segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Madri para cadeirantes

Um dos símbolos de Madri
Neste mês realizei mais um sonho antigo: fui à Europa para conhecer alguns países. Eu e Gi começamos pela Espanha, na capital Madri. Escolhi a cidade porque era uma boa alternativa de entrada, e tinha boas referências da família. Reservei antecipadamente um hotel próximo ao aeroporto, pois ficaria somente um dia e meio na cidade, e viajaria para Paris no dia seguinte. Reservei pelo Booking.com o Barajas Plaza, que tinha quarto adaptado, e enviei uma solicitação especial informando que era cadeirante e precisava do quarto e banheiro adaptados. Alguns dias depois recebi a resposta do Booking informando que o hotel havia confirmado meu pedido.

Plaza Mayor, com um divertido Homem Aranha
Depois de dez horas de viagem, chegamos a Madri de madrugada, às cinco e meia da manhã. Até sair do avião - por último, como sempre - pegar mala e passar pela imigração, já era quase sete. Já tinha visto que o hotel ficava a menos de três quilômetros do aeroporto, mas ir andando não ia rolar. Poderia pegar um ônibus ou o metrô, mas dado o cansaço achei melhor pegarmos um táxi, afinal não poderia ficar muito caro. Poderia sim... Em poucos metros rodando reparei no taxímetro: vinte euros. Perguntei ao motorista o motivo do valor e ele me explicou que o valor mínimo era aquele, já é padrão. Nunca paguei tão caro para andar tão pouco. Mas já estava feito, fazer o que.

Quarto meia boca no Barajas Plaza
Chegamos ao hotel quase oito da manhã, expliquei que solicitei check in antecipado mas o atendente me disse que não poderia entrar antes das nove da manhã. Reclamei mas achei melhor aguardar no hall, onde haviam alguns sofás. Perto das nove horas chegou uma senhora, que me pareceu ser proprietária, e agilizou o quarto. Porém, veio com más notícias. Me explicou que o quarto adaptado para deficientes era de solteiro, e ofereceu um quarto comum. Expliquei que meu problema era o banheiro, e fui até um deles para ver se dava. Nada feito, minha cadeira nem entrava no banheiro. Pedi então para trocar a cama do quarto de deficiente, descansamos ali mesmo por uma hora e pouco, e fomos para o quarto "adaptado". Entre aspas sim, para minha infelicidade. O quarto era pequeno, a cama de casal ocupou o espaço todo, e ao lado havia uma parede que atrapalhava aproximar com a cadeira. Além disso, o banheiro, apesar da porta grande, tinha um box pequeno, e ainda sem cadeira higiênica. Como era só uma noite, e a gente ia passar o dia na rua, pedi um banco plástico e fomos conhecer Madri.

Pracinha no bairro Barajas
A dona do hotel me indicou a melhor maneira de rodar pela cidade: de metrô, pois havia uma estação próxima ao hotel. Fomos andando (e rodando) até a estação, passando por uma bela pracinha e uma igrejinha que me lembrou o jogo Assassin's Creed, em estilo medieval. Na estação me informei com a atendente como chegar na Plaza del Sol, nosso primeiro destino turístico. Ela fez algumas ligações e deu o caminho, eu teria que trocar de trem duas vezes, pois em uma das estações o elevador estava quebrado, portanto não dava para trocar uma vez só. Mesmo usando três linhas de metrô, a passagem custou somente dois euros por pessoa. O metrô de Madri imenso, tem várias linhas e cobre os principais pontos da cidade. É possível comprar passagem em máquinas automáticas, escolhendo o destino, mas é importante procurar saber sobre a situação dos elevadores, pois em algumas estações eles não funcionam.

Plaza del Sol, num belo dia de sol
Chegamos à Plaza del Sol, que conta com várias ruas fechadas bem charmosas e dezenas de lojas e restaurantes. Paramos em um restaurante para comer e resolvi experimentar as "Patatas Bravas" por recomendação de um amigo, e descobri que são batatas com um molho muito apimentado! Obrigado, heim Pedro? Se não fosse a cerveja estaria cuspindo fogo até agora... Só recomendo se a pessoa gostar muito de pimenta. De lá, resolvemos pegar um ônibus de turismo, há duas linhas que passam pelos principais pontos turísticos. Você paga uma vez só e pode descer e subir quantas vezes quiser. Há passagens válidas por um dia, dois ou uma semana, fiquei com um dia só. Não é barato, foram 21 euros por pessoa, mas vale a pena. Você ganha um fone de ouvido e coloca na lateral da poltrona, e escolhe a língua em que quer ouvir a narração da viagem. Tem em português, mas estava muito ruim o áudio e preferi ouvir em espanhol mesmo. Dá para entender.

