Eu e Andrezza (já sabem que é né) temos altas discussões na clínica, ela é muito boa de papo e de argumentos, tem hora que o povo acha que vai rolar um arranca-rabo. Discutimos os mais variados assuntos, e estes dias a questão foi: comparações entre deficientes físicos e viciados. Eu defendi o argumento de que é mais fácil uma pessoa vencer um vício do que um deficiente voltar a andar, depende "apenas" de força de vontade e disciplina. E que um deficiente pode ter a força de vontade que for que somente isso não põe ele de pé. Se o corpo não ajudar, se a medula não responder, nada feito.
Apesar de ser meio óbvio, foi difícil explicar, ela e a Duda (atual estagiária) afirmaram que vício é doença, e mesmo que a pessoa queira não consegue parar, algumas pessoas mesmo depois de internadas em clínica voltam para o vício.
Apesar de ser meio óbvio, foi difícil explicar, ela e a Duda (atual estagiária) afirmaram que vício é doença, e mesmo que a pessoa queira não consegue parar, algumas pessoas mesmo depois de internadas em clínica voltam para o vício.
E Andrezza dizia que eu tenho uma vida ativa, que um viciado tem que ficar em casa, não vai a alguns lugares, luta todo dia contra o vício. E que a maior parte acaba morrendo, pelo vício, por traficante ou polícia. Aí estávamos falando de coisas diferentes, concordo com ela que a vida é mais "normal" para um deficiente, mais fácil se adaptar e conviver com a deficiência, mas sustentei meu argumento que realmente é bem mais possível vencer um vício.
No fim das contas, dos males o menor, prefiro ser quebrado que viciado. Ironicamente, o único vício que eu tinha me deixou paraplégico: adrenalina. Se bobear, mata mais que cocaína.
No fim das contas, dos males o menor, prefiro ser quebrado que viciado. Ironicamente, o único vício que eu tinha me deixou paraplégico: adrenalina. Se bobear, mata mais que cocaína.









