domingo, 17 de julho de 2011

Intercity Hotel - Florianópolis

Quando reservei o hotel que ia ficar em Floripa, frisei bem que precisava de um quarto adaptado para cadeirante. Depois, mandei um e-mail solicitando confirmação de que o quarto era adaptado, e ainda perguntei se tinha cadeira de banho. Diante da confirmação, fiquei mais tranquilo, pois já passei raiva com estes hotéis "pseudo-adaptados" que tem por aí.
Cheguei ao hotel e já gostei da entrada, tem uma porta giratória e uma comum. Mas o balcão de recepção é alto, e não tem um rebaixamento para atender cadeirantes (ou baixinhos). O atendimento foi muito bom, e fui encaminhado para o quarto, que fica no primeiro andar. Isso parece bobagem, mas em uma eventual falta de luz facilita para descer pelas escadas. Fiquei em um hotel em Vitória uma vez que o quarto ficava no quarto andar, aí faltou luz e os caras suaram para descer comigo até o térreo. Sem contar a insegurança.
O quarto é muito espaçoso, dá para rodar com a cadeira de um lado e do outro da cama. Tem uma bancada comprida, com uma ramificação onde fica a TV, e atrás fica o frigobar, que é pequeno e fica próximo ao chão, dificultando um pouco pegar as coisas nele.
Só faltou vaso para deficientes
O banheiro me impressionou. É gigante. A pia é vazada embaixo, fácil de entrar com a cadeira. Tem barras para auxiliar na transferência para o vaso, mas este não é específico para deficiente (aquele com abertura na frente) e é muito baixo, dificultando um pouco a volta para a cadeira. O box do banheiro é excelente, tem até dois chuveiros, uma ducha de um lado e um chuveirinho deslizante, ideal para deficiente, com duas barras para apoio. O banco é escamoteável e grande o suficiente para garantir estabilidade no banho. Mas identifiquei um problema deste tipo de banco: não é regulável em altura, achei difícil voltar para a cadeira. Nesses casos, costumo tirar a almofada da cadeira para ficar mais baixo.
Mas como nem tudo é perfeito, dois problemas de manutenção me dificultaram o banho: o suporte de sabonete e xampu estava quebrado, tive que usar a cadeira para isso, e o suporte do chuveiro, da barra deslizante, também estava quebrado, impedindo de usar como chuveiro mesmo.
Cabideiro retrátil
Mas teve uma coisa que eu adorei. Tinha um cabideiro retrátil no armário. Nunca tinha visto esse equipamento, ele resolve o problema de quem tem dificuldade de alcançar as roupas que ficam penduradas. Tem uma barra no meio do cabideiro, é só puxar ela que o cabideiro desce até fazer 90 graus e trava, deixando os cabides todos ao alcance. Depois de tirar ou colocar as roupas, é só empurrar de volta que ele trava no lugar de novo. Achei tão bacana que fiz até um vídeo.
Avaliando os prós e contras, dou nota nove para o hotel, do ponto de vista da acessibilidade para cadeirantes. Ficaria de novo numa boa. Mas eles tem que dar mais manutenção.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Chegando em Floripa

