ficar ali pertinho para tirar foto e curtir a pintura comigo. Ela é menor do que se supõe, mas é realmente hipnotizante. Muito legal poder ficar tão perto de uma obra tão famosa e icônica.
Vênus de Milo, dando uma de João sem braço...
... nem percebeu o cofrinho de fora!
De lá fomos atrás da Vênus de Milo. Belíssima escultura, e como não perco uma oportunidade, tirei uma foto que pouca gente tem: do cofrinho da Vênus de Milo! Rsrs Outras que fiz questão de conhecer foram Psiquê Reanimada pelo Beijo de Eros, A Madona das Rochas, também de Da Vinci, a Victória de Samotrácia e a Diana de Versalhes. Depois fomos às galerias egípcias, incríveis, com sarcófagos e múmias, e ao Louvre Medieval, onde é possível ver as estruturas do forte que havia onde hoje é o Louvre. Tem até uma miniatura dele, que parece um castelo.

Psiqué Reanimada pelo Beijo de Eros
A pirâmide invertida, no meio do mini shopping do subterrâneo do Louvre
Depois de curtir as principais obras e galerias, voltamos à recepção, e fomos explorar as galerias que há por ali. Tem lanchonete, lojas de lembranças, lojas grandes (até da Apple tinha) e no meio a famosa pirâmide invertida, que me fez lembrar o filme O Código Da Vinci. Muito legal. Vale a pena comprar um Guia Oficial das obras primas do Louvre, é ótimo para direcionar a visita. Uma tarde é pouco para conhecer o Louvre, mas recomendo ficar até o fim do dia para pegar o museu iluminado. À noite, é outro mundo, maravilhoso. Na volta andamos até o início da Champs-Elysées e pegamos um ônibus até o hotel. Foi um dia incrível!

Louvre à noite é um show
O portal na entrada do Louvre

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Paris para cadeirantes - Parte 2

O  Pensador. Fiquei pensativo...
Continuando o passeio por Paris, depois da Torre Eiffel fomos ao Museu Rodin. Para entrar no museu, assim como na torre, não peguei fila e nem paguei, os seguranças são experientes e os recepcionistas te dão todas as informações necessárias. O Museu Rodin é um dos mais legais de Paris, com belíssimas esculturas e jardins, tem acessibilidade para cadeirantes em todas as dependências, com rampas e elevadores, tudo dentro das normas. 