Vista do Palácio de Comunicaciones
Passando por uma praça, a Gi observou um prédio antigo bem alto e um pessoal andando lá em cima, aí resolvemos descer. O prédio era o Palacio de Comunicaciones, localizado na Plaza Cibeles. Nesta praça tem um monumento que, para mim, é o monumento ao cadeirante, composto de uma mulher em uma cadeira sobre rodas puxada por dois leões! Atravessamos as avenidas e chegamos ao Palácio, e na hora estava tendo uma manifestação. Não sei quem eram ou o que pediam, mas tinham muitas faixas e cartazes, e a polícia estava na área. Mas não teve barraco, tudo pacífico e organizado. Entramos para saber o que tinha lá em cima, era um snack bar muito bacana e tinha acesso para cadeirantes. Subimos pelo elevador e lá em cima tinha um lance de escadas, mas havia um elevador lateral, de corrimão. Vi muito isso em Madri, até mesmo para vencer dois lances de escada. Lá em cima desfrutamos de deliciosos drinks e de uma belíssima vista da cidade e de brinde um belo por do sol.
Plaza de Cibeles, pra mim, monumento ao cadeirante
No dia seguinte fomos para Paris. Mas deixei mais um dia e meio para Madri, pois pegaria o voo de volta lá. Voltando de Roma, chegamos em Madri meio dia e pouco, desta vez escolhi o Íbis Aeropuerto Barajas, que acabou sendo o melhor hotel da viagem. Quarto espaçoso, banheiro bem adaptado e preço justo, só cinquenta e dois euros a diária. Como cheguei com muita dor não saímos do quarto. No outro dia fomos (de metrô) ao Santiago Barnabéu, estádio do Real Madri. Caro para entrar, não animei, queria mesmo ir na loja do clube, que mais parece um shopping. Tem tudo quanto é produto do Real Madri, eles sabem fazer marketing do time. A propósito, só há dois times no mundo que tem uma Tríplice Coroa, eles e o Cruzeiro Esporte Clube.
Mostrando aos espanhóis quem comanda o Brasileirão...
Depois disso fomos ao Palácio Real, que é a residência oficial do Rei da Espanha. Assim que entrei me lembrei da frase mais famosa do último rei, Juan Carlos: "porque no te callas!" Fiquei repetindo e a Gi ficou brava porque achou que eu estava mandando ela calar a boca! O Palácio tem um pátio central amplo, com chão irregular, mas não muito incômodo. As entradas para cadeirante e acompanhante são gratuitas, e uma pessoa te acompanha para acessar o Palácio, pois é preciso pegar um elevador escondido.
Trono do Rei e da Rainha
Dali fomos ao Mercado de San Miguel, uma espécie de Mercado Central sofisticado (quem é de BH sabe do que estou falando). Depois fomos  à Plaza Mayor, uma espécie de quarteirão fechado com vários restaurantes. No caminho há calçamento de pedras, meio desconfortável, mas tolerável. A praça mesmo é de pedras também'. Paramos em outro restaurante e comemos Tapas e Pincho, especialidades da Espanha. Gostei de Tapas com Ramon (que é carne da coxa de cedro defumada, muito gostoso) e Pincho é uma espécie de omelete recheada com batatas, muito bom também.
Mercado de San Miguel
Resumindo, Madri é um destino muito interessante e divertido, e leva a acessibilidade a sério. O metrô é a melhor opção de locomoção, mas é necessário se informar sobre os elevadores. De ônibus também é tranquilo para rodar pela cidade. Há alguns locais com chão de pedras, mas nada horrível para rodar. Há muito mais atrações do que se supõe, as pessoas são muito simpáticas e solícitas, e come-se muito bem nos restaurantes de lá. É uma cidade cosmopolita e divertida, vale a pena conhecer. Sem contar que é uma ótima alternativa de entrada na Europa.
Até pequenas escadas tem acesso!

