sábado, 28 de novembro de 2015

Banheiro adaptado diferenciado

Materiais de alto nível em um projeto bem executado
Quem disse que banheiro adaptado tem que ter cara de hospital? Porque tem que ser sempre brancos? A partir destes questionamentos, o paulista Paulo Di Mello, que é designer de interiores, resolveu criar um conceito de banheiro adaptado diferente, aliando as necessidades de uma pessoa com deficiência a um ambiente com bom gosto e elegância, aliado ao seu conforto. 
Vejam abaixo o processo nas palavras do Paulo:
"Quando escolhi este espaço para adaptá-lo para um banheiro para uma PCD funcional, não tinha as medidas necessárias para dar maior mobilidade dentro do espaço, mas consegui que ficasse usável e conceitual para que as pessoas tenham uma outra visão de PCD. Após elaboração do meu projeto para a Mostra Viver São Paulo, a qual estou participando e que tem o patrocínio da Deca louças e metais, meu desafio seria fazer a empresa abraçar a causa através de meu projeto pelo fato de não existir barras de apoio douradas somente cromadas, inox ou brancas o que me faria utilizar uma outra linha de metais.
Com o apoio da Deca utilizei bacia suspensa com caixa acoplada de embutir, sendo o acabamento da válvula com Braille e metais da linha Red Gold com as barras de apoio com o mesmo banho as quais ainda não existem no mercado para venda feitas exclusivamente para meu projeto. Através de outros fornecedores utilizei mármore café imperial na pia e soleira para dar elegância, cortinas para dar um ar de conforto e também produtos sustentáveis como um painel de madeira reflorestável e porta em madeira de demolição. Acredito através deste projeto ter contribuído para que as pessoas passem a enxergar o cliente PCD igual a qualquer outro que tenha gosto e opinião."
Parabéns ao Paulo por pensar que pessoas com deficiência também tem bom gosto e prezam pela qualidade. Gostaram do banheiro projetado por ele? Reparem que seguiu todas as normas de acessibilidade, o espelho é ligeiramente tombado para a frente e a lixeira é do tipo basculante. De alto nível!
Quem quiser entrar em contato com o Paulo, o e-mail dele é contato@paulodimello.com.br

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Cadeirante mineiro é escolhido para levar a tocha olímpica

Felipe treinando em sua handbike
O mineiro Felipe de Souza Lima, de Juiz de Fora, é meu parente e conta em entrevista ao Blog do Cadeirante (BdC) como participou e venceu dois concursos para levar a tocha olímpica em dois trechos de sua peregrinação pelo país até chegar ao Rio de Janeiro em agosto de 2016. Confiram:

BdC: Qual seu nome, deficiência e de onde você é?
Felipe: Meu nome é Felipe de Souza Lima, minha deficiência é a Mielomeningocele, sou de Juiz de Fora, Minas Gerais.


BdC: Que esportes você pratica?
Felipe: O esporte que eu pratico hoje em dia é a corrida de rua.


BdC: De onde surgiu a ideia de carregar a tocha olímpica?
Felipe: A ideia de carregar a tocha olímpica veio depois que eu vi a propaganda da Promoção da Coca-Cola chamada "Isso é Ouro" e a propaganda do Banco Bradesco que são patrocinadores dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio2016.


BdC: Como foram as promoções que você participou?
Felipe: As promoções funcionaram da seguinte maneira eu deveria me cadastrar no site da Coca-Cola e do Banco Bradesco, mas eu teria que ser indicado por alguém, e esse alguém foi meu primo por parte de mãe, que me indicou ele teve que escrever nos dois sites a minha história e falar porque mereço ser selecionado para carregar a tocha. Isso já faz uns 2 a 3 meses, há mais ou menos duas semanas atrás a Coca-cola me ligou confirmando meus dados, me fazendo algumas perguntas e disseram que no prazo de 72 horas o contrato chegaria pra eu assinar, escanear e mandar pra eles de volta, e isso aconteceu e fiz, dois dias depois quando fui abrir meus emails, vi um email do Banco Bradesco dizendo a mesma coisa, que eu tinha sido pré-selecionado para carregar a tocha olímpica, a diferença entre as duas promoções é que na Promoção da Coca-Cola o contrato demorou 72 horas para chegar mas o dia e o local que eu vou carregar se eu for selecionado eu já estou sabendo, será no dia 15 de Maio de 2016 ante véspera do aniversário da minha mãe,aqui mesmo em Juiz de Fora  já na promoção do Banco Bradesco eu recebi o contrato no mesmo dia porém, não sei o dia e nem o local que vou carregar a tocha olímpica agora o processo de seleção passará para o Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio2016.