Rampas suaves para entrar no Museu
Depois de passar pela portaria, onde há uma loja de lembranças, uma rampa leva ao jardim onde estão as mais conhecidas obras, O Pensador e a Porta do Inferno, entre outras. Após apreciar as esculturas e os jardins, fomos para o prédio principal, onde há rampas e uma porta exclusiva. Depois de ver as obras do primeiro andar, há um elevador para o segundo. Achei interessante como eles esconderam o elevador, com uma porta oculta na parede. Só se vê um pequeno botão com o símbolo da acessibilidade, que ao ser apertado revela a porta, aberta eletronicamente, em um espaço da parede. Fiz um filme por dentro, saído do elevador, vejam abaixo.
Algumas obras no jardim da frente
Gostei de ver no segundo andar uma professora ensinando a curiosos aluninhos um pouco sobre a história e as obras de arte de Rodin. Que privilégio destes pequenos! Todos educadamente sentados e prestando atenção. É outro nível, eles estudam os grandes artistas direto na fonte, no local em que viveram. Há modelos e esboços de Rodin, em algumas salas há dezenas deles. Me surpreendi com uma das obras, um corpo feminino com as pernas abertas! E a genitália era cheia de detalhes! Pena que a foto que tirei não ficou boa, pois a escultura é em bronze, e ficava em um canto, contra a luz. Rodin era meio tarado mesmo, não são poucas as esculturas de corpos nus e ainda tem uma na entrada que retrata três homens pelados, um atrás do outro. O cara era bem liberal.
Alunos atentos à explicação da professora
Uma das loucas e lindas obras de Rodim
Rodamos por todas as salas e fomos para os fundos, onde há belos jardins, mais obras de arte, e um café delicioso. Mas o chão é de pedrinhas, dá para rodar sozinho, mas com o tempo cansa. Antes de chegar no café há um banheiro adaptado, que estava aberto e bem limpo. Fomos direto para o café, onde dei uma tarefa para a Gi: se virar sozinha para pedir um lanche pra gente. Não seria difícil, pois eu queria croassant e chocolate, além de macarrones, todos nomes que a gente fala por aqui. Ela foi lá dentro e voltou super feliz por ter conseguido se fazer entender! Eu ri. Depois fomos até o final, onde há um lago, bancos e mais obras lindas. Foi super agradável, é um museu imperdível.
Delicioso café nos fundos do Museu
Lago e mais esculturas no final do jardim dos fundos
Do Rodin fomos ao Musée de l'Armée (Museu das Armas), que fica bem ao lado, dá para ir rodando. Ele fica ao lado da Institution Nationale des Invalides, uma espécie de hospital militar, onde vi vários cadeirantes passeando pelo belo jardim. Me senti em casa! Vários coleguinhas! A Gi cogitou me deixar lá mesmo, mas lembrou que não fala inglês e precisaria de mim. Ufa, salvo pela língua!
É comigo?
Entramos no Museu e lá dentro vimos diversos tipos de armas, de canhões a espadas, e dezenas de armaduras muito bacanas. O museu conta um pouco da história das guerras mundiais e das conquistas francesas, há quadros enormes, maquetes, e até esquemas militares em painéis multimídia! Bem interessante. Na volta para o museu pegamos um ônibus (me informei através do aplicativo Cittymapper, que te dá as opções de transporte de ponto a ponto) em direção à avenida Champs Elysées, onde descemos para subir a pé até o hotel. Deliciosa caminhada, anoitecendo. À noite jantamos no Le Courcelles, um delicioso bistrô próximo ao hotel. Comemos foie gras e tomamos vinho - nacional, claro.
Olha o Lancelot aí!
Não fui eu não, seu dedo duro!
Algumas armaduras em exposição
Pátio do Museu de l'Armée
No dia seguinte, mudamos de hotel. Com ajuda do recepcionista do Méderic, descobrimos o Hotel Des Deux Avenues, na Rue Poncelet, 38. Era mais caro setenta euros, porém não tinha outra alternativa. Felizmente este era todo acessível, apesar da calçada em frente ser estreita, ruim para virar. O quarto era muito grande e o banheiro todo adaptado, com cadeira de plástico móvel na parede. E o staff muito educado e prestativo. Este hotel era ainda mais próximo do Arco do Triunfo, menos de dez minutos andando. E tinha um bar/restaurante na esquina muito agradável, bom para tomar café ou uma cerveja à noite. Recomendo. 
Banheiro do Des Deux Avenues. Ótimo.
Os próximos museus da lista foram o Louvre e o d'Orsay. Conto no próximo post!

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Paris para cadeirantes - parte 1

Em frente à torre mais famosa do mundo
Antes mesmo de elaborar o itinerário da minha viagem para a Europa, já sabia que iria a Paris. Meu pai conheceu a cidade nos anos 90 e sempre me disse que as pessoas não podem morrer sem conhecer Paris. Não espero morrer tão cedo, mas por garantia achei melhor resolver logo essa parada. Encaixei a cidade como destino seguinte a Madri, e ainda quis me fazer uma gracinha: como iria em início de outubro, programei para passar meu aniversário, que é dia 1º, na cidade! Além de curtir meu quadragésimo primeiro aniversário (abafa) na cidade Luz, iria repetir uma "zoada" que meu pai me deu em um certo réveillon. Ele estava na cidade e me ligou dizendo que estava "sofrendo" e tomando um champanhe "nacional" em Paris. Pela saco.
Além de pesquisar sobre a acessibilidade, me consultei com quem conhece bem a cidade, a Laura, do blog Cadeira Voadora. Liguei para ela para pegar dicas adicionais, pois já tinha lido todos os posts dela sobre Paris. Minha principal dúvida era em relação à circulação na cidade, e Laura me disse que o metrô não era boa alternativa, pois só uma linha é adaptada, e que ela andou muito de táxi por lá, apesar de não ser barato. Porém ela fala francês, e portanto não teve dificuldade de comunicação. Essa era outra dúvida, já tinha ouvido falar que os parisienses não gostam muito de falar inglês. Mas não é bem assim, o ideal, é abordar as pessoas na rua em francês, dizendo que não fala a língua, e perguntando se a pessoa poderia conversar em inglês. Decorei a frase "de abordagem" e para completar instalei um aplicativo que tem expressões e frases em francês chamado "aprenda francês grátis", que não precisa de internet na versão básica. Ajudou muito.
Depois de passar por Madri, chegamos a Paris no dia primeiro de outubro, no final da tarde. Me informei e disseram que os ônibus que iam para o Arco do Triunfo eram adaptados para cadeirantes. Porém precisaríamos atravessar o aeroporto até um ponto de ônibus. Depois de alguns minutos andando - e rodando - chegamos ao ponto. Para nosso azar, o próximo ônibus adaptado ia demorar mais meia hora. Como estava anoitecendo, perguntei se poderiam me carregar. Como se dispuseram, aceitei e embarcamos. Depois de uma hora chegamos ao Arco do Triunfo, e a retirada do ônibus foi aquela luta, um segurando por trás e outro segurando as pernas. Pelo menos a escada e a porta do ônibus são mais largos que dos brasileiros.