terça-feira, 21 de outubro de 2014

De olho na acessibilidade para o turismo

Todos Juntos por um Brasil Mais Acessível
É relevante ver quando ações em diferentes partes do país ressaltam a importância da acessibilidade. Um assunto que deve permanecer sempre atual por colocar em jogo a locomoção de vários moradores que na maioria das cidades ainda encontra muitos obstáculos, infelizmente.
O Ministério Público do Paraná, sedia nos dias 23 e 24 de outubro, no auditório do edifício-sede do órgão, um workshop com a missão de dar continuidade  às ações de formação em acessibilidade voltadas a membros e servidores da instituição, e que a partir do encontro as iniciativas sejam multiplicadas.
O evento é organizado pelo Conselho Nacional do Ministério Público e tem  apoio e participação da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR). A abertura do eventro contará com uma palestra intitulada Acessibilidade: conceitos, tendências e desafios”, por Sérgio Paulo da Silveira Nascimento (SDH/PR). Outros assuntos como concurso público, atendimento prioritário, educação inclusiva estarão em pauta, além do debate no final do encontro.
Quem estiver interessado em participar pode se inscrever pelo e-mail nucleoacessibilidade@cnmp.mp.br.  Será expedido certificado de participação pelo CNMP.
Já em Pernambuco, um programa de capacitação nas redes hoteleiras está em curso. A ideia é investir na inclusão de turistas com deficiência. A Empetur -  Empresa de Turismo do Estado começou a atividade com 68 estabelecimentos, treinando seus funcionários. Incluem-se hoteis, bares, restaurantes e pousadas. A primeira etapa foi feita em parceria com o Sebrae, o treinamento foi liderado pela cadeirante Mosana Cavalcanti e por Manoel Aguiar, este último com deficiência visual, ambos consultores em acessibilidade.
Além da capital pernambucana, as cidades Olinda, Jaboatão dos Guararapes e a ilha Fernando de Noronha também tiveram o evento. O plano é expandir para outras cidades que integram as rotas turísticas do estado.
Infelizmente o Brasil anda a passos lentos na implementação de áreas de lazer e turismo preparados para receber turistas com deficiência, ainda há muito o que fazer, porém multiplicar iniciativas e divulgar essas ações corrobora para que a mentalidade da importância da acessibilidade aumente no país. Além de mostrar para uma grande parcela da sociedade que o deficiente deve estar inserido na coletividade igual a todos, na prática de esporte, na saúde, no mercado de trabalho, na vida social, e é claro, seguindo as rotas turísticas.
A locomoção das pessoas com deficiência pode ser facilitada se a cidade estiver preparada para tal, isso implica em oferecer qualidade de vida através de direitos básicos como ir e vir.

E sua cidade, está preparada para receber turistas com deficiência?

