Das diversas "consultorias" que já dei desde que comecei com o blog, desde dicas para comprar um carro adaptado até questionários para projetos de TCC, os que mais me surpreendem (e me deixam feliz) são os relatos de pessoas que se apaixonaram por um cadeirante e não sabem como chegar. Não sabem porque ficam com medo de o cadeirante achar que não gosta dele de verdade, que é por pena, ou que é "pegadinha", a menina não pode estar gostando de verdade do cara, afinal ele "é só meio homem". E eu já vi relato real de um cadeirante que deixou de ficar com uma garota que estava afim dele e acabou ficando com uma outra cadeirante, talvez por achar que ela sim, tá na mesma que ele e pode aceitá-lo daquele jeito.
Essa é a pior forma de preconceito, o autopreconceito. É o que a Luciana, da novela, andou fazendo antes de "aceitar" a relação com o Miguel. Não acreditar que dá conta do recado, ou que possa stisfazer uma pessoa "nomal", é o pior erro de um cadeirante nesse momento. O que afirmo é que sim, independente da cadeira de rodas, somos capazes de satisfazer a parceira em todos os sentidos. E que as limitações físicas podem ter até seu lado bom, abrem espaço pra criatividade, pra busca de alternativas que podem se mostrar melhores do que as vias normais. Acontece que nem todo mundo sabe disso (ou procura saber).
Mas se há essa barreira do autopreconceito, o que fazer para chegar no cadeirante, mostrar a ele que não se importa com a deficiência e que quer investir no cara, vencer as barreiras e ser feliz? A receita do sucesso não é segredo, é o que sempre sugiro a quem me pergunta: diálogo. Tem que conversar e se abrir, ter coragem para expor os sentimentos e dizer na cara dura que o lance da deficiência é só um detalhe, assim como há outras tantas imperfeições em outras pessoas. Não digo um detalhe como sendo uma coisa simples, mas como uma coisa pequena em relação a um sentimento. Se a pessoa gosta de verdade da outra, não haverá barreira que impeça de ficar junto, nem desaprovação de amigos e família (acontece muito), nem dificuldade de acesso a algum lugar
Mas é necessário um certo tato. Um cara numa cadeira pode estar mais sensível, ou pode ficar mais desconfiado. A mulher pode, então, mostrar que o interesse é real através de dedicação, se informar bem sobre o assunto, saber como pode ser uma parceira nos desafios típicos de um cadeirante. Mostrar programas acessíveis, equipamentos que melhorem a vida dele, e casos de casais que deram certo. Podem me usar como exemplo!!