terça-feira, 6 de abril de 2010

Recebendo amigos em casa

Diz o horóscopo que libriano é bom anfitrião, que gosta de receber os outros em casa. Não leio nem acredito muito em horóscopo mas nisso ele acertou. Sempre gostei de uma festinha caseira, juntar os amigos pra   fazer um rango, ver um filme, jogar um poker ou só tomar uma cervejinha mesmo. E agora nessa "fase" cadeirante este programa se revelou especialmente importante.
Não que eu defenda que cadeirante tem que ficar em casa - totalmente pelo contrário. E pratico mesmo o contrário, não passo um final de semana sequer sem sair de casa. Mas que a festa em casa faz bem, isso faz. E taí uma ótima dica pra quem é cadeirante - transformar o cafofo no pólo de encontros da turma. Não precisa ter uma mansão pra isso, mas uma sala razoável é necessária. E alguma criatividade.
Eu sempre gostei de um carteado. Minha preferência é o poker, mas o mais democrático é o buraco ou canastra. Quase todo mundo sabe jogar e não precisa de fichas ou outro acessório. E gente de todas as idades gosta (mas as mais velhas, principalmente solteiras, são viciadinhas). Então é só procurar saber quem curte e marcar a jogatina. Eu já tenho alguns parceiros.
Outra coisa que sempre reune amigos é gastronomia. Aqui em casa fazemos noite de comida japonesa, comida mexicana, e em breve sairá uma comida árabe. Não precisa ter uma chef em casa, é só combinar de cada um trazer um prato, ou descobrir quem tem jeito pra coisa e fazer na hora mesmo. O preparo também é parte da diversão, o povo na cozinha enquanto prepara o rango é motivo pra muita gargalhada. Enfim, juntar amigos é sempre bom, sendo cadeirante ou não. Quem sabe ser cadeirante seja apenas mais uma desculpa pra juntar a galera? Boa desculpa!!

sábado, 3 de abril de 2010

Como chegar em um cadeirante?

Das diversas "consultorias" que já dei desde que comecei com o blog, desde dicas para comprar um carro adaptado até questionários para projetos de TCC, os que mais me surpreendem (e me deixam feliz) são os relatos de pessoas que se apaixonaram por um cadeirante e não sabem como chegar. Não sabem porque ficam com medo de o cadeirante achar que não gosta dele de verdade, que é por pena, ou que é "pegadinha", a menina não pode estar gostando de verdade do cara, afinal ele "é só meio homem". E eu já vi relato real de um cadeirante que deixou de ficar com uma garota que estava afim dele e acabou ficando com uma outra cadeirante, talvez por achar que ela sim, tá na mesma que ele e pode aceitá-lo daquele jeito.
Essa é a pior forma de preconceito, o autopreconceito. É o que a Luciana, da novela, andou fazendo antes de "aceitar" a relação com o Miguel. Não acreditar que dá conta do recado, ou que possa stisfazer uma pessoa "nomal", é o pior erro de um cadeirante nesse momento. O que afirmo é que sim, independente da cadeira de rodas, somos capazes de satisfazer a parceira em todos os sentidos. E que as limitações físicas podem ter até seu lado bom, abrem espaço pra criatividade, pra busca de alternativas que podem se mostrar melhores do que as vias normais. Acontece que nem todo mundo sabe disso (ou procura saber).
Mas se há essa barreira do autopreconceito, o que fazer para chegar no cadeirante, mostrar a ele que não se importa com a deficiência e que quer investir no cara, vencer as barreiras e ser feliz? A receita do sucesso não é segredo, é o que sempre sugiro a quem me pergunta: diálogo. Tem que conversar e se abrir, ter coragem para expor os sentimentos e dizer na cara dura que o lance da deficiência é só um detalhe, assim como há outras tantas imperfeições em outras pessoas. Não digo um detalhe como sendo uma coisa simples, mas como uma coisa pequena em relação a um sentimento. Se a pessoa gosta de verdade da outra, não haverá barreira que impeça de ficar junto, nem desaprovação de amigos e família (acontece muito), nem dificuldade de acesso a algum lugar
Mas é necessário um certo tato. Um cara numa cadeira pode estar mais sensível, ou pode ficar mais desconfiado. A mulher pode, então, mostrar que o interesse é real através de dedicação, se informar bem sobre o assunto, saber como pode ser uma parceira nos desafios típicos de um cadeirante. Mostrar programas acessíveis, equipamentos que melhorem a vida dele, e casos de casais que deram certo. Podem me usar como exemplo!!

segunda-feira, 29 de março de 2010

Privada pública ou pública privada?