Bem feinho esse aeroporto heim? Parece rodoviária...
Hoje começo a contar minhas experiências na volta a Florianópolis depois de cinco anos. E vou começar pelo aeroporto. Eu já o conhecia, mas como andante, e já sabia que é do tipo "térreo", que não tem um segundo andar operante, ou seja, que recebe passageiros das aeronaves. Portanto, nada de finger (o corredor que vai até a porta do avião, tão querido pelos cadeirantes). 
Restava saber se tem Ambulift (caminhão que sobe até o avião) ou Stair-tac (aquele robozinho que sobre escadas). Este último costuma ter em todo lugar. Quanto ao primeiro, já me informaram no avião que não havia disponível (como se estivesse ocupado... sei...). Mas esse é fácil perceber se tem ou não, afinal é um caminhão nada discreto. E o segundo, fique sem saber, pois o pessoal de bordo não soube dizer, e o pessoal de terra nem sabia do que se tratava. A solução foi invocar o "Rice & Beans", ou, no popular, "Arroz e Feijão" que os caras comeram para dar conta de me carregar escada abaixo. Deviam pedir "vale-academia" para ficar fortes e aguentar os cadeirantes sem perigo (sem perigo mesmo é impossível, convenhamos).
A bela vista de quem desce de "Rice & Beans"
Chegando ao aeroporto, achei bem adequado o espaço para circulação, e as rampas tem uma inclinação suficiente para subir sem ajuda. Depois fui conferir os banheiros (e aproveitar para aliviar a bexiga). Demorou um pouco para encontrar, afinal fica ao lado de uma cabine, mas achei bem espaçoso e adaptado, com barras para todos os lados e o tenebroso "vaso vazado", com aquele buraco no meio que muita gente não sabe pra que serve - eu creio que seja para facilitar a limpeza da saída de esgoto, já que a gente não consegue dar aquela levantadinha lateral. Além disso, facilita para as mulheres fazerem o cateterismo (me corrijam se estiver falando bobagem). Mas acho as bordas muito finas, difícil de equilibrar, prefiro cadeira de banho mesmo (quando tem, claro).
O vaso vazado
Mas pra que o tablado? Será que tem show?
Mas teve uma coisa que adorei. Ao pedir um táxi, vi o sonho de consumo de um cadeirante em viagem, que além da cadeira tem malas para carregar: uma fila só de Palio Weekend! Nenhum taxista iria virar a cara para a bagagem extra nem se incomodaria em desmontar a cadeira, afinal ela vai montada. E foi tranquilo mesmo, coube cadeira e mala (ou melhor, malas, contando comigo).
Quem quer levar um cadeirante aí?? Eeeeeeuuuu!!!
E então fui para o hotel. No caminho, já estava lembrando das muitas aventuras vividas na ilha, inclusive de uma trilha de bike que fiz no morro do lado de cima da estrada, maravilhosa. E as memórias foram voltando... Passei perto da casa de uma guria que tive um caso, lembrei de uma ida ao centro para conhecer a famosa Figueira milenar, dizem que quem dá não sei quantas voltas nela garante o casamento (essa eu pulei), e finalmente, me deparei com a belíssima e histórica Ponte Hercílio Luz. Como diz um amigo meu, rolou até uma lágrima no canto do olho... Depois conto sobre o hotel e outras koisas... Ih, me adiantei!
A Ponte e o belo fim de tarde quando cheguei a Floripa!

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Participação na Revista Incluir

Aquele na foto do canto ali sou eu!
Hoje recebi a edição número 12 da Revista Incluir, em que contribui para uma reportagem sobre a acessibilidade nos aeroportos brasileiros. Como conheço alguns, dei minha opinião, e elegi os piores: Vitória/ES e Cuiabá/MT. Nenhum deles tem finger (aquele corredor que chega até o avião) e nem ambulift (aquele caminhão que se eleva até o avião), mas o de Vitória tem pelo menos aquele robozinho que sobe escada com o cadeirante em cima.
Há autoridades preocupadas com os aeroportos, alguns deles já estão em obras e tem muita gente cobrando, mas o interessante notar é que todo esse movimento está baseado somente nos próximos eventos que ocorrerão no Brasil: a Copa do Mundo e as Olimpíadas. Isso porque virá gente do mundo todo e tem que fazer bonito para eles. Mas porque não tomaram estas atitudes antes para atender a todos os brasileiros? Será que foi porque ninguém reclamou?? Duvido. É bem mais provável que nada foi feito até hoje porque o orçamento destas obras sempre sofreu "rombos" na hora da execução e acabaram deixando de lado a questão da acessibilidade. Mas a gente tá aí é para denunciar, né não? E amanhã vou avaliar mais um aeroporto, que já conheço de antes de ser cadeirante, mas agora vou observar do ponto de vista da acessibilidade.
Obs.: Hoje o Blog atingiu 700 seguidores!! Obrigado gente, é muito bom saber que tem tanta gente interessada no que eu escrevo. Mas tem um detalhe: o seguidor número 700 é.... a Gi, minha namorada! Dá para acreditar que até hoje ela não me seguia? Na verdade, é só aqui que faltava ela me seguir... vou ficar atento com o que escrevo... (a propósito, gatas de Floripa, amanhã estou chegando!! Provavelmente solteiro, depois que ela ler isso...)

domingo, 10 de julho de 2011

Floripa!