BdC: Que recado você deixa para quem tem vontade de participar de uma para olimpíada?
Felipe: O recado que eu deixo para aqueles que tem vontade de participar de uma Paralimpíada, é que não desistam dos seus sonhos, corram atrás desse objetivo, treinem bastante, disputem bastante campeonatos para cada vez mais melhorar na sua performance, mas principalmente tenham fé em Deus, porque sem Deus nós não somos nada e não deixem o comodismo, a depressão e outros males pegarem vocês.

Parabéns e boa sorte Felipe, iremos acompanhar sua participação!

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Cadeirantes devem praticar exercícios físicos?

Fazer exercícios é fundamental - para todos!
Sou cadeirante, devo praticar exercícios físicos? eis uma pergunta muito comum entre os cadeirantes. Muitos acham que pelo fato de não possuírem as funções locomotoras de antes, não é necessário então a prática de exercícios físicos. E é óbvio que isso é um mito.
Não fomos feitos para ficarmos parados, tudo que não se locomove uma hora ou outra enferruja, essa é a lei da vida. Não é porque possuo uma limitação que eu não possa ou deva realizar as minhas atividades preferidas, para tudo há soluções e adaptações.
O cadeirante precisa fazer atividades físicas com frequência, inclusive o próprio médico deverá sugerir as melhores opções e frequência de práticas. A única ressalva sobre os exercícios para cadeirantes é o fato de ser necessária a ajuda de algum profissional ou familiar em alguns casos.

Quais os melhores exercícios para cadeirantes?
Existem muitos exercícios que podem ser praticados pelo cadeirante, como é o caso da natação, por exemplo. A natação é uma atividade bastante prazerosa, e além de tudo ideal inclusive para quem busca emagrecer. Mas os benefícios propiciados por este exercício físico vão além dos citados anteriormente.
A natação pode requerer a ajuda de um profissional de educação física, familiar ou amigo. A musculação é outra opção pertinente, mas para alguns este não é um exercício físico confortável, se este for o seu caso, os aeróbicos são as melhores opções.
Há uma série de adaptações de exercícios físicos para cadeirantes, todos eles com suas respectivas peculiaridades. Para definir qual o melhor exercício físico para você, o ideal é procurar a ajuda de um profissional capacitado, que vai avaliar o grau das suas limitações e sugerir a melhor opção, e se será necessário acompanhamento no momento da realização das atividades.

Benefícios dos exercícios físicos para a nossa saúdeOs exercícios físicos são altamente benéficos para a nossa saúde, eles por exemplo ajudam a aliviar o estresse e a ansiedade. Ambos eventos podem ocasionar a temida depressão, por este motivo devemos procurar meios de inibir qualquer ação deste gênero.
Além disso, os exercícios podem ainda contribuir na diminuição do LDL, que é o colesterol ruim. E o melhor de tudo é que ele aumenta os níveis de HDL, que é o colesterol bom. Se você sofre de insônia, saiba que os exercícios físicos podem ajudá-lo a dormir melhor.

Cuidado com o colesterol! 

Já ouviu falar na Serotonina? pois bem, ela é um neurotransmissor responsável pela produção da sensação de bem-estar, os exercícios físicos podem aguçar a produção desse hormônio, e dessa forma aquela sensação de bem-estar inevitavelmente ocorrerá.
Por fim, um dos maiores benefícios das atividades físicas é o auxílio na perda de peso, portanto, caso você esteja querendo eliminar aqueles quilinhos a mais, opte pelos exercícios físicos. Vale salientar porém que, os exercícios só serão efetivos para tal finalidade, se houver uma alimentação balanceada, inclusive neste artigo aqui mostramos a importância de uma alimentação equilibrada.

ConclusãoIndependentemente de ser ou não cadeirante, os exercícios físicos são vitais para a nossa saúde e bem-estar. Citamos anteriormente somente alguns dos benefícios dos exercícios físicos, mas eles proporcionam uma série de outros benefícios para a nossa saúde.
Portanto, as atividades físicas são extremamente importantes para os cadeirantes. Procure a orientação do seu médico, e se informe sobre as melhores atividades físicas para o seu caso. Além dos exercícios, pode ser interessante a realização de sessões de fisioterapia.