domingo, 19 de outubro de 2014

Viajando de Low Cost para (e pela) Europa

Moderno Airbus A330-200 da Air Europa
Viajar para a Europa era um sonho antigo. Após duas adiadas, resolvi colocar em prática meus planos este ano. Comecei a programar em maio, com a compra das passagens. Meu objetivo era passar por quatro países, portanto seriam várias passagens, além da principal, de ida e volta para lá. Recomendado por meu cunhado, que foi ano passado visitar o irmão que morava em Madri, escolhi a cidade como "porta de entrada" na Europa. Busquei por preços de passagens através dos Skyscanner, e as mais baratas eram pela Air China, que meu cunhado utilizou, e Air Europa, uma companhia espanhola. Fui ao site das companhias para comparar preços e datas. Ficaria 14 dias na Europa e queria pegar dia 1º de outubro, para comemorar meu aniversário lá.
O espaço para as pernas até que é razoável - minhas pernas que são enormes!
Após pesquisa sobre opinião de consumidores sobre as companhias e envio de e-mail questionando sobre o preparo para receber cadeirantes, escolhi a Air Europa. Após a compra da passagem, enviei mais um e-mail perguntando se eu poderia ser alocado nas primeiras fileiras, pois poderia esticar as pernas e mudar de posição, afinal seriam dez horas de vôo. Me confirmaram que o assento seria reservado para mim e na reserva estava informado que eu era cadeirante. Cheguei ao aeroporto de Guarulhos, e houve resistência para me alocar na primeira fileira. Mostrei o e-mail da confirmação deles impresso (*isso é fundamental, imprimir todas os e-mails*). Logo chamaram uma pessoa mais "graduada" e ela me fez a seguinte proposta: reservaria para mim uma fileira inteira de quatro assentos no meio, e eu poderia usar à vontade, os braços eram todos removíveis. Aceitei e embarcamos.
Pegamos uma fileira inteira
Me passaram para aquelas cadeiras estreitas para chegar até o meio do avião e transferi para a poltrona. O avião era um Airbus A330-200 para quase 300 pessoas, confortável e com tela individual para cada passageiro. Isso foi ótimo para ver filmes na viagem, vi dois inteiros. E a solução deles de reservar quatro poltronas foi ótima, pude deitar no colo da Gi e dormir, no fim das contas foi menos cansativo do que a viagem de oito horas para Orlando. O atendimento deles também foi muito bom, mostraram que estão preparado para lidar com deficientes, e o espaço entre poltronas não é tão apertado. Durante o vôo serviram vários lanches e refeições, e tem bastante entretenimento a bordo. Na volta não consegui as quatro poltronas porque o vôo estava cheio, mas aí me colocaram na primeira fileira - que na verdade não é a primeira, é só a primeira da classe econômica. Foi bom também porque pude esticar as pernas e mudar de posição, minimizando novamente o desgaste.
"Amarrado" à cadeira de avião
Outra grande preocupação ao fazer uma viagem destas é o banheiro. Não conheço nenhum avião com sanitário adaptado, portanto nem adianta reclamar. Fiquei contando com a experiência dos comissários e minha no vôo para Orlando. Daria um jeito. Quando deu o horário e senti que precisava ir ao banheiro, chamei os comissários. Trouxeram a cadeira, transferi para ela e fomos. Chegando lá, colocaram a cadeira de frente para a porta e sugeriram que eu tentasse transferir. Me segurei nas barras e na pia, e joguei o corpo para a frente, com alguma ajuda deles. Meus joelhos entraram na lateral do vaso, consegui colocar a perna em cima do vaso, mas percebi que não conseguiria virar o corpo. Minhas pernas são muito grandes, e o banheiro muito estreito. Voltei à cadeira e sugeri fazer como fiz no vôo para Orlando, um dos comissários me puxaria de frente e me colocaria em cima do vaso, e então a Gi entraria comigo. Primeira tentativa, ele não conseguiu me girar direito e voltamos à cadeira. Segunda tentativa, o cara já bufando, minhas pernas travaram na porta e voltamos à cadeira. Aí deram a sugestão: como o banheiro ficava entre duas classes, poderiam fechar as duas cortininhas nas laterais e eu faria a sondagem ali. Assim fizemos, e deu certo. Na volta, fiz diferente. Diminuí a ingestão de líquidos à noite (o vôo era às 23:30), fiz uma sondagem antes de embarcar e no vôo tomei pouco líquido, então fiquei até chegar no Brasil sem sondagem, para fazer no aeroporto. Foi melhor assim.
Espaço para as pernas na EasyJet. Melhor que alguns aviões daqui.
De Madri para Paris busquei passagens no mesmo site e o melhor custo benefício foi pela EasyJet, uma das mais famosas Low Cost da Europa - para quem não sabe, significa baixo custo. No site deles já mostram a preocupação com cadeirantes, você escolhe a necessidade que tem e compra sem marcar assento. Uma diferença básica com o Brasil, é que lá fora não tem essa de ficar chorando para ir na primeira fileira, que é reservada para deficientes, que você tem necessidade, que não adianta. A legislação lá proíbe que pessoas com deficiência ocupem as primeiras fileiras, pois são saídas de emergência. Mas eles são experientes com cadeirantes, auxiliam a passar para a cadeira estreita que te leva mais para o fundo, e depois para a sua poltrona. O que se consegue conversando é não ir muito para o fundo. Usei a mesma companhia para ir de Londres para Roma, mas de Roma para Madri usei a Ryanair, outra Low Cost. Vou contar como foi.
Avião da Ryanair. Meio feinho, né?
Viajar de Low Cost dentro da Europa é muito tranquilo. A verdade é que as Low Cost de lá são muito semelhantes às nossas companhias "normais", na EasyJet me senti na Gol, até a cor é igual! Os assentos são apertados - assim como os daqui - e não dão nada a bordo, só vendem - assim como no Brasil. A diferença é que lá eles sabem lidar com cadeirantes, perguntam sempre como podem ajudar e se necessário transferir sabem exatamente como te pegar e orientam com educação. Recomendo usarem sem medo, porém na Ryanair achei a poltrona mais apertada para as pernas, mas mesmo assim nada absurdo. Me acomodei bem, até dormi. O que se deve observar é em que aeroporto estas companhias operam, pois muitas vezes só utilizam aeroportos mais distantes e menores. Foi o caso da Ryanair, que decolou de Ciampino, cidade próxima a Roma. Comprei nela mesmo porque os outros aeroportos também são distantes. A diferença é que para outros há linha de trem direto, para Ciampino havia só ônibus. Acabei indo de táxi, não ficou tão caro, trinta euros. Porém houve outro inconveniente: lá só há embarque na pista, portanto precisei ir de Ambulift. Pelo menos estava funcionando, ao contrário de alguns daqui.
Espaço para as pernas na Ryanair. Apertadinho.
De Paris para Londres, e de Roma para Modena, viajei de trem. E rodei muito de metrô em Madri. Vou contar como foi em outros posts. Vivi o maior perrengue em viagens da minha vida em um desses trechos, fiquei até tenso - olha que isso não é fácil - mas depois ri muito. Vocês também irão rir!
Legal nos vôos pela Europa é o visual.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Cadeira Stand up