Belíssima e imponente, a ponte Hercílio Luz
Há pouco mais de cinco anos eu estava saindo de Florianópolis de férias do mestrado, sem imaginar a triste surpresa que aquelas férias me trariam. Na última semana, já pensando na estrada que eu pegaria na volta para a "ilha da magia" para retomar meus estudos, um trator aparece no meu caminho, causando o acidente que me deixara paraplégico. E minhas aulas jamais seriam retomadas, e eu não veria mais a belíssima ilha de Santa Catarina.
Mas felizmente a vida continuou, me recuperei, e agora sobre rodas, terei a felicidade de ver Floripa novamente! E antes do que eu planejava. Isso porque prometi pra Gi que a levaria para conhecer Floripa, e programamos tirar férias juntos no fim do ano para isso. Mas pintou um curso para fazer pelo trabalho, e estarei embarcando na terça feira! Vai ser muito bom rever a ilha e relembrar dos muitos momentos felizes que passei por lá. 
Dirigindo pela beira mar, com as turmas do mestrado, de bike e de trekking
Lembro como se fosse ontem, eu pegava a bike na cozinha, descia as escadas do condomínio Itambé e ia para a Universidade pedalando. Chegando lá, tinha um morrinho em que todo dia eu dava um salto com a bike, perto do prédio do CPGA. Assitia as aulas e ia para o "Bandejão" pegar aquele rango baratinho. Depois, ia pra casa ou para um dos gramados ouvir música tocada ao vivo por bandas universitárias. E nos fins de semana, a rotina era pesada: balada na sexta, trilha de bike no sábado, mais balada à noite, trekking domingo de manhã, programa cultural à noite - cinema, teatro, café (ou mais balada). Haja fôlego!
Fiz bons amigos por lá, mas já perdi contato com a maioria deles. Mas pelo pouco tempo que vou ficar nem dava para encontrar com o povo mesmo, sem contar que estarei a trabalho. Mas vai ser muito legal rever as belezas da ilha. E vai ser legal também observar a acessibilidade dos lugares (pelo que me lembro, era bem melhor de que em BH). Só que vai estar um frio...

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Vagas alteradas no Santander

A vaga absurda que haviam feito na agência do Santander...
Gente, quando uma coisa dessas acontece, vejo que vale a pena lutar por nossos direitos. Há alguns meses, precisamente em fevereiro, meu amigo Alfredo Miranda (que tem um Scooter que avaliei),  me mandou um e-mail denunciando uma vaga para deficientes absurda feita numa agência do Santander no bairro Gutierrez (na foto acima). Publiquei aqui no blog e mandei um e-mail para o Santander reclamando, mas não recebi resposta. 
Felizmente, ontem o Alfredo me mandou outro e-mail contando que viu obras na agência e eles refizeram a vaga! Desta vez, seguiram os padrões de acesso ditados na NBR 9050 (além de regras de bom senso, né?) que tornam possível um cadeirante sair do carro sem cair em cima do jardim ou se espremer na parede. Vejam só como ficou bom!
... e as vagas novas na agência. Fizeram até uma para Idosos!
Agora sim! Tô até pensando em abrir conta lá...
Parabéns (e obrigado) ao Alfredo pela denúncia eficiente e ao Santander por atender às nossas reivindicações, e à norma, claro. A propósito, na época o Alfredo tinha me informado até as normas legais que obrigam os bancos a ter vagas especiais, mas não publiquei por um deslize: é o Decreto n° 5.296, de 02 de dezembro de 2004, que regulamenta a Lei n° 10.098/00, para, no art. 25, determinar a reserva de 2 % (dois por cento) do total de vagas regulamentadas de estacionamento para veículos que transportem pessoas portadoras de deficiência física ou visual, desde que devidamente identificados.
É o mínimo, né gente?