Via: ilovesaude.com

domingo, 4 de outubro de 2015

Psicólogo on line

Luciane* atende online por vídeo, áudio ou chat
Muitas pessoas que sofrem um grande trauma que causa limitações severas entram em depressão ou enfrentam problemas psicológicos para o resto da vida. Alguns buscam atendimento psicológico, outros tem dificuldade de buscar seja por causa das limitações ou por não se sentir à vontade. Vejam o post abaixo elaborado por Luciane Melo, que nos apresenta uma alternativa interessante para quem deseja este atendimento com mais comodidade.

Precisando de um Psicólogo? Conheça a Orientação Psicológica Mediada pelo Computador.

Diante do cenário brasileiro e mundial, acredita-se que a psicologia não deve ficar de fora da tecnologia que tem proporcionado facilidades para as pessoas, que de outra forma poderiam ficar sem atendimento psicológico, como portadores de necessidades especiais ou seus familiares que tenham dificuldade para se deslocarem até um consultório físico, moradores de pequenas cidades onde o serviço de psicologia não é oferecido, pessoas que estão sem mobilidade ou acamados, para quem não quer perder tempo nos deslocamentos, que possuem dificuldades no contato social ou até mesmo por ser confortável e cômodo. Vale ressaltar que não se trata de psicoterapia, mas de um atendimento breve, pontual e com foco proposto pelo paciente, podendo ser realizado em até 20 encontros ou contatos virtuais via vídeo, áudio ou chat.
Há trabalhos cientifico-acadêmicos, tanto brasileiros como de outros países que mostram a eficiência/eficácia desse trabalho comparado ao presencial. Em alguns países o atendimento online já supera em quantidade os atendimentos presenciais. 
Essa modalidade é aprovada pelo Conselho Federal de Psicologia, o CRP, resolução 11/2012. Todas as informações trocadas na orientação psicológica são de responsabilidade do psicólogo que deve manter o sigilo das informações conforme o Código de Ética Profissional. Mas é importante alertar que as trocas de informações feitas através da internet não são consideradas totalmente seguras, assim como nós psicólogos protegemos as informações do paciente cabe ao paciente tomar todo o cuidado com o equipamento que está utilizando. Não é aconselhável o uso de computadores públicos.

* A Psicóloga Luciane Isabel Melo Inocêncio CRP 06/109564 é Portadora de Necessidades Especiais. Graduada em Psicologia pela Universidade Paulista - UNIP. Experiência em Plantão Psicológico, Psicologia Escolar, Psicologia Clinica Comportamental, Psicodiagnóstico. Conhecimento sobre Bullyng adquido através de duas pesquisas realizadas, aprovadas pelo Comitê de Ética e Pesquisa (CEP) da Universidade Paulista.
HTTPS://www.facebook.com/lucianemelopsi         