Cristiano de pé, na cadeira Stand-up
Cadeiras de rodas que deixam o cadeirante de pé não são novidade, a primeira vez que vi uma dessas foi na Reatech de 2009, um cara estava na fila para entrar amarrado na cadeira de pé e rodando! Era uma cadeira motorizada Stand-Up, da Freedom, e o mais interessante é que além de deixar o cadeirante de pé ela permite ser dirigida nessa posição. Dessa forma dá para pegar itens em várias portas de um armário sem precisar descer e subir toda hora.
Na época consultei o preço desta belezinha mas quase caí para trás, era quase quinze mil reais! É o preço do conforto... e da necessidade, pois ficar de pé é fundamental, já falei várias vezes aqui sobre a importância do ortostatismo. Como fico de pé usando talas, não pesquisei mais sobre esta cadeira. Recentemente, porém, um amigo meu, o Cristiano, de quem já falei aqui no blog, apareceu no Facebook com uma cadeira Stand Up. A diferença da dele é que, além de não ser motorizada, é beeeem mais em conta. É uma cadeira manual com um sistema elétrico que coloca o cadeirante em pé. 
Stand-up manual da Freedom
Ela custa pouco mais de cinco mil reais - não é barato, eu sei, mas considerando a média de preço das coisas para cadeirantes, até que não é exagerado. E os benefícios não são apenas para a saúde, dentro de casa é uma mão na roda poder ficar de pé em muitas situações. Para pegar coisas em prateleiras, para enxergar em lugares altos, e até para pendurar ou pegar roupa do varal são alguns exemplos. O sistema é muito simples, há um comando no braço similar ao de cadeiras motorizadas que aciona o sistema que coloca o cadeirante de pé. Cristiano disse que até a filha dele aciona facilmente o dispositivo. E esta gostando muito da cadeira, tem feito o ortostatismo com frequência e tem se virado melhor em casa. A desvantagem dela é o peso, tocar ela em locais íngremes é mais difícil. Mas como é uma cadeira voltada mais para o uso em casa,  isso não atrapalha. 
O transporte no carro é tranquilo, ela dobra e o dispositivo não é muito grande. Muito útil e prática para o dia a dia, se não fosse tão cara, seria uma ótima alternativa como segunda cadeira, para ficar em casa. Aliás, é uma ótima alternativa, para quem tem condições.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Corrida Maluca de Cadeirantes

Acelerando e se divertindo!
Já vi muitos eventos direcionados a cadeirantes, desde blocos de carnaval até movimentos sociais, como o Movimento Superação, mas nunca tinha visto um tão divertido quanto a Corrida Maluca de Cadeirantes realizada em Porto Alegre pela AACD em julho. Foi a segunda edição do evento, que reuniu 28 crianças cadeirantes fantasiadas e teve o objetivo de mostrar que a cadeira de rodas também pode fazer parte da brincadeira.
Achei muito criativas as fantasias, em maio fui a uma festa a fantasia e procurei por fantasias para cadeirantes, e só encontrei algumas crianças fantasiadas em halloween nos Estados Unidos. Muito bacana uma iniciativa destas por aqui.
Confiram o vídeo exclusivo sobre o evento e se deliciem com os rostos felizes das crianças:

