domingo, 6 de junho de 2010

Pneu furado

Terça passada fui sair pro trabalho e a desagradável surpresa: o pneu da minha cadeira estava furado. Na hora pensei que seria fácil resolver, era só pegar uma roda da outra cadeira que tenho e colocar nessa. Mas eis que o eixo da M3 é mais fino que das cadeiras normais, e a roda não serviu. Que fazer, então?
Pensei em procurar um borracheiro ou casa de bicicletas para arrumar o pneu, mas o tempo que ia demorar para encontrar a loja, arrumar o pneu, pagar e ir embora ia atrasar eu e a namorada, afinal não dava pra eu sair do carro pra levar o pneu lá. Eu ir sozinho, então, muito menos, aí já perderia a manhã inteira de trabalho, pois além de montar e desmontar cadeira ao lado do carro, ia ter que passar para outra cadeira até ficar pronto.
Resolvi então ir trabalhar com o pneu furado, passar pra cadeira do escritório e pedir alguém pra levar o pneu pra arrumar numa loja de bicicletas lá perto na hora do almoço. Feito isso, o rapaz que levou a roda me ligou dez minutos depois dizendo que a loja não arrumava pneu. Esqueci que em BH não é que nem interior, onde isso é grande parte da renda das bicicletarias. Perguntei se tinham daquela câmera e negativo, a câmera é importada e o pneu muito fino, nenhuma câmera deles servia. Então lembrei daqueles remendos a frio, que dá pra colar só pressionando, mas cujo nome é de pronúncia comprometedora: Vipal. Pedi ao rapaz que trouxesse um daqueles kits e uma bomba, pois ainda serviria para fazer futuros remendos.
Aí transformei a mesa do escritório em oficina improvisada, o meu colega de sala deu aquela mão e resolvido o problema. Foi bom acontecer, vou ver se consigo uma câmera extra pra manter em casa, pois apesar de ter o kit e uma bomba, é bem mais rápido só trocar a câmera. Encontrei outra solução, substituir as rodas da cadeira por modelos como da bike abaixo, resolverá o problema e ainda matará minha vontade de pisar no chão!

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Cadeira-bunda-hora

Há alguns dias, em reunião com um diretor da empresa em que trabalho, descobri um indicador de competência que vai levar os cadeirantes aos melhores postos de trabalho do Brasil: o "cadeira-bunda-hora". Estávamos discutindo a gestão da estratégia da empresa e uma das iniciativas estratégicas dizia respeito ao comprometimento dos empregados com o trabalho, que abrangia aproveitamento de tempo no serviço e cumprimento de metas. Aí o diretor veio com essa história de que, para melhorar o desempenho, precisa aumentar o índice de "cadeira-bunda-hora" dos funcionários, ou seja, o tempo que o cara passa com a bunda na cadeira trabalhando de verdade, sem distração ou tomando cafezinho. Na hora eu puxei sardinha pro meu lado, dizendo que com certeza meu índice desse aí era o mais alto da empresa, afinal, eu não tiro a bunda da cadeira pra nada! Até quando vou pro cafezinho mantenho a bunda na cadeira. Mereço ou não uma promoção?
É isso aí galera, conta essa pro chefe e aproveita pra pedir aquele aumento tão sonhado, afinal ninguém tem mais cadeira-bunda-hora que um cadeirante!! Só não vale exagerar, senão acaba como o caveirinha aí de cima!