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Paternidade sobre rodas

O sonho de ser pai não acaba com a lesão medular
O primeiro post que fiz sobre este assunto, foi contando a história do Gregori, de Lages, e como ele se tornou pai. Hoje, com muita alegria, venho aqui contar a vocês sobre a minha experiência! Ainda não sou pai por vias de fato, mas se Deus quiser, serei. Minha companheira, que tantas vezes já citei aqui no Blog, a Giordana, está grávida!! E de gêmeos! E agora vocês vão saber como tudo aconteceu.
Antes de virar cadeirante, eu já sabia que poderia ser um ótimo pai. Desde sempre eu adoro criança. Acho que desde que deixei de ser uma - se é que eu deixei mesmo, pois meu pai mesmo sempre afirma que minha mentalidade é de um menino de doze anos. Portanto, ser pai sempre foi um sonho meu. Quando encontrei minha cara metade, depois do acidente que me deixou paraplégico, procurei saber como poderia ter filhos.
A primeira opção que encontrei foi a fertilização, também conhecida como inseminação artificial. A fertilização é o método mais comum e com maior probabilidade de sucesso. Só que é um processo caro, entre doze e vinte mil reais. Quando comecei a pesquisar, descobri que há um programa do Hospital das Clínicas que faz a fertilização gratuitamente. É preciso fazer uma triagem que começa no posto de saúde, que te encaminha para uma consulta com um urologista, e em seguida para a fila de espera, que costuma durar uns dois anos até ser chamado para os exames finais e a fertilização. Fiz todo o processo, fui chamado e fiz o espermograma, para identificar se há espermas móveis em boa quantidade. No meu caso não havia, portanto o procedimento indicado para colher os espermas seria punção. Neste ponto, em conversa com a Gi, decidimos que ainda não era o momento ideal para termos filhos. Interrompemos o projeto.
Gi pronta para receber os óvulos fecundados
Até que, ano passado, voltamos a conversar sobre isso. Com o avanço das nossas idades, se fosse para ter filhos, era o momento. Na verdade, só precisei convencer a Gi a ter filhos, pois eu não deixei de querer hora nenhuma. Já que chegamos a um acordo, fomos atrás do método. Voltar à fila era impensável, portanto fomos atrás de clínicas particulares. Perguntei a um amigo que havia feito há pouco tempo e ele indicou a Origen. Fomos lá e nos assustamos um pouco com o preço, quinze a vinte mil reais. O preço varia porque a compra dos remédios varia de acordo com a produção de óvulos. Pesquisando outras, descobri a Clínica Vilara, que funciona dentro do Hospital Vila da Serra. O preço era bem melhor, de doze a dezesseis mil. Gostamos do médico e da estrutura, resolvemos encarar.
Vou falar agora do processo de fertilização propriamente dito. Funciona assim: a mulher estimula a produção de óvulos artificialmente, com a utilização de remédios - a quantidade de remédios que a mulher toma depende da idade e da velocidade de produção dos óvulos. O médico vai acompanhando quantos óvulos são produzidos e decide o momento em que já são suficientes. No nosso caso, a Gi produziu oito óvulos, um número razoável, mas o médico sugeriu congelar aqueles óvulos e fazer mais um mês de tratamento para juntar pelo menos mais sete ou oito, por garantia. O problema é o custo, os remédios são muito caros. Resolvemos arriscar com os oito.
A gente acompanha a introdução dos óvulos pela tela - dá pra ver só um pontinho, mas é emocionante!
Como eu já havia feito espermograma, sabia que a retirada dos meus espermas seria por punção, ou seja, retirado direto na fonte, através de uma minicirurgia onde eles abrem o escroto e os buscam com uma seringa. Após a retirada, o médico faz os testes para ver se encontra espermas com boa mobilidade e procede para a inseminação. No mesmo dia, os óvulos da mulher são colhidos, e os espermas bons são colocados em contato com os óvulos, para a fertilização. Os óvulos fertilizados são cultivados em laboratório, e assim que estão evoluindo é marcada a inseminação. Os óvulos são então introduzidos na mulher. Dos oito óvulos retirados, sete estavam bons, o médico separou os cinco melhores e fecundou quatro. Introduziu três na Gi, para acompanhar. É possível que nenhum deles evolua, ou somente um. É muito raro os três vingarem, assim nos disse o médico.
Gi já apresenta uma leve barriguinha - e um grande sorriso no rosto!
A partir daí, o médico foi acompanhando a evolução com ultrassons semanais. Até a quarta semana, os três estavam indo bem! Ficamos um pouco assustados com a possibilidade de trigêmeos, mas se fosse para ser, daríamos conta. Até que na quinta semana um deles parou de evoluir, mas os outros dois continuaram! E continuam até hoje, graças a Deus. Já descobrimos que é uma casal e já demos os nomes, Anne e Max. A Gi está entrando no sexto mês daqui uma semana e eles estão desenvolvendo bem.
E agora começa a luta para montar o quarto dos bebês - adaptado para mim, é claro - e comprar um caminhão de coisas para cuidar deles nos primeiros meses. Aliás, caminhões, porque só de fralda já enche um...