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Mineiro está atravessando o país empurrando uma cadeira de rodas

Zé do Pedal na Cruzada pela Acessibilidade
Morei em Viçosa por 13 anos e sempre fui ciclista, andava de bike pra todo lado e fazia trilha todo fim de semana. Naquela época ouvi falar do Zé do Pedal, um ciclista que leva a sério a bicicleta como meio de trasporte e aventura. Ele já fez dezenas de viagens ao redor do mundo pedalando, fez documentários sobre as viagens, e agora está em uma nova iniciativa, caminhando ao invés de pedalar e ainda empurrando uma cadeira de rodas. Atualmente ele já está em Maceió, Alagoas. Vejam a história abaixo.
Demonstrando as dificuldades de cadeirantes
"O ativista mineiro José Geraldo de Souza Castro, Zé do Pedal, 56, começou no dia 10 de fevereiro o projeto: “Extremas Fronteiras – Barreiras Extremas” (Cruzada pela Acessibilidade). Uma caminhada, de 10.700km, empurrando uma cadeira de rodas, saindo de Uiramutã, Fronteira norte com a Venezuela, passando por 20 estados brasileiros: Roraima, Amazonas, Pará, Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia, Goiás, Brasília, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, lançou, na última segunda-feira, 13, seu novo site: www.zedopedal.com.br, idealizado e produzido pela agência de publicidade viçosense INTERMINAS.
Zé do Pedal divulgando a caminhada
A caminhada, que terá duração aproximada de um ano, tem como objetivo precípuo ministrar palestras em escolas nas comunidades visitadas visando atrair a atenção das crianças sobre um dos principais problemas que afetam às pessoas deficientes: as barreiras arquitetônicas (atualmente podem-se ver pessoas em cadeiras de rodas impossibilitadas de entrar em um banco ou setor publico, por falta de rampas de acesso ou de elevadores)., e, projetar uma imagem diferente da pessoa deficiente que não gere pena, senão Igualdade – Dignidade – Respeito, pois apenas eliminando as barreiras arquitetônicas e sociais que dificultam às pessoas deficientes a participarem ativamente em todos os aspectos da vida social, teremos um mundo mais justo e mais humano. Para alcançar este objetivo, após as palestras, em parceria com os Lions Clubes do Brasil, serão distribuídas cartilhas, em formato digital, da Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência."
Acompanhem suas aventuras no site do Zé do Pedal:
http://www.zedopedal.com.br/

domingo, 17 de agosto de 2014

Deficiente pode ser motorista profissional

Agora está regulamentado, podemos pegar a estrada
Em 1998, o Cotran, que é um órgão ligado ao Ministério das Cidades, e responsável pela regulamentação do trânsito no Brasil, proibiu a atuação do deficiente físico como motorista profissional, seja dirigindo caminhões, ônibus, vans escolares ou qualquer outro veículo que exigia a habilitação das categorias C, D ou E.
Porém, após muitas batalhas, em 2011, o Juíz Federal de São Paulo, Danilo Almasi Vieira Santos, concedeu o direito a qualquer deficiente de exercer a profissão, afinal, de acordo com a nossa constituição vigente, toda pessoa com deficiência física tem igualdade de tratamento, inclusive, o direito ao trabalho. Muitas pessoas não sabiam dessa possibilidade e podem, junto ao Detran, renovar a carteira de habilitação para exercer a profissão. Porém, o que ainda vemos é muita dificuldade e certo preconceito com relação ao trabalhador deficiente físico.
Ônibus e caminhões adaptados já rodam por aí
Primeiro, vamos falar das dificuldades. Para encontrar um caminhão que seja adaptado para as necessidades individuais – afinal, cada deficiente tem sua particularidade – é uma tarefa quase impossível. O mais fácil é bancar essa adaptação para evitar as demoras na fabricação de um veículo como esse. Os desafios para encontrar as melhores formas para adaptar apeças para caminhão e toda a mobilidade necessária é um grande desafio, porém, não pode ser encarado como algo insuperável, pelo contrário, é possível e deve ser enfrentado. O grande diferencial é não desistir até que o veículo esteja de acordo para que a profissão de motorista seja desempenhada da melhor forma.
A segunda questão é o preconceito. Talvez, os autônomos, donos de seus próprios veículos e negócios não sofram tanto, porém, o motorista que possui alguma deficiência física e que depende da contratação via CLT encontra muita dificuldade para ser contratado. Muitas empresas não possuem em suas frotas os veículos adaptados (e também não estão dispostas a adaptar), porém, há empresas que possuem políticas de integração e que permitem o acesso do deficiente físico ao trabalho como motorista. O desafio é encontrá-las.
O mais importante é não desistir do trabalho. Sabemos o quanto a vida fica mais difícil quando há uma dificuldade, porém, ao desistirmos de lutar por mudanças, acabamos nos entregando a situações que tornam a vida ainda mais complexa. Não deixe se abater pelas dificuldades e encare de peito aberto os desafios da vida. Sim, é possível ser motorista mesmo com alguma deficiência e, se você tem esse desejo, não deixe de realiza-lo.

