sexta-feira, 21 de maio de 2010

Repórter paraplégico faz rapel e tirolesa em programa de TV


Paraplégico desde os 24 anos de idade, o repórter José Luiz Pacheco (48 anos atuais) do Programa Especial, exibido na TV Brasil, prova que turismo de aventura também pode ser praticado por pessoas com deficiência. No dia 21 de maio, às 19h30, vai ao ar a primeira da série de quatro reportagens em que ele mesmo é o protagonista, fazendo rapel, trilha e tirolesa, num parque ecológico adaptado, cheio de aventuras radicais, em Socorro, no interior de São Paulo.
No primeiro programa da série, Zé Luiz desceu uma tirolesa adaptada, com mais de mil metros de extensão, que começa em São Paulo, em Socorro, e termina em Minas Gerais, em Bueno Brandão. No segundo programa, usou uma cadeira especialmente desenvolvida e fez uma caminhada ecológica em uma trilha, junto com Gerônimo, que é deficiente visual. Depois, entrou na água para outra aventura radical, o rafting.
No terceiro programa, conheceu Bia, de oito anos de idade, também deficiente física. Os dois fizeram um passeio de charrete adaptada, e Bia ainda andou a cavalo, usando uma sela especial. No último programa da série, Zé Luiz fez o que nenhum cadeirante ainda havia feito no parque: desceu um rapel de trinta metros de altura, usando uma cadeirinha adaptada.
 
SOBRE O PROGRAMA ESPECIAL
O Programa Especial, exibido há seis anos, é dirigido por Ângela Patrícia Reiniger e apresentado por Juliana de Oliveira, tetraplégica desde 98, em consequência de um acidente de carro. O Programa conta ainda com a participação de Fernanda Honorato, que faz reportagens e tem síndrome de Down. Voltado para a inclusão social de pessoas com deficiência, sua abordagem trata o assunto de forma leve e informativa.
Segundo Ângela Patrícia, o Programa Especial, que apresenta episódios semanalmente de meia hora de duração, ajuda na desmistificação da imagem da pessoa com deficiência. "A sociedade ainda tem muito o quê avançar em relação a minimizar o preconceito", afirma.

SOBRE ZÉ LUIZ
Carioca, formado em Agronomia, José Luiz Pacheco é movido à adrenalina. Surfista da Zona Sul desde adolescente - quando a prática ainda não era levada a sério como esporte -, não se deixou abater pela deficiência imposta por uma queda de um telhado que o deixou paraplégico em 1976. Nesta época, percebeu que sua limitação não era o seu limite e seguiu os planos que já havia traçado, que era morar em um sítio em Nova Friburgo, na Região Serrana do Estado do Rio de Janeiro. Lá, enfrentou terra, barro, trilhas e buracos por 12 anos, onde era proprietário de uma loja comercial. Por conta disso, hoje, ele considera mais fácil passar com sua cadeira de rodas por locais, infelizmente, ainda não acessíveis na cidade.
O maior desejo de Zé Luiz era comprar um jipe, mas o fabricante não possuía carro adaptado para pessoas com deficiência. Com a solicitação atendida, o primeiro passo foi entrar no carro e colocar a cadeira dentro. Depois disso, seu carro o levava para lugares incríveis, podia mergulhar em uma cachoeira e rodar pelo mundo afora.
Em 2005, Zé Luiz viajou por oito países da América Latina no projeto Percepções, sendo ele próprio o motorista. Saiu do Rio de Janeiro junto com uma equipe de oito pessoas - quatro com deficiência - para uma expedição pela América do Sul. O projeto ganhou destaque e foi acompanhado durante dois meses e meio pelo programa Fantástico da TV Globo. O projeto passou pelo Uruguai, Argentina, Chile, Peru, Equador, Paraguai, Bolívia e Colômbia. Zé Luiz conheceu lugares como o deserto de Atacama (Chile), Machu Pichu (Peru), Bariloche (Argentina). Recebeu diversos relatos de pessoas contando que mudaram a sua vida depois de acompanhar pela tevê a expedição percebendo a viagem como exemplo de superação.
Em 2006, Zé Luiz participou do Rally dos Sertões, estreando na modalidade rally competitivo. Nunca havia feito um rally nem visto uma planilha de navegação. Atravessou rios, enfrentou trilhas acidentadas, pedras, areia e comeu muita poeira durante nove longos dias e por cerca de 3.880 quilômetros. Ficou em 12º (entre 18 competidores) na categoria Turismo, dirigida aos iniciantes da modalidade Regularidade que possuem um tempo ideal a cumprir. Na sexta etapa, de Barra a Seabra, ambas na Bahia, o carro capotou e teve sérias avarias, mas não desanimou, o Toyota foi consertado e ele continuou seu desafio passando por Goiás, Tocantins, Maranhão, Piauí, Minas Gerais e Bahia. Na festa premiação, recebeu o troféu Espírito do Rally por simbolizar o verdadeiro espírito de superação da prova.
Em 2007, participou do campeonato paulista de kart, nas 500 Milhas da Granja Viana, onde correu ao lado de grandes feras como Rubens Barrichello, Felipe Massa, Tony Kanaan, Bia Figueiredo entre outros. Com dois anos de experiência nessa modalidade, ele já conquistou mais de dez troféus.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Singela homenagem