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Speedicath

Um cateter diferente, mais prático e avançado
Faço cateterismo há nove anos e já imaginei se um dia conseguiriam simplificar o processo. Esse negócio de preparar tudo, colocar luva, molhar gazes, passar sabonete, higienizar, usar xilocaína, colocar com precisão e cuidado, aguardar o esvaziamento da bexiga e descartar o material e depois guardar tudo.... ufa, dá um trabalhão. É muito complicado, mesmo estando acostumado, tem hora que dá nos nervos. Sempre pesquiso sobre novos materiais, novas tecnologias, e em uma destas pesquisas descobri o Speedicath. Mas não tinha experimentado, até semana passada.
Ele se fixa facilmente a vários tipos de superfície
O Speedicath é um cateter diferente, voltado para simplificar o processo mantendo a segurança. Ele não é enrolado, como os cateteres comuns. Ele vem em uma embalagem reta, como um canudo, e vem pronto para uso, de utilização simples e intuitiva. Ele é projetado para aumentar o conforto e minimizar o risco de danos à uretra. Tem revestimento hidrofílico exclusivo e orifícios polidos  que garantem um cateterismo suave, tanto durante a inserção quanto na retirada do cateter. Isso significa que não precisa besuntar de xilocaína e enfiar muito vagarosamente para não ocorrer perfuração da uretra.
Alça que facilita a abertura do Speedicath
O SpeediCath é rápido e fácil de usar. O anel de abertura permite abertura fácil e o ponto adesivo garante que o cateter permaneça onde foi colocado. Isso facilita o manuseio, basta tirar protetor do adesivo e fixar em algum lugar, aí é só puxar pelo anel que ele se abre, deixando à mostra o cateter. Aí é só pegar próximo à base, mirar no buraquinho e enfiar até atingir a bexiga. Tudo isso agiliza muito o cateterismo, fiz alguns testes e o tempo reduziu em mais de trinta por cento. O único ponto chato é mirar para acertar o buraco da uretra, pois não podemos pegar na ponta. Mas com prática dá para pegar a manha. Outro ponto negativo do Speedicath é o preço. Enquanto uma sonda comum sai por menos de um real, ele custa em média seis e cinquenta. Mas ele dispensa a compra de alguns materiais, como as luvas plásticas e xilocaína, portanto no fim das contas a diferença diminui. Gostei do produto, muito útil, principalmente em viagens ou saídas. Imaginei como seria útil em uma festa de formatura ou evento, por exemplo.
Forma correta de segurar. Nem precisa de luva, a mão não encosta na parte que entra.
Quem demonstrou para mim foi a Helenita, que trabalha com ele na região de BH. Ela veio até minha casa mostrar o Speedicath e aproveitou para mostrar outros produtos da Coloplast, como o Conveen, um coletor urinário que dispensa a gravatinha, pois tem uma cola por dentro. Ela tem muita didática e paciência para explicar e tirar todas as dúvidas. Quem tiver interesse, ligue para ela  no número (31) 9787-9971 e agende uma visita. Os produtos são ótimos, recomendo!

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Vestindo calça sentado

Taí uma tarefa que costuma ser enjoada - até pegar a prática
Logo que sofri o acidente que me deixou paraplégico, percebi que uma das tarefas mais rotineiras e repetidas precisaria ser adaptada: trocar de roupa. Como sou muito alto e pesado, com a perda dos movimentos, deitado, e ainda machucado no ombro, não pude auxiliar muito as enfermeiras que me atenderam e dei bastante trabalho nas trocas de roupa. Para colocar e tirar bermudas e calças, elas me viravam para um lado, subiam um pouco uma perna, me viravam para o outro, e assim ia, pelejando. Quando chegava na cintura a coisa complicava, muitas vezes era preciso erguer o quadril, e aí era preciso a ajuda de um parente ou de um enfermeiro mais forte.
Quando comecei a me virar sozinho, imitei a técnica das enfermeiras, e ficava me virando na cama para vestir calças. Parecia uma cobra enlouquecida, vira para um lado, puxa do outro, vira de novo, puxa mais um pouco. Achava isso tudo muito trabalhoso e cansativo. Assim que fui para o Sarah acreditei que me ensinariam técnicas mais apuradas e menos cansativas, mas disseram que a melhor forma de vestir calça era deitado mesmo, puxando aqui e ali até chegar na cintura. Até ensinaram a puxar sentado na cama, porém não acrescentou muito. Mas eis que, em conversa com outros internos, me deram a dica: poderia vestir calças sentado na cadeira, aproveitando as mãos grandes para apoiar nos protetores de roupa e puxar a calça com os polegares. Desde então, só me visto desta forma. Acho muito mais rápido e menos cansativo do que deitado. E este é outro motivo para usar os protetores de roupa com abas dobradas que mostrei no post anterior. Este modelo permite segurar com as mãos e puxar a calça ao mesmo tempo.
Calças Jeans são mais complicadas de vestir
O cuidado que se deve tomar é o ajuste da calça atrás, pois nesta técnica a calça pode não subir completamente e deixar à mostra o famoso "cofrinho", o que garante uma "pagação de mico" nas transferências. Pior ainda é quando a calça agarra em algum lugar nas transferências e o espetáculo é ainda maior, com um verdadeiro "strip tease". Já aconteceu comigo algumas vezes, principalmente quando a calça agarra no protetor de roupa da cadeira ao sair do carro. Graças a esse descuido já fiquei de cueca algumas vezes na garagem do trabalho. Felizmente não havia mulheres por perto e consegui puxar rapidamente a calça, mas rendeu boas risadas dos manobristas e de quem estava passando... 
Aí entram minhas dicas sobre a escolha da calça. Hoje já existem calças adaptadas para cadeirante, até mesmo jeans, mas como ainda não conheço e nem experimentei, vou falar de calças comuns. Para o dia a dia, recomendo usar calças de nylon ou outro material escorregadio, pela facilidade para colocar e tirar. E também por serem confortáveis e bonitas - pelo menos para mim. No horário comercial, para quem trabalha em escritório, em atividade administrativa, tem a opção de usar calças sociais. Elas também são muito fáceis de vestir e confortáveis para o dia a dia. Mas e as calças jeans? Usadas pela maioria das pessoas, elas também podem ser vestidas com esta técnica, e apesar da maior resistência, entram até o final com algumas reboladas (sem duplo sentido, por favor).
Calças de nylon e materiais lisos são mais fáceis de vestir
Veja no vídeo abaixo a técnica que uso. Gostaria de deixar claro que ela só deve ser tentada se o cadeirante tiver bom controle e equilíbrio do corpo, além de força nos braços. Nas primeiras tentativas, é importante ter alguém por perto apoiando para um caso de desequilíbrio. Minha lesão é alta, T2 óssea e medular C7 - portanto sou considerado tetra, mas nunca perdi força nos membros superiores e recuperei alguma musculatura abaixo da lesão que me permitem fazer isto e outras peripécias com segurança - que com o tempo, aprimorei. Essa é a chave para qualquer atividade, se não se sentir seguro, não faça.
Enfim, espero ajudar outras pessoas que procuram formas de agilizar estas atividades do dia a dia. Para mim, funciona!