sábado, 16 de agosto de 2014

Drive Thru: comodidade para cadeirantes

É só entrar, pedir, pagar e pegar
Você não odeia quando precisa comprar alguma coisa pequena, como um remédio ou um sorvete, e precisa sair de carro, aí desmonta cadeira, guarda no carro, chega ao destino e ainda precisa procurar vaga para estacionar, depois tira a cadeira, monta novamente, roda até o lugar e finalmente compra o que quer? O fato é que para nós cadeirantes pouca coisa é simples de fazer, mas hoje em dia há alternativas para nos poupar este trabalho. Uma delas é o disk entrega, e outra é o Drive Thru, que nos possibilita resolver pequenos pepinos sem sair do carro. 
O primeiro Drive Thru que me vem na mente é o do Mc Donald's, que existe há muito tempo. Você entra de carro, faz seu pedido em uma cabine e na próxima janelinha recebe seu rango bem embalado e ainda recebe o suco ou refri em um porta copos, o que facilita para quem não tem isso no carro. Outro que surgiu há alguns anos aqui em BH foi o da Drogaria Araújo, e é muito útil para quem compra remédios com frequência e não pode ficar sem. Já aconteceu comigo mais de uma vez precisar com urgência de algum remédio, e contei com a facilidade da Araújo Drive Thru, que, além disso, algumas ainda são 24 horas!
É uma mão na roda Drive Thru em farmácia
Muitas vezes eu nem levo a cadeira de rodas quando vou comprar alguma coisa e sei que tem Drive Thru, deixo na garagem mesmo, saio de carro, resolvo e volto. Mas nem todo Drive Thru é bom. Pra mim, o pior de BH é o do Habib's do Gutierrez, esses dias esperei longos 20 minutos para me entregarem o lanche, e ainda precisei desviar de montes de material de construção, estão reformando lá.
Há uma outra alternativa aos disks e drives, que uso muito: ligo para o lugar, explico que sou cadeirante e peço para levarem o produto no carro. Faço isso todo mês quando vou comprar material médico na Saúde Vida (tel. 3222-3295), ligo antes, eles separam o material e assim que eu chego em frente à loja, eles descem com o pedido e eu pago ali mesmo. É uma alternativa interessante para quem mora no interior e não tem a estrutura da cidade grande.
Em Brasília a coisa está ainda mais evoluída, já existe Drive Thru até de padaria, o que seria uma mão na roda para quem sai de manhã e precisa tomar café no caminho para o trabalho.
http://globotv.globo.com/rede-globo/bom-dia-brasil/t/edicoes/v/padaria-investe-em-drive-through-no-df/3550081/
Abaixo alguns endereços de Drive Thrus em BH.
MC Donald's:
- Rua Matias Cardoso, 26 - Santo Agostinho
- Av. Afonso Pena, 3960 - Cruzeiro
- Av. Antônio Carlos, 4269 - São Francisco
- Av. Cristiano Machado, 1901 - Cidade Nova 
- Av. Prudente de Morais, 1150 - Luxemburgo
-  Ah. Engenheiro Carlos Goulart, 21- Buritis 
Habib's:
- Rua André Cavalcanti, 211 - Gutierrez 
- Av. Cristiano Machado, 2450 - Cidade Nova
- Av. Vilarinho, 945 - Venda Nova
Drogaria Araújo:
- Av. Raja Gabaglia, 4427 -  Santa Lúcia
- Rua André Cavalcanti, 222 - Gutierrez (24 hs) 
- Av. Cristiano Machado, 1911 - Cidade Nova (24 hs)  
E você, conhece mais algum Drive Thru em BH ou na sua cidade para compartilhar conosco? Deixe nos comentários! 

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