Ele é um dos lugares em que as maiores diferenças aparecem quando se é cadeirante: o banheiro. E é motivo de muita polêmica na luta pela acessibilidade.
Mas afinal, quais as adaptações ideais? As barras de apoio são a exigência mínima, necessárias em qualquer adaptação para cadeirante. As mais adequadas são as fixas de um lado e móveis do outro, como da foto abaixo, de um banheiro da UFMG, que permitem que o cadeirante coloque a cadeira ao lado do vaso para fazer a transferência, depois a retire e feche a barra para se posicionar melhor. Mas se houver pelo menos uma barra ao lado do vaso já é suficiente para se apoiar na hora da transferência.
Mas a grande polêmica no banheiro é mesmo o vaso sanitário. Há modelos com assentos mais macios, com assentos tipo meia lua, abertos na frente, e há até vasos sanitários com uma abertura no próprio vaso, como o da foto abaixo. Esta abertura, que causa estranhamento em muita gente, acredito que seja para dar espaço na hora de fazer o cateterismo. E é o modelo mais indicado, porque atende a qualquer situação. Mas o mais importante mesmo é o vaso ser mais elevado, em pelo menos quinze centímetros em relação ao chão, devido à altura da cadeira de rodas. Pode já ser feito mais alto, como o de baixo, ou sobre uma plataforma, como o de cima. Uma adaptação extremamente simples mas que muita gente deixa de fazer por falta de informação.
A ideia do post foi da minha amiga Sandra, de Petrolina, que me contou sobre um banheiro do aeroporto de Frankfurt, na Alemanha, que tinha até uma haste pendurada no teto para o cadeirante se pendurar para se arrumar melhor. E não é que ela descolou uma foto pra gente colocar aqui? Olha só que bizarro:
No fim das contas, o que deve ter o banheiro para um cadeirante: uma porta bem larga, com no mínimo 70 centímetros para entrar uma cadeira de rodas, barras de apoio ao lado do vaso sanitário e o vaso sanitário mais alto do que os modelos normais. E bastante espaço para manobrar a cadeira de rodas. Esqueci alguma coisa?

domingo, 28 de março de 2010

Artesamalt Choperia

Não sei se eu e o blog estamos sem moral, ou os cadeirantes de BH não gostam de sair de casa mesmo, mas não apareceu ninguém na comemoração de um ano do blog. Assim eu paro de escrever... Brincadeira, não ligo pra isso não, só queria conhecer pelo menos um cadeirante em BH e saber mais sobre a rotina, o dia-a-dia e as dificuldades que encontra. Quem sabe um dia.... Aliás, até ia aparecer, mas se atrasou e desencontramos.
O bar é muito bacana, mas logo na chegada já tive que esperar. A rampa, localizada ao lado da entrada principal, estava cheia de mesas e cadeiras. Aqui é assim, até tem acesso, mas geralmente é usado pra outra coisa, já que fica ocioso 99% do tempo.
Retiraram as tralhas e pude entrar pela rampa lateral. Mas aí veio outro detalhe: a área "disponível" para cadeira de rodas é restrita, praticamente, ao corredor que fica entre a cozinha/banheiros e a área rebaixada por dois degraus, onde fica a maioria das mesas. E tem ainda o andar de cima, acessível por uma longa escadaria. Os garçons até se ofereceram para descer a cadeira para a parte rebaixada se fosse minha vontade, mas fiquei ali mesmo.
Pelo menos o banheiro é muito bom. Independente para cadeirante, todo adaptado com barras, vaso sanitário próprio e bem amplo, não deixou a desejar. Só faltou uma trava na porta, não acreditei que não tinha, acho que por falta de uso também. Começo a suspeitar que fui o primeiro cadeirante a frequentar o lugar. Vou mandar pra eles as sugestões.
A estrutura do estabelecimento é um espetáculo, figura entre os top five de BH, ao lado de Pinguim e Krug Bier, com chop de fabricação própria com muitas variações, vasto cardápio com pratos sofisticados e ambiente de primeira. Comemos uma costelinha ao molho de pimenta biquinho que estava uma delícia, muito bem preparada. E o chop é muito bom, com espuma cremosa. Mas não é barato, sete chops e o rango deu quase sessenta reais. Mas vale pela qualidade.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Um ano de blog!!!


