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| E agora, quem poderá me ajudar? Chapolim?? |
Calma meninas, ainda não cansei da vida de "juntado" e voltei à esbórnia da solteirice... Mas tenho experimentado como é ser cadeirante e morar sozinho nos últimos meses. Primeiro, foi o descasamento de horários com minha namorida: desde fevereiro eu trabalho seis horas por dia, na parte da tarde. E ela continua pegando no serviço às 9:00. Então eu tenho que acordar sozinho (às 11:00 hs da madrugada), me arrumar sozinho, tomar café, ou melhor, almoçar sozinho e ir para o trabalho.
Depois, de março pra cá, a coisa piorou. Ela passou a estudar à noite duas ou três vezes por semana e vai direto do trabalho para a aula. Aí eu saio do trabalho sozinho, chego em casa, tomo banho sozinho, preparo meu lanche sozinho e vou para o sofá sofrer (ou melhor, jogar Playstation ou ficar na internet). Fiquei então pensando: qual o maior desafio para um cadeirante que mora sozinho?
Aí entra uma divisão: se a pessoa tem condições de pagar uma empregada (ou empreguete, sei lá) ou uma diarista que vá pelo menos duas vezes por semana, o maior desafio será se virar com coisas pessoais, como trocar de roupa ou preparar comida. Mas se o recurso financeiro está faltoso, então acho que o maior problema deve ser arrumar a casa. Não imagino o trabalho que deve dar segurar uma vassoura, varrer, empurrar a cadeira um pouco, depois varrer mais um pouquinho. E para limpar embaixo da cama ou do sofá? Deve ser um exercício. Físico e de paciência.
Para o primeiro grupo (em que me incluo), uma tarefa chatinha é vestir calça jeans. Cada um tem uma técnica, uns vestem deitados, mas eu prefiro na cadeira mesmo. Como minhas mãos são grandes, consigo apoiar no protetor de roupa da cadeira, seguro a calça com os polegares, me levanto e puxo, ou melhor, "pulo" dentro da calça. Ou seja, jogo o corpo para a frente e puxo com os dedões. Depois faço uma "dança" (muito sexy, por sinal) para acabar de chegar a calça no lugar, enfiando a mão pelas costas e puxando a calça pra cima, jogando o corpo ao mesmo tempo. Complicado né? Outras coisas como banho e lanche, são mais fáceis. Ainda mais em cidade grande, onde é possível pedir quase tudo em casa (no meu caso, a namorida já deixa tudo arrumandinho).
Para quem não pode contar com ninguém para dar uma mãozinha nas tarefas de casa, o trabalho é dobrado. Acho que a cozinha também é um grande desafio, pois cozinhar, lavar louça e panela, e ainda arrumar tudo depois, deve dar uma danada duma canseira. Sem contar que o cadeirante não alcança muito alto, então a cozinha tem que ser toda adaptada, inclusive os armários.
Só sei que cada dia mais eu tiro o chapéu para quem é cadeirante e mora sozinho. Uma hora ou outra, a pessoa passa raiva. Mas faz parte, é melhor ser independente e passar por isso do que depender dos outros. No fim das contas, é gratificante se sentir capaz, e dono do próprio nariz.