Já tem um tempo que eu queria mostrar aqui a homenagem que minha namorada fez pra mim na semana santa. Fomos a Guarapari na casa dos meus pais, e meu cunhado resolveu passar no tatuador em que ele fez uma tatuagem em homenagem à minha irmã e ao filho deles, o nome dos dois em japonês no braço, por dentro do bíceps. Aí a Gi animou com a coisa e resolveu fazer também uma tatuagem, na nuca, do mesmo tipo, meu nome em japonês. Meu nome não, meu apelido, que na verdade me identifica até mais que meu nome, já que noventa por cento das pessoas que conheço me chama assim: Sam.
Ficou muito lindo, o pescocinho dela é branquinho e com o cabelo curto aparece mais a tatoo, cujo desenho ficou bem harmônico e discreto. Foi pra mim uma grande surpresa, pois ela não é do tipo "ousada" nem muito chegada a dor, foi mesmo uma forma de me homenagear, que me deixou muito feliz. E ela ficou ainda mais linda! Te amo, minha fofa!!

domingo, 16 de maio de 2010

Vaga pra quem?

Não acreditei quando fui ao Shopping Ponteio ontem degustar uma comida japonesa. Repintaram as vagas de deficiente, mas de onde é que tiraram esse símbolo de deficiente? Será um novo modelo de cadeira de rodas que deixa o cara mais de pé? Ou mais deitado, sei lá. Tudo bem, é só um detalhe, pois é o lugar com mais vagas reservadas que eu já vi, tem umas dez em sequência, e olha que o estacionamento não é tão grande assim. Mas que ficou engraçado, ficou. Confiram:

Fim da novela

É gente, com o fim da novela, os cadeirantes vão sair de moda. Mas não tão rápido, a cadeirante que inspirou a trama, Flávia Cintra, estreará um novo quadro no Fantástico, e continuaremos na moda!
Mas o importante não é estar na moda, é ser conhecido e compreendido por todos, o que evita o preconceito e facilita a inclusão. As pessoas não ficam cheias de dedos para lidar com um cadeirante, e dão mais valor a quem vive em uma cadeira de rodas. A Globo é muito legal nesse sentido, está sempre abordando problemas sociais ou deficiências em suas novelas, o que leva informação e curiosidade a toda população, contribuindo para a superação e inclusão.
A novela trouxe também esperança. Mas não esperança de voltar a andar, mas sim de viver o mais próximo possível da normalidade, trabalhar, estudar, viajar, se envolver com alguém, deficiente ou não, sair com amigos, ter filhos e curtir a vida. Acabou com aquela imagem de inválido, de dependente e isolado da sociedade.
E no fim das contas, todo mundo percebe o que é mais do que óbvio: somos pessoas normais que tem limitação motora, dependemos de uma cadeira para nos locomover. E só.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Aquela força