Colunista em site

Há alguns dias o Jorge Teixeira, administrador do site Acessibilidade Total, me convidou para ser colunista do site, contribuindo com matérias relativas a acessibilidade e ao meu dia a dia. O site surgiu de um grupo de discussões no Facebook sobre acessibilidade, e é tocado por um grupo de paulistas, além de eventuais colunistas, como eu. É uma iniciativa muito bacana, que só tem a agregar na luta por mais conscientização e  um país mais acessível.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Bistrô Árabe Casa de Abrahão

No último sábado estive em um agradável restaurante para comemorar o aniversário de um grande amigo meu, Marbeny, ao centro na foto, que acabou de voltar de uma mega viagem pelo mundo. O nome do restaurante é Casa de Abrahão, nome do proprietário, que o define como um Bistrô Árabe. É especializado em comida árabe (não diga!) e tem um charme todo peculiar, com decoração típica e até "nichos" (como este acima), locais com mesas baixas, almofadas e cortinas, o que torna a experiência ainda mais marcante. Passar da cadeira para os bancos com almofadas foi fácil, mas para voltar precisei de ajuda, mas nada que uma forcinha extra na subida não resolva. 
O lugar em que ele fica é um show à parte. Encrustado entre as montanhas de Brumadinho, depois do restaurante Topo do Mundo, onde fiz meu salto de parapente, o lugar é maravilhoso. O restaurante não é tão acessível quanto desejável, tem dois degraus na porta e não tem banheiro adaptado.
Lá aconteceu uma coisa muito legal: quando o Abrahão foi nos servir, virou pra mim e perguntou: você tem um blog, não tem? Achei especialmente inesperado porque não era ninguém diretamente relacionado a algum cadeirante, mas aí ele me esclareceu que a Laura Martins, do blog Cadeira Voadora, esteve lá no início do ano e avaliou o lugar quanto à acessibilidade, e o seu Abrahão achou meu blog através do dela. Ele mesmo também é blogueiro, e no blog dele há relatos sobre os pratos que cozinha, os vinhos que serve e também registros de alguns eventos acontecidos no restaurante.
Os pratos são deliciosos, preparados com ingredientes típicos e de acordo com os maiores padrões de comida árabe. Comemos na entrada pão árabe quentinho com kibe cru e vários patês, inclusive um de abóbora picante delicioso, e depois provamos kibes fritos. Nesses últimos deu para perceber o quanto é diferente (e mais gostoso) quando preparado com bons ingredientes e temperos corretos. Para o prato principal seguimos uma sugestão do Abrahão e comemos um frango recheado com especiarias, arroz e pure de batatas. Uma delícia!

sábado, 2 de julho de 2011

Descaso com esporte para cadeirante

Outro dia eu estava no trânsito, indo para a UFMG, quando um carro emparelhou comigo e o cara gritou "e aí cara, é você que tem um blog pra cadeirantes?" Respondi que sim e o cara, que descobri que se chama Fábio, disse ser cadeirante também e seguidor do blog, e que tinha que trocar uma ideia comigo. Falei para ele me mandar um e-mail e o trânsito andou.
Depois disso mandei meu telefone e o Fábio me contou que mora em Ribeirão das Neves, município perto de BH, e que se eu já enfrento problemas de acessibilidade aqui, a situação por lá é muito pior, tanto de acesso quanto de atenção com os deficientes pelo poder público. A prefeitura de lá chegou a criar em 2007 um projeto chamado NESC, Núcleo Esportivo Social e Cultural, para incentivar o esporte na cidade, inclusive o adaptado, mas hoje ele está abandonado. 
O pessoal até se reúne toda segunda feira, com a ajuda de um funcionário da prefeitura, para praticar basquete adaptado, mas não há nenhuma cadeira própria para o esporte, utilizam a própria cadeira e não há nenhum outro incentivo para o pessoal a não ser o lugar que é disponibilizado. O poder público precisa prestar mais atenção a esses projetos, pois o esporte só tem a acrescentar na vida de quem tem deficiência e vive em cadeira de rodas, além de promover a integração possibilita uma atividade física que contribui muito para o bem estar e para a saúde.
Mas eles não estão sozinhos, na maioria das cidades não há projetos eficientes voltados para o esporte adaptado, geralmente depende de uma ONG ou das próprias pessoas que gostam de praticar esportes, que lutam muito para conseguir um espaço ou qualquer outro incentivo. Cabe a nós cobrarmos e continuar na luta por melhor qualidade de vida.

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