terça-feira, 1 de junho de 2010

Topo do Mundo

Se você anda meio pra baixo, achando que não tem futuro, que não consegue um bom emprego... seus problemas acabaram! Basta pegar o carro, se dirigir à BR 040 e ir pro boteco mais "alto nível" de BH: o Topo do Mundo. Aí você poderá dizer: Cheguei ao Topo do Mundo!! Ao sair de lá, continuará pobre e fudido, mas pelo menos terá a sensação inversa por alguns minutos! (Na verdade, você sairá ainda mais pobre, pois vai pagar pela cerveja!)
O bar/restaurante tem o visual mais fantástico que já vi, uma cadeia de montanhas maravilhosa, como podem ver na foto abaixo. É o point dos praticantes de Paraglider em BH e é fácil fazer um vôo duplo por lá. Até me ofereceram, mas eu não tinha ido lá pra isso. Mas fiquei com vontade, já saltei de paraquedas e a sensação é indescritível, fantástica. Quem sabe na próxima.
Já conheço o Topo há muitos anos, mas só fui lá como cadeirante três vezes, a última foi domingo. Não é um lugar muito adequado pra cadeirante, mas nada que uma forcinha dos amigos não resolva. Fui encontrar o pessoal do Clube Stilo, um grupo que reúne os apaixonados pelo carro da Fiat. Essa é uma dica legal pra quem mora em cidade grande e quer diversificar o círculo de amizades. Não dá só um monte de marmanjo que fica falando de carro o tempo todo, quase todo mundo leva a namorada ou esposa e não falamos quase nada sobre carros.
Voltando ao Topo, é um lugar que vale a pena conhecer de qualquer forma, e se possível passar um fim de tarde tomando uma gelada com amigos ou um vinho com a namorada. Ou um vinho com amigos e uma gelada com a namorada, ou quem sabe até um champanhe com a amante (ah, isso é demais... quer dizer, ouvi falar). O negócio é conhecer esse lugar incrível que dá uma amostra das belezas naturais de Minas e atiça a adrenalina, ao ver o pessoal do paraglider. Depois disso, você vai dizer: que Everest que nada, o topo do mundo é em Minas!!

domingo, 30 de maio de 2010

Hidroterapia

Semana passada comecei a fazer hidroterapia na Aquafisio BH. Eu já sabia que a água faz muito bem a quem tem lesão medular, mas não imaginava que fosse tanto. Quando estou na água a dor crônica que sinto quase desaparece, e como o corpo fica leve fica mais fácil visualizar qualquer movimento abaixo da lesão. E é um excelente exercício.
Dei sorte em encontrar esse lugar, a Joyce, minha fisioterapeuta, é especializada em fisioterapia neurológica e tem outros pacientes lesados medulares. Já estou fazendo exercícios de movimentação nas pernas e fiquei de pé na piscina com as talas, o que é bem mais fácil do que fora dela. Mas o que realmente ajuda no meu caso é a diminuição da dor, o que me permite fazer mais força. E não fico dolorido depois, pois relaxo um pouco no final e saio da água sem dores.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Migalhas

Se tem uma coisa que impressiona quando se vira cadeirante é perceber a quantidade de migalhas que caem quando a gente come. Quando estamos na mesa, dá pra ver as migalhas caindo, mas quando cai no colo, ainda mais de calça preta, a coisa fica preta. Ou melhor, se for uma daquelas roscas de padaria com açúcar por cima, a coisa fica branca. Parece que acabei de chegar do Polo Norte. E lá vem a pergunta: "Você já usou Shampoo Clear? É ótimo pra caspa!"
O pior é que percebo isso na hora do café no serviço, todo mundo comendo um lanchinho, minhas pernas enchendo de farelos e eu tentando esconder. E pra tirar os farelos é dose, bato nas pernas, tento tirar do assento da cadeira, mas quando passo pro carro é que vejo como a cadeira ainda guarda metade do pão da tarde.
Outro dia comi um pastel doce de banana com canela. A cada mordida eu via uma chuva de canela caindo no colo. Pior que o pastel estava uma delícia e comi uns quatro, minhas pernas ficaram que nem fuligem, tive que ir ao banheiro tentar tirar um pouco. Das pernas até consegui, mas quando fui pro carro vi a cadeira com quase um quilo de canela. Pelo menos deu pra aproveitar quando cheguei em casa, pra jogar em cima do arroz doce...

quarta-feira, 26 de maio de 2010

De quem é a culpa?

Quando se trata de um casal, 99% das vezes a culpa é da mulher. Mesmo porque nestes um por cento que faltam nós assumimos a culpa só pra fazer média.
Claro que essa postura machista não tem nada a ver comigo, mas listei alguns momentos em que a culpa é obviamente da mulher, e revelo algumas verdades.
- Dirigindo, um homem comete uma barbeiragem:
- Culpa da mulher que o distraiu ou não avisou do perigo. Na maior parte das vezes a distração foi causada por outra mulher passando na rua, mas não dizemos por respeito. Vejam como somos legais.
- Quando erramos o caminho pra algum lugar:
- Essa é clássica, culpa total e absoluta da mulher. Ela não viu a placa que passou, uma função básica de co-piloto, obrigação de quem está no banco ao lado. Neste caso também não vimos a placa porque tinha uma gostosa bem na frente dela.
- Quando saímos com roupas que não combinam:
Ah, fala sério, não tem nada cuja culpa seja mais da mulher do que neste caso. Ela tem por obrigação ser nossa consultora de moda. Na verdade nos vestimos sem prestar atenção porque estávamos pensando na gostosa da placa.
- Quando compra alguma coisa e na loja ao lado tinha mais barato:
- Culpa da mulher que não pesquisou preços pra ele, afinal ela adora pesquisar no supermercado. Nesse caso compramos na loja que tem a vendedora mais gata, independente do preço.