Quando fiz o post sobre o valor que devemos dar às mulheres de cadeirantes, que fazem o serviço "pesado" que homem geralmente faz, teve gente que disse que eu exploro a coitada da namorada, que deixo ela carregar coisas pesadas, e tudo mais. Mas não é verdade, eu ajudo muito, dou aquela força nas tarefas do dia a dia. Este fim de semana, por exemplo, fomos fazer compras do mês e dividimos bem as compras, ela carregou o carrinho cheio, como podem ver:
E eu levei o item mais pesado, e por coincidência o mais importante:
Tá vendo como sou legal? Quem não queria um namorado desses? E na hora de beber também fico com a maior parte!!
Depois das compras fomos ao Applebee's encontrar um casal de amigos e a Gi pediu um drink chamado Appletini, uma coisa verde sabor maça com uma cereja no fundo e tive uma grande sacada: se o cara quer sair do armário mas não sabe como, é só chamar os amigos e pedir um negócio desses. Quem tinha alguma dúvida, passa a ter certeza. É a bebida mais boiola que eu já vi!
P.S.: Vou começar a cobrar pelo merchandising, neste post tem pelo menos três marcas aparecendo!

sábado, 8 de maio de 2010

Dica pra motorista

Com a prática aprendemos macetes que tornam a direção mais segura e precisa. No meu caso pós-lesão, passei bons arregos até prestar mais atenção em um detalhe importante.
Num dos arregos, estava saindo do zoológico com o afilhado da Gi e senti o carro pesado, não desenvolvia, por mais que eu acelerasse. Demorou uns dois quilômetros pra eu perceber que estava com o pé no freio, e só o peso do pé estava apertando um pouco e segurando o carro.
Outro dia sai de casa e assim que cheguei na esquina e fui diminuir a velocidade o carro não freou. Sorte que não vinha nenhum carro na rua (minha rua dá em uma descida em que o povo desce a mil) e consegui puxar o freio de mão e parar o carro antes de bater na pracinha (que tem em frente à minha rua). Desta vez o pé estava por baixo do pedal de freio, impedindo que fosse apertado.
Em outra ocasião o susto foi maior. Estava saindo de casa, entrei no carro, liguei e engatei ré. Assim que engatei o carro saiu de uma vez, acelerando tudo, e quase bateu na parede. Sorte minha foi o reflexo que tive de apertar logo o freio e colocar em Neutro (ponto morto). Eu havia deixado o pé sobre o acelerador, e como o carro é silencioso, não percebi que estava acelerando fundo. Parei a meio metro da parede da garagem, aliviado por não ter sido pior.
Desde este último episódio fiquei esperto e sempre que entro no carro e coloco as pernas pra dentro, verifico se não estão em lugar inapropriado, encostando em algum dos pedais. Essa é a dica, sempre verifique onde os pés estão, já que não conseguimos perceber. Ainda mais se você tiver pés gigantes como os meus, número 45 (bico largo)...

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Benefícios do sexo para cadeirantes