domingo, 16 de agosto de 2015

Protetores de Roupa

Meus protetores são fixos, mas com abas.
Também conhecidos como abas ou para lamas, os protetores de roupa são peças fundamentais da cadeira de rodas. E devem ser bem escolhidos para evitar futuras dores de cabeça - ou de corpo, pois podem atrapalhar as transferências e até causar uma queda. Mas o que muita gente não se toca é que há muitas outras utilidades para os protetores de roupa, além, é claro, de proteger as roupas.
Esse foi o que pedi originalmente na TiLite. Arrependi, nem cheguei a usar.
Já vou deixar claro minha preferência pessoal: gosto de protetores móveis e com abas dobradas, daqueles que se parecem mais com para lamas mesmo. Cheguei a tentar usar protetores retos, mas não me acostumei, e ainda tive dificuldades nas transferências, pois eles eram grandes e só dobravam para dentro. Os principais motivos para usar abas dobradas: uso eles diariamente para vestir roupa e para fazer elevações. Para vestir roupa me apoio nos protetores, seguro a calça com os dedos e "pulo" dentro da calça. Vou demonstrar isso em um vídeo, e talvez até em post, afinal considero uma tarefa complexa vestir uma calça jeans, por exemplo. A técnica aprendi no Sarah, mas não nas aulas, e sim com um outro "interno" lá dentro. Fazer elevações, para quem não sabe, é o importantíssimo gesto de se apoiar nos protetores e tirar a bunda da cadeira por alguns segundos. Esta tarefa é fundamental para evitar escaras, as temidas úlceras de pressão.
Os protetores da M3 é muito bom, removível e com boa distância para as rodas
Outra função importante dos protetores é carregar documentos. Estranho falando assim, mas quem é cadeirante sabe o quanto é difícil levar, por exemplo, uma folha A4 que não possa ser dobrada em cima das pernas. Ainda mais para quem usa calças sociais para trabalhar. Pouca coisa irrita mais um cadeirante do que coisas caindo do colo e se espalhando no chão. Você coloca uma coisa, a outra escorrega. Se abaixa para pegar, e cai outra coisa. Ai que ódio. Com os protetores, é fácil colocar folhas, envelopes e até pastas finas ao lado do corpo para levar para todo lado.
Muito útil também para carregar documentos
Enfim, fica a dia: escolha bem seus protetores de roupa. Afinal, além de proteger a roupa, podem ser usados para muitas outras coisas. E evita passar raiva em muitas ocasiões.

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