Enfim, se você, mulher, não gostou deste post, culpa sua, pois não tem senso de humor apurado. Afinal, nós homens não cometemos erros. Depois de cometer o erro fatal do casamento, não tem espaço pra mais nada.

domingo, 23 de maio de 2010

O verdadeiro altruísta

Certa vez entrei numa discussão sobre a existência ou não do verdadeiro altruísta, uma pessoa que faz o bem para outro sem querer nada em troca. Nada mesmo, nem mesmo um obrigado. É a pessoa que não pensa que o outro é mal agradecido se não lhe dá ao menos um obrigado.
Fazer o bem, ajudar, ensinar, pode sim ser uma atitude desinteressada. Foi o que eu defendi. Mas muita gente acredita que um mínimo de "recompensa" é sempre esperado, seja numa oportunidade em que você precise da outra pessoa e ela tem a "obrigação" de te ajudar, já que você o fez no passado, seja uma atitude qualquer que lhe faça valer o esforço, um agradecimento, uma oferta de algum benefício. Fato é que se você faz o bem, a probabilidade de receber o bem de volta é grande, mas nem por isso deve exigir que isso aconteca.
Há alguns testes pra saber se você é um verdadeiro altruísta, ou altruísta puro. Pense em uma situação em que você ajudou alguém e essa pessoa nem sequer lhe deu obrigado, ou pior, saiu xingando e dizendo que não precisava. O que sentiu? Que o indivíduo é um mal agradecido, que não devia ter ajudado? Ou que quem perde é ele por não saber dar valor a uma ajuda?
Nós cadeirantes estamos sempre precisando de auxílio, por mais independentes que sejamos. Afinal, sempre pinta uma escadinha no caminho, mesmo com dois degraus, aí só alguém pra ajudar a subir mesmo. Deste ponto de vista, podemos perceber com mais facilidade quem ajuda por prazer e quem ajuda porque pedimos. Não desmereço quem ajuda só porque pedimos, são boas pessoas com certeza. Mas que é raro encontrar um altruísta de verdade, isso é.
E você, deficiente ou não, pode se dizer seguidor do lema "fazer o bem, sem olhar a quem" ou no fundo no fundo espera alguma coisa em troca de uma atitude de bondade?

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Gases

Taí mais um problema que cadeirantes enfrentam, o acúmulo de gases. Mas os lesados medulares tem outro probleminha junto, a falta de controle. E isso pode causar situações muito constrangedoras. E engraçadas.
Até que não passei tanta vergonha com isso, no trabalho foram poucas vezes, e só numa delas saiu um pouco mais alto, que não dava pra disfarçar.
Na empresa em que trabalho tem massagem rápida duas vezes por semana (chique né?), e é feita naquelas cadeiras próprias que a gente senta de bruços apoiando o peito e põe a cara num buraco almofadado. Como a cadeira é toda regulável, o assento fica na altura da minha cadeira e consigo passar pra ela. Mas demanda um certo malabarismo e esforço. Tem que colocar de frente pra minha cadeira, eu coloco os pés paralelos, seguro na cadeira de massagem e jogo o corpo de uma vez, me segurando pra não voltar. Numa dessas "artes", no meio do caminho, no auge do esforço veio aquele peido sonoro, seguido de um "ahhhhh" que eu dei pra disfarçar um pouco. Mas não teve jeito, a menina da massagem já soltou um "Êpa!!" e o resto do povo que estava na sala ficou segurando o riso. Como não tinha o que fazer, enfiei a cara no buraco e falei qualquer coisa pra tirar o clima. Depois fiquei quietinho.
O problema é que muitas vezes o excesso de gases causa dores no peito, então toda semana eu tomo luftal pelo menos duas vezes (em casa, claro) e solto alguns rojões. Minha namorada já acostumou, afinal, é função da mulher conviver com o peido do marido...

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