O Ministro da Saúde já recomendou e o Fantástico testou: sexo faz bem à saúde. Mas e para um cadeirante, especificamente um lesado medular, quais os reais benefícios? Além dos comprovados na reportagem, quais outros nos atingem?
Como muita gente já está sabendo, cadeirantes podem ter uma vida sexual ativa e saudável, como todo mundo. Há as diferenças no preparo e as limitações de posição, mas a criatividade e o Kama Sutra estão aí pra isso. Os benefícios pra saúde do cadeirante englobam várias áreas. Primeiro, pra saúde mental, além de inserir socialmente (literalmente), fazer sexo minimiza a sensação de deficiência, afinal é uma coisa que todo mundo geralmente faz deitado. Traz também a revelação de que somos capazes de levar uma vida bem próxima da normalidade, poder satisfazer outra pessoa mostra mais uma capacidade que ainda se preserva.
Em muitos casos (no meu, por exemplo), a atividade sexual aumenta a sensibilidade, e a cada transa aparecem novas sensações, músculos ou até mesmo na pele sentimos novas atividades. E o melhor, o orgasmo é a cada dia mais sentido, o arrepio no corpo, a sensação de satisfação depois. Quanto mais nos concentramos no momento, mais essa confusão de sentidos traz bons resultados.
O benefício pra circulação também é nítido. Com o "exercício" do sexo, mesmo com movimentos limitados, nos esforçamos para encontrar boas posições e ter participação ativa no ato, proporcionando melhoria da circulação nos membros inferiores. E nos superiores também, claro.
E como o cadeirante pode ter mais prazer? No homem o orgasmo está muito ligado à ejaculação, e os lesados medulares descobrem o que as mulheres já sabem: há outras formas de sentir prazer e chegar ao orgasmo. Não vou me estender nisso, vou colocar links ao final, só acrescento dizendo o quanto é importante explorar outras áreas do corpo, outras formas de prazer. Mas é claro que a parceira tem que ser compreensiva e dedicada. Logo no início da lesão, tive uma namorada que não via sentido em fazer sexo oral comigo, já que minha sensibilidade era zero. Expliquei pra ela que só a imagem já me ajudava a ter mais vontade e prazer. A lição aí é que o diálogo, independente da situação, é o maior aliado do prazer.
É isso aí, o Ministro tem razão, sexo é muito importante pra saúde, inclusive de cadeirantes. E é bom demais da conta, né?
Links sobre sexo de lesados medulares:

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Festa no interior

Este fim de semana fomos pra roça, participar da III Festa do Chapéu de Paula Cândido. A cidade fica a 24 km de Viçosa, e é a terra da minha namorida, a Gi. No caminho já inventei uma aventura: no meio da estrada tinha uma placa indicando um atalho por uma estrada de terra, resolvi arriscar. Mas a estrada não estava tão boa assim no início, e de repente começaram as bifurcações. Sem placa, claro. Fomos pela intuição mas achei melhor perguntar, e felizmente estávamos no caminho certo e chegamos bem.
Bem na hora do almoço, diga-se de passagem, e pegamos uma costelinha com quiabo que minha sogra faz que não tem igual. Com tutu, linguiça de frango e farofa, só pra vocês babarem. Pra sobremesa, pé de moleque feito com rapadura e canudinho de doce de leite. Acho que engordei uns 5 quilos.
A festa era bem perto da casa da minha sogra, uns 50 metros. Só que a casa fica numa descida de pedra fincada (asfalto lá só na rua principal). Mas resolvi ir de cadeira mesmo, afinal meu concunhado tava lá pra isso mesmo. Sempre digo que se cunhado fosse bom não começava com cu, por isso concunhado tem que dar o dobro do trabalho. Na ida foi tranquilo, ele foi aparando a cadeira de ré até a parte mais difícil e depois foi empinando até a festa. Lá chegando me impressionou o preço, R$ 10,00 por cabeça, pra interior isso é muita grana. O lugar é gramado, mas cheio de buracos, e fica ao lado do campo de futebol da cidade. É meio apertado, mas acho que a ideia era pra ficar cheio com pouca gente.
Quando chegamos lá estava totalmente vazio, mas estava cedo, depois encheu. A grande atração da noite era "Raul Seixas cover", depois da banda "Energia". Chique, né? Ficamos lá na cervejinha e tira gosto até a Gi fazer a graça da noite: foi pegar uma cerveja e ela caiu no chão. E mesmo eu avisando, ela abriu a cerveja e deu um banho no meu concunhado, foi abaixar a latinha e deu banho em mais uns quatro. Ainda bem que tava todo mundo de costas e ninguém percebeu, senão a gente tinha apanhado.
Acabou o show do "Raul" e fomos embora. Na hora de subir... meu concunhado viu estrelas. Quase noventa quilos morro acima em chão de pedra fincada não foi fácil não. Mas as meninas ajudaram "guinchando" na frente e chegamos bem.
O fato é que acessibilidade ainda é uma palavra desconhecida no interior, mas acho que é falta de cobrança das autoridades (nem que seja dos vereadores), afinal eu sei que existem cadeirantes por lá também, mas caem na bobeira de achar que devem ficar em casa, que vão incomodar. Que bobagem, é só arrumar um concunhado!

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