O Arco do Triunfo é surpreendente, imenso e belíssimo.
Nos deslumbramos um pouco com o Arco do Triunfo, iluminado e imponente, e seguimos para o Hotel Médéric, a 15 minutos a pé (e rodando), em uma ruazinha simpática de frente para um restaurante (o que foi ótimo, já que estávamos morrendo de fome). O hotel era menor do que parecia pelo site - isso acontece muito - e o quarto adaptado era no térreo e de frente para o salão de café da manhã (não incluso na diária). Entramos e o quarto era um pouco apertado, mas suficiente, e o banheiro era logo ao lado esquerdo. Mas foi só abrir a porta do banheiro para a decepção tomar conta. O box não só era minúsculo, como ficava sobre uma plataforma de uns quinze centímetros.
Box do quarto "adaptado" do Méderic
Impossível um cadeirante tomar banho ali. E olha que enviei e-mail para o Booking dizendo que era cadeirante e precisava de um banheiro adaptado, e eles responderam que estava tudo certo. Fui ao recepcionista reclamar e ele disse que era o único quarto adaptado. O jeito era ficar ali mesmo, e tomar banho sentado no vaso, que só seria possível porque o chuveiro era bem adaptado, ligado em uma mangueira. Só que não havia ralo do lado de fora do box - uma coisa que descobri ser muito comum também lá fora. Sem problema, coloquei uma toalha na porta para não invadir o quarto e tomei meu banho. Mas não dava para ficar ali, precisaria trocar de hotel. Como na hora não ia conseguir, relaxamos e jantamos no restaurante em frente, tomando vinho nacional - francês!
No dia seguinte fomos ao primeiro lugar que me veio na cabeça, a Torre Eiffel, claro! Pelo GPS ficava a quatro quilômetros, então resolvemos ir andando. É tudo muito charmoso em Paris, o café da manhã no hotel nem faz falta, é mais interessante tomar café em um dos diversos cafés da cidade. Passamos pelo Arco do Triunfo e seguimos pela Avenida Kléber. Sem muito problema, pois é tudo praticamente plano, só uma pequena subida. Ao final dela nos deparamos com o Trocadéro, uma pracinha com um monumento. Em frente, o Palais de Chaillot e uma ampla praça, com a Torre ao fundo. A praça estava em obras, portanto tivemos que circulá-la para chegar à torre. Atravessamos o rio Sena e chegamos finalmente à torre.

Acesso exclusivo para entrar na Torre Eiffel
Vista da Torre Eiffeil
Para entrar na Torre Eiffel, há uma entrada especial para cadeirantes, sem pegar fila. E ainda é gratuito! Fomos direto para a entrada e fomos conduzidos ao elevador. O elevador passar por um andar em que há um restaurante, onde eu não quis descer, e sobe para o segundo andar, onde fica o principal mirante. Ali há também lojas de lembrancinhas, lanchonete, banheiros (adaptado inclusive) e informações sobre a torre. A grade nas laterais fica em boa altura, de forma que uma pessoa sentada consegue enxergar. Porém, há binóculos acionados por moeda que são altos, somente para pessoas em pé. Deveria haver um mais baixo. Outra limitação é de acesso. Cadeirantes não podem subir ao último andar, no topo da torre. Explicaram que é porque em caso de emergência fica difícil sair, pois só tem um elevador, pequeno.

Outra vista da Torre Eiffel. O rio Sena é muito lindo!
Depois de curtir a torre, resolvemos ir ao Museu Rodin. Fiz sinal para um táxi, e o motorista, que falava muito pouco inglês, foi solícito ao parar. Pela primeira vez depois de cadeirante, entrei pela porta traseira! O carro era um Toyota Prius alongado, com muito espaço atrás. A cadeira coube facilmente no porta malas. Era perto, mas ainda assim ficou caro, doze euros. Depois disso, e de me informar melhor sobre os ônibus, só andei de ônibus. Todos são adaptados e passam com muita frequência, inclusive à noite. Falarei do Museu Rodin no próximo post.

Mais uma belíssima vista da cidade
A grade oferece boa visibilidade para cadeirantes

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...