Na verdade um ano e 13 dias! Nem me toquei que tinha feito um ano, até ter a curiosidade de ver quando foi o primeiro post: dia 12 de março de 2009! 
Para comemorar proponho a todos os cadeirantes de BH e região ou que estejam por aqui para, no sábado dia 27/03 conhecer o Artesamalt, choperia que abriu há pouco tempo ao lado do Shopping Pátio Savassi, na Rua Lavras, 158. Liguei pra lá e disseram que tem rampa e banheiro acessível, então decidi conferir, já faz um bom tempo que quero conhecer o lugar e está é uma boa oportunidade. Mas não é só cadeirantes não, quem acompanha o blog e quiser pintar por lá será muito bem vindo! Não vou reservar mesa nem nada, vou chegar lá por volta das oito e meia e procuro uma mesa em um lugar mais amplo, se for o caso da mesa "crescer".
Parabéns pro blog!!!

Tylex na veia

Muitos médicos me avisaram. Fisioterapeutas também. Até enfermeiras dão um toque. Mas não tem jeito, na hora da dor intensa, só o super Tylex resolve. Mas não pode tomar muito, senão vicia!! É isso que o povo alerta.
E vicia mesmo. É que o remedinho contém codeína na sua fórmula, um derivado do ópio. É excelente para aliviar a dor, mas o uso frequente causa dependência. Não sou médico nem nada, só estou repetindo o que ouço. O pior é que ultimamente tenho tomado muito Tylex, umas três a quatro vezes por semana, pois as dores tem vindo com mais frequencia. Mas se não tomar, não consigo dormir. Não bastasse a perna pulando, tem as dores também. Ô noite de sono custosa... Mas até que consigo dormir, na base do cansaço. Um dia dormindo mal, no dia seguinte durmo bem. E assim o pobre vai sofrendo...
Voltando ao Tylex, já repararam no tamanho do comprimido? O negócio é gigante, vira e mexe agarra na garganta e só um litro de água pra fazer o bicho descer. Tudo bem que é uma mega dose de paracetamol com fosfato de codeína, mas precisava ser tão enorme? Imagino quem tem a garganta mais estreita, é capaz de morrer sufocado.
Mas vou tentar evitar tomar muito o danado, senão entro pra lista dos famosos que morrem jovens por verdose de remédios pesados, ao lado de atores, atrizes e cantores... Cruz credo, Deus me livre, é brincadeira, o que esse povo toma é pra acalmar elefante! Pro cavalo aqui, só um tylexzinho de vez em quando...

segunda-feira, 22 de março de 2010

Pernas com vida própria

Os espasmos fazem parte da vida dos lesados medulares, todos sabemos, mas eu tenho uns que estão me dando nos nervos (expressão bem coerente pra quem tem pobrema nos nelvo). Mas é sério, tem noites que não consigo dormir por causa de espasmos nas pernas, hora numa, hora noutra, e é a noite inteira, mudo de posição, fico sobre um lado, fico sobre o outro e nada, a perna não para de pular. Se mexem a noite inteira, quando bem entendem. É isso mesmo, minhas pernas tem vida própria. Mas pelo menos é melhor do que não ter vida nenhuma...
O que enche o saco é a sequência: ela dá três puxadas, fica quieta por uns quinze segundos, e depois dá três puxadas de novo. Mas não é toda noite, só quando elas estão mal humoradas. É a única explicação, pois não faço nada diferente, e numa bela noite elas começam a pular. São sistemáticas, enjoadas. Deve ser saudade da época em que eu dava 'meus pulos' (deixa minha namorada ler isso aqui).
Me lembrei de uma amiga de Vitória, que quando alguém enchia o saco ela dava um soco na pessoa e falava: "oh, desculpa, foi um espasmo!" Depois disso, qualquer coisa neguinho dava um murro e gritava "olha o espasmo!!" De vez em quando faço isso com quem me perturba. Acho que vou virar pro lado da namorada e dar uns chutes nela à noite só pra sacanear.
Eu tomo baclofeno de oito em oito horas para conter os espasmos, mas mesmo assim de vez em quando isso acontece. E agora como tenho ficado o dia todo sentado, os espasmos aumentaram. Mais uma vez, alongamento e mobilização passiva podem ajudar. Alguém sabe outra receita?

sábado, 20 de março de 2010

Na Minha Cadeira ou na Tua?

Depois de uma longa jornada, a Juliana Carvalho, publicitária que colabora no blog "Sem Barreiras", está lançando seu livro sobre aventuras e desventuras na cadeira de rodas de forma leve e bem humorada. Texto da orelha:


"Aos dezenove anos, uma doença colocou uma cadeira de rodas no caminho de Juliana Carvalho. Sem esconder os momentos dolorosos e a vontade de desistir, este relato autobiográfico extrai humor e esperança de situações difíceis e expõe a mistura de tragédia e comédia que caracterizam a sua – e a nossa – complexa condição humana.
Na minha cadeira ou na tua? percorre questões fundamentais do cotidiano dos cadeirantes, com informações sobre inclusão, acessibilidade e lutas por enfrentar, e intercala narrativas sobre a vida da autora antes e depois da lesão medular. Antes dela, Juliana relembra pensamentos, brincadeiras e a relação ingênua com a família durante a infância e fala sobre a descoberta do amor e do sexo, as festas, a rebeldia e as bebedeiras durante a adolescência. Já adulta, após a grande virada, a readaptação, a convivência com os novos limites, a superação e a percepção de que uma cadeira não modifica o fundamental: o que o ser humano é além do próprio corpo."


A autora

Juliana Carvalho nasceu em 1981, em Porto Alegre, e é publicitária. Cadeirante desde os 19 anos, quando teve uma inflamação na medula, é atuante no movimento das pessoas com deficiência. Apresenta o programa “Faça a Diferença”, que promove os direitos humanos e o respeito à diversidade, exibido na TV Assembleia do Rio Grande do Sul. Mantém os blogs “Comédias da Vida Aleijada” (comediasdavidaaleijada.blogspot.com) e “Sem Barreiras” (www.zerohora.com.br/sembarreiras), este do Grupo RBS, que aborda questões sobre acessibilidade e inclusão. Dirigiu o curta-metragem “O que os olhos não veem, as pernas não sentem”, premiado pelo Júri Popular do Festival Claro Curtas de Cinema. Na minha cadeira ou na tua? é seu primeiro livro.

Datas dos Lançamentos:

RJ - 08/04
Livraria da Travessa - Shopping Leblon
Afrânio de Melo Franco, 290 - loja 205 A

SP - 12/04
LIVRARIA CULTURA - CONJUNTO NACIONAL
Av. Paulista, 2073

BH - 15/04
Biblioteca pública estadual Luiz de Bessa
Praça da Liberdade, 21 – Funcionários

POA - 22/04
LIVRARIA CULTURA - BOURBON SHOPPING COUNTRY
Av. Túlio de Rose, 80 - Loja 302

Brasilía - 27/04
LIVRARIA CULTURA - CASAPARK SHOPPING CENTER
SGCV - Sul, Lote 22 - Loja 4-A



Vamos prestigiar esta grande conquista desta grande mulher! Eu vou comparecer no lançamento aqui em BH!

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...